Aula 131 – Nem todos que dizem: Senhor, Senhor! entrarão no Reino dos Céus

Ciclo 1 - História: A Parábola do Fariseu e do Publicano - Atividade: PH - Jesus - 89 - Parábola do Fariseu e do Publicano.

Ciclo 2 - História: O Servo Feliz - Atividade: ESE - Cap. 18 - 3 - Nem todos que dizem: Senhor, Senhor entrará no Reino dos Céus ou/e ESE - Cap. 26 - 2 - Preces pagas.

Ciclo 3 - História: Pureza em branco - Atividade: PH - Jesus - 90 - O Fariseu e o Publicano.

 

Dinâmicas: Fazer a vontade de Deus; Parábola do Fariseu e do Publicano; Nem todos que dizem: Senhor, Senhor! entrarão no Reino dos Céus.

Mensagens espíritas: Entrar no reino dos céus.

Sugestão de vídeo: - História: Parábola o fariseu e o publicano - animação (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livro infantil:

- Maleta- Parábolas e ensinamentos de Jesus.O Fariseu e o Publicano .Guilherme M. dos Santos. Bicho esperto. Editora Rideel.
 

Leitura da Bíblia: Lucas - Capítulo 18


18.9 A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola:


18.10 Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.


18.11 O fariseu, em pé, orava no íntimo: Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano.


18.12 Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho.


18.13 Mas o publicano ficou a distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador.


18.14 Eu digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado.


 

Mateus - Capítulo 7


7.21 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.


7.22 Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?


7.23 E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.



Tópicos a serem abordados:

- Na época de Jesus, quando a Palestina era dominada pelo Império Romano, existiam, entre as várias classes, a dos publicanos, que eram os cobradores de impostos e de taxas, e a dos fariseus, que eram responsáveis pelo ensino das Escrituras e das Leis.

- Os Fariseus eram os seguidores de uma das seitas mais influentes do Judaísmo. Demonstravam grande zelo pelas suas tradições teológicas, cumpriam rigorosamente as práticas exteriores do culto e das cerimônias determinadas pelo Judaísmo , dando, assim, a impressão de serem muito devotos e fiéis observadores dos princípios religiosos que defendiam. Na realidade, porém, eram hipócritas (falsos), tinham muito orgulho e acima de tudo, excessivo desejo de dominação. Além disso, os judeus detestavam os publicanos, pois pagavam pesados impostos. Os publicanos abusavam com freqüência dos seus direitos, exigindo dos contribuintes mais do que o devido, e, por isso, eram odiados pelo povo.

- Jesus, que muito se ocupou em desmascarar a hipocrisia dos fariseus, considerou importante propor esta parábola, cujas principais figuras eram: um fariseu e um publicano. Na parábola, vemos que o humilde publicano conhece os seus defeitos, sabe que é pecador; nem ousa levantar os olhos para o céu. Enquanto o orgulhoso fariseu reconhece em si somente qualidades boas, e a sua prece é uma acusação aos outros, até ao pobre publicano que lá estava rogando ao Senhor o perdão de suas faltas. Por isso, o primeiro volta justificado, e não o segundo, sentencia Jesus, refletindo a soberana Justiça.

- O orgulho  é o maior obstáculo ao nosso aperfeiçoamento e a humildade sincera é o melhor agente de nosso progresso espiritual. A humildade atrai sobre nós as bênçãos divinas e a ajuda de nossos anjos guardiães, que, percebendo-nos o propósito de reprimir os erros de que somos portadores, dão-nos as sugestões adequadas e o amparo preciso à nossa reforma íntima. Todos nós podemos cometer enganos; entretanto, há grandeza em reconhecer os próprios erros, ao passo que há mesquinhez em sustentar uma opinião que se sabe falsa, unicamente para exibir um prestígio de infalibilidade junto às pessoas comuns.

- Jesus disse: "Nem todo aquele que diz a mim: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas somente o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porque, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: "Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os maus espíritos; não comemos e bebemos contigo?" Ele lhes responderá: "Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidades (maldades) , que caluniais o vosso próximo, que expoliais (roubam) as viúvas e cometeis adultério.

