Aula 100 - Bem-aventurados os puros de coração

Ciclo 1 - História:  O burro em pele de leão - Atividade: ESE - Cap. 8 - 3 - Verdadeira pureza. Mãos não lavadas.  

Ciclo 2 - História: Juju tagarela -  Atividade: ESE - Cap. 8 - 1 - Simplicidade e pureza de coração.

Ciclo 3 - História: O carro velho  -  Atividade:  ESE - Cap. 8 - 2 - Pecado por pensamentos. Adultério ou/e Pedir para escrever atrás da folha mais três exemplos de situações que mostram graus diferentes de evolução: 1. Evolução realizada, 2. Evolução se realizando, 3. Sem Evolução.

 

Dinâmica: Coração puro.

Mensagens Espíritas: Pureza.

Sugestão de vídeo:  Burro em pele de leão - História com moral - Momento da criança (Dica: Pesquise no Youtube)

Sugestão de livros infantis: - Fábulas que ensinam: O burro e a pele de leão. Esopo. Editora Todolivro.

- Meu pequeno evangelho. Pureza (pág. 20). Luis Hu Rivas e Ala Mitchell. Editora boa nova.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 5


5.8 Bem-aventurados os que têm puro o coração, porquanto verão a Deus.


 

Marcos - Capítulo 10


10.13 E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhos traziam.


10.14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus.


10.15 Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele.


10.16 E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.



Mateus - Capítulo 5


5.27 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério.


5.28 Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.



Mateus - Capítulo 15


15.1 Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo:


15.2 Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão.


15.3 Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Por que transgredis vós, também, o mandamento de Deus pela vossa tradição?


15.4 Porque Deus ordenou, dizendo: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá.


15.5 Mas vós dizeis: Qualquer que disser ao pai ou à mãe: É oferta ao Senhor o que poderias aproveitar de mim; esse não precisa honrar nem a seu pai nem a sua mãe,


15.6 E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus.


15.7 Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:


15.8 Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim.


15.9 Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.


15.10 E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:


15.11 O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem.


15.12 Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?


15.13 Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada.


15.14 Deixai-os; são cegos condutores de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.


15.15 E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola.


15.16 Jesus, porém, disse: Até vós mesmos estais ainda sem entender?


15.17 Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora?


15.18 Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem.


15.19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.


15.20 São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.


 

Lucas - Capítulo 11


11.37 E, estando ele ainda falando, rogou-lhe um fariseu que fosse jantar com ele; e, entrando, assentou-se à mesa.


11.38 Mas o fariseu admirou-se, vendo que não se lavara antes de jantar.


11.39 E o Senhor lhe disse: Agora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade.


11.40 Loucos! Quem fez o exterior não fez também o interior?



 

Tópicos a serem abordados:

- Jesus disse: ''Felizes os que têm puro o coração, porque verão a Deus.'' Deus é nosso pai, criou os espíritos simples e ignorantes e lhes concedeu os meios para conquistar a perfeição, através dos seu próprios esforços. Somente os Espíritos puros, podem perceber a essência espiritual de Deus, pois já alcançaram a perfeição (1).

- Quando encontramos a água limpa de sujeiras dizemos que ela é pura, do mesmo modo, quando o homem deixa os seus vícios (tais como:  egoísmo, orgulho, inveja, ambição, mentira, etc) e permanece somente com sentimentos bons (tais como: amor, humildade, simplicidade, bondade, paciência, etc), pode-se dizer que o seu coração tornou-se puro.  

-  A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Aquele que é simples não cria necessidades artificiais, pois  não possui ganância descabida.  Aquele que é humilde está sempre disposto a servir ao próximo. Podemos ser simples e humildes em todas as classes sociais, na pobreza ou na riqueza.

-  Jesus utiliza a infância como símbolo dessa pureza, pois as crianças quando inoscentes, são inofensivas e não causam nenhum mal. Elas, nos seus primeiros anos, sabem que não sabem, e se esforçam para saber, perguntando aqui e ali; não possuem preconceitos e nem atribuem a si títulos de mestres e doutores; são a representação da simplicidade. Jesus disse que se não nos tornarmos simples e inocentes como as criancinhas, seremos  impedidos de entrar no reino dos céus.  

