Aula 90 - A Piedade

Ciclo 1 - História:  A boa ação de Dona Cutia - Atividade: PH - Paulo de Tarso - 24 - Compaixão.

Ciclo 2 - História:  O men digo -  Atividade: ESE - Cap. 13 - 7 - A Piedade.

Ciclo 3 - História:  Compaixão -  AtividadePH - Jesus - 53 -  A Piedade.

 

Dinâmica:  Piedade.

Mensagens espíritas: Piedade.

Sugestão de livro infantil: Turma da Mônica - Meu pequeno Evangelho. Piedade (pág. 36) . Luis Hu Rivas e Ala Mitchell. Editora Boa Nova.

 

Leitura da Bíblia:  Mateus - Capítulo 9


9.27 E, partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, clamando, e dizendo: Tem piedade de nós, filho de Davi.


9.28 E, quando chegou à casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus disse-lhes: Credes vós que eu possa fazer isto? Disseram-lhe eles: Sim, Senhor.


9.29 Tocou então os olhos deles, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.


9.30 E os olhos se lhes abriram. E Jesus ameaçou-os, dizendo: Olhai que ninguém o saiba.


9.31 Mas, tendo eles saído, divulgaram a sua fama por toda aquela terra.


 


9.35 E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.


9.36 E, vendo as multidões, teve grande piedade delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.


9.37 Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.


9.38 Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara.



 

1 Timóteo - Capítulo 6


6.6 Mas é grande ganho a piedade com contentamento.


 

Tópicos a serem abordados:

- Piedade significa ter compaixão pelos sofrimentos alheios e buscar diminuí-los. A piedade é a virtude que mais nos aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que nos conduz a Deus.

- É o sentimento ideal para nos fazer progredir, pois dispõe a nossa alma à humildade, à caridade e ao amor do próximo, domando em nós o egoísmo e o orgulho.

- A piedade bem sentida é amor; amor é devotamento; devotamento é o esquecimento de si mesmo; e esquecimento de si mesmo é sacrifício em favor dos infelizes.  Essa virtude por excelência foi praticada por nosso Mestre Jesus em toda sua vida.

- Jesus sempre demonstrou a Sua humanidade, participando da vida ativa da comunidade do Seu tempo: as bodas em Caná, as atividades pesqueiras no mar da Galileia, as visitas aos doentes, os cultos na Sinagoga , as visitas ao Templo de Jerusalém, as festas tradicionais do Seu país e do Seu povo (1). Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles,  pregando o Evangelho do reino, e curando todas as doenças e moléstias entre o povo.  E, vendo as multidões, teve grande piedade delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.

- A Sua piedade era sinal de que comprendia a fragilidade moral dos homens e dos sofrimentos, pelos quais deveriam passar,  mas que poderiam ser diminuídos pelo esforço próprio, se entregassem aos mecanismos terapêuticos do amor que liberta.

- Jesus é o bom pastor que veio nos mostrar qual é o verdadeiro caminho que nos conduz ao reino dos céus. O Divino Mestre não lamentava a situação miserável do povo , mas ensinava que o Reino de Deus poderia ser conquistado através do esforço próprio, como qualquer tesouro que desejassem adquirir.

 - Houve uma situação em que dois cegos pediram a Jesus: ''Tem piedade de nós, filho de Davi.'' Antes de curá-los, Jesus procura despertar-lhes a fé, tanto que lhes diz que o pedido que haviam feito seria atendido segundo a fé que possuíssem.

-  Jesus não humilhava àqueles que vinham lhe pedir ajuda, colocando-os em condição inferior, mas pelo contrário, tratava-os com carinho, pois considerava o sofrimento que enfrentavam uma experiência de crescimento interior.

- Fala-se muito em piedade na Terra, entretanto, quando nos referimos a essa virtude, dificilmente sabemos a diferença entre compaixão e humilhação. As pessoas dizem: ''— Ajudo, mas este homem é um viciado. — Atenderei, entretanto, essa mulher é ignorante e má. '' Tais afirmativas são ditas  por lábios que se afirmam cristãos. No entanto, o Evangelho não nos fala dessa piedade mentirosa, cheia de exigências. O verdadeiro cristão sabe semear o bem e auxiliar alegremente,  sem utilizar-se da crítica destrutiva.

- A piedade verdadeira deve ser discreta; ao ofecer  a água que mata a sede e o pão que elimina a fome, não se deve exibir o sofrimento de quem quer que seja.

