Aula 102 - Parábola do Semeador

Ciclo 1 - História: O semeador - Atividade: ESE -Cap.17- 5 - Parábola do Semeador.

Ciclo 2  -  História: A Parábola do Semeador - Atividade: ESE -Cap.17- 4 - Parábola do Semeador ou/e desenhar um coração com flores e colocar o título ''Terra boa''.

Ciclo 3 - História: A herança - Atividade: PH- Jesus - 63 - Parábola do Semeador.

 

Dinâmicas: Parábola do Semeador ; O Semeador.

Mensagens espíritas: Parábola do Semeador .

Sugestão de vídeos:

- História: A parábola do Semeador (Dica: pesquise no Youtube)

- Música: Parábola do Semeador - Evangelização Infantil da casa da prece  Chico Xavier Tupā (Dica: pesquise no Youtube)

- Música: Parábola do Semeador - Mário Borges (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livros infantis:

- A parábola do Semeador .Clara Espósito. Editora Paulinas.

- O Semeador. Divaldo P. Franco.  Editora Leal.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 13 (Marcos 4:1-20)


13.1 Naquele mesmo dia, Jesus saiu de casa e assentou-se à beira-mar.


13.2 Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que, por isso, ele entrou num barco e assentou-se. Ao povo reunido na praia


13.3 Jesus falou muitas coisas por parábolas, dizendo: "O semeador saiu a semear.


13.4 Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram.


13.5 Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e logo brotou, porque a terra não era profunda.


13.6 Mas, quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz.


13.7 Outra parte caiu no meio dos espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas.


13.8 Outra ainda caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e trinta por um.


13.18 "Portanto, ouçam o que significa a parábola do semeador:


13.19 Quando alguém ouve a mensagem do Reino e não a entende, o Maligno vem e arranca o que foi semeado em seu coração. Esse é o caso da semente que caiu à beira do caminho.


13.20 Quanto à semente que caiu em terreno pedregoso, esse é o caso daquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria.


13.21 Todavia, visto que não tem raiz em si mesmo, permanece pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandona.


13.22 Quanto à semente que caiu no meio dos espinhos, esse é o caso daquele que ouve a palavra, mas a preocupação desta vida e o engano das riquezas a sufocam, tornando-a infrutífera.


13.23 E quanto à semente que caiu em boa terra, esse é o caso daquele que ouve a palavra e a entende, e dá uma colheita de cem, sessenta e trinta por um".


 

 

Tópicos a serem abordados:

- As parábolas são histórias simbólicas que Jesus contava, que contêm ensinamentos morais. A Parábola do Semeador resume as caracteristicas principais de todas as almas e mostra a diferença  entre aqueles que possuem boa ou má vontade quando recebem os ensinos do Evangelho.

- O semeador da Parábola é Jesus. As sementes distribuidas são os seus ensinamentos  de bondade e de sabedoria.   Os diversos terrenos são os nossos corações, ou seja, as nossas almas, onde Ele semeia Seus ensinamentos, cheio de bondade para conosco. Os nossos Espíritos podem ser comparadas aos quatro terrenos da história: “o terreno do caminho”, “o solo cheio de pedras”, “a terra cheia de espinheiros e “o terreno bom " .O modo como damos resposta ao amor cuidadoso do Divino Mestre é que nos classifica espiritualmente, isto é, mostra que espécie de terreno existe em nossa alma.

- Pode-se dizer que o "terreno do caminho" é semelhante aquela alma que ouve a palavra do Evangelho e não procura compreendê- la, nem lhe dá valor, aparecem as forças do mal (os Espíritos maldosos, desencarnados ou encarnados) e retiram o que foi semeado no seu coração, assim como os passarinhos comeram as sementes...E sabe de que modo? Fazendo com que a alma esqueça o que ouviu, dando outros pensamentos à pessoa, fazendo com que ela se desinteresse das coisas espirituais. E a alma fica indiferente aos ensinamentos divinos, pois a semente não chegou a penetrar-lhe. Um exemplo desse terreno é a criança que não presta atenção às aulas de Evangelho, ficando distraida durante as explicações. Ou ainda, a criança que não gosta de ler os livrinhos que ensinam o caminho de Jesus...