- No entanto, a verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento. Aquele que tem o coração puro, nem sequer pensa no mal. Portanto, devemos rejeitar toda má palavra, toda ação má e todos os maus pensamentos.

-  Pode-se dizer que aquele que pensa no bem e faz o bem,  já realizou progresso; aquele que pensa no mal, mas se esforça para não praticá-lo, há progresso em vias de realizar-se; e, finalmente, aquele que pensa no mal e o pratica, permanece estacionário e não evolui.

- Além disso, Jesus nos ensina, que não será o fato de não cumprir regras exteriores (normas utilizadas por judeus ou por outras religiões) ,como por exemplo, lavar as mãos antes de comer ou não comer certos tipos de carnes (tais como: porco, coelho, camelo, etc), que nos tornará impuros diante de Deus. Jesus disse: “ Não é o que entra pela boca o que faz o homem impuro, mas o que sai da boca, isso é o que faz impuro o homem; porque é do coração é que saem os maus pensamentos, os crimes, os adultérios, a imoralidade, os roubos, os falsos testemunhos, as calúnias”. O Mestre querido veio combater a tradição dos antigos e nos trazer a verdade.

- Jesus é o Espírito mais puro que apareceu na Terra. O Divino Mestre preferiu nascer numa condição humilde (na manjedoura), e viver no meio do povo , entre pessoas consideradas impuras: sem obedecer regras e rituais, comia com os publicanos,  conversava com os samaritanos, curava os leprosos, defendia mulheres adúlteras. Jesus não os condenava, pois era simples e humilde de coração. Ele é o modelo de perfeição moral que devemos seguir.

 

Comentário (1): Revista Espírita .Maio de 1866. A visão de Deus. Allan Kardec.

 

Perguntas para fixação:

1. De que maneira podemos tornar o coração puro?

2. A pureza de coração é inseparável de quais virtudes?

3. O que é ser simples?

4. O que é ser humilde?

5. Quem Jesus considera o símbolo da pureza neste mundo?

6. Aqueles que não cumprem as práticas exteriores utilizadas em certas religiões podem se tornar impuros?

7. Além das más ações, o que torna o nosso coração impuro?

8. Se repelimos com muito esforço um mau pensamento é sinal de que estamos progredindo?

9. Quem é o Espírito mais puro que apareceu na Terra?

 

 

Subsídio ao Evangelizador:

           Deus criou os espíritos simples e ignorantes e lhes concedeu os meios de progresso e perfeição. É preciso que haja ignorância para que haja aperfeiçoamento, de cujo trabalho vem o mérito de cada um; e o aperfeiçoamento não se faz sem simplicidade. Os espíritos simples são por isso bem-aventurados. (O Espírito do Cristianismo. Cap. 28. Cairbar Schutel)

            Segundo o dicionário Michaelis, a palavra simplicidade significa:  Qualidade, estado ou natureza do que é simples . Ausência de complicação; que não apresenta dificuldade ou complexidade. Falta de requinte, de pompa, luxo ou sofisticação. (http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=simplicidade)

            Muitos indivíduos, equivocadamente, associam simplicidade com pobreza, mas existe uma diferença fundamental.

              A simplicidade é uma opção de vida tanto do rico como do pobre, enquanto que a pobreza é, por si só, a privação de valores morais, intelectuais e espirituais de um indivíduo, e não necessariamente, a falta de recursos materiais para a sua subsistência.

              Quando nos livramos de tudo que é inútil e secundário, passamos a tomar consciência do que verdadeiramente temos e do que precisamos. Abrir mão dos trastes, de informações desnecessárias e de objetos em desuso exercita o desapego e facilita-nos a libertação dos ecos do passado. A partir disso, somam-se novas concepções, e as velhas mágoas, as culpas, os ressentimentos, os conflitos se dissipam, habilitando-nos a viver plenamente o momento presente.

