Aula 24 - Finalidade da prece

Ciclo 1 - História: A maior força do universoAtividade: PH - Jesus - 2 - A prece.

Ciclo 2 - História: Pedindo para Deus -  Atividade: ESE - Cap. 27 - 2 - Eficácia da prece ou/e ESE - Cap. 27 - 3 - Ação da prece. Transmissão do pensamento.

Ciclo 3 - História: Oração em família  -  Atividade: LE - L3 - Cap. 2 - 4 - Da prece

 

Dinâmicas: Prece; Preces pelos outros.   

Mensagens Espíritas: Oração e prece.

Vídeos: - História Espírita: O que é a prece ? (Dica: pesquise no Youtube).

- História Espírita: Cânticos de Louvor (Dica:pesquise no Youtube).

Sugestão de livro infantil: Coleção conte mais : A Menina do Farol e Um pedaço de pão . Livraria e Editora Francisco Spinelli. FERGS. Obs.: Ler a história ''Um pedaço de pão.''

 

Leitura da Bíblia: Marcos - Capítulo 11


11.24   Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.


11.25   E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.


11.26   Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.


 

Tópicos a serem abordados:

- A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nele, aproximar-se dele, pôr-se em comunicação com Ele, através do pensamento. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.

- O ato de louvar consiste em exaltar os atributos (características) da Divindade, reconhecendo-o como o ser supremo, criador do Universo,  não, evidentemente, com o propósito de ser-Lhe agradável, visto que Deus é inacessível à lisonja (bajulação).

- Os pedidos visam a algo que se deseje obter, em benefício próprio ou de outra pessoa, seja encarnada ou desencarnada. O que se pode pedir? Tudo, desde que não contrarie a Lei de Amor e de Caridade. Exemplos: resistir as tentações do mal,  saúde para os doentes, ajuda para os Espíritos sofredores, proteção contra o mal, paciência e resignação diante das dificuldades da vida etc.

-  Pode-se pedir o perdão das ofensas, mas a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém se não mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.

- Quando um pedido é recusado, não devemos ficar aflitos por isto, pois Deus sabe o que é melhor para cada um de nós. Lembremo-nos de que Deus atende aos nossos pedidos se estes pedidos forem justos e servirem para o nosso progresso ou para aliviar a dor dos que sofrem (1).

-  Deus auxilia aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: "Ajuda-te e o céu te ajudará", e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem se esforçar.

-  Cada noite, devemos agradecer todas as bênçãos com que Deus nos felicita a existência, pelos favores recebidos, pelas graças alcançadas, pelas vitórias conseguidas e pelo auxílio dos espíritos protetores.

- A oração deve ser feita com palavras simples e sinceras; Deus somente atende aos que oram com sinceridade e confiança. Antes da oração precisamos purificar os nossos pensamentos; se tivermos prejudicado ou ofendido um nosso próximo, devemos ir pedir-lhe que nos perdoe; se alguém nos ofender ou prejudicar, nós devemos perdoá-lo de todo o coração e esquecermos completamente o mal que nos fez, depois, com a consciência em paz podemos orar (1).

-  Pela prece, atraímos os Bons Espíritos, que vêm nos ajudar nas dificuldades e nos aconselham bons pensamentos (inspiração). Fortifica o nosso Espírito para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, quando dele se afastou; conforta-nos nas horas de sofrimento e livra-nos do desânimo.

-  A prece pode ser ouvida pelos Espíritos onde quer que eles se encontrem. O fluído universal, no qual estamos mergulhados é o veículo do pensamento, como o ar é o do som, mas com a diferença de que o som pode se manifestar apenas num raio muito limitado, enquanto o pensamento atinge o infinito. Daí resulta que nosso pensamento movido por uma força de impulsão, por uma vontade satisfatória, vai impressionar as almas a distâncias incalculáveis. Uma corrente fluídica estabelece-se de umas para as outras e permite aos espíritos elevados responder aos nossos apelos e de influenciar-nos através do Espaço.

