Aula 1 - Deus

Ciclo 1 - História: As respostas de Joãozinho - Atividade: LE-L1-Cap.1-2-Provas da existência de Deus.

Ciclo 2 - História: Existência de Deus - Atividade: LE-L1-Cap.1-3- Atributos de Deus ou/e LE-L1-Cap.1-4-Panteísmo.  

Ciclo 3 - História: O farmacêutico ateu - Atividade: LE-L1-Cap.1-1- Deus e o infinito.

Mocidade - História: Deus nunca erra - Atividade: 2 - Dinâmica de grupo:   Atributos de Deus. 

 

Dinâmicas:  Características de Deus e do homem; Deus.

Mensagens espíritas: Deus.

Sugestão de vídeos:

- História Espírita: Provas da existência de Deus. Espírito Meimei (Dica: pesquise no Youtube)

- Música Espírita: Amor a Deus (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livros infantis:

- A borboleta amarela. Gladis Pedersen de Oliveira. Coleção Conte Mais. Editora Francisco Spinelli, 2012.

- Deus, nosso pai. Walter Oliveira Alves. Ide Editora, 2010.

 

Leitura da Bíblia: João  - Capítulo 4


4.24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.


 

Salmos – Capítulo 36, 86, 136 e 139


36.7 Como é precioso o teu amor! Na sombra das tuas asas, encontramos proteção.


86.15 Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e cheio de graça, paciente e grande em misericórdia e em verdade.


136.26 Dêem graças ao Deus do céu; o seu amor dura para sempre.


139.1Senhor, tu me sondas e me conheces.


139.2 Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos.


139.3 Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos.


139.4 Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor.


139.5 Tu me cercas, por trás e pela frente, e pões a tua mão sobre mim.


139.6 Tal conhecimento é maravilhoso demais e está além do meu alcance, é tão elevado que não o posso atingir.


139.7 Para onde poderia eu escapar do teu Espírito? Para onde poderia fugir da tua presença?


139.8 Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer a minha cama na sepultura, também lá estás.


139.9 Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar,


139.10 mesmo ali a tua mão direita me guiará e me susterá.


 

Tópicos a serem abordados:

-  Segundo os Espíritos, ''Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas''.

- O carpinteiro fez a mesa de madeira; a madeira veio da árvore; e a árvore foi feita por Deus, que é a causa primária de todas as coisas.

- Deus criou o Universo, que abrange uma infinidade de mundos e criou também os minerais, as plantas, os animais e os seres humanos. Nós sabemos que Ele existe quando olhamos as suas criações.

- Deus não possui um formato, como os seres humanos; Ele não possui corpo, com olhos, boca, nariz, cabelo etc...

- Deus possui as seguintes características: é eterno (não possui inicio e não terá fim),  é único (só existe um),  imutável (não se modifica), é imaterial (sua natureza é diferente de tudo que chamamos de matéria), é todo-poderoso, é justo (cada um recebe de acordo com as suas obras) e bom (ama a todas as suas criaturas).

- Ainda não podemos compreender Deus, devido a nossa imperfeição. Mas quando formos espíritos puros, nós o veremos e compreenderemos.

- Deus está em toda a parte, estamos mergulhados no fluido divino; Ele conhece os nossos mais escondidos atos e pensamentos.

- No entanto, muitos são os que questionam, duvidam ou negam a existência de Deus, isto ocorre devido ao orgulho do homem, que se julga superior a tudo (1).

- De um modo geral,  todos trazemos dentro de nós a intuição, um sentimento íntimo da existência de Deus. Esse sentimento podemos encontrá-lo entre todos os povos do planeta, cada qual manifestando, à sua maneira, a certeza da existência de uma força superior. Cada povo, com suas crenças religiosas próprias, demonstra como percebe ou sente a existência dessa inteligência suprema, denominando-a de várias maneiras: Deus, Alá, Jeová, etc..

