Aula 97 - A Bíblia e os livros edificantes

Ciclo 1 - História:  Clara e o livro - Atividade: PH - Jesus - 57 - Evangelho.

Ciclo 2 - História:  O amigo sublime -  Atividade: PH - Os doze apóstolos - 4 - Bíblia.

Ciclo 3 - História:  A voz do Evangelho -  AtividadePH - Jesus - 58 - Escrituras Sagradas.

 

Dinâmica: Evangelho de Jesus.

Mensagens Espíritas: Livros Edificantes.

Sugestão de livro infantil:  Luana, a personagem que fugiu da historia. Cleo de Albuquerque. Editora: Edições CELD.

 

Leitura da Bíblia:  2Pedro - Capítulo 1


1.19 Sendo assim, temos ainda mais concreta a Palavra dos profetas, e fazeis muito bem em prestar atenção a ela, como a uma candeia que brilha nas trevas, até que todo o dia se ilumine e a estrela da alva nasça em vossos corações.


1.20 Antes de tudo, sabei que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal,


1.21 porquanto, jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, orientados pelo Espírito Santo.


 

2 Timóteo -  3:16


3.16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver


 

Lucas - Capítulo 4


4.14 Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.


4.15 E ensinava nas suas sinagogas, e por todos era louvado.


4.16 E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler.


4.17 E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:


4.18 O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres.

Enviou-me a curar os quebrantados de coração,


4.19 A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor.


4.20 E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.


4.21 Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.


 

Tópicos a serem abordados:

- A Bíblia é um conjunto de livros escritos em diferentes tempos, por diversos autores. A Bíblia católica é formada por 73 livros enquanto que a Bíblia dos evangélicos tem 66 livros. Ela é dividida em duas partes: antigo testamento (escrito antes de Jesus) e novo testamento (escrito após Jesus). Cada livro é dividido por capítulos e por versículos, de maneira que fica fácil a localização dos textos. Os Espíritas devem estudar e analisar as escrituras sagradas.

- O Antigo Testamento apresenta a origem da criação do mundo, a história do povo hebreu, com seus costumes e suas leis civis. Relata também o recebimento dos dez mandamentos por Moisés (1º revelação da lei divina) e a vida dos antigos profetas.   O Novo testamento é compostos por quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) que relatam os ensinos de Jesus (2º revelação da lei divina). Além disso,  contém os atos dos apóstolos após a morte do Divino Mestre, as cartas do apóstolo Paulo de Tarso e de outros discípulos e o último livro da Bíblia, Apocalipse, escrito pelo apóstolo João.

- O conhecimento do Antigo Testamento é de fundamental importância para se compreender o Novo Testamento. O antigo Testamento é a base da Revelação Divina. No entanto, devemos observar que tudo o que se contém na Bíblia, em contraposição ao Decálogo, não é e nem poderia ser de origem divina.  

- Moisés era médium, assim como os demais profetas que previram a vinda do Messias.  Ele recebeu a primeira revelação das leis de Deus (o Decálago) através dos  mensageiros de Jesus, para mostrar aos homens quais são seus deveres para com os semelhantes e para com Deus. Jesus, sendo o Messias Divino, recebeu a palavra diretamente de Deus, com a missão de revelá-la aos homens.

A importância do Evangelho de Jesus, em nossa evolução espiritual, é semelhante à importância do Sol na sustentação de nossa vida física. No entanto, muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e dos autores sagrados em geral são de difícil compreensão, e muitas mesmo parecem absurda por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. O Espiritismo ( 3º revelação da lei divina), pois,  é a verdadeira chave para a compreensão do Antigo e do Novo Testamento. A doutrina Espírita desenvolve, completa e explica, em termos claros para todo mundo, o que havia sido dito de forma alegórica (simbólica) por Jesus.

-  A Bíblia e os livros edificantes da Doutrina Espírita nos auxiliam a viver  e acertar em nossas escolhas. Revelam-nos o passado e preparam-nos para o futuro. O Evangelho de Amor é, sem dúvida, o Livro Divino em cujas lições podemos encontrar a libertação de todo o mal.  O livro espírita é sempre um amigo disponível para dialogar conosco, ensinando-nos o melhor caminho para a aquisição da paz e da felicidade que desejamos encontrar. Ajuda-nos no entendimento de nós mesmos e na compreensão de nossos vizinhos. Dá-nos coragem para o trabalho, e humildade no caminho da experiência (1).