- A prece é sempre agradável a Deus, no entanto, quando ditada pelo coração, pois, para Ele, a intenção é tudo. Não são os rótulos religiosos que abrem as portas dos planos felizes do Universo, nem tampouco as palavras piedosas que se pronunciam, nem as obras que se praticam, quando são o orgulho ou a hipocrisia que as ditam ou inspiram. Jesus coloca na categoria de obras da iniqüidade mesmo as boas obras quando praticadas sob a capa destas duas imperfeições. E a vontade do Pai é que não sejamos nem hipócritas nem orgulhosos, praticando o bem pelo bem, sem outro qualquer motivo oculto.

- Sendo assim, bastará dizer: Sou cristão, para que alguém seja um seguidor de Cristo? Não. Procurai os verdadeiros cristãos e as reconhecereis pelas suas obras. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons. Os verdadeiros cristãos são humildes, caridosos, bons e compreensivos. Calam-se diante das ofensas, tem paciência com os que erram, força nas provações e resignação nas grandes dores. Amam aqueles que ainda não sabe amar, toleram com carinho aquele que só sabe detestar, ofender e criticar. Não atiram pedras naqueles que permanecem no erro, lembrando-se de que o desequilíbrio e a maldade já foram seus companheiros por anos e anos a fio. Demonstram ao Pai o seu reconhecimento pela fé, pelo trabalho construtivo, pela alegria do amor ao próximo. Enfim, os verdadeiros cristãos têm dentro de si mesmos a chave da porta estreita, onde encontrarão a verdadeira felicidade espiritual.

 

Perguntas para fixação:

1.Quem eram os fariseus?

2. Quem eram os publicanos?

3. Por que o publicano foi considerado uma pessoa humilde enquanto orava?

4. Por que o fariseu foi considerado um homem orgulhoso ?

5.Qual é o maior obstáculo ao nosso aperfeiçoamento?

6.Por que nem todos que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus?

7.Quais são as atitudes dos Fariseus que Jesus condenava?

8. De que modo a prece é agradável a Deus?

9. Basta frequentar o centro espírita para ser considerado um  espírita-cristão?

10. Como podemos reconhecer um verdadeiro cristão?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            A seita farisaica era a mais prestigiada no tempo de Jesus, a mais influente, a mais dominadora, a que mais se salientava. Era uma espécie de Catolicismo Romano. (Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Fariseu e do Publicano. Cairbar Schutel)

            Fariseus eram os seguidores de uma das mais influentes seitas do Judaísmo. Demonstravam grande zelo pelas suas tradições teológicas, cumpriam meticulosamente as práticas exteriores do culto e das cerimônias estatuídas pelo rabinismo, dando, assim, a impressão de serem muito devotos e fiéis observadores dos princípios religiosos que defendiam. Na realidade, porém, sob esse simulacro de virtudes, ocultavam costumes dissolutos, mesquinhez, secura de coração e sobretudo muito orgulho.

            Publicanos eram os arrecadadores de impostos públicos exigidos pelos romanos ao povo judeu, no exercício de cujo mister tinham oportunidade de amealhar fortuna, pelo abuso das exações.

            Os judeus, que mal podiam suportar a dominação romana e não se conformavam com o pagamento de impostos, que julgavam ser contra a lei, fizeram do caso uma questão religiosa.

            Abominavam, pois, esses agentes do Fisco, considerando, mesmo, um comprometimento ter qualquer intimidade com eles. Em suma, eram os publicanos renegados como gente da pior espécie.(Parábolas Evangélicas. Cap.26. Rodolfo Calligaris)

            Jesus, que muito se ocupou em desmascarar a hipocrisia dos fariseus, julgou acertado propor esta parábola, cujas principais figuras eram: um fariseu e um publicano.

