Aula 54 - Progresso da civilização

Ciclo 1 - História: O bondinho Din - Atividade: LE - L3 - Cap. 8 - 1 - Estado natural.

Ciclo 2 - História:  Joãozinho macieira -  Atividade: LE - L3 - Cap. 8 - 4- Civilização ou/e 6 - Influência do Espiritismo no progresso.

Ciclo 3 - História: O exército poderoso -  Atividade: LE - L3 - Cap. 8 -  2 - Marcha do Progresso ou/e  3- Povos degenerados.

 

Dinâmica: Progresso da civilização.

Biografia:  Sócrates. 

Mensagens espíritas: Progresso.

Sugestão de livro infantil:  A Missão das Ovelhinhas. Ana Alice Volk. Editora Ide.

 

Leitura da Bíblia: Filipenses - Capítulo 1


1.9   E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção,


1.10   para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de Cristo,


1.11   cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.


1.12   Quero ainda, irmãos, cientificar-vos de que as coisas que me aconteceram têm, antes, contribuído para o progresso do evangelho;


1.13   de maneira que as minhas cadeias, em Cristo, se tornaram conhecidas de toda a guarda pretoriana e de todos os demais;


1.14   e a maioria dos irmãos, estimulados no Senhor por minhas algemas, ousam falar com mais desassombro a palavra de Deus.


1.15   Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade;


1.16   estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho;


1.17   aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulação às minhas cadeias.


1.18   Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei.


1.19   Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação,


1.20   segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte.


1.21   Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.


1.22   Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher.


1.23   Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.


1.24   Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.


1.25   E, convencido disto, estou certo de que ficarei e permanecerei com todos vós, para o vosso progresso e gozo da fé,


1.26   a fim de que aumente, quanto a mim, o motivo de vos gloriardes em Cristo Jesus, pela minha presença, de novo, convosco.


 

Tópicos a serem abordados:

- Há milhares de anos atrás, as cavernas e grutas eram a moradia dos homens primitivos.  Nelas ficaram gravados, por meio de desenhos, os seus hábitos e suas experiências .Utilizavam as pinturas rupestres ( tais como: animais selvagens, linhas, círculos, e seres humanos em situações de caça) como forma de se expressar e comunicar antes mesmo que se consolidasse uma linguagem verbal. Os instrumentos utilizados eram pedras, ossos e sangue de animais. Eles também caçavam e coletava frutos para se alimentar (1).

-  Esta foi uma fase transitória (passageira) que se sai por meio do progresso e da civilização; o estado primitivo é a infância da humanidade.

- O homem tem que progredir incessantemente e não pode voltar ao estado primitivo, pois todo conhecimento adquirido não se perde. O objetivo do homem é alcançar a perfeição e para isto é necessário que se desenvolva a moral (os sentimentos) e a inteligência. O desenvolvimento da moral não segue sempre, imediatamente, o desenvolvimento da inteligência.  Durante um período da sua existência, ele se adianta em ciência; durante outro, em moralidade.

- O progresso é lento e ocorre em diversas encarnações, cada um adquire pouco a pouco as faculdades (aptidões e habilidades) que lhe faltam.  

- Apesar de ter ocorrido um grande progresso material, através das invenções e descobertas (tais como: grandes construções para moradia, alimentos industrializados, medicamentos , energia elétrica, água canalizada, computadores, televisão, celulares,  meios de transporte, etc.), em comparação ao homem primitivo, não se pode dizer que a nossa civilização possui um desenvolvimento completo.

- Somente teremos o direito de dizer que somos povos civilizados, quando a nossa sociedade houver deixado os vícios (tais como: a inveja, o ódio, o egoísmo, o orgulho, o preconceito, a mentira, etc) que prejudicam uns aos outros e passemos a viver como irmãos, praticando a caridade.  

- Nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Então os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contacto social. De tempos a tempos, surgem na sociedade homens de gênio que lhe dão um impulso, promovendo um desenvolvimento mais rápido.  O homem de gênio é um Espírito que tem vivido mais tempo;e portanto, adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos adiantados. Deste modo, traz um grande avanço através do seu conhecimento, assim como um professor auxilia o aluno. 

