Aula 76 - Colônia espiritual: Nosso Lar*

Ciclo 2 - História:  Você conhece Nosso lar? -  Atividade: LE - L4 - Cap. 2 - 1 - O nada. A vida futura.

Ciclo 3 - História: Nosso Lar -  Atividade:  LE - L4 - Cap. 2 - 9 - Paraíso, inferno, purgatório. Paraíso perdida. 


Dinâmica: Colônia Espiritual: Nosso Lar.

Sugestão de livro infantil: Nosso Lar: O Livrinho divertido. Luis Hu Rivas. Editora FEB.

 

Leitura da Bíblia: 2 Coríntios - Capítulo 5


5.1 Sabemos que, se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas.


 

Tópicos a serem abordados:

- ''Nosso Lar'' é o nome dado a uma colônia espiritual de transição que fica localizada sobre a cidade do Rio de Janeiro no plano espiritual. Mas ela não é a única, pois existem, além da Terra, além da vida física, muitas e muitas cidades de natureza superior e outras de  natureza inferior a que chegaremos, segundo as nossa escolhas e méritos neste mundo.  Existem também mundos que podem servir de habitação temporária para os Espíritos, o planeta Terra, durante a sua formação, foi um destes.  Em lugar algum há o vazio; tudo é habitado.

- A colônia espiritual ''Nosso lar'' foi revelada  pelo Espírito André Luiz através da psicografia de Chico Xavier. André Luiz foi um bom médico quando encarnado, mas devido ao seu comportamento egoísta e aos excessos de alimentação e de bebidas alcoólicas que consumia, desencarnou antes do tempo e foi para um lugar triste e de muito sofrimento no mundo espiritual, chamado Umbral.

- André Luiz somente foi socorrido quando lembrou-se de Deus e orou, pedindo ao Pai lhe estendesse as mãos fraternais.  Então, um Espírito iluminado lhe apareceu e o ajudou a sair daquela região.   André Luiz foi levado para o hospital da colônia espiritual ''Nosso Lar'' e lá foi tratado, pelos enfermeiros, com caldo reconfortante, seguido de água muito fresca, portadora de fluídos divinos e passes magnéticos. E foi orientado a não mais reclamar dos seus sofrimentos, pois para obter a cura espiritual era indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios, pensar com justeza.

- A cidade espiritual possui um cenário semelhante ao que conhecemos na Terra, entretanto, é mais bela. Possui grandes parques arborizados com grandes árvores, pomares fartos, lindos jardins, flores graciosas, animais domésticos,um rio azul (grande reservatório de água fluídica da colônia), o aeróbus (espécie de carro aéreo),  grandes edifícios , casas e uma grande muralha protetora para defesa contra os Espíritos inferiores.

- Segundo André Luiz, a colônia espiritual ''Nosso Lar'' contava com cerca de um milhão de habitantes. A cidade, que é essencialmente de trabalho e realização, divide-se em seis Ministérios, orientados, cada qual, por doze Ministros. Temos os Ministérios da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina. No Ministério do Auxílio, por exemplo,  atende-se a doentes, ouvem-se rogativas, selecionam-se preces, preparam-se reencarnações terrenas, organizam-se turmas de socorro aos habitantes do Umbral. A Governadoria, por sua vez, é sede movimentada de todos os assuntos administrativos, numerosos serviços de controle direto, como, por exemplo, o de alimentação, distribuição de energias elétricas, trânsito, transporte e outros. A cidade tem a forma de uma estrela de seis pontas, localizando-se a Governadoria no centro do círculo em que está inscrita a estrela.

- Aqueles que trabalham na colônia recebem o bônus-horas, não é propriamente uma moeda, mas uma ficha de serviço individual, que possui um certo valor. Cada habitante de "Nosso Lar" recebe provisões de pão e roupa, no que se refere ao estritamente necessário; mas os que se esforçam na obtenção do bônus-hora conseguem certas vantagens na comunidade social. Os que cooperam podem ter casa própria, entretenimento, a companhia de irmãos queridos,  o contacto de orientadores sábios nas diversas escolas dos Ministérios e a permissão para ajudar familiares.

- Após algum tempo , André Luiz compreendeu que  foi acolhido em ''Nosso Lar''devido a misericórdia de Deus, talvez devido a constante intercessão da sua devotada mãe, que vivia nas esferas mais altas, mas costumava visitá-lo. Percebeu que havia recebido muitos benefícios, sem nada produzir de útil, portanto, começou a trabalhar para auxiliar o próximo.  

- Após ter trabalhado algum tempo,  André Luiz recebeu a permissão da governadoria para voltar à Terra e visitar a sua família. E, após essa visita recebeu o título de cidadão de ''Nosso Lar''.

 

 

 Perguntas para fixação:

1. O que são colônias espirituais?

2. Onde fica localizada a colônia espiritual ''Nosso Lar''?

3. Em que período o planeta Terra foi uma habitação temporária para os Espíritos?

4. Qual é o nome do Espírito que revelou a colônia ''Nosso Lar''?

5. Por que André Luiz, após desencarnar, foi para o Umbral?

6. Em que momento André Luiz foi socorrido?

7. Para onde ele foi levado?

8. Quantos Ministérios existem em ''Nosso Lar''?

9. O que recebem aqueles que trabalham em ''Nosso Lar'' ?

10. Após ter trabalhado algum tempo, qual benefício André Luiz recebeu?

 

 

Subsídio ao Evangelizador:

            Nosso Lar é o retrato de muitas das colônias que nos aguardam, mas não é propriamente o retrato único, porque possuímos, além da Terra, além da vida física, muitas e muitas cidades de natureza superior e outras de natureza inferior a que chegaremos, inevitavelmente, segundo as nossas escolhas e méritos neste mundo.  (A terra e  o   semeador. Item 138. Emmanuel. Chico Xavier)

            As regiões espirituais são mais vastas do que as regiões físicas do Universo que conhecemos — um Universo mais amplo dentro de outro! “Nosso Lar”, de André Luiz, é apenas um pedacinho…(O Evangelho de Chico Xavier. Item 185. Carlos A. Baccelli)

            Há, de fato, como já foi dito, mundos que servem de estações ou pontos de repouso aos Espíritos errantes?