- O livro edificante vacina a nossa mente contra o mal. Todo livro digno de apreço é realmente um presente de Deus à Humanidade para que os grandes instrutores possam clarear o nosso caminho, conversando conosco, acima dos séculos e das civilizações. Que seria do mundo sem a bênção do livro? Se não fosse a cooperação do livro, que seria da religião, da ciência, da filosofia, da política, da técnica industrial, da arte e da socialização? Devemos cuidar bem do livro, assim como cuidamos de um bem precioso, pois ele é o nosso companheiro iluminado e instrumento de educação moral e intelecual.

- O livro espírita é sempre o nosso melhor amigo nos caminhos da elevação. Adquiri-lo é importante. Lê-lo é imprescindível.  Estudá-lo é sabedoria.  Divulgá-lo é dever (2). Agradeçamos a Deus pela bênção da Bíblia e dos livros edificantes, que nos esclarecem e instruem.

 

Comentário (1): Alvorada Cristã. O amigo sublime. Neio Lúcio. Chico Xavier. (2): Convia e serve. O livro espírita. Albino Teixeira. Chico Xavier / Carlos A. Baccelli.

 

Perguntas para fixação:

1. O que são livros edificantes?

2. Quantos livros é constituída a Bíblia dos católicos?

3. Qual é o nome dado a parte da Bíblia que foi escrita antes de Jesus?

4. Qual é o nome dado a parte da Bíblia que foi escrita após Jesus?

5. A Bíblia conta a história de que povo?

6. Onde está escrito a primeira revelação das leis divinas?

7. Onde está escrito a segunda revelação das leis divinas?

8. Qual é a importância do Evangelho de Jesus na nossa vida?

9. Qual é a verdadeira chave para a compreensão do Antigo e do Novo Testamento?

 

Subsídio para o Evangelizador:

         A palavra Bíblia vem do grego (biblia = plural de biblion ou biblios = livro); portanto, é um conjunto de livros. É considerado por judeus e cristãos como um livro de inspiração divina, por isso o têm como um livro sagrado.

            (...) A Bíblia não foi escrita de uma só vez. Levou muito tempo, mais de mil anos. Começou em torno do ano 1250 antes de Cristo, e o ponto final só foi colocado cem anos depois do nascimento de Jesus. Aliás, é muito difícil saber quando foi que começaram a escrever a Bíblia. Pois, antes de ser escrita, a Bíblia foi narrada e contada nas rodas de conversa e nas celebrações do povo. E antes de ser narrada e contada, ela foi vivida por muitas gerações num esforço teimoso e fiel de colocar Deus na vida e de organizar a vida de acordo com a justiça (Bíblia Sagrada, Vozes, 1982, p. 13).

            Embora, nessa explicação, possam estar querendo consertar a afirmativa de que a Bíblia levou mais de mil anos para ser escrita, a verdade é que a Bíblia somente passou a ser um documento ESCRITO a partir do séc. VIII a. C.

            (...) A Bíblia não foi escrita no mesmo lugar, mas em muitos lugares e países diferentes. A maior parte do Antigo Testamento e do Novo Testamento foi escrita na Palestina, a terra onde o povo vivia, por onde Jesus andou e onde nasceu a Igreja. Algumas partes do Antigo Testamento foram escritas na Babilônia, onde o povo viveu no cativeiro no Século VI antes de Cristo. Outras partes foram escritas no Egito, para onde muita gente emigrou depois do cativeiro. O Novo Testamento tem partes que foram escritas na Síria, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália, onde havia muitas comunidades, fundadas ou visitadas pelo apóstolo São Paulo. Ora, os costumes, a cultura, a religião, a situação econômica, social e política de todos estes povos deixaram marcas na Bíblia e tiveram a sua influência na maneira de a Bíblia nos apresentar a mensagem de Deus aos homens.

         (...)A Bíblia usada pelos Católicos possui 73 livros, assim distribuídos:

      Antigo Testamento = 46 livros

      Pentateuco: Gêneses, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

      Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, Samuel (I e II), Reis (I e II), Crônicas (I e II), Esdras, Neemias Tobias, Judite, Ester e Macabeus (I e II).

      Livros Sapienciais: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico.

