Utilize o conteúdo da aula, designado por "Subsídio para o Evangelizador", para desenvolver palestras espíritas para jovens e adultos.

Ciclo 1 - História: Buscando solução - Atividade: LE - L3 - Cap. 4 - 4. Casamento e celibato ou/e  PH - Allan Kardec- 9. Dever dos pais.
Ciclo 2 - História: Separação - Atividade: ESE - Cap. 22 - 1. Indissolubilidade do casamento ou/e PH - Salomão- 4. Educação moral.
Ciclo 3 - História: O rebelde sem causa - Atividade: PH - Paulo de Tarso -  29 - A família.

Dinâmicas: Dicas para evitar conflitos familiares;   A minha, a sua e a nossa visão de vida são iguais?;  O adolescente no lar.
Mensagens espíritas: Conflitos familiares.
Sugestão de vídeo: - Música: Vídeo dia da Família - de Rita Rameh (Dica: pesquise no Youtube).  
Sugestão de livro infantil: - A família do Marcelo. Ruth Rocha. Editora Salamandra.

Leitura da Bíblia: 1 Timóteo - Capítulo 5


5.1 Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos;


5.2 as mulheres idosas, como a mães; e as moças, como a irmãs, com toda a pureza.


5.3 Trate adequadamente as viúvas que são realmente necessitadas.


5.4 Mas, se uma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a pôr a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus.


5.8 Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.



Provérbios - Capítulos 11, 12, 15, 16, 18, 19, 22, 28 e 29.


11.12 O homem que não tem juízo ridiculariza o seu próximo, mas o que tem entendimento refreia a língua.


12.16 O insensato revela de imediato o seu aborrecimento, mas o homem prudente ignora o insulto.


15.18 O homem irritável provoca dissensão, mas quem é paciente acalma a discussão.


15.1 A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.


16.24 Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.


18.13 Quem responde antes de ouvir, comete insensatez e passa vergonha.


19.2 Não é bom agir sem refletir; e o que se apressa com seus pés erra o caminho.


22.6  Eduque a  criança no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele.


 28.13 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.


29.20 Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o insensato do que para ele.



Colossenses - Capítulo 3


3.13 Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou.



Tópicos a serem abordados:
-  A Família é um grupo de pessoas que se reúne cuja finalidade consiste em se ajudarem como irmãos e adquirirem o verdadeiro amor espiritual. Geralmente, retornam, como nossos familiares, Espíritos com os quais necessitamos conviver e aos quais devemos aprender a amar e perdoar.
- No entanto, nem sempre encontramos harmonia no nosso lar. As famílias estão marcadas por frequentes conflitos, tais como: brigas entre irmãos; separação dos pais; discussões entre sogra e genro; abandono de idosos, etc... Por que isto acontece? Na maioria dos casos, esses relacionamentos conturbados são de Espíritos que se prejudicaram uns aos outros, em vidas anteriores. Por vezes, foram inimigos e agora estão se reencontrando. Unidos não pelo afeto, nem por afinidade, mas para a reconciliação, enfrentam dificuldades para se harmonizarem porque, de forma inconsciente, guardam a mágoa do passado. Daí as desavenças que, com facilidade, perturbam a vida familiar (1).
- Apesar desta dificuldade, é possível modificar este comportamento infeliz? Sim. Deus não nos reúne no lar para nos magoarmos e agredirmos. O propósito de Deus é de reaproximar os inimigos, tantas vezes quantas sejam necessárias, a fim de que, em novas relações, possam transformar a aversão em amizade.
-  É em casa, na convivência com os pais e irmãos, muito mais do que em qualquer outra parte ou instituição, que aprenderemos o perdão, a fraternidade humana, o respeito aos direitos alheios,  a honestidade, a disciplina , o acatamento à autoridade, os princípios da verdadeira democracia, o senso de responsabilidade, etc... Ordem, trabalho, caridade, benevolência, compreensão começam dentro de casa.
- Aprendamos a ouvir sem interromper os que falam à mesa doméstica, a fim de que possamos escutar com segurança as aulas da vida. Na Bíblia diz: “Quem responde antes de ouvir, comete insensatez e passa vergonha.” (Provérbios 18:13). Às vezes, o problema gerador do conflito nem é tão grande, poderia ser facilmente resolvido, mas como ninguém se ouve, não há como dialogar sobre o problema e solucioná-lo.
- Sigamos a orientação de nossos pais. Certa vez, a mãe de Chico Xavier lhe disse:" Quando alguém lhe trouxer provocações com a palavra, beba um pouco  de água pura e conserve­a na boca. Não a lance fora, nem a engula. Enquanto perdurar a tentação de responder, guarde a água da paz, banhando a língua (2)". Segundo o Espírito Emmanuel, "a mais alta defesa contra o sarcasmo do mundo é o silêncio da perfeita confiança no Divino Poder (3)".
-  Ao invés de partir para qualquer tipo de agressão, colabore na solução do problema.  É sempre possível achar a porta do entendimento mútuo, quando nos dispomos a ceder, de nós mesmos, em pequeninas demonstrações de renúncia a pontos de vista. Na Bíblia diz: "O homem irritável provoca dissensão, mas quem é paciente acalma a discussão."(Provérbios 15:18).  Quantas vezes um problema aparentemente insolúvel pede tão somente uma palavra calmante para ser resolvido?
- Além disso, jamais jogue "na cara" as imperfeições dos outros, pois isto só serve para provocar revolta e destruir afetos. Na Bíblia diz: "Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo.” (Provérbios 16:24). Portanto, se for necessário, corrija o outro com bondade e discrição.
-  Caso seja você quem errou, reconheça o seu erro e peça desculpas . Na Bíblia diz: "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia". (Provérbios 28:13). Pedir perdão, traz paz ao coração e permite renovar os sentimentos. Ter humildade para reconhecer os seus erros é uma atitude capaz de resolver definitivamente os conflitos.
- Muitas vezes, o ambiente que temos em nossa casa é resultado da semeadura que fizemos em passado distante. Portanto, não devemos desprezar a família que temos, e, muito menos, desejar abandoná-la. Ao tomar tal atitude estamos deixando de aproveitar uma grande oportunidade de aprendizado e de reparação (4).
- Pais desatenciosos, muitas vezes, nos são colocados para que valorizemos o amor paternal.  Irmãos que não querem nos amar, e que por vezes nos fazem sofrer, devem ter, de nossa parte, o amor como resposta, pois esta é uma maneira de progredirmos (4).  Parentes agressivos e cínicos, que brigam constantemente, nos são dados, para que recebam de nós orientação e mais paciência. Aliás, mesmo que tenhamos recebido pais negligentes e irresponsáveis, sejamos gratos pela roupagem orgânica que nos concederam, pois poderiam tê-la negado e não o fizeram.
- Não lamentemos o ninho doméstico que se encontra conturbado ou desfeito, nem a solidão que possamos sentir. Entendamos que, provavelmente, é uma lição pela qual necessitamos passar no caminho de nossa evolução. Se entendêssemos que a família verdadeira é a família espiritual e que a família terrestre nos é um educandário, passaríamos a conviver melhor com nossos familiares (4).

Comentário (1): Artigo: Conflitos. Redação do Momento Espírita. Fonte: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=3579&stat=0; (2): Lidos casos de Chico Xavier. A água da paz. Ramiro Gama. (3):Coletânea do Além. Cap. 36. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier. (4): Artigo - Relações familiares. Redação do Momento Espírita.  Fonte: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2401&let=R&stat=0  - Data da consulta: 12-02-21

Perguntas para fixação:
1. Em geral, quem renasce como nossos parentes?
2. Por que nem sempre temos harmonia em nosso lar?
3. Por qual motivo ocorrem os conflitos familiares?
4. É possível resolver os conflitos na família?
5. O que podemos aprender na convivência com os nossos pais e irmãos?
6. Por que devemos aprender a ouvir o que outros tem a dizer?
7. O que a mãe de Chico Xavier recomendou a ele?
8. Por que não devemos jogar as imperfeições "na cara" dos outros?
9. Por que é importante reconhecer nosso erro e pedir perdão ?
10. Por que não devemos desprezar a família que temos?
11. Por que devemos ser gratos aos nossos pais?


