Aula 111 - Fazer o bem sem ostentação

Ciclo 1 - História:   A enfermeira da floresta  -  Atividade: Fazer uma joaninha com massinha de modelar.

Ciclo 2 - História: Fazer o bem sem ostentação -  Atividade: ESE - Cap. 13 - 4 . Convidar os pobres e os estropiados. Dar sem esperar retribuição. ou/e Fazer um texto com estas palavras: caridade, segunda intenção,  esperar, retribuição, sem, ostentação  .

Ciclo 3 - História:  A benfeitora oculta -  Atividade: ESE - Cap. 13 - 1. Fazer o bem sem ostentação.

 

Dinâmicas:  Maneiras de se fazer caridade; Caridade desinteressada.

Sugestão de vídeo:

- História: O vídeo mais emocionante de 2014 (Dica: pesquise no Youtube)

Sugestão de livro infantil: - Filó, a aranha costureira .Regina Timbó.Editora IDE.

 

Leitura da Bíblia: Mateus - Capítulo 6


6.1 Tenham o cuidado de não praticar suas 'obras de justiça' diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.


6.2 Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu garanto que eles já receberam sua plena recompensa.


6.3 Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que está fazendo a direita,


6.4 de forma que você preste a sua ajuda em segredo. E seu Pai, que vê o que é feito em segredo, o recompensará. Quando ele desceu do monte, grandes multidões o seguiram.


 

Mateus - Capítulo 8


8.2 Um leproso, aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse: "Senhor, se quiseres, podes purificar-me!"


8.3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Quero. Seja purificado!" Imediatamente ele foi purificado da lepra.


8.4 Em seguida Jesus lhe disse: "Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho".


 

Lucas - Capítulo 14


14.12 E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.


14.13 Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,


14.14 E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.



Tópicos a serem abordados:

- A humildade  é fundamental para a prática da caridade material e moral, assim como, as virtudes da sinceridade, do desinteresse,  do sigilo, do devotamento e do amor .  Somente adquirindo essas virtudes celestes, de que foi modelo excelso Nosso Se­nhor Jesus Cristo,é que seremos capazes de praticar boas obras.

- Quando você der uma festa, disse Jesus, não convide para ela os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados ." Estas palavras, se tomadas ao pé da letra são absurdas, pois parece menosprezar as relações de família e de amizade. Não é possível que Jesus haja pretendido que, em vez de seus amigos, alguém reúna à sua mesa os mendigos da rua. Ele quis ensinar que não se deve fazer o bem tendo em vista uma retribuição. Devemos conquistar relacionamentos verdadeiros,  sem segundas intenções.

- A sublimidade da virtude está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto . Fazer o bem pelo único prazer de fazê-lo, amar sinceramente dando o melhor de nós mesmos sem pensar em retribuições - eis a base do amor incondicional. Jesus é nosso maior exemplo, ajudava a todos sem  fazer distinção. Ele curava os doentes, sem permitir-se elogios, gratidões ou aplausos, que sempre os desconsiderou. E ainda dizia: Não conte isto a ninguém ...

-Dar em segredo, ser indiferente aos elogios dos homens, é mostrar uma verdadeira elevação de caráter. Não saber a mão esquerda o que dá a mão direita é uma imagem que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta.  Mas, se há a modéstia real, também há a falsa modéstia. Há pessoas que ocultam a mão que dá, tendo, porém, o cuidado de deixar aparecer um pedacinho, olhando em volta para verificar se alguém não o terá visto ocultá-la. Esses já receberam na Terra sua recompensa, pois ficaram  satisfeitos por terem sido vistos.

-O homem caridoso faz o bem ocultamente; esconde suas boas ações, enquanto que o vaidoso proclama o pouco que faz. Quantas pessoas existem que, diante do público, dão grandes somas e que, entretanto, às escondidas, não dariam uma só moeda! Foi por isso que Jesus declarou: "Os que fazem o bem ostentosamente já receberam sua recompensa." Com efeito, aquele que procura a sua própria glorificação na Terra, pelo bem que pratica, já se pagou a si mesmo; Deus nada mais lhe deve; só lhe resta receber a punição do seu orgulho.

