Aula 66 - Necessidade da vida social

Ciclo 1 - História:  A borboleta e a flor  -  Atividade:  PH - Paulo de Tarso - 14 - Lei da sociedade.   

Ciclo 2 - História:  Condomínio Vila Verde -  Atividade: LE - L3 - Cap.7 - 2 - Vida de Isolamento.Voto de Silêncio ou/e LE - L3 - Cap. 2 - 3 - Vida Contemplativa.

Ciclo 3 - História:  Reforma social -  Atividade: LE - L3 - Cap. 7 -  1 -  Necessidade da vida social.

 

Dinâmicas: Lei da Sociedade; Relações Sociais.   

Biografia: Madre Teresa de Calcutá.

Mensagens Espíritas: Sociedade.

Sugestão de livros infantis: - O Passarinho que não cantava. Ana Alice Volk. Editora IDE.

- Coleção Amigos de Jesus .Madre Teresa. Edições Sabida.

 

Leitura da Bíblia: Salmos - Capítulo 133


133.1  Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!


 

Eclesiastes - Capítulo 4


4.8 Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: “Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir?” Isso também é absurdo; é um trabalho por demais ingrato!


4.9 É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.


4.10 Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que caie não tem quem o ajude a levantar-se!


4.11 E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho?


4.12 Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.


 

Filipenses - Capítulo 2


2.4 Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros.


   

Tópicos a serem abordados:

- Em sociologia (ciência que estuda as relações sociais), uma sociedade  é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade (1). Diz-se, também, que é o estado dos homens ou dos animais que vivem sob a ação de leis comuns: as abelhas e as formigas, por exemplo,  vivem em sociedade, dividindo as suas tarefas; cada família humana também forma uma sociedade natural (2).

- Deus fez o homem para viver em sociedade, pois ele precisa progredir. Sozinho ele não consegue obter todas as habilidades e qualidades.  Para desenvolver a sua inteligência e a moral é preciso a troca constante de afeições, conhecimentos e experiências que somente é possível com o convívio social. É através das relações sociais que aprendemos a ter a generosidade, o respeito, a paciência e a tolerância com os outros.

- Quando vivemos em grupo precisamos seguir regras ditadas pela justiça e pela moral para que se mantenha a boa ordem na sociedade. Essas regras, em âmbito maior, podem se tornar leis e daí surge a necessidade de haver a autoridade de presidentes, governadores, chefes, por exemplo, para dirigir o povo. No menor tipo de sociedade que se conhece, o lar, os filhos devem ser obedientes aos pais e seguir as regras estipuladas, pois estes são os ''chefes'' da família. Do mesmo modo, os indivíduos da sociedade civil devem seguir as normas estabelecidas pelo governo, pois caso contrário haverá a desordem, que causará prejuízo ao progresso.

- Depois de Deus, é à sociedade que deve todos os benefícios da existência, todas as vantagens da civilização. Pois é através do trabalho e da cooperação da sociedade, que podemos obter uma melhor qualidade de vida, com direitos à educação, saúde, lazer, etc.  

-  O homem não deve se isolar da sociedade, pois  assim ele não progride.  Aqueles que se isolam completamente da sociedade para fugir do contato prejudicial do mundo, na realidade são egoístas, pois  não se pode agradar a Deus uma vida pela qual o indivíduo não se tornar útil a ninguém. É através do contato com os outros que temos a oportunidade de fazer o bem.

-  O  voto de silêncio, prescrito por algumas seitas, também é um ato contrário a lei de Deus, pois ficar dias sem se comunicar, impede o contato social. Deus não nos deu a palavra e outras maneiras de se expressar inutilmente. No entanto, o silêncio é útil nos momentos de oração, pois possibilita entrar em comunicação com os bons Espíritos. 

- Aqueles que vão para regiões desérticas buscar a meditação ou que vivem em mosteiros, afastados do convívio social, para dedicar-se somente a  Deus, não fazem o mal,  mas também não fazem o bem e são inúteis. Deus quer que se pense Nele, mas não quer que apenas se pense Nele, pois o homem tem deveres a cumprir na Terra.

