Aula 88 - Multiplicação dos pães

Ciclo 1 - História:  Multiplicação dos Pães - Atividade: PH - Jesus - 49 - Multiplicação dos pães.

Ciclo 2 - História:  Multiplicação dos Pães -  Atividade: PH - Jesus - 50 - Multiplicação dos pães.

Ciclo 3 - História:  Multiplicação dos pães  -  AtividadeImã - Peixe de EVA.

 

Dinâmica: Multiplicação dos pães.

Sugestão de vídeo: Desenho Bíblico,a Multiplicação dos Pães. Obs.: Jesus não fazia milagres (algo sobrenatural), a multiplicação dos pães foi um fenômeno natural explicada pelo Espiritismo (Dica: Pesquise no Youtube)

 

Leitura da Bíblia:  Mateus - Capítulo 14


14.15 E, sendo chegada a tarde, os seus discípulos aproximaram-se dele, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já avançada; despede a multidão, para que vão pelas aldeias, e comprem comida para si.


14.16 Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer.


14.17 Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.


14.18 E ele disse: Trazei-mos aqui.


14.19 E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a grama, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão.


14.20 E comeram todos, e saciaramse; e levantaram dos pedaços, que sobejaram, doze alcofas cheias.


14.21 E os que comeram foram quase cinco mil homens, além das mulheres e crianças.


 

Mateus - Capítulo 15


15.33 Os seus discípulos responderam: "Onde poderíamos encontrar, neste lugar deserto, pão suficiente para alimentar tanta gente? "


15.34 "Quantos pães vocês têm? ", perguntou Jesus. "Sete", responderam eles, "e alguns peixinhos".


15.35 Ele ordenou à multidão que se assentasse no chão.


15.36 Depois de tomar os sete pães e os peixes e dar graças, partiu-os e os entregou aos discípulos, e os discípulos à multidão.


15.37 Todos comeram até se fartar. E ajuntaram sete cestos cheios de pedaços que sobraram.


15.38 Os que comeram foram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças.



Mateus - Capítulo 16


16.5 E, passando seus discípulos para o outro lado, tinham-se esquecido de trazer pão.


16.6 E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus.


16.7 E eles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão.


16.8 E Jesus, percebendo isso, disse: Por que arrazoais entre vós, homens de pouca fé, sobre o não terdes trazido pão?


16.9 Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes?


16.10 Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes?


16.11 Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?


16.12 Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus.



João - Capítulo 6


6:22 No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discípulos tinham ido sozinhos


6:23 (Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o Senhor dado graças).


6:24 Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.


6:25 E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?


6.26 Jesus respondeu-lhes e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.


6.27 Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.


6.28 Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?


6.29 Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.


6.30 Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?


6.31 Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.


6.32 Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.


6.33 Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.


6.34 Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão.


6.35 E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.


6.47 Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.


6.48 Eu sou o pão da vida.


6.49 Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.


6.50 Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.


6.51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.



 

Tópicos a serem abordados:

- O fenômeno da multiplicação dos pães e peixes tem intrigado muitos comentadores. Muitos dos religosos consideram-no como um milagre.  No entanto, um milagre implica a idéia de um fato sobrenatural (inexplicável), fora das leis da natureza. E o Espiritismo nos esclarece que todos os fatos extraordinários, considerados milagrosos, possuem uma explicação através das leis naturais. Portanto, Jesus não fazia milagres. 

- Devemos considerar a multiplicação dos pães uma narrativa simbólica, que compara o alimento do corpo ao alimento espiritual. Pode-se, entretanto, perceber nela mais do que uma simples figura e admitir, de certo ponto de vista, a realidade de um fato material. Sabemos que uma grande preocupação do espírito, bem como a atenção fortemente presa a alguma coisa pode fazer esquecer a fome. Ora, os que acompanhavam a Jesus eram criaturas que possuíam muita vontade de ouvi-lo; nada há, pois, de espantar em que, fascinadas pela sua palavra e também, talvez, pela poderosa ação magnética que ele exercia sobre os que o cercavam, elas não tenham experimentado a necessidade material de comer.

- Em outras situações posteriores o divino mestre dá claramente a entender que não se referia à pães materiais.