- A crença numa força superior sempre esteve presente nas sociedades humanas, desde as mais primitivas. Entre os gregos, que eram politeístas, ou seja, que admitiam a existência de vários deuses, havia um que a tudo comandava, superior a todos os demais, ao qual denominavam de Zeus. Do mesmo modo entre os romanos, cujo ser supremo era chamado Júpiter (2).

- A religião israelita (povo hebreu) foi a primeira que formulou, aos olhos dos homens, a idéia de um Deus espiritual. Até então os homens adoravam; uns, o Sol; outros, a Lua; aqui, o fogo; ali, os animais.  Foi a ignorância do infinito das perfeições de Deus que gerou o politeísmo (adoração de vários deuses), culto de todos os povos primitivos.

-  Jesus, nosso mestre, trouxe a mais elevada concepção de Deus, ele  apresentou-nos Deus como nosso Pai, amoroso e justo. Ele conversava diretamente com Deus e recebeu a missão de revelar suas leis para os homens. 

 

Comentário (1): ESE. Cap.7. Item 2. A. K. (2):Apostila AME - JF -III Ciclo ''B''

 

Perguntas para fixação:

1. O que é Deus?

2. Como todo efeito, possui uma causa, qual é a causa primária que deu origem ao Universo?

3. Os homens, na sua inferioridade, podem compreender Deus?

4. Quando o homem poderá compreender Deus?

5. Quais são as características de Deus?

6. Onde Deus está?

7. Deus pode nos ver e perceber o nosso pensamento?

8. Poderemos ver Deus, após desencarnarmos?

9. Deus possui uma forma?

10. Quem, veio ao mundo, e recebeu a palavra diretamente de Deus?

 

 Subsídio para o Evangelizador:

            O que é Deus?Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas (O Livro dos Espíritos - Questão 1 - Allan Kardec ).

            Não é, pois, sempre necessário ter visto uma coisa para saber que ela existe (A Gênese, Cap. 2. Item 2. Allan Kardec).

            A prova da existência de Deus está no axioma: Não há efeito sem causa (Obras Póstumas. Item. 1.Deus. Allan Kardec).  Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.

            Para crer em Deus basta lançar os olhos sobre as obras da criação. O Universo existe; ele tem, pois uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e adiantar que o nada pôde fazer alguma coisa (O Livro dos Espíritos - Questão 4 - Allan Kardec). É a essa causa que se chama Deus, Jeová, Alá, Brama, Fo-hi, Grande Espírito, etc., segundo as línguas, os tempos e os lugares (Obras Póstumas. Item 1. Deus.  Allan Kardec).

            Deus criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos ( O Livro dos Espíritos. Introdução. Item 6. Allan Kardec).

            Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

            A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio - não há efeito sem causa. ( O Livro dos Espíritos. Questão 5. Allan Kardec)

            O sentimento íntimo que temos da existência de Deus não poderia ser fruto da educação, resultado de idéias adquiridas?

            Se assim fosse, por que existiria nos vossos selvagens esse sentimento?

            Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas. (O Livro dos Espíritos. Questão 6. Allan Kardec).

            Os povos selvagens não tiveram revelação e, entretanto, crêem, instintivamente, na existência de um poder sobre-humano (A Gênese, Cap. 2. Item 7). É uma lembrança que eles conservam daquilo que sabiam como Espírito antes de encarnar (Livro dos Espíritos. Questão 221. Allan Kardec).

            O homem pode compreender a natureza íntima de Deus? Não, é um sentido que lhe falta (O Livro dos Espíritos. Questão  10. Allan Kardec). A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus .Mas, à medida que o senso moral se desenvolve nele, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas (...) (O Livro dos Espíritos. Questão 11. Allan Kardec).

