Aula 128 - Desapego aos bens terrenos

Ciclo 1 - História: As duas irmãsAtividade: ESE - Cap. 16 - 3 - Preservar-se da avareza.

Ciclo 2 - História:  O tesouro escondidoAtividade: ESE - Cap. 16 - 9- A verdadeira propriedade.  

Ciclo 3 - História:  O servo insaciávelAtividade: PH- Paulo de Tarso - 27 - A avareza.

 

Dinâmicas: Desapego aos bens materiais; Desprendimento aos bens terrenos.

Mensagens Espíritas: Desapego aos bens terrenos.

Sugestão de vídeo: - Parábola do Rico insensato (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: - Coleção fábulas que ensinam - A Galinha do Ovos de Ouro. La Fontaine. Editora Todolivro.

 

Leitura da Bíblia: Lucas - Capítulo 12


12.13   Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança.


12.14   Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?


12.15   Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.


12.16   E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância.


12.17   E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?


12.18   E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.


12.19   Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.


12.20   Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?


12.21   Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.


 

Tópicos a serem abordados:

- Todos os bens da Terra pertencem a Deus, até o nosso próprio corpo. Tudo isto é um empréstimo que nosso Pai divino nos concedeu para ser utilizado para o bem.

- Após a morte, não será possível levar consigo coisas materiais, tais como: brinquedos, televisão, computador, bicicleta, etc. As coisas materiais  são perecíveis, passageiras e de pouca duração. Não podemos levá-las para a pátria espiritual. Elas são necessários somente para nossa vida material.

-  Somos proprietários somente daquilo  que podemos levar deste mundo. Podemos levar o conhecimento, a inteligência, os sentimentos de  amor, bondade,  paciência, etc. Esses são os verdadeiros tesouros, pois são duráveis e eternos.

- Jesus disse: '' Tenha cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; Por que, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a sua vida não depende de seus bens''. Se você é pobre, não deve invejar os ricos, porque a riqueza não é necessária para alcançar à felicidade.

- A avareza é o apego exagerado (doentio) às riquezas materiais. Aquele que se apega muito ao dinheiro e as coisas materiais, não tem tempo para se dedicar as coisas espirituais, portanto se afasta de Deus. 

- O apego as coisas materiais constitui um dos mais fortes obstáculos para o nosso adiantamento moral e espiritual. O apego aos bens terrenos constitui sinal notório de inferioridade.

- Aquele que acumula dinheiro para si e não ajuda o seu próximo, com a justificativa de que deixará como herança para seus filhos, costuma dizer que isto é economia ou previdência, mas na realidade é ganância e avareza. 

- Os Espíritos que viveram mais a vida material do que a vida moral, continuam  apegados aos objetos e pessoas que deixaram na Terra e são atraídos para os lugares onde viviam.  Já os Espíritos que não estão mais apegados à Terra vão para onde possam exercitar o amor.

- Portanto, não converta seu lar em museu. Os objetos inúteis em casa serão úteis em casas alheias. Quem faz circular os empréstimos de Deus, renova o próprio caminho.  Retire da despensa os alimentos, que descansam esquecidos, para a distribuição fraterna aos que passam fome. Reviste o guarda-roupa, e verifique as roupas e sapatos que não mais utilize, conduzindo-os para aqueles que passam frio e que estão descalços.  Separe também brinquedos e livros, que já estão empoeirados pela falta de uso e dê para aqueles que não têm. (1) 

- Jesus não ordena que se desfaça de todas as coisas que você possui, pois assim, se tornaria um mendigo e seria um peso para a sociedade. Deus concede a riqueza para que saibamos administrá-la em benefício dos outros. Por exemplo, o homem pode utilizar o dinheiro para construir uma grande empresa, pois  fornecendo  oportunidade de emprego (trabalho), estará ajudando a muitos. Um empreendedor também pode construir uma escola com cursos pagos e gratuitos, pois através desta obra poderá estar formando futuros trabalhadores.

- O desapego aos bens terrenos consiste em apreciá-los no seu justo valor, em saber servir-se deles em benefício dos outros e não apenas em benefício próprio, porque o verdadeiro tesouro é aquele que podemos levar conosco para onde formos. Inclusive na viagem de volta ao mundo espiritual. Um grande pensador já dizia:  " O tesouro do sábio é a sua mente, e o do tolo, são seus bens (2)."

