Aula 42 - Não julgue para não ser julgado *

Ciclo 2 - História:  Julgamento equivocado  -  Atividade: PH - Jesus - 15 - Não julgue para não ser julgado.

Ciclo 3 - História:  A lição inesquecível  -  AtividadeESE - Cap. 10 - 5 - Não julgar, para não ser julgado.   

 

Dinâmicas: Julgamento; Ilusão de ótica.

Mensagens Espíritas: Julgamento.

Sugestão de vídeo: Os 7 sábios cegos e o elefante. (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: - A vida fala III. A Lição Inesquecível. Editora FEB.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 7


7.1   Não julgueis, para que não sejais julgados.


7.2   Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.


 

Tiago - Capítulo 4


4.11   Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz.


4.12   Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?


 

João - Capítulo 8


8.15   Vocês julgam por padrões humanos; eu não julgo ninguém.


8.16   Mesmo que eu julgue, as minhas decisões são verdadeiras, porque não estou sozinho. Eu estou com o Pai, que me enviou.


 

Romanos - Capítulo 2


2.1   Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando você mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas.


2.2   Sabemos que o juízo de Deus contra os que praticam tais coisas é conforme a verdade.


2.3   Assim, quando você, um simples homem, os julga, mas pratica as mesmas coisas, pensa que escapará do juízo de Deus?


 

João - Capítulo 8


8.3   Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos,


8.4   disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.


8.5   E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes?


8.6   Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo.


8.7   Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.


8.8   E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.


8.9   Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava.


8.10   Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?


8.11   Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.


 

Tópicos a serem abordados:

- Muitos têm o costume de julgar as pessoas, coisas e situações, apontando erros e falhas, avaliando alguém pela sua aparência ou sua atitude. O hábito de julgar os outros constitui uma das imperfeições de nosso caráter. Reparar na vida alheia; falar mal de nossos colegas, de nossos amigos e de nossos parentes; criticar os atos dos outros; fazer intrigas; contar para todos as faltas que viu alguém cometer; tudo isso é julgar os outros. (1)

- Jesus disse: ''Não julguem, a fim de não serem julgados; porque vocês serão julgados segundo julgaram os outros''. Não devemos julgar com mais severidade os outros, do que julgamos a nós mesmos, nem condenar no outro aquilo de que nos desculpamos.  Antes de atribuir a alguém uma falta ou apontar algum erro, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.

- Não julgue o próximo através de aparências, pois podemos nos equivocar e lhe causar um grande prejuízo. Cada pessoa tem a sua dificuldade, não existem dois problemas, absolutamente iguais. Devemos ser tolerantes e compreendê-las. Diante de um velhinho, sujo e mal vestido, que não consegue arrumar emprego, uns podem pensar: ''É um homem bêbado, vá embora daqui.'' Já outros pensam: ''É um homem que precisa de auxílio .'' Não faça julgamento precipitado, tenha compaixão.

- Para aqueles que condenavam a mulher adúltera, Jesus disse: ''Atire a primeira pedra aquele que não tiver pecado'' . Conforme a lei Moisés, aquela que cometesse adultério (traição) deveria ser apedrejada até a morte. Com suas palavras, Jesus quis mostrar que era contrário a esta prática.  Pois, tirar a vida do seu semelhante é um crime, segundo as leis de Deus (2). Quis também ensinar , que não devemos julgar os outros, pois também cometemos erros.

- Entretanto, Jesus não queria proibir de censurar o mal, sendo que o mal existe. Pois, com sua autoridade moral, ele mesmo o combatia de maneira enérgica.  Mostrar o erro do seu irmão, com um fim útil, mas com moderação, é um dever. Jesus disse: ''Se o seu irmão pecar, vá e mostre o erro dele, mas em particular, só entre vocês dois. Se ele der ouvidos, você terá ganho o seu irmão (Mateus, 18:15)”. O erro está em julgar, desapreciar ou desvalorizar uma pessoa diante do público, prejudicando-a sem necessidade, neste caso é maledicência (falar mal das pessoas), uma maldade. 

