Aula 23 - Anjo da guarda, Espíritos protetores, familiares e simpáticos

Ciclo 1 - História: Chiquinho e o Espírito protetor Atividade: LE - L2 - Cap. 1 - 11 - Anjos e demônios.

Ciclo 2 - História: A grande ajuda -  Atividade: LE - L2 - Cap. 9 - 7- Pressentimentos.  

Ciclo 3 - História: O serviço da perfeição -  Atividade: LE - L2 - Cap. 9 - 6 - Anjo da guarda, Espíritos protetores, familiares ou simpáticos.

 

Dinâmicas: Anjo da guarda I; Anjo da guarda II.    

Mensagens Espíritas: Anjo e Espíritos protetores.

Vídeos: História Espírita : O serviço da perfeição (Dica: pesquise no Youtube).

- Música Espírita - Anjo guardião - Elizabete Lacerda (Dica: pesquise no Youtube).

Sugestão de livro infantil: Como é o seu Anjo da guarda? Danielle V. M. Carvalho. Editora Ide.

 

Leitura da Bíblia: Salmos - Capítulo 91


91.9   Porque tu, ó SENHOR, és o meu refúgio! O Altíssimo é a tua habitação.


91.10   Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.


91.11   Porque aos seus anjos dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus caminhos.


91.12   Eles te sustentarão nas suas mãos, para que não tropeces com o teu pé em pedra.


 

Tópicos a serem abordados:

- A palavra ''anjo'' costuma ser utilizada para todos os seres, bons e maus; diz se anjo de luz e  anjo das trevas. Entretanto, a palavra anjo deveria ser utilizada somente para nomear os Espíritos puros (Espíritos de 1º ordem). Os demais seres deveriam ser chamados  simplesmente de Espíritos bons ou maus.

- Os anjos não são criações especiais, diferentes da humanidade, eles foram criados simples e ignorantes e pelos seus próprios esforços alcançaram a perfeição, que um dia, também, iremos alcançar. 

- As entidades espirituais chamadas pelos nomes de “anjo da guarda”, “anjo guardião” ou “protetor espiritual” não tem relação com os anjos propriamente ditos. Os anjos da guarda são Espíritos de uma ordem elevada, mas ainda estão no caminho da evolução e não são Espíritos puros.

- Todos nós temos um Bom Espírito (anjo da guarda), ligado a nós desde o nascimento, que nos tomou sob a sua proteção. Frequentemente, o segue depois da morte na vida espiritual e mesmo em várias existências corporais.

- Seu nome pouco importa, pois que ele pode não ser nenhum nome conhecido na Terra. Devemos chamá-lo, então, como o nosso Anjo Guardião, o nosso Bom Gênio.

- O anjo da guarda tem como missão guiar seu protegido no bom caminho, ajudá-lo com seus conselhos, consolar suas aflições e sustentar sua coragem nas provas da vida.

- O protetor espiritual se afasta quando vê que seus conselhos estão sendo inúteis. Mas ele sempre retorna quando chamado. Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos, Deus jamais os abandona.

- O Espírito protetor fica feliz quando vê seu protegido vencer. Sofre quando vê seus erros. Ele faz tudo que pode para nos ajudar e não é punido quando fracassamos.

- Mesmo vivendo em outros mundos, a milhões de léguas de distância, os Espíritos protetores estão em ligação conosco. Pelo fluido universal é possível a transmissão do seu pensamento, assim como o ar é o veículo do som.  

-  Os Espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo; mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, utilizam-se das pessoas que estão ao nosso redor.

- Entretanto, o anjo guardião influencia o seu protegido de maneira oculta, de modo a não haver pressão, pois o Espírito deve progredir por impulso da sua própria vontade, ou seja pelo seu livre-arbítrio (suas escolhas) e nunca por qualquer sujeição.

-  Chegará um momento em que não precisaremos mais de um protetor, mas isso não ocorre sobre o planeta Terra.

- Além do Anjo da Guarda, existem Espíritos familiares e Espíritos simpáticos que  se afeiçoam e se interessam por nós. 

- Os Espíritos familiares são os que se ligam a certas pessoas por laços mais ou menos duráveis com o fim de lhes serem úteis, dentro dos limites do poder de que dispõem. Podem ser bons, porém muitas vezes são pouco adiantados e, por isso, se ocupam com as particularidades da vida íntima das pessoas, só atuando por ordem ou com permissão dos Espíritos protetores.

