Aula 22 - Livre-arbítrio e o destino

Ciclo 1 - História: O ecoAtividade: PH - Paulo de Tarso - 1. Livre-arbítrio.

Ciclo 2 - História: Uma questão de escolha -  Atividade: LE - L3 - Cap. 10 - 5- Livre-arbítrio ou/e LE - L2 - Cap. 6 - 5 - Escolhas das provas.

Ciclo 3 - História: Tomando decisões  Atividade: LE - L2 - Cap. 1 - Progressão dos Espíritos ou/e LE - L3 - Cap. 10 - 6- Fatalidade.

 

Dinâmica: Livre-arbítrio.    

Mensagens Espíritas: Livre-arbítrio.

Sugestão de vídeo: Valores éticos e morais no contexto do cotidiano das crianças (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livros infantis: - Coleção valores para a vida. Amizade. Cida Lopes. Editora BrasilLeitura. TodoLivro Ltda.    

- Coleção pequenas lições. Ecos da vida. Soler editora.

 

Leitura da Bíblia: 1 Coríntios - Capítulo 6


6.12   Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.


 

1 Pedro - Capítulo 2


2.16   Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; vivam como servos de Deus.


 

Provérbios - Capítulo 15


15.19   O caminho do preguiçoso é como que cercado de espinhos, mas a vereda dos retos é plana.


 

Tópicos a serem abordados:

- Livre-arbítrio é a liberdade que cada um de nós possui para fazer as suas escolhas.  Se não tivéssemos a liberdade de pensar e de agir seriamos uma máquina, ou seja, um robô.

- O livre-arbítrio nos torna plenamente responsáveis por todos os nossos atos. A responsabilidade aumenta em razão do desenvolvimento da nossa inteligência. Aquele, portanto, que possui o conhecimento das leis de Deus e comete uma injustiça, é mais culpável, aos olhos de Deus, se comparado a um homem selvagem. 

- Depende unicamente de nós seguir o caminho do bem, que nos fará felizes; ou o do mal, que nos conduzirá ao sofrimento.

- No entanto, existe um determinismo divino para que todos alcancem a evolução. Portanto, aqueles que seguiram o caminho do mal, cedo ou tarde, irão se arrepender e corrigirão os seus erros, retornando para o caminho do bem. 

- Todos os que sofrem é porque não usaram o seu livre-arbítrio para a prática do bem. Cada ato praticado é seguido de uma consequência.  Importante é plantar o bem para colher o bem. Quem escolhe o mal, acaba recebendo algo de ruim de volta, mais cedo ou mais tarde. Por exemplo, se o aluno não estudar bastante, provavelmente irá mal na prova. Para evitarmos o erro, devemos  pensar primeiro, antes de agir. (1)

-  O livre-arbítrio é guiado pela consciência. O homem tem em si a consciência, um pensamento íntimo que o adverte quando faz o bem ou faz o mal. Por meio da intuição, a voz da consciência que nos fala, auxiliada pelos Espíritos protetores (através da inspiração), nos dá a idéia  para resistir as tentações do mal (2).

- Não há arrastamento irresistível, uma pessoa não nasce para ser criminosa. O Espírito pode escolher, antes de encarnar,  como prova e como expiação, uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado ou pelas circunstâncias.  Mas será sempre livre de agir como quiser.

-  Nós construímos o nosso próprio destino. Se todas as coisas estivessem previamente determinadas e nada se pudesse fazer para impedi-las ou modificar-lhes o curso (trajetória), a criatura humana se reduziria a simples máquina.

-  Não há fatalidade (destino inevitável) nos menores acontecimentos da vida. Se ao passar pela rua, você tropeça em uma pedra  , não penses que já estava escrito, como vulgarmente se diz. A fatalidade ou destino, propriamente dito, somente existe no momento da morte, pois é uma lei da natureza. Pode-se morrer em qualquer idade, quando chegar a sua hora; mas, se apressa voluntariamente a sua morte, age em virtude de seu livre-arbítrio, porque ninguém o pode constranger a fazê-lo.  

