Aula 133 - Mercadores expulsos do templo *

Ciclo 2 - História: A purificação do templo - Atividade:  ESE - Cap. 26 - 1. Dom de curar  ou/e 3. Mercadores expulsos do templo.

Ciclo 3 - História: Os mercadores expulsos do templo  - Atividade: PH - Jesus - 91 - Mediunidade gratuita ou/e 92 - Mercadores expulsos do templo.

 

Dinâmica: Mercadores expulsos do templo.

Mensagens espíritas: Mercadores expulsos do templo.

Sugestão de vídeos:

- História: A purificação do templo (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil:

- Fábulas Clássicas: A Rãnzinha malandra. Adaptação Milton Berger. Editora DCL.

Leitura da Bíblia: Marcos - Capítulo 11 (Mateus 21:12,13)


11.15E vieram a Jerusalém; e Jesus, entrando no templo, começou a expulsar os que vendiam e compravam no templo; e derrubou as mesas dos cambiadores e as cadeiras dos que vendiam pombas.


11.16 E não consentia que alguém levasse algum vaso (*) pelo templo.


11.17 E os ensinava, dizendo: Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões.


11.18 E os escribas e príncipes dos sacerdotes, tendo ouvido isto, buscavam ocasião para o matar; pois eles o temiam, porque toda a multidão estava admirada acerca da sua doutrina.


(*) Vasos -A definição dos vários termos hebraicos que descrevem vasos não é usualmente possível. Muitos receptáculos, embora diferentemente denominados, poderiam servir para o mesmo propósito (1Sm 2.14). (...) Os termos discriminados abaixo parece que descreviam exclusivamente vasos de metal, a maioria deles empregados no tabernáculo e no templo: 1. Heb., 'agartal (Ed 1.9), uma tigela grande; 2. gulah (Zc 4.2; cf. 1 Rs 7.40), uma tigela redonda para conter o azeite em uma lâmpada (v. JAQUIM e BOAZ), em (Ec 12.6) talvez uma lâmpada dependurada; 3. kaf (Nm 7.14), um prato aberto e razo para conter incenso; 4. kefor (1 Cr 28.17), uma tigela pequena; 5. menaqiyah (Êx 25.29), a taça de ouro usada para derramar as libações; 6. merqahah (Jó 41.31), um jarro de misturar do perfumista, possivelmente de cerâmica; 7. mizraq (Êx 27.3), uma bacia grande, usada no altar das ofertas queimadas, provavelmente para apanhar o sangue, e igualmente uma grande taça de banquete (Am 6.6); 8. tsintsenet (Êx 16.33), a jarra de ouro em que foi conservado o espécime do maná (cf. Hb 9.14); 9. cfarah (Êx 25.29; Nm7.13), um prato; 10. qaswah (Êx 25.29), a bilha de ouro que continha vinho para libações. Quanto aos vocábulos hebraicos, dud, sír e qalahat, traduzidas por "caldeirão", v. CERÂMICA; em (Jó 41.20), o termo hebraico 'agmon não significa "caldeirão", mas possivelmente "vimes" (cf. Is 58.5, onde 'agmon é traduzido por "junco"). O termo grego chalkion (Mc 7.4) é simplesmente qualquer vaso de bronze. Os termos hebraico keli, aramaico ma'n, e grego skeuos, são vocábulos gerais para designar utensílios, equipamento (1 Sm 8.12; At 9.15), pelo que também, em muitos contextos, indicam vasos tanto reais (1Sm 9.7; Jo 19.29) como em sentido metafórico (1Pe3.7). (Novo dicionário da Bíblia. Vasos. Pág. 1369. J. D. Douglas)

 

Lucas - Capítulo 20 (Marcos 12:38-40; Mateus 23:14)


20.45 Estando todo o povo a ouvi-lo, Jesus disse aos seus discípulos:


20.46Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais e gostam muito de receber saudações nas praças e de ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes.


20.47 Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses homens serão punidos com maior rigor!


 

Mateus - Capítulo 10


10.8 Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos (**), expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.


(**) Jesus se refere à possibilidade de ressuscitar os mortos, despertando todos aqueles que se cadaverizam no erro, havendo perdido contato com a existência, por estarem  mergulhados nas sombras da ignorância e da criminalidade, nas quais exaurem as forças vitais e entram em decomposição moral... Por outro lado, pode-se entender também aqueles que foram vítimas da morte aparente pela letargia ou catalepsia, à Sua época consideradas como término da existência física. (Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 34. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco)

 

Tópicos a serem abordados:

- Jerusalém sempre foi a grande cidade da Palestina,  centro do poder e da religião hebraica. Salomão fez de Jerusalém o centro da civilização da Ásia Ocidental, onde construiu o grande templo (no século Xa.C.),  que ao longo do tempo, foi destruído pelos babilônicos (no ano 587 a.C.),  reconstruido e destruído novamente pelos romanos (no ano 70 d. C), permanecendo apenas o muro das lamentações (1).

- Na época de Jesus,  Jerusalém exercia forte controle sobre a economia de todo o país e o templo tinha um papel central: coletava impostos, continha o tesouro, administrado pelos sacerdotes e era um grande centro comercial. Os Judeus, como se sabe, resgatavam suas faltas por meio do sacrifício de animais  e os mercadores lhes forneciam as vítimas, os vasos com perfumes e outros utensílios para oferenda, que eram trazidos para o templo e aí vendidos. Depois, o negócio se ampliou e o templo, que era considerado a casa de Deus, se tornou sede de toda sorte de transações comerciais.