- Cinco séculos anteriores à sua encarnação neste mundo, Jesus Cristo enviou-lhes, numerosa coorte de Espíritos sábios e benevolentes, para promover o desenvolvimento moral e intelectual da humanidade. De todas as grandes figuras daqueles tempos longínquos, destaca-se a grandiosa figura de Sócrates, filósofo grego, na Atenas antiga. Nas praças públicas, ensinava à infância e à juventude o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem, lançando as sementes generosas da solidariedade. Entretanto, Atenas, como cérebro do mundo de então, apesar do seu vasto progresso, não consegue suportar a lição avançada do grande mensageiro de Jesus. Sócrates é acusado de perverter os jovens atenienses e por este motivo é preso  e condenado a morte pela cicuta (veneno).        

-  Mais tarde, Jesus Cristo, o sublime educador, veio a este mundo nos mostrar o caminho que nos conduz à felicidade, através dos seus ensinamentos morais e dos seus exemplos. Se o Cristo, não viesse à Terra, ela ainda estaria envolvida nos primórdios da civilização.

-  No entanto, muitas palavras do mestre Jesus, não foram compreendias ou permaneceram falsamente interpretadas. Então, o Espiritismo surgiu para contribuir com o progresso moral da humanidade, trazendo o verdadeiro   sentido de suas palavras, através de uma linguagem clara e esclarecedora. Veio combater o materialismo, mostrando que vida continua após a morte e que iremos receber de acordo com nossas obras.  Ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos, abolindo preconceitos de raças e crenças.

- Um dia, certamente o Espiritismo se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade. 

 

Comentário (1): http://www.infoescola.com/artes/historia-do-desenho/ - Data da consulta: 03/04/15.

 

Perguntas para fixação:

1. Onde ficaram registrados alguns dos hábitos e experiências do homem primitivo?

2. O homem civilizado pode voltar ao estado primitivo?

3. O desenvolvimento da moral ocorre ao mesmo tempo que o desenvolvimento da inteligência?

4. Dê exemplos de invenções e descobertas da nossa sociedade que mostram que ocorreu um grande progresso material.

5. Apesar deste grande avanço, pode-se dizer que a nossa civilização é completa?

6. Quais são as características de um povo civilizado por completo?

7. O que é o homem de gênio e qual é a sua contribuição para o progresso?

8. Qual é o nome do filósofo grego, que se destacou por contribuir para o avanço da humanidade?

9. Como o Espiritismo contribui para o progresso da humanidade?

10. Um dia, o Espiritismo será a crença de todos?

  

 

Subsídio para o Evangelizador:

             A primeira fase humana, que poderemos chamar pré-hebraica ou bárbara, arrastou-se lentamente e por tempo prolongado em horrores e convulsões de uma terrível barbárie. Aí o homem é peludo como um animal selvagem e, como as feras, abriga-se em cavernas e nos bosques. Vive de carne crua e se repasta de seu semelhante, qual se fora excelente caça. É o mais absoluto reino da antropofagia. Nada de sociedade, nada de família! Alguns grupos dispersos aqui e ali, vivendo na mais completa promiscuidade e sempre prontos a se entredevorarem: tal é o quadro desse período cruel. Nenhum culto, nenhuma tradição, nenhuma idéia religiosa. Apenas necessidades animais a satisfazer, eis tudo! (Revista Espírita. Novembro de 1862. Origem da linguagem. Allan Kardec).

