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Aula 140 - O Sermão da Montanha - As bem-aventuranças

Ciclo 3 - História:  O sermão do Monte  -  Atividade: ESE - Cap. 8 - 5. Deixai vir a mim as criancinhas ou/e escolher um trecho do Sermão do Monte e redigir um texto, explicando com suas palavras qual o significado daquele ensinamento.

Dinâmicas:  Bem-aventurados;  Sermão da montanha;  Paz no mundo.
Mensagens espíritas: Sermão do Monte.
Sugestão de vídeos: - Música Espírita: Sermão do Monte  (Dica: pesquise no Youtube). 
- Música Espírita: Aos pés do Monte - Tim e Vanessa (Dica:pesquise no Youtube).
Sugestão de livro infantil: - Sermão da montanha. Cristina Marques. Editora Todolivro.

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 5

5.1 Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,

5.2  e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:

5.3   Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.

5.4   Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

5.5   Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

5.6   Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

5.7   Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

5.8   Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

5.9   Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

5.10  Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

5.11   Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.

5.12   Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.


Tópicos a serem abordados:
- O Sermão da Montanha é um dos mais grandiosos ensinamentos do Mestre.  Conta-­se que esse Sermão, que é um belo poema,  foi pronunciado por Jesus de cima de uma colina, rodeado por uma grande multidão de pessoas. O Sermão da Montanha é o  fundamento da Moral Cristã e devemos considerá­-lo o regulamento que precisamos observar se quisermos caminhar para Deus (1) e alcançar a felicidade suprema .
- Jesus disse : "Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos céus." A  palavra " Bem-aventurados" significa felizes, porém a expressão "pobres de espíritos"  não deve ser entendida como pobres de inteligência. Quando usou este termo, Jesus estava se referindo aos humildes, que compreendem as leis divinas e se esforçam por obedecê-la, tanto que disse ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos, que se julgam melhores do que os outros.
- Jesus disse: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados." Os sofrimentos são consequências dos erros praticados nesta vida ou em existências passadas. Aqueles que sofrem têm contas a ajustar com a Justiça Divina. Sendo assim, as lágrimas do sofrimento, quando suportado com resignação e paciência,  lavam as manchas da consciência e purificam o espírito. Por isso, pode-se dizer que os que choram receberão suaves consolações na vida futura.
- Jesus disse:"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra." Por essas palavras quis dizer que até agora os bens da Terra são conquistados pelos violentos, em prejuízo dos que são mansos e pacíficos. No entanto, um dia a Justiça Divina será feita e a violência será banida da face de nosso planeta. Os rebeldes que não se submeterem às leis fraternas, serão enviados para mundos inferiores e a Terra será possuída pelos mansos.
-  Jesus disse: " Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos".  Não te importes se sofreres injustiças ou se irmãos que te ofenderam, não foram alcançados pela justiça dos homens. A justiça da Terra é falha, entretanto , é impossível fugir da Justiça Divina.  No mundo espiritual para onde irás mais cedo ou mais tarde, há um Juiz Incorruptível, que te fartará de Justiça.
-  Jesus disse: " Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia."Ser misericordioso é sentir o coração pulsar de piedade para com os irmãos carentes que estão sofrendo misérias materiais (tais como: fome, frio, falta de remédios, etc.) ou misérias espirituais (tais como: falta de compreensão,  atenção,  perdão, etc.). Aquele que é misericordioso estende as suas mãos para os desafortunados e alivia a sua dor, sendo amigo e tolerante. Os misericordiosos alcançarão misericórdia; porque aquilo mesmo que fizerem aos outros, isso mesmo receberá. Espíritos imperfeitos que somos, como  poderíamos merecer a misericórdia divina, senão pela misericórdia que usarmos para com nosso próximo?
-  Jesus disse: "Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus ". Ser limpo de coração é não dar abrigo a paixões inferiores, tais como: o ódio, a inveja, a maledicência, o orgulho, o egoísmo. Por isso, a pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, pois aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Somente aqueles que alcançam o mais alto grau de perfeição (desmaterialização)  poderão ver a Deus  em todo o seu esplendor.
 - Jesus disse: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus". Há uma diferença fundamental entre  ser “pacífico” e “pacificador”. Pacífico é um amigo da paz. Pacificador é aquele que, além de pacífico, trabalha, age, em favor da paz. O pacífico, às vezes, pode ser passivo. O pacificador, necessariamente, tem que ser ativo, atuante. Jesus, aceitando, por amor, a cruz do calvário, revelou-se pacífico. Perdoando os algozes, os agentes da crucificação, tornou-se pacificador. Os seguidores do Cristo são conhecidos  pelos esforços que empreendam em favor da paz no lar e na sociedade.
- Jesus disse: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus." As nobres idéias que fazem com que a humanidade avance espiritual, moral, política e materialmente, encontram implacáveis opositores, que se esforçam por esmagá-las, para manter seus poderes e  privilégios materiais. Compreendendo a injustiça que as organizações das trevas espalham pela Terra, Jesus torna dignos da recompensa divina os homens esclarecidos e de boa vontade, que sofrem perseguições e lutam para que a Justiça reine em todos os setores das atividades humanas.
- Jesus disse: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa."  Desde os primeiros profetas da antiguidade, que ousaram criticar os erros de seus contemporâneos, todos os colaboradores de Deus, todos os que se empenham em fazer um pouco mais de luz nas trevas do mundo têm sido ultrajados e perseguidos, pagando caro, muitas vezes com a própria vida, a sustentação de seus princípios moralizadores. No entanto, Jesus conforta os seus trabalhadores, prometendo-lhes que no mundo espiritual os seus esforços serão recompensados e nos recomenda que não façamos caso das perseguições.
- Ao proferir o Sermão da Montanha, Jesus nos tranquilizou no tocante à nossa destinação espiritual (vida futura), uma vez  que nas entrelinhas das suas palavras se nota claramente que, após um estágio de aflição, surge um de consolação; após uma tempestade, surge o tempo calmo; após uma noite de trevas, o sol passará a brilhar. A cada trecho do Sermão da Montanha, sentimos as nossas almas extasiarem-se, adquirindo o potencial necessário para vencer os obstáculos da vida.
Comentário (1): 52 lições de Catecismo Espírita. 7°lição. Eliseu Rigonatti.

Perguntas para fixação:
1. O que é o Sermão da Montanha?
2. O que significa a palavra " Bem-aventurados"?
3. Quem são os pobres de espíritos?
4. Como devemos suportar o sofrimento para receber a consolação?
5. Para onde serão levados os espíritos rebeldes da Terra que não se submeterem às leis fraternas?
6. De qual justiça não é possível fugir?
7. O que é ser misericordioso?
8. Quem poderá ver a Deus?
9. O que é ser pacificador?
10. Por que algumas pessoas sofrem perseguição por tentarem fazer justiça?
11. Quem foram os primeiros a sofrerem perseguição por tentar implantar princípios de moral?
12. Por que o Sermão da Montanha traz conforto para a nossa alma?