- Os judeus  vinham de muitas terras e cidades para o templo em Jerusalém, trazendo moedas dos lugares onde moravam. Assim sendo, eles precisavam usar uma moeda aceitável para pagar o imposto anual do templo, comprar animais para sacrifícios e fazer outras ofertas voluntárias. Então, cobrando uma taxa, os cambistas trocavam as moedas de diferentes lugares e valores pela moeda exigida. Quando chegava a época das festividades, esses cambistas montavam bancas no templo.  O fato de Jesus ter acusado os cambistas de fazer do templo “um covil de salteadores” indica que as taxas que eles cobravam por seus serviços eram exorbitantes.

- O Templo de Jerusalém não tinha mais nenhum aspecto religioso quando Jesus exerceu naquela cidade a sua missão: eram mesas de cambistas, cadeiras dos que vendiam pombas, ovelhas e bois. Então, para mostrar que aquele local destinava-se a oração e instrução, o Mestre  resolveu expulsar os mercadores do templo. Além disso, ao derrubar as mesas dos cambistas e dos vendedores de pombos,  Jesus quis mostrar que condenava  o tráfico das coisas santas sob qualquer forma, pois Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no reino dos céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço.

- No entanto , muitos não conseguiram compreender esta passagem,  a grande maioria confunde a atitude firme e enérgica de Jesus com um ato de violência. Firmeza e atitude enérgica não são gestos de violência, assim como, bondade não significa complacência. Ser bom não é passar a mão na cabeça de quem comete erros reiteradamente. Você ficaria de braços cruzados se presenciasse um crime, sabendo que poderia detê-lo? Isso não seria conivência? Não seria uma fraqueza de caráter? Ser enérgico  é uma virtude, não é defeito. Um pai, muitas vezes, tem que ser firme, até severo, com o seu filho, para que ele perceba que há limites. Foi o que Jesus fez (2).

- Em outras circunstâncias, Jesus também condenou a cobrança  pelas preces e pelo dom gratuito que recebemos de Deus: a mediunidade.  Ele disse para tomar cuidado com os escribas (religiosos), que a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas, isto é, roubam as suas fortunas. E fez a seguinte recomendação  para os seus apóstolos: "Curem os doentes, ressuscitem os mortos,  curem os leprosos e expulsem os espíritos maus. Dai gratuitamente o que gratuitamente recebestes", para ensinar que ninguém deve cobrar por aquilo que não adquiriu pelo estudo ou pelo dinheiro.

- A mediunidade não é uma profissão. A mediunidade  é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente.  Ela não existe sem a ajuda dos espíritos. Portanto, o médium curador que transmite o fluido salutar dos bons Espíritos, não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, são os maiores exemplos,  ainda que pobres, nada cobravam pelas preces e curas que realizavam. Sejamos como os apóstolos do Cristo. Quem realmente se dedica ao bem, e o faz com gratuidade, experimenta incomparável felicidade. Por outro lado,  aqueles que cobram pelas bênçãos divinas, perdem o auxílio dos bons Espíritos e sofrerão, no futuro, as consequências dos seus atos.

- Cultive bons sentimentos em seu coração. Faça o bem  sem exigir qualquer recompensa. O nosso coração é o verdadeiro local de adoração ao Senhor e deve ser puro, livre de quaisquer interesses inferiores. Saibam que tempo virá em que, praticando os homens a lei do amor, não mais eles adorarão o Pai nem no monte, nem em Jerusalém, mas em espírito e verdade, em que, por todas as nações, a Terra será chamada “casa de oração”.

Comentário (1): Site: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Muro_das_Lamenta%C3%A7%C3%B5es  (2): Site: https://www.espiritoimortal.com.br/jesus-e-a-polemica-expulsao-dos-mercadores-do-templo/ - Data de consulta: 05-10-20.

 

Perguntas para fixação:

1. Em que cidade foi construído o grande templo?

2. Quem foi o primeiro construtor do templo, que foi destruído duas vezes?

3. O que os judeus ofereciam no templo para pedir perdão pelos seus erros?

4. O que os cambistas faziam no templo?

5. Por que Jesus expulsou os mercadores do templo?

6. Pode-se dizer que quando Jesus derrubou a mesa dos cambistas e dos vendedores de pombos  foi  um ato de violência?

7. O que recebemos de graça de Deus e devemos dar de graça?

8. Por que não se pode tornar a mediunidade uma profissão, ou seja, um meio para ganhar dinheiro?

9. Onde está localizado o verdadeiro templo do Senhor?

10. Chegará o dia em que todas as nações não irão mais adorar a Deus em um templo de pedra?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            "Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido”, diz Jesus a seus discípulos. Com essa recomendação, prescreve que ninguém se faça pagar daquilo por que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos. Esse dom Deus lhes dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.26. Item 2. Allan Kardec )

            Disse também Jesus: não façais que vos paguem as vossas preces; não façais como os escribas que, “a pretexto de longas preces, devoram as casas das viúvas”, isto é, abocanham as fortunas. A prece é ato de caridade, é um arroubo do coração. Cobrar alguém que se dirija a Deus por outrem é transformar-se em intermediário assalariado. A prece, então, fica sendo uma fórmula, cujo comprimento se proporciona à soma que custe. Ora, uma de duas: Deus ou mede ou não mede as suas graças pelo número das palavras. Se estas forem necessárias em grande número, por que dizê-las poucas, ou quase nenhumas, por aquele que não pode pagar? E falta de caridade. Se uma só basta, é inútil dizê-las em excesso. Por que então cobrá-las? É prevaricação.