            A princípio, o homem, à semelhança do próprio animal, procurava apenas prover as necessidades imediatas, produzindo um fenômeno eminentemente predatório, numa vida nômade, em que se utilizava das reservas animais e vegetais para a caça, a pesca e colheita de frutos silvestres, seguindo adiante, após a destruição das fontes naturais de manutenção. No período da pedra lascada sentiu-se impelido a ampliar os braços e as pernas para atingir as metas da aquisição de recursos, recorrendo a instrumentos rudes, passando mais tarde à agricultura para, da terra, em regime de sociedade, extrair os bens que lhe facultassem a preservação da vida, prosseguindo, imediatamente, a criação de rebanhos que domesticou, capazes de propiciar-lhe relativa abundância, pelo resultante do armazenamento dos excedentes da colheita e do abate animal, deixando de ser precárias as condições, assaz primitivas, em que vivia. Com a utilização dos instrumentos mais aprimorados para a caça, a pesca, a agricultura, a criação de rebanhos, as atividades tornaram-se rendosas, facultando a troca de mercadorias como primeiro passo para o comércio e posteriormente para a indústria, de modo a fomentar recursos sempre novos e cada vez mais complexos, pelos quais libertava-se paulatinamente das dificuldades iniciais para levantar a base do equilíbrio social, pela previsão e recursos de previdência segura, ante os períodos cíclicos de calamidades que sofria com frequência: secas, guerras, enfermidades. (Estudos Espíritas. Cap. 11. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco).

            O estado de natureza (estado primitivo) é a infância da Humanidade e o ponto de partida do seu desenvolvimento intelectual e moral. Sendo perfectível e trazendo em si o gérmen do seu aperfeiçoamento, o homem não foi destinado a viver perpetuamente no estado de natureza, como não o foi a viver eternamente na infância. Aquele estado é transitório para o homem, que dele sai por virtude do progresso e da civilização. (O Livro dos Espíritos. Questão 776. Allan Kardec).

            Assim, pode dar-se que os homens mais civilizados tenham sido selvagens e antropófagos?

            Tu mesmo o foste mais de uma vez, antes de seres o que és. (O Livro dos Espíritos. Questão 787-b. Allan Kardec).

            Pode o homem retrogradar para o estado de natureza?

            Não, o homem tem que progredir incessantemente e não pode voltar ao estado de infância. Desde que progride, é porque Deus assim o quer. Pensar que possa retrogradar à sua primitiva condição fora negar a lei do progresso. (O Livro dos Espíritos. Questão 778. Allan Kardec)

            O sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita. No círculo acanhado do orbe terrestre, ambos são classificados como adiantamento moral e adiantamento intelectual, mas, como estamos examinando os valores propriamente do mundo, em particular, devemos reconhecer que ambos são imprescindíveis ao progresso, sendo justo, porém, considerar a superioridade do primeiro sobre o segundo, porquanto a parte intelectual sem a moral pode oferecer numerosas perspectivas de queda, na repetição das experiências, enquanto que o avanço moral jamais será excessivo, representando o núcleo mais importante das energias evolutivas. (O Consolador. Questão 204. Espírito Emmanuel . Psicografado por Chico Xavier).

            O progresso moral acompanha sempre o progresso intelectual?

            Decorre deste, mas nem sempre o segue imediatamente. (O Livro dos Espíritos. Questão 780. Allan Kardec).

            O Espírito progride em insensível marcha ascendente, mas o progresso não se efetua simultaneamente em todos os sentidos. Durante um período da sua existência, ele se adianta em ciência; durante outro, em moralidade. (O Livro dos Espíritos. Questão 365. Allan Kardec).

             Como pode o progresso intelectual pode conduzir o progresso moral?

            Fazendo compreensíveis o bem e o mal. O homem, desde então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio acompanha o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos atos. (O Livro dos Espíritos. Questão 780-a. Allan Kardec).

            Como é, nesse caso, que, muitas vezes, sucede serem os povos mais instruídos os mais pervertidos também?

            O progresso completo constitui o objetivo. Os povos, porém, como os indivíduos, só passo a passo o atingem. Enquanto não se lhes haja desenvolvido o senso moral, pode mesmo acontecer que se sirvam da inteligência para a prática do mal. O moral e a inteligência são duas forças que só com o tempo chegam a equilibrar-se. (O Livro dos Espíritos. Questão 780-b. Allan Kardec).

            A força para progredir, haure-a o homem em si mesmo, ou o progresso é apenas fruto de um ensinamento?

            O homem se desenvolve por si mesmo, naturalmente. Mas, nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros, por meio do contacto social. (O Livro dos Espíritos. Questão 779. Allan Kardec).

            Tem o homem o poder de paralisar a marcha do progresso?