 - Há acontecimentos na vida do homem que parecem devido a uma certa fatalidade; mas o Espiritismo nos explica que são decorrentes das escolhas que o Espírito faz voluntariamente, no plano espiritual, antes de encarnar. Ele escolhe sofrer esta ou aquela prova (acontecimentos importantes, tais como: profissão, família, pobreza etc.)  para o seu adiantamento (evolução). Ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra.

- O homem pode, pois, conforme a sua vontade (esforço), apressar o término de suas provas, e é nisto que consiste a liberdade. Ou seja, uns podem chegar mais rápido do que outros a perfeição.

 

Comentário (1): Lições de catecismo espírita. Cap. 36. Eliseu Rigonatti. (2):  LE. Questão 399. A. K.

 

Perguntas para fixação:

1. O que é o livre-arbítrio?

2. Por que Deus nos concedeu o livre-arbítrio?

3. Por que conforme aumenta a minha inteligência, maior é a responsabilidade dos meus atos?

4. O que devemos fazer antes de tomar uma decisão?

5. Quem é o guia das nossas escolhas, ou seja, do livre-arbítrio?

6. Já estava previsto, no destino de uma pessoa, que ela seria criminosa?

7. Existe arrastamento irresistível ao mal?

8. Quais são as consequências do mal?

9. Toda nossa vida é predeterminada pelo destino ou fatalidade, ou seja, já estava escrito?

10. Podemos escolher nossas provas antes de encarnar no planeta Terra?

11. O que podemos dizer que é uma fatalidade, propriamente dita?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?

            Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de agir. Sem o livre-arbítrio, o homem seria uma máquina. ( O Livro dos Espíritos. Questão 843. Allan Kardec).

            O livre arbítrio é definido como “a faculdade que tem o indivíduo de

determinar a sua própria conduta”, ou, em outras palavras, a possibilidade que

ele tem de, “entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir,

escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras”. (As leis morais. Cap. 35. Rodolfo Calligaris).

            O livre arbítrio é a faculdade que permite ao homem edificar,

conscientemente, o seu próprio destino, possibilitando-lhe a escolha, na sua trajetória ascensional, do caminho que desejar. (Estudando o evangelho. Cap. 30. Martins Peralva).

            Por que alguns Espíritos seguiram o caminho do bem, e outros o do mal?

            Não tem eles o livre-arbítrio? Deus não criou Espíritos maus; criou-os simples e ignorantes, ou seja, tão aptos para o bem quanto para o mal; os que são maus, assim se tornaram por sua vontade.(O Livro dos Espíritos. Questão 121. Allan kardec).

            Todos os Espíritos passam pela fieira do mal, para chegar ao bem?

            Não pela fieira do mal, mas pela da ignorância. (O Livro dos Espíritos. Questão 120. Allan kardec).

            Como podem os Espíritos, em sua origem, quando ainda não têm a consciência de si mesmos, ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal? Há neles um princípio, uma tendência qualquer que os leve mais para um lado que para outro?

             O livre-arbítrio se desenvolve à medida que o Espírito adquire consciência de si mesmo. Não haveria liberdade, se a escolha fosse provocada por uma causa estranha a vontade do Espírito. A causa não está nele, mas no exterior, nas influências a que ele cede em virtude de sua espontânea vontade. Esta é a grande figura da queda do homem e do pecado original: uns cederam à tentação e outros a resistiram. (O Livro dos Espíritos. Questão 122. Allan kardec - Vide: Questão 262).

            Qual é, no homem em estado selvagem, a faculdade dominante: o instinto ou o livre arbítrio?

            O instinto, o que não o impede de agir com inteira liberdade em certas coisas. Mas, como a criança, ele aplica essa liberdade às suas necessidades e ela se desenvolve com a inteligência. Por conseguinte, tu, que és mais esclarecido que um selvagem, és também mais responsável que ele pelo que fazes. ( O Livro dos Espíritos. Questão 849. Allan Kardec).