Subsídio para o Evangelizador:
            O Sermão da Montanha é inegavelmente um dos mais grandiosos ensinamentos do Mestre, podendo-se mesmo dizer que é a Alma do Evangelho. Um notável pensador chegou a dizer que “ainda que fosse possível se destruir tudo aquilo que Jesus Cristo ensinou, e deixassem o Sermão da Montanha, a Humanidade continuaria a ter um repositório dos ensinamentos mais edificantes”.
            As promessas vivas contidas no Sermão da Montanha representam a mais formal corroboração feita por Jesus Cristo sobre a vida futura, na qual podem efetivar-se as compensações prometidas aos aflitos da Terra. Sem se crer na vida futura, as máximas enunciadas pelo Mestre não teriam a sua razão de ser. Deste modo, o Sermão da Montanha desfere profundo golpe no materialismo avassalador, pois, capacitando-se de que a vida não se extingue com a desencarnação, e que a alma imortal subsiste ao túmulo, o homem passa a encarar o porvir com maior segurança, sabendo o terreno onde palmilha e animando-se de uma fé robusta e consciente, compreendendo então que as vicissitudes da vida derivam de uma causa e que, sendo Deus soberanamente justo, justa há de ser essa causa.
            A cada trecho do Sermão da Montanha, sentimos as nossas almas extasiarem-se, adquirindo o potencial necessário para vencer as tribulações, ainda que elas sejam das mais agudas. Adquirimos uma fé sadia e inabalável, portentosa alavanca que nos ajudará a vencer todos os óbices que se nos antepuserem.
            Ao proferir a exortação do Sermão da Montanha, Jesus nos tranqüilizou no tocante à nossa destinação espiritual, uma vez  que nas entrelinhas das suas palavras se nota claramente que, após um estágio de aflição, surge um de consolação; após uma tempestade, surge a bonança; após uma noite de trevas, o sol passará a brilhar.
            O objetivo primário do Mestre, ao pronunciar o Sermão da Montanha, foi de abrandar os nossos receios no tocante à problemática do nosso futuro espiritual, uma vez que somos almas em contínuo processo evolutivo. Dias melhores nos aguardam no porvir, se soubermos suportar todas as tribulações com estoicismo e espírito de resignação. Assim agindo, estaremos propiciando ao nosso Espírito as armas necessárias para vencer qualquer situação angustiante que se nos depare.
            A promessa de um porvir mais feliz e a antevisão de um futuro espiritual grandioso, num mundo onde se passará a gozar de maior felicidade, representa perene barreira contra a intemperança e o desespero, que muito freqüentemente leva a criatura humana à nefasta solução do suicídio.
Por outro lado, as promessas de consolação, emanadas da boca de Jesus Cristo, são um libelo eloqüente contra determinadas teorias prevalecentes na Terra, dentre elas a das penas eternas, da condenação irremissível e coisas que tais. (Os padrões Evangélicos. Bem-aventurados os aflitos. Paulo Alves Godoy)
            A montanha, em sua grandeza especial, é também um símbolo: o Filho do Homem que desce aos homens vencendo as dificuldades do mergulho no abismo, e do Homem que sobe e conduz os homens por sobre escarpas lacerantes até o seio de Deus.
            A montanha também é destaque maravilhoso na paisagem.
Galgar, subir a montanha pode significar vencer os óbices que perturbam o avanço na jornada evolutiva. Descer, deixar o monte, é não considerar o empecilho e refazer o caminho, alongar as mãos em direção dos que ficaram tolhidos na retaguarda...
            É muito áspera a descida aos homens para erguê-los a Deus.
            Perder-se entre as querelas humanas para encontrar os Espíritos em perturbação na noite das necessidades aparentes e resplandecer em madrugada sublime, guiando-os por sobre os escombros da véspera, a fim de subirem até o planalto onde brilha, permanentemente, o Sol do claro e demorado Dia....
            Descer sem decair.
            Os homens suscitam obstáculos onde existem opiniões e levantam cerros onde estão convenções.
            Esquecer-se e vir até os que se debatem nas questiúnculas, que vitalizam com desconcerto emocional e sofreguidão.
            Dar-se, integrar-se de tal modo que seja comum a todos, mas a nenhum igual.
            Este o díptico: subir, descer.
            Subir sem abandonar a baixada e descer sem esquecer os Cimos.
            A montanha, era uma montanha qualquer.
            E o poema que ali seria apresentado jamais foi ouvido, nunca mais será ouvido em qualquer época, equivalente...
            O Evangelista Mateus assevera: “E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte...”, enquanto Lucas informa: “E descendo com eles, parou num lugar plano...”(Primícias do Reino. Cap. 3. Espírito Amélia Rodrigues. Psicografado por Divaldo P. Franco)
            Jesus disse : "Bem-aventurados os pobres de espírito, pois deles é o Reino dos céus."(Mateus 5:3)
            A incredulidade zombou desta máxima: Bem-aventurados os pobres de espírito,como tem zombado de muitas outras coisas que não compreende. Por pobres de espírito Jesus não entende os baldos de inteligência, mas os humildes, tanto que diz ser para estes o reino dos céus e não para os orgulhosos. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 7. Item 2. Allan Kardec)
            Situou, assim, a humildade espiritual em primeiro lugar, entre as virtudes que precisamos adquirir para merecermos a glória das almas redimidas.
            Exegetas do Evangelho, adulterando por completo o sentido dessa máxima, pretendem que ela proclame bem-aventurados os apoucados de inteligência, os retardados mentais, os idiotas e imbecis. Tal interpretação, todavia, é insustentável, pois, a ser verdadeira, não haveria lugar nos Céus para os ricos de espírito, e o próprio Mestre, o expoente máximo da riqueza espiritual que a Terra já conheceu, ficaria de fora.
            Por pobres de espírito, na acepção em que Jesus empregou essas palavras, devem-se entender aqueles que, aspirando à perfeição, e comparando com o ideal a ser atingido o pequenino grau de adiantamento a que chegaram, reconhecem quanto ainda são carentes de espiritualidade.
            São bem-aventurados porque a noção que têm de suas fraquezas e mazelas fá-los lutar por aquilo que lhes falta, e esse redobrar de esforços leva-os realmente a conseguirem maior progresso espiritual.
            Já aqueles que se acomodam a ínfimos padrões de moralidade, ou se mostram satisfeitos com seu estado, considerando-se suficientemente bons, ao contrário dos primeiros, não se incluem entre os bem-aventurados porque, seja por ignorância, seja por orgulho, permanecem estacionários, quando a vida espiritual, assim como tudo na Natureza, rege-se por um impulso constante para a frente e para o alto!
Igualmente, os que entendem não ser preciso cultivar um caráter nobre e reto, porque (segundo julgam) “o sangue do Cristo foi derramado para remir os pecados da Humanidade”, também não são incluídos entre aqueles cuja atitude de espírito foi exaltada pelo Nazareno.
            Malgrado a respeitabilidade de seus princípios religiosos, só vislumbrarão o Reino celestial quando venham a reconhecer a pobreza de suas virtudes, e se empenhem com afinco para conquistá-las, pois todo aquele a quem o Cristo haja redimido, de fato, terá de deixar as más obras, para “apresentar-se santo, imaculado e irrepreensível diante dele”. (Colossenses, 1:22.)
            A colocação da humildade de espírito, como a primeira das beatitudes, parece-nos, pois, não ser meramente fortuita, mas sim proposital, visto que a felicidade futura de cada indivíduo depende muito do conceito que ele faça de si mesmo.
            Quem se imagina com perfeita saúde não se preocupa com ela, nem procura um médico para tratá-la.
            Também aquele que se presume sem defeitos, ou já se considera salvo, descuida da higidez de sua alma, e, quando menos espere, a morte o surpreenderá sem que tenha avançado pelo menos um passo no sentido da realização espiritual. (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os pobres de espírito...Rodolfo Calligaris)
            Jesus disse: "Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados." (Mateus 5:4)
