Aula 132 - Os falsos profetas*

Ciclo 2 - História: O Galo e a Raposa  - Atividade: ESE - Cap. 21 - 1. Conhece-se a árvore pelo fruto ou/e 3.Prodígios dos falsos profetas ou/e desenhe o galo com o contorno das mãos.

Ciclo 3 - História: Lobo em pele de cordeiro ou/e A gralha e as pombas  - Atividade: ESE - Cap. 21 - 6. Caracteres do verdadeiro profeta ou/e  8.Jeremias e os falsos profetas.

 

Dinâmicas: Mistificação nas comunicações; Modo de se distinguirem os bons dos maus Espíritos; Conhece-se a árvore pelo fruto.

Mensagens espíritas: Falsidade.

Sugestões de vídeos: - História de raposa e galo para as crianças  (Dica: pesquise no Youtube)

- História: E aí, Clarinha? (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: - Fábulas que ensinam : A Raposa e o Galo. La Fontaine. Editora Todolivro.

- A Raposa que sabia tudo - Um conto sobre Falsidade. Roberto Belli. Editora Todolivro.

 

Leitura da Bíblia: Lucas - Capítulo 6


6.43 Nenhuma árvore boa dá fruto ruim, nenhuma árvore ruim dá fruto bom.


6.44 Toda árvore é reconhecida por seus frutos. Ninguém colhe figos de espinheiros, nem uvas de ervas daninhas.


6.45 O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração.


 

Mateus - Capítulo 7


7.15 Cuidado com os falsos profetas. Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelhas, mas por dentro são lobos devoradores.


7.16 Vocês os reconhecerão por seus frutos. Pode alguém colher uvas de um espinheiro ou figos de ervas daninhas?


7.17 Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins.


7.18 A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons.


7.19 Toda árvore que não produz bons frutos é cortada e lançada ao fogo.


7.20 Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!


 

Mateus - Capítulo 24 (Marcos 13:5, 6, 21 e 22)


24.4 Jesus respondeu: Cuidado, que ninguém os engane.


24.5 Pois muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo! e enganarão a muitos.


24.11 e numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos.


24.12 Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará,


24.13 mas aquele que perseverar até o fim será salvo.


24.23 Se, então, alguém disser: Vejam, aqui está o Cristo! ou: Ali está ele!, não acreditem.


24.24 Pois aparecerão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos.


 

1João - Capítulo 4


4.1 Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo.


 

Tópicos a serem abordados:

- Segundo o dicionário, profeta é todo aquele que possui o dom de adivinhar o futuro. Mas segundo o sentido evangélico, é todo enviado de Deus com a missão de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual.Portanto, todo profeta é médium, mesmo sem fazer previsões do futuro. 

- No entanto, nem todos os médiuns são confiáveis,  existem inúmeros falsos profetas. Jesus disse: "Cuidado, que ninguém vos engane. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: "Eu sou o Cristo!" e enganarão a muitos." Em todos os tempos, existiram homens que usaram, em proveito de suas ambições, de seus interesses e do seu desejo de dominação, o magnetismo (ação fluídica) e  certos conhecimentos  que possuíam, para alcançarem o prestígio por meio de um pseudopoder sobre-humano. Esses são os falsos Cristos e falsos profetas.

- Para o ignorante, todo fenômeno cuja causa é desconhecida é algo sobrenatural, porém o Espiritismo afirma que não existem milagres ou magia. Os eventos extraordinários mal compreendidos podem ser explicados pelas leis da natureza. O fato de um médium realizar coisas maravilhosas não constitui, pois, sinal de uma missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o mais desprezível dos homens não se acha impedido de possuir, tanto quanto o mais digno. 

 - O verdadeiro profeta se reconhece por características mais sérias, exclusivamente de ordem moral.Podemos reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. O verdadeiro profeta é um enviado de Deus para advertir ou esclarecer a Humanidade (1). Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para ensinar a verdade. Nosso pai celestial só confia missões importantes aqueles que são capazes de cumpri-las. Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs, tais como: a caridade, o amor, o perdão, a humildade, a bondade, demonstradas pelos seus atos,  podereis então dizer: Estes são realmente enviados de Deus.

- Desconfie, porém, dos escribas e dos fariseus de hoje em dia, que oram nos templos, vestidos com trajes especiais. Desconfie dos que pretendem ter o monopólio da verdade! Não, não, o Cristo não está entre esses. Aliás, desconfie também dos Espíritos desencarnados: Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que tomam nomes venerados (apresentando-se como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus)  para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação dos indivíduos e sugerirem ideias ou teorias absurdas .

- “Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas, experimentai se os Espíritos são de Deus, pois muitos falsos profetas se têm levantado no mundo", já dizia o apóstolo João .O Espiritismo possibilita os meios de experimentá-los, apontando as características pelos quais podemos diferenciar os bons dos maus Espíritos (características morais e não materiais). Quanto mais estudarmos a Doutrina Espírita, melhor saberemos diferenciá-los.

- Os Espíritos devem ser analisados, como os homens, pela linguagem de que usam. Os Espíritos superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, somente dizem coisas boas e úteis, jamais se vangloriam do seu saber ou da sua posição.  A lingagem dos Espíritos inferiores denota baixeza, pretensão, arrogância e ideias ridículas. Os bons Espíritos não fazem elogios ; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva. Além disso, criticam os erros dos indivíduos, mas sempre com moderação, sem rancor e sem agressividade. Os maus fazem elogios exagerados, estimulam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal daqueles a quem desejam influenciar .  Os bons Espíritos só dizem o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com ousadia, sem se preocuparem com a verdade. Enfim, a falta de humildade, bondade e de caridade não pode provir de um bom Espírito.

Comentário (1): Viagem Espírita em 1862. Allan Kardec.

 

Perguntas para fixação:

1. Como são chamados os profetas de hoje pelo Espiritismo?

2. Qual é a missão do verdadeiro profeta?

3. É possível fazer milagres?

4. Como podem ser explicados os fenômenos que parecem sobrenaturais? 

5. Quais são as estratégias que os falsos profetas utilizam para enganar as pessoas? 

6. Quais são as características de um verdadeiro profeta?

7. Por que quem estuda a Doutrina Espírita possui mais facilidade de identificar um falso espírito?

8. Por que meio podemos diferenciar os bons dos maus Espíritos?

9. Que tipo de Espíritos costumam fazer elogios exagerados para estimularem o orgulho e a vaidade no indivíduo?

10. Que tipo de Espíritos só dizem o que sabem e calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem? 

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Atribui-se comumente aos  profetas o dom de adivinhar o futuro, de sorte que as palavras profecia e predição se tornaram sinônimas. No sentido evangélico, o vocábulo profeta tem mais extensa significação. Diz-se de todo enviado de Deus com a   missão   de instruir os homens e de lhes revelar as coisas ocultas e os mistérios da vida espiritual. Pode, pois, um homem ser profeta, sem fazer predições. Aquela era a ideia dos judeus, ao tempo de Jesus. Daí vem que, quando o levaram à presença do sumo-sacerdote Caifás, os escribas e os anciães, reuni dos , lhe cuspiram no rosto, lhe deram socos e bofetadas, dizendo: “Cristo, profetiza para nós e dize quem foi que te bateu.” Entretanto, deu-se o caso de haver   profetas   que tiveram a presciência do futuro, quer por intuição, quer por providencial revelação, a fim de transmitirem avisos aos homens. Tendo-se realizado os acontecimentos preditos, o dom de predizer o futuro foi considerado como um  dos  atributos da qualidade de profeta.( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item 4. Allan Kardec )

            Os Espíritos elevados, como os profetas antigos, devem ser considerados como anjos ou como Espíritos eleitos?

            — Como missionários do Senhor, junto à Esfera de atividade propriamente material, os profetas antigos eram também dos “chamados” à luminosa sementeira.

            Para a nossa compreensão, a palavra “anjo”, neste passo, deve designar somente as entidades que já se elevaram ao Plano superior, plenamente redimidas, onde são “escolhidos” na tarefa sagrada d’Aquele cujas palavras não passarão. O Eleito, porém, é aquele que se elevou para Deus em linha reta, sem as quedas que nos são comuns, sendo justo afirmar que o orbe terrestre só viu um eleito, que é Jesus-Cristo.

