Aula 62 - Caracteres da Perfeição

Ciclo 1 - História:  A bondosa Lucinha -  Atividade: PH – Paulo de Tarso – 12 – O homem de bem.

Ciclo 2 - História:  O aniversário de Sara -  Atividade:  LE - L3 - Cap. 12 - 4. Caracteres do homem de bem.

Ciclo 3 - História: O descuido impensado -  Atividade: ESE - Cap. 17 - 1 - Caracteres da perfeição ou/e 2 - O homem de bem.

 

Dinâmicas: O homem de bem I, O homem de bem II.

Mensagens Espíritas: Perfeição.

Sugestão de vídeo: Música Espírita: Não Espere -  Clésio Tapety (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: Salido - o bom espanholzinho. Sergito de Souza Cavalcanti. Editora e gráfica Itapuã.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 5


5.43   Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.


5.44   Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;


5.45   para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.


5.46   Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?


5.47   E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?


5.48   Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.


 

Colossenses - Capítulo 3


3.12   Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.


3.13   Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;


3.14   acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.


 

Filipenses - Capítulo 3


3.12   Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.


3.13   Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,


3.14   prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.


 

Tópicos a serem abordados:

- O objetivo final de todos os Espíritos é alcançar a perfeição, que conduzirá à felicidade suprema (completa). Um Espírito para ser perfeito precisa evoluir: possuir todas as virtudes  e saber aplicá-las; precisa também conhecer todas as ciências e todas as artes utilizá-las para o bem. A evolução é feita gradualmente (aos poucos), portanto, é necessário reencarnar várias vezes para atingir este objetivo.

- Quando Jesus disse: "Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial", quis dizer que devemos alcançar a perfeição relativa (finita), que mais se aproxima da divindade, pois a perfeição absoluta (infinita) pertence somente a Deus, nosso Pai.  Se à criatura fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia ela igual a este, o que é inadmissível. Pois, se um Espírito alcançasse a Deus, seria o próprio Deus. Mas, os homens a quem Jesus falava não compreenderiam essa diferença, pelo que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a dizer-lhes que se esforçassem para alcançar.

- Em que consiste essa perfeição? Jesus o diz: "Em amarmos os nossos inimigos, em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos pelos que nos perseguem." Mostra ele desse modo que a essência da perfeição é a caridade, porque torna-se necessário a prática de todas as outras virtudes.

- Jesus é o modelo de perfeição moral que devemos seguir. A doutrina que Ele ensinou é a expressão mais pura da lei de Deus, pois ele é o Espírito mais puro e luminoso que se encarnou na Terra.

- Por vezes pergunta-se se Deus não teria podido criar os Espíritos perfeitos, para lhes poupar o mal e todas as suas consequências. Sem dúvida Deus o teria podido, já que é Todo-Poderoso; e se não o fez é que, em sua soberana sabedoria, julgou mais útil fosse de outro modo. Submetendo-os à lei do progresso, quis Deus que os homens tivessem o mérito de suas obras, a fim de terem direito à recompensa e desfrutarem a satisfação de haver conquistado suas próprias posições.  Portanto, Deus quer que nossa perfeição seja o resultado de nossos próprios esforços.

- Os Espíritos  alcançam mais ou menos rapidamente a perfeição, conforme o desejo que têm de alcançá-la, pelo seu esforço e  pelo trabalho  e a submissão à vontade de Deus.   

- Pode-se reconhecer no homem os sinais de progresso, que prova a sua elevação, quando ele pratica a lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual.

- O homem de bem cumpre a lei de justiça, amor e caridade. Pensa se fez todo o bem que poderia ter feito no dia e se ninguém tem raiva dele por ter deixado de fazer algo útil. Possui fé em Deus.  Dá mais importância aos bens espirituais (virtudes) do que os bens materiais.  Possui Resignação, pois aceita as provas e expiações que provocam sofrimento sem reclamar. Faz o bem para as pessoas sem querer nada em troca. Pensa primeiro nos outros antes de pensar em si mesmo, ou seja, não é egoísta. Respeita a opinião dos outros, mesmo sendo diferente da sua. Respeita todos os tipos de pessoas, não importando sua religião ou cultura. Não tem ódio e nem guarda mágoa e não possui desejo de vingança. Perdoa todas as ofensas.      É indulgente, pois não fica comentando defeitos dos outros por maldade. Estuda os seus defeitos e procura corrigi-los. Não se envaidece com a riqueza ou com um corpo bonito. Não usa o dinheiro que tem em coisas desnecessárias, pois sabe que tudo que tem terá que prestar contas a Deus.