            Quis o Mestre mostrar que o orgulho de seita, o orgulho de classe, o orgulho de família, o orgulho pessoal — finalmente, o orgulho em suas múltiplas formas, é mais prejudicial à salvação do que mesmo “o publicanismo”, como o concebiam os fariseus! Ainda mais: quis demonstrar que no publicano, com todos os seus senões, ainda se encontrava um gesto de humildade, o que não acontecia no fariseu. (Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Fariseu e do Publicano. Cairbar Schutel)

            Mostra-nos, então, na atitude do fariseu, tido e havido como o tipo acabado do crente ortodoxo, até onde pode chegar a soberba humana. Já na postura que assume — ereto, tórax saliente — patenteia seu orgulho. Ora, mas suas palavras são uma sequência de arrogância e presunção. Diz: “Senhor, eu vos agradeço”; entretanto, é a si mesmo que atribui os merecimentos de que se ufana; merecimentos que, a seu ver, o tornam criatura sem jaça, pois não lembra, sequer, de suplicar: “perdoai, Senhor, nossas dividas”. Ocorre-lhe apenas isto: “Eu não sou como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros.” Não alude a “alguns homens” nem a “muitos homens”, mas “aos outros homens”, considerando-se, assim, o único varão perfeito à face da Terra!

            Ao ver o publicano, acrescenta, com soberano desprezo: “esse aí é como todos os outros”. Põe-se em seguida a exaltar os próprios méritos, as boas ações que faz, e nisso se resume a sua oração.

            Já o publicano, que diferença! Aparta-se a um canto do templo, avergado, como que a sentir o peso da própria consciência. Sua humildade lhe permite uma justa apreciação de si mesmo, o reconhecimento de suas culpas e imperfeições; por isso bate no peito, contrito, e exclama: “Meu Deus, tende piedade de mim, pois sou um grande pecador!”

            Pois este, e não o outro, foi quem se retirou justificado, sentenciou Jesus, finalizando a lição.

            Sim, porque aos olhos de Deus não basta que nos abstenhamos do mal e nos mostremos rigorosos no cumprimento de determinadas regrazinhas de bom comportamento social; acima disso, é-nos necessário reconhecer que todos somos irmãos, não nos julgarmos superiores a nossos semelhantes, por mais culpados e miseráveis que pareçam, nem tão-pouco desprezá-los, porque isso constitui, sempre, falta de caridade.

            Por outro lado, a humildade sincera é o melhor agente de nossa reforma íntima, de nosso progresso espiritual. Atrai sobre nós as bênçãos divinas e a ajuda de nossos anjos guardiães, que, percebendo-nos o propósito de reprimir os males de que somos portadores, dão-nos as sugestões adequadas e o amparo preciso à colimação desse desiderato.

            Saibamos, pois, aproveitar o ensino do Mestre, sendo rigorosos e intransigentes com nós mesmos, brandos e indulgentes com os outros. (Parábolas Evangélicas. Cap.26. Rodolfo Calligaris)

            O orgulho é um dragão devorador, que destrói todas as qualidades do Espírito; enquanto a humildade, ao olhar de Deus, nos eleva à dignidade dos justos!

            Vale mais ser publicano e miserável, do que fariseu coberto de ouro e de pedras preciosas. (Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Fariseu e do Publicano. Cairbar Schutel)

            Segundo Allan Kardec, (...)" todos os homens são passíveis de cometer enganos; entretanto, há grandeza em reconhecer os próprios erros, ao passo que há mesquinhez em sustentar uma opinião que se sabe falsa, unicamente para exibir um prestígio de infalibilidade junto às pessoas comuns. " (Revista espírita.Julho de 1858. Correspondência. Allan Kardec)

            Não só dos triunfos, mas também das quedas tiramos motivos de encorajamento na conquista dos nossos destinos. Não são unicamente os grandes, pelo saber e pela virtude, que exemplificam; os pecadores humildes, que se erguem do pó, confessando seus pecados e fraquezas, com simplicidade de coração, também edificam, servindo de estímulos aos militantes da fé.

            O fariseu e o publicano oravam no templo. O primeiro lembra-se das suas qualidades e virtudes. O segundo deplora sua condição de mísero pecador. Este volta justificado, e não aquele, sentencia Jesus, refletindo a soberana Justiça. (Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            Em favor do aprimoramento próprio, será suficiente arrepender-nos dos erros e faltas cometidas?