- Infelizmente, o homem está sempre propenso a só pensar em si mesmo. A grande maioria deseja receber pagamento pelo bem prati­cado, seja pelo reconhecimento do beneficiado, seja pelos elogios do mundo, seja pelo merecimento que julgue adquirir desse modo aos olhos de Deus. Esquecendo - se de que a principal recom­pensa está em haveres cumprido o seu próprio dever.

- Deus é quem te retribuirá na ressurreição dos justos. Ou seja, a ressurreição do justo é o seu retorno a vida espiritual . Aquele, que, durante a sua encarnação, viveu submisso às vontades do Senhor, será bem recebido pelos bons espíritos, quando retornar à pátria. Para o Espírito, a ressurreição do justo consiste em libertar-se da necessidade de voltar aos mundos inferiores de provações e expiações; consiste em elevar-se a mundos superiores ao nosso.

 

Perguntas para fixação:

1. Quais são as virtudes fundamentais para prática da caridade?

2. O que Jesus quis dizer com esta frase: " Quando você der uma festa, não convide para ela os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados "?

3. O que significa a expressão "caridade desinteressada"?

4. O que Jesus quis dizer quando disse: "não saiba o que a mão esquerda o que dá a mão direita"? 

5. Por que Jesus dizia para o doente não contar para os outros quem foi que lhe curou?

6. O que é fazer caridade sem ostentação?

7. Por que os que fazem o bem ostentosamente já receberam sua recompensa?

8. Qual  recompensa  receberemos pela pratica da caridade desinteressada ?

 

Subsídio para o Evangelizador:

            Aos que se atêm à letra das Escrituras, esquecidos de que as palavras do Mestre são espírito e vida, pode parecer que, neste lanço, esteja ele a menosprezar as relações de família e de amizade.

            O verdadeiro sentido de sua lição, entretanto, é bem outro: é a exaltação do altruísmo, do desprendimento e da fraternidade universal. (Páginas de Espiritismo cristão. Cap. 9. Rodolfo Calligaris.)

            "Quando derdes um festim, disse Jesus, não convideis para ele os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados." Estas palavras, absurdas, se tomadas ao pé da letra, são sublimes, se lhes buscarmos o espírito. Não é possível que Jesus haja pretendido que, em vez de seus amigos, alguém reúna à sua mesa os mendigos da rua. Sua linguagem era quase sempre figurada e, para os homens incapazes de apanhar os delicados matizes do pensamento, precisava servir-se de imagens fortes, que produzissem o efeito de um colorido vivo. O âmago do seu pensamento se revela nesta proposição: "E sereis ditosos por não terem eles meios de vo-lo retribuir." Quer dizer que não se deve fazer o bem tendo em vista uma retribuição, mas tão-só pelo prazer de o praticar. Usando de uma comparação vibrante, disse: Convidai para os vossos festins os pobres, pois sabeis que eles nada vos podem retribuir. Por festins deveis entender, não os repastos propriamente ditos, mas a participação na abundância de que desfrutais.

            Todavia, aquela advertência também pode ser aplicada em sentido mais literal.

            Quantos não convidam para suas mesas apenas os que podem, como eles dizem, fazer-lhes honra, ou, a seu turno, convidá-los! Outros, ao contrário, encontram satisfação em receber os parentes e amigos menos felizes. Ora, quem não os conta entre os seus? Dessa forma, grande serviço, às vezes, se lhes presta, sem que o pareça. Aqueles, sem irem recrutar os cegos e os estropiados, praticam a máxima de Jesus, se o fazem por benevolência, sem ostentação, e sabem dissimular o benefício, por meio de uma sincera cordialidade. ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Item 8. Allan Kardec)

            Fazer o bem pelo único prazer de fazê-lo, amar sinceramente dando o melhor de nós mesmos sem pensar em retribuições - eis a base do amor incondicional.

             A sinceridade é o melhor antídoto para afastar falsas amizades. Convidar à mesa os pobres, os estropiados, os coxos e os cegos - na recomendação de Jesus - é angariar relacionamentos satisfatórios, leais, estimulantes, sem segundas intenções.

             Talvez por querermos levar vantagens e proveito em tudo, tenhamos atraído para o nosso círculo afetivo amizades vazias, distorcidas, que representam verdadeiros parasitas de nossas energias. Por isso nos sentimos, algumas vezes, inadaptados ao meio em que vivemos.