Comentário (1): Livro: O Espírito de Verdade. Excesso e você. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier;  (2): Site: https://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=1079&let=&stat=0. Data de consulta: 24-04-20.

 

Perguntas para fixação:

1. Os bens materiais que possuímos pertecem a quem?

2. Após a morte, o que podemos levar para o mundo espiritual?

3. O que é a avareza?

4. Qual é um dos mais fortes obstáculos para a nossa evolução moral e espiritual?

5. Seria correto um pai acumular dinheiro para deixar de herança para seus filhos e não ajudar o próximo que precisa?

6. Seria correto um homem distribuir toda a sua fortuna para os pobres e depois se tornar mendigo?

7. Quais objetos da nossa casa poderíamos doar para ajudar o nosso próximo?

8. O que é ter desapego aos bens materiais?

9. Qual é o verdadeiro tesouro?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            A avareza, ou seja, o apego exagerado aos bens terrenos, é um resquício de animalidade que o homem, malgrado séculos e séculos de civilização, ainda não conseguiu vencer.

            Na fase sub-humana de sua evolução, quando o instinto de conservação sobrelevava a qualquer outro, determinando-lhe o modm vivendi, sempre que conseguia alimentos em  abundância, entupia- -se de tanto comer porque não sabia se no dia seguinte podería fazê-lo.

            Ainda hoje, não é outra a preocupação dos avarentos: guardam e protegem com  unhas e dentes seus haveres materiais, com receio de que, num futuro propinquo ou longínquo, lhes venha a faltar o indispensável à subsistência.

            Muitas vezes, o que conseguiram amealhar é mais que suficiente para garantir-lhes largos anos de vida, a salvo de problemas financeiros, podendo, por conseguinte, satisfazer-se com as boas coisas deste mundo.

            Encarecendo, porém, em demasia, a necessidade de prevenir-sé contra as incertezas do “amanhã”, não se permitem qualquer gozo que implique gasto de dinheiro, impondo, desse modo, a si mesmos é aos que vivem sob sua dependência econômica, um regime de miséria simplesmente execrável.

            Assim, conquanto tenham a ilusão de possuir fortuna, na verdade são por ela possuídos, e ao invés de disporem dela, como senhores, a ela se subordinam, quais meros escravos.

            A avareza torna o homem insensível, endurece-lhe o coração, sufoca-lhe os sentimentos nobres, fazendo que repila sistemàticamente quantos apelos lhe sejam feitos em nome da solidariedade humana. Redu-lo a indigente moral digno de lástima, muito mais infeliz que os próprios mendigos aos quais recusa uma esmola.

            Sim, porque os avarentos atravessam a existência insatisfeitos e intranquilos, desejando, por um lado, aumentar cada vez mais seus cabedais, temendo, por outro, que alguém lhos roube.

            Ao transporem as fronteiras da Morte — di-lo o Espiritismo — longe de cessarem, aí é que suas aflições se exacerbam.

            Imanizados ao “seu” tesouro, assistem, desesperados, à partilha do mesmo entre os familiares, que, em lugar de preces agradecidas, quase sempre só lhes dirigem chacotas e impropérios, verberando-lhes a sovinice.

            Não podendo impedir tal divisão, acompanham os passos dos herdeiros e, vendo-os dissiparem, em pouco tempo, o que levaram anos e anos para acumular, enfurecem-se, esbravejam, choram, sofrendo a cada cédula despendida uma punhalada atravessar-lhes o peito.

            Segundo o Evangelho, ser avarento é incluir- se entre os adoradores de Mamon, o que vale dizer, confiar mais no poder do dinheiro do que na Providência Divina, prendendo-se às ilusões terrenas em detrimento da conquista do reino do céu.

            Alijemos, pois, de nós esse vício desprezível.

            Deus é pai amantíssimo e, creiamo-lo, jamais deixou ou deixará sem socorro a nenhum de Seus filhos.

            Como disse Jesus no Sermão da Montanha, se Ele não descuida das flores e das aves, vestindo-as e alimentando-as com carinhoso desvelo, quanto mais o não fará por nós?

            Se repararmos bem, haveremos de perceber que, graças à Sua infinita misericórdia, nossa sorte é mais ditosa do que o merecemos, não sendo melhor ainda por culpa nossa, exclusivamente.