            Ignoramos absolutamente em que condições se dão as primeiras encarnações da alma; é um desses princípios das coisas que estão nos segredos de Deus. Apenas sabemos que são criadas simples e ignorantes, tendo todas, assim, o mesmo ponto de partida, o que é conforme à justiça; o que sabemos ainda é que o livre-arbítrio só se desenvolve pouco a pouco e após numerosas evoluções na vida corpórea. Não é, pois, nem após a primeira, nem depois da segunda encarnação que a alma tem consciência bastante clara de si mesma, para ser responsável por seus atos; não é senão após a centésima, talvez após a milésima. Dá-se o mesmo com a criança, que não goza da plenitude de suas faculdades, nem um, nem dois dias após o nascimento, mas depois de anos (Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 844. Allan Kardec). E, ainda, quando a alma goza do livre-arbítrio, a responsabilidade cresce em razão do desenvolvimento de sua inteligência; é assim, por exemplo, que um selvagem que come os seus semelhantes é menos  castigado que o homem civilizado, que comete uma simples injustiça (Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 637. Allan Kardec) . Sem dúvida os nossos selvagens estão muito atrasados em relação a nós e, no entanto, já se acham bem longe de seu ponto de partida. Durante longos períodos, a alma encarnada é submetida à influência exclusiva dos instintos de conservação; pouco a pouco esses instintos se transformam em instintos inteligentes ou, melhor dizendo, se equilibram com a inteligência; mais tarde, e sempre gradualmente, a inteligência domina os instintos. Só então é que começa a séria responsabilidade.

            No ponto em que estamos a inteligência está bastante desenvolvida para permitir ao homem julgar sensatamente o bem e o mal, e é também deste ponto que a sua responsabilidade é mais seriamente empenhada, já que não mais se pode dizer o que dizia Jesus: “Perdoai-lhes, Senhor, porque não sabem o que fazem.” (Revista Espírita. Janeiro de 1864. Questões e problemas - Progresso nas primeiras encarnações. Allan Kardec).

            O homem tem em si a consciência (1), que o adverte quando fez bem ou fez mal, cometeu uma má ação ou descurou de fazer o bem; sua consciência que, como guardiã vigilante, encarregada de velar por ele, aprova ou desaprova sua conduta. Muitas vezes acontece que se mostre rebelde à sua voz, que repila suas inspirações; quer sufocá-la pelo esquecimento; mas jamais ela é completamente aniquilada para que, num dado momento, não desperte mais forte e mais poderosa e não exerça um severo controle de vossas ações.

            A consciência produz dois efeitos diferentes: a satisfação de ter agido bem, a paz que deixa a consciência do dever cumprido, e o remorso que penetra e tortura quando se praticou uma ação reprovada por Deus, pelos homens ou pela honra. É, propriamente falando, o senso moral. ( Revista Espírita. Agosto de 1867. Instruções dos Espíritos sobre este caso. Allan Kardec).

            O livre-arbítrio, pois, existe realmente no homem, mas com um guia: a consciência. ( Revista Espírita. Outubro de 1863. O Livre-arbítrio e a presciência divina. Allan Kardec).

            O homem que comete um assassinato sabe, ao escolher a sua existência, que se tornará assassino?

            Não. Sabe apenas que, ao escolher uma vida de lutas terá a probabilidade de matar um de seus semelhantes, mas ignora se o fará ou não, porque depende quase sempre dele tomar a deliberação de cometer o crime. Ora, aquele que delibera sobre uma coisa é sempre livre de a fazer ou não. Se o Espírito soubesse com antecedência que, como homem, devia cometer um assassínio, estaria predestinado a isso. Sabei, então, que não há ninguém predestinado ao crime e que todo crime, como todo e qualquer ato, é sempre o resultado da vontade e do livre arbítrio. De resto, sempre confundis duas coisas bastante distintas: os acontecimentos materiais da existência e os atos da vida moral. Se há fatalidade, às vezes, é apenas no tocante aos acontecimentos materiais, cuja causa está fora de vós e que são independentes da vossa vontade. Quanto aos atos da vida moral, emanam sempre do próprio homem, que tem sempre, por conseguinte, a liberdade de escolha: para os seus atos não existe jamais a fatalidade. (O Livro dos Espíritos. Questão 861. Allan Kardec).

