Aula 82 - Jesus e a mulher samaritana

Ciclo 1 - História: Jesus e a mulher samaritana - Atividade: PH - Jesus - 41 - Jesus e a mulher samaritana.

Ciclo 2 - História:  Jesus e a mulher samaritana  Atividade: ESE - Cap. 13 - 10. Beneficiência exclusiva.

Ciclo 3 - História: Jesus e a mulher samaritana -  Atividade: PH - Jesus - 42 - Jesus e a mulher samaritana.


Dinâmica: Jesus e a mulher samaritana.

Sugestão de vídeo: Jesus um reino sem fronteiras 9 - Jesus e a samaritana .  (Dica: pesquise no Youtube) Obs.: Assistir o vídeo até 9min e 20 s.

 

Leitura da Bíblia: João - Capítulo 4


4.1 E quando o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João


4.2 (Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos),


4.3 Deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galiléia.


4.4 E era-lhe necessário passar por Samaria.


4.5 Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.


4.6 E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.


4.7 Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.


4.8 Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.


4.9 Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).


4.10 Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.


4.11 Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?


4.12 És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?


4.13 Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;


4.14  Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.


4.15 Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.


4.16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.


4.17 A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;


4.18 Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.


4.19 Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.


4.20 Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.


4.21 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.


4.22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.


4.23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.


4.24 Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.


4.25 A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.


4.26 Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.


4.27 E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?


4.28 Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:


4.29 Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?


4.30 Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele.


4.31 E entretanto os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.


4.32 Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.


4.33 Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer?


4.34 Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.


4.35 Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo:

Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.


4.36 E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.


4.37 Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa.


4.38 Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.


4.39 E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito.


4.40 Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias.


4.41 E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra.


4.42 E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.



 

Tópicos a serem abordados:

- Samaria é o nome da região montanhosa do Oriente Médio, constituída pelo antigo reino de Israel. Conta-se na história relatada na Bíblia, que os israelitas dividiam-se em doze tribos (decorrentes do nascimento dos doze filhos de Jacó, filho de Isaac e neto de Abraão). 

- Após a morte do rei Salomão ( cerca de 930 a.C.), as doze tribos se separaram: duas tribos formaram o reino de Judá, com sede em Jerusalém (dando origem aos judeus),  e  dez tribos formaram o reino de Israel ,que teve como capital Samaria.

 - Os  samaritanos, portanto, não são considerados judeus, mas descendentes dos antigos habitantes do reino de Israel. Além disso, são considerados uma raça impura por serem resultado da mistura de judeus com estrangeiros que ocuparam a sua terra.  

- Naquela época, por motivos raciais e religiosos, os judeus não se comunicavam com os samaritanos. Entretanto, Jesus não tinha preconceitos, demonstrando isto em várias ocasiões da sua missão terrena. 

- Certa ocasião, Jesus foi a Samaria, e cansado de caminhar sentou-se próximo do poço de Jacó (os discípulos tinham ido comprar alimentos). Quando uma mulher Samaritana aproximou-se para tirar água, ele lhe disse: ''Dê-me de beber''.  A Samaritana perguntou: ''Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou Samaritana? Jesus lhe direcionou um olhar tranquilo e disse: ''Bem se vê que não conheces os dons de Deus, porquanto se houvesse guardado os mandamentos divinos, compreenderias que te posso dar água viva.'' - ''Que vem a ser essa água viva?'' – questionou a samaritana impressionada. Jesus lhe respondeu: ''Mulher, a água viva é aquela que sacia toda sede: vem do amor infinito de Deus e santifica as criaturas'' (ou seja, a água viva é a sua doutrina, o alimento espiritual para o desenvolvimento moral do nosso Espírito).  - ''Senhor, dá-me dessa água'' ! - disse a Samaritana. 

- ''Mas ouve''! - disse-lhe Jesus. E o Mestre passou a esclarecê-la sobre fatos e circunstâncias íntimas de sua vida particular. Observando que não havia segredos para Jesus, a samaritana chorou e respondeu: -'' Senhor, vejo que és de fato um profeta de Deus''.