            Sim, há mundos particularmente destinados aos seres errantes, mundos que lhes podem servir de habitação temporária, espécies de bivaques, de campos onde descansem de uma demasiado longa erraticidade, estado este sempre um tanto penoso. São, entre os outros mundos, posições intermédias, graduadas de acordo com a natureza dos Espíritos que a elas podem ter acesso e onde eles gozam de maior ou menor bem-estar.

            Os Espíritos que habitam esses mundos podem deixá-los livremente?

            Sim, os Espíritos que se encontram nesses mundos podem deixá-los, a fim de irem para onde devam ir. Figurai-os como bandos de aves que pousam numa ilha, para aí aguardarem que se lhes refaçam as forças, a fim de seguirem seu destino. (O Livro dos Espíritos. Questão 234 e 234 -a. Allan Kardec)

            Enquanto permanecem nos mundos transitórios, os Espíritos progridem?

            Certamente. Os que vão a tais mundos levam o objetivo de se instruírem e de poderem mais facilmente obter permissão para passar a outros lugares melhores e chegar à perfeição que os eleitos atingem. (O Livro dos Espíritos. Questão 235. Allan Kardec)

             Sendo transitório o estado de semelhantes mundos, a Terra pertencerá algum dia ao números deles?

            Já pertenceu.

             Em que época?

            Durante a sua formação.

            Nada é inútil em a Natureza; tudo tem um fim, uma destinação. Em lugar algum há o vazio; tudo é habitado, há vida em toda parte. (O Livro dos Espíritos. Questão 236 - d, 236 -e. Allan Kardec).

            Difícil imaginar, ante a diversidade aparente das condições de encarnado e desencarnado, que o Espírito pudesse habitar cidades edificadas e organizadas de modo semelhante às expressões terrenas.

            Os Espíritos disseram a Allan kardec  que no, mundo espiritual, viviam em “espécies de acampamentos, de campos para se repousar de uma muito longa erraticidade, estado sempre um pouco penoso”.

            Não se podia,é verdade, dar largas a imaginação para especular acerca do que seriam, realmente, essas espécies de acampamentos, por falta de referências mais claras que induzissem a idealização de comunidades de Espíritos habitando cidades estruturadas em edifícios de natureza sólida, sobre terreno fértil a vegetação, e em tudo com estreita semelhança ao que conhecemos na Crosta.

            (...)Pelas recordações da vida espiritual, organizamos a vida terrena, e André Luiz nos mostra que esta é uma cópia imperfeita daquela. (Cidade no Além. Espírito André Luiz e Lucius. Chico Xavier/ Heigorina Cunha).

            (...)Antes de encarnar, o Espírito conhecia todas essas coisas e a alma conserva vaga lembrança do que sabe e do que viu no estado espiritual. (O Livro dos Espíritos. Questão 959. Allan Kardec)  

            LOCALIZAÇÃO DO ''NOSSO LAR'':

            Onde se situa “Nosso Lar”?

            Não possuímos termos terrestres para falar em torno da geografia no Plano espiritual, mas podemos informar que as primeiras fundações da cidade de “Nosso Lar” por Espíritos pioneiros da evolução brasileira, se verificaram no espaço do território hoje conhecido como sendo o Estado da Guanabara [Rio de Janeiro]. (Caderno de mensagens. Entrevistando André Luiz. Questão 9. Chico Xavier e Waldo Vieira).

            A cidade "Nosso Lar", segundo informações veiculadas por André Luiz, foi fundada por portugueses distintos, desencarnados no Brasil, no século XVI, a partir de onde se localiza; atualmente, a Governadoria.

            Conta que, naquele trato de terra, onde se vêem edifícios de fino lavor e onde se congregam vibrações delicadas e nobres, os fundadores encontraram "as notas primitivas dos silvícolas do país e as construções infantis de suas mentes rudimentares", devendo, à custa de "serviço perseverante, solidariedade fraterna e amor espiritual", conquistá-los e integrá-los para conseguirem seus objetivos. À época em que se pronunciou o Amigo Espiritual, a cidade contava com cerca de um milhão de habitantes. (Cidade no Além. Espírito André Luiz e Lucius. Chico Xavier/ Heigorina Cunha).  

            NAS ZONAS INFERIORES:

            O Espírito André Luiz (1) descreve no inicio da obra, que após sua morte, permaneceu no Umbral durante 8 anos, devido ao suicídio indireto, padecendo fome, frio, dores, perseguições e somente foi socorrido quando lembrou-se de Deus:

            "Suicida! Suicida! Criminoso! Infame!" - gritos assim, cercavam-me de todos os lados.

         (...)Torturava-me a fome, a sede me escaldava. (...)Persistiam as necessidades fisiológicas, sem modificação.

            (...)E, quando as energias me faltaram de todo, quando me senti absolutamente colado ao lodo da Terra, sem forças para reerguer-me, pedi ao Supremo Autor da Natureza me estendesse mãos paternais, em tão amargurosa emergência.

         (...)Ah! é preciso haver sofrido muito, para entender todas as misteriosas belezas da oração; é necessário haver conhecido o remorso, a humilhação, a extrema desventura, para tomar com eficácia o sublime elixir de esperança. Foi nesse instante que as neblinas espessas se dissiparam e alguém surgiu, emissário dos Céus. Um velhinho simpático me sorriu paternalmente. Inclinou--se, fixou nos meus os grandes olhos lúcidos, e falou:

             - Coragem, meu filho! O Senhor não te desampara.

            Amargurado pranto banhava-me a alma toda. Emocionado, quis traduzir meu júbilo, comentar a consolação que me chegava, mas, reunindo todas as forças que me restavam, pude apenas inquirir:

            - Quem sois, generoso emissário de Deus?

           O inesperado benfeitor sorriu bondoso e respondeu:

            - Chama-me Clarêncio (2), sou apenas teu irmão.

            E, percebendo o meu esgotamento, acrescentou:

            - Agora, permanece calmo e silencioso. É preciso descansar para reaver energias.

            Em seguida, chamou dois companheiros que guardavam atitude de servos desvelados e ordenou:

            - Prestemos ao nosso amigo os socorros de emergência.

            Alvo lençol foi estendido ali mesmo, à guisa de maca improvisada, aprestando-se ambos os cooperadores a transportarem-me, generosamente.