- O direito de julgar pertence a Deus. Só nosso Pai sabe julgar com justiça os erros de seus filhos. Mas todos nós possuímos o direito de analisar entre o bem e o mal, para que possamos seguir o caminho para Deus. Julgar uma ação é diferente de julgar a criatura. Posso julgar e considerar o adultério moralmente errado, mas não posso e não devo julgar a pessoa prostituída.

- Julgar os outros é ser orgulhoso, porque quem julga pensa que é superior a seus irmãos. Quando percebemos os defeitos alheios, devemos evitar falar deles ou divulgá-los. Tenhamos indulgência e perdão no coração.

 

Comentário (1): 52 Lições de Catequismo Espírita. 24ª Lição. Eliseu Rigonatti. (2): LE. Questão 746. A. K.

 

Perguntas para fixação:

1. O que é julgar os outros?

2. Por que não devemos julgar pelas aparências?

3. Antes de apontar o erro de alguém o que devemos fazer?

4. Com qual objetivo podemos mostrar o erro de alguém ?

6. Se os erros de uma pessoa prejudicam a ela mesmo devemos criticá-la?

7. A quem pertence o direito de julgar e aplicar a sua justiça?

8. Qual é o sentimento devemos ter, contrário ao hábito de julgar?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Segundo o dicionário aurélio a palavra ''julgamento'' significa: Ato ou efeito de julgar.  Opinião, juízo, apreciação: submeto-me a seu julgamento.  Decisão, sentença emanada de um tribunal ou juiz (http://www.dicionariodoaurelio.com/Julgamento.html).

            Toda opinião ou juízo que desenvolvemos no presente está intimamente ligado a fatos antecedentes.

            Censuras, observações, admoestações, superstições, preconceitos, opiniões, informações e influências do meio, inclusive de instituições diversas, formaram em nós um tipo de ―reservatório moral - coleção  de regras e preceitos a ser rigorosamente cumpridos , do qual nos servimos para concluir e catalogar as atitudes em boas ou más.

            Nossa concepção ético -moral está baseada na noção adquirida em nossas experiências domésticas, sociais e religiosas, das quais nos servimos para emitir opiniões ou pontos de vista, a fim de harmonizarmos e resguardarmos tudo aquilo em que acreditamos como sendo ―verdades absolutas.

            Em razão disso, os freqüentes julgamentos que fazemos em relação às outras pessoas nos informam sobre tudo aquilo que temos por dentro. Explicando melhor, a  forma e o material utilizados para sentenciar os outros residem  dentro de nós.

            (...)Segundo Paulo de Tarso, é indesculpável o homem, quem quer que seja, que se arvora em ser juiz. Porque julgando os outros, ele condena a

si mesmo, pois praticará as mesmas coisas, atraindo -as para si, com seu julgamento (Romanos 2:1).

            O Apóstolo dos Gentios manifesta - se claramente, evidenciando nessa afirmativa que todo comportamento julgador estará, na realidade, estabelecendo não somente uma sentença, ou um veredicto, mas, ao mesmo tempo, um juízo, um valor, um peso e uma medida de como julgaremos a nós mesmos.

            (...)Nossos julgamentos serão sempre os motivos de nossa liberdade ou de nossa prisão no processo de desenvolvimento e crescimento espiritual.

            (Renovando Atitudes. Cap. 1. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto).

            Toda vez que uma pessoa define eticamente outra, está pura e simplesmente definindo-se a si mesma, isto é, trazendo para fora o seu mundo íntimo e aplicando-o sobre o próximo. A melhor maneira de conhecer alguém consiste em ouvir suas opiniões a respeito de outras pessoas. É a mulher amasiada que chama outras de prostitutas. É o homem bígamo que adverte outro contra a bigamia. É o estudante relapso ou inábil que se declara perseguido pelo professor ou que este não sabe ensinar. O espírito equilibrado não vê inferioridades em ninguém, antes projeta bondade e condescendência; de dentro dele só pode sair o que lá está, seja o que for. O inseguro, tendo a sensação de suas deficiências, é desconfiado e projeta continuamente o que reveste o fundo do seu espírito. (Evolução para o terceiro milênio. Parte 4. Cap. 9. Item 10. Carlos Toledo Rizzini).     