- E ela disse ainda: ''Meu espírito está cheio de boa vontade e desde muito ,penso na melhor maneira de purificar a minha vida e santificar os meus atos. Entretanto, é tal a confusão que observo em torno de mim, que não sei como adorar a Deus. Os meus familiares e vizinhos afirmam que é indispensável celebrar o culto ao todo Poderoso neste monte (Garizim). Os judeus nos combatem e afirmam que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.  As brigas nesta Região têm chegado ao cúmulo. Já que tenho a felicidade de ouvir as tuas palavras, ensina-me o melhor caminho. '' O Mestre observou-a e disse: - ''Tens razão. A falta de tolerância têm provocado a maior desunião entre os membros da grande família humana. Em verdade, afirmo-te que virá um tempo em que não se adorará a Deus nem neste monte, nem no templo suntuoso de Jerusalém. Porque o Pai é Espírito e só em espírito deve ser adorado '' (com estas palavras Jesus quis ensinar que Deus estando em toda a parte, em toda a parte devemos adorá-lo, esforçando-nos por cumprir a sua Lei).

- Daí a alguns instantes, acompanhados de grande número de pessoas, chegavam os discípulos, admirando-se todos de encontrarem o Messias em conversação íntima com uma mulher. Os discípulos haviam trazido pão e frutas, insistindo com Jesus para que se alimentasse.- ''Mestre, por favor, aceitai um pouco de pão''. - ''Não de preocupes'' – disse o Messias. – ''Não tenho fome. Aliás, recebo um alimento que talvez meus próprios discípulos ainda não puderam conhecer''. - ''Qual''? – perguntou um dos apóstolos. - ''Antes de tudo, meu alimento é fazer a vontade daquele Pai misericordioso e justo que a este mundo me enviou, a fim de ensinar o seu amor e a sua verdade. Meu sustento é realizar sua obra''.

 

Perguntas para fixação:

1. Em que região moravam os samaritanos?

 2. Porque os judeus consideravam os samaritanos uma raça impura?

3. Por que os samaritanos não conversavam com os judeus?

4. Com quem Jesus conversou próximo ao poço de Jacó?

5. O que Jesus pediu a Samaritana?

6. O que Jesus ofereceu a Samaritana?

7. O que os discípulos foram comprar na cidade?

8. Em que momento a Samaritana reconheceu que Jesus era profeta?

9. Como Jesus disse que devemos adorar a Deus?

10. Qual é o alimento espiritual de Jesus?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Samaria é o nome histórico e bíblico de uma região montanhosa do Oriente Médio, constituída pelo antigo reino de Israel, situado em torno de sua antiga capital, Samaria, e rival do vizinho reino do sul, o reino de Judá. Atualmente situa-se entre os territórios da Cisjordânia e de Israel. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaria).

            Após o cisma (separação) das dez tribos, Samaria se constituiu a capital do reino dissidente de Israel. Destruída e reconstruída várias vezes, tomou-se, sob os romanos, a cabeça da Samaria, uma das quatro divisões da Palestina.  ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. 3. Notícias histórias. Allan Kardec).

            Os samaritanos não se consideram judeus, mas descendentes dos antigos habitantes do antigo reino de Israel (ou reino da Samaria), que miscigenados com assirios resultaram nesse povo remanescente (1). (http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaritanos).

            O nome "samaritano" foi dado pelos judeus, nascidos no Reino de Judá, à mistura dos cuteus, povo idólatra de além Eufrates, mandado por Salamanazar, rei da Assíria, para repovoar Samaria e o seu território, com os Israelitas das dez tribos que ficaram no país e com as quais voltaram ao mesmo tempo que os judeus propriamente ditos, por concessão de Ciro. (O Espírito do Cristianismo. Cap. 13. Cairbar Schutel)

            Culturalmente, havia grande inimizade entre os judeus e os samaritanos, que eram considerados um povo de origem mista pelos judeus (http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaritana_no_po%C3%A7o).