            Dizem que todos choram, que a Humanidade inteira geme sob o acicate da dor e que esse sofrimento é o preço do pecado introduzido na Terra pelos “nossos primeiros pais” — Adão e Eva.
            Afirmam outros que as dores e aflições deste mundo são o meio de que Deus se vale para experimentar-nos e aferir a nossa fé, ou para aumentar os nossos méritos, a fim de que maiores sejam nossos gozos no paraíso.
            Se é assim, por que uns sofrem mais do que outros? Por que alguns vivem apenas algumas horas, sem pelo menos tomar consciência de si mesmos, enquanto outros têm de viver sessenta, oitenta ou cem anos, conhecendo toda a sorte de agruras? Por que uns nascem belos, saudáveis, e assim atravessam toda a existência, enquanto outros nascem monstruosos e enfermiços, pré-condenados a uma vida miserável e dolorosa? Por que uns vêm ao mundo em ambientes sadios, em que recebem fina educação e aprendem a cultivar as virtudes, ao passo que outros surgem em meios sórdidos, onde medram os vícios mais infamantes e lhes é ensinado a detestar o trabalho, a furtar e até a matar, meios esses que são verdadeiras antecâmaras de salões hospitalares ou de cubículos penitenciários?
            A concepção de que as misérias desta vida são decorrências do pecado original, ou provações necessárias a todas as almas, para que, depois de sua passagem por este mundo, saibam apreciar melhor as alegrias e as doçuras da mansão celestial, forçoso é convir, não explica essas anomalias e diversidades, e há induzido muitos homens a descrerem por completo da Providência, ou seja, da sabedoria suprema com que Deus conduz todas as coisas.
            Estava reservado ao Espiritismo, o Consolador prometido pelo Cristo, oferecer o esclarecimento desse ponto, sem negar nem infirmar nenhum dos atributos da Divindade.
            O sofrimento — segundo a Doutrina Espírita — é a consequência inelutável da incompreensão e dos transviamentos da Lei que rege a evolução humana.
            Sendo Deus soberanamente bom e justo, não haveria de permitir que fôssemos excruciados, salvo por uma boa razão ou uma causa justa; assim, se sofremos é porque, por ignorância ou rebeldia, ficamos em débito com a Lei, seja nesta ou em anteriores encarnações.
            Criados para a felicidade completa, só a conheceremos, entretanto, quando formos perfeitos; qualquer jaça ou falha de caráter interdita-nos a entrada nos mundos venturosos e, pois, é através das existências sucessivas, neste e em outros planetas, que nos vamos purificando e engrandecendo, pondo-nos em condições de fruir a deleitável companhia das almas santificadas.
            Quanto maiores tenham sido nossas quedas, tanto mais enérgico precisa ser o remédio destinado a curar nossas chagas; então, aqueles que muito sofrem são os que mais culpas têm a expiar, e devem alegrar-se à ideia de que as lágrimas do sofrimento, suportado com paciência e resignação, lavam a consciência e acrisolam o espírito, constituindo-se, por assim dizer, o preço com que se adquirem as mais suaves consolações na vida futura.
            Explicada a missão providencial da dor e sua benéfica influência na reforma e melhoria das almas, já agora podemos compreender o alcance das palavras do Mestre, quando proclamava: “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados”. (Mateus, 5:4.) (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os que choram...Rodolfo Calligaris)
            Jesus disse:"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra." (Mateus 5:5)
            Por que promete ele como recompensa a vida na Terra e não a vida celeste?  (...) Para compreendermos aqueles dizeres, temos de nos reportar à situação e às idéias dos hebreus naquela época. Eles ainda nada sabiam da vida futura, não lhes indo a visão além da vida corpórea. Tinham, pois, de ser impressionados mais pelo que viam, do que pelo que não viam.                 Fala-lhes Deus então numa linguagem que lhes estava mais ao alcance e, como se se dirigisse a crianças, põe-lhes em perspectiva o que os pode satisfazer. Achavam-se eles ainda no deserto; a terra que Deus lhes  dará  é a Terra da Promissão, objetivo das suas aspirações. Nada mais desejavam do que isso; Deus lhes diz que viverão nela longo tempo, isto é, que a possuirão por longo tempo, se observarem seus mandamentos. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 14. Item 4. Allan Kardec)
            Por aquelas palavras quis dizer que até agora os bens da Terra são açambarcados pelos violentos, em prejuízo dos que são brandos e pacíficos; que a estes falta muitas vezes o necessário, ao passo que outros têm o supérfluo. Promete que justiça lhes será feita,  assim na Terra como no céu,   porque serão chamados filhos de Deus. Quando a Humanidade se submeter à lei de amor e de caridade, deixará de haver egoísmo; o fraco e o pacífico já não serão explorados, nem esmagados pelo forte e pelo violento. Tal a condição da Terra, quando, de acordo com a lei do progresso e a promessa de Jesus, se houver tornado mundo ditoso, por efeito do afastamento dos maus. (O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 9. Item 5. Allan Kardec)
            Já antes de Alexandre Magno, Júlio César e Gengis Khan, assim como depois de Napoleão, Mussolini e Hitler, o que vale dizer, desde as mais priscas eras até os nossos dias, aqui, ali e acolá, a violência foi e continua sendo o meio utilizado pelos homens para o domínio deste mundo, inclusive dos seres que o habitam.
            As ideias — políticas, filosóficas ou religiosas — igualmente hão sido impostas, muitas vezes pela força,custando isso à             Humanidade um sacrifício de vidas não menor que o causado pelas guerras de conquista.
            No campo da economia, então, os gananciosos sem escrúpulos, quantos recursos opressivos não empregam para conseguir o enriquecimento rápido, indiferentes ao sofrimento das multidões, vítimas indefesas de suas manobras altistas?
            Mesmo nas instituições e no recesso dos lares, homens há que, para ocuparem os primeiros lugares ou poderem dizer “aqui mando eu”, não titubeiam em constranger companheiros e tiranizar familiares, pondo em evidência o espírito belicoso que os caracteriza.
            Sim, até agora a Terra tem sido açambarcada pelos violentos, em dano para os mansos e cordatos.
            Tempos virão, entretanto, em que as relações humanas dos terrícolas serão bem outras.
            Sob o império do amor universal pregado pelo Cristo, cada qual verá em seu semelhante um irmão, cujos direitos lhe cumpre respeitar, e não um adversário contra o qual deva lutar; o egoísmo cederá lugar ao altruísmo, de sorte que todos se auxiliarão mutuamente em suas necessidades; e porque ninguém cuidará de elevar-se sobre os outros, mas sim de superar-se a si mesmo, em saber e moralidade, os fracos e os pacíficos já não serão esmagados nem explorados, inexoravelmente, como estamos habituados a presenciar.
            Os céticos talvez imaginem que tal progresso demande ainda muitos e muitos séculos para tornar-se uma realidade entre nós.
            Sem dúvida, milagres não acontecem, e lenta, muito lenta, tem sido a evolução da Humanidade.
            Nosso mundo, porém, está fadado a passar por profundas transformações, físicas e sociais, que o tornem uma estância mais ditosa, e, segundo revelações de entidades amigas do “lado de lá”, um processo de expurgo e seleção já se acha em curso, devendo intensificar-se cada vez mais.
            Por esse processo, todos quantos se não afinem com a nova ordem de coisas a ser estabelecida aqui na Terra sofrerão a desencarnação em massa através de eventos diversos, sendo atraídos para outros mundos, cujas condições de primitivismo estejam em conformidade com seus instintos e maus pendores, onde permanecerão até que se regenerem e façam jus a melhor destino.
            A partir do terceiro milênio, passarão a reencarnar neste mundo apenas as almas que hajam demonstrado firmeza no bem, e, livres daqueles que lhes quebravam a harmonia, conhecerão uma nova era de paz e de felicidade, concretizando-se, assim, a promessa do Cristo: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. (Mateus, 5:5.) (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os mansos...Rodolfo Calligaris)
