Aula 99 - O Consolador prometido

Ciclo 1 - História:  O Sonho de Alice - Atividade: ESE - Cap. 6 - 2 - Consolador prometido.

Ciclo 2 - História:  O Cristo Consolador -  Atividade: PH - Jesus - 60 - O Consolador Prometido.

Ciclo 3 - História:  Isso também passará -  Atividade:  ESE - Cap. 6 - 3 - Advento do Espírito de Verdade e/ou Fazer uma redação explicando porque o Espiritismo é uma Doutrina Consoladora.

 

Dinâmica: Consolador prometido.

Mensagens Espíritas: Consolador.

Sugestão de vídeo: Evangelizar é amar - Terceira Revelação (Dica: Pesquise no Youtube)

 

Leitura da Bíblia:  João - Capítulo 14


14.15 Se me amais, guardai os meus mandamentos.


14.16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;


14.17 O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece;  mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.


14.18 Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.


14.26  Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.


 

João - Capítulo 16


16.7 Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.


16.8 E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.


16.9 Do pecado, porque não crêem em mim;


16.10 Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;


16.11 E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.


16.12 Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.


16.13 Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.


 

Tópicos a serem abordados:

-  A palavra consolar significa aliviar o sofrimento de alguém. Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.

- Dizendo a seus apóstolos: ''Outro virá mais tarde, que vos ensinará o que agora não posso ensinar'', Jesus anunciava a necessidade da reencarnação, para que pudessem apreender no futuro.

- Quando viria esse novo revelador? É evidente que se, na época em que Jesus falava, os homens não tinham condições de compreender certas coisas, não seria em alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias para entendê-las. Para compreender certas partes do Evangelho seria preciso obter conhecimentos que só o progresso das ciências permitiria. Portanto, o Consolador prometido só viria após muitas gerações. 

- Jesus claramente indica que esse Consolador não seria Ele, pois, do contrário, diria: «Voltarei a completar o que vos tenho ensinado.» Não só não disse isto, como acrescentou: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Esta afirmação não poderia referir-se a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; porém, é possível compreendê-la muito bem com referência a uma doutrina, a qual,  poderá estar eternamente em nós, quando a  tivermos assimilado. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora , cujo inspirador há de ser o Espírito do Verdade.

- O Espiritismo vem, na época predita (1857), cumprir a promessa do Cristo.  A Doutrina Espírita não foi criada por uma pessoa, foram os Espíritos superiores sob as ordens do Espírito de Verdade, guia Espiritual de Allan Kardec, que trouxeram, por meio de vários médiuns, a terceira revelação das leis divinas. Allan Kardec certa vez, disse: ''A proteção desse Espírito, cuja superioridade eu então estava longe de imaginar, jamais, de fato, me faltou(1).'' Posteriormente, vários Espíritos afirmaram que ''O Espírito de Verdade'' seria o próprio Jesus Cristo. 

-O Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: Nos  traz o conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; por que sofre temporariamente e vê por toda parte a justiça de Deus. Mostra-nos que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Nos esclarece sobre os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. Acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço. A Doutrina Espírita nos dá fé inabalável do futuro; nos mostra em detalhes que a vida continua após a morte, pois o Espírito é imortal.    

- O Espírito de Verdade nos recomenda: ''Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo (2).''

 

Comentário (1):  Obras Póstumas. A minha primeira iniciação no Espiritismo. Nota. Allan Kardec. (2): E.S.E.Cap. 6 - Item 5. A. K.

 

Perguntas para fixação:

1. Qual é o significado da palavra consolar?

2. Quem é o consolador prometido por Jesus?

3. Por que foi necessário que viesse outro consolador?

4. O que o Consolador veio nos releembrar?

5. Quem é o guia espiritual de Allan Kardec?

6. Quem  é o Espírito de Verdade, segundo os Espíritos?

7. O que o Espírito de Verdade nos recomenda?

          

Subsídio para o Evangelizador:

            Segundo o dicionário Michaelis a palavra '' Consolar '' significa: Aliviar a aflição ou o sofrimento de alguém. (http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=consolar)

            Jesus promete outro consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar maduro para o compreender, consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para relembrar o que o Cristo há dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade tinha de vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o que este disse foi esquecido ou mal compreendido.

