Aula 125 - A inveja e o ciúme: Caim e Abel

Ciclo 1 - História: A inveja do Pequeno Ramo - Atividade: PH - Davi - 2. A inveja.

Ciclo 2 - História: O pequeno órfão - Atividade: PH - Caim e Abel - 1. Caim e Abel.

Ciclo 3 - História: O servo infeliz - Atividade: PH - Tiago - 1. O veneno da inveja.

 

Dinâmicas:  Sai, Olho Gordo!; Inveja X Ciúme. 

Mensagens espíritas: Inveja; Ciúme.

Sugestão de vídeo: - História: Inveja - Histórias tia Cecéu (Dica: pesquise no Youtube).

 

Leitura da Bíblia: Gênesis - Capítulo 4


4.1 Adão conheceu Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz Caim, e disse: gerei um homem com a ajuda do Senhor”.


4.2 E deu em seguida à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim, lavrador.


4.3 Passado algum tempo, ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor.


4.4 Abel, de seu lado, ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele; e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação,


4.5 mas não olhou para Caim, nem para os seus dons. Caim ficou extremamente irritado com isso, e o seu semblante tornou-se abatido. "


 4.6 O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante?


4.7 Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se procederes mal, o pecado estará à tua porta, espreiteando-te; mas, tu deverás dominá-lo”.


4.8 Caim disse então a Abel, seu irmão: “Vamos ao campo”. Logo que chegaram ao campo, Caim atirou-se sobre seu irmão e o matou.


4.9 O Senhor disse a Caim: “Onde está teu irmão Abel?”. Caim respondeu: “Não sei! Sou porventura eu o guarda de meu irmão?”.


4.10 O Senhor disse-lhe: “Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra.


4.11 De ora em diante, serás maldito e expulso da terra, que abriu sua boca para beber de tua mão o sangue do teu irmão.


4.12 Quando a cultivares, ela te negará os seus frutos. E tu serás peregrino e errante sobre a terra”.


4.13 Caim disse ao Senhor: “Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar.


4.14 Eis que me expulsais agora deste lugar, e eu devo ocultar-me longe de vossa face, tornando-me um peregrino errante sobre a terra. O primeiro que me encontrar, vai matar-me”.


4.15 E o Senhor respondeu-lhe: “Não! Mas aquele que matar Caim será punido sete vezes”. Então, o Senhor pôs em Caim um sinal para que, se alguém o encontrasse, não o matasse.


4.16 Caim retirou-se da presença do Senhor, e foi habitar na região de Nod, ao oriente do Éden.


4.17 Caim conheceu sua mulher. Ela concebeu e deu à luz Henoc. E construiu uma cidade, à qual pôs o nome de seu filho Henoc."


 

Tiago - Capítulo 4


4.1 Donde vêm as guerras e contendas entre vós? Porventura não vêm disto, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?


4.2 Cobiçais e nada tendes; logo matais. Invejais, e não podeis alcançar; logo combateis e fazeis guerras. Nada tendes, porque não pedis.


 

Salmos - Capítulo 37


37.1 Não se aborreça por causa dos homens maus e não tenha inveja dos perversos;


37.2 pois como o capim logo secarão, como a relva verde logo murcharão.


 

Tópicos a serem abordados:

- Em termos de relacionamento, muitas vezes as palavras inveja e ciúme são confundidas e utilizadas como sinônimas, mas na realidade, estes sentimentos possuem significados diferentes. Enquanto o ciúme  é, no fundo, o medo de perder, para outro, o afeto da pessoa querida;  a inveja é querer que determinada pessoa perca aquilo que tem, porque considera que ela não merece ter algo a mais do que você (1).

- Infelizmente, a inveja e o ciume entre irmãos é  algo que acontece  com certa frequência .  Em muitas ocasiões, o ciúme surge com a chegada de um irmão recém-nascido, que passa a obter, no ambiente familiar, toda a atenção e carinho. E a inveja vem à tona nas comparações de toda espécie, feitas pelos amigos e parentes, sobre a aparência física ou  habilidade diferente de cada um . Muitas vezes, a inveja e o ciúme manifestam-se em razão da forma de tratamento e relacionamento entre os familiares.  Podemos observar isto na história de Caim e Abel , relatada em Gênesis, primeiro  livro da Bíblia.

- Após serem expulsos do Jardim do Éden  (um mundo feliz de  Capela), por um ato de desobediência,  Adão e Eva tiveram seus dois primeiros filhos: Caim e Abel.  Abel  dedicava-se a cuidar de ovelhas e Caim era agricultor. Ambos  ofereciam ao Senhor as produções  de seus trabalhos; Caim,  oferecia os frutos da terra e Abel, as ovelhinhas do seu rebanho. As ofertas de Abel agradavam a Deus, porém o mesmo não ocorria com seu irmão. Então, certo dia, possuído pela inveja, Caim matou Abel.

