Aula 103 - As virtudes e os vícios

Ciclo 1 - História: Peça Teatral: Floquinho de Neve - Atividade: ESE -Cap.17- 7 - A virtude.
Ciclo 2 - História: O jardim das virtudes - Atividade: LE - L3 -Cap.12- 1 - As virtudes e os vícios.
Ciclo 3 - História: O pior inimigo - Atividade: LE - L3 -Cap.12- 2 - Das paixões.

Dinâmicas: Virtudes na Evolução; As virtudes.
Mensagens espíritas: Virtudes.
Sugestão de vídeos:
- Música:  Vícios e virtudes - Doremila (Dica: pesquise no Youtube)
- Música: Alfabeto Cristão (Dica: pesquise no Youtube)
Sugestão de livros infantis:
- Coleção: Valores para a vida. Sentimentos - Bonzinho, mas nem tanto . Cida Lopes. Editora Brasileitura.
- Transformando sentimentos.  Nísia Anália de A. Macedo. Editora Auta de Souza.


Leitura da Bíblia: Provérbios - Capítulo 6


6.16 Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta:


6.17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente,


6.18 coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal,


6.19 a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos.


6.20 Meu filho,obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe.


6.21 Amarre-os sempre junto ao coração; ate-os ao redor do pescoço.


6.22 Quando você andar, eles o guiarão; quando dormir, o estarão protegendo; quando acordar, falarão com você.


6.23 Pois o mandamento é lâmpada, a instrução é luz, e as advertências da disciplina são o caminho que conduz à vida;


6.24 eles o protegerão da mulher imoral, e dos falsos elogios da mulher leviana.


6.25 Não cobice em seu coração a sua beleza nem se deixe seduzir por seus olhares,


6.26 pois o preço de uma prostituta é um pedaço de pão, mas a adúltera sai à caça de vidas preciosas.


6.27 Pode alguém colocar fogo no peito sem queimar a roupa?


6.28 Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés?


6.29 Assim acontece com quem se deita com mulher alheia; ninguém que a toque ficará sem castigo.


6.30 O ladrão não é desprezado se, faminto, rouba para matar a fome.


6.31 Contudo, se for pego, deverá pagar sete vezes o que roubou, embora isso lhe custe tudo o que tem em casa.


6.32 Mas o homem que comete adultério  não tem juízo; todo aquele que assim procede  a si mesmo se destrói.


6.33 Sofrerá ferimentos e vergonha,  e a sua humilhação jamais se apagará,


6.34 pois o ciúme desperta a fúria do marido, que não terá misericórdia quando se vingar.


6.35 Não aceitará nenhuma compensação; os melhores presentes não o acalmarão.



Romanos - Capítulo  12


12.9 O amor seja sem hipocrisia. Detestai o mal, apegando-vos ao bem.


12.10   Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.


12.11   No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor;


12.12   regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, na oração, perseverantes;


12.13   compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade;


12.14   abençoai os que vos perseguem, abençoai e não amaldiçoeis.


12.15   Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.


12.16   Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.


12.17   Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens;


12.18   se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;


12.19   não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.


12.20   Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.


12.21   Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.