- É o que podemos confirmar nesta seguinte passagem em que Jesus disse: ''Prestem atenção e tomem cuidado com o fermento dos fariseus  e dos saduceus.'' O discípulos pensaram que Jesus haviam dito isto pois haviam esquecido de levar pão. Mas Jesus percebeu o pensamento deles e  perguntou: ''Vocês ainda não compreendem, nem mesmo se lembram dos cinco pães para cinco mil homens? Como é que não compreendem que eu não estava falando de pão com vocês, quando disse  para tomar cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus? ''Isto quer dizer que se Jesus houvesse realizado um fato extraordinário, multiplicado os pães materialmente, os discípulos não teriam esquecido deste fato. 

- O pão material que sacia a fome do corpo, por um determinado momento, simboliza o Evangelho de Jesus, a doutrina que  satisfaz a fome do Espírito. No entanto, quando Jesus afirma para tomar cuidado com fermento (que  azeda o estômago e prejudica o corpo), estava se referindo a religião dos fariseus e saduceus, tão prejudicial que envenenava as almas.

-  Jesus disse: '' Em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, - porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.'' Os discípulos disseram então: ''Senhor, dá-nos sempre desse pão. Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê não terá sede.''  A expressão ''o pão que desceu do céu e dá vida ao mundo” são os ensinamentos de Jesus, que é a sua doutrina, recebida do Pai celestial.

- Jesus disse: '' Não trabalhem pelo alimento que se estraga; trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna.'' Pois, é o alimento espiritual (o Evangelho) que devemos buscar com maior empenho, porque, uma vez assimilado “em espírito e verdade”, sustentará nossa alma para sempre, fornecendo  as energias necessárias para enfrentar as dificuldades da existência. O alimento material também é indispensável à nossa subsistência, mas Deus proverá conforme as nossas necessidades, como não deixou sem amparo o povo judeu no deserto, enviando-lhe suficiente provisão de maná.

 

Perguntas para fixação:

1. O que é o milagre?

2. Jesus realizava milagres?

3. Jesus multiplicou pães materiais?

4. O que representam os pães nesta narrativa?

5. Como a multidão de pessoas conseguiu deixar de sentir fome?

6. O que é o alimento espiritual?

7. Por que Jesus mandou ter cuidado com o fermerto dos fariseus e saduceus?

8. Por que devemos trabalhar com maior empenho pelo alimento espiritual?         

 

Subsídio para o Evangelizador:

   O fenômeno da multiplicação dos pães tem sido assunto de intermináveis controvérsias entre os religiosos e os pregadores.

Aqueles, não podendo negá-lo, pois faz parte integrante dos Evangelhos, relegam-no para as esferas do milagre e do sobrenatural.

   Os materialistas, por sua vez, não podendo explicá-lo de acordo com a sua limitada ciência, negam-lhe a veracidade, "porque as leis da Natureza são inflexíveis e não se pode tirar alguma coisa donde só existe o nada".

São muito cômodos estes processos, usuais entre os corifeus da Religião e da Ciência: afirmar sem provas, sem lógica e sem raciocínio, e negar sem exame e sem estudo, adotando para a discussão, unicamente os sofismas e a filosofia abstrata.  (O Espírito do Cristianismo. Cap. 11. Cairbar Schutel)

            Na acepção etimológica, a palavra milagre (de mirari, admirar)

significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. A Academia definiu-a deste modo: Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas.

            Na acepção usual, essa palavra perdeu, como tantas outras, a significação primitiva. De geral, que era, se tornou de aplicação restrita a uma ordem particular de fatos. No entender das massas, um milagre implica a idéia de um fato extranatural; no sentido teológico, é uma derrogação das leis da Natureza, por meio da qual Deus manifesta o seu poder. Tal, com efeito, a acepção vulgar, que se tornou o sentido próprio, de modo que só por comparação e por metáfora a palavra se aplica às circunstâncias ordinárias da vida.

            Um dos caracteres do milagre propriamente dito é o ser inexplicável, por isso mesmo que se realiza com exclusão das leis naturais. É tanto essa a idéia que se lhe associa, que, se um fato milagroso vem a encontrar explicação, se diz que já não constitui milagre, por muito espantoso que seja. O que, para a Igreja, dá valor aos milagres é, precisamente, a origem sobrenatural deles e a impossibilidade de serem explicados. Ela se firmou tão bem sobre esse ponto, que o assimilarem-se os milagres aos fenômenos da Natureza constitui para ela uma heresia, um atentado contra a fé, tanto assim que excomungou e até queimou muita gente por não ter querido crer em certos milagres.