 

Comentário (1): Os judeus, todos os anos, lá iam em peregrinação para as festas principais, como as da Páscoa, da Dedicação e dos Tabernáculos. Por ocasião dessas festas é que Jesus também costumava ir lá. As outras cidades não possuíam templos, mas, apenas, sinagogas: edifícios onde os judeus se reuniam aos sábados, para fazer preces públicas, sob a chefia dos anciães, dos escribas, ou doutores da Lei. Nelas também se realizavam leituras dos livros sagrados, seguidas de explicações e comentários, atividades das quais qualquer pessoa podia participar. Por isso é que Jesus, sem ser sacerdote, ensinava aos sábados nas sinagogas. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. Allan Kardec)

 

Perguntas para fixação:

1.  O que é a piedade?

2. A piedade é irmã de qual virtude?

3. Essa viturde foi praticada por quem em toda sua vida?

4. Por que Jesus tinha piedade da multidão de pessoas?

5. O que os dois cegos pediram a Jesus?

6. Antes de curar os cegos, o que Jesus procurou despertar neles?

7. Por que as pessoas confundem compaixão com humilhação?

8. Por que a piedade deve ser discreta?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Segundo o dicionário Michaelis o termo ''Piedade'' significa: Amor e respeito às coisas religiosas; devoção, religiosidade.  Compaixão pelos sofrimentos alheios; Misericórdia. (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=piedade)

            A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos; é a irmã da caridade, que vos conduz a Deus. Ah! deixai que o vosso coração se enterneça ante o espetáculo das misérias e dos sofrimentos dos vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que lhes derramais nas feridas e, quando, por bondosa simpatia, chegais a lhes proporcionar a esperança e a resignação, que encanto não experimentais! Tem um certo amargor, é certo, esse encanto, porque nasce ao lado da desgraça; mas, não tendo o sabor acre dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio que estes últimos deixam após si Envolve-o penetrante suavidade que enche de jubilo a alma. A piedade, quando bem sentida, é amor ; amor é devotamento; devotamento é o esquecimento de si mesmo e esse esquecimento, essa abnegação em favor dos desgraçados, é a virtude por excelência, a que em toda a sua vida praticou o divino Messias e ensinou na sua doutrina tão santa e tão sublime.

            Quando esta doutrina for restabelecida na sua pureza primitiva, quando todos os povos se lhe submeterem, ela tornará feliz a Terra, fazendo que reinem aí a concórdia, a paz e o amor.

            O sentimento mais apropriado a fazer que progridais, domando em vós o egoísmo e o orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade! piedade que vos comove até às entranhas à vista dos sofrimentos de vossos irmãos, que vos impele a lhes estender a mão para socorrê-los e vos arranca lágrimas de simpatia.

            Nunca, portanto, abafeis nos vossos corações essas emoções celestes; não procedais como esses egoístas endurecidos que se afastam dos aflitos, porque o espetáculo de suas misérias lhes perturbaria por instantes a existência álacre. Temei conservar-vos indife rentes, quando puderdes ser úteis. A tranqüilidade comprada à custa de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do mar Morto, no fundo de cujas águas se escondem a vasa fétida e a corrupção.

            Quão longe, no entanto, se acha a piedade de causar o distúrbio e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Sem dúvida, ao contacto da desgraça de outrem, a alma, voltando-se para si mesma, experimenta um confrangimento natural e profundo, que põe em vibração todo o ser e o abala penosamente. Grande, porém, é a compensação, quando chegais a dar coragem e esperança a uni irmão infeliz que se enternece ao aperto de uma mão amiga e cujo olhar, úmido, por vezes, de emoção e de reconhecimento, para vós se dirige docemente, antes de se fixar no Céu em agradecimento por lhe ter enviado um consolador, um amparo. A piedade é o melancólico, mas celeste precursor da caridade, primeira das virtudes que a tem

por irmã e cujos benefícios ela prepara e enobrece.  (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Item 17. Miguel.Bordéus, 1862. Allan Kardec)

            Fala-se muito em piedade na Terra, todavia, quando assinalamos referências a semelhante virtude, dificilmente discernimos entre compaixão e humilhação.

— Ajudo, mas este homem é um viciado.

— Atenderei, entretanto, essa mulher é ignorante e má.

— Penalizo-me, contudo, esse irmão é ingrato e cruel.

— Compadeço-me, todavia, trata-se de pessoa imprestável.