            Em termos de psicologia profunda, a questão do julgamento das faltas alheias constitui um grave cometimento de desumanidade em relação àquele que erra.

            (...)Toda contribuição de impiedade, mediante os julgamentos arbitrários, gera, por sua vez, mecanismos de futura aflição para o acusador, ele próprio uma  consciência sob o peso de vários problemas.

            Julgando as ações que considera incorretas no seu próximo, realiza um fenômeno de projeção da sua sombra em forma de autojustificação, que não consegue libertá-lo do impositivo das suas próprias mazelas.

            A tolerância, em razão disso, a todos se impõe como terapia pessoal e fraternal, compreendendo as dificuldades do caído, enquanto lhe distende mãos generosas para o soerguer.

            Na acusação, no julgamento dos erros alheios, deparamos com propósitos escusos e vingança-prazer em constatar a fraqueza dos outros indivíduos, que sempre merecem a misericórdia que todos esperamos encontrar quando em circunstâncias equivalentes.  (Jesus e atualidade. Cap. 5. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco).

            Diante da cena da mulher adultera, João perguntou a Jesus:

            – Mestre, por que não condenastes a meretriz de vida infame?

            Jesus fixou no discípulo o olhar calmo e bondoso e redargüiu :

            – Quais as razões que aduzes em favor dessa condenação? Sabes o motivo por que essa pobre mulher se prostituiu? Terás sofrido alguma vez a dureza das vicissitudes que ela atravessou em sua vida? Ignoras o vulto das necessidades e das tentações que a fizeram sucumbir a meio do caminho. Não sabes quantas vezes tem sido ela objeto do escárnio dos pais, dos filhos e dos irmãos das mulheres mais felizes. Não seria justo agravar-lhe os padecimentos infernais da consciência pesarosa e sem rumo.

            – Entretanto – exclamou João, defendendo os princípios da lei antiga – ela pecou e fez jus à punição. Não está escrito que os homens pagarão, ceitil por ceitil, os seus próprios erros?

            O Mestre sorriu sem se perturbar e esclareceu :

            – Ninguém pode contestar que ela tenha pecado; quem estará irrepreensível na face da Terra? Há sacerdotes da lei, magistrados e filósofos, que prostituíram suas almas por mais baixo preço ; contudo, ainda não lhes vi os acusadores. A hipocrisia costuma, campear impune, enquanto se atiram pedras ao sofrimento. João, o mundo está cheio de túmulos caiados. Deus, porém, é o Pai de Bondade Infinita que aguarda os filhos pródigos em sua casa. Poder-se-ia desejar para a pecadora humilde tormento maior do que aquele a que ela própria se condenou por tempo indeterminado? Quantas vezes lhe tem faltado pão à boca faminta ou a manifestação de um carinho sincero à alma angustiada? Raras dores no mundo serão idênticas às agonias de suas noites silenciosas e tristes. Esse o seu doloroso inferno, sua, aflitiva condenação. E é que, em todos os planos da vida, o instituto da justiça divina funciona, naturalmente, com seus princípios de compensação.

            “Cada ser traz consigo a fagulha sagrada do Criador e erige, dentro de si, o santuário de sua presença ou a muralha sombria da negação; mas, só a luz e o bem são eternos e, um dia, todos os redutos do mal cairão, para que Deus resplandeça no espírito de seus filhos. Não é para ensinar outra coisa que está escrito na lei – “Vós sois deuses!”Porventura, não sabes que a herança de um pai se divide entre os filhos em partes iguais? As criaturas transviadas são as que não souberam entrar na posse de seu quinhão divino, permutando-o pela satisfação de seus caprichos no desregramento ou no abuso, na egolatria ou no crime, pagando alto preço pelas suas decisões voluntárias. Examinada a situação por esse prisma, temos de reconhecer no mundo uma vasta escola de regeneração, onde todas as criaturas se reabilitam da traição aos seus próprios deveres. A Terra, portanto, pode ser tida na conta de um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos ; o Evangelho, no entanto, traz ao homem enfermo o remédio eficaz, para que todas as estradas se transformem em suave caminho de redenção.