            Não, mas tem, às vezes, o de embaraçá-la.

            Que se deve pensar dos que tentam deter a marcha do progresso e fazer que a Humanidade retrograde?

            Pobres seres, que Deus castigará! Serão levados de roldão pela torrente que procuram deter. Sendo o progresso uma condição da natureza humana, não está no poder do homem opor-se-lhe. É uma força viva, cuja ação pode ser retardada, porém não anulada, por leis humanas más. Quando estas se tornam incompatíveis com ele, despedaça-as juntamente com os que se esforcem por mantê-las. Assim será, até que o homem tenha posto suas leis em concordância com a justiça divina, que quer que todos participem do bem e não a vigência de leis feitas pelo forte em detrimento do fraco. (O Livro dos Espíritos. Questão 781. Allan Kardec).

            Segue sempre marcha progressiva e lenta o aperfeiçoamento da Humanidade?

            Há o progresso regular e lento, que resulta da força das coisas. Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto devera, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.

            O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Ele se instrui pela força das coisas. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas idéias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações. (O Livro dos Espíritos. Questão 783. Allan Kardec).       

            Qual o maior obstáculo ao progresso?

            O orgulho e o egoísmo. Refiro-me ao progresso moral, porquanto o intelectual se efetua sempre. À primeira vista, parece mesmo que o progresso intelectual reduplica a atividade daqueles vícios, desenvolvendo a ambição e o gosto das riquezas, que, a seu turno, incitam o homem a empreender pesquisas que lhe esclarecem o Espírito. Assim é que tudo se prende, no mundo moral, como no mundo físico, e que do próprio mal pode nascer o bem. Curta, porém, é a duração desse estado de coisas, que mudará à proporção que o homem compreender melhor que, além da que o gozo dos bens terrenos proporciona, uma felicidade existe maior e infinitamente mais duradoura.

            Há duas espécies de progresso, que uma a outra se prestam mútuo apoio, mas que, no entanto, não marcham lado a lado: o progresso intelectual e o progresso moral. Entre os povos civilizados, o primeiro tem recebido, no correr deste século, todos os incentivos. Por isso mesmo atingiu um grau a que ainda não chegara antes da época atual. Muito falta para que o segundo se ache no mesmo nível. Entretanto, comparando-se os costumes sociais de hoje com os de alguns séculos atrás, só um cego negaria o progresso realizado. (O Livro dos Espíritos. Questão 785. Allan Kardec)

            É um progresso a civilização ou, como o entendem alguns filósofos, uma decadência da Humanidade?

            Progresso incompleto. O homem não passa subitamente da infância à madureza.

             Será racional condenar-se a civilização?

            Condenai antes os que dela abusam e não a obra de Deus. (O Livro dos Espíritos. Questão 790 e 790-a. Allan Kardec).

             Apurar-se-á algum dia a civilização, de modo a fazer que desapareçam os males que haja produzido?

            Sim, quando o moral estiver tão desenvolvido quanto a inteligência. O fruto não pode surgir antes da flor. (O Livro dos Espíritos. Questão 791. Allan Kardec).

            Por que não efetua a civilização, imediatamente, todo o bem que poderia

produzir?

            Porque os homens ainda não estão aptos nem dispostos a alcançá-lo.

             Não será também porque, criando novas necessidades, suscita paixões novas?

            É, e ainda porque não progridem simultaneamente todas as faculdades do Espírito. Tempo é preciso para tudo. De uma civilização incompleta não podeis esperar frutos perfeitos. (O Livro dos Espíritos. Questão 792 e 792-a. Allan Kardec).

            Por que indícios se pode reconhecer uma civilização completa?

            Reconhecê-la-eis pelo desenvolvimento moral. Credes que estais muito adiantados, porque tendes feito grandes descobertas e obtido maravilhosas invenções; porque vos alojais e vestis melhor do que os selvagens. Todavia, não tereis verdadeiramente o direito de dizer-vos civilizados, senão quando de vossa sociedade houverdes banido os vícios que a desonram e quando viverdes como irmãos, praticando a caridade cristã. Até então, sereis apenas povos esclarecidos, que hão percorrido a primeira fase da civilização.