- Os Espíritos simpáticos são os que atraímos a nós por afeições particulares e uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto no bem como no mal. A duração de suas relações é quase sempre subordinada as circunstâncias.

 

Perguntas para fixação:

1. A palavra ''Anjo'' deve ser utilizada para nomear que tipo de Espíritos?

2. O Anjo da Guarda é um Espírito que já atingiu a perfeição?

3.  Qual é a missão do Anjo da Guarda?

4. Desde que momento da vida o Anjo da Guarda se liga a nós?

5.De que maneira o Espírito protetor nos aconselha?  

6. Quando o Anjo percebe que seus conselhos são inúteis ele se afasta de nós? Mas ele volta se for chamado?

7. O Anjo da Guarde se entristece quando fazemos algo de errado?

8. Mesmo vivendo em outros mundos, o anjo guardião pode nos ajudar?

9. Além do Anjo Guardião, existem outros Espíritos que  se afeiçoam e se interessam por nós?  Como eles são chamados?

10. Como é que podemos conversar com o nosso anjo da guarda?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            A palavra anjo desperta geralmente a ideia da perfeição moral; não obstante, é frequentemente aplicada a todos os seres, bons e maus, que não pertencem à Humanidade.

            Diz-se: o bom e o mau anjo; o anjo da luz e o anjo das trevas; e nesse caso ele é sinônimo de Espírito ou de gênio. Tomamo-lo aqui na sua boa significação. ( O Livro dos Espíritos. Questão 128. Allan Kardec).

            Os seres designados sob o nome de anjos ou de demônios não são criações especiais, distintas da Humanidade. Os anjos são Espíritos saídos da Humanidade e chegados à perfeição; os demônios são Espíritos ainda imperfeitos, mas que melhorarão. (Revista Espírita. Abril de 1869. Profissão de fé Espírita americana. Allan Kardec).

            Quer isto dizer que não existem anjos e diabos conforme ensinam as seitas religiosas?

            Perfeitamente: assim como não existem penas eternas e inferno. (Espiritismo para as crianças. O homem e a imortalidade. Cairbar Schutel). 

            (...) Os anjos não são seres de criação privilegiada, isentos, por um favor especial, do trabalho imposto aos outros, mas de Espíritos chegados à perfeição por seus esforços e por seus méritos.

            Para evitar qualquer equívoco, conviria reservar a qualificação de anjos para os Espíritos puros (1) e chamar os demais simplesmente de Espíritos bons ou maus. (Revista Espírita. Janeiro de 1862. Ensaio de Interpretação sobre a Doutrina dos Anjos Decaídos. Allan Kardec). 

            Os modernos representaram os anjos, os Espíritos puros numa figura radiosa, com asas brancas, símbolos da pureza, e Satanás com chifres, garras e os atributos da bestialidade, símbolos das baixas paixões. (O Livro dos Espíritos. Questão 131. Allan Kardec).

            As asas dos anjos, arcanjos e serafins, que são Espíritos puros, não passam, evidentemente, de um atributo imaginado pelos homens para descrever a rapidez com a qual se transportam, uma vez que a sua natureza etérea os dispensa de qualquer sustentáculo para percorrer os espaços. Contudo, podem aparecer aos homens com esse acessório e, assim, corresponderem ao pensamento destes, do mesmo modo que outros Espíritos tomam a aparência que tinham na Terra, para se fazerem mais bem

conhecidos. (Revista Espírita. Junho de 1861. Sra. Anais Gourdon. Allan Kardec). 

            Há Espíritos que se ligam a um indivíduo, em particular, para o proteger?

            Sim, o irmão espiritual; é o que chamais o bom Espírito ou o bom gênio (2).(O Livro dos Espíritos. Questão 489. Allan Kardec).

            Ninguém vale, na terra, senão pela expressão da misericórdia divina que o acompanha ... (O Consolador. Questão 390. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier). 

            Todos os homens são médiuns; todos têm um Espírito que os dirige para o bem, quando sabem escutá-lo. Pouco importa que alguns se comuniquem diretamente com ele por uma mediunidade particular, e que outros não o ouçam senão pela voz do coração e da inteligência; nem por isso deixará de ser o seu Espírito familiar que os aconselha.