                Os homens simples se comunicam com sabedoria e humildade, enquanto que os complicados falam com presunção e pedantismo, são enfadonhos e prolixos, por que estão repletos de idéias ultrapassadas; contam e recontam seus discursos e mesmo assim parecem não dizer nada.

                A simplicidade de alma induz o indivíduo a se expressar com clareza, segurança e objetividade. Capazes de elaborar idéias de forma lógica, coerente e harmoniosa, tais pessoas resumem tudo o que querem dizer por meio de expressões sintéticas.

                Quem se apartou da simplicidade vive na futilidade dos seus pensamentos, com entendimento entenebrecido, alienados da vida de Deus pela sua ignorância, por isso coleciona coisas neuroticamente, acreditando numa ilusória segurança, mas esquecendo que não pode encontra-la fora de si mesmo, muito menos por trás de um amontoado de conceitos, informações, acessórios e pertences sem serventia.

                Buda ensinava: se você não conseguir em si mesmo, onde irá buscar?

                Muita coisa no mundo da erudição é tida como formação cultural, quando, na verdade, nada mais é do que entulho intelectual.

                Aquele que ignora seu nível de necessidade legítimo, determinado por sua realidade profunda, vive sobrecarregado pelo peso da repressão sociocultural, se distancia da simplicidade e perde a própria identidade.

                Muitas vezes, nossas agendas internas se abarrotam e entram em colapso com nossos ritmos interiores. Sentimo-nos exauridos porque estamos fora de sintonia com a simplicidade. Abrir mão de posses desnecessárias é ir ao encontro de uma vida pacífica e harmoniosa.

                Muitas criaturas se abarrotam impensadamente das instruções obtidas nos jornais, na televisão, nas salas de aula, nos livros, como sendo verdades absolutas. Essas informações podem muito nos ajudar, desde que não as elejamos como a verdade. A verdade não está na conceituação das palavras ou textos que lemos, mas nas experiências que podemos ter com ela, e a partir dela.

                As vozes inspirativas da alma são providas de síntese e simplicidade, que a Vida Providencial murmura em nossa intimidade.

                A simplicidade  consiste em não ficar distante do que é natural e espontâneo, uma vez que aqueles se afastam dela ficam com entendimento entenebrecido e alienados da vida de Deus. (Um modo de entender : uma nova forma de viver. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto)

            Se não vos converterdes e não vos tornardes quais crianças, não entrareis no reino do céu, advertiu o Divino Mestre. Quer dizer, se não abandonardes as idéias e tendências humanas, não chegareis à perfeição. A criança é o símbolo da inocência. O pensamento de Jesus, ao servir-se de tal símbolo, era este: Se não vos fizerdes simples e inocentes (1), o orgulho vos impedirá a entrada no reino dos céus, ou: não sereis moralmente perfeitos. (Elucidações Evangélicas. Cap. 110. Antônio Luiz Sayão).

            A pureza do coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui toda idéia de egoísmo e de orgulho. Por isso é que Jesus toma a infância como emblema dessa pureza, do mesmo modo que a tomou como o da humildade.

            Poderia parecer menos justa essa comparação, considerando-se que o Espírito da criança pode ser muito antigo e que traz, renascendo para a vida corporal, as imperfeições de que se não tenha despojado em suas precedentes existências. Só um Espírito que houvesse chegado à perfeição nos poderia oferecer o tipo da verdadeira pureza (2). E exata a comparação, porém, do ponto de vista da vida presente, porquanto a criancinha, não havendo podido ainda manifestar nenhuma tendência perversa, nos apresenta a imagem da inocência e da candura.