            Deus não vende os benefícios que concede. Como, pois, um que não é, sequer, o distribuidor deles, que não pode garantir a sua obtenção, cobraria um pedido que talvez nenhum resultado produza? Não é possível que Deus subordine um ato de clemência, de bondade ou de justiça, que da sua misericórdia se solicite, a uma soma em dinheiro. Do contrário, se a soma não fosse paga, ou fosse insuficiente, a justiça, a bondade e a clemência de Deus ficariam em suspenso. A razão, o bom senso e a lógica dizem ser impossível que Deus, a perfeição absoluta, delegue a criaturas imperfeitas o direito de estabelecer preço para a sua justiça. A justiça de Deus é como o Sol: existe para todos, para o pobre como para o rico. Pois que se considera imoral traficar com as graças de um soberano da Terra, poder-se-á ter por lícito o comércio com as do soberano do Universo?

            Ainda outro inconveniente apresentam as preces pagas: é que aquele que as compra se julga, as mais das vezes, dispensado de orar ele próprio, porquanto se considera quite, desde que deu o seu dinheiro. Sabe-se que os Espíritos se sentem tocados pelo fervor de quem por eles se interessa. Qual pode ser o fervor daquele que comete a terceiro o encargo de por ele orar, mediante paga? Qual o fervor desse terceiro, quando delega o seu mandato a outro, este a outro e assim por diante? Não será isso reduzir a eficácia da prece ao valor de uma moeda em curso? (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.26. Item 4. Allan Kardec)

            Jesus expulsou do templo os mercadores. Condenou assim o tráfico das coisas santas sob qualquer forma. Deus não vende a sua bênção, nem o seu perdão, nem a entrada no reino dos céus. Não tem, pois, o homem, o direito de lhes estipular preço. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.26. Item 6. Allan Kardec)

            Jerusalém foi sempre a grande cidade da Palestina,  centro do poder e da religião hebraica.

            Salomão fez de Jerusalém o centro da civilização da Ásia Ocidental, onde construiu o grande templo, memorável na História, cujo reinado tanto se salientou pela sabedoria de seu chefe, que atraía as pessoas mais eminentes de outros países que lá iam admirar as obras de arte, ao mesmo tempo que observar a "sabedoria de Salomão", entre estes, a Rainha de Sabá, que, maravilhada com tanta magnificência, chegou a dizer que o que vira em Salomão e em Jerusalém excedia muito às suas expectativas.

            Passados tempos, o Templo de Jerusalém foi incendiado e suas muralhas derribadas pelas hordas de Nabucodonosor, rei da Babilônia. Herodes, o Grande, tratou de embelezar novamente Jerusalém, e mandou edificar novo templo, num trabalho que levou 46 anos. (O Espírito do Cristianismo. Cap.32. Cairbar Schutel)

            O aparelho de Estado em Jerusalém exerce forte controle sobre a economia de todo o país.  (...) Nisso tudo, o Templo tem papel central:

            - Coleta de impostos, através da qual boa parte da produção do país volta para o Estado.

            - Comércio: para atenderá necessidade dos peregrinos e, principalmente, para manter o sistema de sacrifícios e ofertas do próprio Templo.

            - O Tesouro do Templo, administrado pelos sacerdotes, é o tesouro do Estado.

            Além de toda essa centralização econômica, o Templo emprega mão-de-obra qualificada, principalmente artesãos.

            Assim, o Templo se torna o grande centro de exploração e dominação do povo. ( Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990).

            Quanto ao tráfico, tendo por objeto o reino de Deus, constitui uma impiedade. Os Judeus, como se sabe, resgatavam suas faltas por meio do sacrifício de vítimas propiciatórias e os mercadores lhes forneciam as vítimas, os vasos com perfumes, o que tudo era trazido para o templo e aí vendido. Essa a origem daquele tráfico. Depois, o negócio se ampliou e o templo, que era considerado a casa de Deus, se tornou sede de toda sorte de transações comerciais. A Bolsa dos tempos atuais, com as suas baixezas, teve um modelo no templo de Israel.

            Entretanto, se atentarmos bem nas palavras de Jesus quando dali expulsou os que negociavam, veremos claramente que esse seu ato não obedeceu ao pensamento de defender a pureza de um templo de pedra, apresentando-o como lugar verdadeiramente sagrado, em que tais coisas constituíam uma ofensa à Divindade. Ele, que ensinara ser Deus espírito, e só dever ser adorado em espírito e verdade, estaria em contradição consigo mesmo, se expulsasse do templo os vendilhões, por ser ali a casa de Deus. Cumpre também atentemos nas suas palavras: “Minha casa será chamada por todos, etc.” Se aquela fosse a “sua” casa e a casa de Deus, Ele, dizendo isso, se teria declarado Deus.

            Aquele ato, pois, foi todo simbólico e, à luz da Nova Revelação, o seu simbolismo se faz claramente compreensível.

            O mundo terreno, como todos os que o Criador semeou pelo espaço infinito, é uma das inúmeras casas existentes na infinita morada do Senhor do Universo e é também um templo, onde a cada uma de suas criaturas corre o dever de adorá-lo na prática do amor, cuja lei é a lei das leis. Casa, portanto, de oração, Ele o é igualmente, porqüanto orar é trabalhar na obra do progresso comum, trabalhando cada qual pelo seu próprio progresso intelectual e moral.

            Preposto pelo Pai à formação e ao governo dessa casa, tem Jesus a devorá-lo, na frase do profeta, o zelo dela e, tomado desse zelo, não obstante o seu amor ilimitado, ou, antes, impelido por esse amor, não hesita em expulsar da casa que lhe foi confiada e que, como tal é a “sua” casa, do templo onde só em espírito e verdade, conforme Ele o ensinou e exemplificou, se deve adorar a Deus, isto é, praticando a caridade, a fraternidade, a justiça e o perdão, aqueles que, mercadejando com as coisas santas, a transformam em covil de ladrões.