      Livros proféticos: Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

      Novo Testamento = 27 livros

      Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.

      Atos dos Apóstolos

      Epístolas: Romanos, Coríntios (I e II), Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, Tessalonicenses (I e II), Timóteo (I e II), Tito, Filêmon, Hebreus, Tiago, Pedro (I e II), João (I, II e III), Judas e   Apocalipse.

      A Bíblia usada pelos protestantes tem somente 66 livros; dela não constam os livros Tobias, Judite, Macabeus (I e II), Sabedoria, Eclesiástico e Baruc; isso faz com que, para eles, o Antigo Testamento tenha 39 livros. (A Bíblia a moda da casa. Paulo da Silva Neto Sobrinho)

            É necessário saber localizar na Bíblia os textos que se deseja interpretar. Neste sentido, é importante recordar que os livros do

Velho Testamento e do Novo Testamento estão divididos em capítulos e versículos. Os capítulos são textos maiores, que se encontram subdivididos em versículos, numerados sequencialmente, a fim de facilitar sua consulta e estudo. É variável o número de capítulos de um livro ou de versículos nos capítulos.  (Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Roteiro 5 - Interpretação de textos evangélicos. Marta Antunes de Oliveira de Moura)

            O Antigo Testamento apresenta a história do mundo desde sua criação até os acontecimentos após a volta dos judeus do exílio babilônico, no século IV a.C.

            O Novo Testamento apresenta a história de Jesus Cristo e a pregação de seus ensinamentos, durante sua vida e após sua morte e ressurreição, no século I d.C. (https://pt.wikipedia.org/?title=B%C3%ADblia).

            A palavra de Deus não está na Bíblia, mas na natureza, traduzida em suas leis. A Bíblia é simplesmente uma coletânea de livros hebraicos, que nos dão um panorama histórico do judaísmo primitivo. Os cinco livros iniciais da Bíblia, que constituem o Pentateuco mosaico, referem-se à formação e organização do povo judeu, após a libertação do Egito e a conquista de Canaã. Atribuídos a Moisés, esses livros não foram escritos por ele, pois relatam, inclusive, a sua própria morte.

            As pesquisas históricas revelam que os livros da Bíblia têm origem na literatura oral do povo judeu. Só depois do exílio na Babilônia foi que Esdras conseguiu reunir e compilar os livros orais (guardados na memória) e proclamá-los em praça pública como a lei do judaísmo, ditada por Deus.

            (...) O Espiritismo reconhece a ação de Deus na Bíblia, mas não pode admiti-la como a "palavra de Deus". Na verdade, como ensinou o apóstolo Paulo, foram os mensageiros de Deus, os Espíritos, que guiaram o povo de Israel, através dos médiuns, então chamados profetas. O próprio Moisés era um médium, em constante ligação com Jave ou Jeová, o deus bíblico, violento e irascível, tão diferente do deus-pai do Evangelho. Devemos respeitar a Bíblia no seu exato valor, mas nunca fazer dela um mito, um novo bezerro de ouro. Deus não ditou nem dita livros aos homens. (Visão Espírita da Bíblia. 4 - Coisas Terríveis e ingênuas figuram nos livros bíblicos. J. Herculano Pires).

            O Espírito Emmanuel afirma: ''É inconcebível que o grande missionário dos judeus e da Humanidade pudesse ouvir o Espírito de Deus. Estais, porém habilitados a compreender, agora, que a Lei ou a base da Lei, nos dez mandamentos, foi-lhe ditada pelos emissários de Jesus, porquanto todos os movimentos de evolução material e espiritual do orbe se processaram, como até hoje se processam, sob o seu augusto e misericordioso patrocínio. (O Consolador. Questão 269. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

         A previsão e a predição, nos livros sagrados, dão a entender que os profetas eram diretamente inspirados pelo Cristo?

         Nos textos sagrados das fontes divinas do Cristianismo, as previsões e predições se efetuaram sob a ação direta do Senhor, pois só Ele poderia conhecer bastante os corações, as fraquezas e as necessidades dos seus rebeldes tutelados, para sondar com precisão as estradas do futuro, sob a misericórdia e a sabedoria de Deus. ( O Consolador. Questão 276. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

         Os cinco livros maiores da Bíblia encerram símbolos especiais para a educação religiosa do homem?