            E que, mantendo as mãos fechadas, segurando avaramente o que temos, ficamos, com esse gesto, impossibilitados de receber as muitas dádivas que Deus está a nos ofertar, constantemente, para que nada nos falte e vivamos, todos, alegres e venturosos. (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap 3 - A avareza. Rodolfo Calligaris)

            Será reprovável que cobicemos a riqueza, quando nos anime o desejo de fazer o bem?

            Tal sentimento é, não há dúvida, louvável, quando puro. Mas, será sempre bastante desinteressado esse desejo? Não ocultará nenhum intuito de ordem pessoal? Não será de fazer o bem a si mesmo, em primeiro lugar, que cogita aquele, em quem tal desejo se manifesta? (O Livro dos Espíritos. Questão 902. Allan Kardec)

            Qual o mais culpado de dois homens ricos que empregam exclusivamente em gozos pessoais suas riquezas, tendo um nascido na opulência e desconhecido sempre a necessidade, devendo o outro ao seu trabalho os bens que possui?

            Aquele que conheceu os sofrimentos, porque sabe o que é sofrer. A dor, a que nenhum alívio procura dar, ele a conhece; porém, como freqüentemente sucede, já dela se não lembra.(O Livro dos Espíritos. Questão 899. Allan Kardec)

            Figuremos dois avarentos, um dos quais nega a si mesmo o necessário e morre de miséria sobre o seu tesouro, ao passo que o segundo só o é para os outros, mostrando-se pródigo para consigo mesmo; enquanto recua ante o mais ligeiro sacrifício para prestar um serviço ou fazer qualquer coisa útil, nunca julga demasiado o que dependa para satisfazer aos seus gostos ou às suas paixões. Peça-se-lhe um obséquio e estará sempre em dificuldade para fazê-lo; imagine, porém, realizar uma fantasia e terá sempre o bastante para isso. Qual o mais culpado e qual o que se achará em pior situação no mundo dos Espíritos?

            O que goza, porque é mais egoísta do que avarento. O outro já recebeu parte do seu castigo.(O Livro dos Espíritos. Questão 901. Allan Kardec)

            O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura.

            Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir. Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, a sua chegada no mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com os teus haveres. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 16. Item 9.Pascal. Genebra, 1860.  Allan Kardec).

            Ora, se as fazendas e os haveres não asseguram vida longa nem  venturosa, como se explica a fascinação que exercem sobre os homens? De onde procede tanto apego às temporalidades do século?

            Jesus responde: vem da avareza. E, não só aponta a origem de tal vesânia, como adverte: Guardai-vos e acautelai-vos de toda a avareza.

            Sim, de toda a avareza, isto é, das várias formas que essa terrível paixão assume, dominando o coração do homem.

            Alexandre Herculano, impressionado com os diversos aspectos do orgulho, exclama: Orgulho humano! que serás tu mais: estúpido, feroz ou ridículo?

            Pois a avareza comporta aqueles três qualificativos: pode ser estúpida, ridícula ou feroz.

            A estúpida é aquela modalidade sórdida e mesquinha que faz o homem  privar-se do conforto, do necessário e até do indispensável, perecendo à míngua para conservar intacta a pecúnia avaramente amealhada.

            A avareza ridícula é a do homem que tem no dinheiro o seu ídolo, a sua preocupação constante e absorvente, empregando-o, embora, no luxo, na ostentação, ou simplesmente na satisfação dos seus apetites e caprichos.

            A feroz (de todas a mais perniciosa) é a avareza dos açambarcadores, dos organizadores de monopólios e trustes, cuja ambição e cupidez desmedidas não se contentam com menos que possuir o mundo inteiro, ainda que para tanto seja mister reduzir à miséria toda a Humanidade.

            Outrora, essa avareza gerou os conquistadores e os latifúndios.

            Atualmente, ostenta-se nas grandes organizações comerciais e industriais, nas companhias, nos sindicatos e empresas poderosas cujos tentáculos se alongam em todas as direções.

            Essa classe de avareza é geralmente peculiar a homens inteligentes, ricos, astutos e de alta cotação social. Das três, é, como ficou dito, a mais perniciosa e a que mais danos tem acarretado à sociedade de todos os tempos. Um só avaro dessa categoria, ou uma comandita de meia dúzia deles, pode reduzir à fome uma cidade, um povo inteiro.