- Esta é uma história simbólica, no qual Caim representa o egoísmo de uma raça rebelde e indisciplinada , e Abel  a vítima inocente deste conflito causado pela inveja. A inveja nasce quase sempre por nos compararmos constantemente com os outros. Nessa comparação,   esquecemos de que cada indivíduo foi criado em épocas diferentes pelas mãos do Criador (ou seja, uns podem ter 10.000 anos de idade espiritual, enquanto outros apenas 5.000 ) e  que possuimos características próprias  adquiridas em inúmeras reencarnações, conforme  as diversas experiências que tivemos. Além disso,  cada um nasce numa condição social diferente (uns são ricos e outros pobres) com uma tarefa específica a cumprir na Terra que não pode ser medida nem comparada com outras em razão do processo da evolução de cada um.

- A inveja é o extremo oposto da admiração. O invejoso não aceita as conquistas alheias. A inveja nos faz censurar e apontar as supostas falhas das pessoas, distraindo-nos a mente do necessário desenvolvimento de nossas potencialidades interiores. Em vez de nos esforçarmos para crescer e progredir,  denegrimos  os outros ( isto é, diminuimos o seu valor) para compensar nossa preguiça e má vontade. Ao invés de aproveitarmos a oportunidade de aprender com o nosso irmão o que ainda não conseguimos realizar e agradecer pelo que temos, os que se sentem incapazes de chegar à altura em que aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia.  O depreciador pensa assim: “Se eu não posso subir, tento rebaixar os outros; assim, compenso meu complexo de inferioridade”. 

- A inveja e o ciúme nascem da auto-rejeição que fazemos conosco, justamente por não acreditarmos em nossos potenciais evolutivos. O que deveriamos fazer é admirar-nos como somos,  respeitar nossas diferenças e reconhecer nossos valores. Todos somos capazes de melhorar as nossas habilidades, através do estudo, da observação e da prática. Aliás, todos somos importantes para Deus .  Entretanto, se quisermos agradá-Lo, devemos fazer esforços para conter nossas más tendências e praticar a caridade.  O Espiritismo (e todas as religiões) aponta a inveja como sentimento  contrário ao amor, esclarecendo-nos ser preciso bani-la de nossos corações, para que possamos ser  admitidos no Reino de Deus e sermos felizes.

 Comentário (1): site: https://ciumes.com/artigos/ciume-vs-inveja. Data da consulta 14-03-20

 

Perguntas para fixação:

1. Qual é o significado da palavra ciúme?

2. Qual é o significado da palavra inveja?

3. Em quais situações costuma surgir a inveja?

4. Por que Caim matou Abel?

5. Por que não devemos fazer comparação uns dos outros?

6. Por que cada pessoa possui características próprias e habilidades diferentes?

7.  Por que  o invejoso costuma apontar os defeitos dos outros e rebaixá-los?

8. O que devemos fazer para melhorar nossas habilidades?

9. O que devemos pensar para combater o sentimento de inveja em nossos corações?

10. O que devemos fazer para agradar a Deus?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            É crime aos olhos de Deus o assassínio?

            “Grande crime, pois que aquele que tira a vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão. Aí é que está o mal.” (O Livro dos Espíritos. Questão 751. Allan Kardec )

            Moisés, o sábio legislador hebreu, em “Gênesis”, livro que inicia a Bíblia, traz-nos a chocante imagem do primeiro homicídio, em que Caim mata seu irmão Abel, sucumbindo sob o peso da inveja. (Artigo: Caim, que fizeste ao teu irmão? Junho de 2008. Site: https://www.mundoespirita.com.br/?materia=caim-que-fizeste-ao-teu-irmao)

            Ambos haviam  oferecido ao Senhor as primícias de seus trabalhos; Caim, os frutos da terra, Abel, os gordos rebentos do seu rebanho. O que mostra que já viviam na era das civilizações agrárias. Mas o Senhor não gostou da oferta vegetal, preferindo a de carne. Como todos os deuses antigos, o Deus Único da Bíblia também gostava mais de carnes que de frutas.

            A alegoria é evidente: Caim representa o egoísmo humano de uma raça em desenvolvimento, Abel é a vítima inocente desse egoísmo feroz; Deus pune Caim, mas não o aniquila, por que ele precisa continuar progredindo; e o Deus em causa não é o verdadeiro Deus, mas um guia espiritual, que representa o Senhor perante a ingenuidade desse povo nascente. É inacreditável que ainda hoje nos queira impingir essas alegorias em seu sentido literal!(Visão Espírita da Bíblia. Item 24. J. Herculano Pires)

            Caim, depois do assassínio de Abel, responde ao Senhor: A minha iniqüidade é extremamente grande, para que me possa ser perdoada. - Vós me expulsais hoje de cima da Terra e eu me irei ocultar da vossa face. Irei fugitivo e vagabundo pela Terra e qualquer um então que me encontre matar-me-á. - O Senhor lhe respondeu: "Não, isto não se dará, porquanto severamente punido será quem matar Caim." E o Senhor pôs um sinal sobre Caim, a fim de que não o matassem os que viessem a encontrá-lo. 