            Há uma fatalidade nos acontecimentos da vida, segundo o sentido ligado a essa palavra; quer dizer, todos os acontecimentos são predeterminados, e nesse caso em que se torna o livre arbítrio?

             A fatalidade não existe senão para a escolha feita pelo Espírito, ao encarnar-se, de sofrer esta ou aquela prova; ao escolhê-la, ele traça para si mesmo uma espécie de destino, que é a própria consequência da posição em que se encontra. Falo das provas de natureza física, porque, no tocante às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o seu livre arbítrio sobre o bem e o mal, é sempre senhor de ceder ou resistir. Um bom Espírito, ao vê-lo fraquejar, pode correr em seu auxílio mas não pode influir sobre ele a ponto de subjugar-lhe a vontade. Um Espírito mau, ou seja, inferior, ao lhe mostrar ou exagerar um perigo físico pode abalá-lo e assustá-lo, mas a vontade do Espírito encarnado não fica por isso menos livre de qualquer entrave. ( O Livro dos Espíritos. Questão 851. Allan Kardec).

            Fatalidade e destino são dois termos que se empregam, amiúde, para

expressar a força determinante e irrevogáveL dos acontecimentos da vida, bem

assim o arrastamento irresistível do homem para tais sucessos, independentemente de sua vontade.

            Estaríamos nós, realmente, à mercê dessa força e desse arrastamento?

Raciocinemos: Se todas as coisas estivessem previamente determinadas e nada se pudesse fazer para impedi-las ou modificar-lhes o curso, a criatura humana se reduziria a simples máquina, destituída de liberdade e, pois, inteiramente irresponsável. ( As leis morais. Cap. 36. Rodolfo Calligaris).

             O homem não é fatalmente conduzido ao mal; os atos que pratica não "estavam escritos"; os crimes que comete não são o resultado de um decreto do destino. Ele pode, como prova e como expiação, escolher uma existência em que se sentirá arrastado para o crime, seja pelo meio em que estiver situado, seja pelas circunstâncias supervenientes. Mas será sempre livre de agir como quiser. Assim, o livre arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas; e no estado corpóreo, com a faculdade de ceder ou resistir aos arrastamentos a que voluntariamente estamos submetidos. Cabe à educação combater as más tendências, e ela o fará de maneira eficiente quando se basear no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral chegar-se-á a modificá-la, como se modificam a inteligência pela instrução e as condições físicas pela higiene.

            A fatalidade não é, entretanto, uma palavra vã;Ela existe no tocante à posição do homem na Terra e às funções que nela desempenha, como consequência do gênero de existência que o seu Espírito escolheu, como prova, expiação ou missão. Sofre ele, de maneira fatal, todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más que lhes são inerentes. Mas a isso se reduz a fatalidade, porque depende da sua vontade ceder ou não a essas tendências.

            Assim, segundo a doutrina espírita, não existem arrastamentos irresistíveis: o homem pode sempre fechar os ouvidos à voz oculta que o solicita para o mal no seu foro íntimo, como o pode fechar à voz material de alguém que lhe fale; ele o pode pela sua vontade, pedindo a Deus a força necessária e reclamando para esse fim a assistência dos bons Espíritos. É isso que Jesus ensina na sublime forma da oração dominical, quando nos manda dizer: "Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal". ( O Livro dos Espíritos. Item 872. Allan Kardec).

            Se o Espírito escolhe o gênero de provas que deve sofrer, todas as tribulações da vida foram previstas e escolhidas por nós?

