Aula 95 - Parábola dos trabalhadores da última hora *

Ciclo 2 - História:  A  Parábola dos trabalhadores e das diversas horas do dia Atividade: ESE - Cap. 20 - 1 - Os últimos serão os primeiros.   

Ciclo 3 - História:  Parábola dos trabalhadores da última hora -  Atividade: ESE - Cap. 20 - 2 - Missão dos Espíritas ou/e 3 - Os obreiros do Senhor.       

  

Dinâmica: Trabalhadores da vinha .

Sugestão de livro infantil: Coleção Parábolas e Ensinamentos de Jesus –  Os trabalhadores da vinha. Guilherme M. dos Santos. Editora Bicho Esperto.


 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 20


20.1 Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que saiu de madrugada a assalariar trabalhadores para a sua vinha.


20.2 E, ajustando com os trabalhadores a um dinheiro por dia, mandou-os para a sua vinha.


20.3 E, saindo perto da hora terceira, viu outros que estavam ociosos na praça,


20.4 E disse-lhes: Ide vós também para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.


20.5 Saindo outra vez, perto da hora sexta e nona, fez o mesmo.


20.6 E, saindo perto da hora undécima, encontrou outros que estavam ociosos, e perguntou- lhes: Por que estais ociosos todo o dia?


20.7 Disseram-lhe eles: Porque ninguém nos assalariou. Diz-lhes ele: Ide vós também para a vinha, e recebereis o que for justo.


20.8 E, aproximando-se a noite, diz o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o jornal, começando pelos derradeiros, até aos primeiros.


20.9 E, chegando os que tinham ido perto da hora undécima, receberam um dinheiro cada um.


20.10 Vindo, porém, os primeiros, cuidaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um dinheiro cada um.


20.11 E, recebendo-o, murmuravam contra o pai de família,


20.12 Dizendo: Estes derradeiros trabalharam só uma hora, e tu os igualaste conosco, que suportamos a fadiga e a calma do dia.


20.13 Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro?


20.14 Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti.


20.15 Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?


20.16 Assim os derradeiros serão primeiros, e os primeiros derradeiros; porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.



Tópicos a serem abordados:

- A primeira vista, a parábola dos trabalhadores da última hora, pode parecer uma situação injusta.  Parece que os operários queixosos tinham razão de reclamar contra o dono da vinha, pois eles trabalharam mais tempo que os últimos, que só tiveram uma hora de serviço. No entanto, os operários não tinham direito de reclamação, porque estavam recebendo o salário combinado na praça com seu patrão. O senhor da vinha havia prometido pagar um denário e cumpriu sua palavra.

-  Para compreendermos melhor esta parábola devemos entender que o pai de família é comparado a Deus, a vinha ao universo, os trabalhadores aos seres humanos, o trabalho na vinha ao trabalho do bem, as horas qualquer período de tempo, e o salário a felicidade (1).

- Não houve nenhuma injustiça da parte do proprietário da vinha. Ele quis pagar támbém um denário, isto é, o salário justo, aos trabalhadores de última hora, certamente porque viu que o serviço feito por estes, nessa única hora, foi feito com boa vontade, amor e cuidado. Ele  considerou, não o tempo, mas, a qualidade do serviço feito.

- A igualdade dos “pagamentos” que cada trabalhador de boa-vontade recebe reflete a bondade divina, que valoriza tudo aquilo que venhamos a fazer na obra do bem.

- Há trabalhadores cuidadosos e de boa vontade, que, devotando-se de corpo e alma às tarefas que lhes são confiadas, produzem mais e melhor, em menos tempo que o comum, assim como há os mercenários, os que trabalham apenas pelo dinheiro, os que se mexem somente quando são vigiados, cuja produção, evidentemente, é muito menor que a dos primeiros.

- Portanto, o trabalhador da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que a sua boa vontade o haja conservado à disposição daquele que o tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má-vontade.

- Os trabalhadores da primeira hora representam os espíritos que possuem maior número de encarnações, mas que não souberam aproveitá-las, perdendo as oportunidades que lhes foram concedidas para se regenerarem e progredirem.