- E o segundo terreno, o pedregoso? Esse terreno é a imagem da pessoa que recebe os ensinos de Jesus com muita alegria. São exemplos as pessoas entusiasmadas com o serviço cristão, ou as crianças animadas nas escolas de Evangelho, mas cuja animação dura pouco. Quando surgem as zombarias, as perseguições ou os sofrimentos, a alma, que é inconstante, abandona o caminho do Evangelho. Um exemplo para você: uma criança está freqüentando as aulas de Moral Cristã numa Escola Espírita. Está aprendendo os mandamentos divinos, os ensinos de Cristo, o caminho do bem, da pureza, da honestidade. Está muito contente com o que está estudando. Sente-se animada e feliz. Um dia, aparece um colega do colégio ou da vizinhança, dizendo que o “Espiritismo é obra do demônio” . Zomba dele sempre que o encontra e lhe põe apelidos humilhantes. O nosso amiguinho não tem ainda firmeza de fé. Tem medo das zombarias dos colegas e dos vizinhos, que dizem que “somente sua religião é verdadeira”. Amedrontado pela perseguição, o nosso irmãozinho deixa a Escola de Evangelho, onde estava começando a compreender a beleza do ensino de Jesus e as bênçãos do Espiritismo Cristão. Esse menino tinha o coração semelhante ao “terreno cheio de pedras”, onde a planta da verdade não pôde crescer e frutificar.

-O terceiro solo é a “terra cheia de espinheiros “. É o caso das pessoas que recebem a palavra do Evangelho, mas, depois abandonam o caminho cristão por causa das grandezas falsas do mundo e da sedução das riquezas. Ouviram o Evangelho, mas se interessaram mais pelos negócios, pelos lucros, pelas vaidades da vida, pelo cuidado exclusivo das coisas do materiais. Há também, no mundo das crianças, exemplos desse terreno. São as crianças que conheceram, às vezes desde pequeninas, os ensinos de Jesus, mas, depois de crescidas, preferiram os maus companheiros, passaram a interessar-se somente pelos problemas de dinheiro ou de modas, pelos ídolos do cinema ou do futebol. Não querem mais nem Jesus, nem lições de Evangelho. Só pensam em ficar ricos “quando crescerem”... A princípio, sabiam repartir com os pobres o seu dinheirinho, porém, agora só pensam em juntá-lo: a caridade morreu nos seus corações.  A plantinha de Deus foi sufocada pelos espinhos do egoísmo e das ilusões da vida material. E morreu...

- O quarto terreno, “ a terra boa", é o símbolo do coração que escuta o Evangelho, procurando compreendê-lo e praticá-lo na vida. É a alma que estuda a palavra do Senhor, percebendo que está neste mundo para aprender a Verdade e o Bem. E, assim, dá frutos de bondade e eleva-se para Deus. Abandona seus vícios e maus hábitos, dedicando-se à prática das virtudes, guardando a fé no coração, socorrendo carinhosamente os necessitados e sofredores e buscando os conselhos de Deus no Evangelho de Cristo. O coração de uma criança verdadeiramente cristã é o bom terreno da parábola: cada semente de Jesus se transforma em trinta, sessenta ou cem bênçãos de bondade, de fé e de auxílio ao próximo. O coração dessa criança deseja conhecer sempre mais e melhor os ensinos cristãos. E se esforça sinceramente para fazer a Vontade Divina: amar e perdoar, crer e ajudar, aprender e servir.
 

Perguntas para fixação:

1.Quem é o semeador da parábola?

2. O que representa os terrenos?

3. O que simboliza as sementes?

4. Quem comeu as sementes do caminho?

5. Por que os Espíritos maus conseguiram retirar o que havia semeado no coração do homem?

6.  Que tipo de alma possui o "terreno cheio de pedras"?

7.  Que tipo de alma possui o "terreno cheio de espinhos"?

8.  Que tipo de alma possui a "terra boa"?  

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

        Segundo o dicionário Michaelis a palavra "Semeador" significa: Que ou o que semeia; sementeiro. No sentido figurado significa: Que ou aquele que propaga ideias, doutrinas, teorias etc. (http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=Semeador+)

        Jesus é o Semeador da Terra e a humanidade é a lavoura de Deus em suas mãos.(Ceifa de luz. Cap. 50.Espírito Emmanuel . Chico Xavier )

        Não somente o Evangelho é o semeador das verdades divinas, como também é uma bússola que Jesus deixou para a humanidade se orientar. ( O Evangelho dos Humildes. Cap. 13. Eliseu Rigonatti)

        As parábolas constituem, ainda hoje, um dos métodos mais eficientes nas construções psicopedagógicas que objetivam a edificação de homens e mulheres saudáveis.