            Todos os documentos religiosos da Bíblia se identificam entre si, no todo, desde a primeira revelação com Moisés, de modo a despertar no homem as verdadeiras noções do seu dever para com os semelhantes e para com Deus. ( O Consolador. Questão 275. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

         Estudando-se a trajetória do povo israelita, verifica-se que o Antigo Testamento é um repositório de conhecimentos secretos, dos iniciados do povo judeu, e que somente os grandes mestres da raça poderiam interpretá-lo fielmente, nas épocas mais remotas.

            Eminentes espiritualistas franceses, nestes últimos tempos, procuraram penetrar os seus obscuros segredos e, todavia, aproximando-se da realidade com referência às interpretações, não lhes foi possível solucionar os vastos problemas que as suas expressões oferecem.

            Os livros dos profetas israelitas estão saturados de palavras enigmáticas e simbólicas, constituindo um monumento parcialmente decifrado da ciência secreta dos hebreus. Contudo, e não obstante a sua feição esfingética, é no conjunto um poema de eternas claridades. Seus cânticos de amor e de esperança atravessam as eras com o mesmo sabor indestrutível de crença e de beleza. É por isso que, a par do Evangelho, está o Velho Testamento tocado de clarões imortais, para a visão espiritual de todos os corações. Uma perfeita conexão reúne as duas Leis, que representam duas etapas diferentes do progresso humano. Moisés, com a expressão rude da sua palavra primitiva, recebe do mundo espiritual as leis básicas do Sinai, construindo desse modo o grande alicerce do aperfeiçoamento moral do mundo; e Jesus, no Tabor, ensina a Humanidade a desferir, das sombras da Terra, o seu vôo divino para as luzes do Céu. (A caminho da luz. Cap. 7. O Judaísmo e o Cristianismo. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Qual a posição do Velho Testamento no quadro de valores da educação religiosa do homem?

            No quadro de valores da educação religiosa, na civilização cristã, o Velho Testamento, apesar de suas expressões altamente simbólicas, poucas vezes acessíveis ao raciocínio comum, deve ser considerado como a pedra angular, ou como a fonte máter da revelação divina. (O Consolador. Questão 267. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

         O Velho Testamento é a história da preparação do mundo para o advento do Cristo. O Novo Testamento é a história desse advento e a exposição profética de seus resultados. (Elucidações Evangélicas. Fontes e Cronologia do Novo testamento. Antônio Luiz Sayão).

         Se devemos considerar o Velho Testamento como a pedra angular da Revelação Divina, qual a posição do Evangelho de Jesus na educação religiosa dos homens?

         O Velho Testamento é o alicerce da Revelação Divina. O Evangelho é o edifício da redenção das almas. Como tal, devia ser procurada a lição de Jesus, não mais para qualquer exposição teórica, mas visando cada discípulo o aperfeiçoamento de si mesmo, desdobrando as edificações do Divino Mestre no terreno definitivo do Espírito. (O Consolador. Questão 282. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

         O Velho Testamento é a revelação da Lei. O Novo é a revelação do Amor.  O primeiro consubstancia as elevadas experiências dos homens de Deus que procuravam a visão verdadeira do Pai e de sua Casa de infinitas maravilhas.  O segundo representa a mensagem de Deus a todos os que O buscam no caminho do mundo. (Coletânea do Além. O velho e o novo testamento. Espírito Emmanuel. Autores diversos).

         Jesus disse: '' Não falei, de nenhum modo, de mim mesmo; mas meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por seu poder, o que devo dizer, e como devo falar; - e eu sei que o seu poder é a vida eterna; o que eu digo, pois, o digo segundo o que meu Pai mo ordenou.''(João 12:49 e 50). Minha doutrina não é minha doutrina, mas a doutrina daquele que me enviou (João 7:16). ''Desci do céu não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou'' (João 6:38).

            Tendo Jesus recebido a palavra diretamente de Deus, com a missão de revelá-la aos homens, assimilou-a; a palavra divina, da qual estava penetrado, se encarnou nele; trouxe-a ao nascer, e foi com razão que João pôde dizer: '' E o Verbo foi feito carne e habitou entre nós e vimos a sua glória, qual a que o Filho único havia de receber do Pai; e ele, digo, habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” (João, 1: 14.). Com efeito, o Verbo é Deus, porque é a palavra de Deus. (Obras Póstumas. 8. O verbo se fez carne. Allan Kardec).