            “É por isso que não condeno o pecador para afastar o pecado e, em todas as situações, prefiro acreditar sempre no bem. Quando observares, João, os seres mais tristes e miseráveis, arrastando-se numa noite pejada de sombra e desolação lembra-te da semente grosseira que encerra um gérmen divino e que um dia se elevará do seio da terra para o beijo de luz do Sol.” (Boa Nova. Cap. 13. Pecado e Punição. Espírito Humberto de Campos. Psicografado por Chico Xavier).

            Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver isento de pecado", disse Jesus. Essa sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros, do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de censurar a alguém uma falta, vejamos se a mesma reprovação não nos pode ser feita. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item 13. Allan Kardec). 

            Lapidação ou apedrejamento é uma forma de execução de condenados à morte. Meio de execução muito antigo, consistente em que os assistentes lancem pedras contra o réu, até matá-lo.

            Segundo a Lei Mosaica (lei dos homens), há várias razões que podem condenar uma pessoa à morte por apedrejamento:

            - O homem ou mulher que sejam necromantes ou sejam feiticeiros serão mortos; serão apedrejados; o seu sangue cairá sobre eles. (Levítico 20:27)

            -   Se alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedece à voz de seu pai e à de sua mãe e, ainda castigado, não lhes dá ouvidos,  seu pai e sua mãe o pegarão, e o levarão aos anciãos da cidade, à sua porta,  e lhes dirão: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz, é dissoluto e beberrão. Então, todos os homens da sua cidade o apedrejarão até que morra; assim, eliminarás o mal do meio de ti; todo o Israel ouvirá e temerá. (Deuteronômio 21:18-21)

            - Se um homem casar com uma mulher, e, depois de coabitar com ela, a aborrecer,   e lhe atribuir atos vergonhosos, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Casei com esta mulher e me cheguei a ela, porém não a achei virgem, então, o pai da moça e sua mãe tomarão as provas da virgindade da moça e as levarão aos anciãos da cidade, à porta. Porém, se isto for verdade, que se não achou na moça a virgindade, então, a levarão à porta da casa de seu pai, e os homens de sua cidade a apedrejarão até que morra, pois fez loucura em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai; assim, eliminarás o mal do meio de ti. (Deuteronômio 22: 13, 14, 20 e 21).

            Até hoje essa pena ainda é praticada em alguns países muçulmanos. Apesar de o Corão não mencionar a lapidação como pena, a Lei islâmica aplicada em certos países justifica essa prática por relatos da vida de Maomé. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Apedrejamento)

            Desaparecerá algum dia, da legislação humana, a pena de morte?

            Incontestavelmente desaparecerá e a sua supressão assinalará um progresso da Humanidade. Quando os homens estiverem mais esclarecidos, a pena de morte será completamente abolida na Terra. Não mais precisarão os homens de ser julgados pelos homens. Refiro-me a uma época ainda muito distante de vós. (O Livro dos Espíritos. Questão 760. Allan Kardec).

             Ninguém sendo perfeito, seguir-se-á que ninguém tem o direito de repreender o seu próximo?

            Certamente que não é essa a conclusão a tirar-se, porquanto cada um de vós deve trabalhar pelo progresso de todos e, sobretudo, daqueles cuja tutela vos foi confiada. Mas, por isso mesmo, deveis fazê-lo com moderação, para um fim útil, e não, como as mais das vezes, pelo prazer de denegrir. Neste último caso, a repreensão é uma maldade; no primeiro, é um dever que a caridade manda seja cumprido com todo o cuidado possível. Ao demais, a censura que alguém faça a outrem deve ao mesmo tempo dirigi-la a si próprio, procurando saber se não a terá merecido. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item 19. S. Luís. Paris, 1860. Allan Kardec.)

            Não é possível que Jesus haja proibido se censure o mal, uma vez que ele próprio nos deu o exemplo, tendo-o feito, até, em termos enérgicos. O que quis significar é que a autoridade para censurar está na razão direta da autoridade moral daquele que censura. Tornar-se alguém culpado daquilo que condena noutrem é abdicar dessa autoridade, é privar-se do direito de repressão. A consciência íntima, ao demais, nega respeito e submissão voluntária àquele que, investido de um poder qualquer, viola as leis e os princípios de cuja aplicação lhe cabe o encargo. Aos olhos de Deus, uma única autoridade legítima existe: a que se apóia no exemplo que dá do bem. E o que, igualmente, ressalta das palavras de Jesus.  (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Item 13. Allan Kardec.)