        Elaboradas de maneira encantadora, muito próximas da realidade do cotidiano, a ponto de gerarem dúvidas se as suas narrações são verdadeiras ou concebidas, em todas as épocas preservaram as lições inigualáveis de Jesus.

        Os sábios do mundo, cujo modelo é o Mestre, são silenciosos e somente falam, quando necessário, com palavras exatas, portadoras de significados profundos. Os tolos falam demasiadamente, abordando o que não sabem e fingem conhecer, perdendo-se no labirinto da própria ignorância.Jesus conhecia os Seus seguidores, penetrava-lhes os conflitos, trabalhava em silêncio a sua transformação, modelava-os com paciência, a fim de que se equipassem dos instrumentos valiosos para o ministério que lhes estava reservado. Enfrentando, no entanto, auditórios díspares, multidões constituídas de grupos diferentes de cultura e de vivência, conseguia ser ouvido, porque sabia ministrar sensibilidade e sabedoria com destreza e habilidade raras. Aos seus conselhos valiosos Ele adicionava as narrativas que elaborava, utilizando-se das imagens do dia a dia de todos, de forma que as informações jamais fossem esquecidas. (Vivendo com Jesus. Cap. 16. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo Franco)

        As explicações que Jesus deu da parábola do semeador era a que convinha aos Espíritos encarnados naquela época e a de que necessitavam os apóstolos, a fim de desempenharem suas missões. As mesmas explicações bastam para que a compreendamos.

        A razão por que Jesus preferentemente falava por parábolas era evitar que muitos se enchessem de maiores responsabilidades, que lhes acarretariam grandes sofrimentos no futuro: aqueles que, capazes embora de receber sem véu a sua palavra, não se lhe submeteriam. Por outro lado, para os que estivessem dispostos a avançar, a caminhar para diante, nenhum inconveniente havia em que os ensinos lhes fossem ministrados veladamente, visto que se esforçariam, como o fizeram os discípulos, por lhes descobrir o sentido oculto e o apreenderiam. Os que, ao contrário, assim não procedessem, por considerarem pesada demais para suas naturezas más a reforma que aqueles ensinos impunham, seriam culpados apenas de indiferença, de não procurarem devassar os mistérios que de pronto não compreendiam.

        Dizendo, pois, que não lhes falava senão por parábolas, “para que não se convertessem”, aludia o Mestre aos que, cedendo a um primeiro impulso, tentariam avançar, mas que, detidos bruscamente pelos seus maus instintos, fariam sem demora um recuo, que lhes viria a ser causa de graves expiações, porqüanto, conforme também o disse, “muito será dado ao que já tem; ao passo que àquele que pouco tenha, mesmo esse pouco será tirado”.

        Estas palavras significam que aquele que deseja progredir e se esforça por consegui-lo, de todos os lados receberá amparo; enquanto que o outro, o que tem pouco, indiferente ao que lhe foi dado, negligente em guardar o que recebeu, deixará que as más paixões se apossem do seu coração, que os vícios e males, que o oprimirão durante séculos, tomem o lugar das poucas virtudes de cuja posse já desfrutasse.

        Antes das revelações feitas por Jesus, o homem, nenhuma idéia clara formando da outra vida, não estava apto a conhecer os “mistérios do reino dos céus, os segredos do reino de Deus”, expressões que compõem uma imagem destinada a materializar, por assim dizer, para a compreensão de homens materiais, a felicidade dos bem-aventurados. Os “mistérios” do reino dos céus, os “segredos” do reino de Deus eram os meios, desconhecidos até então, de chegar-se àquela felicidade.