Subsídio para o Evangelizador:
            A família é uma instituição divina cuja finalidade precípua consiste em estreitar os laços sociais, ensejando-nos o melhor modo de aprendermos a amar-nos como irmãos.
            Existem grupos familiares cujas relações afetivas, por muito fracas, são rompidas facilmente, tomando cada qual o seu próprio rumo tão logo surja uma oportunidade propícia; em outros, entretanto, a amizade com que se querem e a abnegação recíproca de que dão provas chegam a alcançar as raias do sublime. E, entre esses extremos, um escalonamento quase infinito, em que a maioria dos terrícolas vamos fazendo o nosso aprendizado de fraternidade. (As leis morais. Cap. 27 - A família. Rodolfo Calligaris)
            Segundo o livro Estude e viva, '' Família'' é grupo consangüíneo a que você forçosamente se vincula por remanescentes do pretérito ou imposições de afinidade com vistas ao burilamento pessoal.  (Estude e viva. O Espiritismo em sua vida. Espírito Emmanuel e André Luiz. Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira).      
            Os que encarnam numa família, sobretudo como parentes próximos, são, as mais das vezes, Espíritos simpáticos, ligados por anteriores relações, que se expressam por uma afeição recíproca na vida terrena. Mas, também pode acontecer sejam completamente estranhos uns aos outros esses Espíritos, afastados entre si por antipatias igualmente anteriores, que se traduzem na Terra por um mútuo antagonismo, que aí lhes serve de provação. Não são os da consangüinidade os verdadeiros laços de família e sim os da simpatia e da comunhão de idéias, os quais prendem os Espíritos  antes, durante e depois   de suas encarnações. Segue-se que dois seres nascidos de pais diferentes podem ser mais irmãos pelo Espírito, do que se o fossem pelo sangue. Podem então atrair-se, buscar-se, sentir prazer quando juntos, ao passo que dois irmãos consangüíneos podem repelir-se, conforme se observa todos os dias: problema moral que só o Espiritismo podia resolver pela pluralidade das existências.  (O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap.14. Item 8. Allan Kardec)
            (...) Em nossas vidas anteriores, todos havemos cometido deslizes, praticado injustiças, perpetrado traições, usurpado direitos, ilaqueado a boa fé alheia, agravando, ferindo ou prejudicando seriamente nossos semelhantes, ligando-nos a eles pelos laços do ódio.
            Ora, a Providência Divina exige a harmonização daqueles que se hajam tornado inimigos e, pela Lei de Consequência, são eles reaproximados tantas vezes quantas sejam necessárias, a fim de que, em novas relações, possam transformar a aversão em amizade, pois o propósito de Deus é que todos nos amemos mútuamente, formando uma só e grande família: a fraternidade universal.
            Destarte, se dentro de nossa própria casa há alguém que se erige qual nosso desafeto, o que nos cumpre fazer é conquistá-lo com o nosso carinho, ou, quando tal esteja acima de nossas forças, suportá-lo pacientemente. O acaso não existe.             E se o Destino nos colocou lado a lado é quase certo tratar-se de um credor do pretérito, com o qual temos contas a ajustar.
            Procedendo desta maneira, estaremos fazendo nossa parte, adquirindo méritos para uniões mais ditosas no porvir. Caso, porém, mantenhamos aceso o fogo da discórdia, revidando-lhe os ultrajes e as demonstrações de malquerença, estaremos simplesmente acumulando dividas, cujo resgate, depois, será ainda mais penoso que o sacrifício que nos seria preciso realizar agora. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 15. A família e a lei da consequência. Rodolfo  Calligaris)
            Qual a melhor escola de preparação das almas reencarnadas, na Terra?
            A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter.
            Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem.
            Na sua grandiosa tarefa de cristianização, essa é a profunda finalidade do Espiritismo evangélico, no sentido de iluminar a consciência da criatura, a fim de que o lar se refaça e novo ciclo de progresso espiritual se traduza, entre os homens, em lares cristãos, para a nova era da Humanidade. (O Consolador. Questão 110. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Qual a função essencial do lar e da família?
            No caminho familiar, purificam-se impulsos e renovam-se decisões. Nele encontramos os estímulos ao trabalho e às tentações que nos comprovam as qualidades adquiridas, as alegrias que nos alentam e as dores que nos corrigem. (Leis do amor. Cap.4 - Questão 6. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Como interpretar as contrariedades e desgostos domésticos?
            O homem e a mulher aguardam o casamento, embalados na melodia do sonho, entretanto, atingida a convivência no lar, surgem as obrigações, decorrentes do pretérito, através do programa de serviço traçado para cada um de nós pela reencarnação, que nos compele a retomar, na intimidade, todos os nossos erros e desacertos.
            Fácil, dessa forma, reconhecer que todas as dificuldades domésticas são empeços, trazidos por nós próprios, das existências passadas. (Leis do amor. Cap.4 - Questão 2. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            “Uma choupana, o luar e você”, diz toda (o) jovem enamorada (o), “é quanto me basta para ser feliz.” Depois do casamento, porém, começa a compreender que para a manutenção do lar faz-se necessário algo mais além do amor: o dinheiro.
            Não por ele, em si, mas pelas coisas indispensáveis à subsistência, que, sem ele, não se podem adquirir.
            É da maior ou menor quantidade de dinheiro que se ganhe com regularidade que vai depender o conforto da morada e o padrão de vida da família.
            Por conseguinte, as questões financeiras precisam e devem ser analisadas e discutidas com toda a lealdade, antes do casamento e depois dele, pois do contrário surgirão fatalmente, gravíssimos desentendimentos, pondo em risco a paz e a integridade familiar.
            É o que acontece, por exemplo, quando a mulher se casa sem saber das possibilidades do marido e depois demonstra não estar satisfeita com aquilo que lhe é proporcionado.
            Se ele for de boa índole, poderá esforçar-se um pouco mais, trabalhar horas extras ou arranjar um “bico” afora o emprego, e tudo ficará bem.
            Se for, entretanto, de mau gênio, o mais provável é que se revolte e a acuse de incontestável, gastadeira, de estar com inveja de amigas ou vizinhas, etc..
            Por outro lado, se a mulher se dispõe a exercer também uma atividade profissional, seja para equilibrar o orçamento doméstico, seja para aumentar o rendimento do casal, de sorte a possibilitar a compra de casa própria, automóvel e coisas assim, isto tem que ser bem considerado e pesado para que, depois, ele não venha a queixar-se de que ela não esteja cuidando devidamente de seus deveres de esposa e dona de casa, nem ela possa colocar-se na situação de vítima dele, etc..
            (...)Quaisquer que sejam as condições econômicas do casal, será conveniente que seja estabelecido, em conjunto, como serão feitas as provisões para as despesas comuns e as de cada cônjuge, quem responderá pela “tesouraria” da casa, etc.
            A falta de combinação em assunto tão explosivo constitui-se uma fonte perene de desgosto, que deve ser estancada desde os primeiros dias do casamento.  (A vida em família. O problema financeiro. Rodolfo Calligaris)
            No que tange ao exercício do sexo, precisam saber que passado o frenesi da lua-de-mel, será muito natural haja um espaçamento rítmico entre uma e outra cópula, o que não deverá ser interpretada como uma diminuição do amor conjugal, mas, pelo contrário, como uma sábia manifestação das leis da vida, já que os excessos, neste terreno, além de depreciarem tão importante elemento do matrimônio, poderiam ocasionar o desequilíbrio das forças psicossomáticas do casal.
            (...)A convivência mais íntima poderá, ainda, desvendar alguns senões dos dotes físicos, bem assim certas maneiras prosaicas de um e de outro, fazendo com que a admiração recíproca seja um tanto abalada; mas, em compensação, quantas alegrias e que deliciosos momentos oferece uma vida a dois, quando os gênios se compatibilizam e as almas se fusionam harmoniosamente!
            A rotina de uma casa, com suas monótonas obrigações diárias, a horas certas, pode, a seu turno, não ser muito estimulante; entretanto, forçoso convir em que pior, bem pior, seria não ter um lar próprio com as inúmeras vantagens que ele oferece.
            Não raro, o marido, para quem o dever tem foros de lei, preferirá privar-se do aconchego familiar a deixar de cumprir uma tarefa profissional determinada pelo chefe, ou mesmo uma incumbência livremente aceita por seu ideal de servir, o que dará a “ela'’ a (falsa) impressão de que “ele” já não se compraz em sua companhia; com o tempo, todavia, a melhor compreensão das coisas fa-la-á reconhecer que essa maneira de ser dele, longe de ser um defeito, é mais uma das boas qualidades que lhe exomam o caráter. Dia virá, por outro lado, em que a esposa, promovida a mãe, mostrar-se-á tão absorvida nos cuidados com o neném que o marido se sentirá “sobrando”.
            Poderá, então, julgar-se roubado em seus direitos; as experiências da vida, entretanto, fá-lo-ão aceitar de bom ânimo essa atitude da companheira, na certeza de que não lhe perdeu o afeto: apenas teve que repartí-lo com o filho, cedendo a este boa parte das atenções carinhosas que antes eram somente suas.
            Doenças poderão sobrevir, trazendo preocupações, impondo uma sobrecarga de trabalho, ou exigindo o sacrifício de noites mal dormidas, etc. Mas quem se casa deve estar preparado (a) para enfrentar esses maus momentos, eis que uma das cláusulas do contrato matrimonial estabelece sejam os esposos solidários entre si não apenas no regozijo e na prosperidade, mas principalmente na enfermidade e na aflição. (A vida em família. Prevenindo decepções. Rodolfo Calligaris)
            O drama da maioria dos lares não reside na escassez de recursos econômicos. Reside, isto sim, na dificuldade de interligação harmoniosa dos esposos, provocada, quase sempre, pelo orgulho. Orgulho que impede a cada um de fazer uma justa apreciação de seus defeitos pessoais, negando-os ou transferindo-os para o parceiro.
            Possuíssem, ambos, um pouquinho de humildade espiritual, o suficiente para perceberem que ninguém é perfeito neste mundo, que cada um de nós carece adquirir ainda determinadas qualidades e todos nos ressentimos de alguns aspectos caracterológicos desagradáveis, e não haveria tantos antagonismos irredutíveis nas relações familiares.
            Se houvesse, também, em cada lar, um mínimo de evangelização, conheceriam os esposos estas preciosas máximas de Jesus: “Bemaventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.” — “Se perdoardes aos outros as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai Celestial vos perdoará os pecados, mas se não lhes perdoardes quando vos tenham ofendido, tampouco vosso Pai Celestial vos perdoará.” (Mateus, 5:7 e 6:14-15)
            (...)Ótimo seria se, cada vez que um dos cônjuges se julgasse desconsiderado ou ofendido, ao invés de partir para o revide, as pirraças e coisas que tais, evocasse a figura serena do Nazareno, dirigindo-se aos que intentavam lapidar a mulher adúltera: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado, atire a primeira pedra.” (João, 8:7)
            Isto os ajudaria a se perdoarem mutuamente, como convém que o façam, porque, através desses exames de consciência, haveria de ficar evidenciado que se “ela” tem razões para não gostar de certos modos dele, como p. ex., ser “gritão”, implicante ou fanático por futebol, “ele”, a seu turno, pode não estar nada satisfeito com alguns costumes dela, tais como dizer invariavelmente “não” aos seus convites e sugestões, gastar tanto dinheiro em cosméticos e futilidades da “moda”, ou deixar que os trens de cozinha se amontoem na pia, para serem lavados e guardados no dia seguinte, etc.
            Seria de bom alvitre, ainda, que, nos maus momentos, cada cônjuge comparasse o objeto de seu desgosto com as boas coisas que tem recebido do “outro”, procurando avaliar como se sentiria, privado delas.