            O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os homens à observância da lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que Jesus só disse por parábolas. Advertiu o Cristo: "Ouçam os que têm ouvidos para ouvir." O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porquanto fala sem figuras, nem alegorias; levanta o véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a consolação suprema aos deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil a todas as dores.

            Disse o Cristo: "Bem-aventurados os aflitos, pois que serão consolados." Mas, como há de alguém sentir-se ditoso por sofrer, se não sabe por que sofre? O Espiritismo mostra a causa dos sofrimentos nas existências anteriores e na destinação da Terra, onde o homem expia o seu passado. Mostra o objetivo dos sofrimentos, apontando-os como crises salutares que produzem a cura e como meio de depuração que garante a felicidade nas existências futuras. O homem compreende que mereceu sofrer e acha justo o sofrimento. Sabe que este lhe auxilia o adiantamento e o aceita sem murmurar, como o obreiro aceita o trabalho que lhe assegurará o salário. O Espiritismo lhe dá fé inabalável no futuro e a dúvida pungente não mais se lhe apossa da alma. Dando-lhe a ver do alto as coisas, a importância das vicissitudes terrenas some-se no vasto e esplêndido horizonte que ele o faz descortinar, e a perspectiva da felicidade que o espera lhe dá a paciência, a resignação e a coragem de ir até ao termo do caminho.

            Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 6. Item 4. Allan Kardec)

            Esta predição, não há contestar, é uma das mais importantes, do ponto de vista religioso, porquanto comprova, sem a possibilidade do menor equívoco, que Jesus não disse o que tinha a dizer, pela razão de que não o teriam compreendido nem mesmo seus apóstolos, visto que a eles é que o Mestre se dirigia. Se lhes houvesse dado instruções secretas, os Evangelhos fariam referência a tais instruções, Ora, desde que ele não disse tudo a seus apóstolos, os sucessores destes não terão podido saber mais do que eles, com relação ao que foi dito; ter-se-ão possivelmente enganado, quanto ao sentido das palavras do Senhor, ou dado interpretação falsa aos seus pensamentos, muitas vezes velados sob a forma parabólica. As religiões que se fundaram no Evangelho não podem, pois, dizer-se possuidoras de toda a verdade, porquanto ele, Jesus, reservou para si a completação ulterior de seus ensinamentos. O princípio da imutabilidade, em que elas se firmam, constitui um desmentido às próprias palavras do Cristo.

            Sob o nome de Consolador e de Espírito de Verdade, Jesus anunciou a vinda daquele que havia de ensinar todas as coisas e de lembrar o que ele dissera. Logo, não estava completo o seu ensino. E, ao demais, prevê não só que ficaria esquecido, como também que seria desvirtuado o que por ele fora dito, visto que o Espírito de Verdade viria tudo lembrar e, de combinação com Elias, restabelecer todas as coisas, isto é, pô-las de acordo com o verdadeiro pensamento de seus ensinos. (A Gênese. Cap. 17. Item 37. Allan Kardec)

            Quando terá de vir esse novo revelador? É evidente que se, na época em que Jesus falava, os homens não se achavam em estado de compreender as coisas que lhe restavam a dizer, não seria em alguns anos apenas que poderiam adquirir as luzes necessárias a entendê-las. Para a inteligência de certas partes do Evangelho, excluídos os preceitos morais, faziam-se mister conhecimentos que só o progresso das ciências facultaria e que tinham de ser obra do tempo e de muitas gerações. Se, portanto, o novo Messias tivesse vindo pouco tempo depois do Cristo, houvera encontrado o terreno ainda nas mesmas condições e não teria feito mais do que o mesmo Cristo. Ora, desde aquela época até os nossos dias, nenhuma grande revelação se produziu que haja completado o Evangelho e elucidado suas partes obscuras, indicio seguro de que o Enviado ainda não aparecera. (A Gênese. Cap. 17. Item 38. Allan Kardec)