            A civilização, como todas as coisas, apresenta gradações diversas. Uma civilização incompleta é um estado transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso, entretanto, constitui menos um progresso natural, necessário, que traz consigo o remédio para o mal que causa. À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecerão todos com o progresso moral.

            De duas nações que tenham chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência se puder desenvolver com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, por isso que tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor do próximo; onde as leis nenhum privilégio consagrem e sejam as mesmas, assim para o último, como para o primeiro; onde com menos parcialidade se exerça a justiça; onde o fraco encontre sempre amparo contra o forte; onde a vida do homem, suas crenças e opiniões sejam melhormente respeitadas; onde exista menor número de desgraçados; enfim, onde todo homem de boa-vontade esteja certo de lhe não faltar o necessário. (O Livro dos Espíritos. Questão 793. Allan Kardec).

            A Humanidade progride, por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e instruem. Quando estes preponderam pelo número, tomam a dianteira e arrastam os outros. De tempos a tempos, surgem no seio dela homens de gênio que lhe dão um impulso; vêm depois, como instrumentos de Deus, os que têm autoridade e, nalguns anos fazem-na adiantar-se de muitos séculos. (O Livro dos Espíritos. Questão 789. Allan Kardec).

            O homem de gênio é um Espírito que tem vivido mais tempo; que, por conseguinte, adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos adiantados. Encarnando, traz o que sabe e, como sabe muito mais do que os outros e não precisa aprender, é chamado homem de gênio. Mas seu saber é fruto de um trabalho anterior e não resultado de um privilégio. Antes de renascer, era ele, pois, Espírito adiantado: reencarna para fazer que os outros aproveitem do que já sabe, ou para adquirir mais do que possui.

            Os homens progridem incontestavelmente por si mesmos e pelos esforços de sua inteligência; mas, entregues às próprias forças, só muito lentamente progrediriam, se não fossem auxiliados por outros mais adiantados, como o estudante o é pelos professores. Todos os povos tiveram homens de gênios, surgidos em diversas épocas, para dar-lhes impulso e tirá-los da inércia. (Revista Espírita. Abril de 1866. Revelação. Allan Kardec).

            Examinando a maioridade espiritual das criaturas humanas, enviou-lhes o Cristo, antes de sua vinda ao mundo, numerosa coorte de Espíritos sábios e benevolentes, aptos a consolidar, de modo definitivo, essa maturação do pensamento terrestre.

            As cidades populosas do globo enchem-se, então, de homens cultos e generosos, de filósofos e de artistas, que renovam, para melhor, todas as tendências da Humanidade.

            Grandes mestres do cérebro e do coração formam escolas numerosas na Grécia, que assumia a direção intelectual do orbe inteiro. A maioria desses pensadores, que eram os enviados do Cristo às coletividades terrestres, trazem, do círculo retraído e isolado dos templos, os ensinamentos dos grandes iniciados para as praças públicas, pregando a verdade às multidões.

            Assim como a organização do homem físico exigira as mais amplas experiências da natureza, antes de se fixarem os seus caracteres biológicos definitivos, a lição de Jesus, que representa o roteiro seguro para a edificação do homem espiritual, deveria ser precedida pelas experiências mais vastas no campo social.

            É por essa razão que observamos, nos cinco séculos anteriores à vinda do Cordeiro, uma aglomeração de inúmeras escolas políticas, religiosas e filosóficas dos mais diversos matizes, em todos os ambientes do mundo.

            (...)De todas as grandes figuras daqueles tempos longínquos, somos compelidos a destacar a grandiosa figura de Sócrates, na Atenas antiga.

            Superior a Anaxágoras, seu mestre, como também imperfeitamente interpretado pelos seus três discípulos mais famosos, o grande filósofo está aureolado pelas mais divinas claridades espirituais, no curso de todos os séculos planetários. Sua existência, em algumas circunstâncias, aproxima-se da exemplificação do próprio Cristo. Sua palavra confunde todos os espíritos mesquinhos da época e faz desabrochar florações novas de sentimento e cultura na alma sedenta da mocidade. Nas praças públicas, ensina à infância e à juventude o formoso ideal da fraternidade e da prática do bem, lançando as sementes generosas da solidariedade dos pósteros.