            Se o homem não pode penetrar a sua essência, pode, pelo raciocínio, chegar ao conhecimento dos seus atributos necessários. Sem o conhecimento dos atributos de Deus, seria impossível compreender a obra da criação. (A Gênese. Cap. 2. Item 8. Allan Kardec). Tais são os atributos (descritos no Livro dos Espíritos. Questão 13; e na Gênese. Cap. 2. Item 9 a 14) :

            - Deus é a suprema e soberana inteligência : A inteligência do homem é limitada, uma vez que não pode nem fazer e nem compreender tudo o que existe; a de Deus, abarcando o Infinito, deve ser infinita.

            - Deus é eterno : quer dizer que não teve começo e nem terá fim. Se houvesse tido um começo, teria saído do nada; o nada não sendo nada, nada pode produzir; ou bem ele haveria sido criado por um ser anterior, e, então, esse ser é que seria Deus.

            - Deus é imutável: Se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhum estabilidade.

            - Deus é imaterial: quer dizer, que a sua natureza difere de tudo que chamamos matéria, de outro modo, não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

            - Deus é único: Se  houvesse vários deuses, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder no ordenamento do Universo.

            - Deus é todo poderoso: Se não tivesse o supremo poder, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto ele; não teria feito todas as coisas, e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.

            -  Deus é soberanamente justo e bom: A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas pequenas coisas com nas maiores, e essa sabedoria não permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade.

            Seu imenso carinho para conosco está no Sol que nos aquece, dando sustento e alegria a todos os seres e a todas as coisas; nas nuvens que fazem a chuva para o contentamento da Natureza; nas águas dos rios e das fontes, que deslizam para o benefício das cidades, dos campos e dos rebanhos; no pão que nos alimenta; na doçura do vento que refresca; na bondade das árvores que nos estendem os galhos dadivosos , em forma de braços ricos de bênçãos; na flor que espalha perfume na atmosfera; na ternura e na segurança de nosso lar; na assistência dos nossos pais, dos nossos irmãos e dos nossos amigos que nos ajudam a vencer as dificuldades do mundo e da vida, e na providência silenciosa, que nos garante a conservação da saúde e da paz espiritual (Pai Nosso.Item 4. Nosso Pai. Espírito Meimei. Psicografado por Chico Xavier).

            A religião israelita foi a primeira que formulou, aos olhos dos homens, a idéia de um Deus espiritual. Até então os homens adoravam; uns, o Sol; outros, a Lua; aqui, o fogo; ali, os animais  (Revista Espírita. Setembro de 1861. Um espírito israelita a seus correligionários. Allan Kardec).

            Antes da vinda do Cristo, com exceção dos hebreus, todos os povos eram idólatras e politeístas. Se alguns homens superiores ao vulgo conceberam a idéia da unidade de Deus, essa idéia permaneceu no estado de sistema pessoal, em parte nenhuma foi aceita como verdade fundamental, a não ser por alguns iniciados que ocultavam seus conhecimentos sob um véu de mistério, impenetrável para as massas populares. Os hebreus foram os primeiros a praticar publicamente o monoteísmo; é a eles que Deus transmite a sua lei, primeiramente por via de Moisés, depois por intermédio de Jesus. Foi daquele pequenino foco que partiu a luz destinada a espargir-se pelo mundo inteiro, a triunfar do paganismo e a dar a Abraão uma posteridade espiritual "tão numerosa quanto as estrelas do firmamento. Entretanto, abandonando de todo a idolatria, os judeus desprezaram a lei moral, para se aferrarem ao mais fácil: a prática do culto exterior. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 18. Item 2. Allan Kardec).

            Foi a ignorância do infinito das perfeições de Deus que gerou o politeísmo (1) (adoração de vários deuses), culto de todos os povos primitivos; eles atribuíram divindade a todo poder que lhes pareceu acima da Humanidade (A Gênese. Cap. 2. Item 17. Allan Kardec). As religiões que não lhe atribuíram a soberana bondade, dele fizeram um deus ciumento, colérico, parcial e vingativo (A Gênese. Cap. 2. Item 8. Allan Kardec - Vide: Êxodo 32:10; 34:14 e Levítico 26:25).  

