Utilize o conteúdo da aula, designado por "Subsídio para o Evangelizador", para desenvolver palestras espíritas para jovens e adultos.

Aula 136 - As "tentações" de Jesus

Ciclo 1 - História: A tentação do Cristo - Atividade: PH - Jesus - 98. A tentação de Jesus.
Ciclo 2 - História: A tentação de Jesus
  - Atividade: PH - Jesus - 99. As tentações de Jesus.
Ciclo 3 - História: O problema da tentação  - Atividade: PH - Jesus - 100. Vigiai e orai.

Dinâmicas: Resistir a tentação; Tentação.  
Mensagens espíritas: Tentação.

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 4 (Lucas 4:1-13; Marcos 1:12-13)

4.1 Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo.

4.2 E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome;

4.3 E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães.

4.4 Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.

4.5 Então o diabo o transportou à cidade santa, e colocou-o sobre o pináculo do templo,

4.6 E disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te de aqui abaixo; porque está escrito:  Que aos seus anjos dará ordens a teu respeito, E tomar-te-ão nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

4.7 Disse-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.

4.8 Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.

4.9 E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.

4.10 Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

4.11 Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam.


Mateus - Capítulo 26 (Marcos 14:38)

26.41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.

 

Tópicos a serem abordados:
- Tentação significa sentir atração por coisa inapropriada, ou seja,  é ter inclinação para o mal e aceitar a influência de Espíritos inferiores. Considerando este conceito, poderíamos supor que um Espírito perfeito e incorruptível  como Jesus teria sido tentado pelo Diabo? Não. Para compreendermos este trecho da Escritura, não devemos interpretar literalmente (ao pé da letra), é necessário extrair "o espírito" da letra, pois o texto é simbólico.
-
Diabo ou Satanás é o nome dado à coletividade dos espíritos inferiores que se comprazem no mal. Eles sugerem aos homens imperfeitos pensamentos malévolos e os influenciam em todas as ações más. No entanto, o Espírito do mal nada poderia fazer sobre a essência do bem.  Por isso, podemos afirmar que as tentações de Jesus são, pois, uma alegoria, tal fato não ocorreu.  Este trecho do Evangelho são ensinamentos para aqueles que ainda são suscetíveis a cometer erros.  
- Na trajetória da nossa evolução, o espírito encarnado é, de vez em quando, submetido a exames pela vida com o fim de verificar o aproveitamento na posição em que se acha.  Essas situações que estimulam fraquezas (ou impulsos inferiores) são denominadas tentações. A tentação liga-se sempre a uma fraqueza, ou seja, a um impulso ao qual temos dificuldade para resistir; somos tentados onde somos fracos. Por exemplo: a bebida (embriaguez), a violência, ao furto, a gula,  etc. As tentações a que somos submetidos constituem, assim, uma espécie de exame ou sistema de aferição de nosso adiantamento. Os que vencem, esses adquirem novas forças e elevam-se a níveis superiores; os que sucumbem, estacionam e vão repetindo as lições da vida, até que as aprendam suficientemente.
- Na primeira tentação em que o espírito mau  diz: "ordena a estas pedras que se transformem em pães”,  e o Mestre responde: “não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, Jesus quis ensinar que não necessitamos apenas de pão material, para o sustento de nosso corpo físico , mas precisamos, acima de tudo, do alimento espiritual que fortalece a nossa alma e proporciona a construção do reino de Deus dentro de nós mesmos.
- Na segunda tentação em que diz:" lança-te daqui para baixo”, e o Mestre responde: “Não tentarás o Senhor teu Deus”, quis mostrar que devemos nos submeter as leis naturais criadas pelo Pai Celestial.  Quanto maior for a submissão à justa e soberana vontade de Deus, maior será a nossa paz interior . Além do mais , ninguém consegue burlar as leis divinas. A Justiça Divina é infalível. Não deixa impune qualquer desvio do caminho reto. Não há falta alguma, por mais leve que seja, nenhuma infração da sua lei, que não acarrete conseqüências .
-Na terceira tentação em que diz : "Dar-te-ei a posse de todos os reinos do mundo, se, prostrado a meus pés, me adorares", o Espírito mau faz uma alusão clara à acumulação de riquezas e ao prestigio social com que muitos homens sonham. Muitas pessoas,  embora possuindo, já, o bastante para levarem uma vida confortável e tranquila por muitos e muitos anos,  não se dão por satisfeitas e convertem-se em máquinas de ganhar dinheiro, adquirindo o vício da avareza. Além disso, na ânsia de aumentar sempre a sua fortuna, não hesitam em empregar a astúcia, a violência e a corrupção, pouco se importando com as lágrimas, o desespero e o sofrimento daqueles a quem  iludiram ou prejudicaram.  Por esse motivo, Jesus lhe responde: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás” , ou seja,  “ninguém pode servir à dois senhores (a Deus e as riquezas) ; porque ou há-de aborrecer um e amar o outro, ou há-de acomodar-se a este e desprezar aquele.” (Mateus 6:24)
- A maneira mais simples de evitar a queda em tentações é  cada um estabelecer um tribunal de autocrítica, em  sua própria consciência, procedendo para com o outro, na mesma conduta de retidão que deseja da ação alheia para consigo próprio. Por isso, Jesus Cristo fez a seguinte advertência:  “Orai e vigiai (o seu pesamento) , para não cairdes em tentação”.

Perguntas para fixação:
1. Qual é o significado da palavra "tentação"?
2. Jesus foi realmente tentado pelo mau Espírito?
3. Por que os Espíritos maus não conseguem influenciar Jesus?
4. Por que os Espíritos maus conseguem influenciar os seres humanos?
5. O que ocorre com aqueles que caem nas tentações?
6. O que ocorre com aqueles que vencem as tentações?
7. O que Jesus quis ensinar quando disse: “não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”?
8. O que Jesus quis ensinar quando disse:“Não tentarás o Senhor teu Deus”?
9. O que Jesus quis ensinar quando disse: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”?
10.  O que devemos fazer para evitar a queda em tentações?