             O Antigo Testamento é o livro sagrado de um povo – o povo hebreu; o Evangelho é o livro sagrado da Humanidade. As verdades essenciais que ele contém acham-se ligadas às tradições de todos os povos e de todas as idades.

            A essas verdades, porém, muitos elementos inferiores vieram associar-se. Nesse ponto de vista o Evangelho pode ser comparado a um vaso precioso em que, no meio da poeira e das cinzas, se encontram pérolas e diamantes. A reunião dessas gemas constitui a pura doutrina cristã.

            Quanto à sua verdadeira origem, admitindo que os Evangelhos canônicos sejam obra dos autores de que trazem os nomes, é preciso notar que dois dentre eles, Marcos e Lucas, se limitaram a transcrever o que lhes fora dito pelos discípulos. Os outros dois, Mateus e João, conviveram com Jesus e recolheram os seus ensinos. Os seus evangelhos, porém, não foram escritos senão quarenta e sessenta anos depois da morte do mestre. (Cristianismo e Espiritismo. Nota 2: Sobre a origem dos Evangelhos. León Denis).

            A leitura do Velho Testamento e do Evangelho, nos círculos familiares, como é de hábito entre muitos povos europeus, favorece a renovação dos fluídos salutares de paz na intimidade do coração e do ambiente doméstico?

         -Essa leitura é sempre útil, e quando não produz a paz imediata, em vista da heterogeneidade de condições espirituais daqueles que a ouvem em conjunto, constitui sempre proveitosa sementeira evangélica, extensiva às entidades do plano invisível, que a assistem, sendo lícito esperar mais tarde o seu florescimento e frutificação. ( O Consolador. Questão 281. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

         Qual a importância do Evangelho de Jesus para a Humanidade?

          R. Creio que a importância do Evangelho de Jesus, em nossa evolução espiritual, é semelhante à importância do Sol na sustentação de nossa vida física. (Entender conversando. Questão 182. Espírito Emmanuel. Chico Xavier)

            Entretanto, Cairbar Schutel afirma: ''Não basta ler os Evangelhos; é preciso estudá-los. '' (Parábolas e ensinos de Jesus. O batismo de Jesus e o batismo das igrejas. Cairbar Schutel).

         Muitas passagens do Evangelho, da Bíblia, e dos autores sagrados em geral são ininteligíveis, e muitas mesmo parecem absurda por falta de uma chave que nos dê o seu verdadeiro sentido. Essa chave está inteirinha no Espiritismo, como já se convenceram os que estudaram seriamente a doutrina, e como ainda melhor se reconhecerá mais tarde. O Espiritismo se encontra por toda parte, na Antigüidade, e em todas as épocas da humanidade. Em tudo encontramos seus traços, nos escritos, nas crenças e nos monumentos, e é por isso que, se ele abre novos horizontes para o futuro, lança também uma viva luz sobre os mistérios do passado. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. Allan Kardec). 

            O Espiritismo, pois, nem descobriu, nem inventou os médiuns, mas descobriu as leis da mediundiade, e a explica. Assim, é a verdadeira chave para a compreensão do Antigo e do Novo Testamentos, onde abundam os fatos deste gênero. Foi por falta dessa chave que se fizeram tantos comentários contraditórios, que nada explicam. (Revista Espírita. Novembro de 1865. O Patriarca José e o Vidente de Zimmerwald. Allan Kardec)

            Às idéias vagas e imprecisas da vida futura, contidas no Evangelho, acrescenta agora o Espiritismo a demonstração palpável e inequívoca da existência do mundo espiritual; desvenda-nos “as leis que o regem, suas relações com o mundo invisível, a natureza e o estado dos seres que o habitam e, por conseguinte, o destino do homem depois da morte”, destino esse feliz ou desgraçado, não por se haver crido desta ou daquela forma, mas segundo o grau de pureza e perfeição adquirida. Com isso, aviva a crença, dá-lhes um seguro ponto de apoio desfazendo a dúvida pungente que pairava em torno da sobrevivência. (As leis morais. Cap. 6. Rodolfo Calligaris).