            Quando me alçavam, cuidadosos, Clarêncio meditou um instante e esclareceu, como quem recorda inadiável obrigação:

            - Vamos sem demora. Preciso atingir "Nosso Lar" com a presteza possível. (Nosso Lar. Cap. 2. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            A COLÔNIA ESPIRITUAL:

            (...)A medida que avançávamos, conseguia identificar preciosas construções, situadas em extensos jardins. Ao sinal de Clarêncio, os condutores depuseram, devagarinho, a maca improvisada. A meus olhos surgiu, então, a porta acolhedora de alvo edifício, à feição de grande hospital terreno.

            (...)serviram-me caldo reconfortante, seguido de água muito fresca, que me pareceu portadora de fluidos divinos. Aquela reduzida porção de líquido reanimava-me inesperadamente. Não saberia dizer que espécie de sopa era aquela; se alimentação sedativa, se remédio salutar. (Nosso Lar. Cap. 3. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            O MÉDICO ESPIRITUAL:

            Quis levantar-me, gozar o espetáculo da Natureza cheia de brisas e de luz, mas não o consegui e concluí que, sem a cooperação magnética do enfermeiro, tornava-se-me impossível deixar o leito.

            (...)Henrique  (3) auscultou-me demoradamente, sorriu e explicou:

            - É de lamentar que tenha vindo pelo suicídio.

            Enquanto Clarêncio permanecia sereno, senti que singular assomo de revolta me borbulhava no íntimo.

            Suicídio? Recordei as acusações dos seres perversos das sombras.

            Não obstante o cabedal de gratidão que começava a acumular, não calei a incriminação.

            - Creio haja engano - asseverei, melindrado -, meu regresso do mundo não teve essa causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido a oclusão intestinal...

            - Sim - esclareceu o médico, demonstrando a mesma serenidade superior -, mas a oclusão radicava-se em causas profundas. Talvez o amigo não tenha ponderado bastante. O organismo espiritual apresenta em si mesmo a história completa das ações praticadas no mundo.

            E inclinando-se, atencioso, indicava determinados pontos do meu corpo:

            - Vejamos a zona intestinal - exclamou. - A oclusão derivava de elementos cancerosos, e estes, por sua vez, de algumas leviandades do meu estimado irmão, no campo da sífilis. A moléstia talvez não assumisse características tão graves, se o seu procedimento mental no planeta estivesse enqüadrado nos princípios da fraternidade e da temperança.

            (...)Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcoólicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável.

            (...)Na verdade, tua posição é a do suicida inconsciente; mas é necessário reconhecer que centenas de criaturas se ausentam diariamente da Terra, nas mesmas mas condições. (Nosso Lar. Cap. 4. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            "Nosso Lar" não é estância de espíritos propriamente vitoriosos, se conferirmos ao termo sua razoável acepção. Somos felizes, porque temos trabalho; e a alegria habita cada recanto da colônia, porque o Senhor não nos retirou o pão abençoado do serviço. (Nosso Lar. Cap. 5. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            PRECIOSO AVISO:

            No dia imediato, após a oração do crepúsculo, Clarêncio me procurou em companhia do atencioso visitador.

            Fisionomia a irradiar generosidade, perguntou, abraçando-me:

            - Como vai? Melhorzinho?

            Esbocei o gesto do enfermo que se vê acariciado na Terra, amolecendo as fibras emotivas. No mundo, às vezes, o carinho fraterno é mal interpretado.

            Obedecendo ao velho vício, comecei a explicar-me, enquanto os dois benfeitores se sentavam comodamente a meu lado:

            - Não posso negar que esteja melhor; entretanto, sofro intensamente.

            Muitas dores na zona intestinal, estranhas sensações de angústia no coração. Nunca supus fosse capaz de tamanha resistência, meu amigo. Ah! como tem sido pesada a minha cruz!... Agora que posso concatenar idéias, creio que a dor me aniquilou todas as forças disponíveis...

            (...) Clarêncio, contudo, levantou-se sereno e falou sem afetação:

            - Meu amigo, deseja você, de fato, a cura espiritual?

             Ao meu gesto afirmativo, continuou:

            - Aprenda, então, a não falar excessivamente de si mesmo, nem comente a própria dor. Lamentação denota enfermidade mental e enfermidade de curso laborioso e tratamento difícil. É indispensável criar pensamentos novos e disciplinar os lábios. Somente conseguiremos equilíbrio, abrindo o coração ao Sol da Divindade. Classificar o esforço necessário de imposição esmagadora, enxergar padecimentos onde há luta edificante, sói identificar indesejável cegueira dalma. Quanto mais utilize o verbo por dilatar considerações dolorosas, no círculo da personalidade, mais duros se tornarão os laços que o prendem a lembranças mesquinhas. (Nosso lar. Cap. 6. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            ORGANIZAÇÃO DE SERVIÇOS:     

            A colônia, que é essencialmente de trabalho e realização, divide-se em seis Ministérios, orientados, cada qual, por doze Ministros. Temos os Ministérios da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina. Os quatro primeiros nos aproximam das esferas terrestres, os dois últimos nos ligam ao plano superior, visto que a nossa cidade espiritual é zona de transição. Os serviços mais grosseiros localizam-se no Ministério da Regeneração, os mais sublimes no da União Divina.

            (...) No Ministério do Auxílio ... atende-se a doentes, ouvem-se rogativas, selecionam-se preces, preparam-se reencarnações terrenas, organizam-se turmas de socorro aos habitantes do Umbral, ou aos que choram na Terra, estudam-se soluções para todos os processos que se prendem ao sofrimento. (Nosso Lar. Cap. 8. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

             Quando os recém-chegados das zonas inferiores do Umbral se revelam aptos a receber cooperação fraterna, demoram no Ministério do Auxílio; quando, porém, se mostram refratários, são encaminhados ao Ministério da Regeneração.

            Se revelam proveito, com o correr do tempo são admitidos aos trabalhos de Auxílio, Comunicação e Esclarecimento, a fim de se prepararem, com eficiência, para futuras tarefas planetárias. Somente alguns conseguem atividade prolongada no Ministério da Elevação, e raríssimos, em cada dez anos, os que alcançam intimidade nos trabalhos da União Divina.