Subsídio para o Evangelizador:
            Segundo o dicionário Michaelis, a palavra "tentação" significa: "1. Ato ou efeito de tentar; tentamento. 2. Impulso íntimo dirigido para o pecado, originado dos instintos inferiores ou da malignidade do tentador: “Ela não parecia das que tentavam, era uma criança, era muito cedo para isto. Mas tinha medo da tentação que vinha dentro dele, que o demônio punha dentro dele”. 3. Apetite ou desejo violento. 4. Indução para o mal, por sugestões do diabo ou da sensualidade." (Site: https://michaelis.uol.com.br/busca?id=po5l1)
            Segundo o espírito André Luiz, Tentação significa: " Posição pessoal de cativeiro interior a vícios instintivos que ainda não conseguimos superar por nós mesmos." (O Espírito da Verdade. A rigor. Espírito André Luiz.  Psicografado por Waldo   Vieira)
            Para o bom entendimento do texto acima, mister se faz, antes de mais nada, considerar que as palavras de Jesus são “espírito e vida”, cumprindo-nos, portanto, extrair, da “letra que mata, o espírito que vivifica”.
Essas três grandes tentações foram mesmo vividas pelo Mestre? Não, certamente, nas circunstâncias aí mencionadas, que só podem ser uma alegoria, de vez que nunca existiu tal elevação, de cujo topo se pudesse descortinar toda a superfície da Terra, dificuldade essa que se torna maior ao lembrar-nos de que nosso mundo tem forma esférica, o que impossibilita a visão das regiões antípodas.
            Viveu-as ele, ao longo de séculos e milênios. São os mesmos trâmites pelos quais todos estamos sujeitos a passar, em nossa jornada evolutiva, neste ou em outros planetas.
            De origem comum à nossa, mas gerado num passado remotíssimo, Jesus, nosso irmão mais velho, de há muito que se acrisolara, adquirindo os atributos da perfeição. Foi, pois, com a autoridade de quem já “venceu o mundo”, isto é, de quem superou as contingências da natureza humana, que recebeu a sagrada incumbência de formar a Terra e presidir ao destino dos terricolas (encaminhá-los para Deus), tornando-se, assim, o Senhor e Salvador nosso.
            Como é óbvio, Bomente quem haja percorrido determinado trajeto estará em condições de guiar a outrem por ele, com plena segurança, sem risco de extraviar-se; daí o poder Jesus afirmar, peremptoriamente : “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vai ao Pai senão por mim”. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 55 - A tentação de Jesus I. Rodolfo Calligaris)
Segundo João Evangelista, " Jesus não foi arrebatado. Ele apenas quis fazer que os homens compreendessem que a Humanidade se acha sujeita a falir e que deve estar sempre em guarda contra as más inspirações a que, pela sua natureza fraca, é impelida a ceder. A  tentação de Jesus é, pois, uma figura e fora preciso ser cego para tomá-la ao pé da letra. Como pretenderíeis que o Messias, o Verbo de Deus encarnado, tenha estado submetido, por algum tempo, embora muito curto fosse este, às sugestões do demônio e que, como o diz o Evangelho de Lucas, o demônio o houvesse deixado por algum tempo, o que daria a supor que o Cristo continuou submetido ao poder daquela entidade? Não; compreendei melhor os ensinos que vos foram dados. O Espírito do mal nada poderia sobre a essência do bem. Ninguém diz ter visto Jesus no cume da montanha, nem no pináculo do Templo. Certamente, tal fato teria sido de natureza a se espalhar por todos os povos. A   tentação, portanto, não constituiu um ato material e físico. Quanto ao ato moral, admitiríeis que o Espírito das trevas pudesse dizer àquele que conhecia sua própria origem e o seu poder: “Adora-me, que te darei todos os remos da Terra?” Desconheceria então o demônio aquele a quem fazia tais oferecimentos? Não é provável. Ora, se o conhecia, suas propostas eram uma insensatez, pois ele não ignorava que seria repelido por aquele que viera destruir-lhe o império sobre os homens. “Compreendei, portanto, o sentido dessa parábola, que outra coisa aí não tendes, do mesmo modo que nos casos do Filho Pródigo e do Bom Samaritano. Aquela mostra os perigos que correm os homens, se não resistem à voz íntima que lhes clama sem cessar: "Podes ser mais do que és; podes possuir mais do que possuis; podes engrandecer-te, adquirir muito; cede à voz da ambição e todos os teus desejos serão satisfeitos." Ela vos mostra o perigo e o meio de o evitardes, dizendo às más inspirações: Retira-te, Satanás ou, por outras palavras: Vai-te, tentação! “As duas outras parábolas que lembrei mostram o que ainda pode esperar aquele que, por muito fraco para expulsar o demônio, lhe sucumbiu às tentações. Mostram a misericórdia do pai de família, pousando a mão sobre a fronte do filho arrependido e concedendo-lhe, com amor, o perdão implorado. Mostram o culpado, o cismático, o homem repelido por seus irmãos, valendo mais, aos olhos do Juiz Supremo, do que os que o desprezam, por praticar ele as virtudes que a lei de amor ensina. “Pesai bem os ensinamentos que os Evangelhos contêm; sabei distinguir o que ali está em sentido próprio, ou em sentido figurado, e os erros que vos hão cegado durante tanto tempo se apagarão pouco a pouco, cedendo lugar à brilhante luz da Verdade.” (A Gênese. Cap. 15. Item 53. João Evangelista, Bordéus, 1862. Allan Kardec)
            O diabo, demônio, satanás, ou que outro nome se queira dar ao tentador, não é uma entidade real, votada à perdição dos homens, em eterna oposição aos desígnios de Deus...(Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 55 - A tentação de Jesus I. Rodolfo Calligaris)
            Diabo ou Satanás; é a designação que se aplica à coletividade dos espíritos ignorantes que se comprazem no mal. Inspiram aos homens pensamentos malévolos e os secundam em todas as ações más. Para repeli-los devemos cultivar bons pensamentos, viver uma vida pura e fortificarmo-nos com orações diárias. Um dia essa coletividade desaparecerá do ambiente terreno, porque todos os espíritos que a integram, se evangelizarão. E depois de evangelizados farão parte da coletividade do Espírito Santo. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 4. A tentação de Jesus. Eliseu Rigonatti)
            Os “quarenta dias e quarenta noites” de permanência “no deserto” simbolizam o longo período de nosso estágio nos reinos infra-humanos, nos quais os germes de nossos futuros desenvolvimentos anímicos jaziam, latentes, na aridez da semiconsciência.
            A “fome” que, então; se manifestou, representa a eclosão de nossa individualidade racional, com os anseios de crescimento e de perfectibilidade que a caracterizam.
            Quanto às respostas dadas por Jesus , ao “diabo”, é bem de ver-se, constituem sínteses da Doutrina que, ao depois, iria ele explanar nos três anos de seu ministério público, ensinando-nos como vencer nossas fraquezas e inferioridades, a fim de "tornar-nos “unos com ele como ele o é com o Pai celestial”.(Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 55 - A tentação de Jesus I. Rodolfo Calligaris)
            Para interpretar com segurança um trecho da Escritura, é mister:
            a) isenção de preconceitos
            b) mente livre, não subordinada a dogmas
            c) inteligência humilde, para entender o que realmente está escrito, e não querer impor ao escrito o que se tem em     mente.
            d) raciocínio perquiridor e sagaz
            e) cultura ampla e polimorfa mas sobretudo:
            f) Coração desprendido (puro) e unido a Deus.
            (...) Os números possuem sentido muito simbólico, assim:
            10 - diversos
            40 - muitos
            7 - grande número
            70 - todos, sempre
            (A sabedoria do Evangelho. Interpretação. Carlos Torres Pastorino)