            É a responsável pela carestia e pelas crises econômicas que convulsionam o mundo, dando origem às lutas fratricidas que, por vezes, estendem o negro véu da orfandade e da viuvez sobre milhares de crianças e de mulheres indefesas. É também obra sua, nos tempos que correm, os milhões de desocupados nos países industriais, e as pretensas superproduções nos países agrícolas.

            O trabalho suspenso; o legítimo comércio (que significa a livre troca de produtos entre as nações), quase de todo paralisado graças às odiosas barreiras alfandegárias, são outros tantos crimes de lesa humanidade praticados pela avareza da terceira espécie, isto é, a feroz.

            As outras duas formas são mais estados mórbidos ou doentios da alma; a feroz é que caracteriza a verdadeira avareza. Aquelas prejudicam somente os indivíduos que as alimentam; ao passo que os maléficos efeitos desta atingem um raio de ação considerável, incalculável mesmo. (Em torno do Mestre. Avareza. Vinicius)

            O  livro '' Missionários da Luz '' relata que os Espíritos, que viveram mais a vida material do que a vida moral, continuam apegados aos que deixaram na Terra, e vivem onde residiam:

            ''Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantêm ligados a casa, às situações domésticas aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico.''  (Missionários da Luz. Cap. 11. Psicografado por Chico Xavier).  

            Essa permanência — ponto absolutamente pacífico em Doutrina Espírita —pode ser de horas, dias, semanas, meses e até anos inteiros, segundo o maior ou menor apego do morto aos familiares, ao lar ou às próprias sensações físicas, das quais não consegue libertar-se de pronto. (Estudando a mediunidade. Cap. 28. Martins Peralva).

            Os Espíritos ficam ligados apenas às pessoas ou ficam também ligados às coisas?

            Isso depende da elevação deles. Alguns Espíritos podem se ligar aos interesses terrenos; os avarentos, por exemplo, que esconderam seus tesouros e que ainda não estão suficientemente desmaterializados podem ainda continuar a vigiá-los e guardá-los.

            Os Espíritos errantes possuem locais de sua predileção?

            O princípio é o mesmo. Os Espíritos que não estão mais apegados à Terra vão para onde podem exercitar o amor; são atraídos para esses lugares mais pelas pessoas do que pelos objetos materiais; entretanto, há aqueles que podem momentaneamente ter uma preferência por certos lugares, mas sempre são Espíritos inferiores.

             Já que o apego dos Espíritos por uma localidade é sinal de inferioridade, isso é igualmente uma prova de que são Espíritos maus?

            Certamente que não. Um Espírito pode ser pouco avançado sem ser mau. Não é assim também com os homens? (O Livro dos Médiuns. Cap. 9. Item 132. Questões 1, 2 e 3. Allan Kardec).

            Segundo Leon Denis, o fenômeno das casas mal-assombradas é um dos mais conhecidos e frequentes. Encontramo-lo um pouco por toda a parte. Numerosíssimos são os lugares mal-assombrados, as casas, em cujas paredes e em cujos soalhos e móveis se ouvem ruídos e pancadas. (...)Em tais casos adquiri eu a convicção de que os agentes das manifestações eram as almas das pessoas que haviam habitado esses lugares, almas sofredoras, que procuravam atrair a atenção; na maior parte das vezes, bastam pensamentos compassivos e preces para lhes dar alívio. Certos Espíritos são levados a esses sítios pela recordação de remotos crimes; outros, por um desejo de vingança; outros, ainda, por seu apego aos bens terrestres. (No invisível. Cap. 16. Leon Denis).

            Será racional temerem-se os lugares assombrados pelos Espíritos?

            Não. Os Espíritos que freqüentam certos lugares, produzindo neles desordens, antes querem divertir-se à custa da credulidade e da poltronaria dos homens, do que lhes fazer mal. Aliás, deveis lembrar-vos de que em toda parte há Espíritos e de que, assim, onde quer que estejais, os tereis ao vosso lado, ainda mesmo nas mais tranqüilas habitações. Quase sempre, eles só assombram certas casas, porque encontram ensejo de manifestarem sua presença nelas.

            Os Espíritos que se apegam a certos locais ou a coisas materiais nunca são Espíritos superiores, mas mesmo sem serem superiores podem não ser maus e não ter nenhuma má intenção; podem ter afinidade e serem mais úteis do que prejudiciais, porque se interessam pelas pessoas e podem protegê-las. (O Livro dos Médiuns. Cap. 9. Item 132. Questão 12. Allan Kardec).