            Estamos certos de que, na maioria dos casos, o lado positivo do companheiro haverá de “pesar” mais, na balança da felicidade. (A vida em família. A capacidade de perdoar. Rodolfo Calligaris)
            Que dizer-se, então, dos que se casam por conveniência ou vanglória? Por pressão dos familiares, que desejam vê-los assentes na vida? Para não precisarem comer em restaurantes e terem alguém que lhes cuide das roupas, vendo no casamento apenas o melhor jeito de resolverem tais problemas domésticos?
            Ou, o que é mais frequente no lado feminino, apenas para fugirem ao estigma de solteironas? Por dificuldades de relacionamento com os pais ou irmãos?
            Para não lhes serem “pesadas”, economicamente?
            Para se livrarem de empregos ou trabalhos espinhosos?
            O casamento forçado, ou seja, aquele em que o homem é compelido a desposar uma moça por havê- la engravidado, conta, igualmente, com escassas possibilidades de alcançar resultado satisfatório.
            Quando duas pessoas são obrigadas a se unirem apenas por não terem podido resistir a uma violenta impulsão biológica, não raro vêm a separar-se logo em seguida e, se continuam juntas, mal se suportam, nutrindo, ambas, um amargo ressentimento e a sensação de terem sido logradas.
            No homem, principalmente, este ressentimento costuma ser acompanhado de franca hostilidade àquela que o acorrentou ao seu destino, criando-se, assim, um péssimo ambiente para o filho, cujo futuro será bastante comprometido.
            Sabendo-se, como se sabe, que a felicidade conjugal depende de que marido e mulher fusionem harmoniosamente suas personalidades, tornando-se como que uma só pessoa, parece evidente que, naquelas uniões em que o coração não intervenha será bem mais difícil possam eles estabelecer uma base estável e sadia que lhes permita enfrentarem, juntos, as vicissitudes da existência sem conflitos. (A vida em família. A vocação para o casamento. Rodolfo Calligaris)
            De modo geral, quem é, nas leis do destino, o marido faltoso?
            Marido faltoso é aquele mesmo homem que, um dia, inclinamos à crueldade e à mentira. (Leis do amor. Cap.4 - Questão 3. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            E a esposa desequilibrada?
            Esposa desequilibrada é aquela mulher que, certa feita, relegamos à necessidade e à viciação.
            (Leis do amor. Cap.4 - Questão 4. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Quem são os filhos-problemas?
            Filhos-problemas são aqueles mesmos Espíritos que prejudicamos, desfigurando-lhes o caráter e envenenando-lhes os sentimentos. (Leis do amor. Cap.5 - Questão 2. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Famílias-problemas!...
            Irmãos que se antagonizam...
            Cônjuges em lamentáveis litígios...
            Animosidades entre filho e pai, farpas filha e mãe...
            Afetos conjugais que se desmantelam torvas acrimônias...
            Sorrisos filiais que se transfiguram idiossincrasias e vinditas...
            Tempestades verbais em discussões extemporâneas...
            Agressões infelizes de conseqüências fatais...
            Tragédias nas paredes estreitas das famílias...
            Enfermidades rigorosas sob látegos de impiedosa maldade...
            Mãos encanecidas sob tormentos de filhos dominados por ódios inomináveis.
            Pais enfermos açoitados por filhas obsidiadas, em conúbios satânicos de reações violentas em cadeia de ira...
            Irmãos dependentes sofrendo agressões e recebendo amargos pães, fabricados com vinagre e fel de queixa e recriminações...
            Famílias em guerras tiranizantes, famílias-problemas!
            É da Lei Divina que o infrator renasça ligado à infração que o caracteriza.
            A justiça celeste estabeleceu que a sementeira tem caráter espontâneo, mas a colheita tem impositivo de obrigatoriedade.
            O esposo negligente de ontem, hoje recebe no lar a antiga companheira nas vestes de filha ingrata e maldizente.
            A nubente atormentada, que no passado desrespeitou o lar, acolhe nos braços, no presente, o esposo traído vestindo as roupas de filho insidioso e cruel.
            O companheiro do pretérito culposo se reivincula pela consangüinidade à vítima, desesperada, reencontrando-a em casa como irmão impenitente e odioso.
            O braço açoitador se imobiliza sob vergastadas da loucura encarcerada nos trajos da família.
            Desconsideração doutrora, desrespeito da atualidade.
            Insânia gerando sandice e criminalidade alimentando aversões.
            Chacais produzindo chacais.
            Lobos tombando em armadilhas para lobos.
            Cobradores reencarnados junto às dívidas, na província do instituto da família, dentro do lar. (S.O.S. Família. Cap. 9.                 Dentro do lar. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Somos defrontados, em todos os departamentos da família humana, pelas ocorrências da aversão inata. Pais e filhos, irmãos e parentes outros, não raro, se repelem, desde os primeiros contatos. Claramente verificáveis os fenômenos da hostilidade, entre adultos e crianças, trazidos pelo imperativo do berço à intimidade do dia-a-dia. Pais existem nutrindo antipatia pelos próprios rebentos, desde que esses rebentos lhes surgem no lar, e existem filhos que se inimizam com os próprios pais, tão logo senhoreiam o campo mental, nos labores da encarnação. Arraigado no labirinto de existências menos felizes, decerto que o problema das reações negativas, culpas, remorsos, inibições, vinganças e tantos outros está presente no quadro familiar, em que o ódio acumulado em estâncias do pretérito se exterioriza, por meio de manifestações catalogáveis na patologia da mente. Nessa base de raciocínio, determinada criança terá sofrido essa ou aquela humilhação da parte dos pais ou tutores e se desenvolveu abafando propósitos de desforço, com o que intoxicou a si mesma, no curso do tempo, e certos pais haverão sentido inesperada animosidade por esse ou aquele filho recém-nato, alimentando ciúme contra ele, embora sufocando tal sentimento, com benéficas atitudes de convenção. Não muito raro, os cadastros policiais registam infanticídios em que pais ou mães aniquilam o corpo daqueles mesmos Espíritos aos quais favoreceram com a encarnação na Terra. Indubitavelmente, o tratamento psicológico, visando à cura mental e à sublimação da personalidade, é o caminho ideal para semelhantes pacientes; urge entender, porém, que médicos e analistas humanitários conseguirão efetuar prodígios de compreensão e de amor, liberando enfermos dessa espécie; no entanto, o estudo da reencarnação é igualmente chamado a funcionar, nos alicerces da obra de salvamento.
            Quantos milhares de existências terminam anualmente, no mundo, pelos golpes da criminalidade? Claro está que as vítimas não foram arrebatadas para céus ou infernos teológicos. Se compenetradas, quanto às leis de amor e perdão que dissipam as algemas do ódio, promovem-se a trabalho digno na Espiritualidade, às vezes até mesmo em auxílio aos próprios algozes. Na maioria das circunstâncias, todavia, persistem no caminho daqueles que lhes dilapidaram a vida profunda, transformando-se em perseguidores magoados ou vingativos, jungidos mentalmente aos antigos ofensores, e finalmente reconduzidos, pelos princípios cármicos, ao renascimento junto deles, a fim de sanarem, no clima da convivência, os complexos de crueldade que ainda se lhes destilem do ser. Quando isso aconteça, o apostolado de reajuste há-de iniciar-se nos pais, porquanto, despertos para a lógica e para o entendimento, são convocados pela sabedoria da vida ao apaziguamento e à renovação. Observemos, no entanto, que em semelhantes domínios da alma o apoio da fé religiosa se erguerá em socorro e terapêutica. É indispensável amar e desculpar, compreender e servir, tantas vezes quantas se façam necessárias, de modo a que sofrimento e dissensão desapareçam e a fim de que, nas bases da compreensão e da bondade de hoje, as crianças de hoje se levantem na condição de Espíritos reajustados, perante as Leis do Universo, garantindo aos adultos, nas trilhas das reencarnações porvindouras, a redenção de seus próprios destinos. (Vida e sexo. Cap. 16. Aversões. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Sendo assim, Joanna de Ângelis nos faz a seguinte recomendação:
            "Acende a claridade do Evangelho no lar e ama a tua família-problema, exercitando humildade e resignação.
            Preserva a paciência, elaborando o curso de amor nos exercícios diários do silêncio entre os panos da piedade para os que te compartem o ninho doméstico, revivendo os dias idos com execrandas carantonhas, sorvendo azedume e miasmas.
            Não renasceste ali por circunstância anacrônica ou casual.
            Não resides com uma família-problema por fator fortuito nem por engano dos Espíritos Egrégios.
            Escolheste, antes do retorno ao veículo físico, aqueles que dividiriam contigo as aflições superlativas e os próprios desenganos.
            Solicitaste a bênção da presença dos que te cercam em casa, para librares com segurança nos cimos para onde rumas.
            Sem eles faltariam bases para os teus pés jornadeiros.
            Sem a exigência deles, não serias digno de compartilhar a vilegiatura espiritual com os Amorosos Guias que te esperam.
            São eles, os parentes severos nos trajos de verdugos inclementes, a lição de paciência que necessitas viver, aprendendo a amar os difíceis de amor para te candidatares ao Amor que a todos ama.
            A mensagem espírita, que agora rutila no teu espírito transformado em farol de vivo amor e sabedoria, é o remédio-consolo para tuas dores no lar, o antídoto e o tratado de armistício para o campo de batalha onde esgrimas com as armas da fé e da bondade, apaziguando, compreendendo, desculpando, confiando em horas e dias melhores para o futuro...
            Apóia-te ao bastão da certeza reencarnacionista, aproveita o padecimento ultriz, ajuda os verdugos da tua harmonia, mas dá-lhes a luz do conhecimento espírita para que, também eles, os problemas em si mesmos, elucidem os próprios enigmas e dramas, rumando para experiências novas com o coração afervorado e o espírito tranqüilo. "(S.O.S. Família. Cap. 9. Dentro do lar. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco)
            No livro "Sinal Verde", há outras recomendações:
            "Aceite os parentes difíceis na base da generosidade e da compreensão, na certeza de que as Leis de Deus não nos enlaçam uns com os outros sem causa justa.
            O parente-problema é sempre um teste com que se nos examina a evolução espiritual.
            Muitas vezes a criatura complicada que se nos agrega à família, traz consigo as marcas de sofrimento ou deficiências que lhe foram impostas por nós mesmos em passadas reencarnações.
            Não exija dos familiares diferentes de você um comportamento igual ao seu, porquanto cada um de nós se caracteriza pelas vantagens ou prejuízos que acumulamos na própria alma.
            Não tente se descartar dos parentes difíceis com internações desnecessárias em casas de repouso, à custa de dinheiro, porque a desvinculação real virá nos processos da natureza, quando você houver alcançado a quitação dos próprios débitos ante a Vida Maior.
            Nas provações e conflitos do lar terrestre, quase sempre, estamos pagando pelo sistema de prestações, certas dívidas contraídas por atacado. "(Sinal verde. Espírito André Luiz. Cap. 7. Parentes difíceis. Psicografado por Chico Xavier)
            A família, sem qualquer dúvida, é bastião seguro para a criatura resguardar-se das agressões do mundo exterior, adquirindo os valiosos e indispensáveis recursos do amadurecimento psicológico, do conhecimento, da experiência para uma jornada feliz na sociedade.
            Nem sempre compreendida, especialmente nos dias modernos, a família permanece como educandário de elevado significado para a formação da personalidade e desenvolvimento afetivo, mediante os quais torna-se possível ao espírito encarnado a aquisição da felicidade.
            Animal biopsicossocioespiritual, o ser humano não pode prescindir da convivência familiar, porque o instinto gregário que lhe comanda a existência, ido à busca do grupo, qual sucede entre outros animais que vivem em família, protegendo-se e preparando-a para a própria independência.