             Os samaritanos estiveram quase constantemente em guerra com os reis de Judá. Aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre os dois povos, que evitavam todas as relações recíprocas. Aqueles, para tornarem maior a cisão e não terem de vir a Jerusalém pela celebração das festas religiosas, construíram para si um templo particular e adotaram algumas reformas. Somente admitiam o Pentateuco, que continha a lei de Moisés, e rejeitavam todos os outros livros que a esse foram posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antigüidade. Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, desprezados, anatematizados e perseguidos. O antagonismo das duas nações tinha, pois, por fundamento único a divergência das opiniões religiosas; se bem fosse a mesma a origem das crenças de uma e outra. Eram os protestantes desse tempo. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução. 3. Notícias histórias. Allan Kardec).           

            Jesus de Nazaré demonstrou ser plenamente imune a qualquer influência alheia quanto a seus sentimentos e sentidos de vida, revelando isso em várias ocorrências de seu messiado terreno. (Renovando atitudes. Cap. 18. Francisco do Espírito Santo Neto ditado por Hammed).

            Segundo Antônio Luiz Sayão, '' ensinou Jesus que não basta, a quem quer que seja, haver nascido sob uma doutrina religiosa qualquer, aceitar, praticar mesmo seus dogmas, para adquirir méritos perante o Senhor; que o seu manto de misericórdia se estende sobre todos, sem distinguir o Samaritano do Judeu, o ortodoxo do herético, conforme Ele tornou claro no seu colóquio com a Samaritana (Evangelho de João, capítulo 4º), onde mostrou aos homens que, para o Pai, não há heréticos, nem ortodoxos, mas tão-somente filhos mais ou menos amorosos, mais ou menos submissos, aos quais Ele transmite suas instruções, sejam quais forem as crenças que professem, a pátria onde tenham nascido, uma vez que seus corações os encaminhem para Ele e que se revelem prontos a receber os ensinos, as graças que Ele lhes manda e que abrem ao Espírito as sendas do progresso, assim de ordem física, como de ordem moral e intelectual e o levam à perfeição''. (Elucidações Evangélicas. Cap. 118. Antônio Luiz Sayão).

             No livro ''Boa Nova'', ditado pelo Espírito Humberto de Campos, relata como ocorreu o encontro de Jesus com a Samaritana do poço:

            Descendo Jesus de Jerusalém para Cafarnaum, seguido de alguns discípulos, nas suas habituais jornadas a pé, alcançou a Samaria*, quando o crepúsculo já se fazia mais sombrio.

            Felipe, André e Tiago, estando com fome, deixaram o Mestre a repousar junto de uma pequena herdade e demandaram o lugarejo mais próximo, em busca de alimento.

            O Messias, olhando em torno de si, reconheceu que se encontrava ao lado da Fonte de Jacob. Envolvida nos revérberos do Sol que ia ceder lugar às sombras da noite que se aproximava, uma mulher acercou-se do antigo poço e observou que o Mestre lhe ia ao encontro com a bela e costumeira placidez do semblante, e lhe pedia de beber.

            - Como sendo tu um judeu, me pedes um favor a mim, que sou samaritana? (2)

            Jesus descansou na interlocutora o olhar tranqüilo e redargüiu :

            - Os judeus e samaritanos terão por ventura, necessidades diversas entre si? Bem se vê que não conheces os dons de Deus, porquanto se houvesse guardado os mandamentos divinos, compreenderias que te posso dar água viva.

            - Que vem a ser essa água viva? – inquiriu a samaritana impressionada. Onde a tens, se a água aqui existente é apenas a deste poço? Acaso serias maior que nosso pai Jacob que nô-la deu desde o princípio?

            - Mulher, a água viva é aquela que sacia toda sede: vem do amor infinito de Deus e santifica as criaturas (3).