             Mas se amarmos por amar, encontraremos criaturas que não se preocuparão com as escalas hierárquicas e nos aceitarão como somos. Não esperarão de nós toda a sabedoria para todas as respostas, apenas compartilharão conosco o carinho de bons amigos. O refrão da conveniência é:

            ―vou te amar se...

            Se me recompensares, serei teu amigo.

            Se me convidares, eu te prestigiarei.

            Se ficares sempre a meu lado, eu te amarei.

            Se concordares comigo, concordarei contigo.

            Jesus nos pede desinteresse nas relações, e não imposições de conformidade com as nossas paixões. Ele nos ensina a lição de não manipularmos ocasiões, porque toda cobrança fragiliza relacionamentos, e em verdade é uma questão de tempo para que tudo venha a ruínas.

            Os sentimentos verdadeiros não são mercadorias permutáveis, mas alimentos nutrientes das almas, os quais nos dão fortalecimento durante as provas e reerguimento perante as lutas expiatórias.

            Quando esperamos que os outros supram nossas carências e nos façam felizes gratuitamente, não estamos de fato amando, mas explorando-os.

            Ao identificarmos jogos de manipulação, procuremos relembrar nossa verdadeira missão na Terra, pois sabemos que não viemos a este mundo a fim de agradar os outros ou viver à moda deles, mas para aprender a amar a nós mesmos e aos outros, sem condições.

            Em muitas ocasiões, fundimos nossos sentimentos com os de outros seres -cônjuge, pais, filhos, amigos, irmãos - e perdemos nossas fronteiras individuais, por ser momentaneamente conveniente e cômodo. A partir daí, esperamos sempre retribuições deles, nossos amados, e sofreremos se eles não fizerem tudo como desejamos.

            Esquecemos de abrir o círculo da afetividade para outros seres e não percebemos o quanto é saudável e imensamente vitalizante essa postura.

            Continuamos a convidar à mesa somente aqueles com quem fazemos questão de compartilhar mútuos interesses.

            Embora, de início, não avaliemos o mal que essa atitude nos causa, é provável que soframos a solidão num amanhã bem próximo, pois os laços afetivos podem ser desfeitos pela morte física ou por separações outras. Por termos restringido esses vínculos afetivos, sentiremos certamente a tristeza de quem se acha só e abandonado como se tivesse perdido o ―chão.

            A observação dos jogos sociais dar-nos-á sempre uma real percepção de onde e quando existem encontros unicamente realizados para a busca de vantagens pessoais. E para que possamos promover autênticos encontros, providos de sinceridade e boas intenções, é preciso sejamos primeiramente honestos com nós mesmos, para atrairmos as legítimas aproximações, através de nossos pensamentos e propósitos de franqueza.

            A vantagem dos relacionamentos sinceros é uma abertura de nossa afetividade em círculos cada vez maiores, que, por sua vez, edificarão uma atmosfera de carinho e lealdade em torno de nós mesmos, atraindo e induzindo criaturas francas e maduras a partilhar conosco toda uma existência no Amor. (Renovando atitudes. Cap. 37. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto )

            Qual a mais meritória de todas as virtudes?

            “Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtudes sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores.

            A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem n oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 893. Allan Kardec )

            Merecerá reprovação aquele que faz o bem, sem visar a qualquer recompensa na Terra, mas esperando que lhe seja levado em conta na outra vida e que lá venha a ser melhor a sua situação? E essa preocupação lhe prejudicará o progresso?

            “O bem deve ser feito caritativamente, isto é, com desinteresse.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 897. Allan Kardec )

            Desinteresse! O homem está sempre propenso a só pensar em si. O mais das vezes, o bem que faz não passa de um empréstimo, do qual espera auferir largos juros. Esquadrinhe-se a maior parte dos atos humanos e desco­brir-se-á no homem o desejo de ser pago do bem prati­cado, seja pelo reconhecimento do beneficiado, seja pelos elogios do mundo, seja pelo merecimento que julgue adquirir desse modo aos olhos de Deus. Estes móveis, particularmente o último, podem ser nobres, mas não devem ser exclusivos.

            Nunca, entendamos bem, nunca devemos cogitar do proveito que possamos tirar de uma boa ação, de um bom pensamento. Devemos sempre ter por objetivo principal dar testemunho do nosso reconhecimento ao Senhor.