            Jesus disse: " Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos". (Mateus 5:6)
            Contemplando o panorama do mundo, onde os bens e os males se acham tão desigualmente repartidos, muitos há que não compreendem a razão de ser dessas anomalias e chegam a descrer da Justiça de Deus.
            Se Ele é soberanamente justo e bom, indagam, por que dá a uns uma vida repleta de alegrias e satisfações, enquanto a outros reserva uma sucessão intérmina de agruras e sofrimentos? Por que uns dormem sob dourados tetos, enquanto outros jazem sobre palhas, ou tiritam de frio, sem que tenham onde abrigar-se nem possuam sequer alguns farrapos com que cobrir sua nudez? Por que uns se banqueteiam regaladamente, todos os dias, enquanto outros necessitam estender a mão à caridade pública para conseguir um pedaço de pão com que atendam às exigências do estômago vazio? Por que algumas damas, ostentando luxuosíssimos vestidos, adornadas de joias de alto preço, levam vida despreocupada e risonha, entre acordes de orquestras e espocar de champanhes, enquanto jovens pálidas e andrajosas definham ao peso de trabalho rude e estafante?             Por que se concedem, a uns, certos privilégios, que se tornam odiosos ante o abandono a que outros são relegados?
            O que se vê por toda parte não é a mais flagrante iniquidade, tornando falaciosa a promessa do Cristo de que os famintos e sedentos de justiça seriam fartos?
            De fato, se tivéssemos uma só existência, a doutrinação do Mestre seria um engodo. À luz da reencarnação, entretanto, as diferenças sociais, como de resto todas as desigualdades que tanto ofendem as almas sensíveis e perquiridoras, não se constituem expressões do arbítrio divino; são agentes de progresso e preenchem, transitoriamente, uma necessidade na economia da evolução individual e coletiva.
            Claro que tais diferenças haverão de desaparecer um dia, com o progresso moral da Humanidade, mas, enquanto isso não venha, elas subsistirão, malgrado as revoluções, as leis e os discursos que os homens façam com a finalidade de as abolir.
            É que a evolução da espécie humana não é unilateral: deve e tem de realizar-se sob múltiplos aspectos —queiramos ou não — passando cada ser por uma infinidade de provas e experimentações, cujo ensejo lhes é proporcionado pelas diversas castas e classes em que se dividem as sociedades.
            No estado em que os terrícolas nos encontramos, aliás de grande atraso, sempre que mudamos de posição, mudamos também de ideias e sentimentos, em conformidade com os novos interesses e o novo alvo de nossos desejos. Isso prova bem quão necessário é ainda que mudemos muitas vezes de posição, através de sucessivas encarnações, para que, trabalhando, sofrendo, estudando e adquirindo experiência, pelo melhor conhecimento das coisas, desenvolva-se em nós o espírito de equidade e de justiça, indispensável ao nosso progresso individual e à boa orientação que devemos dar à marcha dos acontecimentos, em prol do bem coletivo.
            Disse Kardec, alhures, que a Terra é um misto de escola, presídio e hospital, cuja população se constitui, portanto, de homens incipientes, pouco evolvidos, aspirantes ao aprendizado das leis naturais; ou inveterados no mal, banidos, para esta colônia correcional, de outros planetas, onde vigem condições sociais mais elevadas;ou enfermos da alma, necessitados de expungirem suas mazelas pelas provações mais ou menos dolorosas e aflitivas.
            É natural, pois, que, num meio assim tão heterogêneo, haja profundas diferenciações na sorte das criaturas, capazes de provocar clamores e de desnortear, pela sua complexidade, qualquer sociólogo menos conhecedor do plano divino da evolução.
            Assim, aquelas palavras do Mestre: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados” (Mateus, 5:6), não se referem, como poderia parecer, aos que, inconformados com sua condição, protestam, amaldiçoam ou promovem agitações subversivas, mas sim aos que, qualquer que seja a classe social em que se encontrem, procuram, de consciência tranquila, seguir-lhe as pegadas, alimentando a nobre aspiração de pautar seus próprios atos de conformidade com os mais altos ideais de justiça e retidão, respeitando escrupulosamente os direitos de seus semelhantes, procurando tirar de sua atuação o maior resultado possível para a evolução própria e o bem alheio.
            É com discípulos desse feitio que o Cristo conta como cooperadores, para a implantação na Terra de um estilo de vida mais consentâneo com o Direito e a Moral.
            Que os verdadeiros cristãos, inspirados no exemplo do Mestre, que desceu dos cimos da pureza e da perfeição e imergiu neste mundo corrompido e tenebroso a fim de dar o de que a Humanidade necessitava para alcançar a redenção, saiam, pois, a campo, empenhando-se de corpo e alma na construção da sociedade do porvir.
            Há oportunidades para isso em inúmeros setores. Enquanto outros derrubam e destroem o que é arcaico e já não convém ao estágio evolutivo atual, chamem a si a tarefa de desarmar os espíritos, preparando-os para uma vivência de paz e de concórdia; lutem para que se reconheça no trabalho o fator supremo do bem-estar coletivo e se assegure aos que o exercem retribuição justa, suficiente ao atendimento de suas necessidades essenciais; esforcem-se por infiltrar as luzes do Evangelho em todas as camadas sociais...
            Quando os homens estiverem suficientemente cristianizados e, submetendo-se espontaneamente à lei do “amai-vos uns aos outros”, tenham aprendido a obrar sempre em harmonia com esse preceito, nenhum conflito de interesse, nenhuma desavença os dividirá; tratar-se-ão fraternalmente; haverá perfeito entendimento e concordância entre todos, resolvendo-se todas as questões sem guerras, sem ditaduras e sem dissídios de espécie alguma. (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça... Rodolfo Calligaris)
            A justiça da terra é falha; ignora as causas profundas que levaram alguém a cometer uma falta; por isso julga superficialmente. Além disso, quantos crimes não ficam impunes!
            Qualquer um de nós pode observar diariamente uma quantidade enorme de erros que ferem nosso próximo, mas que a justiça da terra não castiga nem corrige.
            Embora possamos iludir a justiça terrena, é impossível iludir a Justiça Divina. E Jesus, profundo conhecedor da lei de compensação que cada um movimenta pró ou contra si próprio, nos diz:
            — Não te importes se sofreres injustiças ou se irmãos que te ofenderam, não foram alcançados pela justiça dos homens. No mundo espiritual para onde irás mais cedo ou mais tarde, pontifica um Juiz Incorruptível; ele te fartará de Justiça. (O Evangelho dos humildes. Cap. 5. Eliseu Rigonatti)
            Somente na vida futura podem efetivar-se as compensações que Jesus promete aos aflitos da Terra. Sem a certeza do futuro, estas máximas seriam um contrassenso; mais ainda: seriam um engodo. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 5. Item 3. Allan Kardec)
            Jesus disse: " Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia."(Mateus 5:7)
            A misericórdia é o complemento da brandura, porquanto aquele que não for misericordioso não poderá ser brando e pacífico. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam alma sem elevação, nem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada, que paira acima dos golpes que lhe possam desferir. Uma é sempre ansiosa, de sombria suscetibilidade e cheia de fel; a outra é calma, toda mansidão e caridade. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item 4. Allan Kardec)
            Ser misericordioso é compadecer-nos da miséria alheia. Seja da miséria material, nas formas da indigência, do abandono ou da enfermidade, seja da miséria espiritual, caracterizada pelas mil e uma facetas da imperfeição humana.