Tópicos a serem abordados:
- A grande maioria dos Espíritos encarnados na Terra possui virtudes e vícios. Jesus é o único Espírito virtuoso ,que conhecemos, que pode ser considerado perfeito.
- A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades morais essenciais que constituem o homem de bem.  Ser bom, caridoso, trabalhador, paciente, humilde, são qualidades do homem virtuoso.
- O vício, pelo contrário, é uma imperfeição da alma. Aquele que possui qualquer costume ou atitude repetitiva condenável, que prejudica a si mesmo ou outras pessoas, é considerado um doente da alma. Ser egoísta, orgulhoso, invejoso, guloso, preguiçoso, são defeitos daqueles que possuem vícios.
-  Os vícios surgiram por causa do exagero de uma necessidade ou de um sentimento (paixão descontrolada) , ou seja, devido ao abuso do instinto de conservação .Deus pôs limite à satisfação das necessidades; por meio da saciedade o homem é avisado desse limite; se o ultrapassa, faz pela sua própria vontade. As doenças, que daí podem resultar, provêm da sua imprudência, não de Deus.  A cada um é concedido um corpo físico que deve ser mantido saúdavel, através de uma alimentação adequada. Se não conservá-lo em bom estado, estará praticando o mal contra si mesmo, e, consequentemente, descumprindo a  Lei Divina de conservação . Infelizmente, é isso que na maioria das vezes acontece.
- Os vícios que causam prejuizo ao nosso corpo podem ser de dois tipos: os vícios materiais  e morais. Os primeiros costumam causar graves problemas na sociedade , tais como: o alcoolismo, o tabagismo, a gulodice, e as drogas ilegais. Os outros também são considerados  preocupantes e sérios , tais como: vício de mentir constantemente para nós mesmos e para os outros (falsidade), por não querermos tomar contato com a realidade;vício de nos lamentarmos sistematicamente (revolta), colocando-nos como vítima em face da vida, para continuarmos recebendo a atenção dos outros; vício de nos acharmos sempre certos (orgulho), para podermos suprir a enorme insegurança que existe em nós; vício incontido de gastar desnecessariamente (egoísmo), sem utilidade, a fim de adiarmos decisões importantes em nossa vida; vício de criticar e mal julgar as pessoas (maledicência), para nos sentirmos maiores e melhores que elas; entre outros.
-  Quaisquer que sejam os motivos e a origem de nossos velhos hábitos, é importante que façamos esforços para combatê-los. Uma ótima maneira de nos corrigirmos é cultivar constantemente o autoconhecimento, como por exemplo , analisar todos os dias as boas e más açőes que realizamos.
- Há pessoas que fazem o bem espontaneamente, sem que precisem vencer quaisquer sentimentos que lhes sejam opostos, isto ocorre pois sāo Espíritos que já progrediram. Do mesmo modo, nos mundos mais adiantados o sentimento do bem é espontâneo, porque somente habitam bons Espíritos .O mesmo se dará na Terra, quando a Humanidade  houver se transformado, quando compreender e praticar a caridade no seu verdadeiro sentido.
- A verdadeira caridade não possui interesse ou segundas intenções e jamais exige algo em troca. A grandiosidade desta virtude está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo. Mas toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso no caminho do bem. Além disso, pode ser considerado virtude quando há resistência voluntária ao arrastamento das más tendências .
- No entanto, ninguém deve se vangloriar das qualidades ou habilidades que possui para receber elogios. Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho. 
- A verdadeira virtude não tem duas faces, uma interna, outra externa: ela é integral, é perfeita sob todos os aspectos . Não há virtude privada e virtude pública. É falsa a virtude que aparece para os de fora, e não se verifica para os familiares. Não é virtuoso aquele que é excelente cidadão na escola, mas um péssimo filho: egoísta e desobediente.
-  O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro.

Perguntas para fixação:
1. Qual é o Espírito que habitou na Terra que possui todas as virtudes?
2. O que são as virtudes? Cite alguns exemplos.
3. O que são os vícios?  Cite alguns exemplos.
4. Como os vícios surgiram?
5. Quais sāo os dois tipos de vícios?
6. De que forma podemos corrigir as nossas imperfeições?
7. Quais Espíritos não precisam vencer suas más tendências?
8. Por que não devemos nos vangloriar das nossas qualidades?
9. É virtuoso aquele que é um ótimo aluno, mas um péssimo filho?
10. Qual é o vício que dá origem a todos os outros?
11. Qual é a virtude que é a fonte de todas as  outras?