 

Observação (1): 52 Lições de Catecismo Espírita. Lição 3. A prece. Eliseu Rigonatti. 

 

Perguntas para fixação:

1. O que é orar?

2.  Por que devemos orar?

3.  Quais os três objetivos de uma oração?

4. O que é louvar?

5. O que podemos pedir a Deus em nossas orações?

6. Deus irá atender a todos os nossos pedidos? Por quê?

7. Como nossa oração é transmitida aos bons Espíritos?

8. O que precisamos fazer antes de dormir?

9. Como devem ser o nossos sentimentos durante a oração?

10. Quais são os benefícios que a prece nos proporciona?

 

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Qual o caráter geral da prece?

             A prece é um ato de adoração. Fazer preces a Deus é pensar nele, aproximar-se dele, pôr-se em comunicação com Ele. Pela prece podemos fazer três coisas: louvar, pedir e agradecer.( O Livro dos Espíritos. Questão 659. Allan Kardec). 

            A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor. Podemos orar por nós mesmos ou pelos outros, pelos vivos ou pelos mortos. As preces dirigidas a Deus são ouvidas pelos Espíritos encarregados da execução dos seus desígnios; as que são dirigidas aos Bons Espíritos vão também para Deus. Quando oramos para outros seres, e não para Deus, aqueles nos servem apenas de intermediários, de intercessores, porque nada pode ser feito sem a vontade de Deus. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 9. Allan Kardec).

            A louvação consiste em exaltar os atributos da Divindade, não, evidentemente, com o propósito de ser-Lhe agradável, visto que Deus é inacessível à lisonja. Há de traduzir-se por um sentimento espontâneo e puro de admiração por Aquele que, em todas as Suas manifestações, se revela detentor da perfeição absoluta.

            Os agradecimentos obviamente por todas as bênçãos com que Deus nos felicita a existência, pelos favores recebidos, pelas graças alcançadas, pelas vitórias conseguidas e outras coisas semelhantes .

            As petições visam a algo que se deseje obter, em benefício próprio ou de outrem. Que é o que se pode pedir? Tudo, desde que não contrarie a Lei de Amor que rege e sustenta a Harmonia Universal. Exemplos: perdão de faltas Cometidas forças para resistir às tentações e aos maus pendores proteção contra os inimigos, saúde para os enfermos, iluminação para os Espíritos conturbados e paz para os sofredores (encarnados ou desencarnados) amparo diante de um perigo iminente, Coragem para vencer as contingências terrenas, paciência e resignação nos transes aflitivos e dolorosos, inspiração sobre como resolver uma situação difícil, seja ela de ordem material ou moral, etc. ( As leis morais. Cap. 11. Rodolfo Calligaris). 

            Podemos solicitar a Deus benefícios terrenos, e Ele pode nos atender, quando tenham uma finalidade útil e séria. Mas, como julgamos a utilidade das coisas segundo a nossa visão imediatista, limitada ao presente, geralmente não vemos o lado mau daquilo que desejamos. Deus, que vê melhor que nós, e só deseja o nosso bem, pode então nos recusar o que pedimos, como um pai recusa ao filho aquilo que pode prejudicá-lo. Se aquilo que pedimos não nos é concedido, não devemos nos abater por isso. É necessário pensar, pelo contrário, que a privação nesse caso nos é imposta como prova ou expiação, e que a nossa recompensa será proporcional à resignação com que a suportarmos. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 28. Item 26. Allan Kardec).

            Vossa prece deve encerrar o pedido das graças de que tendes necessidade, mas uma necessidade real.  Inútil, pois, pedir ao Senhor abreviar as vossas provas, vos dar as alegrias e a riqueza; pedi-lhe para vos conceder os bens mais preciosos da paciência, da resignação e da fé (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 22. Allan Kardec).

            Pode-se pedir eficazmente a Deus o perdão das faltas?