            Outro caráter do milagre é o ser insólito, isolado, excepcional. Logo que um fenômeno se reproduz, quer espontânea, quer voluntariamente, é que está submetido a uma lei e, desde então, seja ou não seja conhecida a lei, já não pode haver milagres.

            (...) Uma vez que estão no quadro dos da Natureza, os fenômenos espíritas se hão produzido em todos os tempos; mas, precisamente, porque não podiam ser estudados pelos meios materiais de que dispõe a ciência vulgar, permaneceram muito mais tempo do que outros no domínio do sobrenatural, donde o Espiritismo agora os tira.

            Baseado em aparências inexplicadas, o sobrenatural deixa livre curso à imaginação que, a vagar pelo desconhecido, gera as crenças supersticiosas. Uma explicação racional, fundada nas leis da Natureza, reconduzindo o homem ao terreno da realidade, fixa um ponto de parada aos transviamentos da  imaginação e destrói as superstições. Longe de ampliar o domínio do sobrenatural, o Espiritismo o restringe até aos seus limites extremos e lhe arrebata o último refúgio. Se é certo que ele faz crer na possibilidade de alguns fatos, não menos certo é que, por outro lado, impede a crença em diversos outros, porque demonstra, no campo da espiritualidade, a exemplo da Ciência no da materialidade, o que é possível e o que não o é. Todavia, como não alimenta a pretensão de haver dito a última palavra seja sobre o que for, nem mesmo sobre o que é da sua competência, ele não se apresenta como absoluto regulador do possível e deixa de parte os conhecimentos reservados ao futuro.

            Pois que o Espiritismo repudia toda pretensão às coisas miraculosas, haverá, fora dele, milagres, na acepção usual desta palavra?

Digamos, primeiramente, que, dos fatos reputados milagrosos, ocorridos antes do advento do Espiritismo e que ainda no presente ocorrem, a maior parte, senão todos, encontram explicação nas novas leis que ele veio revelar.

            Esses fatos, portanto, se compreendem, embora sob outro nome, na ordem dos fenômenos espíritas e, como tais, nada têm de sobrenatural. Fique, porém, bem entendido que nos referimos aos fatos autênticos e não aos que, com a denominação de milagres, são produto de uma indigna trampolinice, com o fito de explorar a credulidade. Tampouco nos referimos a certos fatos lendários que podem ter tido, originariamente, um fundo de verdade, mas que a superstição ampliou até ao absurdo. Sobre esses fatos é que o Espiritismo projeta luz, fornecendo meios de apartar do erro a verdade. (A Gênese. Cap. 13. Itens 1, 8 e 14. Allan Kardec)

            A multiplicação dos pães é um dos milagres que mais têm intrigado os comentadores e alimentado, ao mesmo tempo, as zombarias dos incrédulos. Sem se darem ao trabalho de lhe perscrutar o sentido alegórico, para estes últimos ele não passa de um conto pueril. Entretanto, a maioria das pessoas sérias há visto na narrativa desse fato, embora sob forma diferente da ordinária, uma parábola, em que se compara o alimento espiritual da alma ao alimento do corpo.

            Pode-se, todavia, perceber nela mais do que uma simples figura e admitir, de certo ponto de vista, a realidade de um fato material, sem que, para isso, seja preciso se recorra ao prodígio. É sabido que uma grande preocupação de espírito, bem como a atenção fortemente presa a uma coisa fazem esquecer a fome. Ora, os que acompanhavam a Jesus eram criaturas ávidas de ouvi-lo; nada há, pois, de espantar em que, fascinadas pela sua palavra e também, talvez, pela poderosa ação magnética que ele exercia sobre os que o cercavam, elas não tenham experimentado a necessidade material de comer.

            Prevendo esse resultado, Jesus nenhuma dificuldade teve para tranqüilizar os discípulos, dizendo-lhes, na linguagem figurada que lhe era habitual e admitido que realmente houvessem trazido alguns pães, que estes bastariam para matar a fome à multidão. Simultaneamente, ministrava aos referidos discípulos um ensinamento, com o lhes dizer: «Dai-lhes vós mesmos de comer.» Ensinava-lhes assim que também eles podiam alimentar por meio da palavra. Desse modo, a par do sentido moral alegórico, produziu-se um efeito fisiológico, natural e muito conhecido. O prodígio, no caso, está no ascendente da palavra de Jesus, poderosa bastante para cativar a atenção de uma multidão imensa, ao ponto de fazê-la esquecer-se de comer. Esse poder moral comprova a superioridade de Jesus, muito mais do que o fato puramente material da multiplicação dos pães, que tem de ser considerada como alegoria.