- Os trabalhadores contratados posteriormente simbolizam os espíritos que foram gerados há menos tempo, mas que, fazendo melhor uso do livre-arbítrio, caminhando em Linha reta, sem se perderem por atalhos e desvios, alcançaram em apenas algumas existências o progresso que outros demoraram a realizar.

- Assim se explica porque “os primeiros poderão ser dos últimos e os últimos serem os primeiros” a ganhar o reino dos céus. E como o número dos preguiçosos costuma ser maior do que o dos trabalhadores de boa vontade, resulta serem muitos os chamados e poucos os escolhidos.

- Todos nós somos chamados a trabalhar na vinha, portanto, devemos empregar  bem o nosso tempo e cumprir a tarefa que nos foi confiada.  Felizes serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro objetivo, senão a caridade!

 

Comentário (1): site: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/verdade-e-luz/os-trabalhadores-da-ultima.html. Data da consulta: 28-07-16.

 

Perguntas para fixação:

1. Os trabalhadores tinham razão em reclamar contra o dono da vinha?

2. Quem simboliza o pai de família na parábola?

3. O que representa o trabalho na vinha ?

4. E o que representa o salário que receberam?

5. Que tipo de trabalho Deus nos chama pra realizar?

6. Por que os últimos trabalhadores receberam o mesmo salário do que os primeiros?

7. Quem são os trabalhadores da última hora?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

           À primeira vista, pode parecer que Jesus, nesta parábola, esteja consagrando a arbitrariedade e a injustiça.

            De fato, não seria falta de equidade pagar o mesmo salário, tanto aos que trabalham doze horas, como aos que trabalham dois terços, a metade, um

terço, ou apenas um duodécimo da jornada?

            Sê-lo-ia, efetivamente, se todos os trabalhadores tivessem a mesma capacidade e eficiência. Tal, porém, não é o que se verifica. Há operários diligentes, de boa vontade, que, devotando-se de corpo e alma às tarefas que lhes são confiadas, produzem mais e melhor, em menos tempo que o comum, assim como há os mercenários, os que não têm amor ao trabalho, os que se mexem somente quando são vigiados, os que estão de olhos pregados no relógio, pressurosos de que passe o dia, cuja produção, evidentemente, é muito menor que a dos primeiros.

            Uma vez, pois, que o mérito de cada obreiro seja aferido, não pelas horas de serviço, mas pela produção, que interessa ao dono do negócio saber se, para dar o mesmo rendimento, um precisa de doze horas, outro de nove, outro de seis, outro de três e outro de uma?

            Malgrado a diversidade das horas de trabalho, a remuneração igual, aqui, é de inteira justiça. (Parábolas Evangélicas. Cap. 7. Rodolfo Calligaris).

            Não houve nenhuma injustiça da parte do proprietário da vinha. Ele quis pagar támbém um denário, isto é, o salário justo, aos trabalhadores de última hora, certamente porque viu que o serviço feito por estes, nessa única hora, foi feito com boa vontade, amor e cuidado. Ele considerou, não o tempo, mas, a qualidade do serviço feito.

            Assim é a Justiça Divina, filhinho. Ela nos recompensará, um dia, na Eternidade, pelo trabalho que fizermos em favor do Reino de Jesus na Terra. A recompensa, porém, será dada, não em consideração ao número de horas de nosso serviço, nem à quantidade do mesmo. Não, meu filho, Deus não olhará o lado exterior, visível, nem o volume de nossas obras. Deus nos julgará pela qualidade de nosso trabalho, pela sinceridade de nossos atos, pela nossa boa vontade no auxílio aos outros, pelo amor, cuidado e dedicação com que cumprirmos nossas tarefas. Deus olha a qualidade de nosso trabalho e não as horas de nosso serviço. A Justiça Divina considera nosso coração e nosso caráter, e não nosso relógio e nossa balança. (Histórias que Jesus contou. Cap. 13. Clóvis Tavares)

            As condições essenciais para os trabalhadores são: a constância, o desinteresse, a boa vontade e o esforço que azem no trabalho que assumiram. Os bons trabalhadores e distinguem por estes característicos.

            O mercenário trabalha pelo dinheiro; seu único fito, sua única aspiração é receber o salário.

            O verdadeiro operário, o artista, trabalha por amor à Arte. Assim é em todas as ramificações dos conhecimentos humanos: há os escravos do dinheiro e há o operário do progresso. Na lavoura, na indústria, como nas Artes e Ciências, destacam-se sempre o operário e o mercenário.