            Escarnecida, no entanto, pelo cinismo filosófico de ocasião, que preconiza a desenfreada corrida pelas trilhas do prazer insaciável, permanece como organização insuperável para a construção da sociedade harmônica.
            Examinada pela ótica distorcida daqueles que não experimentaram o convívio saudável no lar, acusam-na de ser responsável pelos conflitos que os assaltam.
            Certamente, em muitas famílias, os fatores de desequilíbrio são dos indivíduos imaturos ou autoritários que descarregam os tormentos de que são vítimas, naqueles que, indefesos, encontram-se sob a sua guarda. Tal comportamento não é responsabilidade da família, em si mesma, porquanto, ao invés de acusação indevida, seria ideal que fossem trabalhados os fatores que geram desequilíbrios, corrigindo e orientando os membros que a constituem.
            O lar é o celeiro de bênçãos, no qual se coletam as informações e a vivência edificante, tornando-se o primeiro núcleo de socialização da criança, que aí haure as experiências dos ancestrais, adquirindo os hábitos que deverão nortear a sua caminhada existencial.
            (...) No lar, desenvolvem-se a afetividade, o respeito pelos direitos alheios, o despertamento para os próprios direitos sem as extravagâncias nem os absurdos de atribuir-se méritos a quem realmente não os possui.
            Esse grupamento familiar, no entanto, não é resultado casual de encontros apressados no mundo físico, havendo ocorrido nas esferas espirituais antes do renascimento orgânico, quando são desenhadas as programações entre os espíritos comprometidos, positiva ou negativamente, para os ajustamentos necessários ao progresso a que todos se encontram submetidos. (Constelação familiar. Cap.1- Primeiros passos. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Segundo o Santo Agostinho, " Quando deixa a Terra, o Espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz. Muitos, portanto, se vão cheios de ódios violentos e de insaciados desejos de vingança; a alguns dentre eles, porém, mais adiantados do que os outros, é dado entrevejam uma partícula da verdade; apreciam então as funestas conseqüências de suas paixões e são induzidos a tomar resoluções boas. Compreendem que, para chegarem a Deus, uma só é a senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e das injúrias; não há caridade sem perdão, nem com o coração tomado de ódio.
            Então, mediante inaudito esforço, conseguem tais Espíritos observar os a quem eles odiaram na Terra. Ao vê-los, porém, a animosidade se lhes desperta no íntimo; revoltam-se à idéia de perdoar, e, ainda mais, à de abdicarem de si mesmos, sobretudo à de amarem os que lhes destruíram, quiçá, os haveres, a honra, a família. Entretanto, abalado fica o coração desses infelizes. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se predomina a boa resolução, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes dêem forças, no momento mais decisivo da prova.
            Por fim após anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos de transmitir as ordens superiores permissão para ir preencher na Terra os destinos daquele corpo que acaba de formar-se. Qual será o seu procedimento na família escolhida? Dependerá da sua maior ou menor persistência nas boas resoluções que tomou. O incessante contacto com seres a quem odiou constitui prova terrível, sob a qual não raro sucumbe, se não tem ainda bastante forte a vontade. Assim, conforme prevaleça ou não a resolução boa, ele será o amigo ou inimigo daqueles entre os quais foi chamado a viver. É como se explicam esses ódios, essas repulsões instintivas que se notam da parte de certas crianças e que parecem injustificáveis. Nada, com efeito, naquela existência há podido provocar semelhante antipatia; para se lhe apreender a causa, necessário se torna volver o olhar ao passado.
            Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda? Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso. Então, vós mesmos, assediados de remorsos, pedireis vos seja concedido reparar a vossa falta; solicitareis, para vós e para ele, outra encarnação em que o cerqueis de melhores cuidados e em que ele, cheio de reconhecimento, vos retribuirá com o seu amor.
            Não escorraceis, pois, a criancinha que repele sua mãe, nem a que vos paga com a   ingratidão ; não foi o acaso que a fez assim e que vo-la deu. Imperfeita intuição do passado se revela, do qual podeis deduzir que um ou outro já odiou muito, ou foi muito ofendido; que um ou outro veio para perdoar ou para expiar. Mães! Abraçai o filho que vos dá desgostos e dizei convosco mesmas: Um de nós dois é culpado. Fazei-vos merecedoras dos gozos divinos que Deus conjugou à maternidade, ensinando aos vossos filhos que eles estão na Terra para se aperfeiçoar, amar e bendizer. Mas, oh! muitas dentre vós, em vez de eliminar por meio da educação os maus princípios inatos de existências anteriores, entretêm e desenvolvem esses princípios, por uma culposa fraqueza, ou por descuido, e, mais tarde, o vosso coração, ulcerado pela   ingratidão   dos vossos filhos, será para vós, já nesta vida, um começo de expiação. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 14. Item 9. Santo Agostinho/ Allan Kardec)
            No lar, fomentam-se e desenvolvem-se os recursos da compreensão humana ou da agressividade e ressentimento contra as demais criaturas.
            A constelação familiar não é uma aventura ao país enganoso do prazer e da fantasia, mas uma experiência de profundidade, que faculta a verdadeira compreensão da finalidade da existência terrena com os olhos postos no futuro da humanidade.
            Campo experimental de lutas íntimas e externas, constitui oportunidade incomum para que o espírito se adestre nos empreendimentos pessoais, sem perder o contato com a realidade externa, com as demais pessoas.
            Mesmo quando não correspondendo às expectativas pessoais, em face do reencontro com adversários ou caracteres inamistosos, no lar adquire-se a necessária filosofia existencial para conduzir-se com equilíbrio durante toda a existência.
            O exercício da paciência no clã familiar é valiosa contribuição para a experiência iluminativa, porquanto, se aqueles com os quais se convive tornam-se difíceis de ser amados, gerando impedimentos emocionais que se sucedem continuamente, como poder-se vivenciar o amor em relação a pessoas com as quais não se tem relacionamento, senão por paixão ou sentimentos de interesse imediatista?
            No lar, onde se é conhecido e muito dificilmente se podem ocultar as mazelas interiores, são lapidadas as imperfeições em contínuos atritos que não devem resvalar para os campeonatos da indiferença ou do ódio, do ciúme ou da revolta.
            Aquele que hoje se apresenta agressivo e cínico no grupo doméstico, dando lugar a guerrilhas perversas, encontra-se doente da alma, merecendo orientação e exigindo mais paciência.
            Ninguém se torna infeliz por mero prazer, mas em conseqüência de muitos fatores que lhe são desconhecidos. O próprio paciente ignora o distúrbio de que é portador, detendo-se, invariavelmente, no tormento em que se debate, sem capacidade de discernimento para avaliar os danos que produz no grupo onde se encontra, nem compreensão do quanto necessita para auto-superar-se e agir corretamente.
            Por isso mesmo, transforma-se em desafio familiar, conduzindo altas cargas tóxicas de antipatia, de agressividade, de desequilíbrio.
            (...)  No grupo animal, quando os filhos adquirem a capacidade de conseguir o alimento, os pais abandonam-nos, quando isso excepcionalmente em algumas espécies não ocorre antes.
            No círculo humano da família é diferente: os laços entre pais e filhos jamais se rompem, mesmo quando há dificuldades no relacionamento atual, o que exige transferência para outras oportunidades no futuro reencarnacionista, que se repetem até a aquisição do equilíbrio afetivo.  (Constelação familiar. Cap.2-  O Educandário familiar. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Aos pais cabe a grave e operosa tarefa de autopreparação para o sublime cometimento, graças ao qual se desenvolvem, num incessante crescendo, os valores intelecto-morais, preparando-os para as inestimáveis conquistas da paz e da felicidade que almejam.
            Comprometidos antes do renascimento, em face de deveres inadiáveis, os espíritos que irão constituir o grupo familiar assumem responsabilidades perante a futura prole, elaborando planos e projetos que se devem concretizar quando na organização carnal, de modo a atender o impositivo da evolução.
            Consultados os mapas das responsabilidades pessoais, são-lhes apresentados pelos Guias espirituais aqueles que deverão constituir-lhes a prole, em cuja convivência desenvolverão os sentimentos de amor e proporão as pautas para o processo de crescimento espiritual, no qual todos deverão atingir as metas que perseguem.
            Preparados, portanto, antecipadamente, esses futuros genitores delineiam os programas de auto-iluminação, de responsabilidade perante a vida, exercitando a paciência e o amor para o êxito do empreendimento, conscientizando-se das altas responsabilidades que irão assumir.
            Reencarnados, avançam, às vezes, por caminhos diferentes até o momento do reencontro, quando se identificam afetuosamente, vinculando-se e providenciando a união conjugal indispensável à organização da família.
            Nem sempre, porém, os planos cuidadosamente elaborados conseguem desenvolver-se conforme seria ideal, dentro da programação estabelecida, em face da precipitação emocional e do desajuste psicológico, como decorrência da precipitação e imaturidade sexual, que invariavelmente se transforma em conflito tanto quanto em insatisfação...
            Nesse caso, os arroubos da paixão comburem os melhores sentimentos, empurrando os parceiros para o futuro tédio no relacionamento ou para a agressividade como fruto da saturação e do despertar de novos apetites...
            Para que sejam evitados dramas dessa natureza é indispensável que haja uma consciência de responsabilidade no uso do sexo, com objetivo primordial em favor da procriação, embora as bênçãos que defluem da verdadeira união dos indivíduos que se renovam mediante os hormônios defluentes do conúbio, sejam de natureza fisiológica, assim como aqueles que conduzem as cargas emocionais que os equilibram e pacificam.
            A paternidade, portanto, assim como a maternidade, deve ser responsável, consciente do significado da união, a fim de que sejam evitados os danosos recursos do aborto provocado e das suas lamentáveis mazelas de graves conseqüências.
            O aborto jamais resolve ou apaga os erros cometidos por imprevidência, dando lugar ao crime do infanticídio, que agrava o processo evolutivo daquele que o comete.
            O amadurecimento psicológico, mediante a consciência do dever, na aquisição do trabalho digno que confere segurança à prole, torna-se impositivo imediato, mesmo antes de ser assumido o compromisso familiar.
            A vida não improvisa, sendo toda um trabalho de organização superior que cumpre ser levado adiante com seriedade e segurança.
            Desse modo, a disciplina moral na conduta dos parceiros - cônjuges ou não - é fator de relevante significado para a organização familiar, ensejando identificação de sentimentos entre os membros que a constituirão.
            Eis por que o amor é fundamental para um legítimo relacionamento afetivo, nunca podendo ser descartado, nem substituído por desvios de comportamento ou dolo moral, envolvendo um ou outro membro da parceria.
            Desde quando nasce um filho, os genitores são convidados pela vida a uma mudança de objetivos existenciais.
            Antes, enquanto se preparavam para o prazer, para o desfrutar das alegrias da vida em comum, tudo seguia bem, com a chegada do filho uma natural mudança de conduta deve tomar o lugar das aspirações vigentes, porque, a partir de então, a responsabilidade para com o rebento da própria carne torna-se primordial.
            Os cuidados que o recém-nascido exige alteram completamente os hábitos até então mantidos, propondo novas condutas e atividades, nas quais a renúncia pessoal começa a impor-se em benefício do ser frágil e em desenvolvimento que aguarda apoio e orientação.