            A mais elevada concepção de Deus que podemos abrigar no santuário do espírito é aquela que Jesus nos apresentou, em no-Lo revelando Pai amoroso e justo, à espera dos nossos testemunhos de compreensão e amor (Pão Nosso. 48. Compreendamos. Espírito Emmanuel, psicografado por Chico Xavier) .

            Deus está por toda a parte e tudo vê, tudo preside, mesmo às menores coisas (A Gênese. Cap. 2. Item 20). Jesus disse: '' E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados'' (Mateus 10:30 - Vide: Hebreus 4:13).

            Deus está em toda parte, porque Ele irradia por toda parte, podendo dizer-se que o Universo está mergulhado na divindade, como nós o estamos na luz solar. (O que é o Espiritismo. Cap. 3. O homem depois da morte. Questão 147. Allan Kardec).

            Como é que Deus, tão grande, tão poderoso, tão superior a tudo, pode imiscuir-se em detalhes ínfimos, preocupar-se com os menores atos e os menores pensamentos de cada indivíduo? Tal é a pergunta que muitas vezes se faz.

            Em seu estado atual de inferioridade, só dificilmente os homens podem compreender Deus infinito, porque eles próprios são finitos, limitados, razão por que o imaginam finito e limitado como eles mesmos; representando-o como um ser circunscrito, dele fazem uma imagem à sua semelhança. Pintando-o com traços humanos, nossos quadros não contribuem pouco para alimentar este erro no espírito das massas, que nele mais adoram a forma que o pensamento. É para o maior número um soberano poderoso, sobre um trono inacessível, perdido na imensidade dos céus, e porque suas faculdades e percepções são restritas não compreendem que Deus possa ou haja por bem intervir diretamente nas menores coisas.

            Na incapacidade em que se acha o homem de compreender a essência mesma da divindade, desta não pode fazer senão uma ideia aproximada, auxiliado por comparações necessariamente muito imperfeitas, mas que podem, ao menos, mostrar-lhe a possibilidade do que, à primeira vista, lhe parece impossível.

            Suponhamos um fluido bastante sutil para penetrar todos os corpos. É evidente que cada molécula desse fluido produzirá sobre cada molécula da matéria com a qual está em contato uma ação idêntica à que produziria a totalidade do fluido. É o que a Química nos mostra a cada passo.

            Sendo ininteligente, esse fluido age mecanicamente apenas pelas forças materiais. Mas se supusermos esse fluido dotado de inteligência, de faculdades perceptivas e sensitivas, ele agirá, não mais cegamente, mas com discernimento, com vontade e liberdade; verá, ouvirá e sentirá.

            As propriedades do fluido perispiritual dele podem dar-nos uma ideia. Ele não é inteligente por si mesmo, desde que é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e das percepções do Espírito. É em consequência da sutileza desse fluido que os Espíritos penetram em toda parte, perscrutam os nossos pensamentos, veem e agem a distância; é a esse fluido, chegado a um certo grau de depuração, que os Espíritos superiores devem o dom da ubiquidade; basta um raio de seu pensamento dirigido para diversos pontos para que eles possam aí manifestar sua presença simultaneamente. A extensão dessa faculdade está subordinada ao grau de elevação e de depuração do Espírito.

            Mas sendo os Espíritos, por mais elevados que sejam, criaturas limitadas em suas faculdades, seu poder e a extensão de suas percepções não poderiam, sob esse aspecto, aproximar-se de Deus. Contudo, eles nos podem servir de ponto de comparação. O que o Espírito não pode realizar senão num limite restrito, Deus, que é infinito, o realiza em proporções infinitas. Há, ainda, esta diferença: a ação do Espírito é momentânea e subordinada às circunstâncias, enquanto a de Deus é permanente; o pensamento do Espírito só abarca um tempo e um espaço circunscritos, ao passo que o de Deus abarca o Universo e a eternidade. Numa palavra, entre os Espíritos e Deus há a distância do finito ao infinito.