            Esta explicação, aliás, o próprio Jesus a confirmou nas duas passagens seguintes.

            Ora, tendo seus discípulos passado para o outro lado do mar, esqueceram-se de levar pães. - Jesus lhes disse: Tende o cuidado de precatar-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus. - Eles, porém, pensavam e diziam entre si: É porque não trouxemos pães.

            Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Homens de pouca fé, por que haveis de estar cogitando de não terdes trazido pães? Ainda não compreendeis e não vos lembrais quantos cestos levastes? - Como não compreendereis que não é do pão que eu vos falava, quando disse que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?

            Eles então compreenderam que ele não lhes dissera que se preservassem do fermento que se põe no pão, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus. ( Mateus, cap. XVI, vv. 5 a 12.) ( A gênese. Cap. 15. Item 48 e 49. Allan Kardec)

            Se é verdade que há necessidade de fermento na feitura do pão, também é verdade clara que grande é a diferença que existe então entre o pão e o fermento.

            O pão sacia a fome, embora por momentos, e se transforma em corpo, auxilia o trabalho, anima a palavra, para que o Evangelho ressoe e a luz brilhe.

            O fermento azeda o estômago, molesta as vísceras, mata o corpo, impede a palavra, tolhe o Evangelho, extingue a luz, sufoca a verdade.

            Quão grande é a diferença entre o pão e o fermento!

            Pois se o fermento, que é feito de farinha se torna tão perigoso, tão venenoso, tão mortífero, que diremos do fermento religioso?

            A religião dos fariseus e dos saduceus era tão prejudicial, causava tanto mal às almas, que Jesus não se animou a chamá-la religião nem doutrina, chamou-a fermento!

            Os fariseus e os saduceus eram os sacerdotes, os padres daquela época, os mesmos que não perdiam ocasião de perseguir a Jesus. Mas por que o faziam?

            Porque Jesus ensinava ao povo a Religião de Deus e dizia abertamente que o que os sacerdotes ensinavam não era religião nem doutrina: era fermento!

            Fermento de dogmas, fermento de sacramentos, fermentos de orações, fermento de cultos, fermento de cerimônias, fermento de procissões, fermento de imagens; e todos esses fermentos juntos envenenavam as almas por tal forma, que ninguém podia conseguir a salvação.

            Jesus veio salvar o homem da dor e o único meio era aplicar o remédio para a salvação do homem; Jesus veio salvar o homem do naufrágio, havia de fazer que ele abandonasse a barca apodrecida que tinha os cascos carcomidos e estava naufragando com a tripulação.

            A Religião não consiste em dogmas, nem em cultos exteriores; isto não passa de fermento religioso!

            Guardar-se do fermento dos fariseus e dos saduceus é sábia precaução recomendada por Jesus.

            Cuidado com os fermentos que, com inscrições atraentes de religião, prejudicam os homens. Cuidado com o fermento dos padres e dos pastores!

Religião é fé e misericórdia! (Parábolas e ensinos de Jesus. O Fermento dos saduceus e dos fariseus. Cairbar Schutel)

            No dia seguinte, o povo, que permanecera do outro lado do mar, notou que lá não chegara outra barca e que Jesus não entrara na que seus discípulos tomaram, que os discípulos haviam partido sós - e como tinham chegado depois outras barcas de Tiberíades, perto do lugar onde o Senhor, após render graças, os alimentara com cinco pães; - e como verificassem por fim que Jesus não estava lá, tampouco seus discípulos, entraram naquelas barcas e foram para Cafarnaum, em busca de Jesus. - E, tendo-o encontrado além do mar, disseram-lhe: Mestre, quando vieste para cá?

            Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que me procurais, não por causa dos milagres que vistes, mas por que eu vos dei pão a comer e ficastes saciados. -Trabalhai por ter, não o alimento que perece, mas o que dura para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará, porque foi nele que Deus, o Pai, imprimiu seu selo e seu caráter.

            Perguntaram-lhe eles: Que devemos fazer para produzir obras de Deus? - Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é que creiais no que ele enviou. Perguntaram-lhe então: Que milagre operarás que nos faça crer, vendo-o? Que farás de extraordinário? - Nossos pais comeram o maná (1) no deserto, conforme está escrito: Ele lhes deu de comer o pão do céu.