            Ouvi, pois, essa voz interior, esse bom gênio que vos fala sem cessar, e chegareis progressivamente a ouvir o vosso anjo da guarda, que do alto do céu vos estende as mãos. (Revista Espírita. Janeiro de 1861. A voz do anjo da guarda. Allan Kardec).

            Que se deve entender por anjo da guarda?

            O Espírito protetor de uma ordem elevada. (O Livro dos Espíritos. Questão 490. Allan Kardec ).

            Qual a missão do Espírito protetor?

            A de um pai para com os filhos: conduzir o seu protegido pelo bom caminho, ajudá-lo com os seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições, sustentar sua coragem nas provas da vida. (O Livro dos Espíritos. Questão 491. Allan Kardec).

            Todos nós temos um Bom Espírito, ligado a nós desde o nascimento, que nos tomou sob a sua proteção (Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 492. Allan Kardec). Cumpre junto a nós a missão de um pai junto ao filho: a de nos conduzir no caminho do bem e do progresso, através das provas da vida. Ele se sente feliz quando correspondemos à solicitude, e sofre quando nos vê sucumbir. Seu nome pouco importa, pois que ele pode não ser nenhum nome conhecido na Terra. Invocamo-lo, então, como o nosso Anjo Guardião, o nosso Bom Gênio. (Vide: O Livro dos Espíritos. Questão 504. Allan Kardec).  Podemos mesmo invocá-lo com o nome de um Espírito Superior; pelo qual sintamos uma simpatia especial. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 28. Item 11. Allan Kardec). 

            A missão do Espírito protetor é voluntária ou obrigatória?

            O Espírito é obrigado a velar por vós porque aceitou essa tarefa, mas pode escolher os seres que lhes são simpáticos. Para uns, isso é um prazer; para outros, uma missão ou um dever. (O Livro dos Espíritos. Questão 493. Allan Kardec).

            O Espírito protetor abandona às vezes o protegido, quando este se mostra rebelde às suas advertências?

            Afasta-se, quando vê que os seus conselhos são inúteis e que é mais forte a vontade do protegido em submeter-se à influência dos Espíritos inferiores, mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É o homem quem lhe fecha os ouvidos. Ele volta, logo que chamado.

            Pensar que tendes sempre ao vosso lado seres que vos são

superiores, que estão sempre ali para vos aconselhar, vos sustentar, vos ajudar a escalar a montanha escarpada do bem, que são amigos mais firmes e mais devotados que as mais íntimas ligações que se possam contrair na Terra, não é essa uma ideia bastante consoladora?

            Esses seres ali estão por ordem de Deus, que os colocou ao vosso lado; ali estão por seu amor, e cumprem junto a vós todos uma bela mas penosa missão. Sim, onde quer que estiverdes, vosso anjo estará convosco: nos cárceres, nos hospitais, nos antros do vício, na solidão, nada vos separa desse amigo que não podeis ver, mas do qual vossa alma recebe os mais doces impulsos e ouve os mais sábios conselhos.

            Ah, por que não conheceis melhor esta verdade? Quantas vezes ela vos ajudaria nos momentos de crise; quantas vezes ela vos salvaria dos maus Espíritos! Mas, no dia decisivo, este anjo de bondade terá muitas vezes de vos dizer: "Não te avisei disso? E não o fizeste!

            Não te mostrei o abismo? E nele te precipitaste! Não fiz soar na tua consciência a voz da verdade, e não seguiste os conselhos da mentira?" Ah, interpelai vossos anjos da guarda, estabelecei entre vós e eles essa terna intimidade que reina entre os melhores amigos!

            Aos que pensassem ser impossível a Espíritos verdadeiramente elevados se restringirem a uma tarefa tão laboriosa, e de todos os instantes, diremos que influenciamos as vossas almas embora estando a milhões de léguas de distância: para nós, o espaço não existe, e mesmo vivendo em outro mundo, nossos Espíritos conservam sua ligação convosco.

            Não dispõem eles do fluido universal, que liga todos os mundos e os torna solidários, veículo imenso da transmissão do pensamento, como o ar é para nós o veículo da transmissão do som? (O Livro dos Espíritos. Questão 495. Allan Kardec).

            O pressentimento é sempre uma advertência do Espírito protetor?