            - Convém notar que o reconhecimento dos próprios erros, perpetrados nesse ou naquele setor da existência, é o primeiro passo da reabilitação, mas, esse começo é empreendimento nulo se não resolvemos corrigir-nos com humildade e paciência, na execução dos deveres que a vida nos recomenda. (Leis do amor. Cap.8. Questão 11. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier / Waldo Vieira )

            Quando o erro apareça em nossa área de ação, recordemos o motorista diligente que se atira a conserto e não a queixume, ante o carro enguiçado, e estabeleçamos primeiramente a pausa de revisão.

            Aceitemo-nos tais quais somos, fracos, imperfeitos, rebeldes ou reincidentes no mal.

            (...)Observemos os pontos vulneráveis, em torno dos quais as nossas faltas reaparecem.

Verifiquemos claramente em nós aquilo que desaprovamos nos outros.

            (...)Anotemos as nossas necessidades morais, sem esperar que alguém no-las aponte, e lancemo-nos à obra restaurativa.

            (...) Ocasiões sobrevêm nas quais o abatimento é tão grande, perante os nossos erros, que muitos de nós se aventuram a pronunciar a palavra “impossível” para qualquer convite à renovação.

            Quando isso aconteça, fujamos de perder tempo, articulando frases de autopiedade. Sentar-se à beira da estrada, para lamentar o mal sem remédio, é tão perigoso quanto cair e refocilar-se indefinidamente no chão.

            Por maior seja o erro em que estejamos incursos, reiniciemos pacientemente a tarefa em que nos malogramos, recorrendo à oração. Em verdade, ninguém pode substituir-nos no esforço que é nosso, mas todo esforço somado à oração quer dizer: nós com Deus. (Encontro marcado . Quando o erro apareça. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            Agrada a Deus a prece?

            A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para Ele, a intenção é tudo. Assim, preferível Lhe é a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o coração. Agrada-Lhe a prece, quando dita com fé, com fervor e sinceridade. Mas, não creias que O toque a do homem fútil, orgulhoso e egoísta, a menos que signifique, de sua parte, um ato de sincero arrependimento e de verdadeira humildade. (O Livro dos Espíritos. Questão 658. Allan Kardec)

            Qual a mais meritória de todas as virtudes?

            Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtudes sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores.

            A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.(O Livro dos Espíritos. Questão 893. Allan Kardec )

            Merecerá reprovação aquele que faz o bem, sem visar a qualquer recompensa na Terra, mas esperando que lhe seja levado em conta na outra vida e que lá venha a ser melhor a sua situação? E essa preocupação lhe prejudicará o progresso?

            O bem deve ser feito caritativamente, isto é, com desinteresse. (O Livro dos Espíritos. Questão 897. Allan Kardec )

            Contudo, todos alimentam o desejo muito natural de progredir, para forrar-se à penosa condição desta vida. Os próprios Espíritos nos ensinam a praticar o bem com esse objetivo. Será, então, um mal pensarmos que, praticando o bem, podemos esperar coisa melhor do que temos na Terra?

            Não, certamente; mas aquele que faz o bem, sem idéia preconcebida, pelo só prazer de ser agradável a Deus e ao seu próximo que sofre, já se acha num certo grau de progresso, que lhe permitirá alcançar a felicidade muito mais depressa do que seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não impelido pelo ardor natural do seu coração.(O Livro dos Espíritos. Questão 897- a). Allan Kardec )

            Onde localizar a origem dos desvios da razão humana?