            Jesus lhes respondeu: Em verdade, em verdade vos digo que Moisés não vos deu o pão do céu; meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu, - porquanto o pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá vida ao mundo.

            Disseram eles então: Senhor, dá-nos sempre desse pão. Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê não terá sede. - Mas, eu já vos disse: vós me tendes visto e não credes.

            Em verdade, em verdade vos digo: aquele que crê em mim tem a vida eterna. - Eu sou o pão da vida. - Vossos pais comeram o maná do deserto e morreram. - Aqui está o pão que desceu do céu, a fim de que quem dele comer não morra. (S. João, cap. VI, vv. 22-36 e 47-50.) ( A gênese. Cap. 15. Item 50. Allan Kardec)

            Estas expressões de Jesus significam que “o pão que desceu do céu e dá vida ao mundo” são os ensinamentos, é o corpo de sua doutrina, recebida do Pai celestial.

            Esse, pois, o alimento que devemos buscar com empenho maior, porque, uma vez assimilado “em espírito e verdade”, sustentará nossa alma para sempre, infundindo-lhe as energias necessárias para enfrentar os percalços da existência e impulsioná-la para a frente e para o alto.

       Louvados, então, em Cristo-Jesus, demos o justo apreço às coisas, pondo em primeira plana as de valor eterno, que são as espirituais. As outras, Deus sabe que são indispensáveis à nossa subsistência e nos proverá delas, desde que confiemos em Sua providência, como não deixou sem amparo o povo judeu no deserto, enviando-lhe suficiente provisão de maná. (Páginas de Espiritismo Cristão.Cap. 56. Rodolfo Calligaris)

            Na primeira passagem, lembrando o fato precedentemente operado, Jesus dá claramente a entender que não se tratara de pães materiais, pois, a não ser assim, careceria de objeto a comparação por ele estabelecida com o fermento dos fariseus: «Ainda não compreendeis, diz ele, e não vos recordais de que cinco pães bastaram para cinco mil pessoas e que dois pães foram bastantes para quatro mil? Como não compreendestes que não era de pão que eu vos falava, quando vos dizia que vos preservásseis do fermento dos fariseus?» Esse confronto nenhuma razão de ser teria, na hipótese de uma multiplicação material. O fato fora de si mesmo muito extraordinário para ter impressionado fortemente a imaginação dos discípulos, que, entretanto, pareciam não mais lembrar-se dele.

            É também o que não menos claramente ressalta, do que Jesus expendeu sobre o pão do céu, empenhado em fazer que seus ouvintes compreendessem o verdadeiro sentido do alimento espiritual. «Trabalhai, diz ele, não por conseguir o alimento que perece, mas pelo que se conserva para a vida eterna e que o Filho do Homem vos dará.» Esse alimento é a sua palavra, pão que desceu do céu e dá vida ao mundo. «Eu sou, declara ele, o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome e aquele que em mim crê nunca terá sede.»

            Tais distinções, porém, eram por demais sutis para aquelas naturezas rudes, que somente compreendiam as coisas tangíveis. Para eles, o maná, que alimentara o corpo de seus antepassados, era o verdadeiro pão do céu; aí é que estava o milagre. Se, portanto, houvesse ocorrido materialmente o fato da multiplicação dos pães, como teria ele impressionado tão fracamente aqueles mesmos homens, a cujo benefício essa multiplicação se operara poucos dias antes, ao ponto de perguntarem a Jesus: «Que milagre farás para que, vendo-o, te creiamos? Que farás de extraordinário?» Eles entendiam por milagres os prodígios que os fariseus pediam, isto é, sinais que aparecessem no céu por ordem de Jesus, como pela varinha de um mágico. Ora, o que Jesus fazia era extremamente simples e não se afastava das leis da Natureza; as próprias curas não revelavam caráter muito singular, nem muito extraordinário. Para eles, os milagres espirituais não apresentavam grande vulto. ( A gênese. Cap. 15. Item 51. Allan Kardec)     

            Allan Kardec deixa claro que considera a multiplicação material dos pães como uma alegoria. Entretanto, o Espírito André Luiz e estudiosos como Cairbar Schutel, Eliseu Rigonatti , Antônio Luiz Sayão consideram que houve materialização do pão (fenômeno possível), porém é preferível ficar com a versão de Kardec (2):