            Ser misericordioso é, pois, condoer-nos desses párias molambentos, sem eira nem beira, que se arrastam pelo mundo, suplicando uma côdea de pão para “encostar” o estômago ou um trapo usado com que cubram sua nudez, socorrendo-os com solicitude.
            É apiedar-nos das crianças órfãs ou abandonadas, interessando-nos pela sua sorte e contribuindo, como e quanto nos seja possível, para que tenham um lar que as eduque e prepare para serem úteis a si mesmas e à sociedade, assim como olharmos pelos velhinhos desamparados, oferecendo-lhes um abrigo onde possam aguardar, serenamente, que a morte venha libertá-los das vicissitudes terrenas.
            É sensibilizar-nos à vista desses desgraçados aos quais a lepra, o pênfigo, o câncer, a sífilis, a tuberculose etc., hão flagelado e reduzido à ruína, cujas existências se constituem numa sucessão ininterrupta de dores, angústias e melancolia, ajudando a minorá-las com os recursos de nossa bolsa e, melhor ainda, com o bálsamo de nossa simpatia, das palavras de conforto e encorajamento, das preces e vibrações que façamos em seu benefício.
            Ser misericordioso é, acima de tudo, suportarmos cristãmente os defeitos daqueles que nos rodeiam, relevarmos os agravos que nos façam, renunciarmos a todo e qualquer propósito de vingança, não guardarmos ressentimento de coisa alguma e estarmos sempre prontos a servir, seja lá a quem for, embora saibamos de antemão que ninguém nos será grato e talvez nem sequer nos compreenda o gesto fraternal e amigo.
            Jesus Cristo considera bem-aventurados os que usam de misericórdia, porque, segundo a Lei, “cada um recebe exatamente o que dá”.
            Espíritos insipientes que somos, ainda no começo de nossa evolução, estamos, por isso mesmo, muito sujeitos ao erro.             Destarte, se não formos solidários com os que passam por duras provas e expiações, nem formos tolerantes com as fraquezas e imperfeições do próximo, também não teremos quem nos ajude a vencer os obstáculos de nossa jornada, assim como nossas próprias culpas e mazelas não serão toleradas pela Justiça Divina; e isso não por “castigo”, mas para que todos aprendamos a regra áurea, habituando-nos a “fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem”.
            Ninguém se iluda a esse respeito, supondo que um arrependimento de última hora, ou os recursos oferecidos pela sua religião, sejam suficientes para granjear-lhe a graça de Deus e assegurar-lhe “um bom lugar” nas moradas celestiais.
            Pelo Pai-nosso, suplicamos diariamente ao Altíssimo que “perdoe as nossas ofensas”, assim como perdoamos “aos nossos ofensores”.
            Pois bem: valorizemos nossas orações, traduzindo em atos tão sublimes palavras, perdoando, de fato, àqueles que de alguma forma nos tenham ofendido ou prejudicado.
            Levemos-lhe, simultaneamente com o nosso perdão, completo e sincero, também o amor, esse sentimento puríssimo que “cobre a multidão dos pecados”; só assim, mas só assim, inscrever-nos-emos entre aqueles a quem Jesus se referia, ao sentenciar: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”. (Mateus, 5:7.) (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os misericordiosos...Rodolfo Calligaris)
            Jesus disse: "Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus ".(Mateus 5:8)
            Ser limpo de coração é não dar abrigo a paixões inferiores, tais como: o ódio, a inveja, a maledicência, o orgulho, a concupiscência. As paixões inferiores turvam a visão espiritual. (O Evangelho dos humildes.  Cap. 5. Item 8. Eliseu Rigonatti)
            A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda ideia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.
            (...)A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.  (O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 8. Item 3 e 6. Allan Kardec)
            Como se verifica pela leitura do Velho Testamento, os judeus eram extremamente meticulosos no que dizia respeito à limpeza, quer em sua vida privada, quer nas práticas cerimoniais de seu culto.
Preocupavam-se sobremaneira com toda e qualquer forma de contaminação exterior, cumprindo à risca as regras severíssimas estabelecidas pelo rabinismo quanto à alimentação e à vestimenta, assim como aos holocaustos ou sacrifícios oferecidos no templo.
            O Levítico, livro das leis judaicas, chega ao exagero de proibir certos atos devocionais a quem apresenta deformidades, a saber: se for cego, coxo, de nariz pequeno, grande ou torcido, se tiver quebrado o pé ou a mão, se for corcovado, se remeloso, se tiver belida no olho, se portador de sarna ou impigem... (21:17 a 20.)
            Jesus, todavia, longe de dar atenção a esse formalismo de somenos importância, conhecendo a incúria geral para com os verdadeiros mandamentos de Deus, indicou, mais de uma vez, a necessidade de curarmos, com maior empenho, as mazelas e sujidades de nosso íntimo, pois são estas que nos impedem a entrada no Reino dos Céus.
            Assim é que, a um fariseu, por quem fora convidado a jantar em sua companhia e que consigo fazia reparos por não ter Ele, o Mestre, lavado as mãos antes de sentar-se à mesa, disse sem rebuços: “Vós outros pondes grande cuidado em limpar o exterior do copo e do prato; entretanto, o interior de vossos corações está cheio de rapinas e de iniquidades”. (Lucas, 11:37 a 39.)
            De outra feita, respondendo à mesma censura feita a seus discípulos, chamou o povo para perto de si e assim se expressou: “Escutai e compreendei bem isto: Não é o que entra na boca que macula o homem; o que lhe sai da boca é que o macula. O que sai da boca procede do coração e é o que torna impuro o homem, porquanto do coração é que partem os maus pensamentos, os assassínios, os adultérios, as fornicações, os latrocínios, os falsos testemunhos, as blasfêmias e as maledicências. Essas são as coisas que tornam impuro o homem”. (Mateus, 15:1 a 20.)
            Em nova oportunidade, como completando a elucidação desse ponto, ao perceber que seus discípulos procuravam afastar algumas crianças que lhe eram trazidas para que Ele as abençoasse, falou-lhes severamente: “Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o Reino dos Céus é para os que se lhes assemelham. Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, nele não entrará”. (Marcos, 10:13 a 15.)
            Deduz-se, pois, dos ensinos de Jesus, que impureza de coração não significa apenas malícia e abuso dos prazeres sexuais, mas também a fatuidade, o orgulho, o interesse egoísta e outras falhas morais, cujas manchas são bem mais difíceis de remover do que aquelas existentes na superfície das coisas.
            Dizendo que o Reino dos Céus é para os que se assemelham às crianças, quer com isso dar a entender que, enquanto não alijarmos de nós os pensamentos vulgares, a linguagem descuidada e as ações desonestas (no sentido mais amplo do termo), adquirindo a candura, a humildade e a simpleza personificadas na infância, não estaremos em condições de comparecer à presença de Deus.
            Cuidemos, então, do refinamento de nossas ideias e maneiras, para que, um dia, ainda que longínquo, possamos ter a ventura de ver a Deus face a face! (Mateus, 5:8.) (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os limpos de coração...Rodolfo Calligaris)
            Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização  o podem perceber em todo o seu esplendor.
            Sob que aparência se apresenta Deus aos que se tornaram dignos de vê-lo? Será sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana, ou como um foco de resplendente luz? A linguagem humana é impotente para dizê-lo, porque não existe para nós nenhum ponto de comparação capaz de nos facultar uma ideia de tal coisa. (Revista Espírita .Maio de 1866. A visão de Deus. Allan Kardec).
            Jesus disse: "Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus" (Mateus 5:9).
Há uma diferença fundamental entre “pacífico” e “pacificador”. Pacífico é um amigo da paz. Pacificador é aquele que, além de pacífico, trabalha, age, em favor da paz. O pacífico, às vezes, pode ser passivo. O pacificador, necessariamente, tem que ser ativo, atuante.