            A origem desse desequilíbrio reside na defecção do sacerdócio, nas várias igrejas que se fundaram nas concepções do Cristianismo. Ocultando a verdade para que prevalecessem os interesses econômicos de seus transviados expositores, as seitas religiosas operaram os desvirtuamento da fé, fixando a sua atividade, por absoluta ausência de colaboração com o raciocínio, no caminho infinito de conquistas da vida.(O Consolador. Questão 200. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            Onde está o espírito do Cristianismo? Está no coração daqueles que, divergindo embora no que respeita às sutilezas da fé, confraternizam sempre, considerando a Jesus como seu Mestre e Salvador. Está na colaboração e na eficiência em prol de todas as causas que visam ao bem coletivo. (Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            Afirmo, sem pestanejar, que Jesus não instituiu nenhuma casta sacerdotal com poderes ou privilégios de qualquer natureza. Suas promessas são extensivas a todos os homens mediante determinadas condições, às quais, igualmente, todos estamos subordinados. (Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            (...) Diante de Deus não há diferença alguma entre o católico e o budista, o espírita e o protestante, o maçom e o positivista, o teósofo e o maometano — uma vez que os profitentes de tais credos sejam sinceros, verazes, fiéis à consciência própria e se achem possuídos do espírito de justiça e de amor ao próximo. (Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            Não são os rótulos religiosos que abrem as portas dos planos felizes do Universo, nem tampouco as palavras piedosas que se pronunciam, nem as obras que se praticam, quando são o orgulho ou a hipocrisia que as ditam ou inspiram. Inimigo da hipocrisia e do orgulho, tendo combatido acerrimamente estes dois vícios da alma, principais obstáculos à perfeição, Jesus coloca na categoria de obras da iniqüidade mesmo as boas obras quando praticadas sob a capa destas duas imperfeições. E a vontade do Pai é que não sejamos nem hipócritas nem orgulhosos, praticando o bem pelo bem, sem outro qualquer motivo oculto. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 7. Eiseu Rigonatti)

            Paulo de tarso disse: "Mas quem não possui o espírito do Cristo, esse não é dele.” (Romanos 8:9)
            Segundo o Espírito Emmanuel: "A rotulagem não tranquiliza. Procuremos a essência.

            Há louvores em memória do Cristo, em muitos estandartes que estimulam a animosidade entre irmãos.

            Há símbolos do Cristo, em numerosos tribunais, que, em muitas ocasiões, apenas exaltam a injustiça.

            Há preciosas referências ao Cristo, em vozes altamente categorizadas da cultura terrestre, que, em nome do Evangelho, procuram estender a miséria e a ignorância.

            Há juramentos por Cristo, através de conversações que constituem vastos corredores na direção das trevas.

            Há invocações verbais ao Cristo, em operações puramente comerciais, que são escuros atentados à harmonia da consciência.

            Meditemos na extensão de nossos deveres morais, no círculo das responsabilidades que abraçamos com a fé cristã.

            Jesus permanece em imagens, cartazes, bandeiras, medalhas, adornos, cânticos, poemas, narrativas, discursos, sermões, estudos e contendas, mas isso é muito pouco se lhe não possuímos o ensinamento vivo, na consciência e no coração.

            É sempre fácil externar entusiasmo e convicção, votos brilhantes e frases bem-feitas.

            Acautelemo-nos, porém, contra o perigo da simples rotulagem. Como o apóstolo, não nos esqueçamos de que, se não possuímos o espírito do Cristo, dele nos achamos ainda consideravelmente distantes. "(Fonte Viva. Rotulagem. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Todos os que reconhecem a missão de Jesus dizem: Senhor! Senhor! - Mas, de que serve lhe chamarem Mestre ou Senhor, se não lhe seguem os preceitos? Serão cristãos os que o honram com exteriores atos de devoção e, ao mesmo tempo, sacrificam ao orgulho, ao egoísmo, à cupidez e a todas as suas paixões? Serão seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores, nem mais caridosos, nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não, porquanto, do mesmo modo que os fariseus, eles têm a prece nos lábios e não no coração. Pela forma poderão impor-se aos homens; não, porém, a Deus. Em vão dirão eles a Jesus: "Senhor! não profetizamos, isto é, não ensinamos em teu nome; não expulsamos em teu nome os demônios; não comemos e bebemos contigo?" Ele lhes responderá: "Não sei quem sois; afastai-vos de mim, vós que cometeis iniqüidades, vós que desmentis com os atos o que dizeis com os lábios, que caluniais o vosso próximo, que expoliais as viúvas e cometeis adultério. Afastai-vos de mim, vós cujo coração destila ódio e fel, que derramais o sangue dos vossos irmãos em meu nome, que fazeis corram lágrimas, em vez de secá-las. Para vós, haverá prantos e ranger de dentes, porquanto o reino de Deus é para os que são brandos, humildes e caridosos. Não espereis dobrar a justiça do Senhor pela multiplicidade das vossas palavras e das vossas genuflexões. O caminho único que vos está aberto, para achardes graça perante ele, é o da prática sincera da lei de amor e de caridade."