            O materialismo, a materialidade, a ganância do ouro arranjaram, na época em que nos achamos, mais escravos do que a Vinha arranjou mais obreiros. Por isso, grande é a seara e poucos são os trabalhadores!

            Na Parábola, pelo que se depreende, não se faz questão da quantidade do trabalho, mas sim da qualidade, e, ainda mais, da permanência do obreiro até o fim. Os que trabalharam na Vinha, desde a manhã até à noite, não mereceram maior salário que os que trabalharam uma única hora, dada a qualidade do trabalho.

            Os que chegaram por último, se tivessem sido chamados à hora terceira teriam feito, sem dúvida, o quádruplo do que fizeram aqueles que a essa hora foram para o serviço. Daí a lembrança do Proprietário da Vinha de pagar primeiramente os que fizeram aparecer melhor o serviço e mais desinteressadamente se prestaram ao trabalho para o qual foram chamados. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola dos trabalhadores da vinha. Cairbar Schutel)

            O obreiro da última hora tem direito ao salário, mas é preciso que a sua boa vontade o haja conservado à disposição daquele que o tinha de empregar e que o seu retardamento não seja fruto da preguiça ou da má-vontade. Tem ele direito ao salário, porque desde a alvorada esperava com impaciência aquele que por fim o chamaria para o trabalho.

            Laborioso, apenas lhe faltava o labor.

            Se, porém, se houvesse negado ao trabalho a qualquer hora do dia; se houvesse dito: "tenhamos paciência, o repouso me é agradável; quando soar a última hora é que será tempo de pensar no salário do dia; que necessidade tenho de me incomodar por um patrão a quem não conheço e não estimo! quanto mais tarde, melhor"; esse tal, meus amigos, não teria tido o salário do obreiro, mas o da preguiça.

            Que dizer, então, daquele que, em vez de apenas se conservar inativo, haja empregado as horas destinadas ao labor do dia em praticar atos culposos; que haja blasfemado de Deus, derramado o sangue de seus irmãos, lançado a perturbação nas famílias, arruinado os que nele confiaram, abusado da inocência, que, enfim, se haja cevado em todas as ignominias da Humanidade? Que será desse? Bastar-lhe-á dizer à última hora: Senhor, empreguei mal o meu tempo; toma-me até ao fim do dia, para que eu execute um pouco, embora bem pouco, da minha tarefa, e dá-me o salário do trabalhador de boa vontade? Não, não; o Senhor lhe dirá: "Não tenho presentemente trabalho para te dar; malbarataste o teu tempo; esqueceste o que havias aprendido; já não sabes trabalhar na minha vinha. Recomeça, portanto, a aprender, quando te achares mais bem disposto, vem ter comigo e eu te franquearei o meu vasto campo, onde poderás trabalhar a qualquer hora do dia. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 20. Item 2. Constantino, Espírito Protetor. Bordéus, 1863. Allan Kardec)

            Transportando-se esta parábola para o campo da espiritualidade, o ensino não se perde; pelo contrário, destaca-se ainda mais. O pai de família é Deus; a vinha somos nós, a Humanidade; e o trabalho, a aquisição das virtudes que devem enobrecer nossas almas.

            Para realizar esse desiderato, uns precisam de menos tempo, outros de mais, conforme cumpram, bem ou mal, os seus deveres.

            O prêmio, entretanto, é um só: a alegria, o gozo espiritual decorrente da própria evolução alcançada.

            Neste texto evangélico confirma-se, ainda que de forma velada, a doutrina reencarnacionista.

            Os trabalhadores da primeira hora são os espíritos que contam com maior número de encarnações, mas que não souberam aproveitá-las, perdendo as oportunidades que lhes foram concedidas para se regenerarem e progredirem.

            Os trabalhadores contratados posteriormente simbolizam os espíritos que foram gerados há menos tempo, mas que, fazendo melhor uso do livre-arbítrio, caminhando em Linha reta, sem se perderem por atalhos e desvios, lograram em apenas algumas existências o progresso que outros tardaram a realizar.