            Efetivamente, que responderíamos ao nosso filho, que não cumprisse um só de seus deveres para conosco ou para com seus irmãos ou irmãs, sem nos vir imedia­tamente dizer:

            “Fiz isto; que me darás em recompensa?” — Sem dúvida lhe responderíamos: “A principal recom­pensa está em haveres cumprido o teu dever”.

            Não nos atenhamos à letra que mata, busquemos sempre o espírito que vivifica, nas palavras de Jesus. Ele não pensou em condenar as relações de família, de ami­zade. Apenas ensinou a prática do desinteresse, por toda a parte e constantemente, no seio da grande família hu­mana. Ensinou que os festins da caridade material, que sustenta o corpo, dando-lhe alimento, vestes e abrigo, assim como os da caridade moral, que alimenta e desen­volve a alma, devem substituir o luxo, a ostentação e o orgulho desses festins que se originam do interesse cal­culado, da vaidade, ou da sensualidade, nos quais se dis­sipa o supérfluo devido aos pobres que, material, moral e intelectualmente, carecem do necessário.

            Jesus apropriava sua linguagem às inteligências de homens materiais, a  fim de os abalar e impressionar fortemente.

            “Bem-aventurado serás, disse Ele, porque os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos não têm com que te retribuir: Deus é quem te retribuirá na ressurreição dos justos. Ao ouvir isso, diz o Evangelho, um dos que estavam à mesa disse: Bem-aventurado aquele que comer do pão no reino de Deus”.

            Perfeitamente compreensíveis são estas palavras. Do ponto de vista humano, aludem aos que participam da vida feliz dos justos. Para homens materiais, qualquer pensamento se reporta à matéria. Daí o apresentar-se ao espírito do Judeu a idéia dos festins celestes.

            A ressurreição do justo é o seu regresso à pátria. Aquele, que, durante a sua peregrinação humana, viveu submisso às vontades do Senhor, será por este recebido, quando voltar à pátria. Para o Espírito, a ressurreição do justo consiste em libertar-se da necessidade de volver aos mundos inferiores de provações e expiações; consiste em ascender a mundos superiores ao nosso. ( Elucidações Evangélicas. Cap. 142. Antônio Luiz Sayāo )

            Jesus é o diamante que se tornou estelar, mantendo o brilho interior, sem permitir-se ofuscar as débeis claridades individuais, no entanto, clareando as consciências e amando-as.

            Todo o Seu é um ministério de esperança e de amor, de compaixão e de auxílio, movimentado pela ação do Bem, único recurso para minimizar ou anular as ocorrências dos infortúnios ocultos.

            Conhecendo cada pessoa que d'Ele se acercava, graças à capacidade de penetrar o insondável do coração e da mente, sem humilhar ou jactar-se, conseguia oferecer combustível de amor para a transformação interior que se deveria operar, e quando essa não ocorria, assim mesmo estimulava o seu prosseguimento, pois que um dia seria alcançada...

            A Sua divindade estava na essência interior d'Ele mesmo , assim como se encontra em todos nós , mas, sobretudo, na forma de viver a Mensagem, que expressa o amor inefável de Deus pelas Suas criaturas.

            Fossem conforme se apresentassem as calamidades físicas, morais, políticas, econômicas, os infortúnios de qualquer expressão, Ele se utilizava da caridade misericordiosa, entendendo a angústia e a aflição, procurando remediar, quando não as devesse eliminar, porque delas poderiam resultar abençoados frutos para o porvir de cada qual.

            Quantos desastres ocultos, quantos desalinhos que não chegavam a ser conhecidos, porém, foram identificados pela Sua superior qualidade espiritual!

            Silenciosa ou verbalmente, contribuía para que tudo se resolvesse, sem impedir que o paciente ou a vítima oferecesse a sua contribuição de esforço e sacrifício, a fim de crescer e aprender a construir o bem em si mesmo, sem permitir-se elogios, gratidões ou aplausos, que sempre os desconsiderou.

            Abstém-te de falar disto a quem quer que seja... impôs ao hanseniano recém curado, para evitar as louvaminhas e exaltações das multidões frívolas e interesseiras, mas aduziu: ... vai mostrar-te aos sacerdotes e oferece o dom prescrito por Moisés (1), afim de que lhes sirva de prova. ( Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 17. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            Os sacerdotes, embora sem competência científica, mas com a competência que lhe dava o Código Mosaico, tinha de fazer o registro da purificação e dar liberdade ao homem, restituindo-o ao convívio social.