            Jesus, aceitando, por amor, a cruz do calvário, revelou-se pacífico. Perdoando os algozes, os agentes da crucificação, tornou-se pacificador. (Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita — Tomo II — Ensinos e Parábolas de Jesus  — Parte I - Módulo II — Ensinos diretos de Jesus. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB)
            Jesus Cristo é o Príncipe da Paz.
            “A paz vos deixo, a minha paz vos dou”, disse Ele, pouco antes de sua morte. “Não vo-la dou como o mundo a dá”, isto é, sob a forma de armistício, frágil e incerto, cuja estabilidade pode romper-se a qualquer momento, mas sim em caráter firme e absoluto.
            Esse dom da graça divina, entretanto, para que se estabeleça em nossa alma, impregnando-a de suave beatitude, exige condições de receptividade, ou seja, a extinção do orgulho e de todos os desejos egoístas, porquanto são esses sentimentos inferiores que inspiram todas as discórdias e promovem todas as lutas que se verificam na face da Terra.
            Sim, para que esse carisma seja uma realidade em nossa vida, mister se faz despertemos nossa consciência espiritual, libertemo-nos das ilusões do plano físico e identifiquemo-nos com as verdades do Mundo Maior; sem essa experiência, haveremos de ser, sempre, criaturas agitadas e descontentes, em permanente desarmonia com nós mesmos e com aqueles que nos cruzam o caminho.
            Enquanto não haja pacificação individual, enquanto os homens não se sentirem harmonizados intimamente, os conflitos exteriores, tanto no recinto doméstico, como no campo social, hão de subsistir, fatalmente, sendo baldados todos os recursos que se empreguem para aboli-los.
            Bem-aventurado aquele que, numa busca pessoal, ingente, descubra o seu Cristo interno e, renunciando ao seu pequenino ego humano, unifique-se com Ele, passando a viver, não mais com mira no próprio proveito, mas desejando ardentemente vir a ser um veículo pelo qual o Amor divino possa chegar até os seus irmãos. Esse terá encontrado a “pérola preciosa” de que nos fala a parábola evangélica, e desde então, na posse desse tesouro inapreciável, gozará de uma paz e uma alegria perfeitas, que nenhum sucesso vindo de fora será capaz de perturbar.
            Alcançado esse estado de alma, dominará o ambiente exterior e, onde quer que se encontre, mesmo sem dizer palavra, simplesmente com sua presença, influirá beneficamente sobre os que o rodeiam.
Junto a si, mercê das forças espirituais superiores que irradia, todos se sentirão aliviados, tranquilos e seguros; uma indizível sensação de calma e bem-estar descerá qual orvalho sobre os corações desgostosos e conturbados.
            Os seguidores do Cristo devem dar-se a conhecer pelos esforços que empreendam em favor da paz.
            Sejam, pois, nossos pensamentos, palavras e ações, uma contribuição constante no sentido de erradicar do mundo (começando primeiramente por nós) a inveja, as suspeitas, o ódio, a vingança e o espírito de contenda.
            Se assim o fizermos, se adquirirmos a qualificação de pacificadores, mereceremos ser chamados filhos de Deus, bem como a glória de ser participantes da paz celestial. (Mateus, 5:9.) (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os pacificadores...Rodolfo Calligaris)
            Jesus disse: "Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus." (Mateus 5:10)
            As nobres idéias que fazem com que a humanidade avance espiritual, moral, política e materialmente, encontram acérrimos opositores, que se esforçam por esmagá-las. E no mundo, formam-se castas que se aproveitam de suas prerrogativas, tiram o máximo proveito de seus poderes e não admitem a mais leve mudança no regime que as mantém e favorece.
            Compreendendo a injustiça que semelhantes organizações espalham pela Terra, Jesus torna dignos da recompensa divina os homens esclarecidos e de boa vontade, que lutam para que a Justiça reine em todos os setores das atividades humanas. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 5. Eliseu Rigonatti)
            Se houve alguém, na Terra, que se devotasse inteiramente à causa da Justiça, a ponto de ser chamado “o Justo dos justos”, esse alguém foi Jesus, o Cristo.
            Não se encontra, em toda a sua vida, um só episódio, uma só oportunidade, em que houvesse capitulado na defesa do direito ou transigido com a impostura e a iniquidade.
            Que fizeram com Ele, entretanto?
            Não podendo suportar sua superioridade moral, que os apequenava, nem aceitar sua doutrina fraternista, que lhes infirmava a situação de favorecimento, os poderosos da época entraram a acossá-lo sem tréguas e não se deram por satisfeitos enquanto não o viram pregado ao madeiro, à conta de um celerado qualquer!
            Exatamente porque sabia ser este um planeta dos menos evoluídos na hierarquia dos mundos, cuja Humanidade, salvo raras exceções, se ressentia, como ainda se ressente, de grande atraso espiritual, Jesus, longe de prometer aos seus discípulos uma vida gloriosa e livre de atribulações, preveniu-os, clara e reiteradamente, de que outra coisa não deveriam esperar, senão calúnias, injúrias e perseguições.
            Eis, entre outras, algumas dessas advertências:
            “Eu vos mando como ovelhas no meio de lobos”; “por me seguirdes, sereis açoitados nas sinagogas, assim como vos arrastarão à presença de governadores e de reis”; “por causa do meu nome, sereis odiados de todos, e chegará a hora em que todo aquele que vos matar julgará prestar um serviço a Deus”; “o servo não é mais do que seu senhor, e, se perseguiram a mim, hão de perseguir-vos também”.
            Nestes vinte séculos, outra não tem sido, realmente, a sorte dos que procuraram ou procuram implantar na Terra um estilo de vida baseado na justiça, tomado esse termo em sua mais profunda significação.
            Assim é que, por não se conformarem com o erro, a opressão, as simonias, os privilégios de casta e de classe, a exploração do homem pelo homem etc., e, corajosamente, se terem empenhado em dar-lhes combate, muitos hão sido esmagados e eliminados, sob a pecha de apóstatas, hereges, traidores, infiéis, agitadores, e quejandos, quando, em verdade, eram autênticos construtores desse mundo melhor, mais livre e mais feliz, com que sonhamos.
            Sim, todos os idealistas que têm procurado, à custa de ingentes sacrifícios, fazer que nosso mundo progrida: moral, política ou mesmo materialmente, sempre encontraram acérrimos e cruéis opositores, que não trepidaram em lançá-los às fogueiras, levantá-los em forcas, passá-los à espada, trucidá-los em instrumentos de suplício, encerrá-los em masmorras, espingardeá-los ou excomungá-los, para manterem regimes ou sistemas de que eram beneficiários.
            Com o decorrer dos tempos, os processos de perseguições a esses idealistas têm-se modificado um pouco;todavia, a animosidade contra eles continua a fazer-se sentir.
            Aquele, no entanto, que tão bem soubera prever as violências que seriam infligidas aos que lhe partilhassem os anseios de justiça, também os exortou, dizendo: “Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma”; “porfiai até ao fim”; e, sob a mesma inspiração que levou os melhores homens do passado a lutarem pelo progresso das ideias e das instituições, outras criaturas continuam lutando por tão nobre causa, de sorte que, malgrado o desespero dos reacionários, o mundo marcha!
            ...E quantos, a exemplo do Cristo, sofrem perseguição por amor à justiça, são, de fato, bem-aventurados, porque a consciência do dever bem cumprido comunica-lhes aquela doce paz e deleitosa alegria espiritual que constituem “o Reino dos Céus”. (Sermão da Montanha. Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor à justiça... Rodolfo Calligaris)
            Jesus disse: "Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa." (Mateus 5:11)
            As bem-aventuranças com que o excelso Mestre preambulou o Sermão da Montanha constituem, sem dúvida, uma mensagem divina aos homens de todas as raças e de todas as épocas, destinada a servir-lhes de roteiro, rumo à perfeição.
Elas definem, claramente, quais as qualidades de caráter que devemos desenvolver, se quisermos, um dia, penetrar no “Reino dos Céus”.