            E envolvendo a samaritana no doce magnetismo de seu olhar, continuou:

            Este poço de Jacob secará um dia. No leito da terra em que agora repousam suas águas claras, a serpente poderá fazer seu ninho. Não sentes a verdade de minhas afirmativas, ante a tua sede de todos os dias? Não obstante levares cheio o cântaro, voltarás logo ao poço, com uma nova sede. Entretanto, os que beberem da água viva estarão eternamente saciados.

            Para esses não mais haverá a necessidade material que se renova a cada instante da vida. Perene conforto lhes refrescará os corações através dos caminhos mais acidentados, sob o sol ardente dos desertos do mundo...

            A mulher escutava presa de funda impressão, aquelas palavras que lhe chegavam ao santuário do espírito com a solenidade de uma revelação.

            - Senhor, dá-me dessa água ! - exclamou interessada.

            - Mas ouve! - disse-lhe Jesus. E o Mestre passou a esclarecê-la sobre fatos e circunstâncias íntimas de sua vida particular, explicando-lhe o que se fazia necessário para que a sagrada emoção do amor divino lhe iluminasse a alma, afastando-a de todas as circunstâncias penosas da existência material.

Observando que não havia segredos para Jesus, a samaritana chorou e respondeu:

            - Senhor, vejo que és de fato um profeta de Deus.Meu espírito está cheio de boa vontade e desde muito ,penso na melhor maneira de purificar a minha vida e santificar os meus atos. Entretanto, é tal a confusão que observo em torno de mim, que não sei como adorar a Deus. Os meus familiares e vizinhos afirmam que é indispensável celebrar o culto ao todo Poderoso neste monte (Garizim). Os judeus nos combatem e asseveram que nenhuma cerimônia terá valor fora dos muros de Jerusalém. As discórdias nesta Região têm chegado ao cúmulo. Já que tenho a felicidade de ouvir as tuas palavras, ensina-me o melhor caminho.

            O Mestre observou-a compadecido e exclamou:

- Tens razão. As divergências têm implantado a maior desunião entre os membros da grande família humana. Entretanto, o pastor vem ao redil para reunir as ovelhas que os lobos dispersaram. Em verdade, afirmo-te que virá um tempo em que não se adorará a Deus nem neste monte, nem no templo suntuoso de Jerusalém. Porque o Pai é Espírito e só em espírito deve ser adorado (4). Por isso venho abrir o templo dos corações sinceros para que todo culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador.

            Suave silêncio se fez entre ambos. Enquanto Jesus parecia sondar o invisível com o seu luminoso olhar, a samaritana meditava. Daí a alguns instantes, acompanhados de grande número de populares, chegavam os discípulos, admirando-se todos de encontrarem o Messias em conversação íntima com uma mulher. Nenhum deles todavia aventurou qualquer observação menos digna ou imprudente. Observando que o Messias se preparava para retirar-se em busca da aldeia mais próxima,a samaritana impressionada com as suas revelações, solicitou a presença de seus familiares e vizinhos, a fim de lhe ouvirem a palavra.

            Tiago e André haviam trazido pão e frutas, insistindo com Jesus para que se alimentasse. O Mestre, porém, aproveitou o instante pra mais uma vez ensinar o caminho do Reino, com as palavras amigas, compondo parábolas singelas. Muita gente se aglomerava para ouvi-lo. Eram viajantes que demandavam regiões diferentes, a par de grande grupo de samaritanos de opiniões exaltadas. A enorme assembléia se pôs a caminho, mas o Messias continuou espalhando as suas promessas de esperança e consolação.

Nesse ínterim, Felipe consultou os companheiros e, aproximando-se de Jesus, rogou-lhe carinhosamente:

            - Mestre, por favor, aceitai um pouco de pão.

            - Não de preocupes, Felipe – disse o Messias. – Não tenho fome. Aliás, recebo um alimento que talvez meus próprios discípulos ainda não puderam conhecer.

            - Qual? – atalhou o apóstolo com interesse.