            Deus sabe discernir o bem e o mal: a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém se não mudar de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras. (O Livro dos Espíritos. Questão 661. Allan Kardec). 

            O Espiritismo nos faz compreender a ação da prece, ao explicar a forma de transmissão do pensamento, seja quando o ser a quem oramos atende ao nosso apelo, seja quando o nosso pensamento eleva-se a ele. Para se compreender o que ocorre nesse caso, é necessário imaginar todos os seres, encarnados e desencarnados, mergulhados no fluido universal que preenche o espaço, assim como na Terra estamos envolvidos pela atmosfera. Esse fluido é impulsionado pela vontade pois é o veículo do pensamento, como o ar é o veículo do som, com diferença de que as vibrações do ar são circunscritas, enquanto as do fluido universal se ampliam ao infinito. Quando, pois, o pensamento se dirige para algum ser, na Terra ou no espaço, de encarnado para desencarnado, ou vice-versa, uma corrente fluídica se estabelece de um a outro, transmitindo o pensamento, como o ar transmite o som. A energia da corrente está na razão direta da energia do pensamento e da vontade. É assim que a prece é ouvida pelos Espíritos onde quer que eles se encontrem, assim que os Espíritos se comunicam entre si, que nos transmitem a suas inspirações, e que a relações se estabelecem à distância entre os próprios encarnados. Esta explicação se dirige sobretudo aos que não compreendeu a utilidade da prece puramente mística. Não tem por fim materializa a prece, mas tornar compreensíveis os seus efeitos, ao mostrar que ela pode exercer a ação direta e positiva. Nem por isso está menos sujeita à vontade de Deus, juiz supremo em todas as coisas, e único que pode dar eficácia à sua ação.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 10. Allan Kardec).

            Quando uma pedra toca na água, vê-se vibrar sua su­perfície em ondulações concêntricas. Dessa forma, o fluido universal coloca-se em vibração através das nossas preces e dos nossos pensamentos, com essa diferença de que as vibrações das águas são limitadas, enquanto que as do fluido universal propagam-se ao Infinito. Todos os seres, todos os mundos estão banhados nesse elemento, como nós próprios o estamos na atmosfera terrestre. Daí resulta que nosso pensamento movido por uma força de impulsão, por uma vontade satisfatória, vai impressionar as almas a distâncias incalculáveis. Uma corrente fluídica estabelece-se de umas para as outras e permite aos espíritos elevados responder aos nossos apelos e de influenciar-nos através do Espaço. ( Depois da morte. Cap. 51. A Prece. Leon Denis).

            No livro '' Entre a Terra e o céu'', o ministro esclarece sobre o potencial da prece:  A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corres­ponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades a que se destina. Desejos banais en­contram realização próxima na própria esfera em que surgem. Impulsos de expressão algo mais no­bre são amparados pelas almas que se enobreceram. Ideais e petições de significação profunda na imor­talidade remontam às alturas...

O  mentor generoso fêz pequeno intervalo, como a dar-nos tempo para refletir e acentuou:

— Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de frequência e todos estamos cercados por Inteligên­cias capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras. Sabemos que a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída pelas criaturas de Deus, em diversas idades e posições... No Rei­no Espiritual, compete-nos considerar igualmente os princípios da herança. Cada consciência, à me­dida que se aperfeiçoa e se santifica, aprimora em si qualidades do Pai Celestial, harmonizando-se, gradativamente, com a Lei. Quanto mais elevada a percentagem dessas qualidades num espírito, mais amplo é o seu poder de cooperar na execução do Plano Divino, respondendo às solicitações da vida, em nome de Deus, que nos criou a todos para o Infinito Amor e para a Infinita Sabedoria...

Quebrando o silêncio que se fizera natural para a nossa reflexão, o irmão Hilário perguntou:

—  Contudo, como interpretar o ensinamento, quando estivermos à frente de propósitos malignos? um homem que deseja cometer um crime estará também no serviço da prece?