-  Entretanto, aqueles que fogem do mundo, deixando o conforto material ,  para socorrer pobres e doentes, são bem vistos aos olhos de Deus, pois fazem o bem, cumprindo a lei do trabalho. 

- A vida de Madre Teresa de Calcutá é  um exemplo de renúncia e de verdadeira conduta cristã, pois deixou o convento em que trabalhava como professora para cuidar dos mais pobres, nos bairros mais miseráveis da Índia. Ela dizia: ''As mãos que fazem valem mais que os lábios que rezam.''

- Devemos seguir o exemplo do mestre Jesus, que não se afastou da humanidade, embora soubesse das suas imperfeições. Ele auxiliou os fracos,  consolou  os aflitos, curou doentes, ensinava os pecadores a se regenerarem. E não se distanciou dos amigos, mesmo sabendo que um deles iria traí-lo e outro iria negá-lo após sua prisão.  Ajudou-os incansavelmente até o momento do seu sofrimento.  


Comentários (1): https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade; (2): http://www.ceismael.com.br/download/apostila/ma_basico2.htm; Data da consulta: 13/07/15.

 

Perguntas para fixação:

1. O que é uma sociedade?

2. Por que o homem deve viver em sociedade?

3. Qual é o menor tipo de sociedade natural que existe?

4. Por que devemos seguir regras de justiça e moral na sociedade?

5. Por que o homem não deve se isolar da sociedade?

6. Por que o voto de silêncio é contrário a lei de Deus?

7. Possuem mérito aqueles que fogem do mundo para socorrer pobres e doentes?

8. Quem deixou o convento em que trabalhava para cuidar dos pobres da Índia?

9. O que podemos aprender na convivência com os outros?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            A impostergável necessidade de defender-se das intempéries, no meio hostil da Natureza em que se viu constrangido a viver, fez que o homem primitivo buscasse as cavernas, nelas encontrando o refúgio para preservação da existência. Diante das dificuldades da manutenção da vida orgânica, na incessante busca de alimento, vendo-se obrigado a competir com os animais de grande porte e vigorosa ferocidade, acoimado, igualmente, pelo instinto gregário buscou ligar-se aos demais homens, nascendo disso a aglutinação tribal. Perseguido, porém, por outros grupos agitados no desconcerto do instinto, sentiu a urgente e imperiosa força para a união a fim de suportar em conjunto as constrições externas que lhe impunham pungentes agonias.

            Passando ao período agrário, o labor coletivo se lhe impôs a benefício de todos. A contribuição do grupo nos diversos setores da ação tornou-se base para o êxito da comunidade como condição de prosperidade geral. (Estudos Espíritas. Cap. 12 - Solidariedade. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco)

             A vida social está em a Natureza?

            Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação. (O Livro dos Espíritos. Questão 766. Allan Kardec).

            “O homem é um animal social”, já o dizia, com acerto, famoso pensador da Antigüidade, querendo com isso significar que ele foi criado para viver, ou melhor, conviver com seus semelhantes. (As leis morais. Cap. 25. Rodolfo Calligaris).

            Por que é que, entre os animais, os pais e os filhos deixam de reconhecer-se, desde que estes não mais precisam de cuidados?

            Os animais vivem vida material e não vida moral. A ternura da mãe pelos filhos tem por princípio o instinto de conservação dos seres que ela deu à luz. Logo que esses seres podem cuidar de si mesmos, está ela com a sua tarefa concluída; nada mais lhe exige a Natureza. Por isso é que os abandona, a fim de se ocupar com os recém-vindos. (O Livro dos Espíritos. Questão 773. Allan Kardec).

            Há pessoas que, do fato de os animais ao cabo de certo tempo abandonarem suas crias, deduzem não serem os laços de família, entre os homens, mais do que resultado dos costumes sociais e não efeito de uma lei da Natureza. Que devemos pensar a esse respeito?

            Diverso do dos animais é o destino do homem. Por que, então, quererem identificá-lo com estes? Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma lei da Natureza. Quis Deus que, por essa forma, os homens aprendessem a amar-se como irmãos. (O Livro dos Espíritos. Questão 774. Allan Kardec).