            - Antes de tudo, meu alimento é fazer a vontade daquele Pai misericordioso e justo que a este mundo me enviou, a fim de ensinar o seu amor e a sua verdade. Meu sustento é realizar sua obra.

            - É verdade – observou o discípulo, olhando a multidão que os acompanhava.

            Levaremos para Cafarnaum mais este triunfo, porque é incontestável que obtiveste aqui entre os samaritanos um dos nossos maiores êxitos.

            Tiago e André ouviam silenciosos o diálogo.

            Às palavras entusiásticas do apóstolo, o Mestre sorriu e acrescentou:

            - Não é isso propriamente o que me interessa. O êxito mundano pode ser uma ondulação de superfície. O que necessitamos em todas as situações é atender o que o Pai deseja de nós. Como todo o seu apelo é o do bem, eu trabalho, mas sem me prender ao anseio das vitórias imediatas.

            E dirigindo o olhar para a turba compacta de seus seguidores, exclamou para os companheiros:

            Acaso já poderíamos admitir que somos compreendidos? Calemo-nos por alguns instantes a fim de ouvirmos a opinião dos que nos seguem os passos.

            Fez-se silêncio entre ele e os três discípulos, de modo que podiam ouvir distintamente os diálogos travados entre os que os acompanhavam. Acreditas que seja este homem o Cristo prometido? – perguntava um samaritano de boa figura a seus amigos – De minha parte, não aceito semelhante impostura. Este nazareno é um explorador da piedade popular

            - É certo – concordava o interpelado –mesmo porque em sua terra, não chega a valer um denário. Pelos parentes é tido como inimigo do trabalho e há quem duvide da sua preguiçosa cabeça.

            - É um louco de boa aparência – exclamava uma mulher idosa para a filha – pelo menos esta é a opinão que já ouvi de habitantes de Cafarnaum; entretanto para mim, acredito que seja um grande velhaco. Porque se meteu com pescadores quando alega ser tão sábio? Por que não se transfere para Jerusalém ou Tiberíades? Bem sabe a razão disso. Lá encontraria homens cultos, que lhe confundiriam a presunção.

            Mais próximo de Jesus, um rapaz sentenciava em voz discreta:

            - Quando chegamos, foi ele achado sozinho com uma mulher. Que te parece esta circunstância?

            - Perguntava a um companheiro de caminhada.

            - Certamente desejava salvá-la a seu modo. – Replicou com malicioso riso o inquirido.

            Num grupo vizinho, falava-se acaloradamente:

            - Este homem é um espertalhão orgulhoso – dizia convicto um velhote – só faz milagres junto das grandes multidões, para que sintam virtudes sobrenaturais nas suas mágicas.

            E não tem caridade – acrescentou outro – pois ainda há pouco tempo, quando o procuraram em Cafarnaum para um sinal do Céu, fugiu para o monte, sob o protesto de fazer orações.

            A noite começava a cair de todo. No alto brilhavam as primeiras estrelas. Jesus sentou-se com os discípulos, à margem do caminho, para um momento de repouso.

            André , Tiago e Felipe estavam espantados com o que tinham visto e ouvido. Aparentemente o Mestre aureolado de imenso êxito; entretanto, verificaram a profunda incompreensão do povo. Foi então que Jesus, com a serenidade de todos os instantes os esclareceu cheio de sua bondade imperturbável:

            - Não vos admireis da lição deste dia. Quando veio o Batista, procurou o deserto, nutrindo-se de mel selvagem. Os homens alegaram que em sua companhia estava o espírito de Satanás. A mim, pelo motivo de participar das alegrias do Evangelho, chama-me glutão e beberrão. Esta é a imagem do campo onde temos que operar. Por toda parte encontraremos samaritanos discutidores, atentos aos êxitos e referências do mundo. Observai a estrada para não cairdes, porque o discípulo do Evangelho não se pode preocupar senão com a vontade de Deus, com o seu trabalho sob as vistas do Pai e com a aprovação de sua consciência. (Boa Nova. Jesus na Samaria. Espírito Humberto de Campos. Psicografado por Chico Xavier).