        Jesus veio levantar o véu e esclarecer as inteligências. Porém, apenas uma ponta do véu foi levantada; a “luz” permaneceu velada. Hoje, a luz já brilha com mais vivo fulgor, porque os Enviados do Senhor ergueram um pouco mais o véu que a encobria, tanto quanto os olhos humanos, tornados mais fortes, o permitiam. O véu, entretanto, só será levantado completamente, quando os homens houverem alcançado alto grau de desenvolvimento moral e intelectual. Só então lhes será facultado conhecerem todos os “mistérios do reino dos céus”, todos os “segredos do reino de Deus”. (Elucidações Evangélicas. Cap. 85. Antônio Luiz Sayāo)

        Não há necessidade de sermos letrados para entendermos as leis divinas. Entretanto, o saber observá-las não depende de uma encarnação apenas. É preciso dar tempo ao tempo. E para isso, nada melhor do que as reencarnações. Através das sucessivas reencarnações, nós nos aperfeiçoamos, adquirindo em cada uma delas novos esclarecimentos espirituais, por meio das lições que elas nos proporcionam.

        Jesus qualifica de ditosos os que já sabem ver e ouvir as coisas espirituais, o que é sinal evidente de que já alcançaram grande progresso espiritual.

Jesus disse : Porque em verdade vos digo, que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

Jesus alude a todos os missionários que o precederam e que se esforçaram por preparar o povo para a compreensão das coisas divinas. Jesus vinha inaugurar a era dessa compreensão, pela qual todos lutaram e na qual depuseram todas suas esperanças.

        (...) Jamais nos tornemos indiferentes às coisas espirituais. A vida não consiste somente no momento presente, mas continua sempre, ininterruptamente. Somos espíritos eternos. Fomos criados por Deus, nosso Pai comum, e temos atrás de nós um passado imperscrutável e em nossa frente, a eternidade. O que hoje somos representa o resultado de milhões de milênios de lenta marcha evolutiva. Há grande necessidade de sabermos o que nos aguarda no além- túmulo. Temos o sagrado dever de ouvirmos os pregadores evangélicos e de procurar a explicação das leis divinas. A ignorância das leis divinas pode conduzir-nos a enormes sofrimentos no mundo espiritual, por não termos sabido evitar erros de dolorosas conseqüências, os quais repercutirão desfavoravelmente em nossas futuras reencarnações. ( O Evangelho dos Humildes. Cap. 13. Eliseu Rigonatti)

        A parábola do semeador exprime perfeitamente os matizes existentes na maneira de serem utilizados os ensinos do Evangelho. Quantas pessoas há, com efeito, para as quais não passa ele de letra morta e que, como a semente caída sobre pedregulhos, nenhum fruto dá! Não menos justa aplicação encontra ela nas diferentes categorias espíritas. Não se acham simbolizados nela os que apenas atentam nos fenômenos materiais e nenhuma conseqüência tiram deles, porque neles mais não vêem do que fatos curiosos? Os que apenas se preocupam com o lado brilhante das comunicações dos Espíritos, pelas quais só se interessam quando lhes satisfazem à imaginação, e que, depois de as terem ouvido, se conservam tão frios e indiferentes quanto eram? Os que reconhecem muito bons os conselhos e os admiram, mas para serem aplicados aos outros e não a si próprios? Aqueles, finalmente, para os quais essas instruções são como a semente que cai em terra boa e dá frutos? (O Evangelho Segundo o Espiritismo . Cap. 17. Item 6.Allan Kardec )

        A Parábola do Semeador é a parábola das parábolas: sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas, ao mesmo tempo que nos ensina a distingui-las pela boa ou má vontade com que recebem as novas espirituais. (Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Semeador. Cairbar Schutel)

        Tratava-se da experiência de um homem dedicado ao cultivo do solo que se pôs a semear. Porque a área fosse muito grande, ele atirou as sementes que caíram nos mais diversos sítios, como a beira do caminho, os lugares pedregosos, entre espinhos e em boa terra...

        De acordo com o local, as sementes enfrentaram as circunstâncias e padeceram as consequências naturais, culminando pela produção daquelas que encontraram solo fértil e se reproduziram uma em cem, outra em sessenta, outra mais em trinta grãos, compensando a aplicação de todas, especialmente daquelas que se perderam.

        Em toda ensementação há sempre o risco do prejuízo em relação àquelas que são atiradas a esmo e não encontram os recursos hábeis para a germinação ou, mesmo depois de germinadas, não conseguem produzir. Nada obstante, a compensação vem por meio daquelas que encontram solo bom e generoso, produzindo em quantidade tão expressiva que enriquece aquele que ali as colocou no solo.