            São: a humildade de espírito, a mansuetude, o dom das lágrimas, o anseio de justiça, a misericórdia, a pureza de coração, a pacificidade, a renúncia etc.
            Para todos os que se esforçam sinceramente, no sentido de conquistar tão preciosas virtudes, tem o Cristo palavras de bênção e de encorajamento.
            Pondo remate a essa parte de sua sublime pregação, assim falou a seus discípulos e seguidores: “Bem-aventurados sois, quando vos injuriarem, perseguirem e disserem todo o mal contra vós, mentindo, por meu respeito. Folgai e exultai, porque o vosso galardão é copioso nos Céus, pois assim também perseguiram os profetas que foram antes de vós”. (Mateus, 5:11 e 12.)
            O insulto, a calúnia, as difamações e os vitupérios são as derradeiras armas de que podem valer-se as forças obscurantistas, eternas oponentes à evolução da Humanidade.
            Sim, as derradeiras, porque, enquanto tenham possibilidade de escolha, outras, bem diferentes, hão de ser preferidas.
            Como bem recorda Jesus, desde os primeiros profetas da antiguidade, que ousaram profligar os erros de seus contemporâneos, todos os colaboradores de Deus, todos os que se empenham em fazer um pouco mais de luz nas trevas do mundo têm sido ultrajados e perseguidos, pagando caro, muitas vezes com a própria vida, a sustentação de seus princípios moralizadores.
            O mesmo vem acontecendo, tal o testemunho da História, aos que porfiam por preservar a árvore do Cristianismo dos malefícios das plantas parasitas (as superstições, o cerimonialismo pagão, as adulterações e falsidades doutrinárias, a comercialização dos sacramentos etc.), que lhe roubam a seiva, que a estrangulam e podem levá-la à morte.
            Os mata-paus da Doutrina Cristã voltam-se, sistematicamente, contra esses paladinos da Verdade e... não há como conter-lhes a agressividade.
            Ultimamente, havendo perdido as prerrogativas de senhores de baraço e cutelo, já não podendo exterminar aqueles que foram convocados pelos altos planos da espiritualidade para a restauração do Cristianismo em sua primitiva pureza e simplicidade, dos púlpitos, nas praças públicas, pela imprensa, pelo rádio e por outros meios de divulgação, empreendem verdadeira “cruzada” contra eles, dirigindo-lhes toda sorte de injúrias, mistificando, mentindo, ridicularizando...
            É deixá-los no seu ofício e, consoante a recomendação do Mestre, folgar e exultar.
            Folgar e exultar porque, aos olhos de Deus, mais vale ser odiado que odiar, ser ofendido que ofender, ser perseguido que perseguir.
            Folgar e exultar, porque sofrer tais agravos por amor a Jesus é uma grande glória.
            Folgar e exultar, porque, quanto mais rudes e dolorosos sejam os golpes recebidos, maior será a recompensa nos páramos celestiais! (Sermão da Montanha. Quando vos injuriarem... folgai e exultai...Rodolfo Calligaris)
            Jesus conforta seus trabalhadores, prometendo-lhes que no mundo espiritual os esforços serão copiosamente recompensados e nos recomenda que não façamos caso das perseguições. As perseguições são dificuldades que também os profetas, trabalhadores do passado, encontraram. (O Evangelho dos humildes. Cap. 5. Item 12. Eliseu Rigonatti)
            Do berço ao túmulo, a estrada da vida está semeada de espinhos e banhada de lágrimas!
            Quantas ilusões, quantas amarguras, quantas dores passamos neste mundo!
            A dor é uma lei semelhante à da morte; penetra no tugúrio do pobre como no palácio do rico. Neste mundo ainda atrasado, onde viemos progredir, a dor parece ser a sentinela avançada a nos despertar para a perfeição.
            Max Nordau dizia: “Ide de cidade em cidade e batei de porta em porta; perguntai se aí está a felicidade, e todos vos responderão. Não; ela está muito longe de nós!”
            Mas se é verdade que o Senhor permitiu que os sofrimentos nos assaltassem, não é menos verdade que também nos proporciona a Esperança, com que aguardamos dias melhores. “Bem-aventurados os que sofrem, pois serão consolados.”
            A Esperança é a estrela que norteia as nossas mais belas aspirações; é a estrela que ilumina a noite tenebrosa da vida, e nos faz vislumbrar a estância de salvamento. A vida na Terra é um caminho que nos conduz às paragens luminosas da Vida Eterna; não é um repouso, mas uma preparação para o repouso.
            Paulo, o Apóstolo dos Gentios, recordando-nos numa das suas luminosas Epístolas a Vida Real, disse: “Dia virá em que despiremos a veste mortal para vestir a da imortalidade.
            Atravessamos a existência na Terra como o soldado atravessa um campo de fogo e de sangue, e os bravos e os fortes de espírito cravam nas muralhas o seu estandarte e levantam o grito de vitória!
            É isto o que nos ensina o Espiritismo com a sua consoladora Doutrina.
            Tomado de compaixão pelo mundo, o Cristo desce das alturas, senta-se sobre um alto monte, atrai a si multidões de desventurados e começa o seu monumental sermão com as consoladoras promessas:
            “Bem-aventurados os pobres, os aflitos, os que choram, porque deles é o Reino dos Céus!”
            A “palavra boa”, a Esperança, proporciona sempre resignação, coragem e fé aos desiludidos das promessas do mundo.
            O homem que confia e espera em Deus, vê nos sofrimentos o resgate de suas faltas, o meio de se purificar da corrupção! É preciso ter fé, é preciso ter Esperança. Dizei ao moribundo que, em verdade não morrerá, e ele, animado pela vossa palavra, enfrentará a morte e não sofrerá o seu aguilhão!
            A Esperança é a consolação dos aflitos, a companheira do exilado, a amiga dos desventurados, a mensageira das promessas do Cristo!
            Perca o homem tudo: bens, fortuna, saúde, parentes, amigos, mas se a Esperança, Filha do Céu, o envolve, ele prossegue em sua ascensão para o bem, para a vida, para a Imortalidade!
            Do alto do monte, tomado de tristeza pelas desventuras humanas, o Senhor ensinava às multidões os meios de conquistar, com o trabalho por que passavam, o Reino dos Céus. E a todos recomendava resignação na adversidade, mansidão nas lutas da vida, misericórdia no meio da tirania, e higiene de coração para que pudessem ver Deus. Nessa autêntica oração, o Senhor já previa que seriam injuriados e perseguidos todos aqueles que, crendo na sua Palavra, encontrassem nela o arrimo para suas dores, o lenitivo para seus sofrimentos; mas recomenda, antecipadamente, não nos encolerizarmos com o mal que nos fizerem, para que seja grande o nosso galardão nos Céus. Disse mais: que exemplificássemos a nossa vida como os profetas que nos precederam, porque “bem-aventurados têm sido todos os que são perseguidos por causa da justiça”.
            Lutemos contra a dor, aproveitando essa prova que nos foi oferecida, para a vitória do Espírito, liberto dos liames terrenos!
            Empunhemos a espada da Fé e o escudo da Caridade, com todos os seus atributos, e o Reino de Deus florescerá em nós, como rogamos diariamente no Pai nosso, a prece que Jesus nos legou. (Parábolas e ensinos de Jesus. As Bem-aventuranças - Um trecho do Sermão do Monte. Cairbar Schutel)
            Jesus Cristo é o nosso incomparável mentor, luz que brilha de modo perene nas trevas da nossa incompreensão, e, como tal, devemos nele depositar as nossas mais caras esperanças, porque ele sabe, antes de lhe pedirmos, quais as nossas necessidades reais e qual o melhor e mais eficiente caminho para o desempenho da trajetória que nos foi delineada para ser vivida na Terra. Devemos nos conscientizar de que a nossa alma imortal subsiste ao túmulo e que as agruras de uma vida corpórea não passam de uma diminuta etapa no aprendizado edificante e moralizador, representando tão-somente uma forma de burilamento das nossas almas.
            O Sermão da Montanha é, pois, um misto de singeleza e grandiosidade, representando um hino de glorificação ao amor incomensurável de Deus para com suas criaturas. (Os padrões Evangélicos.  Bem-aventurados os aflitos. Paulo Alves Godoy)