            Sendo, fundamentalmente, o lar, a representação minúscula da sociedade, como célula inicial, é justo que seja construído de forma que se alongue com naturalidade pelo grupo social na direção de toda a humanidade. (Constelação Familiar. 17 - Relacionamentos Familiares. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco).

            Quanto mais os membros da família convivem em clima de respeito e de amizade, mais amplas se lhes tornam as facilidades de entendimento fraternal, predispondo-os à convivência saudável fora do lar, apesar da complexidade do grupo social e dos seus problemas muito variados. (Constelação Familiar. 21 - Presença do Evangelho no lar. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco).

          A socialização da criatura humana, quando não se dá em alto padrão de equilíbrio, tende a fazer‐se perturbadora, sem estrutura ética, tombando no desvario que leva à delinquência, porque o homem e a mulher são intrinsecamente animais sociais.

            Torna‐se urgente a reestruturação da família, que jamais será uma instituição falida, porque é a pedra angular da sociedade, o primeiro grupo onde o ser experimenta a dádiva do convívio, da segurança emocional, da experiência moral. (Adolescência e vida. Cap. 14 - Relacionamento do adolescente fora do lar. Espírito Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco)

            Qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família?

            Uma recrudescência do egoísmo. (O Livro dos Espíritos. Questão 775. Allan Kardec).

            A sociabilidade é instintiva e obedece a um imperativo categórico da lei do progresso que rege a Humanidade.

            É que Deus, em Seus sábios desígnios, não nos fez perfeitos, fez

perfectíveis; assim, para. atingirmos a perfeição a que estamos destinados, todos precisamos uns dos outros, pois não há como desenvolver e burilar nossas faculdades intelectuais e morais senão no convívio social, nessa permuta constante de afeições, conhecimentos e experiências, sem a qual a sorte de nosso espírito seria o embrutecimento e a estiolação.

            Sendo o fim supremo da sociedade promover o bem-estar e a felicidade de todos os que a, compõem, para que tal seja alcançado há necessidade de que cada um de nós observe certas regras de procedimento ditadas pela Justiça e pela Moral, abstendo-se de tudo que as possa destruir.

            Com efeito, a boa ordem na sociedade depende das virtudes humanas. Á medida que nos formos esclarecendo, tomando consciência de nossos deveres para com nós mesmos (amor ao trabalho, senso de responsabilidade, temperança, controle emocional, etc.) e para com a comunidade de que somos parte integrante (cortesia, desprendimento, generosidade, honradez, lealdade, tolerância, espírito público. etc.), cumprindo-os à risca, menores e menos frequentes se irão tornando os atritos e conflitos que nos afligem; mais estável será a paz e mais deleitável a harmonia que devem reinar em seu seio.

            A par disso, para que a sociedade funcione e possa corresponder à sua finalidade, um outro princípio existe que precisa, também, ser observado: o da autoridade. (As leis morais. Cap. 25. Rodolfo Calligaris)

            Em nenhum tempo, nem no seio de nenhum povo, os homens, em sociedade, hão podido prescindir de chefes; com estes deparamos nas tribos mais selvagens. Decorre isto de que, em razão da diversidade das aptidões e dos caracteres inerentes à espécie humana, há por toda parte homens incapazes, que precisam ser dirigidos, homens fracos que reclamam proteção, paixões que exigem repressão. Daí a necessidade imperiosa de uma autoridade. É sabido que, nas sociedades primitivas, essa autoridade foi conferida aos chefes de família, aos antigos, aos anciãos; numa palavra: aos patriarcas. Essa a primeira de todas as aristocracias. (Obras Póstumas. As aristocracias. Allan Kardec).

            No menor tipo de sociedade que se conhece, o lar, por exemplo, se aquele que a deve exercer, o chefe de família, não recebe da parte da mulher e dos filhos o acatamento e a obediência devidos, a anarquia toma conta da casa, com sérios prejuízos para todos os familiares.

            Na sociedade civil acontece o mesmo. Se os indivíduos e os grupos não derem correto atendimento às normas traçadas pelo governo (que deles recebeu delegação de poderes para dirigir os destinos do Estado), antes as infrinjam ou desobedeçam, a desordem não tardará a fazer-se senhora da situação, resultando nulas as medidas propostas no sentido do progresso social.