            O Senhor, em suas respostas, deixou entrever o seu pouco apreço à prática do jejum, que deve ser entendido como “jejum” na abstinência de atos maus e imorais, e não como jejum na ingestão de alimentos, prática essa que não tem qualquer valor de conseqüência espiritual, pois o próprio Cristo asseverou em Marcos, 7: 15: “Nada há, fora do homem, que entrando nele o possa contaminar; mas o que sai dele, isso é que contamina o homem”. (Os padrões evangélicos. Melhor é o velho...Paulo Alves Godoy)
            Portanto, quando se diz que Jesus jejuou 40 dias e 40 noites no deserto, deve-se entender de forma simbólica. De acordo com Paulo da Silva Neto Sobrinho, " (...) até mesmo a questão de Jesus ter ficado quarenta dias no meio dos discípulos poderíamos entender de outra forma, pois o número 40 possuía, para eles (os judeus), um significado importante, observem:
            O povo hebreu permaneceu 40 anos no deserto;
            No dilúvio choveu 40 dias e 40 noites;
            Jacó ao morrer ficou 40 dias embalsamado;
            Moisés ficou no Sinai 40 dias e 40 noites, quando recebe os Dez Mandamentos;
            Deus, por castigo, entrega os israelitas aos filisteus por 40 anos (Jz 13,1);
            Em desafio um filisteu se apresenta ao exército hebreu por 40 dias (1Sm 17,16);
            Davi reinou por 40 anos (2Sm 5,4);"
            O templo tinha 40 côvados.(1Rs 6,17);
            O reinado de Salomão durou 40 anos (1Rs 11,42);
            Elias, após comer o que um anjo lhe dá, caminha 40 dias e 40 noites (1Rs 19,8);
            (Artigo: A aparição de Jesus após a morte. Paulo da Silva Neto Sobrinho.Fonte: https://espirito.org.br/artigos/a-aparicao-de-jesus-depois-da-morte/)
            Aliás, se esta passagem realmente tivesse ocorrido, segundo Cairbar Schutel, "Certamente o Diabo não teve por fim tentar o Filho de Deus, mas, sim, reconhecê-lo, embora os evangelistas pensassem que o escopo do Diabo era fazer o Filho de Deus prevaricar."
            Na vida popular de Jesus, vemos que os diabos que representavam o governo também pediam milagres, pediam sinais, para apreciarem melhor se, de fato, Jesus era o Messias; e aqueles que receberam provas demonstrativas de que Jesus, com efeito era o Cristo, se converteram. Vemos, por exemplo, a conversação de Jairo, que era chefe de sinagoga; a de Zaqueu; vamos dizer também a de Nicodemos e outras.
            Contudo, a maioria não teve senão provas morais, porque o Mestre não dava nem um Sinal à geração perversa. Só o "sinal de Jonas" poderia ser dado, assim como não quis dar nem um sinal a Satanás, ao Diabo, que no deserto, no pico do monte e no pináculo do templo, tentou tirar provas se de fato Jesus era o filho de Deus.
            Se o Mestre quisesse, Ele, que era acompanhado de um exército de Espíritos seus auxiliares, de uma milícia de anjos, podia, sem desdouro para si mesmo converter pedras em pão, como converteu a água em vinho nas Bodas de Caná; podia demonstrar ao Diabo que os reinos da Terra, Ele e a milícia que o seguia tomariam de um jato, independente da vontade do Diabo, assim como ressuscitou contra a vontade de Satanás, que até chegou a mandar soldados lhe guardarem o túmulo; podia lançar-se do pináculo do templo, assim como andou a pés enxutos no Mar da Galiléia; mas não quis satisfazer as exigências do Diabo, porque o único sinal que o Diabo precisava receber era o de ser Ele o Filho de Deus, era vê-lo cumprir a Lei de Deus. E, de fato, esse sinal foi o bastante para que Jesus dominasse o poder do Diabo e se tornasse conhecido do Diabo; "O Diabo o deixou; e eis que vieram anjos e o serviam."
            (...) Aclarando a narração dos Evangelhos, vemos que logo depois de haver-se dado Jesus a conhecer a João Batista, que era o seu precursor, o seu "apresentador", conhecimento que mereceu a sanção do Espírito "que desceu sobre Jesus" imediatamente o Espírito o impeliu para o deserto, diz o Apóstolo Marcos, e o Apóstolo Lucas acrescenta que "cheio do Espírito             Santo voltou Jesus do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, onde permaneceu durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo"
            O trecho dá a entender bem que quem levou Jesus ao deserto não foi o Diabo, mas sim o Espírito Santo, que com Ele se manteve durante todo o tempo em que Jesus lá estivera "com as feras, e servido pelos anjos", como diz Marcos.
            O "tentador", certamente poderoso, pois chegou a afirmar que "a autoridade e glória dos reinos da Terra lhe havia sido entregues e que destes poderia dispor como melhor entendesse" (Lucas IV, 6), o "tentador", maravilhado ante a imponência do quadro que se desdobrava a suas vistas - um homem no deserto cercado de Espíritos de Luz - inclinou-se a saber se, de fato, seria aquele homem o Filho de Deus, o Messias esperado e prometido. Daí as provas cruciais a que quis submeter o Senhor.
            "O homem, para ser olhado na Terra, procurado, invejado, precisa mostrar-se pelo seu ventre, pelo seu estômago, e se Jesus fosse capaz de converter uma pedra em pão, estava dada a prova de que ele disporia de todos os manjares que regalam o estômago e intumescem o abdome:
            "O homem, para ser poderoso, precisa dispor do mundo, dos reinos e impérios; dos governos e das nações, e; para que assim aconteça, tem ele de "dobrar a espinha" a uns e se curvar, genuflexo, a outros; e se Jesus se submetesse aos convites do "tentador", não haveria dúvida para este, em ser Jesus o Filho de Deus;"O homem, para se distinguir de seus semelhantes e mostrar a sua superioridade, deve ser prodigioso, porque os sinais e prodígios seguem sempre os homens extraordinários. Se aquele homem do deserto, que subiu ao cume do monte e anda acompanhado de uma milícia de gênios for o Filho de Deus, não relutará em dar provas, lançando-se daí abaixo, porque nenhum mal sofrerá;
            "Se a Escritura reza que o Filho de Deus será o Maravilhoso, o Deus Forte, o Pai da Eternidade, e que Ele será o Grande Príncipe para firmar e fortificar o zelo do Senhor dos Exércitos;"Se corre uma voz pelo mundo e pelo espaço que Ele será o dominador do mundo; "Submetamo-lo desde já á prova, examinemo-lo detidamente.
            Não podia ser outro o raciocínio de Satanás, ansioso por verificar se, de fato, Jesus era o Filho de Deus, que vinha redimir, não um povo, uma nação, mas o mundo todo.
            (...) Jesus não podia ser tentado pelo Diabo, nem Deus podia submeter o Seu Eleito, o Seu Enviado, o Seu Escolhido, a essa humilhação. O Diabo não teve por objetivo tentar a Jesus, mas, sim, investigar, examinar,observar se Jesus era, com efeito, o Messias que se esperava: o Filho de Deus.
            Os nababos do Espaço que formam o "cortejo satânico" não eram oniscientes, não sabiam se o "homem do deserto", vestido duma simples túnica e calçado de sandálias; que não carregava um pão para o seu retiro espiritual, nem sequer levava um travesseiro para reclinar sua cabeça, e mesmo assim era respeitado pelas feras e servido pelos anjos, seria o Cristo, o Filho de Deus. Eles não sabiam, mas desconfiavam, e a dúvida os encaminhou para o exame.
            A "tentação de Jesus" não passa dum título posto nas Escrituras por opiniões pessoais, que não interpretaram bem a tradução dos originais dos Evangelhos.