            (...) A Governadoria, por sua vez, é sede movimentada de todos os assuntos administrativos, numerosos serviços de controle direto, como, por exemplo, o de alimentação, distribuição de energias elétricas, trânsito, transporte e outros. (Nosso Lar. Cap. 11. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            A cidade tem a forma de uma estrela de seis pontas, localizando -se a Governadoria no centro do círculo em que está inscrita a estrela.

            Da Governadoria partem as coordenadas que dividem a cidade em seis partes distintas, afetas, cada uma, ao mesmo número de organizações especializadas, em que se desdobra a administração pública, representadas, como já se disse, pelos Ministérios da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina.

            Assim, a cidade está dividida em seis módulos, cada um deles partindo da governadoria, junto à qual se eleva à torre de cada Ministério, configurando -se como o centro administrativo.

            À frente deles, está a grande praça que os circunda e que, para que se avalie o seu tamanho, está apta para receber, comodamente, um milhão de pessoas. (...) com muitos bancos ao seu redor, sendo que, nos espaços em que se vê o encontro dos vértices das bases dos triângulos, por detrás dos bancos, existem fontes luminosas multicoloridas e, em torno delas, flores graciosas e delicadas.

            Além da praça temos os núcleos residenciais em forma de triângulo e que, como já se disse, se destinam aos trabalhadores de cada Ministério, sendo que os mais graduados residem mais próximos à praça e, portanto, ao centro administrativo. Essas casas pertencem à comunidade e se um trabalhador se transfere para outro Ministério, deve mudar-se também para residir junto ao seu local de trabalho.

            (...) Nos espaços que medeiam entre um núcleo habitacional e outro, seja em direção à muralha seja em direção ao núcleo correspondente ao Ministério vizinho, existem grandes parques arborizados onde se erguem outras construções que não foram detalhadas na planta, destinadas ao lazer ou serviços aos habitantes. Vê-se, por exemplo, no parque do Ministério da Regeneração, a locação do seu Parque Hospitalar; no Ministério da União Divina, o Bosque das Águas e, no Ministério da Elevação, o Campo da Música, todos referidos no livro Nosso Lar.

            Cada núcleo residencial é cortado, no centro, por ampla avenida arborizada que o liga à praça principal e a Governadoria, e que se inicia junto à muralha.

            Entre os núcleos em forma de triângulo e a muralha, estão os núcleos residenciais destinados aos Espíritos que, por seus méritos, podem adquirir suas casas mediante pagamento em bonus-horas , que é a unidade monetária padrão, correspondente à uma hora de trabalho prestado à comunidade. Estas casas,  pertencendo aos que as adquirem podem ser objeto de herança. Na planta aparecem umas poucas quadras, mas, na verdade, são muitas quadras, a perderem-se de vista e que se alongam até a muralha.

            Circundando toda a cidade, está a grande muralha protetora, onde se acham assestadas às baterias de projeção magnética, para defesa contra as arremetidas dos Espíritos inferiores, o que não deve estranhar porque, como sabemos, a cidade está situada numa esfera espiritual de transição, abrigando Espíritos que ainda devem se reencarnar.

            Por fora da muralha, estão os campos de cultivo de vegetais destinados a alimentarão pública. (Cidade no Além. Espírito André Luiz e Lucius. Chico Xavier/ Heigorina Cunha).  

             NO BOSQUE DAS ÁGUAS:

            Dado o meu interesse crescente pelos processos de alimentação, Lísias (4) convidou:

            - Vamos ao grande reservatório da colônia. Lá observará coisas interessantes. Verá que a água é quase tudo em nossa estância de transição.

            Curiosíssimo, acompanhei o enfermeiro sem vacilar.

            Chegados a extenso ângulo da praça, o generoso amigo acrescentou:

            - Esperemos o aeróbus.

            Mal me refazia da surpresa, quando surgiu grande carro, suspenso do solo a uma altura de cinco metros mais ou  menos e repleto de  passageiros.

            Ao descer até nós, à maneira de um elevador terrestre, examinei-o com atenção. Não era máquina conhecida na Terra. Constituída de material muito flexível, tinha enorme comprimento, parecendo ligada a fios invisíveis, em virtude do grande número de antenas na tolda. Mais tarde, confirmei minhas suposições, visitando as grandes oficinas do Serviço de Trânsito e Transporte.

            (...)A velocidade era tanta que não permitia fixar os detalhes das construções escalonadas no extenso percurso. A distância não era pequena, porque só depois de quarenta minutos, incluindo ligeiras paradas de três em três quilômetros, me convidou Lísias a descer, sorridente e calmo.

            (...) - Ali é o grande reservatório da colônia. Todo o volume do Rio Azul, que temos à vista, é absorvido em caixas imensas de distribuição. As águas que servem a todas as atividades da colônia partem daqui. Em seguida, reúnem-se novamente, abaixo dos serviços da Regeneração, e voltam a constituir o rio, que prossegue o curso normal, rumo ao grande oceano de substâncias invisíveis para a Terra.

            Percebendo-me a indagação íntima, acrescentou:

            - Com efeito, a água aqui tem outra densidade. Muito mais tênue, pura, quase fluídica.

            (...)- Na Terra quase ninguém cogita seriamente de conhecer a importância da água. Em "Nosso Lar", contudo, outros são os conhecimentos. Nos círculos religiosos do planeta, ensinam que o Senhor criou as águas. Ora, é lógico que todo serviço criado precisa de energias e braços para ser convenientemente mantido. Nesta cidade espiritual, aprendemos a agradecer ao Pai e aos seus divinos colaboradores semelhante dádiva. Conhecendo-a mais intimamente, sabemos que a água é veículo dos mais poderosos para os fluidos de qualquer natureza. Aqui, ela é empregada sobretudo como alimento e remédio. Há repartições no Ministério do Auxílio absolutamente consagradas à manipulação de água pura, com certos princípios suscetíveis de serem captados na luz do Sol e no magnetismo espiritual. Na maioria das regiões da extensa colônia, o sistema de alimentação tem aí suas bases.  (Nosso Lar. Cap. 10. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            O UMBRAL: 

            Onde começa, o Umbral?

            A rigor, o Umbral, expressando região inferior da Espiritualidade, pelos vínculos que possui com a ignorância e com a delinquência, começa em nós mesmos. (Caderno de mensagens. Entrevistando André Luiz. Questão 8.  Chico Xavier e Waldo Vieira).