            Mercadejam com as coisas santas os que, sendo Espíritos, como o são todos os homens, só prestam culto à matéria; os que, em vez do amor, cultivam o ódio, em vez da caridade, praticam a intolerância, movidos pelo egoísmo e pelo orgulho; os que, escravos de paixões subalternas, se esforçam por escravizar ao erro os seus semelhantes, a fim de melhor dominá-los; os que, em suma, se servem das faculdades espirituais, que lhes foram outorgadas para se elevarem gradualmente e se aproximarem do centro de toda a perfeição, empregando-as em rebaixar aquele que é esse centro, para dele fazerem cúmplice de seus delitos e iniqüidades.

            Esses, os que transformam a casa do Pai em covil de ladrões. Esses, portanto, os que daí serão expulsos, chegado o momento em que da presença deles deva ser expurgado o templo, para não continuarem a constituir-se pedra de escândalo aos que, redimidos pela dor, se hajam tornado capazes da verdadeira oração, da oração do trabalho santificado pelo amor e pela humildade.

            E para onde serão expulsos os que sejam encontrados por Jesus no templo a mercadejar com as coisas santas? Para outras casas da morada infinita do Pai, casas que, como templos que também são, outras tantas oficinas de trabalho são igualmente, mas onde o trabalho é mais árduo, mais penoso, mais amargo, tão áspero e doloroso que dará aos que a Ele se vejam compelidos a impressão aflitiva de haverem perdido um paraíso, de terem sido expulsos de um éden, que tal se lhes afigurará o mundo donde foram banidos.

            É isso o que Jesus simbolizou no fato, que os Evangelistas referiram, de ter expulsado do templo de Jerusalém os mercadores que lá assentaram suas bancas. Não foi, decerto, repetimos, o zelo por uma edificação material, onde Deus não habita, que o levou a Ele, que pregava a adoração do Pai em espírito e verdade, a vergastar com o látego de fogo da sua palavra de verdade os que ali comerciavam.

            Expulsando-os de lá, ensinava, sobretudo, aos homens a expulsar com energia as paixões e os vícios de seus corações que, acima dos mundos, são os templos mais grandiosos que o Senhor, Ele próprio, edificou para ser adorado por seus filhos, templos onde passa a habitar eternamente, desde que neles só se encontrem virtudes — os anjos de sua glória.

            Dessa expulsão podemos e devemos concluir que tempo virá em que, praticando os homens a lei do amor, não mais eles adorarão o Pai nem no monte, nem em Jerusalém, mas em espírito e verdade, em que, por todas as nações, a Terra será chamada “casa de oração”. (Elucidações Evangélicas. Cap.26. Antônio Luiz Sayão)

            Segundo Cairbar Schutel, "Na época em que expulsou os mercadores do templo, Ele já se havia tornado popular pela sua palavra, pelos seus feitos, gozando de grande autoridade.

            Basta ver que, ao entrar em Jerusalém, teve recepção semelhante à que se fazia aos reis. Os Evangelistas dizem que a multidão louvava-o em altas vozes, exclamando: "bendito é o Rei que vem em nome do Senhor", e espalhavam folhagens no caminho, estendendo suas capas para que Ele passasse por cima. Todas estas circunstâncias, longe de exaltarem a ambição de Jesus para um reinado terreno, concorriam para Ele demonstrar o escopo único de sua missão: proclamar, no mundo, o Reino de Deus, pelo cumprimento dos deveres do amor, e que deveria substituir a religião mercantilizada dos escribas e fariseus. E a "purificação do templo" é uma prova desse zelo que o Mestre procurava manter para que a religião prevalecesse em sua significação verdadeira.

            O expurgo fazia-se mister e Jesus não hesitou em executá-lo por suas próprias mãos.

            Para que se compreenda bem esse ato, de aparência agressiva, é preciso que nos reportemos àquela era e examinemos, sem espírito preconcebido, os princípios da Lei que regiam o povo, os costumes religiosos degenerados pela classe sacerdotal em vil mercancia, a ponto de haver sido convertido o Templo de Jerusalém em "covil de salteadores".

            Fazia muitos anos houvera sido fundada uma instituição que estava intimamente relacionada com os escribas, e a qual tinha por fim a instrução do povo a respeito da Lei, e, conseqüentemente, a aplicação da Lei na vida cotidiana. Esta instituição era a SINAGOGA, do grego Svhnagogé - Assembléia, ou seja assembléia de fiéis.

            A organização dessas assembléias mereceu grande aprovação, razão por que foram construídos, em muitos lugares, edifícios próprios para esse trabalho religioso, como sói acontecer, atualmente, com os centros e associações espíritas.

            Havia, nas sinagogas, rolos contendo as Escrituras, que eram lidas e comentadas com toda a liberdade pelas pessoas mais versadas, mas sem distinção de crenças, isto é, de seitas.

            As sinagogas, como se vê, não eram lugares de culto, mas sim escolas, onde todos aprendiam as Escrituras e até as crianças, em dias determinados, aprendiam a ler. O governo das sinagogas era constituído de anciãos, sendo os principais denominados, como se lê em Lucas, capítulos 7 e 13, príncipes ou chefes. Enfim, eram pequenas assembléias destinadas ao ensino religioso.

            O Templo de Jerusalém obedecia, mais ou menos, à mesma orientação, com acréscimo do culto, e culto exterior, parecido com o que se vê nas igrejas de Roma; esse culto foi degenerando, aos poucos, em vil mercancia de sacramentos, como se verifica atualmente nas igrejas.