            Entretanto, o que se evidência nessas passagens, o que se pode auferir dessas narrativas, é que os espíritos malévolos não respeitam individualidades, por maiores que elas sejam. Todos estão sujeitos à ação das potestades invisíveis, sejam elas boas ou más. E se os maus se põem em relação conosco, com ou sem intuito de nos prejudicar, em compensação os bons vêm auxiliar-nos: "Jesus, tentado por Satanás, tinha, por outro lado, os anjos para O servirem". Deus, quando permite o convívio dum espírito inferior conosco, é certamente para que ele progrida, e, não, para que nos prejudique; por isso envia também espíritos superiores para nos auxiliarem. (O Espírito do Cristianismo. A tentação de Jesus. Cairbar Schutel)
            A primeira tentação: "ordena a estas pedras que se transformem em pães”, lembra aquela fase da evolução de cada homem, na qual, expressando-se quase que exclusivamente pelo apetite, cuida apenas de manter-se vivo (e procriar), fazendo da conquista dos alimentos que lhe sustentem o corpo a razão de ser de todos os seus esforços, indiferente a qualquer problema de ordem mais elevada.
            Respondendo: “não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”, o Mestre nos chama a atenção para o fato de, seres complexos que somos, formados de corpo e alma, não necessitarmos apenas de pão material, para o sustento de nosso organismo, mas também e principalmente de outros alimentos mais transcendentes, que favoreçam a formação de nossa consciência espiritual, ou seja, a realização do reino dos céus dentro de nós mesmos.
            Esse mesmo conceito, ele o reiterou várias vezes, porquanto, como extraordinário pedagogo que era, sabia que qualquer ensino, por mais simples que seja, só é bem compreendido à força de inúmeras repetições.
            Destarte, no Sermão da Montanha, após aconselhar seus ouvintes a que não se preocupassem em demasia “com o que haveriam de comer, beber ou vestir”, sentenciou: “Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mat., 6:33.)
            De outra feita, ante a insistência de seus discípulos para que comesse algo, respondeu-lhes: “Eu para comer tenho um manjar que não conheceis.” E, percebendo que não haviam entendido o sentido dessas palavras, emendou, explícito: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra.” (Jo., 4:32-34.)
            Em nova oportunidade, dirigindo-se a alguns daqueles que haviam estado presentes quando da multiplicação dos pães e dos peixes, e no dia seguinte o foram procurar em Cafarnaum, assim os exortou: «Em verdade, em verdade vos digo que vós me buscais, não porque vistes os milagres, mas porque comestes dos pães e ficastes fartos. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até à vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará, porque ele é aquele em quem Deus Pai imprimiu o seu caráter. Eu sou o pão vivo que desci do céu; quem o comer viverá eternamente.” (Jo., cap. 6.)
            Estas expressões de Jesus significam que “o pão que desceu do céu e dá vida ao mundo” são os ensinamentos, é o corpo de sua doutrina, recebida do Pai celestial. Esse, pois, o alimento que devemos buscar com empenho maior, porque, uma vez assimilado “em espírito e verdade”, sustentará nossa alma para sempre, infundindo-lhe as energias necessárias para enfrentar os percalços da existência e impulsioná-la para a frente e para o alto.
            Louvados, então, em Cristo-Jesus, demos o justo apreço às coisas, pondo em primeira plana as de valor eterno, que são as espirituais. As outras, Deus sabe que são indispensáveis à nossa subsistência e nos proverá delas, desde que confiemos em Sua providência, como não deixou sem amparo o povo judeu no deserto, enviando-lhe suficiente provisão de maná.
            Cuidemos, também, de controlar nossos apetites e paixões, para não cairmos na intemperança e nos aviltarmos, a ponto de esquecer nossa origem divina.
            Vivendo constantemente sob a inspiração da Palavra de Deus, estejamos certos, “satanás” não conseguirá exercer domínio sobre nós. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 56. A tentação de Jesus. II.  Rodolfo Calligaris)
            A segunda tentação: lança-te daqui para baixo”, sói ocorrer quando o homem começa a desenvolver suas faculdades intelectuais e senhorear a Ciência.
            Nesse passo de sua evolução, torna-se audacioso, exibicionista, petulante, gostando muito de chamar a atenção, conquistar aplausos, satisfazer, enfim, a sua vaidade.
            Orgulhoso de sua inteligência e perspicácia, chega a supor seja possível burlar impunemente as Leis de Deus, em proveito pessoal, mesmo causando dano ou agravo a outrem.
            Em verdade, porém, o que consegue com tais atitudes “diabólicas” é comprometer-se perante a Justiça Cósmica, acarretando amargas e dolorosas consequências para o seu destino, porquanto, a exemplo das leis que regulam o universo físico « desde o átomo invisível a olho nu aos enormes corpos celestes que rodopiam no espaço —, cujo funcionamento é exato e inderrogável, assim também as leis que regem o universo moral são sábias e inexoráveis, não deixando sem corrigenda o menor gesto que implique desvio dos preceitos instituídos pelo Pai celestial para o bem de todos.
            Na resposta do Mestre: “Não tentarás o Senhor teu Deus”, colhemos o ensino de que o melhor,- para nós, -é harmonizarmos nossos ideais com Suas normas, na certeza de que, quanto mais perfeita seja a sujeição, ou a identificação de nossa vontade individual à justa e soberana vontade de Deus, tanto maior será nossa paz interior e mais estável nossa alegria.
            Supor que os códigos divinos constituam restrição ou obstáculo à nossa independência, e consequentemente à nossa felicidade, como pode parecer aos inscientes, fora o mesmo que interpretar as regras da execução musical como entraves à harmonia de uma orquestra sinfônica, quando sabemos que, precisamente ao contrário, se cada músico entendesse de tocar o seu instrumento ao sabor de seu capricho, sem obedecer às determinações da respectiva partitura, o resultado seria a mais completa desafinação de sons.
            As ordenações divinas têm o propósito de estabelecer a ordem moral, indispensável ao bem-estar coletivo, ordem essá que deve ser respeitada, não compulsoriamente, mas pela aceitação livre do homem. Daí a possibilidade da desobediência e até mesmo de rebeldia contra ela.
            Cada vez, entretanto, que, no exercício de seu livre arbítrio, o homem viola os princípios da harmonia universal, deixa Deus que ele sofra os efeitos corretivos correspondentes, não para “castigá-lo”, mas para que “sinta” a repercussão de seus atos. Isso fará que, de futuro, não só evite o mal, por sabê-lo fonte de desgostos, como passe, de moto próprio, a praticar o bem, porque então, terá aprendido que cada qual “colhe os frutos de sua própria semeadura”.
            Tal lição, renovou-a também Jesus mais de uma vez.
            Quando, ao formular a oração dominical, ensinou a dirigir-nos ao Pai celestial, dizendo-lhe: “Venha a nós o teu reino; seja feita a tua vontade”, a segunda parte do período explica a primeira, valendo dizer que “o reino dos céus” se irá realizando no íntimo de cada um de nós à medida que formos “fazendo a vontade de Deus”.
            Logo em seguida, ao proclamar textualmente: “Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no reino dos céus, mas sim o que faz a vontade de meu Pai” (Mat., 7:21), desfaz qualquer duvida que porventura ainda subsistisse a respeito.
            Talvez, porém, não fôsse bastante ensinar, sem a devida exemplificação. Por isso, nos instantes agônicos que precederam o seu martírio na cruz, embora com o coração traumatizado, ainda encontra forças para orar, dizendo: “Pai meu, se é possível, passa de mim este cálice: todavia, não se faça nisto a minha vontade, mas sim a tua.” (Mat., 26:39.)
            Era o supremo testemunho de conformidade da criatura ao Criador, que só mesmo o Excelso Mestre seria capaz de nos oferecer.