            Um e outro — chefe de família e governo — não devem, porém, exorbitar de suas funções, seja impondo uma sobrecarga de obrigações aos que estejam subordinados à sua jurisdição, seja frustrando-lhes o gozo de seus direitos individuais, porque isso, então, já não seria autoridade, e sim tirania, despotismo.

            Estes conceitos, ampliados, são válidos igualmente para a sociedade natural, formada pelo concerto das nações, cujos membros devem respeitar-se e auxiliar-se mütuamente, tudo fazendo pela concórdia entre os povos e a prosperidade universal, porque, interdependentes que são, sempre que alguns componentes do cosmo social entrem em guerra ou se vejam a braços com crises econômicas, todos haveremos, de uma forma ou de outra, de sofrer lhes as danosas consequências. (As leis morais. Cap. 25. Rodolfo Calligaris).

            Depois de Deus, é à sociedade que deve todos os benefícios da existência, todas as vantagens da civilização. Dela desfruta; mas, precisamente esse gozo, essa partici­pação nos frutos da obra comum, impõem-lhe o dever de cooperar na própria obra. Uma estreita solidariedade liga-o a essa sociedade; deve a ela, como ela lhe deve. Permanecer inativo, improdutivo, inútil, no meio do trabalho de todos, seria um ultraje à moral, quase um roubo; seria aproveitar-se dos labores de outrem, aceitar um empréstimo que se recusa a restituir.

(Depois da morte. Cap. 46. Egoísmo. Léon Denis).

            É contrário à lei da Natureza o insulamento absoluto?

            Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente. (O Livro dos Espíritos. Questão 767. Allan Kardec).

            O homem tem que progredir. Insulado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contacto com os outros homens. No insulamento, ele se embrutece e estiola.

            Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados. (O Livro dos Espíritos. Questão 768. Allan Kardec).

            A vida em sociedade é necessária para o desenvolvimento ético e moral dos indivíduos responsáveis pelo grupo familiar, ensaiando passos para ampliar os relacionamentos com outros segmentos humanos.

            (...) O isolamento a que se entregam os indivíduos contemporâneos, especialmente nestes dias de comunicação virtual, trabalha em favor de conflitos mais graves do que aqueles que já se lhes instalaram, empurrando-os para distanciamentos físicos cada vez maiores, em que perdem a sensibilidade da convivência, o calor da amizade, e os anseios que os movem são sempre pertinentes aos interesses financeiros, aos gozos sexuais, quando não, às perversões que grassam avassaladoras.

            Quando esse isolamento não decorre da fuga para a convivência virtual, os conflitos existentes nessa pessoa afastam-na do meio social, da intimidade na família, procurando justificações para entregar-se ao sofrimento, quando não tombando em depressão.

            Os relacionamentos, portanto, devem iniciar-se no próprio meio familiar, no interesse pelo que ocorre em relação ao grupo sangüíneo, no qual se renasceu, participando das atividades domésticas e das preocupações, procurando solucionar os problemas e as dificuldades, enfim, movimentando-se de maneira edificante na constelação do lar.

            Mais facilmente se torna partir do simples para o complexo, da família para o vizinho, do grupo de interesses comuns para as aspirações da sociedade, oferecendo-se de maneira ativa para tornar melhores os dias da existência, em relação à própria como às que se referem às demais pessoas. (Constelação Familiar. 16 - Relacionamentos Sociais. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco).

            Uma vez que a vida social é uma necessidade geral, que pensar daqueles que se isolam completamente, fugindo (segundo dizem) ao pernicioso contacto do mundo?

            Pela Doutrina Espírita, tal procedimento revela forte dose de egoísmo e só merece reprovação, visto que “não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a ninguém”. (As leis morais. Cap. 25. Rodolfo Calligaris - Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 769. Allan Kardec).

            Mas, não será meritório esse retraimento se tiver por fim uma expiação, impondo-se aquele que o busca uma privação penosa?