            A compreensão do homem, todavia, em se tratando de angelitude, generalizou a definição, estendendo-a a todas as almas virtuosas e boas, nos bastidores da sua literatura, o que se justifica, entendendo-se que a palavra “anjo” significa “mensageiro”.(O Consolador.  Questão 277. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)

            Qual o caráter do verdadeiro profeta?

            O verdadeiro profeta é um homem de bem, inspirado por Deus. Podeis reconhecê-lo pelas suas palavras e pelos seus atos. Impossível é que Deus se sirva da boca do mentiroso para ensinar a verdade. (O Livro dos Espíritos. Questão 624. Allan Kardec )

            "Levantar-se-ão  falsos Cristos e falsos profetas, que farão grandes  prodígios   e coisas de espantar, a ponto de seduzirem os próprios escolhidos.” Estas palavras dão o verdadeiro sentido do termo prodígio. Na acepção teológica, os prodígios   e os milagres são fenômenos excepcionais, fora das leis da Natureza. Sendo estas, exclusivamente, obra de Deus, pode ele, sem dúvida, derrogá-las, se lhe apraz; o simples bom-senso, porém, diz que não é possível haja ele dado a seres inferiores e perversos um poder igual ao seu, nem, ainda menos, o direito de desfazer o que ele tenha feito. Semelhante princípio não no pode Jesus ter consagrado. Se, portanto, de acordo com o sentido que se atribui a essas palavras, o Espírito do mal tem o poder de fazer prodígios tais que os próprios escolhidos se deixem enganar, o resultado seria que, podendo fazer o que Deus faz, os prodígios  e os milagres não são privilégio exclusivo dos enviados de Deus e nada provam, pois que nada distingue os milagres dos santos dos milagres do demônio. Necessário, então, se torna procurar um sentido mais racional para aquelas palavras. Para o vulgo ignorante, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso; uma vez encontrada a causa, reconhece-se que o fenômeno, por muito extraordinário que pareça, mais não é do que aplicação de uma lei da Natureza. Assim, o círculo dos fatos sobrenaturais se restringe à medida que o da Ciência se alarga. Em todos os tempos, homens houve que exploraram, em proveito de suas ambições, de seus interesses e do seu anseio de dominação, certos conhecimentos que possuíam, a fim de alcançarem o prestígio de um pseudopoder sobre-humano, ou de uma pretendida missão divina. São esses os falsos Cristos e falsos profetas . A difusão das luzes lhes aniquila o crédito, donde resulta que o número deles diminui à proporção que os homens se esclarecem. O fato de operar o que certas pessoas consideram prodígios não constitui, pois, sinal de uma missão divina, visto que pode resultar de conhecimento cuja aquisição está ao alcance de qualquer um, ou de faculdades orgânicas especiais, que o mais indigno não se acha inibido de possuir, tanto quanto o mais digno. O verdadeiro profeta se reconhece por mais sérios caracteres e exclusivamente morais. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item  5. Allan Kardec )

            Foi perguntado a Chico Xavier, e publicado no livro No Mundo de Chico  Xavier, se alguma vez ele teria sido alvo de mistificação da parte de espíritos. Ele disse que sim. E quando foi inquirido sobre qual a razão porque Emmanuel lhe permitira que isto acontecesse, ele respondeu:

            - Decerto que o Mundo Espiritual permite que eu passe por essas provações para mostrar-me que receber livros dos Instrutores Espirituais não me cria privilégio algum, que estou apenas cumprindo um dever e que sou um  médium tão falível quanto qualquer outro, com necessidade constante de oração e trabalho, boa vontade e vigilância. (No mundo de Chico Xavier. Itens 35, 36 e 37. Chico Xavier/ Elias Barbosa)

            Jesus Cristo teve ensejo de dizer que, se possível fosse, essas entidades, os falsos profetas, enganariam aos próprios eleitos, costumamos nos indagar: “E nós que ainda somos apenas candidatos?” (Diretrizes de segurança. Cap.95. Divaldo P. Franco e J. Raul Teixeira)

            Muitos são enganados pelos falsos espíritos e há pessoas que são enganadas  pelo próprio médium, como ocorreu no caso do médium conhecido mundialmente por"João de Deus" (dizia-se católico), que foi preso e acusado de abusar sexualmente de  centenas de mulheres e de cometer outros crimes em 2018. O documentário da Globoplay, intitulada "Em nome de Deus", relata como ele agia:

            “Eu sou o doutor Augusto de Almeida”, diz o médium  João de Deus   com voz grave. “Salve, doutor Augusto de Almeida”, respondem os trabalhadores da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, interior de Goiás. Após a introdução, o médium se vira para um paciente e diz que vai curá-lo. Mergulha uma tesoura recoberta de algodão em um líquido incolor e, sem delongas, enfia a lâmina em uma das narinas do homem, que mal se aguenta de dor. Ele gira o objeto dentro do nariz e abre a tesoura. Logo em seguida, abaixa a cabeça do paciente e deixa o sangue escorrer entre seus dedos e o mostra para a câmera, como se fosse um troféu. Em outro momento, corta as costas de uma mulher, passa o bisturi sob o olho de um homem e costura pontos no abdômen de outro paciente. “Pode carregar que ele está operado”, afirma para a câmera. Era assim que João Teixeira de Faria, ou João de Deus, como ficou mundialmente conhecido, “curava” as pessoas – ou melhor, se exibia fazendo isso na frente das câmeras. ( https://veja.abril.com.br/blog/tela-plana/vitimas-de-joao-de-deus-narram-detalhes-de-abusos-em-producao-do-globoplay/)

            Segundo a promotora de Justiça Ariane Patrícia Gonçalves, ele escolhia as vítimas de acordo com o estado de vulnerabilidade que apresentavam e, durante o atendimento individual, dizia que precisava tocar em determinadas partes do corpo da vítima como meio de “cura”.

            “Ele dizia, por exemplo, que a pessoa tinha uma energia bloqueada e que precisava abrir seu chacra, como se fosse parte essencial do tratamento de cura. E quando ele percebia que a vítima tentava reagir, ele ameaçava dizendo que essa pessoa não era merecedora de cura, que ela jamais conseguiria engravidar ou que ela teria um câncer de ovário”, afirmou.

            Ainda segundo a promotora, há relatos de vítimas que acreditam que têm problemas justamente devido às ameaças que o médium fez. “São pessoas de muita fé, que estavam em uma situação de grande vulnerabilidade e que viam nele um líder espiritual, uma última opção de cura”, completou. (https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/05/28/joao-de-deus-usava-termos-religiosos-e-fazia-ameacas-durante-abusos-sexuais-diz-mp.ghtml)

            Que se deve pensar da crença no poder, que certas pessoas teriam, de enfeitiçar?

            “Algumas pessoas dispõem de grande força magnética, de que podem fazer mau uso, se maus forem seus próprios Espíritos, caso em que possível se torna serem secundados por outros Espíritos maus. Não creias, porém, num pretenso poder mágico, que só existe na imaginação de criaturas supersticiosas, ignorantes das verdadeiras leis da Natureza. Os fatos que citam, como prova da existência desse poder, são fatos naturais, mal observados e sobretudo mal compreendidos.” (O Livro dos Espíritos. Questão 552. Allan Kardec)

            Por isso, o Espírito Luís nos recomenda: "Se vos disserem: “O Cristo está aqui”, não vades; ao contrário, tende-vos   em guarda, porquanto numerosos  serão os falsos  profetas . Não vedes que as folhas da figueira começam a branquear; não vedes os seus múltiplos rebentos   aguardando a época da floração; e não vos disse o Cristo: Conhece-se a árvore pelo fruto? Se, pois, são amargos os frutos , já sabeis que má é a árvore; se, porém, são doces e saudáveis, direis: “Nada que seja puro pode provir de fonte má.” É assim, meus irmãos , que deveis julgar; são as obras que deveis examinar. Se os que se dizem investidos de poder divino revelam sinais de uma missão de natureza elevada, isto é, se possuem no mais alto grau as virtudes cristãs e eternas: a caridade, o amor, a indulgência, a bondade que concilia   os   corações; se, em apoio das palavras, apresentam  os atos, podereis então dizer: Estes são realmente enviados   de Deus. Desconfiai, porém, das palavras melífluas, desconfiai dos escribas e dos fariseus que oram nas praças públicas, vestidos de longas túnicas. Desconfiai dos que pretendem ter o monopólio da verdade! Não, não, o Cristo não está entre esses, porquanto os que ele envia para propagar a sua santa doutrina e regenerar o seu povo serão, acima de tudo, seguindo-lhe o exemplo, brandos  e humildes de coração;  os que hajam, com os exemplos e conselhos que prodigalizem, de salvar a Humanidade, que corre para a perdição e pervaga por caminhos tortuosos , serão essencialmente modestos e humildes. De tudo o que revele um átomo de orgulho, fugi, como de uma lepra contagiosa, que corrompe tudo em que toca. Lembrai-vos de que cada criatura traz na fronte, mas principalmente nos atos , o cunho da sua grandeza ou da sua inferioridade. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item  8. Luís/ Allan Kardec )