            Aprendamos, pois, com ele, a submeter nosso personalismo egoísta aos altíssimos desígnios divinos. “Deus é Amor” e, mesmo quando nos permite sofrer, é com a finalidade de preparar-nos para um gozo maior. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 57. A tentação de Jesus. III.  Rodolfo Calligaris)
            A terceira investida satânica: Dar-te-ei a posse de todos os reinos do mundo, se, prostrado a meus pés, me adorares, é uma alusão clara à acumulação de riquezas e ao prestigio social com que sonham os homens e para cuja consecução costumam valer-se dos recursos mais sórdidos e infames, o que equivale a dizer: rendendo culto ao “diabo", que, como dissemos de início, não é outra coisa senão o símbolo dos sentimentos egoísticos da espécie humana. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 58. A tentação de Jesus. IV.  Rodolfo Calligaris)
            A importância que se dá aos bens materiais excita a cobiça, a inveja e o ciúme   do que tem pouco contra aquele que tem muito.
            Da cobiça ao desejo de adquirir, por qualquer preço, o que o vizinho possui, o passo é simples; daí ódios, querelas, processos, guerras e todos os males engendra dos pelo egoísmo. (O que é o Espiritismo.Cap. 2. Item 100. Allan Kardec)
            De todas as tentações que nos cumpre vencer, essa, sem dúvida, a mais difícil.
            Isto porque, a pretexto de prover as necessidades próprias e dos familiares (o que é, realmente, um dever nosso), e de ser previdentes quanto às incertezas do amanhã (o que, também, até certo ponto, é defensável), quase todos contraímos o vicio da avareza ou a megalomania, convertendo-nos em máquinas de ganhar dinheiro.
            Enceguecidos pela ganância, embora possuindo, já, o bastante para levarmos vida cômoda e tranquila por muitos e muitos anos, mais do que pode durar a mais longa existência, nem por isso nos damos por satisfeitos.
            No afã de aumentar, aumentar sempre a nossa fortuna, não hesitamos em empregar a astúcia, a violência e quejandos, pouco nos importando com as lágrimas, o desespero e o sofrimento daqueles a quem escorchamos, iludimos ou prejudicamos.
            E quando, vez por outra, a consciência consegue fazer-se ouvir com um “Bastai” — as más inspirações clamam mais forte: “Outros possuem em maior quantidade do que tu, há muita coisa que te falta adquirir, não pares ainda, continua a enriquecer mais um pouco, depois sim...”
            A medida que cresce nossa conta corrente bancária, vamo-nos sentindo mais “importantes”... Exacerba-se nossa vaidade, reponta-nos o desejo de dirigir os outros, de dominar as massas...
            Chegados a esse ponto, absorvidos pelos assuntos mundanos, descuramos por completo as questões de natureza espiritual, caindo no mais grosseiro materialismo, para gáudio do “diabo” e de sua corte, que a isso, precisamente, nos procuram induzir.
            Rechaçando o tentador com estas palavras das Escrituras: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás”, Cristo nos lembra uma verdade profunda reafirmada em seu Evangelho, de que “ninguém pode servir à dois senhores (a Deus e as riquezas) ; porque ou há-de aborrecer um e amar o outro, ou há-de acomodar-se a este e desprezar aquele.” (Mat., 6:24.)
            De fato, os interesses mundanos e os ideais superiores não se coadunam, eis que constituem forças antagônicas, divergentes, atuando em sentido oposto.
            Quem quiser elevar-se ao convívio dos bem-aventurados, deve, pois, desprender-se de todas as honrarias e bens terrenos, aprendendo a movimentá-los simplesmente como administradores e não como proprietários deles, porque o apego a estas coisas só serve para agrilhoar-nos ao plano físico, retardando nosso progresso espiritual.
            “De que aproveita ao homem — disse ainda o Mestre, e ganhar todo o mundo, se vier a perder a sua alma?” (Mat., 16:26. ) Portanto, “o que entre vós quiser ser o primeiro (no reino dos céus), esse seja o vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida pela redenção de muitos” (Mat, 20:27-28).
            Quando, a exemplo do Mestre Jesus, formos capazes de responder, firmemente, aos chamamentos dos gozos turvos e egoísticos: “Para trás, tentação!”, nós nos teremos desvencilhado de “satanás”.
            Vencida, então, a derradeira prova, dai por diante anjos nos cercarão, auxiliando-nos e protegendo-nos, transformando-se nossa vida num estado permanente de alegria, de bênçãos e de paz, que compensará plenamente os esforços e sacrifícios realizados para alcançá-lo. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 58. A tentação de Jesus. VI.  Rodolfo Calligaris)
            As tentações mais comuns que se apresentam aos espíritos que se encarnam na terra, podem ser agrupadas em três classes:
            1ª — A tentação dos gozos materiais.
            2a — A tentação de uma vida fácil, livre de cuidados e de dificuldades.
            3ª — A tentação da riqueza e do poder.
            Jesus, com sua fortaleza de alma, nos ensina como reagirmos resolutamente contra essas tentações. Precavendo-nos contra a tentação dos gozos materiais, lembra-nos de que a palavra divina, isto é, os mandamentos de Deus, quando bem observados, constituem gozos puros que enchem o coração de felicidade. Contra o desejo que freqüentemente nos assalta de vivermos uma vida fácil, avisa-nos de que não devemos tentar a Deus. Os trabalhos, os suores, as amarguras e as desilusões são oportunidades benditas de redenção e de progresso. Se insistíssemos para com o Senhor e ele nos concedesse uma vida isenta de cuidados, estacionaríamos lamentavelmente. Chegaria o dia em que o tédio se apossaria de nós e suplicaríamos ao             Altíssimo que semeasse nosso caminho de pedras e de tropeços para que, por meio de rudes trabalhos, pudéssemos progredir.
            Se a ambição do mando, o orgulho do poder e a glória da riqueza ofuscarem nosso espírito tenhamos em mente a lição de Jesus em suas tentações. Acima de tudo, veneremos a Deus, nosso Pai, e o sirvamos lealmente. As coisas do mundo são efêmeras, duram muito pouco e costumam precipitar em séculos de sofrimentos expiatórios quem as adora excessivamente. (O             Evangelho dos Humildes. Cap. 4 - A tentação de Jesus. Eliseu Rigonatti)
            Com que fim pôs Deus atrativos no gozo dos bens materiais?
            Para instigar o homem ao cumprimento da sua missão e para experimentá-lo por meio da tentação.
            Qual o objetivo dessa tentação?
            Desenvolver-lhe a razão, que deve preservá-lo dos excessos.  Se o homem só fosse instigado a usar dos bens terrenos pela utilidade que têm, sua indiferença teria talvez comprometido a harmonia do universo. Deus imprimiu a esse uso o atrativo do prazer, porque assim é o homem impelido ao cumprimento dos desígnios providenciais. Mas, além disso, dando àquele uso esse atrativo, quis Deus também experimentar o homem por meio da tentação que o arrasta para o abuso, de que deve a razão defendê-lo. (O Livro dos Espíritos.  Questão 712 e 712a). Allan Kardec)
            No curso da evolução, o espírito encarnado é, de vez em quando, submetido a exames pela vida com o fim de verificar o aproveitamento na posição em que se acha. Criam-se situações em torno do indivíduo envolvendo algumas de suas fraquezas, de maneira a despertá-lo. Situações que estimulam fraquezas (ou impulsos inferiores) são denominadas tentações. A tentação é a situação que revela a posição do Espírito, mostra o que somos de acordo com as nossas tendências. Liga-se sempre a uma fraqueza, ou seja, a um impulso ao qual temos dificuldade para resistir; somos tentados onde somos fracos. Por exemplo: a bebida, o sexo, o jogo, o furto, etc. A prova é um exame que consiste em ser submetido a uma tentação para avaliar o progresso realizado e sua firmeza. A Lei (vida) prepara as situações de prova, como dizia Adler, nas quais o sujeito, sofrendo um tentação, passa por uma prova. Esta tem de ser enfrentada e vencida, mas muitos fogem e são derrotados. (Evolução para o terceiro Milênio. Parte 2. Cap.4. Item 16. Ação da Lei nos desvios de rumo.  Carlos Toledo Rizzini)