            Já no  livro '' No mundo maior'' relata a condição após a morte, nos planos inferiores, de alguns espíritos que foram apegados aos bens terrenos:

            ''Mostravam todos carantonhas de aspecto la­mentável. Esfarrapados, esqueléticos, traziam as mãos cheias de substância lodosa que levavam de quando em quando ao peito, ansiosos, aflitos. Ao menor toque de vento, atracavam-se aos fragmen­tos de lama, colocando-os de encontro ao coração, demonstrando infinito receio de perdê-los. Entreo­lhavam-se apavorados, como se temessem desastre próximo. Cochichavam entre si, maliciosos e des­confiados. As vezes, faziam menção de correr, mas retinham-se no mesmo lugar, entre o medo e a suspeita.

            Um deles observou em voz rouquenha:

            — Precisamos de alguma salda. Não podemos com delongas. E nossos negócios? nossas casas? Incalculável é a riqueza que descobrimos...

            E indicava com ufania os punhados de lodo a escorregar-lhe das mãos aduncas.

            — Mas... — prosseguia, pensativo — todo este ouro, que temos conosco, permanece à mercê de ladrões, nesta miserável charneca. Imprescin­dível é ganharmos o caminho de volta. Isto aqui assombraria a qualquer.

            Escutando a singular personagem, dirigi inter­rogativo olhar a Calderaro, que me esclareceu, aten­cioso:

            —  São usurários desencarnados há muitos anos. Desceram a tão profundo grau de apego à fortuna material transitória, que se tornaram inep­tos ao equilíbrio na zona mental do trabalho digno, por incapazes de acesso ao santuário interno das aspirações superiores. Na Crosta da Terra, não enxergavam meios de se ampararem com a ambi­ção moderada e nobre, nem reparavam nos méto­dos de que usaram para atingir os fins egoísticos. Menosprezavam direitos alheios e escarneciam das aflições dos outros. Armavam verdadeiras ciladas a companheiros incautos, no propósito de sugar-lhes as economias, locupletando-se à custa da in­genuidade e da cega confiança. Tantos sofrimen­tos difundiram com as suas irrefletidas ações, que a matéria mental das vítimas, em maléficas emis­sões de vingança e de maldição, lhes impôs etérea couraça ao campo das ideias; assim, atordoadas, fixam-se estas nos delitos do pretérito, transfor­mando-os em autênticos fantasmas da avareza, atormentada pelas miragens de ouro neste deser­to de padecimentos. Não podemos predizer quan­do despertem, dada a situação em que se encon­tram.

            Lamentei-os sinceramente, ao que Calderaro obtemperou:

            —  Enlouqueceram na paixão de possuir, aca­bando a sinistra aventura escravos de monstros mentais de formação indefinível.''  (No mundo maior. Cap. 18. Velha afeição. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferrar aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.(O Livro dos Espíritos. Questão 895. Allan Kardec)

            O amor aos bens terrenos constitui um dos mais fortes óbices ao vosso adiantamento moral e espiritual. Pelo apego à posse de tais bens, destruís as vossas faculdades de amar, com as aplicardes todas às coisas materiais. Sede sinceros: proporciona a riqueza uma felicidade sem mescla? Quando tendes cheios os cofres,não há sempre um vazio no vosso coração? No fundo dessa cesta de flores não há sempre oculto um réptil? Compreendo a satisfação, bem justa, aliás, que experimenta o homem que, por meio de trabalho honrado e assíduo, ganhou uma fortuna; mas, dessa satisfação, muito natural e que Deus aprova, a um apego que absorve todos os outros sentimentos e paralisa os impulsos do coração vai grande distância, tão grande quanto a que separa da prodigalidade exagerada a sórdida avareza, dois vícios entre os quais colocou Deus a caridade, santa e salutar virtude que ensina o rico a dar sem ostentação, para que o pobre receba sem baixeza.

            Quer a fortuna vos tenha vindo da vossa família, quer a tenhais ganho com o vosso trabalho, há uma coisa que não deveis esquecer nunca: é que tudo promana de Deus, tudo retorna a Deus. Nada vos pertence na Terra, nem sequer o vosso pobre corpo: a morte vos despoja dele, como de todos os bens materiais. Sois depositários e não proprietários, não vos iludais. Deus vo-los emprestou, tendes de lhos restituir; e ele empresta sob a condição de que o supérfluo, pelo menos, caiba aos que carecem do necessário.