            Os fenômenos espíritas, longe de abonarem os falsos Cristos e os falsos profetas, como a algumas pessoas apraz dizer, golpe mortal desferem neles. Não peçais ao Espiritismo prodígios, nem milagres, porquanto ele formalmente declara que os não opera. Do mesmo modo que a Física, a Química, a Astronomia, a Geologia revelaram as leis do mundo material, ele revela outras leis desconhecidas, as que regem as relações do mundo corpóreo com o mundo espiritual, leis que, tanto quanto aquelas outras da Ciência, são leis da Natureza. Facultando a explicação de certa ordem de fenômenos incompreendidos até o presente, ele destrói o que ainda restava do domínio do maravilhoso. Quem, portanto, se sentisse tentado a lhe explorar em proveito próprio os fenômenos, fazendo-se passar por Messias de Deus, não conseguiria abusar por muito tempo da credulidade alheia e seria logo desmascarado. Aliás, como já se tem dito, tais fenômenos, por si sós, nada provam: a missão se prova por efeitos morais, o que não é dado a qualquer um produzir. Esse um dos resultados do desenvolvimento da ciência espírita; pesquisando a causa de certos fenômenos, de sobre muitos mistérios levanta ela o véu. Só os que preferem a obscuridade à luz, têm interesse em combatê-la; mas, a verdade é como o Sol: dissipa os mais densos nevoeiros.O Espiritismo revela outra categoria bem mais perigosa de falsos Cristos e de falsos profetas, que se encontram, não entre os homens, mas entre os desencarnados: a dos Espíritos enganadores, hipócritas, orgulhosos e pseudo-sábios, que passaram da Terra para a erraticidade e tomam nomes venerados para, sob a máscara de que se cobrem, facilitarem a aceitação das mais singulares e absurdas ideias. Antes que se conhecessem as relações mediúnicas, eles atuavam de maneira menos ostensiva, pela inspiração, pela mediunidade inconsciente, audiente ou falante. É considerável o número dos que, em diversas épocas, mas, sobretudo, nestes últimos tempos, se hão apresentado como alguns dos antigos profetas, como o Cristo, como Maria, sua mãe, e até como Deus. S. João adverte contra eles os homens, dizendo: “Meus bem-amados, não acrediteis em todo Espírito; mas, experimentai se os Espíritos são de Deus, porquanto muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” O Espiritismo nos faculta os meios de experimentá-los, apontando os caracteres pelos quais se reconhecem os bons Espíritos, caracteres sempre morais, nunca materiais. É à maneira de se distinguirem dos maus os bons Espíritos que, principalmente, podem aplicar-se estas palavras de Jesus: “Pelo fruto é que se reconhece a qualidade da árvore; uma árvore boa não pode produzir maus frutos, e uma árvore má não os pode produzir bons.” Julgam-se os Espíritos pela qualidade de suas obras, como uma árvore pela qualidade dos seus frutos. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item  7. Allan Kardec)

            A questão da identidade dos Espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do Espiritismo. É que, com efeito, os Espíritos não nos trazem um ato de notoriedade e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles tomam nomes que nunca lhes pertenceram. Esta, por isso mesmo, é, depois da obsessão, uma das maiores dificuldades do Espiritismo prático. Todavia, em muitos casos, a identidade absoluta não passa de questão secundária e sem importância real. A identidade dos Espíritos das personagens antigas é a mais difícil de se conseguir, tornando-se muitas vezes impossível, pelo que ficamos adstritos a uma apreciação puramente moral. Julgam-se os Espíritos, como os homens, pela sua linguagem. Se um Espírito se apresenta com o nome de Fénelon, por exemplo, e diz trivialidades e puerilidades, está claro que não pode ser ele. Porém, se somente diz coisas dignas do caráter de Fénelon e que este não se furtaria a subscrever, há, senão prova material, pelo menos toda probabilidade moral de que seja de fato ele. Nesse caso, sobretudo, é que a identidade real se torna uma questão acessória. Desde que o Espírito só diz coisas aproveitáveis, pouco importa o nome sob o qual as diga.Objetar-se-á, sem dúvida, que o Espírito que tome um nome suposto, ainda que só para o bem, não deixa de cometer uma fraude: não pode, portanto, ser um Espírito bom. Aqui, há delicadezas de matizes muito difíceis de apanhar e que vamos tentar desenvolver.(O Livro dos Médiuns. 2ª  parte. Cap. 24. Item  255. Allan Kardec)

            À medida que os Espíritos se purificam e elevam na hierarquia, os caracteres distintivos de suas personalidades se apagam, de certo modo, na uniformidade da perfeição; nem por isso, entretanto, conservam eles menos suas individualidades. É o que se dá com os Espíritos superiores e os Espíritos puros. Nessa culminância, o nome que tiveram na Terra, em uma das mil existências corporais efêmeras por que passaram, é coisa absolutamente insignificante. Notemos mais que os Espíritos são atraídos uns para os outros pela semelhança de suas qualidades e formam assim grupos, ou famílias, por simpatia. De outro lado, se considerarmos o número imenso de Espíritos que, desde a origem dos tempos, devem ter galgado as fileiras mais altas e se o compararmos ao número tão restrito dos homens que hão deixado um grande nome na Terra, compreenderemos que, entre os Espíritos superiores, que podem comunicar-se, a maioria deve carecer de nomes para nós.Porém, como de nomes precisamos para fixarmos as nossas ideias, podem eles tomar o de uma personagem conhecida, cuja natureza mais identificada seja com a deles. É assim que os nossos anjos guardiães se fazem as mais das vezes conhecer pelo nome de um dos santos que veneramos e, geralmente, pelo daquele que nos inspira mais simpatia. Segue-se daí que, se o anjo guardião de uma pessoa se dá como sendo S. Pedro, por exemplo, ela nenhuma prova material pode ter de que seja exatamente o apóstolo desse nome. Tanto pode ser ele, como um Espírito desconhecido inteiramente, mas pertencente à família de Espíritos de que faz parte São Pedro. Segue-se ainda que, seja qual for o nome sob que alguém invoque o seu anjo guardião, este acudirá ao apelo que lhe é dirigido, porque o que o atrai é o pensamento, sendo-lhe indiferente o nome.O mesmo ocorre todas as vezes que um Espírito superior se comunica espontaneamente, sob o nome de uma personagem conhecida. Nada prova que seja exatamente o Espírito dessa personagem; porém, se ele nada diz que desminta o caráter desta última, há presunção de ser o próprio e, em todos os casos, se pode dizer que, se não é ele, é um Espírito do mesmo grau de elevação, ou talvez até um enviado seu. Em resumo, a questão de nome é secundária, podendo-se considerar o nome como simples indício da categoria que ocupa o Espírito na escala espírita.O caso muda de figura, quando um Espírito de ordem inferior se adorna com um nome respeitável, para que suas palavras mereçam crédito e este caso é de tal modo frequente que toda precaução não será demasiada contra semelhantes substituições. Graças a esses nomes de empréstimo e, sobretudo, com o auxílio da fascinação, é que alguns Espíritos sistemáticos, mais orgulhosos do que sábios, procuram tornar aceitas as mais ridículas ideias.A questão da identidade é, pois, como dissemos, quase indiferente, quando se trata de instruções gerais, uma vez que os melhores Espíritos podem substituir-se mutuamente, sem maiores consequências. Os Espíritos superiores formam, por assim dizer, um todo coletivo, cujas individualidades nos são, com exceções raras, desconhecidas. Não é a pessoa deles o que nos interessa, mas o ensino que nos proporcionam. Ora, desde que esse ensino é bom, pouco importa que aquele que o deu se chame Pedro, ou Paulo. Deve ele ser julgado pela sua qualidade e não pelas suas insígnias. Se um vinho é mau, não será a etiqueta que o tornará melhor. Outro tanto já não sucede com as comunicações íntimas, porque aí é o indivíduo, a sua pessoa mesma que nos interessa; muito razoável, portanto, é que, nessas circunstâncias, procuremos certificar-nos de que o Espírito que atende ao nosso chamado é realmente aquele que desejamos.(O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  256. Allan Kardec)