Subsídio para o Evangelizador:
            A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam.
(O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 17. Item 8 . Allan Kardec. François-Nicolas- Madeleine.1863.)
            Para o homem,  Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lReo oferece como o mais perfeito modelo   e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava (O Livro dos Espíritos. Questão 625. Allan Kardec).
            Segundo o dicionário Michaelis a palavra " Vício" significa: Defeito físico ou moral; imperfeição grave de uma pessoa ou coisa.Disposição natural ou tendência para praticar o mal; qualquer ação ou comportamento nocivo motivado por essa tendência; depravação.  Qualquer costume condenável ou prejudicial. (http://michaelis.uol.com.br/busca?id=neoRw)
            Todas as virtudes e todos os vícios são inerentes ao Espírito. A não ser assim, onde estariam o mérito e a responsabilidade? ( O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 9. Item. 10. Allan Kardec )
            A virtude é concessão de Deus, ou é aquisição da criatura?
            -A dor, a luta e a experiência constituem uma oportunidade sagrada concedida por Deus às suas criaturas, em todos os tempos; todavia, a virtude é sempre sublime e imorredoura aquisição do espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio. ( O Consolador.  Questão 253. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier )
            O homem não é levado fatalmente nem ao bem, nem ao mal; realiza um e outro por sua vontade e se aperfeiçoa pela experiência. Em decorrência desse princípio, os espíritas  não admitem os demônios fadados ao mal, nem a criação especial de anjos predestinados à felicidade infinita, sem terem tido o trabalho de a merecer. Os demônios são Espíritos humanos ainda imperfeitos, mas que melhorarão com o tempo; os anjos, Espíritos chegados à perfeição, depois de haverem passado, como os outros, por todos os graus da inferioridade.
            O Espiritismo não admite, para cada um, senão a responsabilidade de seus próprios atos; segundo ele, o pecado original é pessoal, consistindo nas imperfeições que cada indivíduo traz ao nascer, porque delas ainda não se despojou em suas existências precedentes, e cujas conseqüências sofre naturalmente na existência atual. (Revista Espírita . Junho de 1868. A religião  e a política  na  sociedade moderna.Por Frédéric Herrenschneider. Allan Kardec )
            O termo  pecado   é comumente utilizado em contexto   religioso   para descrever qualquer desobediência à vontade de   Deus ; em especial, qualquer desconsideração deliberada de leis divinas. (...)  A repetição de pecados gera  vícios , que " são hábitos perversos que obscurecem a   consciência   e inclinam ao   mal .  Os vícios podem estar ligados aos chamados  sete pecados capitais :   soberba ,   avareza ,   inveja ,   ira ,   luxúria ,   gula   e   preguiça ". (https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pecado)
            Os sete pecados capitais só foram enumerados e agrupados no século VI, pelo papa São Gregório Magno (540-604), tomando como referência as cartas de São Paulo”, afirma Fernando Altemeyer, teólogo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Também são chamados de “mortais”, porque significariam a morte da alma – em contraste com os pecados veniais, considerados menos ofensivos. “Capital vem do latim caput (cabeça), significando que esses sete são como mães de todos os outros pecados”, diz Fernando. Como antídotos a esses vícios principais, a Igreja medieval contrapõe as seguintes virtudes: disciplina (para combater a preguiça), generosidade (avareza), castidade (luxúria), paciência (ira), temperança (gula), caridade (inveja) e humildade (soberba). (https://super.abril.com.br/historia/qual-e-a-origem-dos-sete-pecados-capitais/)
        Segundo León Denis, de todos os vícios, o mais terrível é o orgulho, pois semeia, na sua passagem, os germens de quase todos os outros vícios. ( Depois da morte. Cap. 45. León Denis)
            Dentre os vícios, qual o que se pode considerar como radical?
            Nós o dissemos muitas vezes: é o egoísmo: dele deriva todo o mal. Estudai todos os vícios e vereis que no fundo de todos está o egoísmo.
Por mais que lhes deis combate, não chegareis a extirpá-los, enquanto não atacardes o mal pela raiz, enquanto não lhe houverdes destruído a causa. Tendam, pois, todos os esforços para esse efeito, porquanto aí é que está a verdadeira chaga da sociedade. Quem quiser, desde esta vida, ir aproximando-se da perfeição moral, deve expurgar o seu coração de todo sentimento de egoísmo, visto ser o egoísmo incompatível com a justiça, o amor e a caridade. Ele neutraliza todas as outras qualidades.(Livro dos Espíritos. Questão 913. Allan Kardec).
            Não praticar o mal, já é um princípio do bem. Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na Criação houvesse um ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as Leis divinas, evitá-lo-á sempre que o queira.
            Tomemos para comparação um fato vulgar. Sabe um proprietário que nos confins de suas terras há um lugar perigoso, onde poderia perecer ou ferir-se quem por lá se aventurasse. Que faz, a fim de prevenir os acidentes? Manda colocar perto um aviso, proibindo que prossigam os que por ali passem, devido ao perigo. Aí está a lei, que é sábia e previdente. Se, apesar de tudo, um imprudente desatende o aviso, vai além do ponto onde este se encontra e sai-se mal, de quem se pode ele queixar, senão de si próprio?
            Assim sucede com todo o mal: evitá-lo-ia o homem se cumprisse as Leis divinas. Por exemplo: Deus pôs limite à satisfação das necessidades; por meio da saciedade o homem é avisado desse limite; se o ultrapassa, fá-lo voluntariamente. As doenças, as enfermidades, a morte, que daí podem resultar, provêm da sua imprevidência, não de Deus.
            Decorrendo, o mal, das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á, Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos, a causa do mal; se houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria.
            Se fora criado perfeito, o homem fatalmente penderia para o bem. Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem, nem para o mal. Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, a fim de que lhe pertença o fruto deste, da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade do mal que por sua vontade pratique. A questão, pois, consiste em saber-se qual é, no homem, a origem da sua propensão para o mal.
            Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria.
            O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente às exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para a conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final.

            Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto.
            O mal é, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento. Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, pois, se assim não fosse, Deus teria feito coisas inúteis e até nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal. ( A Gênese. Cap. 3. Itens 8 , 9 e 10. Allan Kardec)
            Como se poderá determinar o limite onde as paixões deixam de ser boas para se tornarem más?
            “As paixões são como um corcel, que só tem utilidade quando governado e que se torna perigoso desde que passe a governar. Uma paixão se torna perigosa a partir do momento em que deixais de poder governá-la e que dá em resultado um prejuízo qualquer para vós mesmos, ou para outrem.”
            As paixões são alavancas que decuplicam as forças do homem e o auxiliam na execução dos desígnios da Providência. Mas, se, em vez de as dirigir, deixa que elas o dirijam, cai o homem nos excessos e a própria força que, manejada pelas suas mãos, poderia produzir o bem, contra ele se volta e o esmaga. Todas as paixões têm seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural. O princípio das paixões não é, assim, um mal, pois que assenta numa das condições providenciais da nossa existência. A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidade ou de um sentimento. Está no excesso e não na causa e este excesso se torna um mal, quando tem como conseqüência um mal qualquer. Toada paixão que aproxima o homem da natureza animal afasta-o da natureza espiritual. Todo sentimento que eleva o homem acima da natureza animal denota predominância do espírito sobre a matéria e o aproxima da perfeição. ( O Livro dos Espíritos. Questão 908. Allan Kardec )
            Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações?
            “Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!” ( O Livro dos Espíritos. Questão 909. Allan Kardec )
            Pode o homem achar nos Espíritos eficaz assistência para triunfar de suas paixões?
            “Se o pedir a Deus e ao seu bom gênio, com sinceridade, os bons Espíritos lhe virão certamente em auxílio, porquanto é essa a missão deles.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 910. Allan Kardec )
            Não haverá paixões tão vivas e irresistíveis, que a vontade seja impotente para dominá-las?
            “Há muitas pessoas que dizem: Quero, mas a vontade só lhes está nos lábios. Querem, porém muito satisfeitas ficam que não seja como “querem”. Quando o homem crê que não pode vencer as suas paixões, é que seu Espírito se compraz nelas, em conseqüência da sua inferioridade. Compreende a sua natureza espiritual aquele que as procura reprimir. Vencê-las é, para ele, uma vitória do Espírito sobre a matéria.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 911. Allan Kardec )
            Para certos homens, o meio onde se acham colocados não representa a causa primária de muitos vícios e crimes?
            “Sim, mas ainda aí há uma prova que o Espírito escolheu, quando em liberdade, levado pelo desejo de expor-se à tentação para ter o mérito da resistência.”( O Livro dos Espíritos. Questão 644. Allan Kardec )
            As sementes do mal encontram, na esfera terrena, a gleba propícia para desabrocharem. Mesmo as almas já dotadas de certos conhecimentos intelectuais e qualidades nobres, ao reencarnarem na Terra, sofrem as influências-ambientes, sem que isso constitua, como talvez possa parecer, um retrocesso, uma regressão. Inúmeras vezes o próprio Paulo de Tarso confessava, amargurado: “O bem que eu quero, não faço; o mal que não quero, esse é que faço.” A força do mal é tão insinuante que um pequeno descuido, no desenvolvimento e na ampliação das virtudes, poderá precipitar-nos temporariamente no báratro das condenações psíquicas, retardando, assim, a marcha progressiva do nosso Espírito. Na melhor das hipóteses, produzirá um estacionamento tão inconveniente e prejudicial como, para o estudante, a repetição do ano letivo, perdido na embriaguez das futilidades e dos prazeres que não constroem. ( Estudando o Evangelho.  Cap. 35. Martins Peralva).
            Quando o homem se acha, de certo modo, mergulhado na atmosfera do vício, o mal não se lhe torna um arrastamento quase irresistível?