             O Umbral ...  começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos.

            (...)O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima a prestações o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.

            (...)Concentra-se, aí, tudo o que não tem finalidade para a vida superior. E note você que a Providência Divina agiu sabiamente, permitindo se criasse tal departamento em torno do planeta. Há legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes, que não são suficientemente perversas para serem enviadas a colônias de reparação mais dolorosa, nem bastante nobres para serem conduzidas a planos de elevação. Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. Não é de estranhar, portanto, que semelhantes lugares se caracterizem por grandes perturbações. Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie.  (Nosso Lar. Cap. 12. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            A VISITA MATERNA:

            Após algum tempo, André Luiz relata que sua mãe, que habitava esferas mais altas,  foi lhe visitar:

            ''Não posso dizer o que se passou então. Senti-me criança, como no tempo em que brincava à chuva, pés descalços, na areia do jardim. Abracei-me a ela carinhoso, chorando de júbilo, experimentando os mais sagrados transportes da ventura espiritual.'' (Nosso Lar. Cap. 15. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            - Oh! minha mãe! - exclamei comovido - deve ser maravilhosa a esfera da sua habitação! Que sublimes contemplações espirituais, que ventura!.

            Ela esboçou um sorriso significativo e obtemperou:

         - A esfera elevada, meu filho, requer, sempre, mais trabalho, maior abnegação. Não suponhas que tua mãe permaneça em visões beatificas, a distância dos deveres justos. Devo fazer-te sentir, no entanto, que minhas palavras não representam qualquer nota de tristeza, na situação em que me encontro. É antes revelação de responsabilidade necessária. Desde que voltei da Terra, tenho trabalhado intensamente pela nossa renovação espiritual.

            (...) - E meu pai? - perguntei - onde está? Por que não veio com a senhora?

            Minha mãe estampou singular expressão no rosto e respondeu:

            - Ah! teu pai! teu pai!... Há doze anos que está numa zona de trevas compactas, no Umbral. Na Terra, sempre nos parecera fiel às tradições da família, arraigado ao cavalheirismo do alto comércio, a cujos quadros pertenceu até ao fim da existência, e ao fervor do culto externo, em matéria religiosa; mas, no fundo, era fraco e mantinha ligações clandestinas, fora do nosso lar. Duas delas estavam mentalmente ligadas a vasta rede de entidades maléficas, e, tão logo desencarnou o meu pobre Laerte (5), a passagem no Umbral lhe foi muito amarga, porque as desventuradas criaturas, a quem fizera muitas promessas, aguardavam-no ansiosas, prendendo-o de novo nas teias da ilusão. A princípio, ele quis reagir, esforçando-se por encontrar-me, mas não pôde compreender que após a morte do corpo físico a alma se encontra tal qual vive intrinsecamente.

         Laerte, portanto, não percebeu minha presença espiritual, nem a assistência desvelada de outros amigos nossos.  (Nosso Lar. Cap. 16. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            O BÔNUS- HORAS:

            Numa outra ocasião, André Luiz questionou: 

             - Que me diz do bônus-hora? Trata-se de algum metal amoedado?

            Minha interlocutora perdeu o aspecto cismativo, a que se recolhera, e replicou, atenciosa:

            - Não é propriamente moeda, mas ficha de serviço individual, funcionando como valor aquisitivo.

            - Aquisitivo? - perguntei abruptamente.

            - Explico-me - respondeu a bondosa senhora -; em "Nosso Lar" a produção de vestuário e alimentação elementares pertence a todos em comum. Há serviços centrais de distribuição na Governadoria e departamentos do mesmo trabalho nos Ministérios. O celeiro fundamental é propriedade coletiva.

            Ante meu gesto silencioso de espanto, acentuou:

            - Todos cooperam no engrandecimento do patrimônio comum e dele vivem. Os que trabalham, porém, adquirem direitos justos. Cada habitante de "Nosso Lar" recebe provisões de pão e roupa, no que se refere ao estritamente necessário; mas os que se esforçam na obtenção do bônus-hora conseguem certas prerrogativas na comunidade social. O espírito que ainda não trabalha, poderá ser abrigado aqui; no entanto, os que cooperem podem ter casa própria. O ocioso vestirá, sem dúvida; mas o operário dedicado vestirá o que melhor lhe pareça; compreendeu? Os inativos podem permanecer nos campos de repouso, ou nos parques de tratamento, favorecidos pela intercessão de amigos; entretanto, as almas operosas conquistam o bônus-hora e podem gozar a companhia de irmãos queridos, nos lugares consagrados ao entretenimento, ou o contacto de orientadores sábios, nas diversas escolas dos Ministérios em geral. Precisamos conhecer o preço de cada nota de melhoria e elevação. Cada um de nós, os que trabalhamos, deve dar, no mínimo, oito horas de serviço útil, nas vinte e quatro de que o dia se constitui. Os programas de trabalho, porém, são numerosos e a Governadoria permite quatro horas de esforço extraordinário, aos que desejem colaborar no trabalho comum, de boa-vontade. Desse modo, há muita gente que consegue setenta e dois bônus-hora, por semana, sem falar dos serviços sacrificiais, cuja remuneração é duplicada e, às vezes, triplicada.

            - Poderemos, porém, gastar nossos bônus-hora a favor dos amigos? - indaguei curioso.

            - Perfeitamente - disse ela -; poderemos repartir as bênçãos de nosso esforço com quem nos aprouver. Isto é direito inalienável do trabalhador fiel.

            Contam-se por milhares as pessoas favorecidas em "Nosso Lar", pela movimentação da amizade e do estímulo fraternal.

            - E o problema da herança? - inquiri de repente.

            - Não temos aqui demasiadas complicações - respondeu a senhora Laura (6), sorrindo. Vejamos, por exemplo, o meu caso. Aproxima-se o tempo do meu regresso aos planos da crosta. Tenho comigo três mil Bônus-Hora-Auxílio, no meu quadro de economia pessoal. Não posso legá-los a minha filha que está a chegar, porque esses valores serão revertidos ao patrimônio comum, permanecendo minha família apenas com o direito de herança ao lar; no entanto, minha ficha de serviço autoriza-me a interceder por ela e preparar-lhe aqui trabalho e concurso amigo, assegurando-me, igualmente, o valioso auxílio das organizações de nossa colônia espiritual, durante minha permanência nos círculos carnais. (Nosso Lar. Cap. 22. André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            NOTÍCIAS DOS ENTES QUERIDOS:

            (...) seria interessante colher notícias dos nossos amados em trânsito na Terra. Não daria isso mais tranqüilidade à alma?