            Qual deverá ser esse Enviado? Dizendo: «Pedirei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador», Jesus claramente indica que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, dissera: «Voltarei a completar o que vos tenho ensinado.» Não só tal não disse, como acrescentou: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Esta proposição não poderia referirse a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito do Verdade. (A Gênese. Cap. 17. Item 39. Allan Kardec)

            Quando o Espírito de Verdade aparece pela primeira vez? No dia 24 de março de 1856, Kardec estava, em seu escritório, escrevendo um texto sobre os Espíritos e suas manifestações, quando, por várias vezes, ouviu repetidas batidas, cuja causa não logrou sucesso em encontrá-la. No dia seguinte, ou seja, 25 de março, era dia de sessão na casa do Sr. Baudin e, lá, Kardec interroga ao Espírito Z (Zéfiro) sobre a origem das batidas. Acontecimento que consta do livro  Obras Póstumas, da seguinte forma (Artigo: Espírito de Verdade quem seria ele? Paulo da Silva Neto Sobrinho):

            Pergunta — Ouvistes, sem dúvida, o relato que acabo de fazer; poderíeis dizer-me qual a causa daquelas pancadas que se fizeram ouvir com tanta persistência?

Resposta — Era o teu Espírito familiar.

NOTA —  Nessa época, ainda se não fazia distinção nenhuma entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Dava-se-lhes a todos a denominação de Espíritos familiares.

P.— Com que fim foi ele bater daquele modo?

R . — Queria comunicar-se contigo.

P. — Poderíeis dizer-me quem é ele?

R. — Podes perguntar-lhe a ele mesmo, pois que está aqui.

P. — Meu Espírito familiar, quem quer que tu sejas, agradeço-te

o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem és?

R. — Para ti, chamar-me-ei A Verdade e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.

P. — Ontem, quando bateste, estando eu a trabalhar, tinhas alguma coisa de particular a dizer-me?

R . — O que eu tinha a dizer-te era sobre o trabalho a que te aplicavas; desagradava-me o que escrevias e quis fazer que o abandonasses.

P. — A tua desaprovação era referente ao capítulo que eu escrevia ou ao conjunto do trabalho?

R. — Ao capítulo de ontem; submeto-o ao teu juízo; se o releres, reconhecerás tuas faltas e as corrigirás.

P. — Eu mesmo não me sentia satisfeito com esse capítulo e o refiz hoje. Está melhor?

R . — Está melhor, mas ainda não satisfaz. Relê da 3ª a 30ª

linha e com um grave erro depararás.

P. — Rasguei o que escrevera ontem.

R. — Não importa! Isso não impediu que a falta continuas-se. Relê e verás.

P. — O nome Verdade , que adotaste, constitui uma alusão à verdade que eu procuro?

R. — Talvez; pelo menos, é um guia que te protegerá e ajudará.

P. — Poderei evocar-te em minha casa?

R. — Sim, para te assistir pelo pensamento; mas, para respostas escritas em tua casa, só daqui a muito tempo poderás obtê-las.

P. — Poderias vir mais amiúde e não apenas de mês em mês?

R . — Sim, mas não prometo senão uma vez mensalmente, até nova ordem.

P. — Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?

R . — Já te disse que, para ti , sou  a Verdade; isto,  para ti, quer dizer discrição; nada mais saberás a respeito.