            Tendo-se retirado de diante do Senhor, Caim ficou vagabundo pela Terra e habitou a região oriental do Éden. - Havendo conhecido sua mulher, ela concebeu e pariu Henoch. Ele construiu (vaïehi bôné; literalmente: estava construindo) uma cidade a que chamou Henoch (Enoquia) do nome de seu filho (Gênese, cap. IV, vv. 13 a 16) .( A Gênese. Cap. 12. Item 24. Allan Kardec )

            Dar e tirar a vida são prerrogativas divinas (Dt 32:39). Ele, todavia, concedeu ao homem responsabilidade corporativa de executar a pena capital em caso do assassinato (Gn 9:6).

            Seguindo essa estreita linha de raciocínio, poderemos até justificar a pena de morte. Mas o que vemos não é justamente o contrário, ou seja, o ser humano abolindo tal prática bárbara? É que compreendeu, finalmente, que o mais importante é a reabilitação do criminoso. Não podemos pegar as coisas, literalmente, pois entraríamos em contradição com outras passagens bíblicas.

            Perguntamos; se fosse realmente para matar os assassinos, por que Deus não providenciou a morte de Caim? Não sabemos que Ele fez foi justamente o contrário? Vejamos em Gn 4,15: “O SENHOR, porém, lhe disse: Assim qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o SENHOR um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse”. Não bastasse isto, também temos em Ex 20,13: “Não matarás”. Como sabemos que Deus não é incoerente, devemos buscar outro sentido para o texto. O significado do primeiro texto está bem próximo da lei de ação e reação, expressa também, no “olho por olho, dente por dente”, ou seja, cabendo somente as justas Leis Divinas cuidarem para que nós soframos as conseqüências de nossos próprios erros, pois somente Deus saberá, com justiça, qual o tempo e a hora certa para pagarmos por eles. (A Bíblia a moda da casa. Parte 2: A Bíblia protestante . Paulo Neto)

            As leis da Justiça Divina estão escritas na consciência humana. Caim matou Abel por inveja e a sua própria consciência o acusou do crime. Ele não teve a coragem heróica de pedir a reparação equivalente, mas Deus o marcou e puniu. Faltava-lhe crescer em amor para punir-se a si mesmo. O símbolo bíblico nos revela a mecânica da autopunição cumprindo-se compulsoriamente. Mas, nas almas evoluídas, a compulsão é substituída pela compaixão. ( Chico Xavier pede licença. As leis da consciência. Espírito Irmão Saulo.  Chico Xavier e J. Herculano Pires )

            (...) Caim  e Abel —os dois primeiros filhos (de Adão e Eva) — são unicamente símbolos das tendências do caráter dessas legiões de emigrados, formadas, em parte, por espíritos rebeldes, violentos e orgulhosos e, em parte, por outros — ainda que criminosos — porém já  mais pacificados, conformados e submissos à vontade do Senhor. (Os exilados de Capela. Cap.10. Edgar Arnond)

            Adão e Eva constituem uma lembrança dos Espíritos degredados na paisagem obscura da Terra, como Caim e Abel são dois símbolos para a personalidade das criaturas. ( A Caminho da luz.  Cap. 2. Os antepassados dos homens. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            Se remontarmos, agora, à origem da raça atual, simbolizada na pessoa de Adão, encontraremos todos os caracteres de uma geração de Espíritos expulsos de um outro mundo e exilados, por razões semelhantes, na Terra, já povoada por homens primitivos, mergulhados na ignorância e na barbárie, e que tais exilados tinham por missão fazê-los progredir, trazendo para o seu meio as luzes de uma inteligência já desenvolvida.  (Revista Espírita. Janeiro de 1862. Ensaio de Interpretação sobre a Doutrina dos Anjos Decaídos. Allan Kardec.)
            Conquanto nós espíritas saibamos tratar-se de uma alegoria, não podemos deixar de reconhecer o valioso conteúdo educativo de que se reveste a passagem citada no Capítulo 4 do “Livro Sagrado”. (Artigo: Caim, que fizeste ao teu irmão? Junho de 2008. Site: https://www.mundoespirita.com.br/?materia=caim-que-fizeste-ao-teu-irmao)

            A inveja sempre foi uma emoção sutilmente disfarçada em nossa sociedade, assumindo aspectos ignorados pela própria criatura humana. As atitudes de rivalidade, antagonismo e hostilidade dissimulam muito bem a inveja, ou seja, a própria “prepotência da competição”, que tem  como origem todo um séquito de antigas frustrações e fracassos não resolvidos e interiorizados.

            O invejoso é inseguro e supersensível, irritadiço e desconfiado, observador minucioso e detetive da vida alheia até a exaustão, sempre armado e alerta contra tudo e todos. Faz o gênero de superior, quando, em realidade, se sente inferiorizado; por isso, quase sempre deixa transparecer um  ar de sarcasmo e ironia em seu olhar, para ocultar dos outros seu precário contato com a felicidade.