            Todas, não é bem o termo, pois não se pode dizer que escolhestes e previstes tudo o que vos acontece no mundo, até as menores coisas. Escolhestes o gênero de provas; os detalhes são consequências da posição escolhida, e frequentemente de vossas próprias ações. Se o Espírito quis nascer entre malfeitores, por exemplo, já sabia a que deslize se expunha, mas não conhecia cada um dos atos que praticaria; esses atos são produtos de sua vontade ou do seu livre arbítrio: O Espírito sabe que, escolhendo esse caminho, terá de passar por esse gênero de lutas; e sabe de que natureza são as vicissitudes que irá encontrar; mas não sabe quais os acontecimentos que o aguardam. Os detalhes nascem das circunstâncias e da força das coisas. Só os grandes acontecimentos, que influem no destino, estão previstos. Se tomas um caminho cheio de desvios, sabes que deves ter muitas precauções, porque corres o perigo de cair, mas não sabes quando cairás, e pode ser que nem caias, se fores bastante prudente. Se ao passar pela rua uma telha te cair na cabeça, não penses que estava escrito, como vulgarmente se diz. (O Livro dos Espíritos. Questão 259. Allan Kardec).

            Imaginai um homem que fosse efetuar uma viagem. Todo o seu trajeto está previsto: dia de partida, caminhos, etapas, dia de chegada. Todas as atividades, contudo, no transcurso da viagem, estão afetas ao viajante, que se pode desviar ou não do roteiro traçado, segundo os ditames da sua vontade. Daí se infere que o livre-arbítrio é lei irrevogável na esfera individual, perfeitamente separável das questões do destino, anteriormente preparado. (Emmanuel. Cap. 33. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Certas pessoas escapam a um perigo mortal para cair em outro; parece que não podem escapar à morte. Não há nisso fatalidade?

            Fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte. Chegado esse momento, de uma forma ou de outra, a ele não podeis furtar-vos.

            Assim, qualquer que seja o perigo que nos ameace, não morreremos se a nossa hora não chegou?

             Não, não morrerás, e tens disso milhares de exemplos. Mas quando chegar a tua hora de partir, nada te livrará. Deus sabe com antecedência qual o gênero de morte por que partirás daqui, e frequentemente teu Espírito também o sabe, pois isso lhe foi revelado quando fez a escolha desta ou daquela existência. ( O Livro dos Espíritos. Questão 853. Allan Kardec).

            Se a morte não pode ser evitada quando chega a sua hora, acontece o mesmo com todos os acidentes no curso da nossa vida?

            São, em geral, coisas demasiado pequenas, das quais podemos prevenir-vos dirigindo o vosso pensamento no sentido de as evitardes, porque não gostamos do sofrimento material. Mas isso é de pouca importância para o curso da vida que escolhestes. A fatalidade só consiste nestas duas horas: aquelas em que deveis aparecer e desaparecer neste mundo. ( O Livro dos Espíritos. Questão 859. Allan Kardec).

            Todas as leis que regem o conjunto dos fenômenos da Natureza têm conseqüências necessariamente fatais, isto é, inevitáveis, e essa fatalidade é indispensável à manutenção da harmonia universal. O homem, que sofre essas conseqüências, está, pois, em alguns aspectos, submetido à fatalidade, em tudo quanto não dependa de sua iniciativa. Assim, por exemplo, deve morrer

fatalmente; é a lei comum, à qual não pode subtrair-se e, em virtude dessa lei, pode morrer em qualquer idade, quando chegar a sua hora; mas, se apressa voluntariamente a sua morte, pelo suicídio ou por seus excessos, age em virtude de seu livre-arbítrio, porque ninguém o pode constranger a fazê-lo. Deve comer para viver: é a fatalidade; mas se comer além do necessário, pratica um ato de liberdade.