            E este testemunho da sua Individualidade e da sua Doutrina, que Jesus oferecia ao sacerdote, devia gravar-se para fazer os "curas" daquele tempo compreenderem qual a Religião que deveriam abraçar e praticar.

            Ordenando, pois, ao homem: "Vai mostrar-te ao sacerdote e oferecer-lhe pela purificação o que Moisés determinou" - não teve o Mestre outro intuito senão o de promover também a cura de um outro enfermo, o padre, enfermo de alma que não procurava compreender as coisas de Deus. ( O Espírito do Cristianismo. Cap. 53. Cairbar Schutel)

            Arrancando as pústulas em decomposição orgânica, por intermédio da renovação celular, propunha a profunda mudança de atitude mental e moral do paciente, para que os campos vibratórios modeladores da forma mantivessem o ritmo de equilíbrio para a preservação da harmonia dos órgãos.

            Igualmente induzia ao respeito pelo que estava estabelecido, de modo que educasse o indivíduo para viver dignamente no grupamento social em que se encontrava.

            O Seu lado humano exigia que a comunidade vivesse em equilíbrio emocional vinculada aos seus estatutos legais.

            A caridade não arrosta consequências da insubordinação, do desrespeito, da agressão ao status quo, antes ilumina-o, contribui para a sua renovação incessante, por ser semelhante à luz que dilui trevas sem alarde nem violência.

            A ausência de ostentação em todo o Seu ministério é a demonstração da Sua humildade e da Sua humanidade, direcionando para Deus todos os feitos, todos os resultados felizes dos empreendimentos realizados.  ( Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 17. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )

            Somente possuindo essa virtude celeste, de que, como de todas as outras, foi modelo excelso Nosso Se­nhor Jesus Cristo, é que seremos capazes de praticar unicamente boas obras, com o cunho da abnegação, do desinteresse, da sinceridade, do sigilo, do devotamento, do amor, em suma, ensinados também nos versículos que estudamos. Somente a posse daquela virtude fundamen­tal nos capacitará para a prática da caridade material e moral, pondo em jogo todas as aptidões da inteligência e todas as delicadezas do coração.

            À caridade assim praticada, sob o duplo aspecto que comporta, é que se referia o divino Mestre, como facil­mente verificaremos, se procurarmos interpretar-lhe, em espírito e verdade, as palavras, quando, conforme ao texto acima, empregava o termo esmola que, entre nós, tem um sentido que abate e humilha. ( Elucidações Evangélicas.  Cap. 29. Antônio Luiz Sayāo )

            O homem caridoso faz o bem ocultamente; dissimula suas boas ações, enquanto que o vaidoso proclama o pouco que faz. “A mão esquerda deve ignorar o que dá a direita”, disse Jesus. “Aquele que faz o bem com ostentação já recebeu sua recompensa”.

            Dar em segredo, ser indiferente aos elogios dos homens, é mostrar uma verdadeira elevação de caráter, é se colocar acima dos julgamentos de um mundo passageiro e procurar a justificação de seus atos na vida que não termina.

            Nessas condições, a ingratidão, a injustiça não podem atingir o homem caridoso. Ele faz o bem porque é seu dever e sem esperar nenhuma vantagem, nenhuma recompensa; deixa à lei eterna o cuidado de fazer gotejar as consequências de seus atos, ou melhor, nem pensa nisso. É generoso. Para estimular os outros, sabe privar-se a si mesmo, ciente de que não há nenhum mérito em dar seu supérfluo. É por isso que o óbulo do pobre, a moeda da viúva, o pedaço de pão repartido com o companheiro de infortúnio, têm mais valor do que a generosidade do rico. O pobre, na sua penúria, pode ainda socorrer o mais pobre que ele.

            Há mil maneiras de se tornar útil, de vir em socorro  de seus irmãos. O ouro não tarifa todas as lágrimas e não pensa todas as feridas. Há males para os quais uma amizade sincera, uma ardente simpatia, uma efusão da alma farão mais do que as riquezas.

Sejamos generosos para com aqueles que sucumbiram na luta contra suas paixões e foram arrastados para o mal, generosos para com os pecadores, os criminosos, os endurecidos. Sabemos nós por que fases suas almas passaram, que tentações suportaram antes de falir? Tinham esse conhecimento das leis superiores que sustentam na hora do perigo? Ignorantes, incertos, agitados por todos os sopros externos, podiam resistir e vencer? A responsabilidade é proporcional ao saber; mais será pedido àquele que conhece a verdade.