Na maravilhosa parábola detectam-se quatro tipos de solos, que podem ser muito bem a representação das criaturas humanas. (Vivendo com Jesus. Cap. 16. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo Franco)

        As nossas almas, (...) são comparáveis aos quatro terrenos da história: “o terreno do caminho”, “o solo cheio de pedras”, “a terra cheia de espinheiros e “o terreno lavrado e bom Jesus é o Divino Semeador. A semente é a Sua Palavra de bondade e de sabedoria. E os diversos terrenos são os nossos corações, os nossos Espíritos, onde Ele semeia Seus ensinamentos, cheio de bondade para conosco. (Histórias que Jesus Contou.  Cap.1. Clóvis Tavares)

        A Palavra de Deus, a “semente”, é uma só, quer dizer, é sempre a mesma que tem sido apregoada em toda arte, desde que o homem se achou em condições de recebê-la. E se ela não atua com a mesma eficácia em todos, deriva esse fato da variedade e da desigualdade de espíritos que existem na Terra; uns mais adiantados, outros mais atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos, às diversões passageiras.

        A terra que recebe as sementes, representa o estado intelectual e moral de cada um: “beira do caminho, pedregal, espinhal e terra boa”.

Acresce ainda que nem todos os pregoeiros da Palavra a apregoam tal como ela é, em sua simplicidade e despida de formas enganosas. Uns revestem-na de tantos mistérios, de tantos dogmas, de tanta retórica; ornam-na com tantas flores que, embora a “palavra permaneça”, fica obscurecida, enclausurada na forma, sem que se lhe possa ver o fundo, o âmago, a essência!

        Muitos a pregam por interesse, como o “mercenário que semeia”; outros por vangloria, e, grande parte, por egoísmo. Nestes casos não dissipam as trevas, mas aumentam-nas; não abrandam corações, mas endurece-os; não anunciam a Palavra, mas dela fazem um instrumento para receber ouro ou glórias.

        Para pregar e ouvir a Palavra, é preciso que não a rebaixemos, mas a coloquemos acima de nós mesmos; porque aquele que despreza a Palavra, anunciando-a ou ouvindo-a, despreza o seu Instituidor, e, como disse Ele: “Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a Palavra que falei, esta o julgará no último dia: Sermo, quem locutus sum, ille judicabit eum in novíssimo dia.” (João, XII, 48.) (Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Semeador. Cairbar Schutel)

        O modo como damos resposta ao amor cuidadoso do Divino Mestre é que nos classifica espiritualmente, isto é, mostra que espécie de terreno existe em nossa alma. Cada coração humano é uma espécie de terra, um dos quatro solos da parábola. Vejamos, então, filhinho: Quando alguém ouve a palavra do Evangelho e não procura compreendê- la, nem lhe dá valor, aparecem as forças do mal (os Espíritos maldosos, desencarnados ou encarnados) e arrebatam o que foi semeado no seu coração, tais como os passarinhos comeram as sementes... E sabe de que modo? Fazendo com que a alma esqueça o que ouviu, dando outros pensamentos à pessoa, fazendo com que ela se desinteresse das coisas espirituais. E a alma fica indiferente aos ensinamentos divinos. O coração dessa pessoa é semelhante ao terreno do caminho”, onde a semente não chegou a penetrar. Um exemplo desse terreno é a criança que não presta atenção às aulas de Evangelho, ficando distraida durante as explicações. Ou ainda, a criança que não gosta de ler os livrinhos que ensinam o caminho de Jesus...(Histórias que Jesus contou. Cap.1.Clóvis Tavares)

        São solos áridos, à margem dos caminhos por onde outros passam também indiferentes. São inóspitas e vivem solitárias nas suas angústias e ansiedades mal disfarçadas. (Vivendo com Jesus. Cap. 16. Espírito Amélia Rodrigues.Divaldo P. Franco )

        E o segundo terreno, o pedregoso?