            Quem é aquele a quem muitas vezes aconteceu dizer: “Se eu não tivesse agido como agi em tal circunstância, não estaria na posição em que estou; se tivesse que recomeçar, agiria de outra maneira?” Não era reconhecer que era livre para fazer ou não fazer? que estava livre para fazer melhor outra vez, se se apresentasse ocasião? Ora, Deus, que é mais sábio que ele,

prevendo os erros nos quais pode cair, o mal uso que pode fazer de sua liberdade, dá-lhe indefinidamente a possibilidade de recomeçar pela sucessão de suas existências corporais, e ele recomeçará até que, instruído pela experiência, não mais se engane de caminho.

            O homem pode, pois, conforme a sua vontade, apressar o termo de suas provas, e é nisto que consiste a liberdade.

            A fatalidade é absoluta para as leis que regem a matéria, porque a matéria é cega; não existe para o Espírito, ele próprio chamado para reagir sobre a matéria, em virtude de sua liberdade.

            Tendo o homem o seu livre-arbítrio, a fatalidade não participa de suas ações individuais; quanto aos acontecimentos da vida privada, que por vezes parecem atingi-lo fatalmente, têm duas fontes bem distintas: uns são conseqüência direta de sua conduta na existência presente; muitas pessoas são infelizes, doentes, enfermas por sua falta; muitos acidentes são resultado da imprevidência; ele não pode queixar-se senão de si mesmo, e não da fatalidade ou, como se diz, de sua má estrela. Os outros são completamente independentes da vida presente e, por isto mesmo, parecem devidos a uma certa fatalidade; mas, ainda aqui, o Espiritismo nos demonstra que essa fatalidade é apenas aparente, e que certas situações penosas da vida têm sua razão de ser na pluralidade das existências. O Espírito as escolheu voluntariamente na erraticidade, antes de sua encarnação, como provações para o seu adiantamento; elas são, pois, produto do livre-arbítrio, e não da fatalidade. Se algumas vezes são impostas, como expiação, por uma vontade superior, é ainda em razão das más ações voluntariamente cometidas pelo homem numa precedente existência, e não como conseqüência de uma lei fatal, pois ele poderia tê-las evitado, agindo de outro modo. ( Revista Espírita. Julho de 1868. A ciência da concordância dos números e a fatalidade. Allan Kardec).

            Há o determinismo e o livre-arbítrio, ao mesmo tempo, na existência humana?

            Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.

            O primeiro é absoluto nas mais baixas camadas evolutivas e o segundo amplia se com os valores da educação e da experiência. Acresce observar que sobre ambos pairam as determinações divinas, baseadas na lei do amor, sagrada e única, da qual a profecia foi sempre o mais eloqüente testemunho.

            Não verificais, atualmente, as realizações previstas pelos emissários do Senhor há dois e quatro milênios, no divino simbolismo das Escrituras?

Estabelecida a verdade de que o homem é livre na pauta de sua educação e de seus méritos, na lei das provas, cumpre-nos reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo. ( O Consolador. Questão 132. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

 

Observação (1): Qual a origem do sentimento a que chamamos consciência?

            É uma recordação intuitiva do progresso feito nas precedentes existências e das resoluções tomadas pelo Espírito antes de encarnar, resoluções que ele, muitas vezes, esquece como homem. (O que é o Espiritismo. Cap. 3. O homem durante a vida terrena. Questão 127. Allan Kardec). 

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões 120, 121, 122, 259, 262, 637, 843, 844, 849, 851,853, 859 e  861. Item 872. Allan Kardec.

- O que é o Espiritismo. Cap. 3. O homem durante a vida terrena. Questão 127. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Outubro de 1863. O Livre-arbítrio e a presciência divina. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Janeiro de 1864. Questões e problemas - Progresso nas primeiras encarnações. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Agosto de 1867. Instruções dos Espíritos sobre este caso. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Julho de 1868. A ciência da concordância dos números e a fatalidade. Allan Kardec.

- As leis morais. Cap. 35 e 36 Rodolfo Calligaris.

- Estudando o Evangelho. Cap. 30. Martins Peralva.

- O Consolador. Questão 132. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Emmanuel. Cap. 33. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.