(Obras Póstumas. A minha primeira iniciação no Espiritismo. Meu guia espiritual. Allan Kardec)

             No livro '' A Caminho da Luz'', o Espírito Emmanuel qualifica Kardec como um díscipulo de Jesus: ''Aproximavam-se os tempos em que Jesus deveria enviar ao mundo o Consolador, de acordo com as suas auspiciosas promessas.  Apelos ardentes são dirigidos ao Divino Mestre, pelos gênios tutelares dos povos terrestres. Assembleias numerosas se reúnem e confraternizam nos Espaços, nas Esferas mais próximas da Terra.  Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dam

e,  em Paris, nascia Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus-Cristo.'' (A Caminho da Luz. Cap.22. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)

            Kardec é o homem eleito por Deus para instrução do homem desde o presente ; são palavras inspiradas pelos Espíritos do bem, Espíritos muito superiores. Acrescentai- lhe fé; lede, estudai toda esta Doutrina: é um conselho que vos dou. (Revista Espírita. Abril de 1862. Respostas à questão dos anjos decaídos. Allan Kardec)

            Em agosto de 1863, numa mensagem a respeito da publicação da Imitação do Evangelho , título da primeira publicação de  O Evangelho Segundo o Espiritismo , entre outras coisas, foi dito a Kardec:

            Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, terás de proclamar que o Espiritismo é a única tradição verdadeira mente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos os ataques.

            Entretanto, amigo, se a tua coragem ainda não desfaleceu sob a tarefa tão pesada que aceitaste, fica sabendo que foste feliz até ao presente, mas que é chegada a hora das dificuldades. Sim, caro Mestre, prepara-se a grande batalha; o fanatismo e a intolerância, exacerbados pelo bom

êxito da tua propaganda, vão atacar-te e aos teus com armas envenenadas. Prepara-te para a luta. Tenho, porém, fé em ti, como tu tens fé em nós, e sei que a tua fé é das que transportam montanhas e fazem caminhar por sobre as águas. Coragem, pois, e que a tua obra se complete. Conta conosco e conta sobretudo com a grande alma do Mestre de todos nós, que te protege de modo muito particular. (Obras Póstumas. A minha primeira iniciação no Espiritismo. Imitação do Evangelho. Allan Kardec)

            Na Revista Espírita de 1861 , Roustaing diz a Kardec que os Espíritos com os quais ele tinha relação diziam ser o Cristo, aquele a quem chamavam de o Espírito de Verdade:

            ''Agradeço com alegria e humildade esses divinos mensageiros por terem vindo nos ensinar que  o Cristo está em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo , essa terceira explosão da bondade divina, para cumprir esta palavra final do Evangelho: ‘ Unum ovile et unus pastor ’, por terem vindo nos dizer: ‘Não temais nada! O Cristo (chamado por eles Espírito de Verdade), a Verdade é o primeiro e o mais santo missionário das ideias espíritas’ . Estas palavras me tocaram vivamente, e me perguntava: ‘Mas onde está, pois, o Cristo em Missão na Terra?’  A Verdade comanda , segundo a expressão do Espírito de Marius, bispo das primeiras idades da Igreja,  essa falange de Espíritos enviados por Deus em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo  . ''(Revista Espírita. Junho de 1861. Correspondência. Carta do Sr. Roustaing, de Bordeaux. Allan Kardec)

         Em 20 de janeiro de 1860, O Espírito  Chateaubriand disse:

         Sois guiados pelo verdadeiro Gênio do Cristianismo. É que o próprio Cristo preside aos trabalhos de toda natureza que estão em via de realização, para abrir-se a era de renovação e de aperfeiçoamento que predizem vossos guias espirituais. (Revista Espírita. Fevereiro de 1860. O Tempo presente. Allan Kardec).