            Segundo o Evangelho Segundo o Espiritismo, "Duas origens pode ter qualquer pensamento mau: a própria imperfeição de nossa alma, ou uma funesta influência que sobre ela se exerça;  neste último caso, há sempre indício de uma fraqueza que nos sujeita a receber essa influência;  há, por conseguinte, indício de uma alma imperfeita; de sorte que aquele que venha a falir não poderá invocar por escusa a influência de um Espírito estranho, visto que esse Espírito não o teria arrastado ao mal, se o considerasse inacessível à sedução.
            Quando surge em nós um mau pensamento, podemos, pois, imaginar um Espírito maléfico a nos atrair para o mal, mas a cuja atração podemos ceder ou resistir, como se tratasse das solicitações de uma pessoa viva.  Devemos, ao mesmo tempo, imaginar que, por seu lado, o nosso anjo guardião, ou Espírito protetor, combate em nós a má influência e espera com ansiedade a decisão que tomemos.  A nossa hesitação em praticar o mal é a voz do Espírito bom, a se fazer ouvir pela nossa consciência.
            Reconhece-se que um pensamento é mau, quando se afasta da caridade, que constitui a base da verdadeira moral,  quando tem por princípio o orgulho, a vaidade, ou o egoísmo;  quando a sua realização pode causar qualquer prejuízo a outrem;  quando, enfim, nos induz a fazer aos outros o que não quereríamos que nos fizessem. "(O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 28. Item 20. Allan Kardec)
            As tentações a que somos submetidos constituem, assim, uma espécie de exame ou sistema de aferição de nosso adiantamento.
            Os que vencem, esses adquirem novas forças e elevam-se a níveis superiores; os que sucumbem estacionam e vão repetindo as lições da vida, até que as aprendam suficientemente.
            Se as tentações em si mesmas fossem danosas para as nossas almas, Deus, que é todo bondade e justiça, certamente não as permitiria; se as permite, é porque sabe serem elas proveitosas a todos os seres em relativa inferioridade.
            Os que procuram escusar suas quedas em face das tentações, sejam elas de que natureza forem, atribuindo-as às fraquezas da carne, ou sofismam ou não sabem o que dizem.
            Com efeito, sendo a carne destituída de inteligência e de vontade própria, não poderia, jamais, prevalecer sobre o Espírito, que é o ser pensante e livre; portanto, a este e não àquela é que cabe a responsabilidade integral de todos os atos.
            Desregramentos, excessos, mau gênio etc., não são determinados por disfunções orgânicas ou outros fatores que tais, mas tão só e unicamente pelas más tendências anímicas de cada um.
            O Espiritismo, com a revelação do mundo espiritual que nos envolve e das leis que o regem, fez novas luzes em torno do problema, permitindo-nos compreender melhor o mecanismo de muitas das tentações que nos assaltam, e como vencê-las.
Ele nos ensina que todo pensamento é vibração de tal ou qual frequência, pela qual nos pomos em sintonia com os planos da espiritualidade.
            Conforme sejam nossos pensamentos, o que equivale a dizer: nossos sentimentos — puros, idealistas, construtivos, pomo-nos em comunicação com os seres de elevada hierarquia, de cujo consórcio resulta para nós uma vida bem orientada, tranquila, feliz e repleta de nobres realizações. Da mesma sorte, se a nossa mente só destila pensamentos impuros, mesquinhos, deprimentes, destrutivos, colocamo-nos automaticamente na mesma faixa vibratória dos Espíritos menos evoluídos, que, consoante nossos pendores, procurarão manter-nos nos caminhos declivosos do vício, das paixões, do crime, e muitas lágrimas nos farão derramar.
            Isso nos faz compreender a extensão da advertência do Cristo, quando dizia: “Orai e vigiai, para não cairdes em tentação”.
            É preciso, pois, que apliquemos incessantes esforços contra tudo aquilo que nos deprime e avilta; essa atitude fará que as entidades trevosas se afastem naturalmente, porque nada podem fazer, e renunciam a qualquer tentativa junto aos puros de coração.
            Ó Senhor, muito temos errado, contínuos têm sido os nossos fracassos, e isto nos demonstra quanto ainda somos fracos e imperfeitos e quanto devemos esforçar-nos para atingirmos o Divino Modelo, que é Jesus.
            Amparai-nos em nossa debilidade, infundi-nos o desejo sincero de corrigir-nos e inspirai-nos sempre, pela voz de nossos anjos guardiães, a fim de que sejamos capazes de resistir às sugestões do mal, mantendo, inquebrantável, o propósito de só pensar, só almejar e só realizar o bem. (O sermão da montanha. O pai nosso VI. Rodolfo Calligaris)
Inácio Ferreira (Novos Rumos à Medicina) e André Luiz (Evolução em Dois Mundos) falam-nos de “recordações recalcadas no espírito” e de “lembranças armazenadas no perispirito. Ambos corrigem ao pioneiro Freud, acrescentando a reencarnação como fator indispensável a um conhecimento mais profundo do espírito humano; ela é a chave para compreender a origem e a ação dos impulsos do homem civilizado – impulsos que estão no fundo das desordens psíquicas embora ocorram no indivíduo “normal”.
            Ferreira lembra que entramos no mundo material impelidos pelas conseqüências das ações passadas. As lembranças permanecem arquivadas na mente espiritual e revelam-se, a cada momento na vida atual, como impulsos bons ou maus. Um acontecimento idêntico, uma frase ou mesmo uma simples palavra podem constituir o estímulo suficiente para provocar a reativação de uma lembrança até então adormecida no fundo da alma.
            Diz ele: “Um clarão súbito ilumina o acontecimento e El aflora, como um quadro vivo, produzindo a mesma reação antiga”. Ressurge, portanto, o estado de tensão que constitui o impulso, percebido como emoção de origem desconhecida pela consciência.
            Nesses momentos podemos assumir uma de duas atitudes, já que a excitação comanda a atividade corporal: 1) refrear o impulso mau, subindo mais um degrau na evolução; 2) permitir que este nos domine, repetindo a atuação anterior (renovando a experiência passada) e recebendo idênticas conseqüências, desagradáveis ou dolorosas.
            A tentação de suicidar-se é um bom exemplo, sugerido por André Luiz (Ação e Reação).
            Após uma vida encerrada pelo suicídio e estando devidamente preparado, renasce o espírito trazendo as imagens destrutivas arquivadas no fundo da mente. Em certa idade, surgirá a tentação de matar-se; aquelas recordações reaparecem diante de circunstâncias evocadoras e criam perturbações emocionais. Um impulso auto-anulador invadirá o consciente movendo o indivíduo a repetir o gesto infeliz, do qual só escapará se houver, atualmente, renovado as condições da mente pela aquisição de elementos educativos através do estudo e da prática do bem. Daí afirmar André Luis: “Cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio”. De fato, é assim: a tentação é uma situação que estimula um impulso inferior; se o sujeito não possui imagens e emoções de situações anteriores não resolvidas, não haverá tentação, porquanto ele será insensível a situações da vida atual. (Evolução para o terceiro Milênio. Parte 2. Cap. 5. Item 18.Impulsos; impulsos compulsivos.Carlos Toledo Rizzini)