Lísias, que permanecia junto ao receptor, sem ligá-lo, como interessado em me fornecer explicações mais amplas, acrescentou:

            - Observe a si mesmo, a fim de ver se valeria a pena. Está preparado, por exemplo, para manter a precisa serenidade, esperando com fé e agindo com os preceitos divinos, em sabendo que um filho de seu coração está caluniado ou caluniando? Se alguém o informasse, agora, de que um dos seus irmãos consangüíneos foi hoje encarcerado como criminoso, teria bastante força para conservar-se tranqüilo?

            Sorri, desapontado.

            - Não devemos procurar notícias dos planos inferiores - prosseguiu, solícito - senão para levar auxílios justos.  Convenhamos,  porém, que a criatura alguma auxiliará com justiça, experimentando desequilíbrios do sentimento e do raciocínio. Por isso, é indispensável a preparação conveniente, antes de novos contactos com os parentes terrenos. Se eles oferecessem campo adequado ao amor espiritual, o intercâmbio seria desejável; mas esmagadora porcentagem de encarnados não alcançou, ainda, nem mesmo o domínio próprio e vive às tontas, nos altos e baixos das flutuações de ordem material. Precisamos, embora as dificuldades sentimentais, evitar a queda nos círculos vibratórios inferiores.

            Contudo, evidenciando minha teimosia caprichosa, indaguei:

            - Mas, Lísias, você que tem um amigo encarnado, qual seu pai, não gostaria de comunicar-se com ele?

            - Sem dúvida - respondeu bondosamente -, quando merecemos essa alegria, visitamo-lo em sua nova forma, verificando-se o mesmo, quando se trata de qualquer expressão de intercâmbio entre ele e nós. Não devemos esquecer, entretanto, que somos criaturas falíveis. Necessitamos, pois, recorrer aos órgãos competentes, que determinem a oportunidade ou o merecimento exigidos. Para esse fim, temos o Ministério da Comunicação. (Nosso Lar. Cap. 23. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            COMUNICAÇÃO:

            Assombrava-me, sobretudo, a imensidade dos serviços espirituais nos planos de vida nova a que me recolhera. Pois havia cidades de espíritos generosos, suplicando socorro e cooperação? Apresentara-se a voz do locutor com entonação de verdadeiro S. O. S. Vira-lhe a fisionomia abatida, no espelho da televisão. Demonstrava ansiedade profunda nos olhos inquietos. E a linguagem? Ouvira-lhe nitidamente o idioma português, claro e correto. Julgava que todas as colônias espirituais se intercomunicassem pelas vibrações do pensamento. Havia, ainda ali, tão grande dificuldade no capítulo do intercâmbio? Identificando-me as perplexidades, Lísias esclareceu:

            - Estamos ainda muito longe das regiões ideais da mente pura. Tal como na Terra, os que se afinam perfeitamente entre si podem permutar pensamentos, sem as barreiras idiomáticas; mas, de modo geral, não podemos prescindir da forma, no lato sentido da expressão. Nosso campo de lutas é imensurável. A humanidade terrestre, constituída de milhões de seres, une-se à humanidade invisível do planeta, que integra muitos bilhões de criaturas.

            Não seria, portanto, possível atingir as zonas aperfeiçoadas, logo após a morte do corpo físico. Os patrimônios nacionais e lingüísticos remanescem ainda aqui, condicionados a fronteiras psíquicas. Nos mais diversos setores de nossa atividade espiritual existe elevado número de espíritos libertos de todas as limitações, mas insta considerar que a regra é sofrer-se dessas restrições. Nada enganará o princípio de seqüência, imperante nas leis evolutivas. (Nosso Lar. Espírito André Luiz. Cap. 24. Psicografado por Chico Xavier).

            NECESSIDADE DO TRABALHO:

            Após permanecer durante algum tempo no Ministério do Auxílio, André Luiz reconhece a necessidade do trabalho:

            - Senhor Ministro, compreendo agora que minha passagem pelo Ministério do Auxílio se verificou por efeito da graça misericordiosa do Altíssimo, talvez devido a constante intercessão de minha devotada e santa mãe. Noto, porém, que somente venho recebendo benefícios, sem nada produzir de útil. Certo, meu lugar é aqui, nas atividades regeneradoras. Se possível, faça, por obséquio, seja transformada a concessão de visitar em possibilidade de servir.

            Compreendo hoje, mais que nunca, a necessidade de regenerar meus próprios valores. Perdi muito tempo na vaidade inútil, fiz enormes gastos de energia na ridícula adoração de mim mesmo!...

            (...)O velhinho fitou-me, surpreendido, e perguntou:

            - É mesmo você o ex-médico?

            - Sim... - murmurei, acanhado.

            Genésio (7) calou por momentos, como buscando resolução para o caso, dizendo, então:

            - Louvo seus propósitos e peço igualmente ao Senhor o conserve nessa posição digna.

             E, como que preocupado em levantar-me o ânimo e acender-me no espírito novas esperanças, acentuou:

             - Quando o discípulo está preparado, o Pai envia o instrutor. O mesmo se dá, relativamente ao trabalho. Quando o servidor está pronto, o serviço aparece.

            (...)Identificando-me a ansiedade, concluiu:

            - É possível obter ocupações justas. Por enquanto, porém, é preferível que visite, observe, examine.

            (...) Atravessamos largos quarteirões, onde numerosos edifícios me pareceram colmeias de serviço intenso. Percebendo-me a silenciosa indagação, o novo amigo esclareceu:

            - Temos aqui as grandes fábricas de "Nosso Lar". A preparação de sucos, de tecidos e artefatos em geral, dá trabalho a mais de cem mil criaturas, que se regeneram e se iluminam ao mesmo tempo.

            Daí a momentos, penetramos num edifício de aspecto nobre.

            Servidores numerosos iam e vinham. Depois de extensos corredores, deparou-se-nos vastíssima escadaria, comunicando com os pavimentos inferiores.