            Em 19 de setembro de 1861, o Espírito de Erasto disse aos Espíritas lionenses:

            Não podeis acreditar quanto nos é doce e agradável presidir ao vosso banquete, onde o rico e o artesão se acotovelam, brindando à fraternidade; onde o judeu, o católico e o protestante podem sentar-se à mesma comunhão pascal. Não podeis imaginar quanto me sinto orgulhoso de distribuir a cada um de vós os elogios e o encorajamento que o Espírito de Verdade, nosso bem-amado mestre, ordenou-me conferisse às vossas piedosas coortes. (Revista Espírita. Outubro de 1861. Epístola de Erasto aos Espíritas Lioneses. Allan Kardec)

         Em 14 de outubro de 1861, Kardec lê a mensagem de Erasto aos Espíritas de Bordeaux:

         Sei o quanto vossa fé em Deus é profunda, e quão fervorosos adeptos sois da nova revelação; é por isso que vos digo, em toda a efusão de minha ternura por vós, estaria desolado, estaríamos todos desolados, nós que somos, sob a direção do Espírito de Verdade, os iniciadores do Espiritismo na França , se a concórdia das quais destes, até este dia, provas brilhantes viessem a desaparecer de vosso meio. (...). Devo vos fazer ouvir uma voz tanto mais severa, meus bem-amados, quanto o Espírito de Verdade, mestre de nós todos , espera mais de vós. (Revista Espírita. Novembro de 1861. Primeira Epístola aos Espíritas de Bordeaux, por Erasto, Humilde Servo de Deus. Allan Kardec)

         Em 21 de novembro de 1862, o Espírito Antoine (Espírito que foi o pai de Kardec) disse:

            Aquele, digo eu, que tiver resistido a essas tristes tentações, pode esperar, não a mudança dos desígnios de Deus, que são imutáveis, mas contar com a sincera e afetuosa benevolência do Espírito de Verdade – o filho de Deus – o qual de maneira incomparável inundará sua alma com a felicidade de compreender o Espírito de justiça perfeita e bondade infinita e, por conseguinte, salvaguardá-lo de qualquer outra emboscada semelhante.  (Revista Espírita. Novembro de 1862 . Dissertações Espíritas. O Duelo. Allan Kardec)

            Em 17 de setembro de 1863, o Espírito  São José disse:

         Compreendei bem que quanto mais conduzirdes os homens a vos imitar, mais o conjunto de vossas preces terá poder. Tomai os homens pela mão, e conduzi-os no verdadeiro caminho onde engrossarão a vossa falange. Pregai a boa doutrina, a doutrina de Jesus, a que o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações , que não fazem senão repetir e confirmar a doutrina dos Evangelhos. Aqueles que viverem verão coisas admiráveis, eu vo-lo digo. (Revista Espírita. Dezembro de 1863. O Espiritismo na Argélia. Allan Kardec)

            Em Paris, 1863, de O Espírito Erasto disse:

         Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo, a verdadeira conquista de um futuro próximo. Caminhai, pois, em vosso caminho, imperturbavelmente, sem vos preocupar com as zombarias de uns e amor-próprio ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob  a égide do Espírito de Verdade, meu senhor e o vosso. (Revista Espírita. Fevereiro de 1868. Futuro do Espiritismo. Allan Kardec).

       Ressaltamos as expressões: “ nosso Mestre bem-amado” ,“Mestre de nós todos”,  “o Filho de Deus”, “Divino Mestre” e “Meu senhor e o vosso”; a quem poderemos dar todos esses títulos? Isso mesmo; só existe um ser a quem podemos aplicá-los, que não é outro senão o próprio Jesus. (Artigo: Espírito de Verdade quem seria ele? Paulo da Silva Neto Sobrinho)

            E, mais recentemente,  pela psicografia de Chico Xavier,  obtém-se a afirmação de que o Espírito de Verdade é o próprio Senhor, através da explicação do espírito Alexandre a André Luiz:

         – Mediunidade – prosseguiu ele, arrebatandonos os corações – constitui meio de comunicação; e o próprio Jesus nos afirma: “eu sou a porta... se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!” Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor? (Missionários da luz. Espírito André Luiz. Cap. 9. Psicografado por Chico Xavier).