            Um dos vossos amigos vos empresta certa quantia. Por pouco honesto que sejais, fazeis questão de lha restituirdes escrupulosamente e lhe ficais agradecido. Pois bem: essa a posição de todo homem rico. Deus é o amigo celestial, que lhe emprestou a riqueza, não querendo para si mais do que o amor e o reconhecimento do rico. Exige deste, porém, que a seu turno dê aos pobres, que são, tanto quanto ele, seus filhos. Ardente e desvairada cobiça despertam nos vossos corações os bens que Deus vos confiou. Já pensastes, quando vos deixais apegar imoderadamente a uma riqueza perecível e passageira como vós mesmos, que um dia tereis de prestar contas ao Senhor daquilo que vos veio dEle? Olvidais que, pela riqueza, vos revestistes do caráter sagrado de ministros da caridade na Terra, para serdes da aludida riqueza dispensadores inteligentes? Portanto, quando somente em vosso proveito usais do que se vos confiou, que sois, senão depositários infiéis? Que resulta desse esquecimento voluntário dos vossos deveres? A morte, inflexível, inexorável, rasga o véu sob que vos ocultáveis e vos força a prestar contas ao Amigo que vos favorecera e que nesse momento enverga diante de vós a toga de juiz.

            Em vão procurais na Terra iludir-vos, colorindo com o nome de virtude o que as mais das vezes não passa de egoísmo. Em vão chamais economia e previdência ao que apenas é cupidez e avareza, ou generosidade ao que não é senão prodigalidade em proveito vosso. Um pai de família, por exemplo, se abstém de praticar a caridade, economizará, amontoará ouro, para, diz ele, deixar aos filhos a maior soma possível de bens e evitar que caiam na miséria. E muito justo e paternal, convenho, e ninguém pode censurar. Mas será sempre esse o único móvel a que ele obedece?  (Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 900. Allan Kardec). Não será muitas vezes um compromisso com a sua consciência, para justificar, aos seus próprios olhos e aos olhos do mundo, seu apego pessoal aos bens terrenos? Admitamos, no entanto, seja o amor paternal o único móvel que o guie. Será isso motivo para que esqueça seus irmãos perante Deus? Quando já ele tem o supérfluo, deixará na miséria os filhos, por lhes ficar um pouco menos desse supérfluo? Não será, antes, dar-lhes uma lição de egoísmo e endurecer-lhes os corações? Não será estiolar neles o amor ao próximo? Pais e mães, laborais em grande erro, se credes que desse modo granjeais maior afeição dos vossos filhos. Ensinando-lhes a ser egoístas para com os outros, ensinais-lhes a sê-lo para com vos mesmos.     

            A um homem que muito haja trabalhado, e que com o suor de seu rosto acumulou bens, é comum ouvirdes dizer que, quando o dinheiro é ganho, melhor se lhe conhece o valor. Nada mais exato. Pois bem! Pratique a caridade, dentro das suas possibilidades, esse homem que declara conhecer todo o valor do dinheiro, e maior será o seu merecimento, do que o daquele que, nascido na abundância, ignora as rudes fadigas do trabalho. Mas, também, se esse homem, que se recorda dos seus penares, dos seus esforços, for egoísta, impiedoso para com os pobres, bem mais culpado se tornará do que o outro, pois, quanto melhor cada um conhece por si mesmo as dores ocultas da miséria, tanto mais propenso deve sentir-se em aliviá-las nos outros.

            Infelizmente, sempre há no homem que possui bens de fortuna um sentimento tão forte quanto o apego aos mesmos bens: é o orgulho. Não raro, vê-se o arrivista atordoar, com a narrativa de seus trabalhos e de suas habilidades, o desgraçado que lhe pede assistência, em vez de acudi-lo, e acabar dizendo: "Faça o que eu fiz." Segundo o seu modo de ver, a bondade de Deus não entra por coisa alguma na obtenção da riqueza que conseguiu acumular; pertence-lhe a ele, exclusivamente, o mérito de a possuir. O orgulho lhe põe sobre os olhos uma venda e lhe tapa os ouvidos. Apesar de toda a sua inteligência e de toda a sua aptidão, não compreende que, com uma só palavra, Deus o pode lançar por terra.