            Pois bem, no tempo de Jesus, Jerusalém e o seu templo já se achavam no auge da degradação. Os cambistas (1) chegavam a assentar suas mesas de negócio, como os católicos fazem com as suas quermesses e leilões de doces, assados e bebidas, transformando a "casa de oração e de instrução" em "covil de salteadores". O Templo de Jerusalém não tinha nenhum aspecto religioso quando Jesus exerceu naquela cidade a sua missão: eram mesas de cambistas, cadeiras dos que vendiam pombas, ovelhas, bois; o templo estava de tal maneira atravancado que só com dificuldade se podia atravessá-lo. De fato quem se atreveria, ou se arriscaria, a tomar a chifrada de um boi, ou a marrada de um carneiro?

            O Mestre tinha o seu tempo contado e precisava agir, aproveitando a festa da Páscoa dos judeus, que atraía grande número de romeiros, vindos de todos os lados para a assistirem. Sua ida a Jerusalém tinha um motivo superior, que obedecia a um plano de propaganda da sua Palavra; por isso, não podia transferir a sua conferência, visto que a tribuna seria, talvez, ocupada também por outros oradores. E, segundo se verificava, a folia, a farra, a mercancia, absorviam toda a festa religiosa, sem que houvesse autoridade capaz de restabelecer a ordem no tempo, para permitir ingresso aos que lá desejavam ir com fins superiores e elevados.

            Valendo-se, então, do seu prestígio moral e ao mesmo tempo da solidariedade do povo, o Mestre resolveu empreender o expurgo do local: expulsou dali os mercadores e cambistas, derribou-lhes as mesas e o dinheiro que nelas havia, para mostrar que aquele mister não se exercia nos templos destinados à instrução e à oração; e, preparando um pequeno açoite com alguns cordéis pertencentes aos mercadores, enxotou de lá as ovelhas e os bois que tornavam aquela casa semelhante a um estábulo.

            Os leitores, que conosco estudam o Espírito do Cristianismo, vêem neste ato algum desvio do Amor, alguma prova de ódio, de absolutismo?

            Com franqueza, julgamos que se Jesus consentisse ou se pusesse em atitude complacente, naquela hora em que deveria demonstrar o seu zelo pelos Ensinos Religiosos e pela Lei que Ele veio cumprir, daria prova de fraqueza moral, de subserviência, de falta de energia, o que nunca se dá com os missionários que vêm fazer progredir a humanidade.

            A ação do Mestre foi natural; embora não tivesse espancado a quem quer que fosse, nem mesmo as ovelhas e os bois, exerceu uma ação física semelhante à nossa, quando expulsamos do nosso terreiro ou do nosso quintal um boi, um carneiro ou um cabrito. Para tal fim munimo-nos de uma vara ou de um relho e, mesmo sem espancar os pobres animais, fazemo-los sair donde não devem estar.

            O Evangelho não acusa, absolutamente, a Jesus, por haver Ele afugentado os animais. A ação resoluta  de Jesus com os cambistas e traficantes, derribando-lhes as mesas com o dinheiro que sobre as mesmas se achava, é que pode ser classificada como um ato de violência, mas violência sancionada pela Lei que o Mestre citou: "A minha casa será casa de oração; mas vós a fizestes um covil de salteadores", palavras estas proferidas por Isaías, o grande iconoclasta, acérrimo inimigo dos fariseus, dos sacerdotes de Belial do seu tempo, que fazia procissões pelas ruas com ídolos de madeira e barro, e tinham por costume fazer mercancia das coisas santas.

            Esse ato de coragem do Senhor, que causou admiração a todos foi, a seu turno, o cumprimento de uma predição do Salmista, como disseram seus discípulos e João repetiu no seu Evangelho, capítulo II, versículo 17.

            O fato é que ninguém se achou com autoridade para expurgar o templo, e Jesus, fê-lo em alguns minutos, dando logo começo à sua tarefa pela cura dos enfermos, coxos e cegos que lá se achavam, atos esses que lhe valeram aplausos dos meninos, que exclamavam: "Hosanas ao Filho de Davi."

            Foi então que os principais sacerdotes e escribas, movidos de ciúme, indignaram-se e lhe perguntaram: "Ouves o que estão dizendo?" E o Mestre respondeu: "Nunca lestes: Da boca dos pequeninos e crianças de peito, tirastes perfeito louvor?"

            Esta resposta fez calar os seus perseguidores, pois, todos os atos que Jesus havia praticado eram dignos de louvor, mereciam a aprovação dos simples, dos justos, dos bons, simbolizados nas crianças cheias de inocência e que não trazem nos corações os vícios, os subornos, os juízos preconcebidos e subservientes que degradam os homens.

            Oxalá que apareçam apóstolos e discípulos que com tanta sabedoria e amor expurguem os novos templos em que tudo se vende com menosprezo da divindade." (O Espírito do Cristianismo. Cap.32. Cairbar Schutel )

            O médium Chico Xavier foi um verdadeiro apóstolo de Cristo, sem cobrar nada, ele visitou os doentes pobres,  ele receitou medicamentos, consolou mães que perderam os seus filhos e psicografou 412 livros, permitindo trazer ensinamentos divinos:"  Chico Xavier nunca recebeu um centavo de direitos autorais. Destinou todo o lucro de sua produção às organizações espíritas, para a aplicação em obras sociais." ( Pinga fogo I. Um pinga luz na TV. Do Diário de S. Paulo, caderno do Jornal de Domingo)