            Há tendências viciosas que são evidentemente inerentes ao Espírito, porque se devem mais ao moral do que ao físico; outras parecem mais consequência do organismo, e, por esse motivo, acredita-se que se é menos responsável: tais são as predisposições à cólera, à moleza, à sensualidade, etc.
            É perfeitamente reconhecido hoje em dia, pelos filósofos espiritualistas, que os órgãos cerebrais, correspondendo às diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é assim um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tem a bossa da música, mas ele só tem a bossa da música porque seu Espírito é músico.
            Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, ela deve reagir igualmente sobre as outras partes do organismo. O Espírito é assim o artesão de seu próprio corpo, que ele modela, por assim dizer, a fim de adequá-lo a suas necessidades e à manifestação de suas tendências. Dado isso, a perfeição do corpo das raças avançadas não seria o produto de criações distintas, mas o resultado do trabalho do Espírito, que aperfeiçoa sua ferramenta à medida que suas faculdades aumentam.
            Por uma consequência natural desse princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe mais ou menos atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bile ou outros fluidos. É assim, por exemplo, que o guloso sente vir saliva à boca à vista de um prato apetitoso. Não é o prato que pode excitar o órgão do paladar, visto que não há contato; é portanto o Espírito, cuja sensualidade está desperta, que age, pelo pensamento, sobre esse órgão, ao passo que, sobre um outro, a vista desse prato não produz nenhum efeito. É ainda pela mesma razão que uma pessoa sensível derrama facilmente lágrimas; não é a abundância das lágrima que dá a sensibilidade ao Espírito, mas é a sensibilidade do Espírito que provoca a secreção abundante das lágrimas. Sob o império da sensibilidade, o organismo adequou-se a essa disposição normal do Espírito, como se adequou à do Espírito guloso.
            Seguindo esta ordem de ideias, compreende-se que um Espírito irascível deve impelir ao temperamento bilioso; de onde decorre que um homem não é colérico porque é bilioso, mas que é bilioso porque é colérico. O mesmo ocorre com todas as outras disposições instintivas; um Espírito mole e indolente deixará seu organismo num estado de atonia em relação com seu caráter, ao passo que, se for ativo e enérgico, dará a seu sangue, a seus nervos qualidades completamente diferentes. A ação do Espírito sobre o físico é tão evidente, que se veem com frequência graves desordens orgânicas se produzir pelo efeito de violentas comoções morais. A expressão vulgar: A emoção modificou-lhe o sangue não é tão desprovida de sentido quanto se poderia crer; ora, o que pôde modificar o sangue, senão as disposições morais do Espírito?
            Pode-se então admitir que o temperamento é, ao menos em parte, determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não efeito. Dizemos em parte, porque há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, os vícios hereditários de constituição, um mal estar passageiro, etc. O moral do Espírito pode então ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que sua natureza intrínseca seja modificada.
            Lançar a culpa de suas más ações à fraqueza da   carne   não é, portanto, senão um subterfúgio para escapar da responsabilidade. A carne só é fraca porque o Espírito é fraco, o que inverte a questão, e deixa ao Espírito a responsabilidade por todos os seus atos. A carne, que não tem pensamento nem vontade, nunca prevalece sobre o Espírito, que é o ser pensante e desejante; é o Espírito que dá à   carne   as qualidades correspondentes a seus instintos, como um artista imprime à sua obra material o cunho de seu gênio. O Espírito, libertado dos instintos da bestialidade, modela um corpo que não é mais um tirano para suas aspirações à espiritualidade de seu ser; é então que o homem come para viver, porque viver é uma necessidade, mas não vive mais para comer. (O Céu e o Inferno. Cap. 7 - A carne é fraca - estudo fisiológico e moral. Allan Kardec)
            Qual o modo mais fácil de levar a efeito a vigilância pessoal, para evitar a queda em tentações?
            -A maneira mais simples é o de cada um estabelecer um tribunal de autocrítica, em consciência própria, procedendo para com outrem, na mesma conduta de retidão que deseja da ação alheia para consigo próprio. (O Consolador. Questão 217. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Será tão repreensível desejar o mal quanto fazê-lo?
            Depende. Há virtude em resistir-se voluntariamente ao mal que se deseje praticar, sobretudo quando haja possibilidade de satisfazer-se a esse desejo. Se apenas não o pratica por falta de ocasião, é culpado quem o deseja. (O Livo dos Espíritos. Questão 641. Allan Kardec)
            Para certos homens, o meio onde se acham colocados não representa a causa primária de muitos vícios e crimes?
            Sim, mas ainda aí há uma prova que o Espírito escolheu, quando em liberdade, levado pelo desejo de expor-se à   tentação   para ter o mérito da resistência. (O Livro dos Espíritos. Questão 644. Allan Kardec)
            Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um  arrastamento   quase irresistível?
            Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto mesmo dentro da atmosfera do vício com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes.(O Livro dos Espíritos. Questão 645. Allan Kardec)
            É do domínio da carne sobre o espírito que se originam todos os vícios repugnantes, tais como o alcoolismo, a concupiscência, a gula, o tabagismo, a cocainomania.
            O corpo, quando não dirigido pelo Espírito, destrói-se a si mesmo através das continuadas sensações e exaltações a que se submete. Daí o dizer profundamente sábio do Mestre: Aquele que muito quer gozar a vida, perdê-la-á; o que renunciar, porém, à vida, por amor de mim, ganhá-la-á.
            Todas as moléstias têm origem nas fraquezas da carne, as quais levam o homem a transgredir constantemente as leis de higiene, leis naturais e, por isso mesmo, religiosas. A enfermidade é herança do pecado — reza o Evangelho.
            A matéria não raciocina, não tem inteligência nem discernimento. É sede, apenas, de sensações. Do abuso dessas sensações nascem as exigências caprichosas da animalidade, as quais arrastam o homem ao pélago dos vícios e à voragem do crime.
            Como sair de tal situação? como dominar a carne, fechando assim ao Diabo uma das portas por onde tantas vezes consegue levar a cabo seus malévolos intentos?
            Vence-se a carne não lhe concedendo tanta atenção, não atendendo aos seus arrastamentos e caprichos; fortificando, enfim, o Espírito com o pão do céu, que é a palavra de Deus, a verdade eterna revelada ao mundo pelo seu Verbo humanado — Jesus-Cristo.
            Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus, eis de que os homens se esquecem, embevecidos como geralmente andam com os cuidados do corpo. Os que só vivem da carne e para a carne, ficam sujeitos às fraquezas da carne.
            O remédio é a palavra de Deus — é o pão do Espírito, pois este, como o corpo, também tem fome e tem sede, necessidades estas que precisam ser satisfeitas. Fortalecer ao máximo o Espírito, dando ao corpo tão somente o necessário para sua conservação — eis a chave com que se cerra para sempre uma das portas por onde o Diabo costuma penetrar. Assim procedendo, curaremos também da matéria. Graças à direção do Espírito, o corpo se embelezará, far-se-à forte, alcançando longevidade acentuada. (Em torno do Mestre. Tentação. Vinícius)