            Acreditamos que, apesar de a inveja e o ciúme possuírem definições diferentes, quase sempre não são diferenciados ou corretamente percebidos por nós. As convenções religiosas nos ensinaram que jamais deveríamos sentir inveja, pelo fato de ela se encontrar ligada à ganância e à cobiça dos bens alheios. Em relação ao ciúme, os padrões estabeleceram que ele estaria, exclusivamente, ligado ao amor. É por isso que passamos a acreditar que ele é aceitável e perfeitamente admissível em nossas atitudes pessoais.

            Analisando as origens atávicas e inatas da evolução humana, podemos afirmar que a emoção da inveja não é uma necessidade aprendida. Não foi adquirida por experiência nem por força da socialização, mas é uma reação instintiva e natural, comum a qualquer criatura do reino animal. O agrado e carinho a um cão pode provocar agressividade e irritação em outro, por despeito.

            Nos adultos essas manifestações podem ser disfarçadas e transformadas em atos simulados de menosprezo ou de indiferença. Já as crianças, por serem ingênuas e naturais, mordem, batem, empurram, choram e agridem.

            A inveja entre irmãos é perfeitamente normal. Em muitas ocasiões, ela surge com a chegada de um irmão recém-nascido, que passa a obter, no ambiente familiar, toda a atenção e carinho. Ela vem à tona também nas comparações de toda espécie, feitas pelos amigos e parentes, sobre a aparência física privilegiada de um deles. Muitas vezes, a inveja manifesta-se em razão da forma de tratamento e relacionamento entre pais e filhos. Por mais que os pais se esforcem para tratá-los com igualdade, não o conseguem, pois cada criança é uma alma completamente diferente da outra. Em  vista disso, o modo de tratar é conseqüentemente desigual, nem poderia ser de outra maneira, mas os filhos se sentem indignados com isso.

            A emoção da inveja no adulto é produto das atitudes internas de indivíduos de idade psicológica bem inferior à idade cronológica, os quais, embora ocupem corpos desenvolvidos, são verdadeiras almas de crianças mimadas, impotentes e inseguras, que querem chamar a atenção dos maiores no lar.

            O Mestre de Lyon interroga as Vozes do Céu: “Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?” E elas, com muita sabedoria, informam: “...Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade (...) São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja...” ( Vide: LE. Questão 811 e 811-a. A. K.)

            A necessidade de poder e de prestígio desmedidos que encontramos em inúmeros homens públicos nas áreas religiosa, política, profissional, esportiva, filantrópica, de lazer e outras tantas, deriva de uma “aspiração de dominar” ou de um “sentimento de onipotência”, com o que tentam  contrabalançar emocionalmente o complexo de inferioridade que desenvolveram na fase infantil.

            Encontramos esses indivíduos, aos quais os Espíritos se reportam na questão acima, nas lutas partidárias, em que, só aparentemente, buscam a igualdade dos “direitos humanos”, prometem  a “valorização da educação”, asseguram a melhoria da “saúde da população” e a “divisão de terras e rendas”. Sem ideais alicerçados na busca sincera de uma sociedade equânime e feliz, procuram, na realidade, compensar suas emoções de inveja mal elaboradas e guardadas desde a infância, difícil e carente, vivida no mesmo ambiente de indivíduos ricos e prósperos.

            Tanto é verdade que a maioria desses “defensores do povo”, quando alcança os cumes sociais e do poder, esquece-se completamente das suas propostas de justiça e igualdade.

            Eis alguns sintomas interiorizados de inveja que podemos considerar como dissimulados e negados:

            — perseguições gratuitas e acusações sem lógica ou fantasiadas;

            — inclinações superlativas à elegância e ao refinamento, com aversão à grosseria;

            — insatisfação permanente, nunca se contentando com nada;

            — manifestação de temperamento teatral e pedantismo nas atitudes;

            — elogios afetados e amores declarados exageradamente;

            — animação competitiva que leva às raias da agressividade.

            O caráter invejoso conduz o indivíduo a uma imitação perpétua à originalidade e criação dos outros e, como conseqüência lógica, à frustração. Isso acarreta uma sensação crônica de insatisfação, escassez, imperfeição e perda, além de estimular sempre uma crescente dor moral e prejudicar o crescimento espiritual das almas em evolução.

            Se tivemos o hábito de investigar nossos comportamentos autodestrutivos e fizemos uma análise desses antecedentes históricos em nossa vida, poderemos, cada vez mais, compreender o porquê de permanecemos presos em certas áreas prejudiciais à nossa alegria de viver.

            Esses comportamentos infelizes a que nos referimos não são apenas as atitudes evidentemente desastrosas, mas os diminutos atos cotidianos que podem passar como aceitáveis e completamente admissíveis. Entretanto, tais atos são os grandes perturbadores de nossa paz interior.

            Muitos indivíduos não se preocupam em estudar as raízes de seus comportamentos rotineiros, porque acreditam que, para assumir a responsabilidade da renovação íntima, precisariam despender um enorme sacrifício. Sendo assim, preferem permanecer apegados aos antigos costumes, utilizando-se dos preconceitos e de crenças distorcidas, sem se darem conta de que estes são as matrizes de seus pontos vulneráveis.