            Em uma entrevista, ele mesmo nos afirma: "Nunca recebi cousa alguma pela venda dos livros de nossos Amigos Espirituais, por intermédio de minhas faculdades mediúnicas, de vez que esses livros são de autoria deles, cabendo-me tão somente a alegria de cooperar com eles, os amigos da Vida Maior, na função de intermediário, durante as horas de cada dia, que posso dar ao serviço mediúnico. ( No mundo de Chico Xavier. Cap.14. Chico Xavier / Elias Barbosa)

            Certa vez, um confrade presenteou  o Chico com um belo relógio de pulso. Aceitou-o, porque o  confrade insistiu muito. Andou vários dias com ele, admirando-lhe a pontualidade. Mas um dia, a caminho do serviço, lembrou-se de saber, rapidamente, como ia Dona Glória, a quem na véspera dera um passe e para quem Bezerra receitara uns remédios homeopáticos. — Então, está melhor, Dona Glória. Tomou pontualmente os remédios? —  Um pouco melhor, Chico. Só não tenho tomado os remédios com pontualidade, porque, como você sabe, sou pobre e ainda não pude comprar um relógio... — Por isto não. E tirando do pulso o relógio que ganhara, disse-lhe sem mais delongas: — Fique com este como lembrança. E deixando a irmã surpresa e emocionada, o médium partiu, dizendo-lhe na costumeira despedida: — Fique com Deus! Deus a proteja! 

            Como a senhora está precisando de relógio, este deve ser seu. ( Lindos casos de Chico Xavier. Segunda Parte. Cap. 47- Um relógio a um doente. Ramiro Gama)

            Seria justo aceitar remuneração financeira no exercício da mediunidade?

            Quando um médium se resolva a transformar suas faculdades em fonte de renda material, será melhor esquecer suas possibilidades psíquicas e não se aventurar pelo terreno delicado dos estudos espirituais.

            A remuneração financeira, no trato das questões profundas da alma, estabelece um comércio criminoso, do qual o médium deverá esperar no futuro os resgates mais dolorosos.

            A mediunidade não é ofício do mundo, e os Espíritos esclarecidos, na verdade e no bem, conhecem, mais que os seus irmãos de carne, as necessidades dos seus intermediários. (O Consolador. Questão 402. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Seria proveitosa a criação de associações de auxílio material aos médiuns?

            -No Espiritismo é sempre de bom aviso evitar-se a consecução de iniciativas tendentes a estabelecer uma nova classe sacerdotal no mundo.

            Os médiuns, nesse ou naquele setor da sociedade humana, devem o mesmo tributo ao trabalho, à luta e ao sofrimento, indispensáveis à conquista do agasalho e do pão material. Ao demais, temos de considerar, acima de toda proteção precária do mundo, o amparo de Jesus aos seus trabalhadores de boa-vontade. Toda expressão de sacrifício sincero está eivada de luz divina, todo trabalho sincero é elevação e toda dor é luz, quando suportada com serenidade e confiança no Mestre dos mestres. (O Consolador. Questão 408. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            Como deverá proceder ao médium sincero para a valorização do seu apostolado?

            O médium sincero necessita compreender que, antes de cogitar da doutrinação dos Espíritos, ou de seus companheiros de luta na Terra, faz-se mister a iluminação de si próprio pelo conhecimento, pelo cumprimento dos deveres mais elevados e pelo esforço de si mesmo na assimilação perfeita dos princípios doutrinários.

            No desdobramento dessa tarefa, jamais deve descuidar-se da vigilância, buscando aproveitar as possibilidades que Jesus lhe concedeu na edificação do trabalho estável e útil. Não deve cultivar o sofrimento pelas queixas descabidas e demasiadas e nem recorrer, a todo instante, à assistência dos seus guias, como se perseverasse em manter uma atitude de criança inexperiente.

            O estudo da Doutrina e, sobretudo, o cultivo da auto-evangelização deve ser ininterrupto. O médium sincero sabe vigiar, fugindo da exploração material ou sentimental, compreendendo, em todas as ocasiões, que o mais necessitado de misericórdia é ele próprio, a fim de dar pleno testemunho do seu apostolado. (O Consolador. Questão 409. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            Médiuns são todas as criaturas, em diferentes graus, porque todas possuem recursos que facultam o registro do psiquismo daqueles com os quais convivem no corpo, como daqueles outros que já transpuseram a barreira carnal e se encontram despojados da matéria. Naturalmente, destacam-se as pessoas que a possuem mais ostensivamente, produzindo fenômenos vigorosos que não podem ser confundidos com manifestações do inconsciente, nos seus vários aspectos, nem tampouco com o acaso, em razão de repetirem-se amiúde.

            Os Apóstolos igualmente eram portadores de mediunidade, como o demonstraram por diversas vezes, particularmente no dia de Pentecostes, quando foram alvo da admirável xenoglossia, comunicando-se com os presentes nos respectivos idiomas que lhes eram familiares, assim demonstrando a interferência do Espírito sobre a matéria e advertindo para os chegados tempos da imortalidade em triunfo. Mais tarde, e durante toda a existência, exerceram--na com grandiosidade e abnegação, deixando rastros luminosos por onde passaram, graças a cuja conduta arrebanharam multidões para o Evangelho nascente.

            Renunciando a qualquer interesse pessoal, demonstravam a qualidade da Boa-nova, convocando necessitados de luz para que participassem do banquete espiritual que lhes estava sendo oferecido.

            Fortemente vinculados a Jesus, n'Ele hauriam as energias necessárias para os cometimentos das curas físicas, psíquicas e principalmente morais, conduzindo todos quantos se beneficiavam ao encontro do Si, libertando-se do ego perturbador e iluminando o lado sombra, que antes neles predominava.