- A descrição acima não possui todas as qualidades que identificam o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir essas virtudes está no caminho que conduz a todas as outras, rumo à perfeição.  

 

Perguntas  para fixação:

1. O que é ser perfeito?

2. O que é preciso desenvolver para alcançar a perfeição?

3. É possível alcançar a perfeição numa só existência?

4. Jesus disse: "Sede perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial", o que Ele quis dizer com estas palavras?

5. Por que o homem não pode alcançar a perfeição absoluta de Deus?

6. Quem é o modelo de perfeição moral que devemos seguir?

7. Por que Deus não criou os Espíritos perfeitos?

8. Quais são algumas das características do homem de bem?

 

Subsídio para o Evangelizador:

              Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência. Deu a cada um determinada missão com o fim de esclarecê-los e fazê-los alcançar, progressivamente, a perfeição para o conhecimento da verdade e para aproximá-los dele. A felicidade eterna e pura é para aqueles que alcançam essa perfeição. (O Livro dos Espíritos. Questão 115. Allan Kardec).

            Segundo o dicionário Michaelis, o termo ''Perfeição'' significa: Bondade ou excelência, no mais alto grau; pureza;  atributos existentes em Deus, em grau infinito. (http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=perfei%E7%E3o).

            A alma contém, no estado virtual (1), o princípio de todos os seus desenvolvimentos futuros. Está destinada a tudo conhecer, a tudo conquistar e a tudo possuir. E como ela poderia conseguir tudo isso numa única existência? A vida é curta, e a perfeição está longe! Poderia a alma, em uma vida única, desenvolver seu entendimento, esclarecer sua razão, fortificar sua consciência, assimilar todos os elementos da sabedoria, da santidade, do gênio? Não! Para realizar esses objetivos, é preciso percorrer, no tempo e no espaço, um campo sem limites. É passando por inúmeras transformações, após milhares de séculos, que o mineral grosseiro se transforma em um diamante puro, brilhando mil cintilações. O mesmo acontece com a alma humana.

            O objetivo da evolução, a razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre – como muitos acreditam erroneamente –, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que estejamos inteiramente desenvolvidos e elevados ao estado celeste. Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento, por excelência, da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que sem ele permaneceria retardado nos caminhos da sensualidade. A dor física e moral forma nossa experiência. A sabedoria é o prêmio. ( O problema do ser, do destino e da dor. Cap. 9. Léon Denis).

            Todos melhoram, passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esse melhoramento se verifica pela encarnação, que a uns é imposta como uma expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova a que devem submeter-se repetidas vezes até atingirem a perfeição absoluta.  ( O Livro dos Espíritos. Introdução ao estudo da Doutrina Espírita. Item 6 - Resumo da Doutrina dos Espíritos. Allan Kardec).

            Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?

             É ilimitado o número dessas ordens, pois não há entre elas uma linha de demarcação,traçada como barreira, de maneira que se podem multiplicar ou restringir as divisões, à vontade. Não obstante, se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais.

            Na primeira ordem, podemos colocar os que já chegaram à perfeição os Espíritos puros. Na segunda, estão os que chegaram ao meio da escala, o desejo do bem é a sua preocupação. Na terceira, os que estão ainda na base da escala, os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento. ( O Livro dos Espíritos. Questão 97. Allan Kardec).

               Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava (O Livro dos Espíritos. Questão 625. Allan Kardec).

            Como adquire experiência o Espírito encarnado?

            A luta e o trabalho são tão imprescindíveis ao aperfeiçoamento do espírito, como o pão material é indispensável à manutenção do corpo físico. É trabalhando e lutando, sofrendo e aprendendo, que a alma adquire as experiências necessárias na sua marcha para a perfeição. (O Consolador. Questão 131. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            No entanto, não se pode confundir perfeição com perfeccionismo; segundo o dicionário aurélio, o termo ''perfeccionismo'' significa:   Tendência, patológica, em procurar exageradamente a perfeição. (http://www.dicionariodoaurelio.com/perfeccionismo).