 Tais afirmativas são reiteradas a cada passo por lábios que se afirmam cristãos.  Realmente, de maneira geral, só encontramos na Terra essa compaixão de voz macia e mãos espinhosas.

            (...)A verdadeira piedade, no entanto, é filha legítima do amor.

             Não perde tempo na identificação do mal. Interessa-se excessivamente no bem para descurar-se dele em troca de ninharias e sabe que o minuto é precioso na economia da vida.

            O Evangelho não nos fala dessa piedade mentirosa, cheia de ilusões e exigências. Quem revela energia suficiente para abraçar a vida cristã, encontra recursos de auxiliar alegremente.  Não se prende às teias da crítica destrutiva e sabe semear o bem, fortificar-lhe os germens, cultivar-lhe os rebentos e esperar-lhe a frutificação.

             Diz-nos Paulo que a “piedade com contentamento é grande ganho” para a alma e, em verdade, não sabemos de outra que nos possa trazer prosperidade ao coração. (Pão Nosso. Item 107. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).       

            A piedade fraternal, que é o amor em comêço, filha dileta da caridade excelsa, logo descobre como co-participar de todo êsse triste festival de angustias no cenário desolador das dores humanas.

            No entanto, mui difícil é a dádiva da piedade fraternal, à presunção, à soberbia.

            Pelas características de que se revestem, o presunçoso e o soberbo, a ira nos que o cercam é o primeiro sentimento que investe promovendo reações imediatas às suas atitudes ferintes.

            Ao lado do ingrato assinalado pelo esqueci­mento de todo o bem que recebeu, a atitude próxima é a da revolta que assoma no coração gene­roso do doador, agora cioso por um pronto des­forço.

            A agressividade desta ou daquela natureza com­põe naturalmente um quadro de reações que o instinto engendra, oscilando entre a perspicácia da contrariedade ao azedume cruel do ódio que con­seguem, não poucas vêzes, roubar a paz tisnando a lucidez dos que lhe são vítimas indefesas.

            Piedade, piedade para os maus, os ingratos, os soberbos, os cruéis porque são possivelmente mem­bros de um organismo social dos mais doentes, porqüanto ignoram o câncer que os vitima por dentro, mais próximos do aniquilamento da vaidade do que êles próprios supõem.

            O sofrimento resignado nos compunge, a dor discreta nos comove, as lágrimas em silêncio nos chamam à compaixão, mas, é piedade também o ato de paciência ao lado do rebelde, do conduzido pelo corcel fogoso das paixões arbitrárias que nos humilha e nos aguilhoa, zombando muitas vêzes do nosso valor, por ignorância total da infelicidade que portam consigo.

            A piedade é um sentimento multiface, que todos devemos agasalhar no coração.

            Como é verdade que Jesus se compadeceu da pobre mulher surpreendida em adultério, que igno­rava a sandice atormentadora e a obsessão de que era objeto, convém não esqueçamos que ante a surra da ingratidão geral que o levou à Cruz, o seu último pensamento e suas últimas palavras foram a rogativa ao Pai para que perdoasse os crucificadores e os traidores, pois que êles não sabiam o que estavam a fazer, ensinando com a eloqüência do exemplo a mais sublime página de piedade frater­nal, que continua qual luminoso roteiro para o ho­mem através dos tempos sem fim, até o dia em que seja possível a perfeita fraternidade Universal. (Florações Evangélicas. Cap. 58. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco)

            Jesus, num átimo, no Getsemani, olhou o futuro da Humanidade. Devassou-lhe os milênios de provação e resgate, e condoeu-se dos homens. Sua Alma encheu-se de compaixão. Piedade pelos homens, que voltariam, em novos corpos, várias vezes, para o resgate inevitável. (Estudando o Evangelho. Cap. 36. Martins Peralva)

            Caracterizou todo o ministério de Jesus, o sentimento da piedade, que demonstrou a Sua humanidade acima de todos os homens.                     Compreendendo a fragilidade da estrutura moral dos indivíduos e das massas, nas quais perdiam a sua identidade pessoal, obumbrados pelas sombras da ignorância a respeito das excelentes conquistas do Espírito imortal, Ele se fez compassivo e misericordioso em todas as situações, a fim de melhor ajudar mesmo àqueles que desconheciam o milagre da compaixão.