            Sejamos piedosos para com os pequenos, os débeis, os aflitos, para com todos aqueles que sangram os ferimentos da alma e do corpo.
           

            Procuremos os lugares onde as dores abundam, onde os corações se partem, onde as existências se ressecam no desespero e no esquecimento.
          

            Desçamos nesses abismos de miséria, a fim de aí levar as consolações que restauram, as boas palavras que reconfortam, as exortações que vivificam, a fim de ali fazer luzir a esperança, esse sol dos desgraçados. Esforcemo-nos para daí arrancar alguma vítima, para purificá-la, salvá-la do mal, abrir-lhe o caminho honroso.

            Será somente pelo devotamento e a afeição que aproximaremos as distâncias, que preveniremos os cataclismos sociais, exterminando o ódio que se incuba no coração dos deserdados.

            Tudo o que o homem faz pelo seu irmão grava-se no grande livro fluídico cujas páginas se desenrolam através do Espaço, páginas luminosas onde se inscrevem nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos. E essas dívidas nos serão pagas, amplamente, nas existências futuras.

            Nada fica perdido, nada fica esquecido. Os laços que unem as almas através dos tempos são tecidos com os benefícios do passado. A sabedoria eterna tudo regulou para o bem dos seres. As boas obras executadas, aqui na Terra, tornam-se, para o seu autor, a fonte de infinitas alegrias no futuro.

            A perfeição do homem se resume em duas palavras: Caridade, Verdade. A caridade é a virtude por excelência; ela é de essência divina. Irradia sobre os mundos, reaquece as almas como um olhar, como um sorriso do Eterno. Ultrapassa em resultados o saber, o gênio. Esses não caminham sem o orgulho. São contestados, às vezes, desconhecidos, mas a caridade, sempre doce e benevolente, enternece os corações mais duros, desarma os espíritos mais perversos, inundando-os de amor. (Depois da morte. Cap. 47. León Denis )

            Em fazer o bem sem ostentação há grande mérito; ainda mais meritório é ocultar a mão que dá; constitui marca incontestável de grande superioridade moral, porquanto, para encarar as coisas de mais alto do que o faz o vulgo, mister se torna abstrair da vida presente e identificar-se com a vida futura; numa palavra, colocar-se acima da Humanidade, para renunciar à satisfação que advém do testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus.

            Aquele que prefere ao de Deus o sufrágio dos homens prova que mais fé deposita nestes do que na Divindade e que mais valor dá à vida presente do que à futura. Se diz o contrário, procede como se não cresse no que diz.

            Quantos há que só dão na esperança de que o que recebe irá bradar por toda a parte o benefício recebido! Quantos os que, de público, dão grandes somas e que, entretanto, às ocultas, não dariam uma só moeda! Foi por isso que Jesus declarou: "Os que fazem o bem ostentosamente já receberam sua recompensa." Com efeito, aquele que procura a sua própria glorificação na Terra, pelo bem que pratica, já se pagou a si mesmo; Deus nada mais lhe deve; só lhe resta receber a punição do seu orgulho.

            Não saber a mão esquerda o que dá a mão direita é uma imagem que caracteriza admiravelmente a beneficência modesta. Mas, se há a modéstia real, também há a falsa modéstia, o simulacro da modéstia. Há pessoas que ocultam a mão que dá, tendo, porém, o cuidado de deixar aparecer um pedacinho, olhando em volta para verificar se alguém não o terá visto ocultá-la. Indigna paródia das máximas do Cristo! Se os benfeitores orgulhosos são depreciados entre os homens, que não será perante Deus? Também esses já receberam na Terra sua recompensa. Foram vistos; estão satisfeitos por terem sido vistos. E tudo o que terão.

            E qual poderá ser a recompensa do que faz pesar os seus benefícios sobre aquele que os recebe, que lhe impõe, de certo modo, testemunhos de reconhecimento, que lhe faz sentir a sua posição, exaltando o preço dos sacrifícios a que se vota para beneficiá-lo? Oh! para esse, nem mesmo a recompensa terrestre existe, porquanto ele se vê privado da grata satisfação de ouvir bendizer-lhe do nome e é esse o primeiro castigo do seu orgulho. As lágrimas que seca por vaidade, em vez de subirem ao Céu, recaíram sobre o coração do aflito e o ulceraram. Do bem que praticou nenhum proveito lhe resulta, pois que ele o deplora, e todo benefício deplorado é moeda falsa e sem valor.