            Fazer maior soma de bem do que de mal constitui a melhor expiação. Evitando um mal, aquele que por tal motivo se insula cai noutro, pois esquece a lei de amor e de caridade. (O Livro dos Espíritos. Questão 770. Allan Kardec)

            Criaturas bem intencionadas sonham com comunidades espiritualizadas, perfeitas, onde se possa viver em regime da mais pura santificação.

            Assim tocadas programam colméias, organizam comitês para tal fim, e os mais ambiciosos laboram por cidades onde o mal não exista e todos se

amem.

            Em verdade, tal ambição, nobre por enquanto impraticável senão totalmente irrealizável, representa uma reminiscência ancestral das antigas comunidades religiosas onde o atavismo criou necessidades de elevação num mundo especial, longe das realidades objetivas entre os homens em evolução.

            Jesus, porém, deu-nos o exemplo.

            Desceu das Regiões Felizes ao vale das aflições, a fim de ajudar.

            Não convocou os privilegiados, antes convidou os infelizes, os rebeldes e rejeitados, suportando suas mazelas e assim mesmo os amando.

            No Colégio íntimo esteve a braços com as sistemáticas dúvidas dos amigos, suas ambições infantis, suas querelas frívolas, suas disputas.

            Não se afastou deles, embora suas imperfeições, não se rebelou contra eles.  Ajudou-os, incansavelmente, até os momentos extremos, quando, sofrendo, no Getsemani, surpreendeu-os, mais de uma vez, a dormir.

            E retornou ao convívio deles, quando atemorizados, a sustentá-los e animá-los, a fim de que não de perecessem na fé, nem na dedicação em que se fizeram mais tarde dignos do seu Mestre, em face dos testemunhos libertadores a que se entregaram. (Leis morais da vida. Cap. 31 - Intercâmbio social. Joanna de Ângelis. Divaldo Pereira Franco).

            Que pensar dos que fogem do mundo para se votarem ao mister de socorrer os desgraçados?

            Esses se elevam, rebaixando-se. Têm o duplo mérito de se colocarem acima dos gozos materiais e de fazerem o bem, obedecendo à lei do trabalho.   (O Livro dos Espíritos. Questão 771. Allan Kardec)

            A vida de Madre Teresa de Calcutá é  um exemplo de renúncia e de verdadeira conduta cristã, pois deixou o convento em que trabalhava como professora para cuidar dos mais pobres, nos bairros mais miseráveis da Índia. Ela dizia: ''As mãos que fazem valem mais que os lábios que rezam.'' (http://pensador.uol.com.br/frase/MTI5OTIyOQ/)

            Têm, perante Deus, algum mérito os que se consagram à vida contemplativa, uma vez que nenhum mal fazem e só em Deus pensam?

            Não, porquanto, se é certo que não fazem o mal, também o é que não fazem o bem e são inúteis. Demais, não fazer o bem já é um mal. Deus quer que o homem pense Nele, mas não quer que só Nele pense, pois que lhe impôs deveres a cumprir na Terra. Quem passa todo o tempo na meditação e na contemplação nada faz de meritório aos olhos de Deus, porque vive uma vida toda pessoal e inútil à Humanidade e Deus lhe pedirá contas do bem que não houver feito. (O Livro dos Espíritos. Questão 657. Allan Kardec).

            Graças à dinâmica da atualidade, diminuem as antigas incursões ao isolacionismo, seja nas regiões desérticas para onde o homem fugia a buscar meditação, seja no silêncio das clausuras e monastérios onde pensava perder-se em contemplação. (Leis morais da vida. Cap. 31 - Intercâmbio social. Joanna de Ângelis. Divaldo Pereira Franco)

            Que pensar do voto de silêncio prescrito por algumas seitas, desde a mais remota antigüidade?

            Perguntai, antes, a vós mesmos se a palavra é faculdade natural e por que Deus a concedeu ao homem. Deus condena o abuso e não o uso das faculdades que lhe outorgou. Entretanto, o silêncio é útil, pois no silêncio pões em prática o recolhimento; teu espírito se torna mais livre e pode entrar em comunicação conosco. Mas o voto de silêncio é uma tolice. Sem dúvida obedecem a boa intenção os que consideram essas privações como atos de virtude. Enganam-se, no entanto, porque não compreendem suficientemente as verdadeiras leis de Deus.