            Kardec afirmou que o Espiritismo é a chave da Bíblia e dos Evangelhos. Todos os que estudam este problema sem sujeição a dogmatismos e seitas, sabem que não se pode compreender as duas codificações anteriores sem o auxílio da posterior. Porque a seqüência histórica é também uma seqüência lógica. A Bíblia é a premissa maior do Cristianismo; os Evangelhos são a premissa menor; O Livro dos Espíritos a conclusão. Essa a razão porque Jesus prometeu que o Espírito da Verdade viria completar e restabelecer os seus ensinos. (Visão Espírita da Bíblia. 31 -  O Livro dos Espíritos como sequência natural da Bíblia. J. Herculano Pires).

            Assim sendo, o Espiritismo tem como base as Escrituras, tem seus fundamentos na Bíblia. Mas é claro que o conceito espírita da Bíblia não pode ser igual ao das religiões que ficaram no passado, apegadas às formas sacramentais de magia, aos ritos materiais e aos cultos exteriores do próprio paganismo. A Bíblia não pode ser, para o espírita esclarecido, a "palavra de Deus", pois é um livro escrito pelos homens, como todos os outros livros, e é, principalmente, um conjunto de livros em que encontramos de tudo, desde as regras simplórias de higiene dos judeus primitivos até as lendas e tradições do povo hebreu, misturadas às heranças dos egípcios e babilônios. (Visão Espírita da Bíblia. 6 - Toda a Bíblia está cheia dos fenômenos mediúnicos. J. Herculano Pires).

            Já é tempo, entretanto, de sabermos que tudo o que se contém na Bíblia, em contraposição ao Decálogo, não é e nem poderia ser de origem divina, mas tão somente preceitos humanos, quase sempre outorgados por Moisés para o povo judeu e para aquela época de ignorância e barbarismo. (As leis morais. Cap. 22. Rodolfo Calligaris).

            Deverse-á daí concluir que a Bíblia é um erro? Não; a conclusão a tirar-se é que os homens se equivocaram ao interpretá-la.(O Livro dos Espíritos. Item 59. Allan Kardec).

            A Bíblia, evidentemente, encerra fatos que a razão, desenvolvida pela Ciência, não poderia hoje aceitar e outros que parecem estranhos e derivam de costumes que já não são os nossos. Mas, a par disso, haveria parcialidade em se não reconhecer que ela guarda grandes e belas coisas. A alegoria ocupa ali considerável espaço, ocultando sob o seu véu sublimes verdades, que se patenteiam, desde que se desça ao âmago do pensamento, pois que logo desaparece o absurdo. (A Gênese. Cap. 4. Item 6. Allan Kardec).

            Não rejeitemos, pois, a Gênese bíblica; ao contrário, estudemo-la, como se estuda a história da infância dos povos. Trata-se de uma época rica de alegorias, cujo sentido oculto se deve pesquisar; que se devem comentar e explicar com o auxílio das luzes da razão e da Ciência. Fazendo, porém, ressaltar as suas belezas poéticas e os seus ensinamentos velados pela forma imaginosa, cumpre se lhe apontem expressamente os erros, no próprio interesse da religião. Esta será muito mais respeitada, quando esses erros deixarem de ser impostos à fé, como verdade, e Deus parecerá maior e mais poderoso, quando não lhe envolverem o nome em fatos de pura invenção. (A Gênese. Cap. 12. Item 12. Allan Kardec).

            A Bíblia reúne o Trabalho Santificador e a Coroa da Alegria. (Coletânea do Além. O Velho e o Novo Testamentos. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            As sociedades religiosas meditam as Escrituras. As sociedades espíritas devem fazer o mesmo e grande proveito tirarão daí para seu progresso, instituindo conferências em que seja lido e comentado tudo o que diga respeito ao Espiritismo, pró ou contra. Dessa discussão, a que cada um dará o tributo de suas reflexões, saem raios de luz que passam despercebidos numa leitura individual. (O Livro dos Médiuns. Segunda parte. Cap. 29. Allan Kardec)

            O Espírito Humberto de Campos (irmão X) afirma: ''Veremos no livro o santuário de nossa ascensão espiritual.

             Quando o povo missionário se desvairava na idolatria, o Todo Poderoso salvou-o, com o livro dos Dez Mandamentos, por intermédio de Moisés.

             Quando o Mestre Divino veio trazer à Terra as justas diretrizes da redenção, determinou o Todo Compassivo que um livro — O Evangelho da Boa Nova — lhe fixasse a luz.