            A seguir, foram extraídos dois trechos de dois livros de Allan Kardec (O Evangelho Segundo o Espiritismo e O Livro dos Médiuns) no qual se pode  observar muita semelhança, porém, a primeira comunicação foi atribuída ao Espírito de Verdade e a segunda Allan Kardec preferiu não colocar a assinatura:

            Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como o fez antigamente a minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a doutrina divinal. Como um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da Humanidade e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis. (...) ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 6. Item 5. O Espírito de Verdade. Paris, 1860. Allan Kardec).

            Venho, eu, vosso Salvador e vosso juiz; venho, como outrora, aos filhos transviados de Israel; venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, tem que lembrar aos materialistas que acima deles reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar a planta e que levanta as ondas. Revelei a Doutrina Divina; como o ceifeiro, ateiem feixes o bem esparso na Humanidade e disse: Vinde a mim, vós todos que sofreis!

            (...)Crede nas vozes que vos respondem: são as próprias almas dos que evocais. Só muito raramente me comunico. Meus amigos, os que hão assistido à minha vida e à minha morte são os intérpretes divinos das vontades de meu Pai. (...) (O Livro dos Médiuns. Cap. 31. Item 9. Allan Kardec)

            No entanto, o mais importante da comunicação descrita no Livro dos Médiuns é a nota que Kardec coloca logo após:

            Nota: Esta comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da Sociedade Espírita de Paris, foi assinada com um nome que o respeito nos não permite reproduzir, senão sob todas as reservas, tão grande seria o insigne favor da sua autenticidade e porque dele se há muitas vezes abusado demais, em comunicações evidentemente apócrifas. Esse nome é o de Jesus de Nazaré.

         De modo algum duvidamos de que ele possa manifestar-se; mas, se os Espíritos verdadeiramente superiores não o fazem, senão em circunstâncias excepcionais, a razão nos inibe de acreditar que o Espírito por excelência puro responda ao chamado do primeiro que apareça. Em todo caso, haveria profanação, no se lhe atribuir uma linguagem indigna dele.

         Por estas considerações, é que nos temos abstido sempre de publicar o que traga esse nome. E julgamos que ninguém será circunspecto em excesso no tocante a publicações deste gênero, que apenas para o amor-próprio têm autenticidade e cujo menor inconveniente é fornecer armas aos adversários do Espiritismo. (O Livro dos Médiuns. Cap. 31. Item 9. Allan Kardec)

         Léon Denis (1846-1927), considerado como um dos principais seguidores de Allan Kardec e difusor da Doutrina Espírita nos afirma que Jesus opera a Nova Revelação sob direção oculta:

            ''A passagem de Jesus pela Terra, seus ensinamentos e exemplos, deixaram traços indeléveis; sua influência se estenderá pelos séculos vindouros. Ainda hoje, ele preside aos destinos do globo em que viveu, amou, sofreu. Governador espiritual deste planeta, veio, com seu sacrifício, encarreirá-lo para a senda do bem e é sob a sua direção oculta e com o seu apoio que se opera essa nova revelação, que, sob o nome de moderno espiritualismo, vem restabelecer sua doutrina, restituir aos homens o sentimento dos próprios deveres, o conhecimento de sua natureza e dos seus destinos.'' (Cristianismo e Espiritismo. Cap. 6. León Denis)

         Hermínio C. Miranda nos afirma: ''Não há como duvidar, portanto, de que, em algum momento, presumivelmente entre 1861 e 1863, Kardec foi informado de que o Espírito Verdade era o próprio Cristo. (…).

            A identificação do Espírito Verdade com Jesus é confirmada em outro livro de boa fonte mediúnica, publicado após a partida de Allan Kardec para o plano espiritual. Chama-se este Rayonnements de la vie spirituelle, tendo funcionado como médium, a sra. W. Krell, de Bordéus, autora também, do prefácio.

            Não há, pois, como ignorar a óbvia e indiscutível conclusão de que, sob o nome de Espírito Verdade, o Cristo dirigiu pessoalmente os trabalhos de formulação e implementação da Doutrina dos Espíritos, caracterizando-a como o Consolador que prometera há dezoito séculos. ''(As Mil Faces da Realidade Espiritual. Hermínio C. Miranda).