            Para afastar todo e qualquer anseio de transformação interior, utilizam-se de um processo psicológico denominado “racionalização” — artifício criado para desviar a atenção dos “verdadeiros motivos” das atitudes e ações — para se verem livres das “crises de consciência”, procurando assim justificar os fatos inadequados de suas vidas.

            Somente alteraremos nossos atos e atitudes doentios quando tomarmos plena consciência de que são eles as raízes de nossas perturbações emocionais e dos inúteis desgastes energéticos. É examinando nosso dia-a-dia à luz das escolhas que fizemos ou que deixamos de fazer é que veremos com clareza que somos, na atualidade, a “soma integral” de nossas opções diante da vida.

            Os indivíduos que possuem o hábito da critica destrutiva estão, em verdade, dissimulando outras emoções, talvez a inveja ou mesmo o despeito.                 Existem posturas efetuadas tão costumeiramente e que se tomam tão imperceptíveis que poderíamos denominá-las “atitudes crônicas”.

            A inveja é definida como sendo o desejo de possuir e de ser o que os outros são, podendo tomar-se uma atitude crônica na vida de uma criatura. É uma forma de cobiça, um desgosto em face da constatação da felicidade e superioridade de outrem.

            Observar a criatura sendo, tendo, criando e realizando provoca uma espécie de dor no invejoso, por ele não ser, não ter, não criar e não realizar. A inveja leva, por conseqüência, à maledicência, que tem por base ressaltar os equívocos e difamar; assim é a estratégia do depreciador: “Se eu não posso subir, tento rebaixar os outros; assim, compenso meu complexo de inferioridade”.

            A inveja nasce quase sempre por nos compararmos constantemente com os outros. Nessa comparação, o homem desconhece o fato de sua singularidade, possuidor de expressões íntimas completamente diferente das dos outros seres. É verdade, porém, que possuímos algumas semelhanças e características comuns com outros homens, mas, em essência, somos almas criadas em diferentes épocas pelas mãos do Criador e, por isso, passamos por experiências distintas e trazemos na própria intimidade missões peculiares.

            Anormalidade, normalidade, sobrenaturalidade e paranormalidade são de fato catalogações da incompreensão humana alicerçadas sobre as chamadas comparações.

            A ausência do amadurecimento espiritual faz com que rotulemos, de forma humilhante e pretensiosa, os credos religiosos, a heterogeneidade das raças, os costumes de determinados povos, as tendências sexuais diferentes, os movimentos sociais inovadores, as decisões, o comportamento, o sucesso dos outros e muitas coisas ainda. Tudo isso ocorre porque não conseguimos digerir com ponderação a grandeza do processo evolutivo agindo de forma diversificada sob as leis da Natureza.

            O autêntico impulso natural quer que sejamos simplesmente nós mesmos. Não faz parte dos impulsos inatos da alma humana a pretensão de nos considerarmos melhor que as outras pessoas. O que devemos fazer é admirar-nos como somos, é respeitar nossas diferenças e reconhecer nossos valores.

            O extraordinário educador Rivail questiona os Mensageiros do Amor: “Os Espíritos inferiores compreendem a felicidade do justo?”. E eles respondem com notável orientação: “... isso lhes é um suplício, porque compreendem que estão dela privados por sua culpa...” ( Vide: LE. Questão  975. A. K.)

            A inveja é o extremo oposto da admiração. É uma ferramenta cômoda que usamos sempre que não queremos assumir a responsabilidade por nossa vida. Ela nos faz censurar e apontar as supostas falhas das pessoas, distraindo-nos a mente do necessário desenvolvimento de nossas potencialidades interiores. Em vez de nos esforçarmos para crescer e progredir, denegrimos os outros para compensar nossa indolência e ociosidade.

            Não há nada a nos censurar por apreciarmos os feitos das pessoas e/ou por a eles aspirarmos; o único problema é que não podemos nos comparar e querer tomar como modelo o padrão vivencial do outro.

            A inveja e a censura nascem da auto-rejeição que fazemos conosco, justamente por não acreditarmos em nossos potenciais evolutivos e por procurarmos fora de nós as explicações de como deveremos sentir, pensar, falar, fazer e agir, ora dando uma importância desmedida aos outros, ora tentando convencê-los a todo custo de nossas verdades. (As dores da alma. Inveja. Espírito Hammed.  Francisco do Espírito Santo Neto )

            Segundo o Espírito Ermance Dufaux , "Quem quer que se eleve acima do nível comum está sempre em luta com o ciúme e a inveja. Os que se sentem incapazes de chegar à altura em que aquele se encontra esforçam-se para rebaixá-lo, por meio da difamação, da maledicência e da calúnia; tanto mais forte gritam, quanto menores se acham, crendo que se engrandecem e o eclipsam pelo arruído que promovem. Tal foi e será a História da Humanidade, enquanto os homens não houverem compreendido a sua natureza espiritual e alargado seu horizonte moral. "(Mereça ser feliz. Cap. 10. Espírito Ermance Dufaux. Wanderley S. Oliveira)

            Segundo Rodolfo Calligaris,  "A inveja é definida nos léxicos como “desgosto, mortificação, pesar causado pela vista da alegria, propriedade ou êxito de outrem, acompanhado do desejo violento de possuir os mesmos bens.”