            Assim se explica porque “os primeiros poderão ser dos últimos e os últimos serem os primeiros” a ganhar o reino dos céus.

            Esta interessante parábola constitui, ainda, um cântico de esperança para todos. Por ela, Jesus nos ensina que qualquer tempo é oportuno para cuidarmos do aperfeiçoamento de nossas almas, e, quer nos encontremos nos albores da existência, quer estejamos, já, beirando a velhice, desde que aceitemos, com boa disposição, o convite para o trabalho, haveremos de fazer jus ao salário divino.(Parábolas Evangélicas. Cap. 7. Rodolfo Calligaris).

          Na época em que Jesus pregou a sua doutrina, o orgulho dos que formavam as camadas superiores dos Judeus erguia alta barreira entre estes e todos os que não se achavam submetidos à lei de Moisés. Eles se consideravam privilegiados, crendo-se os únicos merecedores das graças do Senhor, por terem nascido Hebreus e não Gentios ou pagãos.

            Cumpria abater aquele senti­mento nuns, e, do mesmo passo, animar os esforços dos outros.

            Era mister encher de esperança e coragem os pecadores que se arrependiam. Foi objetivando esse resultado que Jesus disse: “Assim, os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros, pois que muitos são os chamados e poucos os escolhidos”.

            O divino Mestre houvera podido explicar pela reen­carnação as diferenças no número das horas de trabalho dos obreiros e a igualdade dos salários, das recompensas. Mostraria então que os trabalhadores da primeira hora, os que foram em primeiro lugar assalariados, se conservaram estacionários em muitas existências, ao passo que os da última hora trabalharam com zelo e atividade pelo seu adiantamento. Assim, no fim do dia, chamados uns e outros a receber o salário, as recompensas, pelo trabalho feito, isto é, pela soma de progresso realizado, as pagas tiveram que ser iguais, porqüanto, tendo todos produzido a mesma soma de trabalho, todos tinham di­reito ao mesmo salário, à mesma recompensa.

            Mas, como ainda não chegara o tempo de ser con­venientemente aceita essa explicação, única verdadeira, a soma do trabalho executado por cada um dos trabalhadores foi conservada na obscuridade.

            Mostrou desse modo Jesus aos Judeus que a questão é de cultos, nem de nacionalidades, e sim de traba­lho por adquirir merecimento, e cuidou de encorajar os que, tendo adquirido tardiamente o conhecimento das verdades evangélicas, temessem não lhes assistir direito às recompensas prometidas aos que adquirissem esse conhecimento desde a primeira hora.

            Trabalhadores, que somos, da última hora, não de­vemos, pois, hesitar em compreender a tarefa a que nos convida o Senhor, certos de que Ele não considerará o tempo que houvermos gasto em desempenhá-la e sim o zelo e a boa-vontade de que dermos prova.

            Os primeiros que entraram no carreiro, chamados ao conhecimento da verdadeira lei, que é a lei de justiça, amor e caridade pregada por Jesus, serão os últimos a chegar ao fim, se, em vez de seguirem a linha reta, enveredarem pelos atalhos tortuosos. Ao contrário, os que, começando por último, caminharem sempre esforçadamente para a frente, chegarão sem delongas ao fim, serão os primeiros a chegar e serão escolhidos em pri­meiro lugar, ainda que sejam dos últimos na ordem da criação, dos últimos, portanto, chamados. Como o número dos retardatários costuma ser maior do que o dos dili­gentes, resulta serem muitos os chamados e poucos os escolhidos. (Elucidações Evangélicas. Cap. 130. Antônio Luiz Sayão).

            Esta Parábola, em parte, dirige-se muito bem aos espíritas. Quantos deles por ar andam, sem estudo, sem prática, sem orientação, fazendo obra contraproducente e ao mesmo tempo abandonando seus interesses pessoais seus deveres de família, seus deveres de sociedade!

            Na Seara chega-se a encontrar até os vendilhões que apregoam sua mercadoria pelos jornais como o mercador na praça pública, sempre visando bastardos Interesses. Ora são médiuns mistificadores que exploram a saúde pública; ora são “gênios” capazes de abalar os céus para satisfazerem a curiosidade dos ignorantes. Enfim são muitos os que trabalham, mas poucos os que ajuntam, edificam, tratam, como devem, a Vinha que foi confiada à sua ação.