            O voto de silêncio absoluto, do mesmo modo que o voto de insulamento, priva o homem das relações sociais que lhe podem facultar ocasiões de fazer o bem e de cumprir a lei do progresso. (O Livro dos Espíritos. Questão 772. Allan Kardec).

            O Espírito de J.-J. Rousseau afirma: ''O isolamento em matéria religiosa e social não pode engendrar senão o egoísmo e, sem que muitas vezes dele se dê conta, o homem torna-se misantropo (aquele que tem aversão ao ser humano), deixando que seu egoísmo o domine. O recolhimento, produzido pelo efeito do silêncio grandioso da Natureza falando à alma, é útil, mas a sua utilidade não pode produzir seus frutos senão quando o ser que ouve a Natureza falar à sua alma, relata aos homens a verdade de sua moral; mas, se aquele que sente, em face da criação, sua alma levantar vôo para as regiões de uma era pura e virtuosa, não se serve de suas sensações, ao despertar, no meio das instituições de sua época, senão para censurar os abusos que a sua natureza sensitiva lhe exagera, porque ela sofre com isto, se ele não encontra, para corrigir os erros dos humanos, senão fel e ressentimento, sem lhes mostrar docemente o verdadeiro caminho, tal qual o descobriu na própria Natureza, oh! então, infeliz dele, se só se servir de sua inteligência para açoitar, em vez de pensar as feridas da sociedade!

            Sim, tendes razão: viver só no meio da Natureza é ser egoísta e ladrão, porque o homem foi criado para a sociabilidade; e isto é tão verdadeiro que eu, o selvagem, o misantropo, o indomável eremita, venho aplaudir esta passagem do discurso aqui pronunciado: O isolamento social e religioso conduz ao egoísmo. ''( Revista Espírita. Dezembro de 1868. O dia de todos os santos. Allan Kardec).

            O Cristianismo possui o extraordinário objetivo de criar uma sociedade equilibrada, na qual todos os seus membros sejam solidários entre si.

            Negar o mundo” do conceito evangélico, não significa abandoná-lo, antes criar condições novas, a fim de modificar-lhe as estruturas negativas e egoísticas, engendrando recursos que o transformem em reduto de esperança, de paz, perfeito símile do “reino dos céus”, a que se reportava Jesus.

            A vivência cristã se caracteriza pelo clima de convivência social em regime de fraternidade, no qual todos se ajudam e se socorrem, dirimindo dificuldades e consertando problemas.

            Viver o Cristo é também conviver com o próximo, aceitando-o conforme suas imperfeições, sem constituir-lhe fiscal ou pretender corrigi-lo, antes acompanhando-o com bondade, inspirando-o ao despertamento e à mudança de conduta de motu proprio (termo latino que quer dizer espontaneamente).

            A reforma pessoal de alguém inspira confiança, gera simpatia, modifica o meio e renova os cômpares com quem cada um se afina. Isolar-se, portanto, a pretexto de servir ao bem não passa de uma experiência na qual o egoísmo predomina, longe da luta que forja heróis e constrói os santos da abnegação e da caridade. (Leis morais da vida. Cap. 31 - Intercâmbio social. Joanna de Ângelis. Divaldo Pereira Franco)

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões 657, 766, 767, 768, 769, 770,771,772, 773, 774, 775. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Dezembro de 1868. O dia de todos os santos. Allan Kardec.

- Estudos Espíritas. Cap. 12 - Solidariedade. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.

- Leis morais da vida. Cap. 31 - Intercâmbio social. Joanna de Ângelis. Divaldo Pereira Franco.

- Constelação Familiar.Capítulos 16 e 21. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.

- Adolescência e vida. Cap. 14 - Relacionamento do adolescente fora do lar. Espírito Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.

- As leis morais. Cap. 25. Rodolfo Calligaris.

- Depois da morte. Cap. 46. Egoísmo. Léon Denis.

- Site: http://pensador.uol.com.br/frase/MTI5OTIyOQ/. Data da consulta: 13/07/15.