            O pressentimento é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos deseja o bem. É também a intuição da escolha anterior: é a voz do instinto. O Espírito, antes de se encarnar, tem conhecimento das fases principais da sua existência, ou seja, do gênero de provas a que irá ligar-se. Quando estas têm um caráter marcante, ele conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo, e essa impressão, que é a voz do instinto, desperta quando chega o momento, tornando-se pressentimento. ( O Livro dos Espíritos. Questão 522. Allan Kardec).

            Os Espíritos protetores nos ajudam com os seus conselhos, através da voz da consciência, que fazem falar em nosso íntimo; mas como nem sempre lhes damos a necessária importância, oferecem-nos outros mais diretos, servindo-se das pessoas que nos cercam.( O Livro dos Espíritos. Questão 524. Allan Kardec).

            O Espírito protetor pode deixar o seu protegido à mercê de um Espírito que lhe quisesse mal?

            Existe a união dos maus Espíritos para neutralizar a ação dos bons, mas, se o protegido quisesse, daria toda força ao seu bom Espírito. Esse talvez encontre, em algum lugar, uma boa vontade a ser ajudada, e a aproveita, esperando o momento de voltar junto ao seu protegido. (O Livro dos Espíritos. Questão 497. Allan Kardec).

            Quando o Espírito protetor deixa o seu protegido se extraviar na vida, é por impotência para enfrentar os Espíritos maléficos?

             Não é por impotência, mas porque ele não o quer: seu protegido sai das provas mais perfeito e instruído, e ele o assiste com os seus conselhos, pelos bons pensamentos que lhe sugere, mas que infelizmente nem sempre são ouvidos. Não é senão a fraqueza, o desleixo ou o orgulho do homem que dão força aos maus Espíritos. Seu poder sobre vós só provém do fato de não lhes opordes resistência. (O Livro dos Espíritos. Questão 498. Allan Kardec).

            O Espírito protetor está constantemente com o protegido? Não existe alguma circunstância em que, sem o abandonar, o perca de vista?

            Há circunstâncias em que a presença do Espírito protetor não é necessária junto ao protegido. (O Livro dos Espíritos. Questão 499. Allan Kardec).

            Chega um momento em que o Espírito não tem mais necessidade do anjo da guarda?

             Sim, quando se torna capaz de guiar-se por si mesmo, como chega um momento em que o estudante não mais precisa de mestre. Mas isso não acontece na Terra. (O Livro dos Espíritos. Questão 500. Allan Kardec).

             Por que a ação dos Espíritos em nossa vida é oculta, e por que, quando eles nos protegem, não o fazem de maneira ostensiva?

             Se contásseis com o seu apoio, não agiríeis por vós mesmos e o vosso Espírito não progrediria. Para que ele possa adiantar-se, necessita de experiência, e em geral é preciso que a adquira à sua custa; é necessário que exercite as suas forças, sem o que seria como uma criança a quem não deixam andar sozinha. A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre regulada de maneira a vos deixar o livre arbítrio, porque se não tivésseis responsabilidade não vos adiantaríeis na senda que vos deve conduzir a Deus. Não vendo quem o ampare, o homem se entrega às suas próprias forças, não obstante, o seu guia vela por ele e de quando em quando o adverte do perigo. (O Livro dos Espíritos. Questão 501. Allan Kardec).

            Quaisquer que sejam a inferioridade e perversidade dos Espíritos,

Deus jamais os abandona. Contudo, essa interferência do guia faz-se quase sempre ocultamente e de modo a não haver pressão, pois que o Espírito deve progredir por impulso da própria vontade , nunca por qualquer sujeição. ( O Céu e o Inferno. 1º parte. As penas futuras segundo o Espiritismo. Item 20º. Allan Kardec).

            O Espírito protetor que consegue conduzir o seu protegido pelo bom caminho experimenta com isso algum bem para si mesmo?

             É um mérito que lhe é levado em conta, seja para o seu próprio andamento, seja para sua felicidade. Ele se sente feliz quando vê os seus cuidados coroados de sucesso; é para ele um triunfo, como um preceptor triunfa com os sucessos do seu discípulo. (O Livro dos Espíritos. Questão 502. Allan Kardec).

            O Espírito protetor que vê o seu protegido seguir um mau caminho, apesar dos seus avisos, não sofre com isso e não vê assim perturbada a sua felicidade?

            Sofre com os seus erros, e os lamenta, mas essa aflição nada tem das angústias da paternidade terrena, porque ele sabe que há remédio para o mal e que o que hoje não se fez, amanhã se fará. (O Livro dos Espíritos. Questão 503. Allan Kardec).