            São eternas as palavras de Jesus, porque são a verdade. Constituem não só a salvaguarda da vida celeste, mas também o penhor da paz, da tranqüilidade e da estabilidade nas coisas da vida terrestre. Eis por que todas as instituições humanas, políticas, sociais e religiosas, que se apoiarem nessas palavras, serão estáveis como a casa construída sobre a rocha. Os homens as conservarão, porque se sentirão felizes nelas. As que, porém, forem uma violação daquelas palavras, serão como a casa edificada na areia: o vento das renovações e o rio do progresso as arrastarão. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.18. Item 9. Allan Kardec)

            Os que dizem: “crede, e sereis salvos”; ou: “crede, e não precisareis guardar a lei”, coitados! — são cegos condutores de cegos.

            Jesus sempre condenou com veemência as práticas meramente formalistas de religiosidade, e jamais acoroçoou a ideia de que seja suficiente a aceitação deste ou daquele “credo” para que alguém tenha assegurada sua entrada nas mansões celestiais.

            É a obediência aos mandamentos que prova a sinceridade de nossas convicções e a excelência da doutrina que aceitamos.

            Quando essa doutrina é de molde a transformar-nos, erradicando de nós as características do “homem velho”, referto de imperfeições, vícios e mazelas, para substituí-las pelas do “homem novo”, fazendo que em nossa vida se manifestem a honestidade, a brandura, a tolerância e a alegria de fazer o bem, então podemos saber que estamos trilhando o caminho certo, pois “é pelos frutos que se conhece a qualidade da árvore”.

            Serão dignos do nome de cristão, os que se limitam a pregar os ensinamentos do Cristo (profetizar em seu nome), mas cujo caráter não se modifica para melhor, e não se mostram nem mais solícitos nem mais fraternos para com os outros? Não!

            Os que, segundo os processos kardecistas ou umbandistas, doutrinam Espíritos obsessores, afastando-os daqueles que lhes sofriam o assédio, mas não se doutrinam a si mesmos, continuando com as mesmas fraquezas morais e a mesma falta de caridade no trato com seus semelhantes? Tampouco!

            Os que fazem promessas, impondo-se penosas macerações, em demonstrações prodigiosas de fanatismo religioso (que a ninguém beneficiam), mas só cuidam da própria salvação, indiferentes à miséria e ao sofrimento do próximo? Também não!

            À semelhança dos fariseus, os quais o Mestre comparou a sepulcros branqueados, formosos por fora, mas que por dentro estão cheios de asquerosidade, esses tais têm piedade apenas nos lábios, pois em seus corações o que há, realmente, é só frieza e hipocrisia.

            Batendo na mesma tecla, disse Jesus de outra feita:

            “Todo aquele que me confessar diante dos homens, também Eu o confessarei diante de meu Pai que está nos Céus; mas, ao que me negar diante dos homens, Eu também o negarei diante de meu Pai que está nos Céus”. (Mateus, 10:32 e 33.)

            Portanto, chamar a Jesus Cristo de nosso Senhor ou nosso Salvador, entoar-lhe hinos e louvores, será de todo inútil se lhe não seguirmos os preceitos.

            Sim, porque “confessar o Cristo diante dos homens” tem o sentido de proceder de conformidade com sua doutrina; significa devotar-se ao auxílio da Humanidade, sem exceção de espécie nenhuma, amparando, ensinando e servindo sempre, tornando-se um veículo da manifestação do Amor e da Verdade no mundo.