            Há uma outra ordem de espíritas que nenhum proveito tem dado ao Espiritismo. Encerram-se entre quatro paredes, não estudam, não lêem, e passam a vida a doutrinar espíritos.

            Não há; dúvida de que trabalham estes obreiros; mas, pode-se comparar a sua obra com a dos que se expõem ao ridículo, ao ódio, à injúria, à calúnia, no largo campo da propaganda? Podem-se comparar os enclausurados numa sala, fazendo trabalhos secretos e às mais das vezes improfícuos, com os que sustentam, aqui fora, renhida luta e se batem, a peito descoberto, pelo triunfo da causa que desposaram?

            Finalmente, a Parábola conclui com a lição sobre os olhos maus: os invejosos que cuidam mais de si próprios que da coletividade; os personalistas, os egoístas que vêem sempre mal as graças de Deus em seus semelhantes, e a querem todas para si. Na História do Cristianismo realça a Parábola da Vinha com os característicos dos seus obreiros. “O que era é o que é”, diz o Eclesiastes; e o que se passou é o que se está passando agora com a Revelação Complementar do Cristo. Há os chamados pela madrugada, há os que chegaram à hora terceira, à hora sexta, à nona e à undécima. Na verdade estamos na hora undécima e os que ouvirem o apelo e souberem trabalhar como os da hora undécima de outrora, serão os primeiros a receber o salário, porque agora como então, o pagamento começará pelos últimos.

            Ai dos que clamarem contra a vontade do Senhor da Vinha! Ai dos malandros, dos mercenários, dos inscientes!. (Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola dos trabalhadores da vinha. Cairbar Schutel)

            Pergunta. - Se, entre os chamados para o Espiritismo, muitos se transviaram, quais os sinais pelos quais reconheceremos os que se acham no bom caminho?

            Resposta. - Reconhecê-los-eis pelos princípios da verdadeira caridade que eles  ensinarão e praticarão. Reconhecê-los-eis pelo número de aflitos a que levem consolo; reconhecê-los-eis pelo seu amor ao próximo, pela sua abnegação, pelo seu desinteresse pessoal; reconhecê-los-eis, finalmente, pelo triunfo de seus princípios, porque Deus quer o triunfo de Sua lei; os que seguem Sua lei, esses são os escolhidos e Ele lhes dará a vitória; mas Ele destruirá aqueles que falseiam o espírito dessa lei e fazem dela degrau para contentar sua vaidade e sua ambição. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 20. Item 4.  Erasto, anjo da guarda do médium. Paris, 1863. Allan Kardec)

            Bons espíritas, meus bem-amados, sois todos obreiros da última hora. Bem orgulhoso seria aquele que dissesse: Comecei o trabalho ao alvorecer do dia e só o terminarei ao anoitecer. Todos viestes quando fostes chamados, um pouco mais cedo, um pouco mais tarde, para a encarnação cujos grilhões arrastais; mas há quantos séculos e séculos o Senhor vos chamava para a sua vinha, sem que quisésseis penetrar nela! Eis-vos no momento de embolsar o salário; empregai bem a hora que vos resta e não esqueçais nunca que a vossa existência, por longa que vos pareça, mais não é do que um instante fugitivo na imensidade dos tempos que formam para vós a eternidade. - (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 20. Item 2. Constantino, Espírito Protetor. Bordéus, 1863. Allan Kardec)

            O Espírito de Santo Agostinho nos recomenda: ''(...) Vamos, à obra, filhos! Quer Deus que todos vós trabalheis. Semeai, semeai, e um dia colhereis com abundância.

            (...) Filhos! essa vinha esplêndida que deve erguer-se para Deus é o Espiritismo. Adeptos fervorosos: é preciso mostrá-la poderosa e forte; e vós, crianças, é necessário que ajudeis os fortes a mantê-la e a propagá-la. Cortai os brotos e plantai-os em outro campo; eles produzirão novas vinhas e outros brotos em todos os países do mundo.