        Esse terreno é a imagem da pessoa que recebe os ensinos de Jesus com muita alegria. São exemplos as pessoas entusiasmadas com o serviço cristão, ou as crianças animadas nas escolas de Evangelho, mas cuja animação dura pouco. Quando surgem as zombarias, as perseguições ou os sofrimentos, a alma, que é inconstante, abandona o caminho do Evangelho. Um exemplo para você, filhinho: uma criança está freqüentando as aulas de Moral Cristã numa Escola Espírita. Está aprendendo os mandamentos divinos, os ensinos de Cristo, o caminho do bem, da pureza, da honestidade. Está muito contente com o que está estudando. Sente-se animada e feliz. Um dia, aparece um colega do colégio ou da vizinhança, dizendo que o “Espiritismo é obra do demônio”, que “os que freqüentam aulas de Evangelho nas escolas Espíritas ficam loucos e vão para o inferno”. E zomba dele sempre que o encontra e lhe põe apelidos humilhantes. O nosso amiguinho não tem ainda firmeza de fé. Tem medo das zombarias dos colegas e dos vizinhos, que dizem que “somente sua religião é verdadeira” e lhe mandam “receber Espíritos na rua”. Amedrontado pela perseguição e pelos motejos, o nosso irmãozinho deixa a Escola de Evangelho, onde estava começando a compreender a beleza do ensino de Jesus e as bênçãos do Espiritismo Cristão. Esse menino tinha o coração semelhante ao “terreno cheio de pedras”, onde a planta da verdade não pôde crescer e frutificar. (Histórias que Jesus contou.  Cap.1. Clóvis Tavares )

        Aqui vemos os entusiastas e os discípulos de primeira hora, os quais depressa se cansam de seus trabalhos espirituais . Aceitam o Evangelho mas o abandonam tão logo tenham de fazer qualquer esforço para pô-lo em prática. O entusiasmo deles se esfria ao receberem a mais ligeira crítica contra a doutrina que abraçaram ou ao surgirem dificuldades para segui-la. Quando se defrontam com as provas e as expiações perdem o amor pela doutrina, esquecidos de que têm dívidas de encarnações anteriores para resgatarem e erros para corrigirem. Contudo nada se perde no planeta: em futuras reencarnações continuarão o trabalho de compreensão da Verdade.( O Evangelho dos Humildes. Cap. 13. Eliseu Rigonatti )

        À semelhança das anteriores, podem encontrar-se grandes grupos de almas angustiadas, assinaladas pelos espinhos do desconforto moral em que vivem, acolhendo o mau humor e tentando brechas para a autorrenovação. Quando se pensa, porém, que houve a transformação moral e espiritual para melhor, as emoções perversas tomam conta da plantação da ternura e da bondade, asfixiando-a, crestando-a de forma implacável.(Vivendo com Jesus. Cap. 16. Espírito Amélia Rodrigues.Divaldo P. Franco). O terceiro solo é a “terra cheia de espinheiros “. É o caso das pessoas que recebem a palavra do Evangelho, mas, depois abandonam o caminho cristão por causa das grandezas falsas do mundo e da sedução das riquezas. Ouviram o Evangelho, mas se interessaram mais pelos negócios, pelos lucros, pelas vaidades da vida, pelo cuidado exclusivo das coisas da terra. Há também, no mundo das crianças, exemplos desse terreno. São as crianças que conheceram, às vezes desde pequeninas, os ensinos de Jesus, mas, depois de crescidas, preferiram os maus companheiros, as crianças sem Deus, e passaram a interessar-se somente pelos problemas de dinheiro ou de modas, pelos ídolos do cinema ou do futebol. Não querem mais nem Jesus, nem lições de Evangelho. Só pensam em automóveis de luxo, sonham com caminhões, imaginam-se ricos “quando crescerem”... A princípio, sabiam repartir com os pobres o seu dinheirinho, porém, agora só pensam emjuntá-lo: acaridade morreu nos seus corações. O mundo, com suas riquezas falsas (que terminam com a morte), seduziu suas almas e sufocou a plantinha de Deus em seus espíritos. Trocaram Jesus pelos sonhos e ambições de carros de luxo, de figurinos, de roupas elegantes, de campos de esporte, de concursos de beleza, de grandezas sociais... A plantinha de Deus foi sufocada pelos espinhos do egoísmo e das ilusões da vida material. E morreu...(Histórias que Jesus contou.  Cap.1.Clóvis Tavares )