            Dela se originam as rivalidades, as maledicências, os juízos temerários e quejandos, de tão más consequências.

            Eis alguns exemplos da malignidade da inveja:

            Duas moças, colegas de estudo, dão-se às mil maravilhas. Uma delas começa a ser cortejada por um rapaz, corresponde-lhe e se tornam noivos. É quanto basta para que a outra, por não ter tido a mesma ventura da “amiga”, passe a detestá-la, mal suportando sua presença.

            Determinado cidadão vai levando boa vida em  paz, satisfeito, preocupação nenhuma. Um  belo dia, entretanto, assiste à entrega de soberba geladeira na casa do vizinho. A partir desse momento, perde o sossego, considerando-se um  desgraçado, só porque suas posses não lhe permitem adquirir também um  refrigerador, sem o qual sempre passou muito bem.

            Fulano e Beltrano trabalham na mesma empresa, onde desempenham idênticas funções. Fulano é pontual, tem iniciativa, absorve-se no serviço, põe nele toda a alma, esforçando-se constantemente para aperfeiçoar sua qualificação profissional; além disso é educado, cooperador e alegre, qualidades essas que o credenciam a sucessivas promoções. Beltrano é o reverso da medalha e por isso fica para trás, mas, ao invés de reconhecer a superioridade de Fulano e imitá-lo, procura criar-lhe embaraços, incompatibilizá-lo com os demais companheiros, etc, fazendo-se, enfim, desafeto gratuito dele.

            Por essas coisas é que se diz, com muita graça, que o invejoso emagrece com  a engorda dos outros.

            Espíritos assaz imperfeitos que somos, acontece-nos, às vezes, vertermos algumas lágrimas sentidas, compartilhando da dor ou da tristeza de outrem; mui raramente, porém, seremos capazes de regozijar-nos, sinceramente, com a prosperidade alheia. O mais comum é sermos tomados de inveja e, subestimando ou deturpando o merecimento do próximo, atribuirmos, em comentários venenosos, a melhoria deste a uma proteção vergonhosa, o enriquecimento daquele ao uso de processos escusos, a glória daquele outro a razões menos dignas.

            Nem mesmo aqueles que tiveram íntima ligação com Jesus, privando de seu salutar convívio, estavam imunes dessa peçonha.

            Haja vista o procedimento de João com certo homem que vinha obtendo êxito na expulsão de demônios: proibiu-o de continuar a fazê-lo, simplesmente porque não fazia parte do grupo que seguia o Mestre (Luc., 9:49).

            Lendo-se os apontamentos de Marcos, percebe-se que cada um dos apóstolos pretendia ser “o maior”, dando assim ensejo a que a inveja, vez por outra, tornasse tensas as relações entre eles. Tiago e João, um dia, chegaram a postular a Jesus que, quando estabelecesse seu reino de glória, reservasse ao primeiro assento à sua direita, e ao segundo, à sua esquerda, petição essa que provocou a indignação dos outros dez (9:33; 10:36-38).

            O Espiritismo (e todas as religiões) aponta a inveja como sentimento antagônico do amor, esclarecendo-nos ser preciso bani-la de nossos corações, sem o que não conseguiremos ser felizes.

            E o Evangelho, na Parábola do Filho Pródigo, nos oferece magnífica ilustração dessa verdade.

            Nela se conta que um homem teve dois filhos, o mais novo dos quais, pedindo ao pai a parte da fortuna que lhe caberia por herança, partiu para terras distantes, onde dissipou tudo, dissolutamente, vindo a ficar na miséria. Começou então a padecer fome e resolveu voltar a penates, certo de que seria perdoado.

            O pai, realmente, o acolheu de braços abertos, com efusão de júbilo, ordenando até que se preparasse uma festa para comemorar sua volta. Já o irmão, ao saber que o estróina fora acolhido carinhosamente e reintegrado na família com todos os direitos, devorado pela inveja, revoltou-se contra o próprio pai e, apesar de instado por ele para que entrasse em casa e participasse do banquete e das danças, recusou-se a fazê-lo.