            O verdadeiro cristão vê irmãos em todos os seus semelhantes, e para socorrer o necessitado, não procura saber a sua crença, a sua opinião, seja qual for. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Item 20. Allan Kardec).

            Os samaritanos eram cismáticos, mais ou menos como os protestantes com relação aos católicos, e os judeus os tinham em desprezo, como heréticos. Curando indistintamente os judeus e os samaritanos, dava Jesus, ao mesmo tempo, uma lição e um exemplo de tolerância.  (A Gênese. Cap. 15. Item 17. Allan Kardec)

 

 

Observação (1): Segundo a Bíblia, os israelitas dividiam-se em doze tribos, que alimentavam rivalidades mais ou menos intensas umas com as outras.(...) Estas tribos teriam sido unificadas em cerca de 1000 a.C pelo rei Saul, que foi sucedido pelo rei David; este foi por sua vez sucedido pelo seu filho Salomão.

            (...) Depois da morte de Salomão, cerca de 930 a.C., as dez tribos do norte separaram-se e formaram o reino de Israel, também conhecido como reino da Samaria, devido ao nome da cidade que se tornou a sua capital no século IX a.C. Este reino tornou-se vizinho e por vezes rival do reino do Sul, o reino de Judá.

            (...) Em 722 a.C. , o rei dos assírios, conquistou o reino de Israel e o  transformou numa província do seu império. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaritanos).

            Anos depois deste acontecimento, os israelitas foram exilados de sua terra para a Assíria. E o Rei da Assíria mandou vir gente de Babilônia, de Cuta, Ava, Emat e Sefarvaim, e os estabeleceu nas cidades de Samaria, em lugar dos israelitas. (2 Reis 17: 23-24).

 

Observação (2): O Mestre pediu-lhe de beber e ela admirou-se de lhe pedir água um “judeu”, porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos, por motivos religiosos. (Parábolas e ensinos de Jesus. Os Ensinos de Jesus e a mulher samaritana. Cairbar Schutel).

 

Observação (3): (...) A Água que sacia toda sede é a que jorra do Alto, a sua Doutrina, ministrada pelo Espírito de Deus. É assim que, num grande dia de festa em Jerusalém, Ele levantou-se e exclamou: “Quem tiver sede venha a mim e beba. Quem crê em mim, como disse a Escritura, do seu interior manarão rios de água viva.” (João, VII, 37-38.) (Parábolas e ensinos de Jesus. Os Ensinos de Jesus e a mulher samaritana. Cairbar Schutel).

 

Observação (4): Jesus, sendo judeu de nascimento e afirmando que não era verdadeira a adoração no Templo de Jerusalém, assim como não o era no Monte Garizim dos samaritanos, dá-nos uma idéia clara de que, estando Deus em toda a parte, em toda a parte devemos adorá-lo, esforçando-nos por cumprir a sua Lei. (Parábolas e ensinos de Jesus. Os Ensinos de Jesus e a mulher samaritana. Cairbar Schutel).

 

 

Bibliografia:

-  O Evangelho Segundo o Espiritismo. Introdução, 3- Notícias histórias / Cap. 13, item 20. Allan Kardec.

- A Gênese. Cap. 15. Item 17. Allan Kardec.

- O Espírito do Cristianismo. Cap. 13. Cairbar Schutel.

- Parábolas e ensinos de Jesus. Os Ensinos de Jesus e a mulher samaritana. Cairbar Schutel.

- Renovando atitudes. Cap. 18. Francisco do Espírito Santo Neto ditado por Hammed.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 118. Antônio Luiz Sayão.

- Boa Nova. Jesus na Samaria. Espírito Humberto de Campos. Psicografado por Chico Xavier.

- Bíblia: 2 Reis 17: 23-24

- Sites: http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaria; http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaritanos; http://pt.wikipedia.org/wiki/Samaritana_no_po%C3%A7o; Data da consulta: 20/01/2016.