            O fluido perispiritual não é o pensamento do Espírito, mas o agente e o intermediário desse pensamento. Como é o fluido que o transmite, dele está, de certo modo, impregnado; e na impossibilidade em que nos achamos de isolar o pensamento, ele não parece fazer senão um com o fluido, assim como o som parece ser um com o ar, de sorte que podemos, a bem dizer, materializá-lo. Do mesmo modo que dizemos que o ar se torna sonoro, poderíamos, tomando o efeito pela causa, dizer que o fluido torna-se inteligente.

            Seja ou não seja assim o pensamento de Deus, isto é, quer ele aja diretamente ou por intermédio de um fluido, para facilitar a nossa compreensão vamos representar este pensamento sob a forma concreta de um fluido inteligente, enchendo o Universo infinito, penetrando todas as partes da criação: a Natureza inteira está mergulhada no fluido divino; tudo está submetido à sua ação inteligente, à sua previdência, à sua solicitude; nenhum ser, por mais ínfimo que seja, que dele não esteja, de certo modo, saturado.

            Assim, estamos constantemente em presença da Divindade. Não há uma só de nossas ações que possamos subtrair ao seu olhar; nosso pensamento está em contato com o seu pensamento e é com razão que se diz que Deus lê nos mais profundos recônditos do nosso coração; estamos nele como ele está em nós, segando a palavra do Cristo. Para entender sua solicitude sobre as menores criaturas, ele não tem necessidade de mergulhar seu olhar do alto da imensidade, nem deixar sua morada de glória, pois essa morada está em toda parte. Para serem ouvidas por ele, nossas preces não precisam transpor o espaço, nem serem ditas com voz retumbante, porque, incessantemente penetrados por ele, nossos pensamentos nele repercutem.

            A imagem de um fluido inteligente universal evidentemente não passa de uma comparação, mais própria a dar uma ideia mais justa de Deus que os quadros que o representam sob a figura de um velho de longas barbas, envolto num manto. Não podemos tomar nossos pontos de comparação senão nas coisas que conhecemos; é por isto que dizemos diariamente: o olho de Deus, a mão de Deus, a voz de Deus, o sopro de Deus, a face de Deus. Na infância da Humanidade o homem toma estas comparações ao pé da letra; mais tarde seu espírito, mais apto a apreender as abstrações, espiritualiza as ideias materiais. A de um fluido universal inteligente, penetrando tudo, como seria o fluido luminoso, o fluido calórico, o fluido elétrico ou quaisquer outros, se fossem inteligentes, tem o objetivo de fazer compreender a possibilidade, para Deus, de estar em toda parte, de ocupar-se de tudo, de velar pelo pé de erva como pelos mundos. Entre ele e nós a distância foi suprimida; compreendemos sua presença, e este pensamento, quando a ele nos dirigimos, aumenta a nossa confiança, porque não podemos dizer mais que Deus esteja muito longe e seja muito grande para se ocupar de nós. Mas este pensamento, tão consolador para o humilde, para o homem de bem, é terrível para o mau e para o orgulhoso endurecidos, que a ele esperavam subtrair-se em favor da distância, e que, doravante, sentir-se-ão sob o domínio de seu poder.

            Para o princípio da soberana inteligência, nada impede admitir um centro de ação, um foco principal irradiando sem cessar, inundando o Universo com os seus eflúvios, como o Sol com a sua luz. Mas onde está esse foco? É provável que não esteja mais fixado num ponto determinado do que a sua ação. Se simples Espíritos têm o dom da ubiquidade, em Deus esta faculdade não deve ter limites. Enchendo Deus o Universo, poder-se-ia admitir, a título de hipótese, que esse foco não necessita transportar-se, e que se forme em todos os pontos onde sua soberana vontade julgue conveniente produzir-se, donde se poderia dizer que está em toda parte e em parte alguma.