            Como é fácil de entender-se, a casa paterna, aí, simboliza o Reino do Céu, cujas portas estão sempre abertas para quantos queiram adentrá-lo. Muitas e muitas vezes, porém, a exemplo do primogênito da parábola, nos mantemos fora, privando-nos de suas alegrias, porque em nós a inveja é ainda mais forte que o amor." (Páginas de Espiritismo Cristão.  Cap. 28. Rodolfo Calligaris )

            O ciúme é o companheiro do orgulho e da inveja. Ele vos leva a desejar tudo quanto os outros possuem, sem que percebais que, invejando sua posição, não estareis pedindo senão o presente de uma víbora, que acalentaríeis ao seio. Sempre invejais e tendes ciúme dos ricos; vossa ambição e vosso egoísmo vos levam a ter sede do ouro alheio. “Se eu fosse rico — dizeis — faria dos meus bens um uso muito diverso do que vejo fazendo este ou aquele.” E sabeis se, tendo esse ouro, não faríeis um uso ainda pior? A isto respondeis: “Aquele que está ao abrigo das necessidades cotidianas da vida sofre muito pouco, em comparação comigo.” Que sabeis a respeito? Aprendei que o rico nada mais é que um intendente de Deus; se usar mal a sua fortuna, ser-lhe-ão pedidas contas severas. Esta fortuna que Deus lhe dá e da qual aproveita na Terra, é a sua punição, é a sua prova, a sua expiação. Quantos tormentos o rico se permite para conservar esse ouro, a que tanto se prende! E quando chega a sua hora derradeira, quando deve prestar contas e compreende, nessa hora suprema, que quase sempre lhe revela toda a conduta que deveria ter tido, como treme! como tem medo! É que começa a compreender que falhou em sua missão, que foi um mandatário infiel e que suas contas vão ser desordenadas. Os pobres trabalhadores, ao contrário, que sofreram toda a vida, ligados à bigorna ou à charrua, veem chegar a morte, esta libertação de todos os males, com reconhecimento, sobretudo se suportaram suas misérias com resignação e sem murmurar. Crede, meus amigos, se vos fosse dado ver o rude pelourinho ao qual a fortuna liga os ricos, vós, cujo coração é bom, porque passastes por todas as peneiras da desgraça, diríeis com o Cristo, quando vosso amor-próprio fosse ferido pelo luxo dos opulentos da Terra: “Perdoai-lhes, Senhor, pois não sabem o que fazem”;    e adormeceríeis no vosso rude travesseiro, acrescentando: “Meu Deus, abençoai-me, e que seja feita a vossa vontade!” (Revista Espírita. Outubro de 1861. Os pobres e ricos. Allan Kardec )

            Como se interpreta o ciúme no plano espiritual?

            - O ciúme, propriamente considerado nas suas expressões de escândalo e de violência, é um indício de atraso moral ou de estacionamento no egoísmo, dolorosa situação que o homem somente vencerá a golpes de muito esforço, na oração e na vigilância, de modo a enriquecer o seu íntimo com a luz do amor universal, começando pela piedade para com todos os que sofrem e erram, guardando também a disposição sadia para cooperar na elevação de cada um. Só a compreensão da vida, colocando-nos na situação de quem errou ou de  quem sofre, a fim de iluminarmos o raciocínio para a análise serena dos acontecimentos, poderá aniquilar o ciúme no coração, de modo a cerrar-se a porta ao perigo, pela qual toda alma pode atirar-se a terríveis tentações, com  largos reflexos nos dias do futuro. ( O Consolador. Questão 183. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier )

            A inveja e o ciúme! Felizes os que desconhecem estes dois vermes roedores! Para aquele que a inveja e o ciúme atacam, não há calma, nem repouso possíveis. À sua frente, como fantasmas que lhe não dão tréguas e o perseguem até durante o sono, se levantam os objetos de sua cobiça, do seu ódio, do seu despeito. O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre. Será essa uma situação desejável e não compreendeis que, com as suas paixões, o homem cria para si mesmo suplícios voluntários, tornando-se-lhe a Terra verdadeiro inferno?

            Muitas expressões pintam energicamente o efeito de certas paixões. Diz-se: ímpar de orgulho, morrer de inveja, secar de ciúme ou de despeito, não comer nem beber de ciúmes, etc. Este quadro é sumamente real. Acontece até não ter o ciúme objeto determinado. Há pessoas ciumentas, por natureza, de tudo o que se eleva, de tudo o que sai da craveira vulgar, embora nenhum interesse direto tenham, mas unicamente porque não podem conseguir outro tanto.             Ofusca-as tudo o que lhes parece estar acima do horizonte e, se constituíssem maioria na sociedade, trabalhariam para reduzir tudo ao nível em que se acham. É o ciúme aliado à mediocridade. De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazem-lhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da Humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema.

            Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades. (O Livro dos Espíritos. Questão 933. Allan Kardec )

Uma equipe de cientistas japoneses conseguiu identificar a região do cérebro que controla o sentimento de inveja. A descoberta poderá ajudar os profissionais da área de saúde a lidar melhor com pessoas que sofrem do problema.

            "A inveja pode levar uma pessoa a praticar um ato destrutivo e até criminoso, para conseguir o que deseja", disse Hidehiko Takahashi, 37 anos, pesquisador-chefe do Departamento de Neuroimagem Molecular do Instituto Nacional de Ciência Radiológica. A pesquisa, que durou um ano e meio, estudou o comportamento de 19 pessoas em boas condições de saúde. Durante os experimentos, eles tiveram os cérebros monitorados por aparelhos de ressonância magnética.