            Daí o não dizer Jesus, de modo absoluto, que o reino dos céus é para elas, mas para os que se lhes assemelhem. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 8. Item 3.  Allan Kardec)

            Jesus usou as crianças como símbolo, ou antes, como personificação da simplicidade; elas são, quando em sua inocência, a representação da simplicidade de espírito. Sabem que não sabem, e se esforçam para saber, perguntando inquirindo aqui e ali. Não têm opinião preconcebida, nem se arrogam títulos de mestres e doutores; costumam respeitar as convicções, e, quando estas lhes parecem disparatadas, indagam os motivos e procuram tirar deduções as que lhes pareçam justas. (O Espírito do Cristianismo. Cap. 28. Cairbar Schutel)

            Jesus utilizou-se da criança como modelo de pureza, de inocência, em razão de ainda não haver penetrado no uso da razão, do discernimento do Bem e do Mal - essa fantástica conquista do Self— não obstante as experiências anteriores na sua condição de Espírito imortal que é. (Jesus e o Evangelho a luz da psicologia profunda. Cap. 8. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco)

             Pois que o Espírito da criança já viveu, por que não se mostra, desde o nascimento, tal qual é? Tudo é sábio nas obras de Deus. A criança necessita de cuidados especiais, que somente a ternura materna lhe pode dispensar, ternura que se acresce da fraqueza e da ingenuidade da criança. Para uma mãe, seu filho é sempre um anjo e assim era preciso que fosse, para lhe cativar a solicitude. Ela não houvera podido ter-lhe o mesmo devotamento, se, em vez da graça ingênua, deparasse nele, sob os traços infantis, um caráter viril e as idéias de um adulto e, ainda menos, se lhe viesse a conhecer o passado.

            Aliás, faz-se necessário que a atividade do princípio inteligente seja proporcionada à fraqueza do corpo, que não poderia resistir a uma atividade muito grande do Espírito, como se verifica nos indivíduos grandemente precoces. Essa a razão por que, ao aproximar-se-lhe a encarnação, o Espírito entra em perturbação e perde pouco a pouco a consciência de si mesmo, ficando, por certo tempo, numa espécie de sono, durante o qual todas as suas faculdades permanecem em estado latente. E necessário esse estado de transição para que o Espírito tenha um novo ponto de partida e para que esqueça, em sua nova existência, tudo aquilo que a possa entravar. Sobre ele, no entanto, reage o passado. Renasce para a vida maior, mais forte, moral e intelectualmente, sustentado e secundado pela intuição que conserva da experiência adquirida.

            A partir do nascimento, suas idéias tomam gradualmente impulso, à medida que os órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as idéias que lhe formam o fundo do caráter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que toma mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.

            O Espírito, pois, enverga temporariamente a túnica da inocência e, assim, Jesus está com a verdade, quando, sem embargo da anterioridade da alma, toma a criança por símbolo da pureza e da simplicidade. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 8. Item 4. Allan Kardec)

            De todas as virtudes de que o Cristo nos deixou o adorável exemplo, nenhuma foi mais indignamente esquecida pela triste Humanidade do que a castidade. E não falo apenas da castidade do corpo, de que certamente ainda se encontrariam na Terra numerosos exemplos, mas dessa castidade da alma, que jamais concebeu um pensamento, deixou escapar uma palavra susceptível de manchar a pureza da virgem ou da criança que a escuta. (Revista Espírita. Setembro de 1863. Dissertações Espíritas - A Castidade. Allan Kardec)

   Jesus disse: ''Aprendestes que foi dito aos antigos:Não cometereis adultério. Eu, porém, vos digo que aquele que houver olhado uma mulher, com mau desejo para com ela, já em seu coração cometeu adultério com ela.” (Mateus 5:27-28)

     São simbólicas as palavras de Jesus, constantes nes­tes versículos. Devemos, pois, procurar-lhes o verdadeiro sentido. Elas têm, primeiramente, uma acepção de ordem geral, porqüanto visam fazer compreensível que os homens devem abster-se de toda má palavra, de toda ação má e de todos os maus pensamentos. (Elucidações Evangélicas. Cap. 25. Antônio Luiz Sayão)

            A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: "Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do Homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.” (Marcos 8:38)

            A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.

             Esse principio suscita naturalmente a seguinte questão: Sofrem-se as conseqüênciasde um pensamento mau, embora nenhum efeito produza? Cumpre se faça aqui uma importante distinção. À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau caminho se esclarece e despoja pouco a pouco de suas imperfeições, conforme a maior ou menor boa-vontade que demonstre, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha. Não cederá, se se apresentar oportunidade de satisfazer a um mau desejo.

            Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória. Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, procura ocasião de praticar o mau ato e, se não o leva a efeito, não é por virtude da sua vontade, mas por falta de ensejo. E, pois, tão culpada quanto o seria se o cometesse. Em resumo, naquele que nem sequer concebe a idéia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa idéia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 8. Item 6 e 7. Allan Kardec)

            Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e enredadores, do que perversos. A malícia e as inconseqüências parecem ser o que neles predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.

            Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral. (O Livro dos Espíritos. Introdução. Item 6. Allan Kardec)

             Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios?

            Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta. Dá-se com o Espírito o que se verifica com a criança que, por mais precoce que seja, tem de passar pela juventude, antes de chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido, importa se adiante no outro, para atingir o extremo superior da escala. Contudo, quanto mais o homem se adiantar na sua vida atual, tanto menos longas e penosas lhe serão as provas que se seguirem. (O Livro dos Espíritos. Questão 192. Allan Kardec)

            Para o homem, Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava. (O Livros dos Espíritos. Questão 625. Allan Kardec)

            Jesus podia ter nascido príncipe, como o Buda, ou podia nascer numa família abastada que o encaminhasse para o sacerdócio e as honras do rabinato. Preferiu a humildade de uma família pobre de Nazaré, pequena cidade de uma província desprezada pela sua numerosa população de gentios, e a condição inferior de carpinteiro. Viveu no meio do povo, convivendo com criaturas renegadas como os publicanos, cobradores de impostos, os soldados e centuriões romanos, os pescadores do Mar da Galiléia, os mercadores, os cegos e os leprosos (lixos do povo, desprezados por Deus, segundo as normas do Templo) com os fabricantes de azeite da região de Betânia, os pastores árabes da Transjordânia, sendo anunciado pelo profeta popular do  Deserto, João Batista, que se cobria com pele de animais. Comia com eles sem obedecer  aos rituais fariseus, não respeitava as leis discriminatórias da pureza judaica, hospedava-se em casas impuras, conversava com samaritanos segregados defendia em praça pública as mulheres adúlteras, para a final morrer na cruz infamante entre ladrões, sob o peso da mesma condenação desses companheiros da hora extrema. Nesse convívio com o populacho atendia a todos semeava as sementes do seu ensino em corações puros ou impuros, sem condená-los pela sua impureza convencional. (Curso Dinâmico de Espiritismo. Cap. 4. J. Herculano Pires)

            Ninguém foi menos imbuído do espírito sacerdotal do que Jesus; ninguém foi menos afeiçoado às formas, às práticas exteriores. Tudo nele é sentimento, elevação do pensamento, pureza do coração, simplicidade. (Cristianismo e Espiritismo. Cap. 7. León Denis)

            No Evangelho de Mateus (15:1 a 20), Jesus nos ensina em detalhes qual é a verdadeira pureza de coração:

            ''Então chegaram ao pé de Jesus uns escribas e fariseus de Jerusalém, dizendo:
            Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? pois não lavam as mãos quando comem pão (Vide: Êxodo 30: 17-21; 40:30-32). (...) O que contamina o homem não é o que entra na boca (Vide: Levítico 11: 1-46), mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. (...) Ainda não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce para o ventre, e é lançado fora? Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem. Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.''
            Os judeus haviam desprezado os verdadeiros mandamentos de Deus para se aferrarem à prática dos regulamentos que os homens tinham estatuído e da rígida observância desses regulamentos faziam casos de consciência. A substância, muito simples, acabara por desaparecer debaixo da complicação da forma. Como fosse muito mais fácil praticar atos exteriores, do que se reformar moralmente, lavar as mãos do que expurgar o coração, iludiram-se a si próprios os homens, tendo-se como quites para com Deus, por se conformarem com aquelas práticas, conservando-se tais quais eram, visto se lhes ter ensinado que Deus não exigia mais do que isso. Dai o haver dito o profeta: É em vão que este povo me honra de lábios, ensinando máximas e ordenações humanas.