            Enquanto formos movidos pelo egoísmo e pela vaidade, vivendo tão somente para a exaltação do próprio “eu”; enquanto nos mantivermos insensíveis à má sorte de nossos irmãos, conquanto nos proclamemos seguidores do Cristo, estaremos negando-o diante dos homens, pois “amando-nos uns aos outros” é que nós daremos a conhecer como verdadeiros discípulos seus. E como “o amor é o cumprimento da Lei”, só quando soubermos amar é que faremos jus ao galardão celestial. (O Sermão da montanha. Só entrarão no Reino dos Céus...Rodolfo Calligaris)

            No Evangelho Segundo o Espiritismo o espírito Simeão faz a seguinte reflexão:

            "Será bastante trazer a libré do Senhor, para ser-se fiel servidor seu? Bastará dizer:"Sou cristão", para que alguém seja um seguidor do Cristo? Procurai os verdadeiros cristãos e os reconhecereis pelas suas obras. "Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má pode dar frutos bons." - "Toda árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo." São do Mestre essas palavras. Discípulos do Cristo, compreendei-as bem! Que frutos deve dar a árvore do Cristianismo, árvore possante, cujos ramos frondosos cobrem com sua sombra uma parte do mundo, mas que ainda não abrigam todos os que se hão de grupar em torno dela? Os da árvore da vida são frutos de vida, de esperança e de fé. O Cristianismo, qual o fizeram há muitos séculos, continua a pregar essas virtudes divinas; esforça-se por espalhar seus frutos, mas quão poucos os colhem! A árvore é boa sempre, porém maus são os jardineiros. Entenderam de moldá-la pelas suas idéias; de talhá-la de acordo com as suas necessidades; cortaram-na, diminuíram-na, mutilaram-na; tomados estéreis, seus ramos não dão maus frutos, porque nenhuns mais produzem. O viajor sedento, que se detém sob seus galhos à procura do fruto da esperança, capaz de lhe restabelecer a força e a coragem, somente vê uma ramaria árida, prenunciando tempestade. Em vão pede ele o fruto de vida à árvore da vida; caem-lhe secas as folhas; tanto as remexeu a mão do homem, que as crestou.

            Abri, pois, os ouvidos e os corações, meus bem-amados! Cultivai essa árvore da vida, cujos frutos dão a vida eterna. Aquele que a plantou vos concita a tratá-la com amor, que ainda a vereis dar com abundância seus frutos divinos. Conservai-a tal como o Cristo vo-la entregou: não a mutileis; ela quer estender a sua sombra imensa sobre o Universo: não lhe corteis os galhos. Seus frutos benfazejos caem abundantes para alimentar o viajor faminto que deseja chegar ao termo da jornada; não amontoeis esses frutos, para os armazenar e deixar apodrecer, a fim de que a ninguém sirvam. "Muitos são os chamados e poucos os escolhidos." É que há açambarcadores do pão da vida, como os há do pão material. Não sejais do número deles; a árvore que dá bons frutos tem que os dar para todos. Ide, pois, procurar os que estão famintos; levai-os para debaixo da fronde da árvore e partilhai com eles do abrigo que ela oferece. - "Não se colhem uvas nos espinheiros." Meus irmãos, afastai-vos dos que vos chamam para vos apresentar as sarças do caminho, segui os que vos conduzem à sombra da árvore da vida." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.18. Item 16. Simeão/ Allan Kardec) 

            O melhor protesto contra o falso ensino religioso, é propiciar o verdadeiro.

            O método positivo é de mais eficiência que o negativo. Construindo-se a boa obra, a má vem abaixo. "Toda árvore não plantada pelo pai será arrancada." Ao invés, portanto, de mostrarmos o erro de falsa moral, já de si decadente, intensifiquemos a propaganda da moral cristã nas sedes das nossas agremiações.

            Existem, no Brasil, centenas, milhares de igrejas espíritas.

            Pois que seja cada uma delas um foco ardente de luz e de amor, onde as crianças e a juventude encontrem oportunidade e facilidade de aprender as sublimes verdades evangélicas.

            Transformemos as nossas sedes em escolas. Cuidemos da infância, guiemos e orientemos os pequeninos, "pois dos tais é o reino dos céus".(Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            Sabemos que o chamado reino dos céus não é um recinto em que se possa entrar, nem sequer, em sentido absoluto, um plano que nos caiba ascender.