            A beneficência praticada sem ostentação tem duplo mérito. Além de ser caridade material, é caridade moral, visto que resguarda a suscetibilidade do beneficiado, faz-lhe aceitar o benefício, sem que seu amor-próprio se ressinta e salvaguardando-lhe a dignidade de homem, porquanto aceitar um serviço é coisa bem diversa de receber uma esmola. Ora, converter em esmola o serviço, pela maneira de prestá-lo, é humilhar o que o recebe, e, em humilhar a outrem, há sempre orgulho e maldade. A verdadeira caridade, ao contrário, é delicada e engenhosa no dissimular o benefício, no evitar até as simples aparências capazes de melindrar, dado que todo atrito moral aumenta o sofrimento que se origina da necessidade.

            Ela sabe encontrar palavras brandas e afáveis que colocam o beneficiado à vontade em presença do benfeitor, ao passo que a caridade orgulhosa o esmaga. A verdadeira generosidade adquire toda a sublimidade, quando o benfeitor, invertendo os papéis, acha meios de figurar como beneficiado diante daquele a quem presta serviço. Eis o que significam estas palavras: "Não saiba a mão esquerda o que dá a direita." ( O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Item 3. Allan Kardec )

            A Revista Espírita  de 1863 relata um comovente exemplo de caridade de um  benfeitor anônimo:

            “O proprietário de uma casa na Rua du Cherche-Midi tinha permitido anteontem que o inquilino se mudasse sem saldar a conta, mediante reconhecimento da dívida. Mas enquanto carregavam os móveis o proprietário mudou de idéia e quis ser pago antes da retirada da mobília. O locatário se desesperava, sua esposa chorava e dois filhos em tenra idade imitavam a mãe. Um cavalheiro, condecorado com a Legião de Honra, passava no momento por aquela rua. Parou. Tocado por esse espetáculo desolador, aproximou-se do infeliz devedor e, tendo-se informado da quantia devida pelo aluguel, entregou-lhe duas cédulas e desapareceu, acompanhado pelas bênçãos daquela família, que salvava do desespero.”

            No mês de julho, o jornal L’Opinion du Midi, de Nîmes, relatava outro caso do mesmo gênero:

            “Acaba de passar-se um fato tão estranho, pelo mistério com que se realizou, quão tocante por seu objetivo e pela delicadeza do procedimento do seu autor.

            “Há três dias anunciamos que um violento incêndio tinha consumido quase completamente a loja e as oficinas do Sr. Marteau, marceneiro em Nîmes. Contamos a dor desse infeliz em presença de um sinistro que consumava sua ruína, pois o seguro que fizera era infinitamente inferior ao valor das mercadorias destruídas.

            “Soubemos hoje que três carretas, contendo madeira de diversas qualidades e instrumentos de trabalho, foram levadas à frente da casa do Sr. Marteau e descarregadas em suas oficinas, semidevoradas pelas chamas.

            “O responsável pela condução das carretas respondeu às interpelações de que era objeto, alegando a ignorância em que se achava, relativamente ao nome do doador, cuja vontade executava.

            Sustentou não conhecer a pessoa que o havia comissionado para transportar a madeira e as ferramentas à casa do Sr. Marteau, e nada saber fora dessa comissão. Retirou-se após ter descarregado as três viaturas.

            “A alegria e a felicidade substituíram no Sr. Marteau o abatimento de que era impossível tirá-lo desde o dia do incêndio. “Que o generoso desconhecido, que tão nobremente veio em socorro de um infortúnio que, sem ele, talvez tivesse sido irreparável, receba aqui os agradecimentos e as bênçãos de uma família que, desde hoje, lhe deve as mais doces consolações e, talvez, logo venha a lhe dever a prosperidade.”

            O coração se tranqüiliza quando lemos fatos semelhantes que, de vez em quando, vêm fazer a contrapartida dos relatos de crimes e torpezas que os jornais estampam em suas colunas. Fatos como os acima relatados provam que a virtude não está inteiramente banida da Terra, como pensam certos pessimistas.