—  Abstenhamo-nos de empregar a palavra «prece», quando se trate do desequilíbrio — aduziu Clarêncio, bondoso —, digamos «invocação».

E acrescentou:

—  Quando alguém nutre o desejo de perpe­trar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabili­zará. Através dos impulsos infelizes de nossa alma, muitas vezes descemos às desvairadas vibrações da cólera ou do vício e, de semelhante posição, é fácil cairmos no enredado poço do crime, em cujas furnas nos ligamos, de imediato, a certas mentes estagnadas na ignorância, que se fazem instrumen­tos de nossas baixas idealizações ou das quais nos tornamos deploráveis joguetes na sombra. Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade. Analisemos com cuidado a nossa escolha, em qual­quer problema ou situação do caminho que nos é dado percorrer, porqüanto o nosso pensamento voará, diante de nós, atraindo e formando a rea­lização que nos propomos atingir e, em qualquer setor da existência, a vida responde, segundo a nossa solicitação. Seremos devedores dela pelo que houvermos recebido. (Entre a terra e o céu. Cap. 1. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

      Não há prece sem resposta. E a oração, filha do amor, não é apenas súplica. É comunhão entre o Criador e a criatura, consti­tuindo, assim, o mais poderoso influxo magnético que conhecemos. Acresce notar, porém, já que co­mentamos o assunto, que a rogativa maléfica con­ta, igualmente, com enorme potencial de influen­ciação. Toda vez que o Espírito se coloca nessa atitude mental, estabelece um laço de correspon­dência entre ele o Além. Se a oração traduz atividade no bem divino, venha donde vier, enca­minhar-se-á para o Além em sentido vertical, bus­cando as bênçãos da vida superior, cumprindo-nos advertir que os maus respondem aos maus nos planos inferiores, entrelaçando-se mentalmente uns com os outros. É razoável, porém, destacar que toda prece impessoal dirigida às Forças Supremas do Bem, delas recebe resposta imediata, em nome de Deus. (Os mensageiros. Cap. 25. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            A prece torna o homem melhor?

            Sim, porque aquele que faz preces com fervor e confiança se torna mais forte contra as tentações do mal, e Deus lhe envia bons Espíritos para o assistir. É um socorro jamais recusado, quando o pedimos com sinceridade.(O Livro dos Espíritos. Questão 660. Allan Kardec).

            Pela prece, o homem atrai o concurso dos Bons Espíritos, que o vêm sustentar nas suas boas resoluções e inspirar-lhe bons pensamentos. Ele adquire assim a força moral necessária para vencer as dificuldades e voltar ao caminho reto, quando dele se afastou; e assim também pode desviar de si ao males que atrairia pelas suas próprias faltas. Um homem, por exemplo, sente a sua saúde arruinada pelos excessos que cometeu, e arrasta, até o fim dos seus dias, uma vida de sofrimentos. Tem o direito de queixar- se, se não conseguir a cura? Não, porque poderia encontrar na prece a força para resistir às tentações. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Item 11. Allan Kardec).

            As preces que fazemos por nós mesmos podem modificar a natureza das nossas provas e desviar-lhes o curso?

            Vossas provas estão nas mãos de Deus e há as que devem ser suportadas até o fim, mas Deus leva sempre em conta a resignação. A prece atrai a vós os bons Espíritos, que vos dão a força de as suportar com coragem. Então elas vos parecem menos duras. Já o dissemos: a prece nunca é inútil, quando bem feita, porque dá força, o que já é um grande resultado. Ajuda-te a ti mesmo e o céu te ajudará; tu sabes disso. Aliás, Deus, não pode mudar a ordem da Natureza ao sabor de cada um, porque aquilo que é um grande mal, do vosso ponto de vista mesquinho, para a vossa vida efêmera, muitas vezes é um grande bem na ordem geral do Universo. Além disso, de quantos males o homem é o próprio autor, por sua imprevidência ou por suas faltas! Ele é punido pelo que pecou. Não obstante, os vossos justos pedidos são em geral mais escutados do que julgais. Pensais que Deus não vos ouviu, porque não fez um milagre em vosso favor, quando entretanto vos assiste por meios tão naturais que vos parecem o efeito do acaso ou da força das coisas. Frequentemente, ou o mais frequentemente, ele vos suscita o pensamento necessário para sairdes por vós mesmos do embaraço.(O Livro dos Espíritos. Questão 663. Allan Kardec).