“Arrastamento, sim; irresistível, não; porquanto, mesmo dentro da atmosfera do vício, com grandes virtudes às vezes deparas. São Espíritos que tiveram a força de resistir e que, ao mesmo tempo, receberam a missão de exercer boa influência sobre os seus semelhantes.”( O Livro dos Espíritos. Questão 645. Allan Kardec )
        (...)É necessário conceituar que vícios são dependências vigorosas e profundas de uma pessoa que se encontra sob o controle de outras ou de determinadas coisas. Portanto, deve ser considerado como vício não apenas o consumo de tóxicos e de outros produtos de origem natural ou sintética. O conceito é mais amplo. Analisando-o em profundidade, podemos interpretá-lo como atitude mental que nos leva compulsoriamente à subjugação a pessoas e situações. Muitos de nós aprendemos a ser dependentes desde cedo, dirigidos por adultos superprotetores que nos imprimiram ―clichês psíquicos de repressão, que se refletem até hoje como mensagens bloqueadoras dentro de nós e que não nos deixam desenvolver o ―senso de autonomia e de independência. Outros trazem enraizadas experiências em que lhes foi negada a possibilidade de exercer a capacidade de seleção de amigos e parceiros afetivos, em virtude da intervenção de adultos prepotentes. Essa nociva interferência torna-os mais tarde indivíduos de caráter oscilante, indecisos, assustados e inseguros. Outros ainda, por terem sofrido experiências conflitantes em outras encarnações, em contato com criaturas desequilibradas e em clima de inconstância e desarmonia, são predispostos a renascer hoje com maior identificação com a instabilidade emocional.
            Dessa forma, entendemos que os fatores que propiciam os vícios e as compulsões ocorrem em ambientes familiares-sociais desarmônicos, desta ou de outras encarnações, onde deixamos as pressões, traumas, coações, desajustes e conflitos se enraizarem em nossa ―zona mental ou ―perispiritual, porquanto os vícios não passam de efeitos externos de nossos conflitos internos.
            Vale ressaltar que nossa sociedade, a rigor, é extremamente ―machista, razão pela qual muitas mulheres foram educadas para aceitar comportamentos dependentes como sendo ―virtudes femininas, o que as leva a viver dentro de ―demarcações estreitas do que elas devem ou podem fazer.
            O vício do álcool, sexo, nicotina, jogos diversos ou drogas farmacológicas são formas amenizadoras que compensam, momentaneamente, áreas frágeis de nossa alma desestruturada.
            Aliviam as carências, as ansiedades, os desajustes, as tensões psicológicas e reduzem os impulsos energéticos que produzem as insatisfações e o chamado ―mal-estar interior.
            Pode parecer que as opções vício-dependência disfarcem ou abrandem a ―pressão torturante, porém o desconforto permanece imutável.
            O álcool e a droga são sedativos ou analgésicos, mas por acarretar gravíssimas conseqüências, são denominados ―vícios autodestrutivos. A comida é uma dependência considerada, de início, ―vicio neutro, para, depois, transformar-se numa ―opção de fuga negativa e profundamente desorganizadora do nosso corpo físico-psíquico.
            Há manias ou vícios comportamentais tão graves e sérios que nos levam a ser tratados e considerados como pessoas de difícil convivência, isto é, inconvenientes:
            — Vício de falar descontroladamente, sem raciocinar, desconectando-nos do equilíbrio e do bom senso.
            — Vício de mentir constantemente para nós mesmos e para os outros, por não querermos tomar contato com a realidade.
            — Vício de nos lamentarmos sistematicamente, colocando-nos como vítima em face da vida, para continuarmos recebendo a atenção dos outros.
            — Vício de nos acharmos sempre certos, para podermos suprir a enorme insegurança que existe em nós.
            — Vício incontido de gastar desnecessariamente, sem utilidade, a fim de adiarmos decisões importantes em nossa vida.
            — Vício de criticar e mal julgar as pessoas, para nos sentirmos maiores e melhores que elas.
            — Vício de trabalhar descontroladamente, sem interrupção, para nos distrairmos interiormente, evitando desse modo os conflitos que não temos coragem de enfrentar.(Renovando atitudes. Cap. 34. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto)               