Bibliografia:
- A Gênese. Cap. 15. Item 53. João Evangelista, Bordéus, 1862. Allan Kardec.
- O Livo dos Espíritos. Questão 641, 644, 645 e 712 e 712a). Allan Kardec.
- O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 28. Item 20. Allan Kardec.
- O que é o Espiritismo.Cap. 2. Item 100. Allan Kardec.
- O Céu e o Inferno. Cap. 7.A carne é fraca - estudo fisiológico e moral. Allan Kardec.
- O Espírito da Verdade. A rigor. Espírito André Luiz.  Psicografado por Waldo Vieira.
- O Consolador. Questão 217. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier.
- Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 55 - A tentação de Jesus I. / Cap. 56 - A tentação de Jesus II.  /Cap. 57.A tentação de Jesus. III/ Cap. 58. A tentação de Jesus. IV. Rodolfo Calligaris.
- O sermão da montanha. O pai nosso VI. Rodolfo Calligaris.
- O Evangelho dos Humildes. Cap. 4. A tentação de Jesus. Eliseu Rigonatti.
- A sabedoria do Evangelho. Interpretação. Carlos Torres Pastorino.
- Os padrões evangélicos. Melhor é o velho...Paulo Alves Godoy.
- O Espírito do Cristianismo. A tentação de Jesus. Cairbar Schutel.
- Evolução para o terceiro Milênio. Parte 2. Cap.4 - Item 16 / Cap.5 - Item 18.  Carlos Toledo Rizzini.
- Em torno do Mestre. Tentação. Vinícius.
- Site: https://michaelis.uol.com.br/busca?id=po5l1;
https://espirito.org.br/artigos/a-aparicao-de-jesus-depois-da-morte/ Data de consulta: 26-01-21.

 

Passatempo Espírita © 2013 - 2021. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por Webnode