            A partir daí, são transferidos os prazeres pessoais que se convertem em deveres para com o filhinho, constituindo-se uma felicidade, uma infinita satisfação de cuidá-lo e de dar-lhe a assistência emocional e moral de que tem necessidade, na condição de ave implume que necessita de tempo para desferir o próprio vôo...
            A conduta dos genitores no relacionamento, de maneira equivalente sofre alteração para melhor, porque educar é oferecer exemplos, desde que o educando copia com mais facilidade as lições vivas que lhe são apresentadas, antes que as teorias com que é informado.
            Se os exemplos no lar são fecundos de amor, de respeito e de paciência, os filhos tornam-se afáveis, dignos e gentis, exceção feita àqueles que são portadores de transtornos de conduta ou vítimas de fenômenos teratológicos, por impositivo expiatório necessário.
            Mesmo, nesses casos, as vibrações defluentes da conduta dos pais contribuem grandemente para a pacificação e o equilíbrio possível desses espíritos em luta de sublimação pelo cadinho das reparações inadiáveis.
            A capacidade de repartir o amor, quando a prole se multiplica, é outro dever de que os genitores se devem conscientizar, evitando a criação de áreas de conflitos por ciúmes reais ou não, através de comportamentos especiais em relação a um, em detrimento de outro, porque todos são procedentes da mesma cadeia genética.
            Compreensivelmente, sabe-se que muitos espíritos que renascem no mesmo lar, nem sempre são credores da mesma afetividade, no entanto, essa é a oportunidade de união e de reparação, harmonizando os sentimentos num mesmo tom vibratório de afetividade.
            Infelizmente, a imaturidade psicológica de muitos adultos que se tornam pais, leva-os a comportamentos infantis, procurando manter os mesmos hábitos de antes da constituição da prole.
            Considerando-se os modernos padrões de tolerância para com as condutas morais permissivas, esses adultos lamentam não mais poder fruir dos prazeres enganosos, ignorando as novas responsabilidades, a fim de se manterem distantes dos novos deveres que lhes cumpre atender.
            Pensam que, tornando-se fornecedores dos recursos que mantêm o lar, já estão sacrificados em demasia para novos comprometimentos e renúncias.
            Prosseguem mantendo as atitudes irresponsáveis de antes ou transferindo as suas frustrações para os filhos, oferecendo-lhes satisfações inoportunas e levando-os a assumirem compromissos levianos e frívolos, mais vinculados aos prazeres sensoriais, sem os correspondentes deveres para com o desenvolvimento da inteligência, da moral, da saúde mental.
            Muitas mães transferem para as filhas ainda pequenas as angústias e frustrações, tornando-as modelos infantis, que imitam os adultos, roubando-lhes a infância, tirando-lhes as abençoadas oportunidades de viver a quadra de construção de valores significativos, precipitando-lhes o desenvolvimento da sensualidade, do erotismo, do desrespeito pelo corpo e pela vida...
            Pais masculinos inescrupulosos iniciam os filhos nos vícios que lhes exornam a personalidade, de cedo condicionando-os ao tabaco, ao álcool, à agressividade, ao desrespeito no lar e, posteriormente, na sociedade.
            Outros tantos, adornam os filhos como se fossem objetos de exibição, e dessa forma exibem-se a si mesmos através deles, chamando a atenção para a aparência sem maior preocupação com o caráter, com a realização íntima.
            Os filhos são responsabilidades sérias que não podem ser descartadas sem as conseqüências correspondentes.
            Enquanto não surja uma consciência doméstica fundamentada no amor responsável e profundo, sem os pieguismos da imaturidade psicológica dos indivíduos desajustados, a família sofrerá hipertrofia de valores morais, tombando na anarquia e no despautério que vêm caracterizando a sociedade contemporânea.
            Por outro lado, o amadurecimento sexual extemporâneo, resultado das provocações pornográficas e do erotismo em alta, impulsiona os jovens a relacionamentos rápidos, destituídos de significado, ora por curiosidade, momentos outros por impulsos asselvajados, empurrando meninas ainda adolescentes e totalmente despreparadas para a maternidade, procriando sem consciência e abandonando os filhos, à semelhança de alguns animais que se libertam das crias com total insensibilidade.
            Esses órfãos de pais vivos, mesmo quando amparados por avós amargurados, que neles descontam a irresponsabilidade dos filhos, desenvolvem-se, quase sempre sem afetividade, relegados a planos secundários, considerados cargas indesejáveis, que irão dificultar a economia social com pesado ônus.
            Revoltados com a situação em que se encontram, reúnem-se em bandos, em tribos, em grupos de excluídos, aumentando os conflitos que explodem nas ruas, nas comunidades, no terrorismo, na criminalidade desordenada...
            Outrossim, são recolhidos pelos traficantes de drogas que os utilizam na condição de distribuidores desse sórdido veículo de decomposição moral e humana, parceiros da morte antecipada, que se espalham pelos antros escusos ou surgem nos apartamentos de luxo e de loucura, arrebatando vidas...
            O lar, portanto, quanto se perverte, ameaça a estrutura da sociedade.
            (...) O decálogo mosaico aborda o mandamento, no qual a Lei Divina impõe o amor e o respeito ao pai e à mãe, no entanto, é do Soberano Código o impositivo de que os pais devem esforçar-se por merecer o respeito e o amor da prole através da sua conduta em relação à mesma.  (Constelação familiar. Cap.3- Os genitores. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Segundo o Espírito Emmanuel, "Os filhos não pertencem aos pais; entretanto, de igual modo, os pais não pertencem aos filhos. Os genitores devem especial consideração aos que agridem os filhos e tentam escravizá-los, qual se lhes fossem objeto de propriedade exclusiva; todavia, encontramos, na mesma ordem de freqüência, filhos que agridem os pais e buscam escravizá-los, como se os progenitores lhes constituíssem alimárias domésticas. A reencarnação traça rumos nítidos ao mútuo respeito que nos compete de uns para com os outros.
            (...) Os pais lembram alunos, em condições mais avançadas de tempo, no currículo de lições, ao passo que os filhos recordam aprendizes iniciantes, quando surgem na arena de serviço terrestre, com acesso na escola, sob o patrocínio dos companheiros que os antecederam, por ordem de matrícula e aceitação. E que os filhos jamais acusem os pais pelo curso complexo ou difícil em que se vejam no colégio da existência humana, porquanto, na maioria das ocasiões, foram eles mesmos, os filhos, que, na condição de Espíritos desencarnados, insistiram com os pais, através de afetuoso constrangimento ou suave processo obsessivo, para que os trouxessem, de novo, à oficina de valores físicos, de cujos instrumentos se mostravam carecedores, a fim de seguirem rumo correto, no encalço da própria emancipação. "(Vida e sexo. Cap. 18 - Pais e filhos. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)
            Ser filho é uma oportunidade de aprendizagem para tornar-se genitor.
            Não sabendo conduzir-se na condição de submissão e obediência, dificilmente saberá orientar e fazer-se compreender.
            Enquanto os pais têm graves responsabilidades para com a prole, que não podem ser desconsideradas, aos filhos cumpre exercitar os deveres do afeto e do trabalho para o próprio desenvolvimento, assim como a preparação para o futuro, quando deverão proteger os pais idosos ou enfermos, quer deles necessitem ou não.
            Os filhos de agora serão os genitores de amanhã, cabendo à reencarnação propiciar-lhes o futuro de acordo com a sementeira do presente.
            Graças, portanto, ao mecanismo sábio das reencarnações, alteram-se as paisagens afetivas nos relacionamentos no lar, desenvolvendo a real fraternidade que deverá viger em todos os segmentos da sociedade.
            Amar, desse modo, respeitando os pais, mesmo quando aparentemente não o mereçam, é impositivo da lei divina no processo da evolução do espírito, que os filhos não podem desconsiderar, porquanto a oportunidade do renascimento constitui verdadeira bênção da vida em favor da felicidade.
            Devem os filhos ter em mente, quando descendentes de genitores negligentes ou inescrupulosos, perversos ou cruéis, que eles são mais enfermos do que maus, compreendendo que, nesse lar, é que se encontraram os mecanismos necessários à regularização do passado infeliz, agradecendo, assim mesmo, àqueles que lhes concederem a roupagem orgânica, quando poderiam tê-la negado e não o fizeram. (Constelação familiar. Cap.4- Os filhos. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Não sejamos ingratos! "A  ingratidão é um dos frutos mais diretos do egoísmo. Revolta sempre os corações honestos.             Mas, a dos filhos para com os pais apresenta caráter ainda mais odioso." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 14. Item 9. Allan Kardec)
            A ingratidão sob qualquer forma considerada expressa o primarismo espiritual de quem a carrega, produzindo incoercível mal-estar onde se apresenta.
            O ingrato, isto é, aquele que retribui o bem pelo mal, a generosidade pela avareza, a simpatia pela aversão, o acolhimento pela repulsa, a bondade pela soberba é sempre um atormentado que esparze insatisfação, martirizando quantos o acolhem e socorrem.
            O homem vitimado pela ingratidão supõe tudo merecer e nada retribuir, falsamente acreditando ser credor de deveres do próximo para consigo, sem qualquer compensação de sua parte.
            (...)O filho ingrato é dilacerador do coração dos pais, ímpio verdugo que se não comove com as doloridas lágrimas maternas nem com as angústias somadas e penosas do sentimento paterno.
            Com a desagregação da família, que se observa generalizada na atualidade, a ingratidão dos filhos torna-se responsável pela presença de vários cânceres morais, no combalido organismo social, cuja terapia se apresenta complexa e     difícil.
            (...)Se diante de pais irresponsáveis a ingratidão dos filhos jamais se justifica ou procede, a proporcionada por aqueles que tudo recebem e tudo negam, somente encontra explicação na reminiscência dos desajustes pretéritos dos Espíritos, que, não obstante reunidos outra vez para recuperar-se, avivam as animosidades que ressumam do inconsciente e se corporificam em forma de antipatia e aversão, impelindo-os à ingratidão que os atira às rampas inditosas do ódio dissolvente.
            (...)Aos filhos compete amar aos pais, mesmo quando negligentes ou irresponsáveis porqüanto é do código Superior da Vida, o impositivo: “Honrar pai e mãe”, sem excluir os que o são apenas por função biológica, assim mesmo, por cujo intermédio a Excelsa Sabedoria programa necessárias provas redentoras e pungitivas expiaçôes liberativas.
            Ante o filho ingrato, seja qual for a situação em que se encontre, guarda piedade para com ele e dá-lhe mais amor...
            Agressivo e calceta, exigente e impiedoso, transformado em inimigo insensível quão odioso, oferta, ainda, paciência e mais amor...(S.O.S. Família. Cap. 25- Filhos ingratos. Espírito Joanna de Ângelis.Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Quantas vezes, a falta de diálogo com os filhos e, consequentemente, o desconhecimento do que lhes vai pela alma, tem feito com que interpretemos mal suas atitudes, julgando-as agressivas e desrespeitosas, quando não passam de apelos dramáticos para que nos apercebamos de que eles existem?
            E quantas outras, ao se sentirem perplexos face a uma situação inusitada, precisariam não que lhes aumentássemos a “mesada” ou que os presenteássemos com um carro novo, mas simplesmente que nos sentássemos a seu lado e nos dispuséssemos a ouví-los, pelo menos durante quinze ou vinte minutos?
            Como pretender, pois, que eles nos estimem e nos demonstrem gratidão, a traduzir-se por uma conduta irreprochável, se o que recebem de nós são migalhas afetivas nem sempre dadas de boa vontade, insuficientes para saciar a fome de carinho que os consome? (A vida em família. Preservamos os vínculos familiares. Rodolfo Calligaris)
            Os deveres dos pais em relação aos filhos estão inscritos na consciência.