            A autêntica doação, firmada no desinteresse pessoal, constituía lhes o sinal de união com Deus, a demonstração de que trabalhavam para o êxito do Bem no mundo, ante a certeza dos resultados da ação após a disjunção molecular.

            Os Espíritos Nobres, que os assessoravam, jamais aceitariam o nefando comércio monetário ou de benefícios materiais em favor dos que neles confiassem, beneficiando-se antes que servindo, aproveitando-se das faculdades mediúnicas para o lamentável intercâmbio de valores terrenos, que atraem os incautos e fazem sucumbir os ambiciosos que se perdem nas lutas infrutíferas dos triunfos do mundo...

            Para viverem, trabalhavam, porque não desejavam ser pesados na economia social da comunidade, nem aproveitar-se para explorar aqueles que os amavam e neles se alimentavam espiritualmente, dando as lições mais eloquentes de grandeza moral e de verdadeira fraternidade, que a ninguém explora ou submete aos caprichos perniciosos da transitoriedade carnal.

            Ainda hoje, assim deve ser a conduta de todos quantos anelam pela Realidade, mergulhando no mundo íntimo em busca da legitimação dos seus valores espirituais. (Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 34. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco)

            Os médiuns atuais (...) igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem intérpretes dos Espíritos, para instrução dos homens, para lhes mostrar o caminho do bem e conduzi-los à fé, não para lhes vender palavras que não lhes pertencem, a eles médiuns, visto que não são fruto de suas concepções, nem de suas pesquisas, nem de seus trabalhos pessoais. Deus quer que a luz chegue a todos; não quer que o mais pobre fique dela privado e possa dizer: não tenho fé, porque não a pude pagar; não tive o consolo de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição dos que pranteio, porque sou pobre. Tal a razão por que a mediunidade não constitui privilégio e se encontra por toda parte. Fazê-la paga seria, pois, desviá-la do seu providencial objetivo.

            Quem conhece as condições em que os bons Espíritos se comunicam, a repulsão que sentem por tudo o que é de interesse egoístico, e sabe quão pouca coisa se faz mister para que eles se afastem, jamais poderá admitir que os Espíritos superiores estejam à disposição do primeiro que apareça e os convoque a tanto por sessão. O simples bom senso repele semelhante idéia. Não seria também uma profanação evocarmos, por dinheiro, os seres que respeitamos, ou que nos são caros? E fora de dúvida que se podem assim obter manifestações; mas, quem lhes poderia garantir a sinceridade? Os Espíritos levianos, mentirosos, brincalhões e toda a caterva dos Espíritos inferiores, nada escrupulosos, sempre acorrem, prontos a responder ao que se lhes pergunte, sem se preocuparem com a verdade.

            Quem, pois, deseje comunicações sérias deve, antes de tudo, pedi-las seriamente e, em seguida, inteirar-se da natureza das simpatias do médium com os seres do mundo espiritual.

            Ora, a primeira condição para se granjear a benevolência dos bons Espíritos é a humildade, o devotamento, a abnegação, o mais absoluto desinteresse moral e material.

            A par da questão moral, apresenta-se uma consideração efetiva não menos importante, que entende com a natureza mesma da faculdade. A mediunidade séria não pode ser e não o será nunca uma profissão, não só porque se desacreditaria moralmente, identificada para logo com a dos ledores da boa-sorte, como também porque um obstáculo a isso se opõe. E que se trata de uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e mutável, com cuja perenidade, pois, ninguém pode contar. Constituiria, portanto, para o explorador, uma fonte absolutamente incerta de receitas, de natureza a poder faltar-lhe no momento exato em que mais necessária lhe fosse. Coisa diversa é o talento adquirido pelo estudo, pelo trabalho e que, por essa razão mesma, representa uma propriedade da qual naturalmente lícito é, ao seu possuidor, tirar partido. A mediunidade, porém, não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade.

            Pode subsistir a aptidão, mas o seu exercício se anula. Daí vem não haver no mundo um único médium capaz de garantir a obtenção de qualquer fenômeno espírita em dado instante.

            Explorar alguém a mediunidade é, conseguintemente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. Há mais: não é de si próprio que o explorador dispõe; é do concurso dos Espíritos, das almas dos mortos, que ele põe a preço de moeda. Essa idéia causa instintiva repugnância. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, pela credulidade e pela superstição que motivou a proibição de Moisés. O moderno Espiritismo, compreendendo o lado sério da questão, pelo descrédito a que lançou essa exploração, elevou a mediunidade à categoria de missão.

            A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente.

            Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora. O médico dá o fruto de seus estudos, feitos, muita vez, à custa de sacrifícios penosos. O magnetizador dá o seu próprio fluido, por vezes até a sua saúde.

            Podem pôr-lhes preço. O médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, ainda que pobres, nada cobravam pelas curas que operavam.

            Procure, pois, aquele que carece do que viver, recursos em qualquer parte, menos na mediunidade; não lhe consagre, se assim for preciso, senão o tempo de que materialmente possa dispor. Os Espíritos lhe levarão em conta o devotamento e os sacrifícios, ao passo que se afastam dos que esperam fazer deles uma escada por onde subam. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.26. Itens 7,8,9 e 10. Allan Kardec)

            A mediunidade, exercida em nome e sob a responsabilidade do Espiritismo Cristão, será sempre um instrumento de edificação para o seu possuidor, uma vez que, por ela, os aflitos serão consolados, os enfermos curados e os ignorantes esclarecidos.

            Podemos e devemos mesmo distinguir a mediunidade da seguinte forma:

            a) — Aquela que se exerce em função de objetivos superiores (Mediunidade com Jesus);

            b) — Aquela que se exerce em função de interesses inferiores (Mediunidade sem Jesus).