            Considerando a determinação positiva do “não julgueis”, como poderemos discernir do mal, sem julgamento? -Entre julgar e discernir, há sempre grande distância. O ato de julgar para a especificação de conseqüência definitiva pertence à autoridade divina, porém, o direito da análise está instituído para todos os Espíritos, de modo que, discernindo o bem e o mal, o erro e a verdade, possam as criaturas traçar as diretrizes do seu melhor caminho para Deus.(O Consolador. Questão 63. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier). 

            Julgar uma ação é diferente de julgar a criatura. Posso julgar e considerar a prostituição moralmente errada, mas não posso e não devo julgar a pessoa prostituída. (Renovando Atitudes. Cap. 1. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto).

            Nas horas comuns da existência, procuremos a luz evangélica para analisar o erro e a verdade, discernir o bem e o mal; todavia, no instante dos julgamentos definitivos, entreguemos os processos a Deus, que, antes, de nós, saberá sempre o melhor caminho da regeneração dos seus filhos trabalhadores. (O Consolador. Questão 64. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier). 

            Será repreensível notarem-se as imperfeições dos outros, quando daí nenhum proveito possa resultar para eles, uma vez que não sejam divulgadas?

            Tudo depende da intenção. Certamente, não é proibido ver o mal quando o mal existe. Fora mesmo inconveniente ver em toda a parte só o bem. Semelhante ilusão prejudicaria o progresso. O erro está no fazer-se que a observação redunde em detrimento do próximo, desacreditando-o, sem necessidade, na opinião geral. Igualmente repreensível seria fazê-lo alguém apenas para dar expansão a um sentimento de malevolência e à satisfação de apanhar os outros em falta. Dá-se inteiramente o contrário quando, estendendo sobre o mal um véu, para que o público não o veja, aquele que note os defeitos do próximo o faça em seu proveito pessoal, isto é, para se exercitar em evitar o que reprova nos outros. Essa observação, em suma, não é proveitosa ao moralista? Como pintaria ele os defeitos humanos, se não estudasse os modelos?

            Haverá casos em que convenha se desvende o mal de outrem?

            É muito delicada esta questão e, para resolvê-la, necessário se toma apelar para a caridade bem compreendida. Se as imperfeições de uma pessoa só a ela prejudicam, nenhuma utilidade haverá nunca em divulgá-la. Se, porém, podem acarretar prejuízo a terceiros, deve-se atender de preferência ao interesse do maior número. Segundo as circunstâncias, desmascarar a hipocrisia e a mentira pode constituir um dever, pois mais vale caia um homem, do que virem muitos a ser suas vítimas. Em tal caso, deve-se pesar a soma das vantagens e dos inconvenientes. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Itens 20 e 21. S. Luís. Paris, 1860. Allan Kardec.)

             É responsável o homem pelo seu pensamento?

            Perante Deus, é. Somente a Deus sendo possível conhecê-lo, Ele o condena ou absolve, segundo a Sua justiça. (O Livro dos Espíritos. Questão 834. Allan Kardec).       

            (...) Somente a Deus pertence o direito de julgar a consciência. Se o homem regula, pelas suas leis, a relação de homem para homem, Deus, por suas leis naturais, regula as relações do homem com Deus. ( O Livro dos Espíritos. Questão 836. Allan Kardec).

        Certamente, há cortes e autoridades credenciadas para o ministério de saneamento moral da sociedade, encarregadas dos processos que envolvem os delituosos, e os julgam, estabelecendo os instrumentos reeducativos, jamais

punitivos, pois que, se o fizessem, incidiriam em erros idênticos, se não mais graves. (Jesus e atualidade. Cap. 5. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco).

              O Senhor suscitou a formação de juízes na organização social do mundo para que esses magistrados estudem os processos em que nos tornemos passíveis de corrigenda ou segregação, conforme o grau de periculosidade, que venhamos a apresentar na convivência uns com os outros.