             Não os lamentava, não lhes estimulava a penúria interior, envolvendo-os em miserabilidade, antes os alçava ao Reino de Deus, que neles se encontrava e podia ser conquistado com empenho, como qualquer tesouro que se deseje adquirir. A Sua, porém, não era a piedade convencional, que logo passa assim se afasta do fator que inspira ternura. Tampouco se fazia humilhante para quem a recebia, colocando o ser em postura inferior, nunca mesmo considerando tratar-se de desdita, mas sempre como uma experiência de crescimento interior, a dificuldade que se arrostava. Rico de potências extrafísicas, não as exibia, utilizando-as somente quando podiam auxiliar a libertar do testemunho áspero da provação que alguém carpia. Eram atitudes caracterizadas pelo envolvimento fraternal e por carinhosa atenção, chegando ao extremo de chamar os discípulos de irmãos, com inefável ternura, como ocorreu após a ressurreição, no memorável diálogo mantido com Maria de Magdala...

            A piedade é sentimento excelso, porque parte da emoção que comparte a dor do seu próximo e busca diminuí-la. Possuidor de potencial dinâmico, não fica somente na expressão exterior, transformando-se em ação de beneficência, sem a qual esta última seria apenas uma forma de filantropia. A piedade é a dileta filha do amor, que surge no homem quando este se eleva, alcançando níveis de consciência mais condizentes com o seu estado de conquistador do Infinito, que não cessa de servir. Expressa-se de mil maneiras, desde a dor que punge aquele que a experimenta até as lágrimas que são vertidas sobre as feridas morais, balsamizando-as, ou o medicamento que se coloca nas pústulas expostas da degenerescência orgânica. Ao tempo que verte compaixão, eleva a alma que se desdobra para viver ao lado do sofrimento e minimizá-lo, oferecer a linfa que mitiga a sede e o pão que elimina a fome. Torna-se ainda mais grandiosa quando alcança o fulcro oculto dos sofrimentos íntimos que dilaceram a esperança e a alegria de viver, fazendo-se silêncio que sabe ouvir, palavra oportuna que esclarece e consola, gesto de entendimento e participação como cireneu, auxiliando a conduzir a cruz em anonimato dignificante.

            Por isso, é discreta e ungida de amor, nunca se permitindo exibir o sofrimento de quem quer que seja, mas sabendo dissipar as sombras e acolhendo o amargor do próximo com a luz da alegria sem alarde. Jamais se cansa, porque é espontânea, rica de paciência, porque aprendeu a conviver com elegância com a própria dificuldade íntima, superando-a. Sempre vê em si aquilo que descobre no seu irmão, e que, apesar de ultrapassado, deixou os sinais do bem que resultou, doando-se com o mesmo envolvimento emocional, a fim de libertá-lo também. Ademais, ao realizar a sua parte, a piedade faz que o ser volva para dentro o pensamento e considere quanto gostaria de receber, caso se encontrasse no estado que deplora no seu próximo, assim aumentando a capacidade de ajudar jovialmente. E antídoto eficaz contra o orgulho e o egoísmo, porque nivela todos aqueles que sempre podem ser colhidos por dissabores e insucessos, enfermidades e desencarnação... Jesus-Homem assim compreendeu a necessidade de viver e ensinar a piedade, chegando a ser peremptório, em a narrativa do óbolo da viúva, que deu mesmo tudo o que tinha para seu sustento, deixando que se entenda haver sempre algo de que se pode dispor, embora seja o mínimo de valor, máximo essencial para a própria subsistência. Ninguém é destituído do sentimento piedoso, mas nem todos os corações se abrem a externá-lo quanto deveriam, vitimados por conflitos de culpa, de inferioridade ou de presunção, que os tornam desditosos, não obstante possuindo a generosa fonte da fraternidade. A piedade de Jesus! Dignificando o ser humano, Ele conviveu com pecadores e pessoas suspeitas, não se permitindo destacar, exceto pelas Suas qualidades intrínsecas e pelo Seu amor que se transformava em luz e pão, paz e unguento colocado sobre as almas em febre de paixões. A Sua compreensão das necessidades humanas é expressão de piedade no seu sentido mais profundo.