                    A Doutrina Espirita nos esclarece que todos os vícios prejudiciais às forças psicossomáticas, que arruinam a saúde e apressam a morte (e aí se incluem o alcoolismo, a glutonaria, o tabagismo, a toxicomania, etc), representam formas de suicídio indireto, levando o Espírito, “post-mortem”, a um sentimento de culpa tanto mais penoso quanto maiores tenham sido os abusos cometidos.

                    Diz-nos, mais, que as lesões provocadas pela intemperança afetam, também, nossa estrutura perispiritual, dando margem a que, nas próximas reencaraações, venhamos a padecer desequilíbrios orgânicos mais ou menos dolorosos, conforme a natureza e a intensidade dos maus costumes a que nos entregamos.Tratemos, portanto, de trilhar o caminho reto da virtude, cultivando a sobriedade, pois tal é o preço de nossa felicidade, atual e futura.

(Páginas de Espiritismo cristão. Cap. 27. Rodolfo Calligaris )

                Numa entrevista, Chico Xavier faz um esclarecimento  importante com relação ao vício da nicotina:  — Você teria alcançado condições de desempenho de seu mandato mediúnico, ao longo de mais de meio século de trabalho incessante, se fosse um dependente da nicotina?
            — Creio que não, com referência ao tempo de trabalho, de vez que a ingestão de nicotina agravaria as doenças de que sou portador, mas não quanto a supostas qualidades espirituais para o mandato referido, de vez que considero o “hábito de cultivar pensamentos infelizes” uma condição pior que o uso ou o abuso da nicotina e, sinceramente, do “hábito de cultivar pensamentos infelizes” ainda não me livrei.
           