            Diante desses problemas insondáveis, nossa razão deve humilhar-se. Deus existe: é indubitável; é infinitamente justo e bom: é sua essência; sua solicitude se estende a tudo: nós o compreendemos agora; incessantemente em contato com ele, podemos orar a ele com a certeza de sermos ouvido; ele não pode querer senão o nosso bem, razão por que devemos confiar nele. Eis o essencial; para o resto, esperemos que sejamos dignos de o compreender.(Revista Espírita. Maio de 1866. Deus está em toda parte. Allan Kardec).

            Se Deus está em toda parte, por que não o vemos? Veremos quando deixarmos a Terra? Os nossos órgãos materiais não podem perceber as coisas de essência espiritual (Vide: 1João: 4:12). Sendo Deus a essência divina por excelência, unicamente os Espíritos que atingiram o mais alto grau de desmaterialização (ou seja, os espíritos superiores) o podem perceber em todo o seu esplendor ( Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 244. Allan Kardec).

            Sob que aparência se apresenta Deus aos que se tornaram dignos de vê-lo? Será sob uma forma qualquer? Sob uma figura humana, ou como um foco de resplendente luz? A linguagem humana é impotente para dizê-lo, porque não existe para nós nenhum ponto de comparação capaz de nos facultar uma ideia de tal coisa. (Revista Espírita .Maio de 1866. A visão de Deus. Allan Kardec).

            Haverá revelações diretas de Deus aos homens? É uma questão que não ousaríamos resolver, nem afirmativamente, nem negativamente, de maneira absoluta. O fato não é radicalmente impossível, porém, nada nos dá dele prova certa. O que não padece dúvida é que os Espíritos mais próximos de Deus pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. (Revista Espírita. Setembro de 1867. Caráter da revelação espírita). Jesus recebeu a palavra diretamente de Deus, com a missão de revelá-la aos homens (Obras póstumas. Item 8. O verbo se fez carne).   Ele disse: ''Não falei, de nenhum modo, de mim mesmo; mas meu Pai, que me enviou, foi quem me prescreveu, por seu poder, o que devo dizer, e como devo falar. E eu sei que o mandamento dele é a vida eterna'' (João 12:49 e 50).  

 

Observação (1): Dessa ideia de homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais, classificando-as para o espírito das massas, na categoria dos deuses, é que nasceu a mitologia da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das flautas dos pastores, em contato permanente com a Natureza  (A caminho da luz. Cap. 4. O politeísmo simbólico. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier). Veja o quadro com as características dos principais deuses gregos e romanos em https://www.historiadomundo.com.br/artigos/deuses-gregos-romanos.htm.

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Introdução, item 6.  Cap. 1. Questões 5, 6, 221 e 244. Allan Kardec.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 18. Item 2. Allan Kardec.

 - A Gênese. Cap. 2. Allan Kardec

- Obras Póstumas. item 1.Deus. Item 8. O verbo se fez carne. Allan Kardec.

- O que é o Espiritismo. Cap. 3. O homem depois da morte. Questão 147. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Maio de 1866. Deus está em toda parte. A visão de Deus. Allan Kardec

- Revista Espírita. Setembro e 1867. Caráter da revelação espírita. Allan Kardec

- Revista Espírita. Setembro de 1861. Um espírito israelita a seus correligionários. Allan Kardec

- Pão Nosso. 48. Compreendamos. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Pai Nosso.Item 4. Nosso Pai. Espírito Meimei. Psicografado por Chico Xavier.

- A caminho da luz. Cap. 4. O politeísmo simbólico. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier

- Bíblia: Êxodo 32:10; 34:14 e Levítico 26:25, Mateus 10:30, João 12:49-50, 1João: 4:12, Hebreus 4:13.

Site: https://www.historiadomundo.com.br/artigos/deuses-gregos-romanos.htm.

Data da consulta: 14/03/14