            Mas Atenas, como cérebro do mundo de então, apesar do seu vasto progresso, não consegue suportar a lição avançada do grande mensageiro de Jesus. Sócrates é acusado de perverter os jovens atenienses, instilando-lhes o veneno da liberdade nos corações. Preso e humilhado, seu espírito generoso não se acovarda diante das provas rudes que lhe extravasam do cálice de amarguras. Consciente da missão que trazia, recusa fugir do próprio cárcere, cujas portas se lhe abrem às ocultas pela generosidade de alguns juízes.

            Os enviados do plano invisível cercam-lhe o coração magnânimo e esclarecido, nas horas mais ásperas e agudas da provação; e quando a esposa, Xantipa, assoma às grades da prisão para comunicar-lhe a nefanda condenação à morte pela cicuta, ei-la exclamando no auge da angústia e desesperação:

            – “Sócrates, Sócrates, os juízes te condenaram à morte...”

            – "Que tem isso? – responde resignadamente o filósofo – Eles também estão condenados pela Natureza.”

            – “Mas essa condenação é injusta..." – soluça ainda a desolada esposa.

            E ele a esclarece com um olhar de paciência e de carinho:

            – “E quererias que ela fosse justa?"

            Senhor do seu valoroso e resignado heroísmo, Sócrates abandona a Terra, alçando-se de novo aos páramos constelados, onde o aguardava a bênção de Jesus. (A caminho da luz. Cap. 10. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            É inegável a importância da tarefa dos europeus, impulsando o progresso dos outros continentes do planeta. Foi a sua grandiosa civilização, cujos primórdios o cristianismo alimentou com a rica substancialidade dos seus ideais que renovou as atividades científicas e industriais dos povos do Oriente, inaugurando, ainda, nas terras americanas, uma vida nova, não obstante as atrocidades execráveis praticadas pelos conquistadores, para submeterem o elemento indígena.

            Com exceção das doutrinas filosóficas, que a civilização ocidental não poderia oferecer, com uma substância superior, aos povos orientais, de vez que a obra cristã se encontrou sempre deturpada desde a sua união com as forças políticas do Estado, foram os europeus que instituíram, com a sua imaginação criadora, um surto novo de progresso para as fontes da cultura humana. Os seus esforços são inapreciáveis; suas atividades, grandiosas, nesse movimento de inventar as comodidades da civilização e as utilidades dos povos. Todavia, espiritualmente, os povos europeus cometeram o erro terrível de perturbar a evolução do Cristianismo, assimilando-o às obsoletas concepções da mitologia grega e às velhas tradições de imperialismo dos patrícios de Roma, de cujo confusionismo nasceu a doutrina católico-romana, em perfeita oposição ao ideal da simplicidade cristã. (Livro: Emmanuel. Cap.17. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Em vão, transplantara-se para Roma a extraordinária sabedoria ateniense e a colaboração de todas as experiências dos povos conquistados. Os Espíritos encarnados não conseguiram a eliminação dos laços odiosos da vaidade e da ambição, sentindo-se traídos em suas energias mais profundas, contraindo débitos penosos, perante os tribunais da Justiça Divina.