            Sem dúvida nela o mal ainda domina, mas quando se procura na sombra, percebe-se que, sob a erva daninha, há mais violetas, isto é, maior número de almas boas do que se pensa. Se elas surgem a intervalos tão espaçados, é que a verdadeira virtude não se põe em evidência, porque é humilde; contenta-se com os prazeres do coração e a aprovação da consciência, ao passo que o vício se manifesta afrontosamente, em plena luz; faz barulho, porque é orgulhoso. O orgulho e a humildade são os dois pólos do coração humano: um atrai todo o bem; o outro, todo o mal; um tem calma; o outro, tempestade; a consciência é a bússola que indica a rota conducente a cada um deles.

            O benfeitor anônimo, do mesmo modo que o que não espera a morte para dar aos que nada têm, é, incontestavelmente, o tipo do homem de bem por excelência; é a personificação da virtude modesta, aquela que não busca os aplausos dos homens.

            Fazer o bem sem ostentação é um sinal incontestável de grande superioridade moral, porque é preciso uma fé viva em Deus e no futuro, um alheamento da vida presente e uma identificação com a vida futura para esperar a aprovação de Deus, bem como renunciar à satisfação proporcionada pelo testemunho atual dos homens. O  favorecido abençoa de coração a mão generosa e desconhecida que o socorreu, e essa bênção sobe ao céu muito mais que os aplausos da multidão. Aquele que leva em maior conta o sufrágio dos homens do que a aprovação de Deus mostra ter mais fé nos homens do que em Deus e que a vida presente tem mais valor que a vida futura. Se disser o contrário, age como se não acreditasse no que diz. Entre estes, quantos não fazem um favor senão com a esperança de que o favorecido venha proclamar o benefício do alto dos telhados! que em plena luz dão uma grande soma, mas na obscuridade não dariam uma simples moeda! Eis por que disse Jesus: “Os que fazem o bem com ostentação já receberam a sua recompensa.” Com efeito, àquele que busca a sua glorificação na Terra, Deus nada deve; só lhe resta receber o preço de seu orgulho. ( Revista Espírita. Outubro de 1863. Benfeitores anônimos. Allan Kardec )

            Observação (1): De acordo com Levítico 13:2-9, Moisés seguia a seguinte lei:

            13.2 "Quando um homem tiver um tumor, uma inflamação ou uma mancha branca na pele de seu corpo, e esta se tornar em sua pele uma chaga de lepra, ele será levado a Aarão, o sacerdote, ou a um dos seus filhos sacerdotes.

            13.3 O sacerdote examinará o mal que houver na pele do corpo: se o cabelo se tornou branco naquele lugar, e a chaga parecer mais funda que a pele, será uma chaga de lepra. O sacerdote verificará o fato e declarará impuro o homem.

            13.4 Se houver na pele de seu corpo uma mancha branca que não parecer mais funda que a pele sã, e o cabelo não se tiver tornado branco, o sacerdote isolará o doente durante sete dias.

            13.5 No sétimo dia examinará: se a chaga parecer não ter progredido e não se tiver estendido pela pele, isolá-lo-á uma segunda vez durante sete dias.

            13.6 No sétimo dia o sacerdote o examinará novamente: se a parte afetada perdeu a sua cor e não se tiver estendido por sobre a pele, declará-lo-á puro; é dartro. O homem lavará suas vestes e será puro.

             13.7 Mas se o dartro se tiver estendido por sobre a pele, depois de se ter mostrado ao sacerdote para ser declarado puro, se lhe mostrará uma segunda vez.

            13.8 Se o sacerdote verificar a extensão do dartro por sobre a pele, declará-lo-á impuro: é lepra.

            13.9 “Quando um homem for atingido pela lepra, será conduzido ao sacerdote, que o examinará." 
 

 

Bibliografia:

- O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 13. Itens 3 e 8. Allan Kardec .

- O Livro dos Espíritos. Questão 893 e 897. Allan Kardec.

- Revista Espírita. Outubro de 1863. Benfeitores anônimos. Allan Kardec.

-Renovando atitudes. Cap. 37. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto .

- Elucidações Evangélicas. Cap. 142. Antônio Luiz Sayāo.

- Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda. Cap. 17. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco.

-  Depois da morte. Cap. 47. León Denis.

- O Espírito do Cristianismo. Cap. 53. Cairbar Schutel.

-Bíblia: Levítico 13:2-9.