            O Espiritismo realiza, como ficou demonstrado, todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime do Evangelho: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira, faz se compreenda o que era ininteligível e se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram a vinda. Pela sua força moralizadora, ele prepara o reinado do bem na Terra.

            A doutrina de Moisés, incompleta, ficou circunscrita ao povo judeu; a de Jesus, mais completa, se espalhou por toda a Terra, mediante o Cristianismo, mas não converteu a todos; o Espiritismo, ainda mais completo, com raízes em todas as crenças, converterá a Humanidade. (A Gênese. Cap. 17. Item 40. Allan Kardec)

            Dizendo a seus apóstolos: «Outro virá mais tarde, que vos ensinará o que agora não posso ensinar», proclamava Jesus a necessidade da reencarnação. Como poderiam aqueles homens aproveitar do ensino mais completo que ulteriormente seria ministrado; como estariam aptos a compreendê-lo, se não tivessem de viver novamente? Jesus houvera proferido uma coisa inconseqüente te se, de acordo com a doutrina vulgar, os homens futuros houvessem de ser homens novos, almas saídas do nada por ocasião do nascimento. Admita-se, ao contrário, que os apóstolos e os homens do tempo deles tenham vivido depois; que ainda hoje revivem, e plenamente justificada estará a promessa de Jesus. Tendo-se desenvolvido ao contacto do progresso social, a inteligência deles pode presentemente comportar o que então não podia. Sem a reencarnação a promessa de Jesus fora ilusória. (A Gênese. Cap. 17. Item 41. Allan Kardec)

            Se disserem que essa promessa se cumpriu no dia de Pentecostes, por meio da descida do Espírito Santo, poder-se-á responder que o Espírito Santo os inspirou, que lhes desanuviou a inteligência, que desenvolveu neles as aptidões mediúnicas destinadas a facilitar-lhes a missão, porém que nada lhes ensinou além daquilo que Jesus já ensinara, porquanto, no que deixaram, nenhum vestígio se encontra de um ensinamento especial. o Espírito Santo, pois, não realizou o que Jesus anunciara relativamente ao Consolador; a não ser assim, os apóstolos teriam elucidado o que, no Evangelho, permaneceu obscuro até ao dia de hoje e cuja interpretação contraditória deu origem às inúmeras seitas que dividiram o Cristianismo desde os primeiros séculos. (A Gênese. Cap. 17. Item 42. Allan Kardec)

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 6. Item 4 e 5. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 17. Item 37,38,39,40,41 e 42. Allan Kardec.

- Obras Póstumas. A minha primeira iniciação no Espiritismo. Meu guia espiritual. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Cap. 31. Item 9. Allan Kardec.

- O Livro dos Médiuns. Cap. 31. Item 9. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Abril de 1862. Respostas à questão dos anjos decaídos. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Fevereiro de 1860. O Tempo presente. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Outubro de 1861. Epístola de Erasto aos Espíritas Lioneses. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Novembro de 1861. Primeira Epístola aos Espíritas de Bordeaux, por Erasto, Humilde Servo de Deus. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Novembro de 1862 . Dissertações Espíritas. O Duelo. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Dezembro de 1863. O Espiritismo na Argélia. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Fevereiro de 1868. Futuro do Espiritismo. Allan Kardec.

- A Caminho da Luz. Cap.22. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Revista Espírita. Junho de 1861. Correspondência. Carta do Sr. Roustaing, de

- Missionários da luz. Espírito André Luiz. Cap. 9. Psicografado por Chico Xavier.

- Cristianismo e Espiritismo. Cap. 6. León Denis.

- As Mil Faces da Realidade Espiritual. Hermínio C. Miranda.

- Artigo: Espírito de Verdade quem seria ele? Paulo da Silva Neto Sobrinho.

- Site: http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=consolar. Data de consulta: 15-09-16.