            O  Espírito Hammed afirma: ''Esses distúrbios de comportamento levam, em muitas situações, os indivíduos a uma lentidão superlativa para fazer as coisas. Querem fazer tudo com tantos detalhes e precisão que nunca acabam o que estão fazendo. Outros são conhecidos pelo nome de proteladores, ou seja, adiam sistematicamente a ação, por temer um desempenho imperfeito. Por exemplo, se começam a apontar um lápis, levam o objeto à destruição em alguns minutos, pela busca milimétrica da perfeição. Outros sintomas ou sinais mais comuns: certas pessoas são obcecadas em dispor as coisas simetricamente, de modo que não fiquem um centímetro fora do lugar. Quanto mais verificam, mais querem checar e mais têm dúvidas.

         Os perfeccionistas necessitam ser impecáveis, respondem a todas as perguntas, mesmo àquelas que não sabem corretamente. Por possuírem desordens psíquicas, buscam incessantemente controlar a ordem exterior, vigiando os comportamentos alheios como verdadeiros juízes da moral e dos costumes.

         Por não admitirmos o erro e por não percebermos que o único fracasso legítimo é aquele com o qual nada aprendemos, é que os conceitos de perfeição doentia perturbam constantemente nossa zona mental. Por isso, o erro não deve ser considerado como perda definitiva, mas apenas uma experiência de aprendizagem.  

            Sede pois, vós outros, perfeitos, como vosso Pai Celestial é perfeito - disse-nos Jesus Cristo. Entretanto, não nos conclama com essa assertiva para que tomemos ―ares de perfeição presunçosa, e sim que nos esforcemos para um crescimento gradual no processo da vida, que nos dará oportunamente habilidades cada vez maiores e melhores.

            Somos todos convocados pelo Mestre ao exercício do aperfeiçoamento, mas contemos com o tempo e a prática como fatores essenciais, esquecendo a perfeição doentia, atrelada a uma ―determinação martirizante e desgastante, que nos faz despender enorme carga energética para manter uma aparência irrepreensível.'' (Renovando atitudes. Cap. 51. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto).

            O homem progredirá sempre e incessantemente, mas em quantidade finita; a soma de seus progressos não será jamais senão de uma perfeição finita, que não poderia alcançar a Deus, o infinito em tudo. Não há, pois, injustiça da parte de Deus em que suas criaturas jamais o possam igualar. A natureza de Deus é um obstáculo intransponível a um tal fim do Espírito; sua justiça também não poderia permiti-lo, porque se um Espírito alcançasse a Deus, seria o próprio Deus. Ora, se dois Espíritos são tais que tenham ambos um poder infinito sob todos os aspectos e um seja idêntico ao outro, eles se confundirão num só e não haverá mais que um Deus; um deveria, pois, perder a sua individualidade, o que seria uma injustiça muito mais evidente do que não poder alcançar um fim infinitamente distanciado, mesmo dele se aproximando constantemente. (Revista Espírita. Agosto de 1866. Perfectibilidade dos Espíritos. Allan Kardec).

            Desde que Deus possui a perfeição infinita em todas as coisas, esta máxima: "Sede perfeitos, como vosso Pai celestial é perfeito", tomada ao pé da letra, faria supor a possibilidade de atingirmos perfeição absoluta. Se fosse dado à criatura ser tão perfeita quanto seu próprio Criador, ela o igualaria, o que é inadmissível. Mas os homens aos quais Jesus se dirigia não teriam compreendido essa questão. Ele se limitou, portanto, a lhes apresentar um modelo e dizer que se esforçassem para atingi-lo.
            Devemos, pois, entender, por essas palavras, a perfeição relativa que a humanidade é suscetível, e que mais pode aproximá-la da Divindade. Mas em que consiste essa perfeição? Jesus mesmo o disse: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam”. Com isso, mostra que a essência da perfeição é a caridade, na sua mais ampla acepção porque ela implica a prática de todas as outras virtudes.

            Com efeito, se observarmos o resultado de todos os vícios mesmo dos simples defeitos, reconheceremos que não há nenhum que não altere mais ou menos o sentimento de caridade, porque tudo nascem do egoísmo e do orgulho, que são a sua negação. Porque tudo o que excita exageradamente o sentimento da personalidade destrói ou pelo menos, enfraquece os princípios da verdadeira caridade, que são: a benevolência, a indulgência, o sacrifício e o
devotamento. O amor ao próximo, estendido até o amor dos inimigos, não podendo aliar-se com nenhum defeito contrário à caridade, é sempre, por isso mesmo, o indício de uma superioridade moral maior ou menor. Do que resulta que o grau de perfeição está na razão direta da extensão do amor. Eis porque Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as regras da caridade, no que ela tem de mais sublime, lhes disse: "Sede logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito". (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 17. Item 2.  Allan Kardec).