            Um meio empregado, às vezes com êxito, para se conseguir identificar um Espírito que se comunica, quando ele se torna suspeito, consiste em fazê-lo afirmar,em nome de Deus todo-poderoso,que é realmente quem diz ser. Sucede frequentemente que o que se apresentou com um nome usurpado recua diante do sacrilégio e que, tendo começado a dizer: Afirmo, em nome de... para e traça, colérico, riscos sem valor no papel, ou quebra o lápis. Se é mais hipócrita, ladeia a questão, mediante uma restrição mental, escrevendo, por exemplo:Certifico-vos que digo a verdade, ou então: Atesto, em nome de Deus, que sou mesmo eu quem vos fala, etc. Alguns há, entretanto, nada escrupulosos, que juram tudo o que se lhes exigir. Um desses se comunicou a um médium, dizendo-se Deus, e o médium, honrado com tão alta distinção, não hesitou em acreditá-lo. Evocado por nós, não ousou sustentar a sua impostura e disse: Não sou Deus, mas sou seu filho. — És então Jesus? Isto não é provável, porquanto Jesus está muito altamente colocado para empregar um subterfúgio. Ousas, não obstante, afirmar que és o Cristo? — Não digo que sou Jesus; digo que sou filho de Deus, porque sou uma de suas criaturas. Deve-se concluir daí que o recusar um Espírito afirmar a sua identidade, em nome de Deus, é sempre uma prova manifesta de que o nome que ele tomou é uma impostura; mas também que, se ele o afirma, essa afirmação não passa de uma presunção, não constituindo prova certa. (O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  259. Allan Kardec )

            Já dissemos que os Espíritos devem ser julgados, como os homens, pela linguagem de que usam. Suponhamos que um homem receba vinte cartas de pessoas que lhe são desconhecidas; pelo estilo, pelas idéias, por uma imensidade de indícios, enfim, verificará se aquelas pessoas são instruídas ou ignorantes, polidas ou mal-educadas, superficiais, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas, sentimentais, etc. Assim, também, com os Espíritos. Devemos considerá-los correspondentes que nunca vimos e procurar conhecer o que pensaríamos do saber e do caráter de um homem que dissesse ou escrevesse tais coisas. Pode estabelecer-se como regra invariável e sem exceção que — a linguagem dos Espíritos está sempre em relação com o grau de elevação a que já tenham chegado . Os Espíritos realmente superiores não só dizem unicamente coisas boas, como também as dizem em termos isentos, de modo absoluto, de toda trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se uma única expressão denotando baixeza as macula, isto constitui um sinal indubitável de inferioridade; com mais forte razão, se o conjunto do ditado fere as conveniências pela sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua procedência, quer pelos pensamentos que exprime, quer pela forma, e, ainda mesmo que algum Espírito queira iludir-nos sobre a sua pretensa superioridade, bastará conversemos algum tempo com ele para a apreciarmos.(O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  263. Allan Kardec)

            A bondade e a afabilidade são atributos essenciais dos Espíritos depurados. Não têm ódio, nem aos homens, nem aos outros Espíritos. Lamentam as fraquezas, criticam os erros, mas sempre com moderação, sem fel e sem animosidade. Admita-se que os Espíritos verdadeiramente bons não podem querer senão o bem e dizer senão coisas boas e se concluirá que tudo o que denote, na linguagem dos Espíritos, falta de bondade e de benignidade não pode provir de um bom Espírito.(O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  264. Allan Kardec)

            A inteligência longe está de constituir um indício certo de superioridade, porquanto a inteligência e a moral nem sempre andam emparelhadas. Pode um Espírito ser bom, afável, e ter conhecimentos limitados, ao passo que outro, inteligente e instruído, pode ser muito inferior em moralidade.É crença bastante generalizada que, interrogando-se o Espírito de um homem que, na Terra, foi sábio em certa especialidade, com mais segurança se obterá a verdade. Isto é lógico; entretanto, nem sempre é o que se dá. A experiência demonstra que os sábios, tanto quanto os demais homens, sobretudo os desencarnados de pouco tempo, ainda se acham sob o império dos preconceitos da vida corpórea; eles não se despojam imediatamente do espírito de sistema. Pode, pois, acontecer que, sob a influência das ideias que esposaram em vida e das quais fizeram para si um título de glória, vejam com menos clareza do que supomos. Não apresentamos este princípio como regra; longe disso. Dizemos apenas que o fato se dá e que, por conseguinte, a ciência humana que eles possuem não constitui sempre uma prova da sua infalibilidade, como Espíritos.(O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  265. Allan Kardec)

            Podem resumir-se nos princípios seguintes os meios de se reconhecer a qualidade dos Espíritos:

            1º Não há outro critério, senão o bom-senso, para se aquilatar do valor dos Espíritos. Absurda será qualquer fórmula que eles próprios  dêem para esse   efeito e não poderá provir de Espíritos superiores.

            2º Apreciam-se os Espíritos pela linguagem  de que usam e pelas suas ações. Estas se traduzem pelos sentimentos  que eles inspiram e pelos conselhos que dão.

            3º Admitido que os bons Espíritos só podem dizer e fazer o bem, de um bom Espírito não pode provir o que tenda para o mal.

            4º Os Espíritos superiores usam sempre de uma linguagem digna, nobre, elevada, sem eiva de trivialidade; tudo dizem com simplicidade e modéstia, jamais se vangloriam, nem se jactam de seu saber, ou da posição que ocupam entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares sempre algo refletem das paixões humanas. Toda expressão que denote baixeza, pretensão, arrogância, fanfarronice, acrimônia, é indício característico de inferioridade e de embuste, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e venerado.

            5º Não se deve julgar da qualidade do Espírito pela forma material, nem pela correção do estilo. É preciso sondar-lhe o íntimo, analisar-lhe as palavras, pesá-las friamente, maduramente e sem prevenção. Qualquer ofensa à lógica, à razão e à ponderação não pode deixar dúvida sobre a sua procedência, seja qual for o nome com que se ostente o Espírito. (Nº 224.)

            6º A linguagem dos Espíritos elevados é sempre idêntica, senão quanto à forma, pelo menos quanto ao fundo. Os pensamentos são os mesmos, em qualquer tempo e em todo lugar. Podem ser mais ou menos desenvolvidos, conforme as circunstâncias, as necessidades e as faculdades que encontrem para se comunicar; porém, jamais serão contraditórios. Se duas comunicações, firmadas pelo mesmo nome, se mostram em contradição, uma das duas é evidentemente apócrifa e a verdadeira será aquela em que nada desminta o conhecido caráter da personagem. Sobre duas comunicações assinadas, por exemplo, com o nome de São Vicente de Paulo, uma das quais propendendo para a união e a caridade e a outra tendendo para a discórdia, nenhuma pessoa sensata poderá equivocar-se.

            7º Os bons Espíritos só dizem o que sabem; calam-se ou confessam a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com desassombro, sem se preocuparem com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido.

            8º Reconhecem-se ainda os Espíritos levianos, pela facilidade com que predizem o futuro e precisam fatos materiais de que não nos é dado ter conhecimento. Os bons Espíritos fazem que as coisas futuras sejam pressentidas, quando esse pressentimento convenha; nunca, porém, determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação.

            9º Os Espíritos superiores se exprimem com simplicidade, sem prolixidade. Têm o estilo conciso, sem exclusão da poesia das ideias e das expressões, claro, inteligível a todos, sem demandar esforço para ser compreendido. Têm a arte de dizer muitas coisas em poucas palavras, porque cada palavra é empregada com exatidão. Os Espíritos inferiores, ou falsos sábios, ocultam sob o empolamento, ou a ênfase, o vazio de suas ideias. Usam de uma linguagem pretensiosa, ridícula, ou obscura, à força de quererem pareça profunda.

            10º Os bons Espíritos nunca ordenam; não se impõem, aconselham e, se não são escutados, retiram-se. Os maus são imperioso; dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam, haja o que houver. Todo Espírito que impõe trai a sua inferioridade. São exclusivistas e absolutos em suas opiniões; pretendem ter o privilégio da verdade. Exigem crença cega e jamais apelam para a razão, por saberem que a razão os desmascararia.