            Evidentemente as técnicas Psicológicas e a metodologia da educação tornam-se fatores nobres para o êxito desse cometimento . Entretanto, o amor — que tem escasseado nos processos modernos da educação com lamentáveis resultados — possui os elementos essenciais para o feliz desiderato.
            No compromisso do amor, estão evidentes o Companheirismo o diálogo franco, a solidariedade, a indulgência e a energia moral de que necessitam os filhos, no longo processo da aquisição dos valores éticos, espirituais, intelectuais e sociais. (S.O.S. Família. Cap. 14 - Deveres dos pais. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo Franco)
            “Falando, a gente se entende”, sentencia antigo provérbio popular.
            E é mesmo.
            Pode acontecer que, no ardor de uma discussão marido e mulher se desavenham, dando a impressão de que fora melhor terem ficado calados. Puro engano. Se estiverem habituados a dialogar, em breve terão oportunidade de esclarecer melhor a questão em que divergiram, voltando o ambiente a desanuviar-se, sem maiores consequências.
            Evitar as batalhas de opinião com o propósito de garantir a paz doméstica é estagnar-se mentalmente, provocando o esvaziamento das relações matrimoniais.
            Melhor, muito melhor que acordo frio, assente no medo de tomar posição, discutir conceitos, refutar inverdades, etc, é a divergência declarada (tanto quando possível polida), pois evita os recalques e as frustrações.
            As desinteligências mais danosas à felicidade conjugal, — dizem-no os que se dedicam a pesquisas nesse campo — não se originam de debates francos e acalorados, nem mesmo das acusações e queixas fundamentadas que, vez por outra, os esposos se façam, ainda que isto possa provocar explosões de ira e reações hostis.
            Ao contrário, resultam de “hiatos de silêncio, de reproches informulados, de mudas recriminações”, que impedem a liberação dos sentimentos e a consequente tranquilidade interior.
            Não se confunda, todavia, comunicação com “fofocas”, com lamúrias, nem com o mau vezo de certas senhoras que, mal os maridos põem os pés em casa, ao término de árdua jornada de trabalho, entram a azucrinar-lhes os ouvidos com o relatório cansativo e irritante de tudo quanto aconteceu durante o dia, cõm as crianças, a empregada, os fornecedores, etc.
            Menos ainda com as críticas constantes e maldosas, quais as do marido para a mulher:
            — Você é uma desajeitada; nunca fará minhas camisas tão bem como mamãe as fazia.
            — Você precisa adquirir um pouco de cultura, pois sua ignorância me envergonha.
            — Quando é que você vai aprender a vestir-se, deixando de usar esses vestidos espalhafatosos e horríveis?
            Ou as da mulher para o marido:
            — Como cidadão, você é excelente pessoa, mas como marido é um fracasso.
            — Você é um grosseiro! Ai que saudade do tempo em que eu vivia com minha família!
            — Você é um sovina de marca maior! Com o dinheiro que dá em casa, se eu não “me virasse”, trabalhando pra fora feito uma burra...
            Diante do que ficou dito acima, talvez nos perguntem:
            — Não se pode, então, “corrigir” os defeitos do outro?
            — Claro que sim. É até um dever imposto pela caridade. Mas de outro jeito, aplicando a "psicologia”.
            Os ataques frontais e as comparações deprimentes, ainda mais em presença de outrem, só servem para envenenar o espírito, provocar revolta e destruir afetos. (A vida em família. A capacidade de perdoar.  Rodolfo Calligaris)
            Pois bem. Comprovados que estão os péssimos efeitos dessa maneira de agir, por que não mudar de tática?
            Experimente o cônjuge mais inteligente não mais espicaçar e sim utilizar a vaidade do outro, empregando a técnica do incentivo, e verá, então, quanto isso poderá render em benefício da harmonia familiar.
            Consiste essa técnica em elogiar as habilidades e os traços positivos do (a) companheiro (a), em toda e qualquer circunstância: a sós com ele (a), diante de terceiros, com a sua presença ou sem ela.
            Fazê-lo, entretanto, com a maior sinceridade, visando ressaltar o que ele (ela) realmente tenha de melhor, ainda que se trate de pequenas virtudes domésticas.
            Sabendo-se valorizado (a), ele (ela) não só cuidará de manter o cartaz, evitando qualquer deslize que possa comprometê-lo (a), como procurará tomar-se cada vez mais digno (a) desses elogios, esforçando-se por adquirir ou desenvolver outros bons predicados de que ainda se ressinta.
            Neste último caso, pode-se ajudá-lo (a) com estímulos apropriados, como, p. ex., dizer-lhe:
            — Você, ontem, me desgostou um pouco com tal ou qual atitude. Sei que foi por causa de um ligeiro descontrole de seu sistema nervoso, devido ao excesso de trabalho (ou sem intenção de magoar-me, pois estou certo (a) de que me estima) e por isso acredito que não vai acontecer mais. Aliás, você é tão bom (boa) para mim, possui tantas qualidades que me agradam e me fazem feliz, que esse episódio não diminuiu, um tiquinho sequer, minha admiração por você.
            Essa forma de corrigir o (a) companheiro (a), exatamente por ser a mais cristã, ou seja, a mais conforme com a ciência de bem viver, é também a mais eficiente, chegando a produzir verdadeiros “milagres”.
            A mesma técnica pode e deve ser empregada, também, no sentido de despertar aptidões latentes, vencendo inibições e excesso de modéstia ou timidez.
            Em lugar das costumeiras invectivas:
            — Você é mesmo um (a) palerma... não dá para nada...
            Quem nasceu para empregado, nunca chegará a patrão...
            Acrescidas de:
            — Em seu lugar, eu...
            — Fulano, sim, é que é formidável...
            — Desista... não adianta insistir...
            Trate o marido ou a mulher de encorajar o cônjuge, exortando-o assim:
            — Francamente, não esperava que logo na primeira vez você se saísse tão bem.
            Continue...
            — Se outros venceram esses obstáculos, você também vai vencê-los com um pouco mais de esforço, porque capacidade não lhe falta.
            — Você, em pouco tempo, conseguiu subir mais do que muita gente. Parabéns!
            (Semelhante técnica poderá ser aplicada também com os filhos, (...)quando eles chegarem).
            Quando um dos cônjuges se mostre contrariado ou deprimido porque algo desagradável lhe aconteceu fora de casa, será de boa praxe que o outro demonstre compreender o seu estado de ânimo e lhe manifeste solidariedade. Não se deixe envolver, porém, em suas vibrações negativas; ao contrário, procure mudar-lhes o teor, desanuviando o ambiente com efusões de alegria, de entusiasmo e de fé, porque assim é que a vida deve ser vivida. (A vida em família. A técnica do incentivo.  Rodolfo Calligaris)
            É fato da observação comum que todos nós, homens e mulheres, passamos, periodicamente, por variações de humor.
            Na fase de eutimia, sentimo-nos em paz com nós mesmos e com o mundo, encaramos os acontecimentos da vida com otimismo, experimentamos prazer em comunicar-nos com os outros, damos expansão à alegria que nos vai pela alma, demonstramos possuir coragem suficiente para enfrentar quaisquer dificuldades, somos capazes de revelar as coiss desagradáveis que nos aconteçam, e assim por diante.
            Já no período de atimia, sentimo-nos desajustados no ambiente de trabalho e até em nosso próprio lar, não queremos conversa com ninguém, não achamos graça em nada, aborrecemo-nos com tudo e com todos, tornamo-nos irascíveis e intolerantes, pequenas contrariedades se nos afiguram de proporções exageradas, nossos ideais mais caros se amesquinham, chegando, por vezes, até à perda do interesse de viver.
            (...)Pessoas existem, ainda, em que essas mudanças obedecem a ciclos mais ou menos regulares. É sabido, p.ex., que as mulheres, em sua maioria, tornam-se melancólicas e/ou irritadiças no período menstrual, depois do que adquirem, de novo, suas melhores disposições de espírito.
            Estudos bem fundamentados provam que é nessas fases de abatimento que os cônjuges se indispõem mais seriamente, separam-se, propõem-se ação de desquite, culminando, não raro, com atos de violência contra si mesmos ou contra terceiros.
            É de toda conveniência, portanto, que os esposos aprendam a discernir esses ciclos temperamentais, no outro e em si mesmo.
            No outro, para desculpar-lhe os amuos, os azedumes, os “contras”, as impertinências, etc., na certeza de que em breve isso passará, e tudo voltará às boas. Em si mesmo, para ter o cuidado de não tomar nenhuma atitude mais drástica, da qual, depois, muito terá que arrepender-se.
            É preciso que cada um dos cônjuges, ao perceber o mau-humor do outro, procure amenizar a situação, evitando, a todo custo, agastar-se também, para não suceder que, duplicado, esse mau sentimento faça a casa ir pelos ares.
            Um dos meios mais eficazes para dominar a depressão consiste em cultivar o bom-humor, adquirindo o hábito de ver o lado alegre das coisas...
            (...)Outro, de grande valor terapêutico, é buscar a companhia de pessoas animadas e interessantes, dessas, em cuja presença ninguém consegue deixar de rir, ou pelo menos de sorrir. Sua verve e seus ditos jocosos acabarão por modificar inteiramente nosso estado de espírito, fazendo com que desapareçam os vincos de nossa testa e o nosso semblante perca aquele aspecto “de quem comeu e não gostou”, tão desagradável aos que têm de lidar conosco.
            Lembraremos, por último, mais um excelente antídoto para a tristeza: o canto.
            Diz um conhecido provérbio: “Quem canta, seus males espanta.” E é verdade. A princípio, a tendência será para cantarmos músicas tristes, em consonância com nosso estado de alma, mas as vibrações harmoniosas dessa arte tão bela irão elevando, aos poucos, nosso tônus vibratório, de sorte que, ao cabo de alguns minutos, sem que nos apercebamos de quando nem como, as alegres sonoridades de nosso cantar darão o testemunho de que a tranquilidade voltou a fazer morada em nosso coração. (A vida em família. As variações de humor.  Rodolfo Calligaris)
            “Quanto te seja possível, suporta a esposa incompreensiva e exigente, ainda mesmo quando surja aos teus olhos por empecilho à felicidade.
            Quanto estiver ao teu alcance, tolera o companheiro áspero ou indiferente, ainda mesmo quando compareça ao teu lado, por adversário de tuas melhores esperanças.
            Não há purificação sem hurilamento, como não há metal acrisolado sem cadinho esfogueante.” (Coragem. Cap.22. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).
            No livro "Sinal Verde",  o Espírito André Luiz faz outros apontamentos para evitar os conflitos domésticos:
            Nunca fale aos gritos, abusando da intimidade com os entes queridos.
            Utilize os pertences caseiros sem barulho, poupando o lar a desequilíbrio e perturbação.
            Aprenda a servir-se, tanto quanto possível, de modo a não agravar as preocupações da família.
            Colabore na solução do problema que surja, sem alterar-se na queixa.
            A sós ou em grupo, tome a sua refeição sem alarme.
            Converse edificando a harmonia. É sempre possível achar a porta do entendimento mútuo, quando nos dispomos a ceder, de nós mesmos, em pequeninas demonstrações de renúncia a pontos de vista.
            Quantas vezes um problema aparentemente insolúvel pede tão somente uma palavra calmante para ser resolvido?
            Abstenha-se de comentar assuntos escandalosos ou inconvenientes.
            Em matéria de doenças, fale o estritamente necessário.
            Procure algum detalhe caseiro para louvar o trabalho e o carinho daqueles que lhe compartilham a existência.
            Não se aproveite da conversação para entretecer apontamentos de crítica ou censura, seja a quem seja.
            Se você tem pressa de sair, atenda ao seu regime de urgência com serenidade e respeito, sem estragar a tranqüilidade dos outros. (Sinal verde. Cap.4 - No recinto doméstico. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier)
            Ordem, trabalho, caridade, benevolência, compreensão começam dentro de casa.
            A parentela é um campo de aproximação, jamais cativeiro.