            Verificou-se o mesmo com a doutrina moral do Cristo, que acabou por ser atirada para segundo plano, donde resulta que muitos cristãos, a exemplo dos antigos judeus, consideram mais garantida a salvação por meio das práticas exteriores, do que pelas da moral. E a essas adições, feitas pelos homens à lei de Deus, que Jesus alude, quando diz: Arrancada será toda planta que meu Pai celestial não plantou.

            O objetivo da religião é conduzir a Deus o homem. Ora, este não chega a Deus senão quando se torna perfeito. Logo, toda religião que não torna melhor o homem, não alcança o seu objetivo. Toda aquela em que o homem julgue poder apoiar-se para fazer o mal, ou é falsa, ou está falseada em seu principio. Tal o resultado que dão as em que a forma sobreleva ao fundo. Nula é a crença na eficácia dos sinais exteriores, se não obsta a que se cometam assassínios, adultérios, espoliações, que se levantem calúnias, que se causem danos ao próximo, seja no que for. Semelhantes religiões fazem supersticiosos, hipócritas, fanáticos; não, porém, homens de bem. Não basta se tenham as aparências da pureza; acima de tudo, é preciso ter a do coração. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 8. Item 10. Allan Kardec)

            Com efeito, foram as tradições, quase sempre de pura invenção humana, que deturparam a lei de amor, de perdão, de olvido das ofensas, de mútuo auxilio, que Jesus pregou e exemplificou. O que, constituindo as tra­dições, se vê por toda parte, são práticas que não encon­tramos, onde quer que seja, aconselhadas pelo Divino Mestre. Devemos, portanto, desprezá-las, para observar­mos, com simplicidade, com singeleza, o Cristianismo do Cristo, deixando que se escandalizem os orgulhosos fari­seus de nossos dias, que nos injuriem e ridiculizem, fa­zendo o mesmo que fizeram os de outrora, com relação ao enviado de Deus.

            Dia virá em que serão forçados a abandonar todas as tradições de que se dizem respeitosos, convertendo-se também àquela lei, mãe de todas as virtudes. Guardemo-nos dos maus pensamentos, das palavras e ações más, que para a nossa salvação é o que importa e não as tradições, que em nada concorrem para nos preservar de tudo o que nos possa macular.

            Escutai-me e compreendei: Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa manchar, tornar impuro. Não é o que entra pela boca do homem o que suja, que o torna impuro; o que sai da boca do homem é que o suja e torna impuro.

            Os costumes, isto é, as doutrinas, prescrições, pre­ceitos e mandamentos de origem humana, aditados às leis reais, ou seja: às leis divinas, reveladas aos Hebreus por Moisés, é que constituíam a tradição dos antigos.

            Hoje, igualmente, para os que se dizem cristãos, também há a tradição dos antigos, formada pelas doutrinas, preceitos, prescrições e mandamentos de cunho hu­mano, alterando, deturpando, falseando, com os seus acrescentamentos, a lei divina, contida na palavra do Mestre, na palavra evangélica que, velada pela letra, enquanto foi necessário, constitui a base, o fundamento da Nova Revelação, que a veio explicar em espírito e verdade, na época julgada própria pelo Senhor para o advento do Espírito que vivifica, em substituição da letra que mata.

            Ora, assim como Jesus veio combater e eliminar a tradição dos antigos, seguida pelos Hebreus, arrancando desse modo toda planta que o Pai celestial não plantara, também agora, presentemente, o Espírito da Verdade, que representa o Cristo, complemento e sanção da verdade, vem, pela revelação nova, pelos Espíritos do Se­nhor, combater e suprimir tudo o que a tradição acres­centou à lei, arrancando igualmente as plantas que o Pai celestial não plantou.

            O que Jesus disse dos escribas e fariseus daquela época se aplica inteiramente aos de hoje, os quais, repe­lindo a nova revelação, honram À Deus com os lábios, o que quer dizer — em vão, ensinando doutrinas e mandamentos humanos, como se Deus pudesse admitir a pureza exterior, quando o coração está sujo; como se pudesse aceitar o culto dos lábios, vendo que o coração se conserva frio; como se pudesse abençoar e perdoar ao homem, quando vê que este amaldiçoa e se vinga!