            Na prece que dirige cada dia ao Eterno, o sábio não pede que seu destino seja feliz; não pede que a dor, as de­cepções, os reveses sejam afastados de si. Não! O que deseja é conhecer a lei para melhor cumpri-la; o que implora é a ajuda do Alto, o socorro dos espíritos benevolentes, a fim de suportar dignamente os maus dias. ( Depois da morte. Cap. 51. A Prece. Leon Denis).

             A prece, no sentido a que aludimos, é sempre um atestado de boa-vontade e compreensão, no testemunho da nossa condição de Es­píritos devedores... Sem dúvida, não poderá modificar o curso das leis, diante das quais nos fazemos réus sujeitos a penas múltiplas, mas renova-nos o modo de ser, valendo não só como abençoada plantação de soli­dariedade em nosso benefício, mas também como vacina contra reincidência no mal. (Ação e reação. Cap. 19. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier).

            Há pessoas que contestam a eficácia da prece, entendendo que, por conhecer Deus as nossas necessidades, é desnecessário expô-las a Ele. Acrescentam ainda que, tudo se encadeando no verso através de leis eternas, nossos votos não podem modificar os desígnios de Deus.

            Há leis naturais e imutáveis, sem dúvida, que Deus não pode anular segundo os caprichos de cada um. Mas daí a acreditar todas as circunstâncias da vida estejam submetidas à fatalidade, a distância é grande. Se assim fosse, o homem seria apenas um instrumento passivo, sem livre-arbítrio e sem iniciativa. Nessa hipótese, só lhe caberia curvar a fronte ante os golpes do destino, sem procurar evitá-los e não deveria esquivar-se dos perigos. Deus não lhe deu o entendimento e a inteligência para que não os utilizasse, a vontade para não querer, a atividade para cair na inação. O homem sendo livre de agir, num ou outro sentido, seus atos têm, para ele mesmo e para os outros, conseqüências subordinadas às suas decisões. Em virtude da sua iniciativa, há portanto acontecimentos que escapam forçosamente, à fatalidade, e que nem por isso destroem a harmonia das leis universais, da mesma maneira que o avanço ou o atraso dos ponteiros de um relógio não destrói a lei do movimento, o que regula o mecanismo do aparelho. Deus pode, pois, atender a certos pedidos sem derrogar a imutabilidade das leis que regem o conjunto, dependendo sempre o atendimento da Sua vontade.

            Será ilógico concluir-se, desta máxima: "Aquilo que pedirdes pela prece vos será dado", que basta pedir para obter, e injusto acusar a Providência se ela não atender a todos os pedidos que lhe fazem, porque ela sabe melhor do que nós o que nos convém. Assim procede o pai prudente, que recusa ao filho o que lhe seria prejudicial. O homem, geralmente, só vê o presente; mas, se o sofrimento é útil para a sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer, como o cirurgião deixa o doente sofrer a operação que deve curá-lo.

            O que Deus lhe concederá, se pedir com confiança, é a coragem, a paciência e a resignação. E o que ainda lhe concederá, são os meios de se livrar das dificuldades, com a ajuda da idéia que lhe serão sugeridas pelos Bons Espíritos, de maneira que lhe restará o mérito da ação. Deus assiste aos que se ajudam a si mesmos, segundo a máxima: "Ajuda-te e o céu te ajudará", e não aos que tudo esperam do socorro alheio, sem usar as próprias faculdades. Mas, na maioria da vezes, preferimos ser socorridos por um milagre, sem nada fazermos.