            11º Os bons Espíritos não lisonjeiam; aprovam o bem feito, mas sempre com reserva. Os maus prodigalizam exagerados elogios, estimulam o orgulho e a vaidade, embora pregando a humildade, e procuram exaltar a importância pessoal   daqueles a quem desejam captar.

            12º Os Espíritos superiores desprezam, em tudo , as puerilidades da forma. Só os Espíritos vulgares ligam importância a particularidades mesquinhas, incompatíveis com ideias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é sinal certo de inferioridade e de fraude, da parte de um Espírito que tome um nome imponente.

            13º Deve-se desconfiar dos nomes singulares e ridículos, que alguns Espíritos adotam, quando querem impor-se à credulidade; fora soberanamente absurdo tomar a sério semelhantes nomes.

            14º Deve-se igualmente desconfiar dos Espíritos que com muita facilidade se apresentam, dando nomes extremamente venerados, e não lhes aceitar o que digam, senão com muita reserva. Aí, sobretudo, é que uma verificação severa se faz indispensável, porquanto isso não passa muitas vezes de uma máscara que eles tomam, para dar a crer que se acham em relações íntimas com os Espíritos excelsos. Por esse meio, lisonjeiam a vaidade do médium e dela se aproveitam frequentemente para induzi-lo a atitudes lamentáveis e ridículas.

            15º Os bons Espíritos são muito escrupulosos no tocante às atitudes que hajam de aconselhar. Elas, qualquer que seja o caso, nunca deixam de objetivar um fim sério e eminentemente útil. Devem, pois, ter-se por suspeitas todas as que não apresentam este caráter, ou sejam condenáveis perante a razão, e cumpre refletir maduramente antes de tomá-las, a fim de evitarem-se mistificações desagradáveis.

            16º Também se reconhecem os bons Espíritos pela prudente reserva que guardam sobre todos os assuntos que possam trazer comprometimento. Repugna-lhes desvendar o mal, enquanto que aos Espíritos levianos, ou malfazejos apraz pô-lo em evidência. Ao passo que os bons procuram atenuar os erros e pregam a indulgência, os maus os exageram e sopram a cizânia, por meio de insinuações pérfidas.

            17º Os bons Espíritos só prescrevem o bem. Máxima nenhuma, nenhum conselho,   que se não conformem estritamente com a pura caridade evangélica , podem ser obra de bons Espíritos.

            18º Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da   linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza , denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança.

            19º Os Espíritos maus, ou simplesmente imperfeitos, ainda se traem por indícios materiais, a cujo respeito ninguém se pode enganar. A ação deles sobre o médium é às vezes violenta e provoca movimentos bruscos e intermitentes, uma agitação febril e convulsiva, que destoa da calma e da doçura dos bons Espíritos.

            20º Muitas vezes, os Espíritos imperfeitos se aproveitam dos meios de que dispõem, de comunicar-se, para dar conselhos pérfidos. Excitam a desconfiança e a animosidade contra os que lhes são antipáticos. Especialmente os que lhes podem desmascarar as imposturas são objeto da maior animadversão da parte deles. Alvejam os homens fracos, para os induzir ao mal. Empregando alternativamente, para melhor convencê-los, os sofismas, os sarcasmos, as injúrias e até demonstrações materiais do poder oculto de que dispõem, se empenham em desviá-los da senda da verdade.

            21º Os Espíritos dos que na Terra tiveram uma única preocupação, material ou moral, se se não desprenderam da influência da matéria, continuam sob o império das ideias terrenas e trazem consigo uma parte dos preconceitos, das predileções   e mesmo das manias   que tinham neste mundo. Fácil é isso de reconhecer-se pela linguagem de que se servem.

            22º Os conhecimentos de que alguns Espíritos se enfeitam, às vezes, com uma espécie de ostentação, não constituem sinal da superioridade deles. A inalterável pureza dos sentimentos morais é, a esse respeito, a verdadeira pedra de toque.

            23º Não basta se interrogue um Espírito para conhecer-se a verdade. Precisamos, antes de tudo, saber a quem nos dirigimos; porquanto, os Espíritos inferiores, ignorantes que são, tratam frivolamente das questões mais sérias. Também não basta que um Espírito tenha sido na Terra um grande homem, para que, no mundo espírita, se ache de posse da soberana ciência. Só a virtude pode, purificando-o, aproximá-lo de Deus e dilatar-lhe os conhecimentos.

            24º Da parte dos Espíritos superiores, o gracejo é muitas vezes fino e vivo, nunca, porém, trivial. Nos Espíritos zombadores, quando não são grosseiros, a sátira mordaz é, não raro, muito propositada.

            25º Estudando-se cuidadosamente o caráter dos Espíritos que se apresentam, sobretudo do ponto de vista moral, reconhecer-lhes a natureza e o grau de confiança que devem merecer. O bom-senso não poderia enganar.

            26º Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é preciso, primeiro, que cada um saiba julgar-se a si mesmo. Muita gente há, infelizmente, que toma suas próprias opiniões pessoais como paradigma exclusivo do bom e do mau, do verdadeiro e do falso; tudo o que lhes contradiga a maneira de ver, a suas ideias e ao sistema que conceberam, ou adotaram, lhes parece mau. A semelhante gente evidentemente falta a qualidade primacial para uma apreciação sã: a retidão do juízo. Disso, porém, nem suspeitam. É o defeito sobre que mais se iludem os homens. Todas estas instruções decorrem da experiência e dos ensinos dos Espíritos. Vamos completá-las com as próprias respostas que eles deram, sobre os pontos mais importantes.(O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  267. Allan Kardec)

            1ª Por que sinais se pode reconhecer a superioridade ou a inferioridade dos Espíritos? “Pela linguagem, como distinguis um doidivanas de um homem sensato. Já dissemos que os Espíritos superiores não se contradizem nunca e só dizem coisas aproveitáveis. Só querem o bem, que lhes constitui a única preocupação. “Os Espíritos inferiores ainda se encontram sob o influxo das ideias materiais; seus discursos se ressentem da ignorância e da imperfeição que lhes são características. Somente aos Espíritos superiores é dado conhecer todas as coisas e julgá-las desapaixonadamente.”

            2ª A ciência é sempre sinal certo de elevação de um Espírito? “Não, porquanto, se ele ainda está sob a influência da matéria, pode ter os vossos vícios e prejuízos. Há pessoas que, neste mundo, são excessivamente invejosas e orgulhosas; julgais que, apenas o deixam, perdem esses defeitos? Após a partida daqui, os Espíritos, sobretudo os que alimentaram paixões bem marcadas, permanecem envoltos numa espécie de atmosfera que lhes conserva todas as coisas más de que se impregnaram. “Esses Espíritos semi imperfeitos são mais de temer do que os maus Espíritos, porque, na sua maioria, reúnem à inteligência a astúcia e o orgulho. Pelo pretenso saber de que se jactam, eles se impõem aos simples e aos ignorantes, que lhes aceitam sem exames as teorias absurdas e mentirosas. Embora tais teorias não possam prevalecer contra a verdade, nem por isso deixam de produzir um mal passageiro, pois que entravam a marcha do Espiritismo e os médiuns voluntariamente se fazem cegos sobre o mérito do que lhes é comunicado. Esse um ponto que demanda grande estudo da parte dos espíritas esclarecidos e dos médiuns. Para distinguir o verdadeiro do falso é que cumpre se faça convergir toda a atenção.”

            3ª Muitos Espíritos protetores se designam pelos nomes de santos, ou de personagens conhecidas. Que se deve pensar a esse respeito? “Nem todos os nomes de santos e de personagens conhecidas bastariam para fornecer um protetor a cada homem. Entre os Espíritos, poucos há que tenham nome conhecido na Terra. Por isso é que, as mais das vezes, eles nenhum nome declinam. Vós, porém, quase sempre quereis um nome; então, para vos satisfazer, o espírito toma o de um homem que conhecestes e a quem respeitais.”

            4ª O uso desse nome não pode ser considerado uma fraude? “Seria uma fraude da parte de um Espírito mau, que quisesse enganar; mas, quando é para o bem, Deus permite que assim procedam os Espíritos da mesma categoria, porque há entre eles solidariedade e analogia de pensamentos.”