            A vinda do Cristo ao cenáculo obscuro do planeta, trazendo a mensagem luminosa da verdade e do amor, assinalara o período da maioridade espiritual da Humanidade. Essa maioridade implicava direitos que, por sua vez, se fariam acompanhar do agravo de responsabilidades e deveres para a solução de grandes problemas educativos do coração. Se ao homem físico rasgavam-se os mais amplos horizontes nos domínios do progresso material, os Evangelhos vinham trazer ao homem espiritual um roteiro de novas atividades, educando-o convenientemente para as suas arrojadas conquistas de ciência e de liberdade, com vistas ao porvir. O aproveitamento desse processo educativo deveria ser levado a efeito pela capital do mundo, de acordo com os desígnios do plano espiritual. Pesadas forças da Treva, porém, aliaram-se às mais fortes tendências do homem terrestre, constantemente inclinado aos liames do mal que o prendiam à Terra, adstrito aos mais grosseiros instintos de conservação, e, enquanto os Espíritos abnegados, do Alto, choram sobre os abusos de liberdade dos romanos, a cidade dos Césares embriaga-se cada vez mais no vinho do ódio e da ambição, contraindo dívidas penosas, entrelaçando os seus sentimentos com o ódio dos vencidos e dos humilhados, criando negras perspectivas para o longínquo futuro. (A caminho da luz. Cap. 15. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            A igreja de Roma, que antes da criação oficial do Papado considerava-se a eleita de Jesus, ao arvorar-se em detentora das ordenações de Pedro, não perdia ensejos de firmar a sua injustificável primazia junto às suas congêneres de Antioquia, de Alexandria e dos demais grandes centros da época. Herdando os costumes romanos e suas disposições multisseculares, procurou um acordo com as doutrinas consideradas pagãs, pela posteridade, modificando as tradições puramente cristãs, adaptando textos, improvisando novidades injustificáveis e organizando, finalmente, o Catolicismo sobre os escombros da doutrina deturpada.

            Os bispos de Roma, abusando do fácil entendimento com as autoridades políticas do Estado, impunham suas inovações arbitrárias, contrariando as sublimes finalidades do ensinamento d’Aquele que preconizara a humildade e o amor como os grandes caminhos da redenção.

            É assim que aparecem novos dogmas, novas modalidades doutrinárias, o culto dos ídolos nas igrejas, as espetaculosas festas do culto externo, copiados quase todos os costumes da Roma anticristã. (A caminho da luz. Cap. 16. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            Onde localizar a origem dos desvios da razão humana?

            A origem desse desequilíbrio reside na defecção do sacerdócio, nas várias igrejas que se fundaram nas concepções do Cristianismo. Ocultando a verdade para que prevalecessem os interesses econômicos de seus transviados expositores, as seitas religiosas operaram os desvirtuamento da fé, fixando a sua atividade, por absoluta ausência de colaboração com o raciocínio, no caminho infinito de conquistas da vida. (O Consolador. Questão 200. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier).

            É chegada a hora em que a Igreja tem de prestar contas do depósito que lhe foi confiado, da maneira por que pratica os ensinos do Cristo, do uso que fez da sua autoridade, enfim, do estado de incredulidade a que levou os espíritos. A hora é vinda em que ela tem de dar a César o que é de César e de assumir a responsabilidade de todos os seus atos. Deus a julgou, e a reconheceu inapta, daqui por diante, para a missão de progresso que incumbe a toda autoridade espiritual. Somente por meio de uma transformação absoluta lhe seria possível viver; mas, resignar-se-á ela a essa transformação? Não, pois que, então, já não seria a Igreja; para assimilar as verdades e as descobertas da Ciência, teria de renunciar aos dogmas que lhe servem de fundamentos; para volver à prática rigorosa dos preceitos do Evangelho, teria de renunciar ao poder, à dominação, de trocar o fausto e a púrpura pela simplicidade e a humildade apostólicas. Ela se acha nesta alternativa: ou se suicida, transformando-se; ou sucumbe nas garras do progresso, se permanecer estacionária.

            Aliás, Roma já se mostra cheia de ansiedade e na Cidade Eterna se sabe, por inegáveis revelações, que a Doutrina Espírita causará dor viva ao papado, porque na Itália se prepara rigorosamente o cisma. Não é, pois, de espantar o encarniçamento com que o clero se lança ao combate contra o Espiritismo, impelido pelo instinto de conservação. Ele, porém, já verificou que suas armas se embotam contra essa potência que surge; seus argumentos não têm podido resistir à lógica inflexível; só lhe resta o demônio, mísero auxiliar seu no século XIX. (Obras póstumas. A igreja. Allan Kardec).

            De que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?

            Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, ele faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos. (O Livro dos Espíritos. Questão 799. Allan Kardec)

            Não será de temer que o Espiritismo não consiga triunfar da negligência dos homens e do seu apego às coisas materiais?