            Por vezes pergunta-se se Deus não teria podido criar os Espíritos perfeitos, para lhes poupar o mal e todas as suas consequências.

            Sem dúvida Deus o teria podido, já que é Todo-Poderoso; e se não o fez é que, em sua soberana sabedoria, julgou mais útil fosse de outro modo. Não compete ao homem perscrutar seus desígnios e, ainda menos, julgar e condenar suas obras.

            (...) Se Deus os tivesse criado perfeitos, deveria tê-los dotado, desde o instante de sua criação, com a universalidade dos conhecimentos; tê-los-ia isentado de todo trabalho intelectual; mas, ao mesmo tempo, lhes teria tirado a atividade que devem desenvolver para adquirir, e pela qual concorrem, como encarnados e desencarnados, ao aperfeiçoamento material dos mundos, trabalho que não incumbe mais aos Espíritos superiores, encarregados somente de dirigir o aperfeiçoamento moral. Por sua própria inferioridade, tornam-se uma engrenagem essencial à obra geral da Criação. Por outro lado, se os tivesse criado infalíveis, isto é, isentos da possibilidade de fazer o mal, eles fatalmente teriam sido impelidos ao bem, como mecânicos bem preparados que fizessem automaticamente obras de precisão. Mas, então, não mais livre-arbítrio e, por conseguinte, não mais independência; assemelhar-se-iam a esses homens que nascem com a fortuna feita e se julgam dispensados de nada fazer. Submetendo-os à lei do progresso facultativo, quis Deus que tivessem o mérito de suas obras, a fim de terem direito à recompensa e desfrutarem a satisfação de haver conquistado suas próprias posições. (Revista Espírita. Março de 1864. Da perfeição dos seres criados. Allan Kardec).

            Se Deus os houvesse criado perfeitos, nenhum mérito teriam para gozar dos benefícios dessa perfeição. Onde estaria o merecimento sem a luta? Demais, a desigualdade entre eles existente é necessária às suas personalidades. Acresce ainda que as missões que desempenham nos diferentes graus da escala estão nos desígnios da Providência, para a harmonia do Universo. (O Livro dos Espíritos. Questão 119. Allan Kardec).

            Depende dos Espíritos o progredirem mais ou menos rapidamente para a perfeição?

            Certamente. Eles a alcançam mais ou menos rápido, conforme o desejo que têm de alcançá-la e a submissão que testemunham à vontade de Deus. Uma criança dócil não se instrui mais depressa do que outra recalcitrante? (O Livro dos Espíritos. Questão 117. Allan Kardec).

            Dizem os instrutores da Espiritualidade que geralmente os homens estão interessados em tudo quanto se relacione com o bem-estar da vida terrena; querem a satisfação pessoal e não cuidam da vida espiritual: estão adormecidos na indiferença (Emmanuel, Vinha de Luz). Ainda quando bem intencionados e desejosos de realizar boas obras não cuidam de si mesmos e não procuram conter as paixões carnais. O iluminado padre Germano esclarece que por via de regra o espírito renasce sem intenção de progredir, mas desejando viver simplesmente, isto é, passar o tempo sem cuidados com o próprio adiantamento. E isto porque a indiferença é o estado habitual do Espírito que ainda não experimentou o sofrimento em ''grande escala''; realmente, a dor é o estímulo às mais altas realizações, é o agente do progresso espiritual.

            Ninguém poderá deixar de enfrentar o problema do auto-aprimoramento, agora ou no futuro, neste ou noutro mundo. É a Lei do Senhor do Universo. Refrear as paixões, amar o bem e não a si mesmo (curar a ''hipertrofia congênita do eu'', de Emmanuel, ou a ''obsessão neurótica do eu'', de Karen Horney), sentir pelo próximo, etc., chegarão a ser necessidades do espírito quando nele instalar-se a silenciosa e solitária luta íntima contra suas imperfeições. Nesse dia, ele será um discípulo do Evangelho: '' começou a sua regeneração, não por virtude, mas impelido pela dor'' - afiança o Padre Germano. É um momento decisivo que chega para todos.   (Evolução para o terceiro milênio. Introdução. Item 4 e 5. Carlos Toledo Rizzini).