            É, acima do tudo, um estado de espírito, o regozijo de quem experimenta a união com a Divindade. Então, só então, alcançando um princípio de união com Deus, é que temos a Jesus como absoluto Senhor de nossa vida.

            E não julguemos que basta a boa vontade inoperante ou o simples desejo para nos colocar em submissão ao Criador: que pode fazer por nós a falsa consciência de elevação espiritual, o engano de uma aparente reforma segundo os conceitos evangélicos, a ilusão de estarmos redimidos e ainda de proferirmos a palavra Senhor em vão?

            Invoquemos Deus com humildade, rogando suas bênçãos em todos os momentos, mas não julguemos seja Ele realmente Senhor de nossas vidas enquanto alternamos pensamentos elevados com ideias antifraternas, vibrações de amor com sentimentos menos caridosos, impulsos de avanço espiritual com queda e erros.

            Seja esse o nosso maior anseio: o de nos purificar para o “Reino dos Céus”. (Comentários Evangélicos. Cap.12. Espírito Bezerra de Menezes. Edgard Armond)

            Os verdadeiros cristãos são como os verdadeiros missionários neste mundo: são e ignoram que o são. Perguntaram certa vez ao Batista: Sois Elias?

            Não sou — foi a resposta. Sois profeta? Não sou. Sou apenas a voz que clama no deserto. (Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            Quem se vangloria do seu saber, dá com isso provas evidentes da mediocridade desse saber. O verdadeiro sábio é humilde no seu saber.

            Com aquilo que ignoramos — disse um grande pensador e filósofo —Deus poderia, se quisesse, criar um outro universo. E, com aquilo que sabemos, não podemos, ainda que o queiramos, criar um grão de areia.(Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius)

            Segundo o Espírito Honório, "(...) ser cristão é ser bom, humilde, caridoso, abnegado e compreensivo.

            É calar-se diante das ofensas, ter paciência com os que erram, força nas provações, resignação nas grandes dores.

            É amar aquele que ainda não sabe amar, tolerar com carinho aquele que só sabe detestar, ofender e criticar.

            É ver apenas um irmão naquele que erra, que fere, que calunia e que mata.

            É deixar de atirar pedras naqueles que permanecem no erro, lembrando-se de que o desequilíbrio e a maldade já foram seus companheiros por anos e anos a fio.

            É demonstrar ao Pai o seu reconhecimento pela fé, pelo trabalho construtivo, pela alegria do amor ao próximo.

            Eis aí, meus irmãos, a meta para a qual devam convergir todos os nossos esforços, porque os nossos Espíritos já estão muito experimentados na forja da dor e dos sofrimentos.

            Procuremos falar menos e amar mais ao nosso próximo.

            Se formos caridosos e bons, se realmente formos cristãos, teremos dentro de nós mesmos a chave da porta estreita, onde encontraremos a verdadeira felicidade espiritual." (Registros imortais. Ser cristão. Chico Xavier e outros médiuns do Grupo Meimei)

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.18. Item 9 e 16. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Questões 658, 893, 897, 897a). Allan Kardec.

-Revista espírita.Julho de 1858. Correspondência. Allan Kardec.

- Leis do amor. Cap.8. Questão 11. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier / Waldo Vieira.

- Encontro marcado . Quando o erro apareça. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- O Consolador. Questão 200. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Fonte Viva. Rotulagem. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Registros imortais. Ser cristão. Chico Xavier e outros médiuns do Grupo Meimei.

- Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Fariseu e do Publicano. Cairbar Schutel.

- Parábolas Evangélicas. Cap.26. Rodolfo Calligaris.

- O Sermão da montanha. Só entrarão no Reino dos Céus...Rodolfo Calligaris.

- Em torno do Mestre. Vígilias. Vinicius.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 7. Eiseu Rigonatti.

- Comentários Evangélicos. Cap.12. Espírito Bezerra de Menezes. Edgard Armond.

- Bíblia: Romanos 8:9.