            Quando a civilização se desequilibrava com as tempestades morais, luminosas e destruidoras, da Revolução Francesa, o Todo Sábio amparou o mundo, então no declive de tenebrosos despenhadeiros, oferecendo-lhe O Livro dos Espíritos, através de Allan Kardec.

             Depois da oração, o livro é a única escada pela qual o Céu pode descer à Terra. (Relatos da vida. O livro, dádiva do céu. Irmão X. Psicografado por Chico Xavier).

         Moisés dialogou com Jeová e o Livro dos Mandamentos estabeleceu as leis primordiais da justiça entre os homens.

             Jesus vem à Terra, dialoga com os discípulos, e o Evangelho brilha até hoje, traçando as normas do Reino do Amor para a elevação da Humanidade.

             Kardec chega ao mundo, dialoga com os Espíritos Sábios e Benevolentes que lhe dirigem a Obra, e “O Livro dos Espíritos” surge por alicerce da Doutrina Espírita que renova o pensamento religioso da Terra, libertando e esclarecendo, confortando e instruindo as criaturas. (Diálogo dos vivos. Espírito Emmanuel. Chico Xavier/ J. Herculano Pires)

             Todo livro digno de apreço é agente precioso que auxilia a viver e a acertar. O livro espírita, no entanto, não apenas auxilia a viver e a acertar, mas igualmente a viver para o bem de todos, o que significa acertar sempre mais na conquista do próprio bem. (Fonte de Paz. Em torno do livro Espírita. Espírito Emmanuel. Autores diversos).

            O livro edificante é o templo do espírito, onde os grandes instrutores do passado se comunicam com os aprendizes do presente, para que se façam os Mestres do futuro. (Encontros no tempo. Nina Arueira. Psicografado por Chico Xavier)

            Qual a importância do Livro Espírita no contexto doutrinário do Espiritismo?

         O livro espírita é sempre um amigo disponível para dialogar conosco, ensinando-nos o melhor caminho para a aquisição da paz e da felicidade que aspiramos a encontrar. (Entender conversando. Questão 176. Espírito Emmanuel. Chico Xavier).

         O papel do livro é o do mestre silencioso e quase onipresente, determinando a renovação do mundo.

            (...)Dele procede a maioria dos movimentos humanos de elevação ou decadência e, de maneira invariável, segue a romagem da criatura, desde a aurora da evolução intelectual.

             Escrito em pedras e papiros, em pergaminhos, em tabuinhas enceradas, em placas de metal e em panos, até o império glorioso da imprensa moderna, controla os pensamentos da Humanidade, através de todas as épocas.

            Egípcios e hindus, israelitas e assírios, persas e gregos, cartagineses e romanos, nele encontram grande potenciador do progresso, incubando sementeira de paz e guerra, erguendo monumentos científicos e disseminando discussões filosóficas, construindo escolas e templos, oficinas e tribunais. (Mentores e seareiros. Em torno do livro. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            O escritor de determinada obra será julgado pelos efeitos produzidos pelo seu labor intelectual na Terra?

         -O livro é igualmente como a semeadura. O escritor correto, sincero e bem intencionado é o lavrador previdente que alcançará a colheita abundante e a elevada retribuição das leis divinas à sua atividade. O literato fútil, amigo da insignificância e da vaidade, é bem aquele trabalhador preguiçoso e nulo que “semeia ventos para colher tempestades”. E o homem de inteligência que vende a sua pena, a sua opinião e o seu pensamento no mercado da calúnia, do interesse, da ambição e da maldade, é o agricultor criminoso que humilha as possibilidades generosas da Terra, que rouba os vizinhos, que não planta e não permite o desenvolvimento da semeadura alheia, cultivando espinhos e agravando responsabilidades pelas quais responderá um dia, quando houver despido a indumentária do mundo, para comparecer ante as verdades do Infinito. (O Consolador. Questão 209. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

         Muitos homens de cérebro transviado escrevem maus livros, inclinando a alma do mundo ao desespero e à ironia, ao desânimo e à crueldade, mas, as páginas dessa natureza são apressadamente esquecidas, porque o livro é realmente uma dádiva de Deus à Humanidade para que os grandes instrutores possam clarear o nosso caminho, conversando conosco, acima dos séculos e das civilizações.