            Comportamento de mãe devotada e solícita, sempre atenta às necessidades dos filhos, e de pai discreto, mas trabalhador infatigável para que tudo se encontre saudável e em ordem na prole que tem aos seus cuidados. A piedade expressa as duas naturezas do ser, unindo-as, identificando-as, harmonizando-as em perfeita sincronia vibratória. Essa dualidade masculino-feminina, quando perfeitamente mesclada, apresenta o ser que supera as conotações das polaridades sexuais e seus apelos, transformando os hormônios em ondas de energia que vibram em todos os músculos e eliminam tensões, ao mesmo tempo vitalizando os campos sutis da alma e vinculando-a à Sua Causalidade, de onde haure mais poder e vitalidade. Jesus conseguia esse desempenho por haver-se autossuperado e transformado todos os Seus anseios em empreendimentos de amor pela Humanidade, a fim de erguê-la a Deus conforme Ele próprio o lograra. É o momento máximo da humanização esse, no qual já não se vive em si mesmo ou para si — como Paulo afirmava em outras palavras - mas inundado do ideal e d'Aquele que é transcendência e imanência. Não há, portanto, quem não se possa dispor ao mister da piedade, porque esse sentimento pode ser, talvez, o mínimo que se possua quando se está carente, na desolação ou na miséria, significando o próprio sustento, mas que pode e deve ser repartido para auxiliar ou para glorificar a vida. A viúva, da narração, não titubeou em doar tudo quanto tinha, que era quase nada... Mas a sua foi a dádiva mais expressiva, porquanto os outros haviam dado o que lhes não fazia falta, ou por ostentação, por orgulho, já que teriam mesmo que os deixar na Terra, quando a morte os convidasse ao retorno... Isto porque, à luz da Psicologia Profunda, ela compreendeu que também era ser humano, que fazia parte da comunidade, viúva, mas não extinta, que vibrava desejando que a sociedade se mantivesse nos níveis aceitáveis para tornar os relacionamentos interpessoais dignos, tornando-se necessária também a sua quota, por menor que fosse, e então ofereceu tudo de que dispunha. Estar vivo é participar do movimento humano, não obstaculizar a marcha do progresso, contribuir com o seu quinhão, por mínimo que se apresente. Jesus sempre demonstrou a Sua humanidade, nunca se eximindo de participar da vida ativa da comunidade do Seu tempo: as bodas em Caná, as atividades pesqueiras no mar da Galileia, as visitas aos enfermos, os cultos na Sinagoga, as visitas ao Templo de Jerusalém, as festas tradicionais do Seu país e do Seu povo...

            Nunca se alienou, a pretexto de estar construindo o Reino de Deus; jamais se escusou, sempre que convidado a opinar, a participar, igualmente não se omitiu em relação aos escorchantes impostos, o que não significa conivência com eles, submetendo-se, inclusive, a um julgamento arbitrário e covarde, para demonstrar a Sua aceitação das leis terrestres injustas, em irrestrita e final confiança nas Divinas Leis.

            Não se apresentou como um anjo distante das necessidades imediatas do povo: alimento, convivência, discussões, questões políticas e sociais, mantendo-se, entretanto, em postura característica da Sua superioridade moral e espiritual. A Sua piedade era sinal de compreensão do processo evolutivo, pelo qual deveriam passar os homens que aos sofrimentos faziam jus, mas que os poderiam ter diminuídos por esforço próprio se se entregassem aos mecanismos terapêuticos do amor que liberta. (Jesus e o Evangelho a luz da psicologia profunda. Cap. 19; Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco)

             Certa vez, dois cegos seguiram Jesus e lhe pediram, dizendo:  Tem piedade de nós, filho de Davi. (Mateus 9:27)

            Para curar os dois cegos, Jesus procura despertar-lhes a fé, tanto que lhes diz que o pedido deles seria atendido segundo a fé que possuíssem. Mas qual é a fé que deveriam possuir? Deveriam possuir a fé em Deus, nosso Pai, que é o único que pode permitir que os desejos de seus filhos sejam satisfeitos. Por isso é que Jesus proíbe os cegos de que digam de quem receberam a cura. É como se lhes dissesse: “Não digam que fui eu quem lhes deu a vista, porque foi de Deus que a receberam. Admiramos aqui a humildade de Jesus, fazendo com que suas obras glorifiquem a Deus, nosso Pai. (O Evangelho dos Humildes. Cap. 9. Eliseu Rigonatti).

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Item 17. Miguel.Bordéus, 1862. Allan Kardec.

- Pão Nosso. Item 107. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Florações Evangélicas. Cap. 58. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.

- Estudando o Evangelho. Cap. 36. Martins Peralva.

- Jesus e o Evangelho a luz da psicologia profunda. Cap. 19. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 9. Eliseu Rigonatti.

- Site: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=piedade.