            Tomemos um exemplo. Um homem está perdido num deserto; sofre horrivelmente de sede; sente-se desfalecer e deixa-se cair ao chão. Ora, pedindo a ajuda de Deus, e espera; mas nenhum anjo vem lhe dar de beber. No entanto, um Bom Espírito lhe sugere o pensamento de levantar-se e seguir determinada direção. Então, por um impulso instinto, reúne suas forças, levanta-se e avança ao acaso. Chegando a uma elevação do terreno, descobre ao longe um regato, e com isso a coragem. Se tiver fé, exclamará: "Graças, meu Deus, pelo pensamento que me inspiraste e pela força que me deste". Se não tiver fé, dirá: "Que boa idéia tive eu! Que sorte eu tive, de tomar o caminho da direita e não o da esquerda; o acaso, algumas vezes,nos ajuda de fato! Quanto me felicito pela minha coragem e por não me haver deixado abater!"(O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27. Itens 6, 7 e 8. Allan Kardec).

            O homem esquece facilmente o bem, e se lembra mais do que o aflige. Se diariamente notássemos os benefícios que recebemos, sem pedir, ficaríamos muitas vezes admirados de haver recebido tanta coisa que nos esquecemos, e nos sentiríamos humilhados pela nossa ingratidão. Cada noite, elevando nossa alma a Deus, devemos recordar intimamente os favores que Ele nos concedeu durante o dia, e agradecê-los. É sobretudo no momento em que experimentamos os benefícios da sua bondade e da sua proteção que, espontaneamente, devemos testemunhar-lhe a nossa gratidão. Basta para isso um pensamento que lhe atribua o benefício, sem necessidade de interromper o trabalho.

            Os favores de Deus não consistem apenas em benefícios materiais. Devemos igualmente agradecer-lhes as boas idéias, as inspirações felizes que nos são dadas. Enquanto o orgulhoso tudo atribui aos seus próprios méritos, e o incrédulo ao acaso, o homem de fé rende graças a Deus e aos Bons Espíritos pelo que recebeu. Para isso, são inúteis as longas frases. "Obrigado, meu Deus, pelo bom pensamento que me inspiraste!", diz mais do que muitas palavras. O impulso espontâneo que nos faz atribuir a Deus tudo o que nos acontece de bom, é o testemunho natural de um hábito de reconhecimento e de humildade, que nos atrai a simpatia dos Bons Espíritos (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 28. Item 28. Allan Kardec).    

            Nas horas de abatimento, de aflição interior e de desespero, quem não encontrou na prece a calma e o reconforto, ou, pelo me­nos, um lenitivo para seus males? Um diálogo misterioso estabelece-se entre a alma sofredora e a potência evocada. A alma expõe suas angústias, suas fraquezas; implora socorro, apoio, indulgência. E, então, no santuário da consciência, uma voz secreta responde, a voz d’Aquele de onde provêm toda a força para as lutas desse mundo, todo bálsamo para nossas feridas, toda luz para nossas incertezas. E essa voz consola, restaura, persuade; faz descer até nós a coragem, a submissão, a resignação estoica. Levantamo-nos menos tristes, menos abatidos; um raio de sol divino luziu em nossa alma, fez nela eclodir a esperança ( Depois da morte. Cap. 51. A Prece. Leon Denis).

 

Bibliografia:

- O Livro dos Espíritos. Questões: 659, 660, 661 e 663. Allan Kardec.

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 27, itens 6, 7, 8, 9, 10,  11 e 22. Cap. 28, itens 26 e 28. Allan Kardec.

- Entre a terra e o céu. Cap. 1. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Os mensageiros. Cap. 25. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Ação e reação. Cap. 19. Espírito André Luiz. Psicografado por Chico Xavier.

- Depois da morte. Cap. 51. A Prece. Leon Denis.

- As leis morais. Cap. 11. Rodolfo Calligaris.