         É pelo livro que recebemos o ensinamento e a orientação, o reajuste mental e a renovação interior.

            Dificilmente poderíamos conquistar a felicidade sem a boa leitura. O próprio Jesus, a fim de permanecer conosco, legou-nos o Evangelho de Amor, que é, sem dúvida, o Livro Divino em cujas lições podemos encontrar a libertação de todo o mal. (Pai Nosso. Espírito Meimei. A história do livro. Psicografado por Chico Xavier).

         Que seria do mundo sem a bênção do livro? Existiria, acaso, qualquer civilização sem ele?

             Veículo do pensamento, confia-nos a luz espiritual dos grandes orientadores do passado.

             Graças a ele, Hermes e Moisés, Sócrates e Platão acham-se vivos na Terra, com a mesma sabedoria e com a mesma sublimidade do momento remoto em que passaram entre os homens.

             Reporta-se você, muitas vezes, ao necessário movimento da piedade cristã; contudo, que seria do Cristianismo sem o Evangelho registrado em caracteres de forma?

                 Realmente, o nosso Divino Mestre, segundo recorda a sua palavra conselheiral, não escreveu qualquer pergaminho destinado à posteridade; no entanto, não parece haver desconhecido o valor do ensinamento repetido e multiplicado.  Não foi o próprio Jesus que recomendou, certa vez, aos aprendizes: “Ide e pregai o Evangelho a todas as nações”?

            (...)É pelo concurso do livro que o Senhor e seus continuadores diretos se comunicam com os discípulos contemporâneos.

             Através dos serviços gráficos, recebemos as interpretações renovadoras do ensinamento cristão para todos os climas culturais da atualidade.  E não fosse a cooperação do livro, que seria da religião, da ciência, da filosofia, da política, da técnica industrial, da arte e da socialização?

             O posto da caridade que alimenta e agasalha é, indubitavelmente, sublime; mas sem a colaboração direta e eficiente da escola que educa e aperfeiçoa, pode converter-se em tutela da ociosidade e do vício. (Irmãos unidos. Em louvor do livro. Irmão X. Psicografado por Chico Xavier)

        

 

 Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Item 59. Allan Kardec.

Obras Póstumas. 8. O verbo se fez carne. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 4, item 6. Cap. 12, item 12. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Segunda parte. Cap. 29. Allan Kardec.

-  Revista Espírita. Novembro de 1865. O Patriarca José e o Vidente de Zimmerwald. Allan Kardec.

- O Consolador. Questões: 209, 267, 269, 275, 276, 281, 282 . Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- A caminho da luz. Cap. 7. O Judaísmo e o Cristianismo. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Coletânea do Além. O velho e o novo testamento. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Entender conversando. Questão 176 e 182. Espírito Emmanuel. Chico Xavier.

- Relatos da vida. O livro, dádiva do céu. Irmão X. Psicografado por Chico Xavier.

- Diálogo dos vivos. Espírito Emmanuel. Chico Xavier/ J. Herculano Pires.

- Fonte de Paz. Em torno do livro Espírita. Espírito Emmanuel. Autores diversos.

- Encontros no tempo. Nina Arueira. Psicografado por Chico Xavier.

- Mentores e seareiros. Em torno do livro. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Pai Nosso. Espírito Meimei. A história do livro. Psicografado por Chico Xavier.

- Irmãos unidos. Em louvor do livro. Irmão X. Psicografado por Chico Xavier.

- Parábolas e ensinos de Jesus. O batismo de Jesus e o batismo das igrejas. Cairbar Schutel.

-  Cristianismo e Espiritismo. Nota 2: Sobre a origem dos Evangelhos. León Denis.

- As leis morais. Cap. 22. Rodolfo Calligaris.

- A Bíblia a moda da casa. Paulo da Silva Neto Sobrinho.

- Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita. Roteiro 5 - Interpretação de textos evangélicos. Marta Antunes de Oliveira de Moura.

- Visão Espírita da Bíblia. 4 - Coisas Terríveis e ingênuas figuram nos livros bíblicos. -  O Livro dos Espíritos como sequência natural da Bíblia.  J. Herculano Pires.

-  BíBlia: João 6:38;  7:16; 12:49 e 50.

-  Site: https://pt.wikipedia.org/?title=B%C3%ADblia. Data de consulta: 30-08-16.