             Por outro lado, os princípios de causa e efeito dispõem da sua própria penalogia ante a Divina Justiça.

            Cada qual de nós traz em si e consigo os resultados das próprias ações.

            Ninguém foge às leis que asseguram a harmonia do Universo.( Na era do Espírito. Prova e Julgamento. Espírito Emmanuel. Chico Xavier e Herculano Pires).

           Como atua o mecanismo da Justiça no Plano Espiri­tual?

          - No mundo espiritual, decerto, a autoridade da Justiça funciona com maior segurança, embora saibamos que o meca­nismo da regeneração vige, antes de tudo, na consciência do próprio indivíduo.

            Ainda assim, existem aqui, como é natural, santuários e tribunais, em que magistrados dignos e imparciais examinam as responsabilidades humanas, sopesando-Lhes os méritos e demé­ritos.

            A organização do júri, em numerosos casos, é aqui obser­vada, necessariamente, porém, constituída de Espíritos integra­dos no conhecimento do Direito, com dilatadas noções de culpa e resgate, erro e corrigenda, psicologia humana e ciências so­ciais, a fim de que as sentenças ou informações proferidas se atenham à precisa harmonia, perante a Divina Providência, con­substanciada no amor que ilumina e na sabedoria que sustenta.

            Há delinqüentes tanto no plano terrestre quanto no plano espiritual, e, em razão disso, não apenas os homens recentemen­te desencarnados são entregues a julgamento específico, sempre que necessário, mas também as entidades desencarnadas que, no cumprimento de determinadas tarefas, se deixam, muitas ve­zes, arrastar a paixões e caprichos inconfessáveis.

          É importante anotar, contudo, que quanto mais baixo é o grau evolutivo dos culpados, mais sumário é o julgamento pelas autoridades cabíveis, e, quanto mais avançados os valores cultu­rais e morais do indivíduo, mais complexo é o exame dos pro­cessos de criminalidade em que se emaranham, não só pela in­fluência com que atuam nos destinos alheios, como também porque o Espírito, quando ajustado à consciência dos próprios erros, ansioso de reabilitar-se perante a vida e diante daqueles que mais ama, suplica por si mesmo a sentença punitiva que re­conhece indispensável à própria restauração. (Evolução em dois mundos. Cap. 6 . Justiça na Espiritualidade. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira).

            Tem compaixão de quem cai. A consciência dele será o seu juiz. (Jesus e atualidade. Cap. 5. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco).

            Diante das Leis Divinas, somos juízes de nós mesmos. (Conduta Espírita. Cap. 31. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira).

     (...) Os homens chegarão a uma época em que, para julgamento de seus atos, em face dos preceitos evangélicos, um só tribunal haverá — o da pró­pria consciência, guarda das leis de Deus, o nosso Cria­dor, o nosso Juiz supremo e nosso Pai de misericórdia infinita. (Elucidações Evangélicas. Cap. 27. Antônio Luiz Sayão).

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 10. Itens 13 , 19, 20 e 21. Allan Kardec.

- O Livro dos Espíritos. Questão 834, 836 e  760. Allan Kardec.

- Boa Nova. Cap. 13. Pecado e Punição. Espírito Humberto de Campos. Psicografado por Chico Xavier.

- O Consolador. Questões 63 e 64. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier.

- Conduta Espírita. Cap. 31. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira.

- Na era do Espírito. Prova e Julgamento. Espírito Emmanuel. Chico Xavier e Herculano Pires.

-  Renovando Atitudes. Cap. 1. Espírito Hammed. Francisco do Espírito Santo Neto.

- Evolução para o terceiro milênio. Parte 4. Cap. 9. Item 10. Carlos Toledo Rizzini.

- Jesus e atualidade. Cap. 5. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco.

- Elucidações Evangélicas. Cap. 27. Antônio Luiz Sayão.   

-  Bíblia: Levítico 20:27; Deuteronômio 21:18-21; Deuteronômio 22: 13, 14, 20 e 21.

-  Sites: http://www.dicionariodoaurelio.com/Julgamento.html;  http://pt.wikipedia.org/wiki/Apedrejamento . Data da consulta: 16/01/15.