            5ª Assim, quando um Espírito protetor diz ser São Paulo, por exemplo, não é certo que seja o Espírito mesmo, ou a alma, do apóstolo que teve esse nome? “Exatamente, porquanto há milhares de pessoas às quais foi dito que têm por anjo guardião São Paulo, ou qualquer outro. Mas que vos importa isso, desde que o Espírito que vos protege é tão elevado quanto São Paulo? Eu já o disse: como precisais de um nome, eles tomam um para que os possais chamar e reconhecer, do mesmo modo que tomais os nomes de batismo para vos distinguirdes dos outros membros da vossa família. Podem, pois, tomar igualmente os dos arcanjos Rafael, Miguel, etc., sem que daí nada de mais resulte." “Acresce que, quanto mais elevado é um Espírito, tanto mais dilatada é a sua irradiação. Segue-se, portanto, que um Espírito protetor de ordem muito elevada pode ter sob a sua tutela centenas de encarnados. Entre vós, na Terra, há notários que se encarregam dos negócios de cem e duzentas famílias; por que haveríeis de supor que menos aptos fôssemos nós, espiritualmente falando, para a direção moral dos homens, do que aqueles o são para a direção material de seus interesses?”

            6ª Por que é que os Espíritos que se comunicam tomam frequentemente nomes de santos? “Identificam-se com os hábitos daqueles a quem falam e adotam os nomes mais apropriados a causar forte impressão nos homens por efeito de suas crenças.”

            7ª Quando evocados, os Espíritos superiores vêm sempre em pessoa, ou, como alguns o supõem, se fazem representar por mandatários incumbidos de lhes transmitir os pensamentos? “Por que não virão em pessoa, se o podem? Se, porém, o Espírito evocado não pode vir, o que se apresenta é forçosamente um mandatário.”

            8ª E o mandatário é sempre suficientemente esclarecido para responder como faria o Espírito que o envia? “Os Espíritos superiores sabem a quem confiam o encargo de os substituir. Além disso, quanto mais elevados são os Espíritos, mais se confundem pela comunhão dos pensamentos, de tal sorte que, para eles, a personalidade é coisa indiferente, como o deve ser também para vós. Julgais, então, que no mundo dos Espíritos superiores não haja senão os que conhecestes na Terra, como capazes de vos instruírem? De tal modo sois propensos a considerar-vos como os tipos do universo, que sempre supondes nada mais haver fora do vosso mundo. Em verdade vos assemelhais a esses selvagens que, nunca tendo saído da ilha em que habitam, creem que o mundo não vai além dela.”

            9ª Compreendemos que seja assim, quando se trate de um ensino sério; mas, como permitem os Espíritos superiores que outros, de baixo estalão, adotem nomes respeitáveis, para induzirem os homens em erro, por meio de máximas não raro perversas? “Não é com a permissão dos primeiros que estes o fazem. O mesmo não se dá entre vós? Os que desse modo enganam os homens serão punidos, ficai certos, e a punição deles será proporcionada à gravidade da impostura. Ao demais, se não fôsseis imperfeitos, não teríeis em torno de vós senão bons Espíritos; se sois enganados, só de vós mesmos vos deveis queixar. Deus permite que assim aconteça, para experimentar a vossa perseverança e o vosso discernimento e para vos ensinar a distinguir a verdade do erro. Se não o fazeis, é que não estais bastante elevados e precisais ainda das lições da experiência.”

            10ª Não sucede que os Espíritos pouco adiantados, porém, animados de boas intenções e do desejo de progredir, se veem designados às vezes para substituir um Espírito superior, a fim de que tenham o ensejo de se exercitarem no ensinar aos seus irmãos? “Nunca, nos grandes centros; quero dizer, nos centros sérios e quando se trate de ministrar um ensinamento geral. Os que aí se apresentam o fazem por sua própria conta, para, como dizeis, se exercitarem. Por isso é que suas comunicações, ainda que boas, trazem o cunho da inferioridade deles. Delegados só o são para as comunicações pouco importantes e para as que se podem chamar pessoais.”

            11ª Nota-se que, às vezes, as comunicações espíritas ridículas se mostram entremeadas de excelentes máximas. Como explicar esta anomalia, que parece indicar a presença simultânea de bons e maus Espíritos? “Os Espíritos maus, ou levianos, também se metem a enunciar sentenças, sem lhes perceberem bem o alcance, ou a significação. Entre vós, serão homens superiores todos os que as enunciam? Não; os bons e os maus Espíritos não andam juntos; pela uniformidade constante das boas comunicações é que reconhecereis a presença dos bons Espíritos.”

            12ª Os Espíritos que nos induzem em erro procedem sempre cientes do que fazem? “Não; há Espíritos bons, mas ignorantes e que podem enganar-se de boa-fé. Desde que tenham consciência da sua ignorância, convém nisso e só dizem o que sabem.”

            13ª O Espírito que dá uma comunicação falsa sempre o faz com intenção maléfica? “Não; se é um Espírito leviano, diverte-se em mistificar, sem outro intuito.”

            14ª Podendo alguns Espíritos enganar pela linguagem de que usam, segue-se que também podem, aos olhos de um médium vidente, tomar uma falsa aparência? “Isso se dá, porém, mais dificilmente. Todavia, só se verifica com um fim que os próprios Espíritos maus desconhecem. Eles então servem de instrumentos para uma lição... O médium vidente pode ver Espíritos levianos e mentirosos, como outros os ouvem, ou escrevem sob a influência deles. Podem os Espíritos levianos aproveitar-se dessa disposição, para o enganar, por meio de falsas aparências; isso depende das qualidades do Espírito do próprio médium.”

            15ª Para não ser enganado, basta que alguém esteja animado de boas intenções? E os homens sérios, que não mesclam de vã curiosidade seus estudos, também se acham sujeitos a ser enganados? “Evidentemente, menos do que os outros; mas, o homem tem sempre alguns pontos fracos que atraem os Espíritos zombeteiros. Ele se julga forte e muitas vezes não o é. Deve, pois, desconfiar sempre da fraqueza que nasce do orgulho e dos preconceitos. Ninguém leva bastante em conta estas duas causas de queda, de que se aproveitam os Espíritos que, lisonjeando as manias, têm a certeza do bom êxito.”

            16ª Por que permite Deus que maus Espíritos se comuniquem e digam coisas ruins? “Ainda mesmo no que haja de pior, um ensinamento sempre se colhe. Toca-vos saber colhê-lo. Mister se faz que haja comunicações de todas as espécies, para que aprendais a distinguir os bons Espíritos dos maus e para que vos sirvam de espelho a vós mesmos.”

            17ª Podem os Espíritos, por meio de comunicações escritas, inspirar desconfianças infundadas contra certas pessoas e causar dissídios entre amigos? “Espíritos perversos e invejosos podem fazer, no terreno do mal, o que fazem os homens. Por isso é que estes devem estar em guarda. Os Espíritos superiores são sempre prudentes e reservados, quando têm de censurar; nada de mal dizem: advertem cautelosamente. Se querem que, no interesse delas, duas pessoas deixem de ver-se, darão causa a incidentes que as separarão de modo todo natural. Uma linguagem própria a semear a discórdia e a desconfiança é sempre obra de um mau Espírito, qualquer que seja o nome com que se adorne. Assim, pois, usai de muita circunspecção no acolher o que de mal possa um Espírito dizer de um de vós, sobretudo quando um bom Espírito vos tenha falado bem da mesma pessoa, e desconfiai também de vós mesmos e das vossas próprias prevenções. Das comunicações dos Espíritos, guardai apenas o que haja de belo, de grande, de racional, e o que a vossa consciência aprove.”

            18ª Pela facilidade com que os maus Espíritos se intrometem nas comunicações, parece legítimo concluir-se que nunca estaremos certos de ter a verdade? “Não é assim, pois que tendes um juízo para as apreciar. Pela leitura de uma carta, sabeis perfeitamente reconhecer se foi um tipo sem educação, ou um homem bem-educado, um néscio ou um sábio que a escreveu; por que não podereis conseguir isso, quando são os Espíritos que vos escrevem? Ao receberdes uma carta de um amigo ausente, que é o que vos assegura que ela provém dele? A caligrafia, direis; mas, não há falsários que imitam todas as caligrafias; tratantes que podem conhecer os vossos negócios? Entretanto, há sinais que não vos permitirão qualquer equívoco. O mesmo sucede com relação aos Espíritos. Figurai, pois, que é um amigo quem vos escreve, ou que ledes a obra de um escritor, e julgai pelos mesmos processos.”