            - Desçamos - disse Tobias em tom grave.

            E notando minha estranheza, explicou, solícito:

            - As Câmaras de Retificação estão localizadas nas vizinhanças do Umbral. Os necessitados que aí se reúnem não toleram as luzes, nem a atmosfera de cima, nos primeiros tempos de moradia em "Nosso Lar". (Nosso Lar. Cap. 26. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            "Nosso Lar", portanto, como cidade espiritual de transição, é uma bênção a nós concedida por "acréscimo de misericórdia", para que alguns poucos se preparem à ascensão, e para que a maioria volte à Terra em serviços redentores. (Nosso Lar. Cap. 37. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            SACRIFÍCIO MATERNO - REENCARNAÇÃO:

            (...) Nos primeiros dias de setembro de 1940, minha mãe veio às Câmaras e, depois das saudações carinhosas, comunicou-me o propósito de voltar à Terra.

            Em tom afetuoso, explicou o projeto. Mas, surpreendido e discordando de semelhante decisão, protestei:

            - Não concordo. Voltar a senhora à carne? Por quê? Internar-se, de novo, no caminho escuro, sem necessidade imediata?

            Mostrando nobre expressão de serenidade, minha mãe ponderou:

            - Não consideras a angustiosa condição de teu pai, meu filho? Há muitos anos trabalho para reerguê-lo e meus esforços têm sido improfícuos.

            (...) Estarei novamente no mundo, em breves dias, onde me encontrarei com Laerte para os serviços que o Pai nos confiar.

            - Mas - indaguei - como se encontra ele com a senhora? Em espírito?

            - Não - disse minha mãe com significativa expressão fisionômica. Com a colaboração de alguns amigos, localizei-o na Terra, a semana passada, preparando-lhe a reencarnação imediata sem que ele nos identificasse o auxílio direto. Quis fugir das mulheres que ainda o subjugam, talvez com razão, e aproveitamos essa disposição, para jungi-lo à nova situação carnal.

            (...)- E essas mulheres? - indaguei. Que será feito dessas infelizes?

            Minha mãe sorriu e respondeu:

            - Serão minhas filhas daqui a alguns anos. É preciso não esqueceres que irei ao mundo em auxílio de teu pai. Ninguém ajuda eficientemente, intensificando as forças contrárias, como não se pode apagar na Terra um incêndio com petróleo. É indispensável amar, André! Os que descrêem perdem o rumo verdadeiro, peregrinando pelo deserto; os que erram se desviam da estrada real, mergulhando no pântano. Teu pai é hoje um céptico e essas pobres irmãs suportam pesados fardos na lama da ignorância e da ilusão. Em futuro não distante, colocarei todos eles em meu regaço materno, realizando minha nova experiência. (Nosso Lar. Cap. 46. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            REGRESSANDO A CASA:

            Numa outra ocasião, André Luiz recebe a seguinte proposta:

            - André, amanhã acompanharei nossa irmã Laura à esfera carnal. Se lhe apraz, poderá vir conosco para visitar sua família.

            Não podia ser maior a surpresa. Profunda sensação de alegria me empolgou, mas lembrei instintivamente o serviço das Câmaras.

            Adivinhando-me, porém, o pensamento, o generoso Ministro voltou a dizer:

            - Você tem regular quantidade de horas de trabalho extraordinário a seu favor. Não será difícil a Genésio conceder-lhe uma semana de ausência, depois do primeiro ano de cooperação ativa.

            Possuído de júbilo intenso, agradeci, chorando e rindo ao mesmo tempo. Ia, enfim, rever a esposa e os filhos amados. (Nosso Lar. Cap. 48. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            Ébrio de felicidade, avancei para o interior. Tudo, porém, denotava diferenças enormes. Onde estariam os velhos móveis de jacarandá? E o grande retrato onde, com a esposa e os filhinhos, formávamos gracioso grupo? Alguma coisa me oprimia ansiosamente. Que teria acontecido?

            Comecei a cambalear de emoção. Dirigi-me à sala de jantar, onde vi a filhinha mais nova, transformada em jovem casadoura. E, quase no mesmo instante, vi Zélia (8) que saía do quarto, acompanhando um cavalheiro que me pareceu médico, à primeira vista.

            Gritei minha alegria com toda a força dos pulmões, mas as palavras pareciam reboar pela casa sem atingir os ouvidos dos circunstantes.

            (...)Um corisco não me fulminaria com tamanha violência. Outro homem se apossara do meu lar. A esposa me esquecera. A casa não mais me pertencia.

            Valia a pena de ter esperado tanto para colher semelhantes desilusões?

            Corri ao meu quarto, verificando que outro mobiliário existia na alcova espaçosa. No leito, estava um homem de idade madura, evidenciando melindroso estado de saúde. Ao lado dele, três figuras negras iam e vinham, mostrando-se interessadas em lhe agravar os padecimentos.

            De pronto, tive ímpetos de odiar o intruso com todas as forças, mas já não era eu o mesmo homem de outros tempos. O Senhor me havia chamado aos ensinamentos do amor, da fraternidade e do perdão. Verifiquei que o doente estava cercado de entidades inferiores, devotadas ao mal; entretanto, não consegui auxiliá-lo imediatamente. (Nosso Lar. Cap. 49. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            (...)Roguei ao Senhor energias necessárias para manter a compreensão imprescindível e passei a interpretar os cônjuges como se fossem meus irmãos.

            Reconheci que Zélia e Ernesto (9) se amavam intensamente. E, se de fato me sentia companheiro fraternal de ambos, devia auxiliá-los com os recursos ao meu alcance. Iniciei o trabalho procurando esclarecer os espíritos infelizes que se mantinham em estreita ligação com o enfermo. Minhas dificuldades, porém, eram enormes.

            Sentia-me abatidíssimo.

            Nessa emergência, lembrei certa lição de Tobias (10), quando me dissera: - "aqui, em 'Nosso Lar', nem todos necessitam do aeróbus para se locomoverem, porque os habitantes mais elevados da colônia dispõem do poder de volitação; e nem todos precisam de aparelhos de comunicação para conversar a distância, por se manterem, entre si, num plano de perfeita sintonia de pensamentos. Os que se encontrem afinados desse modo, podem dispor, à vontade, do processo de conversação mental, apesar da distância".