            Conhece bem pouco os homens quem imagine que uma causa qualquer os possa transformar como que por encanto. As idéias só pouco a pouco se modificam, conforme os indivíduos, e preciso é que algumas gerações passem, para que se apaguem totalmente os vestígios dos velhos hábitos. A transformação, pois, somente com o tempo, gradual e progressivamente, se pode operar. Para cada geração uma parte do véu se dissipa. O Espiritismo vem rasgá-lo de alto a baixo. Entretanto, conseguisse ele unicamente corrigir num homem um único defeito que fosse e já o haveria forçado a dar um passo. Ter-lhe-ia feito, só com isso, grande bem, pois esse primeiro passo lhe facilitará os outros. (O Livro dos Espíritos. Questão 800. Allan Kardec).

            Visto que o Espiritismo tem que marcar um progresso da Humanidade, por que não apressam os Espíritos esse progresso, por meio de manifestações tão generalizadas e patentes, que a convicção penetre até nos mais incrédulos?

            Desejaríeis milagres; mas Deus os espalha a mancheias diante dos vossos passos e, no entanto, ainda há homens que o negam. Conseguiu, porventura, o próprio Cristo convencer os seus contemporâneos, mediante os prodígios que operou? Não conheceis presentemente alguns que negam os fatos mais patentes, ocorridos às suas vistas? Não há os que dizem que não acreditariam, mesmo que vissem? Não; não é por meio de prodígios que Deus quer encaminhar os homens. Em Sua bondade, Ele lhes deixa o mérito de se convencerem pela razão. ( O Livro dos Espíritos. Questão 802. Allan Kardec)

            O Espiritismo se tornará crença comum, ou ficará sendo partilhado, como crença, apenas por algumas pessoas?

            Certamente que se tornará crença geral e marcará nova era na história da humanidade, porque está na Natureza e chegou o tempo em que ocupará lugar entre os conhecimentos humanos. Terá, no entanto, que sustentar grandes lutas, mais contra o interesse, do que contra a convicção, porquanto não há como dissimular a existência de pessoas interessadas em combatê-lo, umas por amor-próprio, outras por causas inteiramente materiais. Porém, como virão a ficar insulados, seus contraditores se sentirão forçados a pensar como os demais, sob pena de se tornarem ridículos.

            As idéias só com o tempo se transformam; nunca de súbito. De geração em geração, elas se enfraquecem e acabam por desaparecer, paulatinamente, com os que as professavam, os quais vêm a ser substituídos por outros indivíduos imbuídos de novos princípios, como sucede com as idéias políticas. Vede o paganismo. Não há hoje mais quem professe as idéias religiosas dos tempos pagãos.

            Todavia, muitos séculos após o advento do Cristianismo, delas ainda restavam vestígios, que somente a completa renovação das raças conseguiu apagar. Assim será com o Espiritismo. Ele progride muito; mas, durante duas ou três gerações, ainda haverá um fermento de incredulidade, que unicamente o tempo aniquilará. Sua marcha, porém, será mais célere que a do Cristianismo, porque o próprio Cristianismo é quem lhe abre o

caminho e serve de apoio. O Cristianismo tinha que destruir; o Espiritismo só tem que edificar. (O Livro dos Espíritos. Questão 798. Allan Kardec).

            Como disse alhures, a Humanidade já atravessou três grandes períodos: a fase bárbara, a fase hebraica e pagã e a fase cristã. A esta última sucederá o grande período espírita, cujos fundamentos iniciais lançamos entre vós. (Revista Espírita. Novembro de 1862. Origem da linguagem. Allan Kardec).

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões: 365, 776, 778, 779, 780, 780-a, 780-b, 781, 783, 785, 789, 790, 790-a, 791, 792, 792-a, 793, 798,  799, 800, 802. Allan Kardec.

- Obras póstumas. A igreja. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Abril de 1866. Revelação. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Novembro de 1862. Origem da linguagem. Allan Kardec.

- O Consolador. Questões 200 e 204. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- A caminho da luz. Cap. 10 e 15. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Livro: Emmanuel. Cap.17. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Estudos Espíritas. Cap. 11. Joanna de Ângelis. Divaldo P. Franco.