            Explicou Takahashi: “Antes de monitorarmos as atividades cerebrais, pedíamos aos participantes para se imaginarem integralmente nas situações descritas, como se fossem reais e estivessem acontecendo com eles”. Disse Takahashi que as pessoas eram induzidas a imaginar um cenário que envolvia outras três personagens, duas delas seriam hipoteticamente mais capazes e inteligentes do que os voluntários da pesquisa. Quando os voluntários sentiam inveja, a parte do córtex dorsal anterior do cérebro era ativada. “Pessoas muito invejosas tendem a ter uma grande atividade nessa região do cérebro, que é responsável pela dor física e também é associada à dor mental”, contou o pesquisador.

            Segundo os especialistas, isto indica que as pessoas invejosas sentem mais prazer com a desgraça alheia. O resultado da pesquisa foi publicado na última edição do  American Journal of Science. (Fonte:https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisadores-identificam-area-do-cerebro-ligada-a-inveja,325344)

            Quanto mais avança, a ciência médica mais compreende que o ódio em forma de vingança, condenação, ressentimento, inveja ou hostilidade está na raiz de numerosas doenças e que o único remédio eficaz contra semelhantes calamidades da alma é o específico do perdão no veículo do amor. (Sinal Verde. 13. Antagonistas. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier ).

            Não vos disse o Cristo que há mais honra e valor em apresentar a face esquerda àquele que bateu na direita, do que em vingar uma injúria? Não disse ele a Pedro, no jardim das Oliveiras: “Mete a tua espada na bainha, porquanto aquele que matar com a espada perecerá pela espada?” Assim falando, não condenou, para sempre, o duelo? Efetivamente, meus filhos, que é essa coragem oriunda de um gênio violento, de um   temperamento sanguíneo e colérico, que ruge à primeira ofensa? Onde a grandeza d’alma daquele que, à menor injúria, entende que só com sangue a poderá lavar? Ah! que ele trema! No fundo da sua consciência, uma voz lhe bradará sempre: Caim! Caim! que fizeste de teu irmão? Foi-me necessário derramar sangue para salvar a minha honra, responderá ele a essa voz. Ela, porém, retrucará: Procuraste salvá-la perante os homens, por alguns instantes que te restavam de vida na Terra, e não pensaste em salvá-la perante Deus! Pobre louco! Quanto sangue exigiria de vós o Cristo, por todos os ultrajes que recebeu! Não só o feristes com os espinhos e a lança, não só o pregastes num madeiro infamante, como também o fizestes ouvir, em meio de sua agonia atroz, as zombarias que lhe prodigalizastes. Que reparação a tantos insultos vos pediu ele? O último brado do cordeiro foi uma súplica em favor dos seus algozes! Oh! como ele, perdoai e orai pelos que vos ofendem. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 12. Item 12. Allan Kardec)

            O Espírito São Luís nos recomenda: “Fazei vossa felicidade e vosso verdadeiro tesouro na Terra em obras de caridade e de submissão, as únicas que vos permitirão ser admitidos no seio de Deus; essas obras do bem farão a vossa alegria e a vossa felicidade eternas; a inveja é uma das mais feias e mais tristes misérias de vosso globo; a caridade e a constante emissão da fé farão desaparecer todos os males, que se irão um a um, à medida que se multiplicarem os homens de boa vontade que a vós se seguirão. Amém.” (Revista Espírita. Julho de 1858. A inveja. Dissertação moral ditada pelo Espírito São Luís ao Sr. D...Allan Kardec)

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 12. Item 12. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Questão 751 e 933. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 12. Item 24. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Julho de 1858. A inveja. Dissertação moral ditada pelo Espírito São Luís ao Sr. D...Allan Kardec.

- Revista Espírita. Outubro de 1861. Os pobres e ricos. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Janeiro de 1862. Ensaio de Interpretação sobre a Doutrina dos Anjos Decaídos. Allan Kardec.

 - Chico Xavier pede licença. As leis da consciência. Espírito Irmão Saulo.  Chico Xavier e J. Herculano Pires.

- A Caminho da luz.  Cap. 2. Os antepassados dos homens. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Sinal Verde. 13. Antagonistas. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier .

- O Consolador. Questão 183. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Visão Espírita da Bíblia. Item 24. J. Herculano Pires.

- A Bíblia a moda da casa. Parte 2: A Bíblia protestante . Paulo Neto.

-  Os exilados de Capela. Cap.10. Edgar Arnond.

- As dores da alma. Inveja. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto .

- Mereça ser feliz. Cap. 10. Espírito Ermance Dufaux. Wanderley S. Oliveira.

- Páginas de Espiritismo Cristão.  Cap. 28. Rodolfo Calligaris.

- Bíblia: Gênese 4:1-16; Lucas 9:49,  Marcos 9:33; 10:36-38.

- Sites: https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,pesquisadores-identificam-area-do-cerebro-ligada-a-inveja,325344 ;  https://www.mundoespirita.com.br/?materia=caim-que-fizeste-ao-teu-irmao.