            Deve o crente criar imposições absolutas para si mesmo, no sentido de alcançar mais depressa a perfeição espiritual?

            O crente deve esforçar-se o mais possível, mas, de modo algum, deve nutrir a pretensão de atingir a superioridade espiritual completa, de uma só vez, porquanto a vida humana é aprendizado de lutas purificadoras e, no cadinho do resgate, nem sempre a temperatura pode ser amena, alcançando, por vezes, ao mais alto grau para o desiderato do acrisolamento.

            Em todas as circunstâncias, guarde o cristão a prece e a vigilância; prece ativa, que é o trabalho do bem, e vigilância, que é a prudência necessária, de modo a não trair novos compromissos. E, nesse esforço, a alma estará preparada a estruturar o futuro de si mesma, no caminho eterno do espaço e do tempo, sem o desalento dos tristes e sem a inquietação dos mais afoitos.  (O Consolador. Questão 123. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?

             O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus e quando compreende por antecipação a vida espiritual. (O Livro dos Espíritos. Questão. 918. Allan Kardec).

            O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem.

            Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.

            Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

            Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem murmurar.

            Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo, faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte, e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

            Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos aflitos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula os proventos e as perdas decorrentes de toda ação generosa.

            O homem de bem é bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque em todos os homens vê irmãos seus.

            Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não lança anátema aos que como ele não pensam.

            Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade, tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo e não merece a clemência do Senhor.

            Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será conforme houver perdoado.

            É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que também necessita de indulgência e tem presente esta sentença do Cristo: "Atire-lhe a primeira pedra aquele que se achar sem pecado."

            Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem, ainda,  em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura sempre o bem que possa atenuar o mal.

            Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente em combatê-las. Todos os esforços emprega para poder dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor do que na véspera.

            Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos outros.

            Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode ser-lhe tirado.

            Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo à satisfação de suas paixões.

            Se a ordem social colocou sob o seu mando outros homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho. Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição subalterna em que se encontram.

            O subordinado, de sua parte, compreende os deveres da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.

            Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como quer que sejam respeitados os seus.

            Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se acha que a todas as demais conduz. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 17. Item 3. Allan Kardec).

            A vida de Chico Xavier sempre foi um exemplo de humildade, simplicidade e amor em todos os sentidos. No entanto, apesar dessas qualidades ele diizia:  ''O trabalho foi sempre para mim uma bênção de paz e refazimento, com o qual encontro o esquecimento, pelo menos temporário, das imperfeições que carrego. Eu infinitamente distante de alcançar mínimo grau de perfeição. Sou um animal em serviço e peço a Deus que me conserve nas disciplinas desse mesmo serviço, para não complicar os meus condutores, aos quais devo, de algum modo, retribuir as atenções que recebo. (A Terra e o Semeador. Itens 88 e 89. Chico Xavier).

            Qual a mais meritória de todas as virtudes?

            Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtudes sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade. (O Livro dos Espíritos. Questão 893. Allan Kardec).

            Chegados ao grau supremo da perfeição, os Espíritos que andaram pelo caminho do mal têm, aos olhos de Deus, menos mérito do que os outros?

            Deus olha de igual maneira para os que se transviaram e para os outros e a todos ama com o mesmo coração. Aqueles são chamados maus, porque sucumbiram. Antes, não eram mais que simples Espíritos. ( O Livro dos Espíritos. Questão 126. Allan Kardec).

 

Observação (1): Virtual: nesse caso, que existe como faculdade; porém, não é exercido na existência atual (O problema do ser, do destino e da dor. Cap. 9. Léon Denis).

             

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos. Introdução ao estudo da Doutrina Espírita. Item 6. Questões 97, 115, 117, 119, 126,  625, 893,  918 . Allan Kardec.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 17. Itens 2 e 3. Allan Kardec.

- O problema do ser, do destino e da dor. Cap. 9. Léon Denis.

- O Consolador. Questões 123 e 131. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- A Terra e o Semeador. Itens 88 e 89. Chico Xavier.

- Renovando atitudes. Cap. 51. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto.

- Revista Espírita. Março de 1864. Da perfeição dos seres criados. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Agosto de 1866. Perfectibilidade dos Espíritos. Allan Kardec.

- Evolução para o terceiro milênio. Introdução. Item 4 e 5. Carlos Toledo Rizzini.

- Sites: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=perfei%E7%E3o; http://www.dicionariodoaurelio.com/perfeccionismo. Data da consulta: 17/06/15