            Sim, eu vo-lo digo: enfim, todo o mundo beberá do suco da videira, e o bebereis no reino do Cristo, com o Pai celeste! Sede, pois, saudáveis e dispostos e não leveis uma vida austera. Deus não vos pede que vivais em austeridade e privações; não pede que vos cubrais com o cilício: quer apenas que vivais conforme a caridade e o coração. Ele não quer mortificações que destroem o corpo; quer que cada um se aqueça ao seu sol e, se fez raios mais frios que outros, foi para dar a compreender a todos quanto é forte e poderoso. Não; não vos cubrais com cilício; não fustigueis vossa carne aos golpes da disciplina. Para trabalhar na vinha é preciso ser robusto e poderoso; o homem deve ter o vigor que Deus lhe deu. Ele não criou a Humanidade para a transformar em raça bastarda e macilenta; ele a fez como manifesto de sua glória e de seu poder.

            Vós que quereis viver a verdadeira vida, estais nos caminhos do Senhor quando tiverdes dado o pão aos infelizes, o óbolo aos sofredores e a vossa prece a Deus. Então, quando a morte vos fechar as pálpebras, o anjo do Senhor proclamará os vossos benefícios e vossa alma, transportada nas brancas asas da caridade, subirá para Deus tão bela e tão pura quanto um lírio a desabrochar pela manhã sob um sol primaveril.

            Orai, amai e fazei a caridade, meus irmãos. A vinha é grande, o campo do Senhor é grande. Vinde, vinde: Deus e o Cristo vos chamam e eu vos abençoo.'' (Revista Espírita. Março de 1862. A vinha do Senhor. Allan Kardec)

            Aproxima-se o tempo em que se cumprirão as coisas anunciadas para a transformação da Humanidade. Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor, com desinteresse e sem outro móvel, senão a caridade! Seus dias de trabalho serão pagos pelo cêntuplo do que tiverem esperado. Ditosos os que hajam dito a seus irmãos: "Trabalhemos juntos e unamos os nossos esforços, a fim de que o Senhor, ao chegar, encontre acabada a obra", porquanto o Senhor lhes dirá: "Vinde a mim, vós que sois bons servidores, vós que soubestes impor silêncio aos vossos ciúmes e às vossas discórdias, a fim de que daí não viesse dano para a obra!" Mas, ai daqueles que, por efeito das suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, pois a tempestade virá e eles serão levados no turbilhão!  Clamarão: "Graça! graça!" O Senhor, porém, lhes dirá: "Como implorais graças, vós que não tivestes piedade dos vossos irmãos e que vos negastes a estender-lhes as mãos, que esmagastes o fraco, em vez de o amparardes? Como suplicais graças, vós que buscastes a vossa recompensa nos gozos da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebestes a vossa recompensa, tal qual a quisestes. Nada mais vos cabe pedir; as recompensas celestes são para os que não tenham buscado as recompensas da Terra." Deus procede, neste momento, ao censo dos seus servidores fiéis e já marcou com o dedo aqueles cujo devotamento é apenas aparente, a fim de que não usurpem o salário dos servidores animosos, pois aos que não recuarem diante de suas tarefas é que ele vai confiar os postos mais difíceis na grande obra da regeneração pelo Espiritismo. Cumprir-se-ão estas palavras: "Os primeiros serão os últimos e os últimos serão os primeiros no reino dos céus." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 20. Item 5. O Espírito de Verdade.Paris, 1862. Allan Kardec)

            Como aprendizes do Evangelho, portanto, cumpre-nos indagar à própria consciência: — Que tenho executado na vida como aplicação das bênçãos de Deus?

             Não nos esqueçamos, segundo a lição do Senhor, que somente as obras que fizermos, em nome do Pai, é que serão marcos indeléveis de nosso caminho, a testificarem de nós. (Livro: O Espírito da Verdade. Marcos indeléveis. Espírito Emmanuel. Chico Xavier e Waldo Vieira)

 

           

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 20. Item 2 , 4 e 5. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Março de 1862. A vinha do Senhor. Allan Kardec.

- Parábolas Evangélicas. Cap. 7. Rodolfo Calligaris.

- Histórias que Jesus contou. Cap. 13. Clóvis Tavares.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Parábola dos trabalhadores da vinha. Cairbar Schutel.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 130. Antônio Luiz Sayão.

- Livro: O Espírito da Verdade. Marcos indeléveis. Espírito Emmanuel. Chico Xavier e Waldo Vieira.