        Dos males é preferível sempre o menor; é mais conveniente que assim procedam do que tomarem um compromisso divino e depois desistirem dele, o que lhes acarretaria conseqüências desastrosas. É natural que assim aconteça, por que se ao falharmos com nossos compromissos terrenos temos de arcar com as conseqüências, o mesmo sucederá se falharmos com o compromisso divino. Recomendamos por conseguinte, aos médiuns e a todos os trabalhadores espirituais, que antes de se comprometerem e de assumirem responsabilidades espirituais, meçam muito bem suas forças e verifiquem, cuidadosamente, se estão aparelhados para a tarefa, a qual uma vez iniciada, não poderá ser interrompida nem pelos cuidados do mundo, nem pelos encargos das coisas materiais.( O Evangelho dos Humildes . Cap. 13. Eliseu Rigonatti )

        O quarto terreno, “a terra lavrada e boa, é o símbolo do coração que escuta o Evangelho, procurando compreendê-lo e praticá-lo na vida. E a alma que estuda a palavra do Senhor, percebendo que está neste mundo para aprender a Verdade e o Bem. E, assim, dá frutos de bondade e eleva-se para Deus. Abandona seus vícios e maus hábitos, dedicando-se à prática das virtudes, guardando a fé no coração, socorrendo carinhosamente os necessitados e sofredores e buscando os conselhos de Deus no Evangelho de Cristo. O coração de uma criança verdadeiramente cristã é o bom terreno da parábola: cada semente de Jesus se transforma em trinta, sessenta ou cem bênçãos de bondade, de fé e de auxílio ao próximo. O coração dessa criança deseja conhecer sempre mais e melhor os ensinos cristãos. E se esforça sinceramente para fazer a Vontade Divina: amar e perdoar, crer e ajudar, aprender e servir. Filhinho, aí está a Parábola do Semeador. Medite nela. Que você, guardando a humildade de coração, se esforce para ser, se ainda não o é, o bom terreno, que recebe os grãos de luz do Divino Semeador e dá muitos frutos de sabedoria e bondade. (Histórias que Jesus contou. Cap.1.  Clóvis  Tavares ) 

        O Semeador Divino prossegue, portanto, atirando sementes em todas as direções, sem preocupar-se com o resultado imediato do trabalho, que será coroado de êxito no momento quando as sementes que caíram no solo ubérrimo, na terra boa, reproduzam-se de maneira eficiente e vantajosa.

Ante essa oportuna parábola, cabe aos verdadeiros discípulos de Jesus na atualidade, como em todos os tempos, proceder a uma análise, a fim de verificarem qual o tipo de solo que são, o que necessitam fazer para transformar-se sempre para melhor, até alcançarem o patamar de terra boa e generosa. (Vivendo com Jesus. Cap. 16. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo Franco )

        O Espiritismo, filosofia, ciência, religião, independente de todo e qualquer sectarismo, é a doutrina que melhor nos põe a par de todos esses ditames, porque, ao lado dos salutares ensinos, faz realçar a sobrevivência humana, base inamovível da crença real que aperfeiçoa, corrige e felicita!

Que os seus adeptos, compenetrados dos deveres que assumiram, semelhantes ao Semeador, levem, a todos os lares, e plantem em todos os corações, a Semente da fé que salva, erguendo bem alto essa Luz do Evangelho, escondida sob o alqueire dos dogmas e dos falsos ensinos que tanto têm prejudicado a Humanidade!(Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Semeador. Cairbar Schutel)

Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou­se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando­nos a visão e o discernimento. Humilhou­se para que nos exaltássemos e confundiu­se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer­se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse. Afastemo­nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a “sair  para semear.” (Fonte Viva. Cap.64. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier )
 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo . Cap. 17. Item 6.Allan Kardec .

- Elucidações Evangélicas. Cap. 85. Antônio Luiz Sayāo.

-Vivendo com Jesus. Cap. 16. Espírito Amélia Rodrigues. Divaldo Franco.

- O Evangelho dos Humildes. Cap. 13. Eliseu Rigonatti.

- Parábolas e Ensinos de Jesus. Parábola do Semeador. Cairbar Schutel.

- Histórias que Jesus Contou.  Cap.1. Clóvis Tavares.

- Fonte Viva. Cap.64. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier .

-Ceifa de luz. Cap. 50.Espírito Emmanuel . Chico Xavier

- Site: http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=Semeador+. Data da consulta: 25/10/17.