            O ensino de Jesus mostra que todos os preceitos relativos aos alimentos, à natureza destes, à prática do jejum material e das privações corporais, destituídos de utilldade e proveito para o próximo, são vãs e inúteis aos olhos de Deus, a quem só há um jejum agradável: o jejum moral, espiritual, que o divino Pastor recomen­dou às suas ovelhas e que consiste na abstenção de tudo o que seja mal, isto é, de tudo o que, nos pensamentos, nas palavras e nos atos, seja contrário à lei divina, evangelicamente revelada, de justiça, de amor, de cari­dade e fraternidade.

          Como se explica que, passados dezenove séculos, os que chamaram a si a sucessão dos Apóstolos e se declararam infalíveis, ainda insistam, depois da explicação que Jesus, respondendo a Pedro, deu aos apóstolos, acerca das práticas materiais, em prosseguir por um caminho desviado da verdade?

            É que a Igreja, que os homens instituíram, sendo humana, agiu humanamente, lançando mão de leis mate­riais, para dominar a matéria, a bem das suas necessi­dades e interesses, e obstar ao desenvolvimento das inteligências que, do contrário, um dia, compreenderiam que ela se transviara, falta essa que agravou pela sua inércia, pelo seu espírito reacionário e mesmo retrógrado.

            Os séculos passaram, trazendo cada um o seu con­tingente de civilização, de progresso, de luz. Só a Igreja se obstina em manter sobre os homens o véu com que lhes cobre as inteligências; só ela persiste em perpetuar a infância da Humanidade, quando esta, em plena virili­dade, se debate por lhe fugir às peias. ­(Elucidações Evangélicas. Cap. 95. Antônio Luiz Sayão)

            O Espiritismo não criou igrejas, não precisa de templos suntuosos e tribunas luxuosas com pregadores enfatuados. Não tem rituais, não dispensa bênçãos, não promete Lugar celeste a ninguém, não confere honrarias em títulos ou diplomas especiais, não disputa regalias oficiais. Sua única missão é esclarecer, orientar, indicar o caminho da autenticidade humana e da verdade espiritual do homem. (Curso Dinâmico de Espiritismo. Cap. 4. J. Herculano Pires)

 

Obsevação (1): Ora, em sua verdadeira acepção, a palavra inocente significa: que não prejudica. (Revista Espírita. Setembro de 1863. Dissertações Espíritas - A Castidade. Allan Kardec)

        

Observação (2): Primeira ordem - Espíritos puros: Nenhuma influência da matéria. Superioridade intelectual e moral absoluta, com relação aos Espíritos das outras ordens. Os Espíritos que a compõem percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria. Tendo alcançado a soma de perfeição de que é suscetível a criatura, não têm mais que sofrer provas, nem expiações. Não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, realizam a vida eterna no seio de Deus. (O Livro dos Espíritos. Item 112 e 113. Allan Kardec).

 

           

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 8. Itens 3,  4, 6 , 7 e 10. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Introdução: Item 6; Item 112 e 113; questões 192, 625.  . Allan Kardec.

- Revista Espírita. Setembro de 1863. Dissertações Espíritas - A Castidade. Allan Kardec.

- O Espírito do Cristianismo. Cap. 28. Cairbar Schutel.

- Um modo de entender:  uma nova forma de viver. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 25 , 95 e  110. Antônio Luiz Sayão.

- Jesus e o Evangelho a luz da psicologia profunda. Cap. 8. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.

- Curso Dinâmico de Espiritismo. Cap. 4. J. Herculano Pires.

- Cristianismo e Espiritismo. Cap. 7. León Denis.

- Site: http://michaelis.uol.com.br/busca?r=0&f=0&t=0&palavra=simplicidade. Data de consulta: 30-09-16.

- Bíblia: Mateus 5:27-28 / 15:1 a 20; Marcos 8:38; Êxodo 30: 17-21; 40:30-32; Levítico 11: 1-46