            Quando estivermos na vida espírita reconheceremos nosso Espírito protetor?

            Sim, pois frequentemente o conhecestes antes da vossa encarnação. (O Livro dos Espíritos. Questão 506. Allan Kardec).

            Os Espíritos protetores pertencem todos à classe dos Espíritos superiores? Podem ser encontrados entre os da classe média? Um pai, por exemplo, pode tornar-se Espírito protetor de seu filho?

             Pode, mas a proteção supõe um certo grau de elevação, e um poder e uma virtude a mais,concedidos por Deus. O pai que protege o filho pode ser assistido por um Espírito mais elevado. (O Livro dos Espíritos. Questão 507. Allan Kardec).

            Os Espíritos que deixaram a Terra em boas condições podem sempre proteger os que amaram e lhe sobreviveram?

            Seu poder é mais ou menos restrito; a posição em que se encontram nem sempre lhes permite inteira liberdade de ação. (O Livro dos Espíritos. Questão 508 Allan Kardec).

            Os homens no estado selvagem ou de inferioridade moral têm igualmente seus Espíritos protetores, e nesse caso esses Espíritos são de uma ordem tão elevada como os dos homens adiantados?

            Cada homem tem um Espírito que vela por ele, mas as missões são relativas ao seu objeto. Não dareis a uma criança que aprende a ler um professor de Filosofia. O progresso do Espírito familiar segue o do Espírito protegido. Tendo um Espírito superior que vela por vós, podeis também vos tornar o protetor de um Espírito que vos seja inferior, e o progresso que o ajudardes a fazer contribuirá para o vosso adiantamento. Deus não pede ao Espírito mais do que aquilo que comporte a sua natureza e o grau a que tenha atingido. (O Livro dos Espíritos. Questão 509 Allan Kardec).

            Podemos ter muitos Espíritos protetores?

             Cada homem tem sempre Espíritos simpáticos, mais ou menos elevados, que lhe dedicam afeição e se interessam por ele, como há também os que o assistem no mal. (O Livro dos Espíritos. Questão 512. Allan Kardec).

            Os Espíritos familiares são a mesma coisa que os Espíritos simpáticos ou os Espíritos protetores?

            Há muitas gradações na proteção e na simpatia. Dai-lhes os nomes que quiserdes. O Espírito familiar é antes de tudo o amigo da casa.

            O Espírito protetor, anjo da guarda ou bom gênio é aquele que tem por missão seguir o homem na vida e o ajudar a progredir. É sempre de uma natureza superior à do protegido.

            Os Espíritos familiares se ligam a certas pessoas por meio de laços mais ou menos duráveis, com o fim de ajudá-las na medida do seu poder, frequentemente bastante limitado.

            São bons, mas às vezes pouco adiantados e mesmo levianos; ocupam-se voluntariamente de pormenores da vida íntima e só agem por ordem ou com a permissão dos Espíritos protetores.

            Os Espíritos simpáticos são os que atraímos a nós por afeições particulares e uma certa semelhança de gostos e de sentimentos, tanto no bem como no mal. A duração de suas relações é quase sempre subordinada as circunstâncias. (O Livro dos Espíritos. Questão 514. Allan Kardec).

     O espírito maternal é uma espécie de anjo ou mensageiro, embora muita vez circunscrito ao cárcere de férreo egoísmo, na custó­dia dos filhos. Além das mães, cujo amor padece muitas deficiências, quando confrontado com os princípios essenciais da fraternidade e da justiça, temos afetos e simpatias dos mais envolventes, capazes dos mais altos sacrifícios por nós, não obstante condicionados a objetivos por vezes egoís­ticos.(...) Todas as criaturas, individualmente, contam com louváveis devotamentos de entidades afins que se lhes afeiçoam. A orfandade real não existe. (Entre a Terra e o céu. Cap. 33. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            As aglomerações de indivíduos, como as sociedades, as cidades, as nações, têm os seus Espíritos protetores especiais?

            Sim, porque essas reuniões são de individualidades coletivas que marcham para um objetivo comum e têm necessidade de uma direção superior. (O Livro dos Espíritos. Questão 519. Allan Kardec).