            19ª Poderiam os Espíritos superiores impedir que os maus Espíritos tomassem falsos nomes? “Certamente que o podem; porém, quanto piores são os Espíritos, mais obstinados se mostram e muitas vezes resistem a todas as injunções. Também é preciso saibais que há pessoas pelas quais os Espíritos superiores se interessam mais do que outras e, quando eles julgam conveniente, as preservam dos ataques da mentira. Contra essas pessoas os Espíritos enganadores nada podem.”

            20ª Qual o motivo de semelhante parcialidade? “Não há parcialidade, há justiça. Os bons Espíritos se interessam pelos que usam criteriosamente da faculdade de discernir e trabalham seriamente por melhorar-se. Dão a esses suas preferências e os segundam; pouco, porém, se incomodam com aqueles junto dos quais perdem o tempo em belas palavras.”

            21ª Por que permite Deus que os Espíritos cometam o sacrilégio de usar falsamente de nomes venerados? “Poderias também perguntar por que permite Deus que os homens mintam e blasfemem. Os Espíritos, assim como os homens, têm o seu livre-arbítrio para o bem, tanto quanto para o mal; porém, nem a uns nem a outros a justiça de Deus deixará de atingir.”

            22ª Haverá fórmulas eficazes para expulsar os Espíritos enganadores? “Fórmula é matéria; muito mais vale um bom pensamento dirigido a Deus.”

            23ª Dizem alguns Espíritos disporem de sinais gráficos inimitáveis, espécies de emblemas, pelos quais podem ser conhecidos e comprovarem a sua identidade; é verdade? “Os Espíritos superiores nenhum outro sinal têm para se fazerem reconhecer além da superioridade das suas ideias e de sua linguagem. Qualquer Espírito pode imitar um sinal material. Quanto aos Espíritos inferiores, esses se traem de tantos modos, que fora preciso ser cego para deixar-se iludir.”

            24ª Não podem também os Espíritos enganadores contrafazer o pensamento? “Contrafazem o pensamento, como os cenógrafos contrafazem a Natureza.”

            25ª Parece assim fácil sempre descobrir-se a fraude por meio de um estudo atento? “Não o duvides. Os Espíritos só enganam os que se deixam enganar. Mas, é preciso ter olhos de mercador de diamantes, para distinguir a pedra verdadeira da falsa. Ora, aquele que não sabe distinguir a pedra fina da falsa se dirige ao lapidário.”

            26ª Há pessoas que se deixam seduzir por uma linguagem enfática, que apreciam mais as palavras do que as ideias, que mesmo tomam ideias falsas e vulgares por sublimes. Como podem essas pessoas, que não estão aptas a julgar as obras dos homens, julgar as dos Espíritos? “Quando essas pessoas são bastante modestas para reconhecer a sua incapacidade, não se fiam de si mesmas; quando por orgulho se julgam mais capazes do que o são, trazem consigo a pena da vaidade tola que alimentam. Os Espíritos enganadores sabem perfeitamente a quem se dirigem. Há pessoas simples e pouco instruídas mais difíceis de enganar do que outras, que têm finura e saber. Lisonjeando-lhes as paixões, fazem eles do homem o que querem.”

            27ª Na escrita, dar-se-á que os maus Espíritos algumas vezes se traiam por sinais materiais involuntários? “Os hábeis, não; os desazados se desencaminham. Todo sinal inútil e pueril é indício certo de inferioridade. Coisa alguma inútil fazem os Espíritos elevados.”

            28ª Muitos médiuns reconhecem os bons e os maus Espíritos pela impressão agradável ou penosa que experimentam à aproximação deles. Perguntamos se a impressão desagradável, a agitação convulsiva, o mal-estar são sempre indícios da má natureza dos Espíritos que se manifestam? “O médium experimenta as sensações do estado em que se encontra o Espírito que dele se aproxima. Quando ditoso, o Espírito é tranquilo, leve, refletido; quando infeliz, é agitado, febril, e essa agitação se transmite naturalmente ao sistema nervoso do médium. Em suma, dá-se o que se dá com o homem na Terra: o bom é calmo, tranquilo; o mau está constantemente agitado (1).” (O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  268. Allan Kardec)

            Por o Espírito Erasto nos adverte: "Desconfiai  dos falsos profetas. É útil em todos os tempos essa recomendação, mas, sobretudo , nos momentos de transição em que, como no atual, se elabora uma transformação da Humanidade, porque, então, uma multidão de ambiciosos e intrigantes se arvoram em reformadores e Messias. É contra esses impostores que se deve estar em guarda, correndo a todo homem honesto o dever de os desmascarar. Perguntareis, sem dúvida, como reconhecê-los. Aqui tendes o que os assinala: Somente a um hábil general, capaz de o dirigir, se confia o comando de um exército. Julgais que Deus seja menos prudente do que os homens? Ficai certos de que só confia missões importantes aos que ele sabe capazes de as cumprir, porquanto as grandes missões são fardos pesados que esmagariam o homem carente de forças para carregá-los. Em todas as coisas, o mestre há de sempre saber mais do que o discípulo; para fazer que a Humanidade avance moralmente e intelectualmente, são precisos homens superiores em inteligência e em moralidade. Por isso, para essas missões são sempre escolhidos Espíritos já adiantados, que fizeram suas provas noutras existências, visto que, se não fossem superiores ao meio em que têm de atuar, nula lhes resultaria a ação. Isto posto, haveis de concluir que o verdadeiro missionário de Deus tem de justificar, pela sua superioridade, pelas suas virtudes, pela grandeza, pelo resulta do  e pela influência moralizadora de suas obras, a missão de que se diz portador. Tirai também esta outra consequência: se, pelo seu caráter, pelas suas virtudes, pela sua inteligência, ele se mostra abaixo  do  papel com que se apresente, ou da personagem sob cujo nome se coloca, mais não é do  que um histrião de baixo estofo, que nem sequer sabe imitar o modelo que escolheu. Outra consideração: os verdadeiros missionários de Deus ignoram-se a si mesmos, em sua maior parte; desempenham a missão a que foram chama dos pela força do gênio que possuem, secunda do pelo poder oculto que os inspira e dirige a seu mau grado, mas sem desígnio premeditado . Numa palavra: os   verdadeiros  profetas se revelam por seus atos, são adivinhados, ao passo que os falsos profetas se dão, eles próprios, como enviados de Deus. O primeiro é humilde e modesto; o segundo , orgulhoso e cheio de si, fala com altivez e, como todos os mendazes, parece sempre temeroso de que não lhe deem crédito. Alguns desses impostores têm havido , pretendendo  passar por apóstolos do   Cristo, outros pelo próprio Cristo, e, para vergonha da Humanidade, hão encontrado pessoas assaz crédulas que lhes creem nas torpezas. Entretanto, uma ponderação bem simples seria bastante a abrir os olhos do mais cego, a de que se o Cristo reencarnasse na Terra, viria com todo o seu poder e todas as suas virtudes, a menos se admitisse, o que fora absurdo , que houvesse degenerado . Ora,  do mesmo modo que, se tirardes a Deus um só de seus atributos, já não tereis Deus, se tirardes uma só de suas virtudes ao Cristo, já não mais o tereis. Possuem todas as suas virtudes os que se dão como sendo o Cristo? Essa a questão. Observai-os, perscrutai-lhes as ideias e os atos e reconhecereis que, acima de tudo , lhes faltam as qualidades distintivas do Cristo: a humildade e a caridade, sobejando-lhes as que o Cristo não tinha: a cupidez e o orgulho. Notai, ao demais, que neste momento há, em vários países, muitos pretensos Cristos, como há muitos pretensos Elias, muitos S. João ou S. Pedro e que não é absolutamente possível sejam verdadeiros todos. Tende como certo que são apenas criaturas que exploram a credulidade  dos outros e acham cômodo viver à custa  dos que lhes prestam ouvidos. Desconfiai, pois, dos falsos profetas, máxima numa época de renovação, qual a presente, porque muitos impostores se dirão enviados de Deus. Eles procuram satisfazer na Terra à sua vaidade; mas uma terrível justiça os espera, podeis estar certos." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item 9. Erasto / Allan Kardec)

            São eles que espalham o fermento dos antagonismos entre os grupos, que os impelem a isolarem-se uns dos outros e a olharem-se com prevenção. Isso por si só bastaria para os desmascarar, pois, procedendo assim, são os primeiros a dar o mais formal desmentido às suas pretensões. Cegos, portanto, são os homens que se deixam cair em tão grosseiro embuste.