            Aprendamos a ouvir sem interromper os que falam à mesa doméstica, a fim de que possamos escutar com segurança as aulas da vida.
            O lar é um ponto de repouso e refazimento, nunca mostruário de móveis e filigranas, conquanto possa e deva ser enfeitado com distinção e bom gosto, tanto quanto possível.
            Quem pratica o desperdício, não reclame se chegar à penúria.
            Benditos quantos se dedicam a viver sem incomodar os que lhe compartilhem a experiência.
            Evite as brincadeiras de mau gosto que, não raro, conduzem a desastre ou morte prematura.
            O trabalho digno é a cobertura de sua independência.
            Aconselhe a criança e ajude-a na formação espiritual, que isso é obrigação de quem orienta, mas respeite os adultos em suas escolhas, porque os adultos são responsáveis e devem ser livres nas próprias ações, tanto quanto você deseja ser livre em suas ideias e empreendimentos.
            Se você não sabe tolerar, entender, abençoar ou ser útil a oito ou dez pessoas do ninho doméstico, de que modo cumprir os seus ideais e compromissos de elevação nas áreas da Humanidade?
            Muitos crimes e muitos suicídios são levados a efeito a pretexto de se homenagear carinho e dedicação no mundo familiar." (Sinal verde. Cap.6 - Experiência Doméstica. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier)
            As criaturas que se suicidam em razão das desilusões encontradas nas ligações afetivas, agravam os sofrimentos de outrem além dos sofrimentos que elas próprias encontram?
            Muitos Espíritos fracos, que por razões de infelicidade na afeição sexual atiram-se ao suicídio, encontram padecimentos gigantescos, como quem salta no escuro sobre precipícios de brasas, criando derivações de angústia para os causadores de semelhantes tragédias. (Leis de amor. Cap.4 - Questão 15. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Os casos de suicídio nas uniões carnais infelizes agravam provas em casamentos futuros?
            Quantos violam a passagem da morte, crendo erroneamente alcançar o repouso, nada mais encontram senão suplício e desespero, a gerarem, no âmago de si mesmos, os pavorosos conflitos, que apenas as reencarnações regenerativas conseguem remediar.
            Saibamos tolerar com paciência as provações que o mundo nos ofereça, criando o bem sobre todos os males que nos cheguem das existências que já vivemos, na convicção de que fugir ao dever — por mais doloroso seja o dever que nos caiba — será sempre abraçar o pior. Em quaisquer atribulações ou dificuldades, a nossa obrigação individual é fazer o melhor ao nosso alcance para que o bem triunfe. (Leis de amor. Cap.4 - Questão 16. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Que fazer para extinguir os males evidentes das ligações afetivas, inconsideradas e desditosas?
            Em todos os departamentos da luta humana, os compromissos do passado reaparecem.
Indispensável revestir-se a alma de forças para vencer, em si mesma, os pontos vulneráveis que em outro tempo, a fizeram cair. (Leis de amor. Cap.4 - Questão 17. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Qual a direção pessoal que devemos adotar para vencer os dissabores do lar infeliz?
            Evitemos o divórcio, tanto quanto possível, e combatamos o aborto e o suicídio com todos os recursos de raciocínio e esclarecimento de que possamos dispor.
            O divórcio adia o resgate.
            O aborto complica o destino.
            O suicídio agrava todos os sofrimentos. (Leis de amor. Cap.4 - Questão 18. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)
            Como o espírita vê o divórcio?
            DIVALDO:  Nós o vemos como uma necessidade para os problemas existentes. O ideal seria sempre que os indivíduos se amassem a ponto de não necessitarem da separação legal, porque no momento em que desaparece o amor, desaparecem os vínculos exteriores. Como vivemos numa sociedade constituída por estatutos e leis, é mister que respeitemos estas normas. No entanto, quando o casal não consegue mais se suportar, a fim de evitar males maiores, o divórcio é uma fórmula para ajudar na recuperação da vida de ambos, bem como para atender aos aspectos moral e legal da nova situação. (S.O.S. Família. 33. Entrevistas. Divaldo P. Franco)
            Os  divórcios e as separações,  legais ou  não,  enxameiam,  multiplicam‐se em altas estatísticas de indiferença pela família, produzindo as tristes gerações dos órfãos de pais vivos e desinteressados, agravando a economia moral  da sociedade,  que lhes sofre o dano do desequilíbrio crescente.  O  adolescente,  em um lar  desajustado,  naturalmente experimenta as consequências nefastas dos fenômenos de agressividade e luta que ali têm lugar, escondendo as próprias emoções ou dando‐lhes largas nos vícios, a fim de sobreviver,  carregado de amargura e asfixiado pelo desamor. Apesar  dessa situação, cabe ao adolescente em formação  da personalidade,  compreender  a conjuntura na  qual  se encontra localizado,  aceitando o  desafio  e compadecendo‐se dos genitores e demais familiares envolvidos na  luta infeliz,  como  sendo seres enfermos, que estão longe da cura ou se negam a terapia da transformação moral. É, sem dúvida, o mais pesado desafio que enfrenta o jovem, pagar esse elevado  ônus, que é entender aqueles que deveriam fazê‐lo, ajudar aqueles que, mais velhos e,  portanto, mais experientes, tinham por tarefa compreendê‐lo e orientá‐lo. (Adolescência e vida. Cap. 4. O adolescente diante da família. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco)
            No entanto, o Espírito André Luiz nos adverte : "É preciso agüentar a separação, quando necessária, como as árvores toleram a poda.
            Erro grave reter conosco um ente amigo que anseia por distância.
            Em vários casos, os destinos assemelham-se às estradas que se bifurcam para atender aos desígnios do progresso.
            Não servir de constrangimento para ninguém.
            Se alguém nos abandona, em meio de empreendimento alusivo à felicidade de todos e se não nos é possível atender à obra, em regime de solidão, a Divina Providência suscita o aparecimento de novos companheiros que se nos associam à luta edificante.
            Nunca pedir ou exigir de outrem aquilo que outrem não nos possa dar.
            Não menosprezar a quem quer que seja.
            Saibamos orar em silêncio, uns pelos outros.
            Apenas Deus pode julgar o íntimo de cada um. " (Sinal verde. Cap. 38 - Separações. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier)
            Interrogam, muitos discípulos do Evangelho: não é mais lícito o desquite ou o divórcio, em considerando os graves problemas conjugais, à manutenção de um matrimônio que culmine em tragédia? Não será mais conveniente uma separação, desde que a desinteligência se instalou, ao prosseguimento de uma vida impossível? Não têm direito, ambos os cônjuges, a diversa tentativa de felicidade, ao lado de outrem, já que se não entendem?
            E muitas outras inquirições surgem, procurando respostas honestas para o problema que dia-a-dia mais se agrava e avulta.
            Inicialmente, deve ser examinado que o matrimônio em linhas gerais é uma experiência de reequilíbrio das almas no orçamento familiar. Oportunidade de edificação sob a bênção da prole — e, quando fatores naturais coercitivos a impedem, justo se faz abrir os braços do amor espiritual às crianças que gravitavam ao abandono— para amadurecer emoções, corrigindo sensações e aprendendo fraternidade.
            Não poucas vezes os nubentes, mal preparados para o consórcio matrimonial, dele esperam tudo, guindados ao paraíso da fantasia, esquecidos de que esse é um sério compromisso, e todo compromisso exige responsabilidades recíprocas a benefício dos resultados que se deseja colimar.
            A “lua de mel” é imagem rica da Ilusão, porqüanto, no período primeiro do matrimônio, nascem traumas e desajustes, inquietações e receios, frustrações e revoltas, que despercebidos, quase a Princípio, espocam mais tarde em surdas guerrilhas ou batalhas lamentáveis no lar, em que o ódio e o ciúme explodem, descontrolados, impondo soluções, sem dúvida, que sejam menos danosas do que as trágicas.
            Todavia, há que meditar, no que concerne aos compromissos de qualquer natureza, que a sua interrupção, somente adia a data da justa quitação. No casamento, não raro, o adiamento promove o ressurgir do pagamento em circunstâncias mais dolorosas no futuro em que, a pesadas renúncias e a fortes lágrimas, somente, se consegue a solução.
            Indispensável que para o êxito matrimonial sejam exercitadas singelas diretrizes de comportamento amoroso.
            Há alguns sinais de alarme que podem informar a situação de dificuldade antes de agravar a União conjugal:
            Silêncios injustificáveis quando os esposos estão juntos; Tédio inexplicável ante a presença do companheiro ou da companheira; Ira disfarçada quando o Consorte ou a consorte emite uma opinião; Saturação dos temas habituais, versados em casa, fugindo para intérminas leituras de jornais ou inacabáveis novelas de televisão; Irritabilidade contumaz sempre que se avizinha do lar; Desinteresse pelos problemas do outro; Falta de intercâmbio de opiniões;
            Atritos contínuos que ateiam fagulhas de irascibilidade, capazes de provocar incêndios em forma de agressão desta ou daquela maneira...
            E muitos outros mais.
            Antes que as dificuldades abram distâncias e os espinhos da incompreensão produzam feridas, justo que se assumam atitudes de lealdade, fazendo um exame das ocorrências e tomando-se providências para sanar os males em pauta.
            Assim, a honestidade lavrada na sensatez, que manda “abrir-se o coração” um para com o outro, consegue corrigir as deficiências e reorganizar o panorama afetivo.
            É natural que ocorram desacertos. Ao invés, porém, de separação, reajustamento.
            A questão não é de uma “nova busca” mas de redescobrimento do que já possui.
            Antes da decisão precipitada, ceder cada um, no que lhe concerne, a benefício dos dois.
            Se o companheiro se desloca, lentamente, da família, refaça a esposa o lar, tentando nova fórmula de reconquista e tranqüilidade.
            Se a companheira se afasta, afetuosamente, pela irritação ou pelo ciúme, tolere o esposo, conferindo-lhe confiança e renovação de idéias.
            O cansaço, o cotidiano, a apatia são elementos constritivos da felicidade.
            Nesse sentido, o cultivo dos ideais nobilitantes consegue estreitar os laços do afeto e os objetivos superiores unem os corações, penetrando-os de tal forma, que os dois se fazem um, a serviço do bem. E em tal particular, o Espiritismo — a Doutrina do Amor e da Caridade por excelência — consegue renovar o entusiasmo das criaturas, já que desloca o indivíduo de si mesmo, ajuda-o na luta contra o egoísmo e concita-o à responsabilidade ante as leis da vida, impulsionando-o ao labor incessante em prol do próximo. E esse próximo mais próximo dele é o esposo ou a esposa, junto a quem assumiu espontaneamente o dever de amar, respeitar e servir.
            Assim, considerando, o Espiritismo, mediante o seu programa de ideal cristão, é senda redentora para os desajustados e ponte de união para os cônjuges, em árduas lutas, mas que não encontraram a paz. (S.O.S. Família. Cap. 4 - Responsabilidade no matrimônio. Espírito Joanna de Ângelis.Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Cristo, (...) quando se adentra pelo portal do lar, modifica a paisagem espiritual do recinto.
            As cargas de vibrações deletérias, os miasmas da intolerância, os tóxicos nauseantes da ira, as palavras azedas vão rareando, ao suave-doce contágio do Seu e se modificam as expressões da desarmonia e do desconforto, produzindo natural condição de entendimento, de alegria, de refazimento.
            Cristo no lar significa comunhão da esperança com o amor.
            A Sua presença produz sinais evidentes de paz, e aqueles que antes experimentavam repulsa pelo ajuntamento doméstico descobrem Sintomas de identificação, necessidade de auxílio mútuo.
            Com Jesus em casa acendem-se as claridades para o futuro, a iluminar as sombras que campeiam desde agora. (S.O.S. Família. Cap. 11 - Cristo em casa. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco)