            Lembrei quanto me seria útil a colaboração de Narcisa (11) e experimentei.

            Concentrei-me em fervorosa oração ao Pai e, nas vibrações da prece, dirigi-me a Narcisa encarecendo socorro. Contava-lhe, em pensamento, minha experiência dolorosa, comunicava-lhe meus propósitos de auxílio e insistia para que me não desamparasse.

            Aconteceu, então, o que não poderia esperar.

            Passados vinte minutos, mais ou menos, quando ainda não havia retirado a mente da rogativa, alguém me tocou de leve no ombro.

            Era Narcisa que atendia, sorrindo:

            - Ouvi seu apelo, meu amigo, e vim ao seu encontro. (Nosso Lar. Cap. 50. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            CIDADÃO DE ''NOSSO LAR''

            Nesse dia, voltei a "Nosso Lar" em companhia de Narcisa e, pela primeira vez, experimentei a capacidade de volitação. Num momento, ganhávamos grandes distâncias. A bandeira da alegria desfraldara-se em meu íntimo.

            Comunicando à enfermeira generosa minha impressão de leveza, ouvi-a esclarecer:

            - Em "Nosso Lar", grande parte dos companheiros poderia dispensar o aeróbus e transportar-se, à vontade, nas áreas de nosso domínio vibratório; mas, visto a maioria não ter adquirido essa faculdade, todos se abstêm de exercê-la em nossas vias públicas. Essa abstenção, todavia, não impede que utilizemos o processo longe da cidade, quando é preciso ganhar distância e tempo.

            (...) A luz dormente e cariciosa do crepúsculo, tomei o caminho de "Nosso Lar", totalmente modificado. Naqueles rápidos sete dias, aprendera preciosas lições práticas no culto vivo da compreensão e da fraternidade legítimas. A tarde sublime enchia-me de magnos pensamentos.

            (...) Algo, porém, me arrancou da meditação a que me recolhera. Mais de duzentos companheiros vinham ao meu encontro.

            Todos me saudavam, generosos e acolhedores, Lísias, Lascínia, Narcisa, Silveira, Tobias, Salústio e numerosos cooperadores das Câmaras ali estavam.

            Não sabia que atitude assumir, colhido, assim, de surpresa. Foi, então, que o Ministro Clarêncio, surgindo à frente de todos, adiantou-se, estendeu-me a destra e falou:

            - Até hoje, André, você era meu pupilo na cidade; mas, doravante, em nome da Governadoria, declaro-o cidadão de "Nosso Lar". (Nosso Lar. Cap. 50. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            Quer seja na posição de repórter, ou na de grande cientista renovado pela fé em Deus, cumpriu sua missão espiritual de sacrifício e devotamento, deixando em seus livros as idéias renovadoras da Espiritualidade Superior, que se constituem nos fundamentos de uma nova civilização, calcada no amor universal. Como cientista, antecipou revelações que estão sendo confirmadas pela pesquisa cientifica, mesmo nos dias de hoje, passados 50 anos (hoje 70anos) da produção psicografia, contribuindo, dessa forma, para a união definitiva entre Ciência e Religião, conquista essencial à construção de uma sociedade humana renovada, uma civilização, que se implantará em nosso Planeta no decorrer do terceiro milênio, até 2999.

            Como cidadão do mundo André sabe, porém, que o seu maior papel consiste na mudança de si mesmo para melhor servir à humanidade. (À Luz do Eterno Recomeço. Marlene Nobre. Pag.202.)

 

Observação (1): ANDRÉ LUIZ - é o Autor Espiritual. Permaneceu no Umbral por 8 anos. Reporta neste livro como foi recolhido ao "Nosso Lar" (colônia espiritual situada na psicosfera da cidade do Rio de Janeiro), por interferência de sua mãe (desencarnada). Graças à sua abnegação e trabalhos incansáveis de auxílio ao próximo, alguns anos mais tarde conquistou a faculdade da volitação.

André Luiz é um exemplo dignificante de auto-reforma e de como a conseqüente evolução espiritual traz intensos e multiplicados momentos felizes para todo aquele que ajuda ao próximo.

Observação (2): CLARÊNCIO - É um dos 12 Ministros do Ministério do Auxílio (foi quem socorreu André Luiz).

Observação (3): HENRIQUE DE LUNA  - Médico espiritual que prestou primeiro atendimento a André Luiz no “Nosso Lar”.

Observação (4): LÍSIAS – Visitador dos serviços de saúde no “Nosso Lar”. É jovem. Auxiliar de Henrique de Luna. Torna-se amigo muito querido de André Luiz.

Observação (5): LAERTE - Pai de André Luiz. Está a 12 anos em trevas compactas no Umbral.
- Mãe de A.Luiz: Espírito iluminado, convivendo em esferas iluminadas, acima de "Nosso Lar" (citada várias vezes no livro, mas o nome não foi revelado pelo Autor Espiritual).

Observação (6): LAURA - Mãe de Lísias. Hospeda André Luiz no seu lar, sendo-lhe amiga maternal.

Observação (7):  GENÉSIO  – Ministro da Regeneração.

Observação (8): ZÉLIA – Viúva de André Luiz.

Observação (9): Dr. ERNESTO  – É o atual marido de Zélia.

Observação (10): TOBIAS - Funcionário do Ministério da Regeneração (um dos principais amigos e orientadores de André Luiz).

Observação (11): NARCISA - Funcionária do Ministério da Regeneração.

(http://www.institutoandreluiz.org/sinopse_nossolar.html)

 

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questão 234 e 234 -a, 235, 236-d, 236-e, 959. Allan Kardec.

- Nosso Lar. Cap. 2, 5, 8, 10, 11,12, 15, 16, 22, 23, 24, 37, 46, 48, 49, 50 . André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- A terra e  o   semeador. Item 138. Emmanuel. Chico Xavier.

- O Evangelho de Chico Xavier. Item 185. Carlos A. Baccelli.

- Cidade no Além. Espírito André Luiz e Lucius. Chico Xavier/ Heigorina Cunha.

- Caderno de mensagens. Entrevistando André Luiz. Questão 8 e 9. Chico Xavier e Waldo Vieira.

- À Luz do Eterno Recomeço. Marlene Nobre. Pag.202.