Bibliografia:
- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.5: item 3/ Cap. 7: Item 2/ Cap.9: Item 5 / Cap.10: Item 4/ Cap.14: item 4. Allan Kardec.
-  Revista Espírita .Maio de 1866. A visão de Deus. Allan Kardec.
- Primícias do Reino. Cap. 3. Espírito Amélia Rodrigues. Psicografado por Divaldo P. Franco.
- Os padrões Evangélicos. Bem-aventurados os aflitos. Paulo Alves Godoy.
- O Evangelho dos humildes. Cap. 5. Eliseu Rigonatti.
- Parábolas e ensinos de Jesus. As Bem-aventuranças - Um trecho do Sermão do Monte. Cairbar Schutel.
- Sermão da Montanha. Bem-aventurados os pobres de espírito... Bem-aventurados os que choram...Bem-aventurados os mansos...Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça... Bem-aventurados os misericordiosos...Bem-aventurados os limpos de coração...Bem-aventurados os pacificadores...Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor à justiça... Quando vos injuriarem... folgai e exultai... Rodolfo Calligaris.
- Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita — Tomo II — Ensinos e Parábolas de Jesus  — Parte I - Módulo II — Ensinos diretos de Jesus. Marta Antunes de Oliveira Moura. FEB.
- Bíblia: Mateus 5:3-12, Colossenses, 1:22, Lucas, 11:37 a 39, Mateus, 15:1 a 20, Marcos, 10:13 a 15.

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