Obs.: A ideia de desenvolver esta aula surgiu após ter recebido a sugestão por e-mail da Evangelizadora Anna Paula Sortino em 25-09-19. 

Bibliografia
-  O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap.14. Item 8 e 9. Allan Kardec.
- O Consolador. Questão 110. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier.
- Leis do amor. Cap.4 : Questão 2, 3, 4, 6, 15, 16, 17 e 18/ Cap.5 :Questão 2. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier.
- Vida e sexo. Cap. 16 e 18. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier.
- Sinal verde. Cap. 4, 6, 7 e 38. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.
- Coragem. Cap.22. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.
- Estude e viva. O Espiritismo em sua vida. Espírito Emmanuel e André Luiz. Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira.
- As leis morais. Cap. 27 - A família. Rodolfo Calligaris.
- Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 15. A família e a lei da consequência. Rodolfo  Calligaris.
- A vida em família. O problema financeiro. Prevenindo decepções. A capacidade de perdoar. A vocação para o casamento. Preservamos os vínculos familiares. A capacidade de perdoar. A técnica do incentivo. As variações de humor. Rodolfo Calligaris.
- S.O.S. Família. Cap. 4, 9, 11, 14, 25 e 33. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco.
- Constelação familiar. Cap.1, 2 e 3. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco.
- Adolescência e vida. Cap. 4. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco.

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