            O Espírito André Luiz relata o seguinte: Evidenciando a extensão dos seus poderes, associados ao concurso dos mensageiros espirituais que, de ordinário, lhe obedeciam às ordens e sugestões, nós o encontramos, de outra feita, a multiplicar pães e peixes , no tope do monte, para saciar a fome da turba inquieta que lhe ouvia os ensinamentos, e a tranqüilizar a Natureza em desvario , quando os discípulos assustados lhe pedem socorro, diante da tormenta. (Mecanismos da Mediunidade. Cap. 26.  Espírito André Luiz. Chico Xavier)

   Cairbar Schutel alega: ''De duas naturezas eram os pães que Jesus ofertou á multidão, que, pressurosa, seguia seus passos: o pão para o corpo e o pão para a alma, o pão que sacia a fome do espírito.'' (Espírito do Cristianismo. Cap. 11. Cairbar Schutel)

         Eliseu Rigonatti afirma: ''Nesta pequena narração, temos de distinguir dois aspectos: o material e o espiritual. Materialmente falando, o fato pertence ao gênero dos fenômenos de efeitos físicos. E nas sessões espíritas de efeitos físicos, já se tem observado a formação de objetos pelos espíritos com o auxílio dos médiuns. Jesus, médium de Deus, ajudado pela mediunidade de seus doze discípulos e assistido pelos espíritos que o secundavam nos trabalhos evangélicos, faz com que se materialize em suas mãos os bocados de pão para o povo. Interpretado o fato pelo lado espiritual, Jesus ordena a seus discípulos, que satisfaçam o ardente desejo do povo em se instruir nas coisas divinas. Realmente, era em busca da palavra de Jesus e pelo conforto espiritual pelo qual ansiava, que o povo o seguia. E os discípulos, possuidores de um maior conhecimento espiritual, estavam em condições de saciarem a fome de saber espiritual da multidão.'' (O Evangelho dos Humildes. Cap. 14 - A primeira multiplicação dos pães. Eliseu Rigonatti)

    Antônio Luiz Sayão explica: ''Eis, porém, o que se passou: tendo nas mãos os pães e os peixes, Jesus os envolvia em fluídos apropriados à produção de tais alimentos e, dando a esses fluídos as formas e o sabor de peixes e de pães, os tornava visíveis e tangíveis e substituía os pedaços que ia retirando dos pães e dos peixes que os discípulos lhe haviam entregado. Comendo-os com o sabor e a consistência que deviam ter, a multidão estava certa de que comia sempre porções dos alimentos que o divino Mestre subdividia.'' (Elucidações Evangélicas. Cap. 92. Antônio Luiz Sayão)

 

Observação (1):   O pão que os judeus chamam de maná seriam gotículas de secreção produzidas por insetos que se alimentam da seiva, que caem como pequenos flocos cristalizados, semelhantes aos descritos no Êxodo (http://super.abril.com.br/religiao/milagres-naturais-447675.shtml)

 

Observação (2): Em uma entrevista, Chico Xavier diz o seguinte: Lembro-me de que num dos primeiros contatos comigo, ele (Emmanuel) me preveniu que pretendia trabalhar ao meu lado, por tempo longo, mas que eu deveria, acima de tudo, procurar os ensinamentos de Jesus e as lições de Allan Kardec e disse mais que, se um dia, ele, Emmanuel, algo me aconselhasse que não estivesse de acordo com as palavras de Jesus e Kardec, que eu devia permanecer com Jesus e Kardec, procurando esquecê-lo. (No mundo de Chico Xavier — Entrevistas — Chico Xavier /Elias Barbosa)


Bibliografia:

- A Gênese. Cap. 13, itens 1, 8 e 14. Cap. 15, item 48 , 49, 50 e 51. Allan Kardec.

- Parábolas e ensinos de Jesus. O Fermento dos saduceus e dos fariseus. Cairbar Schutel.

- Espírito do Cristianismo. Cap. 11. Cairbar Schutel.

- Páginas de Espiritismo Cristão.Cap. 56. Rodolfo Calligaris.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 14 - A primeira multiplicação dos pães. Eliseu Rigonatti.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 92. Antônio Luiz Sayão.

- No mundo de Chico Xavier — Entrevistas — Chico Xavier /Elias Barbosa.

- Mecanismos da Mediunidade. Cap. 26.  Espírito André Luiz. Chico Xavier.

- Site: http://super.abril.com.br/religiao/milagres-naturais-447675.shtml.