            Esbanjar a riqueza não é demonstrar desprendimento dos bens terrenos: é descaso e indiferença. Depositário desses bens, não tem o homem o direito de os dilapidar, como não tem o de os confiscar em seu proveito. Prodigalidade não é generosidade: é, freqüentemente, uma modalidade do egoísmo. Um, que despenda a mancheias o ouro de que disponha, para satisfazer a uma fantasia, talvez não dê um centavo para prestar um serviço. O desapego aos bens terrenos consiste em apreciá-los no seu justo valor, em saber servir-se deles em benefício dos outros e não apenas em benefício próprio, em não sacrificar por eles os interesses da vida futura, em perdê-los sem murmurar, caso apraza a Deus retirá-los. Se, por efeito de imprevistos reveses, vos tornardes qual Job, dizei, como ele: "Senhor, tu mos havias dado e mos tiraste. Faça-se a tua vontade." Eis ai o verdadeiro desprendimento. Sede, antes de tudo, submissos; confiai naquele que, tendo-vos dado e tirado, pode novamente restituir-vos o que vos tirou. Resisti animosos ao abatimento, ao desespero, que vos paralisam as forças. Quando Deus vos desferir um golpe, não esqueçais nunca que, ao lado da mais rude prova, coloca sempre uma consolação. Ponderai, sobretudo, que há bens infinitamente mais preciosos do que os da Terra e essa idéia vos ajudará a desprender-vos destes últimos. O pouco apreço que se ligue a uma coisa faz que menos sensível seja a sua perda. O homem que se aferra aos bens terrenos é como a criança que somente vê o momento que passa. O que deles se desprende é como o adulto que vê as coisas mais importantes, por compreender estas proféticas palavras do Salvador: "O meu reino não é deste mundo."

            A ninguém ordena o Senhor que se despoje do que possua, condenando-se a uma voluntária mendicidade, porquanto o que tal fizesse tornar-se-ia em carga para a sociedade. Proceder assim fora compreender mal o desprendimento dos bens terrenos. Fora egoísmo de outro gênero, porque seria o indivíduo eximir-se da responsabilidade que a riqueza faz pesar sobre aquele que a possui. Deus a concede a quem bem lhe parece, a fim de que a administre em proveito de todos. O rico tem, pois, uma missão, que ele pode embelezar e tornar proveitosa a si mesmo. Rejeitar a riqueza, quando Deus a outorga, é renunciar aos benefícios do bem que se pode fazer, gerindo-a com critério. Sabendo prescindir dela quando não a tem, sabendo empregá-la utilmente quando a possui, sabendo sacrificá-la quando necessário, procede a criatura de acordo com os desígnios do Senhor. Diga, pois, aquele a cujas mãos venha o que no mundo se chama uma boa fortuna: Meu Deus, tu me destinaste um novo encargo; dá-me a força de desempenhá-lo segundo a tua santa vontade.

            Aí tendes, meus amigos, o que eu vos queria ensinar acerca do desprendimento dos bens terrenos. Resumirei o que expus, dizendo: Sabei contentar-vos com pouco. Se sois pobres, não invejeis os ricos, porquanto a riqueza não é necessária à felicidade. Se sois ricos, não esqueçais que os bens de que dispondes apenas vos estão confiados e que tendes de justificar o emprego que lhes derdes, como se prestásseis contas de uma tutela. Não sejais depositário infiel, utilizando-os unicamente em satisfação do vosso orgulho e da vossa sensualidade. Não vos julgueis com o direito de dispor em vosso exclusivo proveito daquilo que recebestes, não por doação, mas simplesmente como empréstimo. Se não sabeis restituir, não tendes o direito de pedir, e lembrai-vos de que aquele que dá aos pobres, salda a dívida que contraiu com Deus. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 16. Item 14. Lacordaire. Constantina, 1863 .Allan Kardec).

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 16. Itens 9 e 14. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Cap. 9. Item 132. Questões 1, 2, 3 e 12. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Questões 895,899, 900, 901 e 902. Allan Kardec.

- Missionários da Luz. Cap. 11. Psicografado por Chico Xavier.

- No mundo maior. Cap. 18. Velha afeição. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Estudando a mediunidade. Cap. 28. Martins Peralva.

- No invisível. Cap. 16. Leon Denis.

- Páginas de Espiritismo Cristão. Cap 3 - A avareza. Rodolfo Calligaris.

- Em torno do Mestre. Avareza. Vinicius.