            Onde a mediunidade se exercite em função de objetivos subalternos, tais como, realizações de casamentos, solução de negócios materiais, obtenção de empregos, etc., somente a má fé ou a leviandade podem identificar a presença e a responsabilidade do Espiritismo.

            Agrupamentos que explorem os Espíritos, tratando de tais assuntos, não são "agrupamentos espíritas".

            Reunião de pessoas com o objetivo de influirem, maleficamente, na saúde e na vida do próximo, não é "reunião espírita".

            O Espiritismo, como Doutrina codificada, estabeleceu normas para o exercício da mediunidade.

            Toda prática mediúnica que foge a tais normas não pode nem deve receber a denominação de "prática espírita".

            A mediunidade que se orienta pelo Espiritismo é simples, sem ritual de qualquer espécie; sua finalidade é, exclusivamente, o bem e a elevação espiritual dos homens.

            Consultar e explorar os Espíritos sobre assuntos materiais é prática que a Doutrina Espírita não perfilha.

            Que se dêem, a tais práticas, a denominação, que mais agrade aos seus apreciadores, menos a de "práticas espíritas".

            A exploração dos Espíritos não suficientemente esclarecidos, além de constituir atividade degradante e anti-fraterna, representa lastimável abuso pelo qual os responsáveis responderão oportunamente, seja na presente encarnação, como vítimas de terríveis obsessões, seja no Espaço ou no porvir, em futuras reencarnações.  (Estudando a mediunidade. Cap. 40. Martins Peralva)

            Podemos observar este fato, numa passagem  bíblica,  onde Paulo expulsa um espírito que estava obsediando uma médium, que cobrava pelas advinhações, vejamos o trecho:

            E aconteceu que, indo nós à oração, nos saiu ao encontro uma jovem, que tinha espírito de adivinhação, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores.
            Esta, seguindo a Paulo e a nós, clamava, dizendo: Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo.
            E isto fez ela por muitos dias. Mas Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E na mesma hora saiu.
            E, vendo seus senhores que a esperança do seu lucro estava perdida, prenderam Paulo e Silas, e os levaram à praça, à presença dos magistrados. (Atos 16:16-19)

            De modo geral, os que agem levianamente com os Espíritos, escravizando-os aos seus caprichos, sofrer-lhes-ão o assédio, transformando-se em criaturas obsidiadas.

            Ou, então, serão compelidos a defrontarem-se com tais Espíritos, após a desencarnação, ou a recebê-los, em futuras reencarnações, como filhos, a fim de lhes darem, no porvir, aquilo que agora lhes negam: orientação, amor e respeito.

            É o que se depreende, claramente, das seguintes palavras do Assistente Áulus (no livro "Nos domínios da medinidade", Cap. 27, ditado pelo Espírito André Luiz ), referindo-se às consequências da "mediunidade transviada":

            " — Na hipótese de não se reajustarem ao bem (os Espíritos que atendem consultas inferiores), tão logo desencarnem o dirigente deste grupo e os instrumentos medianímicos que lhes copiam as atitudes, serão eles surpreendidos pelas entidades que escravizaram, a lhes reclamarem  orientação e socorro, e, mui provavelmente, mais tarde, no grande porvir, quando responsáveis e vítimas estiverem reunidos no instituto da consangüinidade terrestre, na condição de pais e filhos, acertando contas e recompondo atitudes, alcançarão pleno equilíbrio nos débitos em que se emaranharam."

            Conclui o Assistente Áulus esclarecendo que "cada serviço nobre recebe o salário que lhe diz respeito e cada aventura menos digna tem o preço que lhe corresponde". (Estudando a mediunidade. Cap. 40. Martins Peralva)

            Observação (1): Os judeus e os prosélitos do primeiro século vinham de muitas terras e cidades para o templo em Jerusalém, trazendo moedas dos lugares onde moravam. Mas eles precisavam usar uma moeda aceitável para pagar o imposto anual do templo, comprar animais para sacrifícios e fazer outras ofertas voluntárias. Assim, cobrando uma taxa, os cambistas trocavam as moedas de diferentes lugares e valores pela moeda exigida. Quando chegava a época das festividades, esses cambistas montavam bancas no templo, no Pátio dos Gentios. O fato de Jesus ter acusado os cambistas de fazer do templo “um covil de salteadores” indica que as taxas que eles cobravam por seus serviços eram exorbitantes. (https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2011728?q=cambistas"p=par - Data de consulta: 26-09-20)

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.26. Itens 2, 4, 6, 7, 8, 9 e 10. Allan Kardec.

- Pinga fogo I. Um pinga luz na TV. Do Diário de S. Paulo, caderno do Jornal de Domingo.

-  No mundo de Chico Xavier. Cap.14. Chico Xavier / Elias Barbosa.

- Lindos casos de Chico Xavier. Segunda Parte. Cap. 47- Um relógio a um doente. Ramiro Gama.

- O Consolador. Questões 402, 408 e 409. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier .

- Nos domínios da medinidade. Cap. 27. Espírito  André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 34. Espírito Joanna de Ângelis.  Psicografado por Divaldo P. Franco.

- O Espírito do Cristianismo. Cap.32. Cairbar Schutel.

-  Bíblia Sagrada Edição Pastoral - Edições Paulinas, 1990.

- Elucidações Evangélicas. Cap.26. Antônio Luiz Sayão.

- Estudando a mediunidade. Cap. 40. Martins Peralva.

- Bíblia: Atos 16:16-19.

- Site: https://wol.jw.org/pt/wol/d/r5/lp-t/2011728?q=cambistas"p=par - Data de consulta: 26-09-20.