             No livro ''Os mensageiros'', o Espírito André Luiz relata uma situação em que mostra o auxilio dos Espíritos sobre um homem:

            Observei, então, um quadro interessante: um homem jazia por terra, numa poça de sangue, ao lado de pequeno veículo sustentado por um muar impaciente, dando mostras de grande inquietação. Dois companheiros encarnados prestavam socorro ao ferido, apressadamente. “É preciso conduzi-lo à fazenda sem perda de tempo”, dizia um deles, aflito, “temo haja fraturado o crânio.” O número de desencarnados que auxiliava o pequeno grupo, todavia, era muito grande.

Um amigo espiritual que me pareceu o chefe, naquela aglomeração, recebeu Aniceto e a nós com deferência e simpatia, explicou rapidamente a ocor­rência. O carroceiro havia recebido a patada de um burro e era necessário socorrer o ferido.

Serenada a situação, vi o referido superior hierárquico chamar um guarda do caminho, inter­pelando:

— Glicério, como permitiu semelhante acon­tecimento? Este trecho da estrada está sob sua responsabilidade direta.

O  subordinado, respeitoso, considerou sensa­tamente:

— Fiz o possível por salvar este homem, que, aliás, é um pobre pai de família. Meus esforços foram improfícuos, pela imprudência dele. Há mui­to procuro cercá-lo de cuidados, sempre que passa por aqui; entretanto, o infeliz não tem o mínimo respeito pelos dons naturais de Deus. É de uma grosseria inominável para com os animais que o auxiliam a ganhar o pão. Não sabe senão gritar, encolerizar-se, surrar e ferir. Tem a mente fe­chada às sugestões do agradecimento. Não estima senão a praga e o chicote. Hoje, tanto perturbou o pobre muar que o ajuda, tanto o castigou, que pareceu mais animalizado... Quando se tornou quase irracional, pelo excesso de fúria e ingratidão, meu auxílio espiritual se tornou ineficiente. Ator­mentado pelas descargas de cólera do condutor, o burro humilde o atacou com a pata. Que fazer? Minha obrigação foi cumprida...

O  Superior, que ouvia atenciosamente as alega­ções, respondeu sem hesitar:

— Tem razão.

E como dirigisse o olhar a Aniceto, desejando aprovação, nosso orientador afirmou:

            — Auxiliemos o homem, quanto esteja em nos­sas mãos, cumpramos nosso dever com o bem, mas não desprezemos as lições. Esse trabalhador imprudente foi punido por si mesmo. (Os Mensageiros. Cap. 41. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

   

Observação (1): Primeira ordem ( Espíritos Puros) - Percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. São os mensageiros e os ministros de Deus, cujas ordens executam, para a manutenção da harmonia universal. Dirigem a todos os Espíritos que lhes são inferiores, ajudam-nos a se aperfeiçoarem e determinam as suas missões. São às vezes designados pelos nomes de anjos, arcanjos ou serafins. ( O Livro dos Espíritos. Item 113. Allan Kardec).

 

Observação (2): Segunda ordem  (Bons Espíritos) -  Como Espíritos, suscitam bons pensamentos, desviam os homens do caminho do mal, protegem durante a vida aqueles que se tornam dignos e neutralizam a influência dos Espíritos imperfeitos sobre os que não se comprazem nela. A esta ordem pertencem os Espíritos designados nas crenças vulgares pelos nomes de bons gênios, gênios protetores, Espíritos do bem. Nos tempos de superstição e de ignorância, foram considerados divindades benfazejas.(O Livro dos Espíritos. Item 107. Allan Kardec).

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Itens 107 e 113. Questão 128, 131, 491, 492, 493, 495, 497, 498, 499,  504, 522, 524, 500, 501, 502, 503, 506, 507, 508, 509, 512, 514 e 519. Allan Kardec.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 28. Item 11. Allan Kardec.

- O Céu e o Inferno. 1º parte. As penas futuras segundo o Espiritismo. Item 20º. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Junho de 1861. Sra. Anais Gourdon. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Janeiro de 1862. Ensaio de Interpretação sobre a Doutrina dos Anjos Decaídos. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Abril de 1869. Profissão de fé Espírita americana. Allan Kardec.

- Espiritismo para as crianças. O homem e a imortalidade. Cairbar Schutel.

- O Consolador. Questão 390. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Os Mensageiros. Cap. 41. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Entre a Terra e o céu. Cap. 33. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.