            Mas, há muitos outros meios de serem reconhecidos. Espíritos da categoria em que eles dizem achar-se têm de ser não só muito bons, como também eminentemente racionais. Pois bem: passai-lhes os sistemas pelo crivo da razão e do bom senso e vede o que restará. Convinde, pois, comigo, em que, todas as vezes que um Espírito indica, como remédio aos males da Humanidade ou como meio de conseguir-se a sua transformação, coisas utópicas e impraticáveis, medidas pueris e ridículas; quando formula um sistema que as mais rudimentares noções da Ciência contradizem, não pode ser senão um Espírito ignorante e mentiroso.

            Por outro lado, crede que, se nem sempre os indivíduos apreciam a verdade, esta é apreciada sempre pelo bom senso das massas, constituindo isso mais um critério. Se dois princípios se contradizem, achareis a medida do valor intrínseco de ambos, verificando qual dos dois encontra mais ecos e simpatias. Fora, com efeito, ilógico admitir-se que uma doutrina cujo número de adeptos diminua progressivamente seja mais verdadeira do que outra que veja o dos seus em continuo aumento. Querendo que a verdade chegue a todos, Deus não a confina num círculo acanhado: fá-la surgir em diferentes pontos, a fim de que por toda a parte a luz esteja ao lado das trevas.

            Repeli sem condescendência todos esses Espíritos que se apresentam como conselheiros exclusivos, pregando a separação e o insulamento. São quase sempre Espíritos vaidosos e medíocres, que procuram impor-se a homens fracos e crédulos, prodigalizando-lhes exagerados louvores, a fim de os fascinar e de tê-los dominados. São, geralmente, Espíritos sequiosos de poder e que, déspotas públicos ou nos lares, quando vivos, ainda querem vitimas para tiranizar depois de terem morrido. Em geral, desconfiai das comunicações que trazem um caráter de misticismo e de singularidade, ou que prescrevem cerimônias e atos extravagantes. Há sempre, nesses casos, motivo legítimo de suspeição.

            Estai certos, igualmente, de que quando uma verdade tem de ser revelada aos homens, é, por assim dizer, comunicada instantaneamente a todos os grupos sérios, que dispõem de médiuns também sérios, e não a tais ou quais, com exclusão dos outros. Nenhum médium é perfeito, se está obsidiado; e há manifesta obsessão quando um médium só é apto a receber comunicações de determinado Espírito, por mais alto que este procure colocar-se.

            Conseguintemente, todo médium e todo grupo que considerem privilégio seu receber as comunicações que obtêm e que, por outro lado, se submetem a práticas que tendem para a superstição, indubitavelmente se acham presas de uma obsessão bem caracterizada, sobretudo quando o Espírito dominador se pavoneia com um nome que todos, encarnados e desencarnados, devem honrar e respeitar e não permitir seja declinado a todo propósito.

            É incontestável que, submetendo ao crivo da razão e da lógica todos os dados e todas as comunicações dos Espíritos, fácil se torna rejeitar a absurdidade e o erro, Pode um médium ser fascinado, e iludido um grupo; mas, a verificação severa a que procedam os outros grupos, a ciência adquirida, a alta autoridade moral dos diretores de grupos, as comunicações que os principais médiuns recebam, com um cunho de lógica e de autenticidade dos melhores Espíritos, justiçarão rapidamente esses ditados mentirosos e astuciosos, emanados de uma turba de Espíritos mistificadores ou maus. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item 10. Erasto, discípulo de São Paulo/ Allan Kardec )

            Eis o que diz o Senhor dos  Exércitos : Não escuteis as palavras dos   profetas que vos profetizam e que vos enganam. Eles publicam as visões de seus corações e não o que aprenderam da boca do Senhor. – Dizem aos que de mim blasfemam: O Senhor o disse, tereis paz; e a todos os que andam na corrupção de seus corações: Nenhum mal vos  acontecerá. – Mas, qual dentre eles assistiu ao conselho de Deus? Qual o que o viu e escutou o que ele disse? – Eu não enviava esses   profetas ; eles corriam por si mesmos ; eu absolutamente não lhes falava; eles profetizavam de suas cabeças. – Eu ouvi o que disseram esses   profetas   que profetizavam a mentira em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei. – Até quando essa imaginação estará no coração dos   que profetizam a mentira e cujas profecias não são senão as seduções do coração deles? Se, pois, este povo, ou um profeta, ou um sacerdote vos interrogar e disser: Qual o fardo do Senhor? Dir-lhe-eis: vós mesm os sois o fardo e eu vos lançarei bem longe de mim, diz o Senhor. (JEREMIAS, 23:16 a 18, 21, 25, 26 e 33.) É dessa passagem do profeta  Jeremias  que quero tratar convosco, meus amigos . Falando pela sua boca, diz Deus: “É a visão do coração deles que os faz falar.” Essas palavras claramente indicam que, já naquela época, os charlatães e os exaltados abusavam do dom de profecia e o exploravam. Abusavam, por conseguinte, da fé simples e quase cega do povo, predizendo, por dinheiro, coisas boas e agradáveis. Muito generalizada se achava essa espécie de fraude na nação judia, e fácil é de compreender-se que o pobre povo, em sua ignorância, nenhuma possibilidade tinha de distinguir os bons dos maus, sendo sempre mais ou menos ludibriado pelos pseudoprofetas , que não passavam de impostores ou fanáticos . Nada há de mais significativo do que estas palavras: “Eu não enviei esses   profetas   e eles correram por si mesmos ; não lhes falei e eles profetizaram.” Mais adiante, diz: “Eu ouvi esses profetas que profetizavam a mentira em meu nome, dizendo: Sonhei, sonhei.” Indicava assim um dos meios que eles empregavam para explorar a confiança de que eram objeto. A multidão, sempre crédula, não pensava em lhes contestar a veracidade dos sonhos , ou das visões; achava isso muito natural e constantemente os convidava a falar. Após as palavras do profeta, escutai os sábios conselhos do apóstolo S. João, quando diz: “Não acrediteis em todo Espírito; experimentai se  os  Espíritos  são de Deus”, porque, entre  os  invisíveis, também há   os  que se comprazem em iludir, se se lhes depara ocasião.  Os   iludidos são, está-se a ver, os médiuns que se não precatam bastante. Aí se encontra, é fora de toda dúvida, um dos maiores escolhos em que muitos funestamente esbarram, mormente se são novatos no Espiritismo. É-lhes isso uma prova de que só com muita prudência podem triunfar. Aprendei, pois, antes de tudo, a distinguir  os  bons e   os maus Espíritos , para, por vossa vez, não vos tornardes falsos   profetas .(O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Item 11. Luoz, Espírito Protetor/ Allan Kardec )

            Observação(1) : Há médiuns de maior ou menor impressionabilidade nervosa, pelo que a agitação não se pode considerar como regra absoluta. Aqui, como em tudo, devem ter-se em conta as circunstâncias. O caráter penoso e desagradável da impressão é um efeito de contraste, porquanto, se o Espírito do médium simpatiza com o mau Espírito que se manifesta, nada ou muito pouco a proximidade deste o afetará. Todavia, é preciso se não confunda a rapidez da escrita, que deriva da extrema flexibilidade de certos médiuns, com a agitação convulsiva que os médiuns mais lentos podem experimentar ao contacto dos Espíritos imperfeitos.(O Livro dos Médiuns. 2ª parte. Cap. 24. Item  268. Allan Kardec )

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap.21. Itens 4, 5, 7, 8, 9, 10 e11. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Questão 552. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. 2ª  parte. Cap. 24. Itens  255, 256, 259, 263, 264, 265, 267 e 268. Allan Kardec .

- O Consolador.  Questão 277. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier.

- No mundo de Chico Xavier. Itens 35, 36 e 37. Chico Xavier/ Elias Barbosa.

- Diretrizes de segurança. Cap.95. Divaldo P. Franco e J. Raul Teixeira.

-  Sites: https://veja.abril.com.br/blog/tela-plana/vitimas-de-joao-de-deus-narram-detalhes-de-abusos-em-producao-do-globoplay/;   https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/05/28/joao-de-deus-usava-termos-religiosos-e-fazia-ameacas-durante-abusos-sexuais-diz-mp.ghtml. Data de consulta: 07-09-20.