A ação negativa do cigarro sobre o perispírito do fumante prossegue após a morte do corpo físico? Até quando?
            R — “O problema da dependência continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual ceda lugar à normalidade do envoltório perispirítico, o que, na maioria das vezes, tem a duração do tempo correspondente ao tempo em que o hábito perdurou na existência física do fumante. Quando a vontade do interessado não está suficientemente desenvolvida para arredar de si o costume inconveniente, o tratamento dele, no Mundo Espiritual, ainda exige quotas diárias de sucedâneos dos cigarros comuns, com ingredientes análogos aos dos cigarros terrestres, cuja administração ao paciente diminui gradativamente, até que ele consiga viver sem qualquer dependência do fumo.”
            Que é que você habitualmente aconselha aos fumantes que, enfraquecidos por derrotas sucessivas, vêm pedir orientação, forças renovadas e motivação para vencer a dependência física e mental criada pela nicotina?
            R — A prece e o trabalho, em meu entendimento, são sempre os melhores recursos para defender-nos contra qualquer desequilíbrio. ( Janela para vida. Chico Xavier/ Fernando Worm).
            Inquestionavelmente, as chamadas viciações resultam do medo de assumir o controle de nossa vida e, ao mesmo tempo, do medo de nos responsabilizarmos por nossos atos e atitudes, permitindo que eles fiquem fora de nosso controle e de nossas escolhas.
            Quaisquer que sejam, contudo, os motivos e a origem de nossos ―velhos hábitos, urge estabelecermos pontos fundamentais, a fim de que comecemos indagando ―por que somos dependentes emocionalmente e ―qual é a forma de nos relacionarmos com essa dependência.
            Aqui estão alguns itens a ser também observados e que provavelmente nos ajudarão a ser mais independentes, além de capazes de satisfazer nossos desejos e vocações naturais. Ao mesmo tempo, nos permitirão estar junto a pessoas e situações sem tomar-nos parcial ou totalmente dependentes delas:
        — Aguçar nossa capacidade de decidir, de optar e de escolher cada vez mais livre das opiniões alheias.
        — Combater nossa tendência de ser ―bonzinhos, ou melhor, de desejar ser sempre agradáveis aos outros, mesmo pagando o preço de nos desagradar.
        — Estimular nossa habilidade de dizer ―não, quantas vezes forem necessárias, desenvolvendo assim nosso ―senso de autonomia,  a fim de não cair nos ―modismos ou ―pressões grupais.
        — Estabelecer no ambiente familiar um clima de respeito e liberdade, eliminando relações de superdependência ―simbióticas, para que possamos ser nós mesmos e deixemos os outros ser eles mesmos.
        — Criar padrões de comportamentos positivos, pois comportamentos são hábitos, e nossos hábitos determinam a facilidade de aceitarmos ou não as circunstâncias da vida.
        — Conscientizar-nos de que somos seres humanos livres por natureza, mas também responsáveis por nossos atos e pensamentos, pois recebemos por herança natural o livre-arbítrio.
        — Cultivar constantemente o autoconhecimento:
        — reforçando nossa visão nos traços de nossa personalidade que já conhecemos;
        — buscando nossos traços interiores, que ainda nos são desconhecidos;
        — analisando as opiniões de outras pessoas que, ao contrário de nós, já conhecemos nosso perfil psicológico;
        — aceitando plenamente nosso lado ―inadequado, sem jamais escondê-lo de nós mesmos e dos outros, tentando, porém, equilibrá-lo.
(Renovando atitudes. Cap. 34. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto)
            O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. ( O Livro dos Espíritos. Questão 919. Allan Kardec )
            Há pessoas que fazem o bem espontaneamente, sem que precisem vencer quaisquer sentimentos que lhes sejam opostos. Terão tanto mérito, quanto as que se vêem na contingência de lutar contra a natureza que lhes é própria e a vencem?
            “Só não têm que lutar aqueles em quem já há progresso realizado. Esses lutaram outrora e triunfaram. Por isso é que os bons sentimentos nenhum esforço lhes custam e suas ações lhes parecem simplíssimas. O bem se lhes tornou um hábito. Devidas lhes são as honras que se costumam tributar a velhos guerreiros que conquistaram seus altos postos.
            “Como ainda estais longe da perfeição, tais exemplos vos espantam pelo contraste com o que tendes à vista e tanto mais os admirais, quanto mais raros são. Ficai sabendo, porém, que, nos mundos mais adiantados do que o vosso, constitui a regra o que entre vós representa a exceção. Em todos os pontos desses mundos, o sentimento do bem é espontâneo, porque somente bons Espíritos os habitam. Lá, uma só intenção maligna seria monstruosa exceção. Eis por que neles os homens são ditosos. O mesmo se dará na Terra, quando a Humanidade se houver transformado, quando compreender e praticar a caridade na sua verdadeira acepção.”
( O Livro dos Espíritos. Questão 894. Allan Kardec )
            Qual a mais meritória de todas as virtudes?
            “Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem. Há virtudes sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores. A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto. A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade.”
( O Livro dos Espíritos. Questão 893. Allan Kardec )
            Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal: a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe: o orgulho. A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se. Adivinham- na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas. S. Vicente de Paulo era virtuoso; eram virtuosos o digno cura d'Ars e muitos outros quase desconhecidos do mundo, mas conhecidos de Deus. Todos esses homens de bem ignoravam que fossem virtuosos; deixavam-se ir ao sabor de suas santas inspirações e praticavam o bem com desinteresse completo e inteiro esquecimento de si mesmos.
            À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos. Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades. Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes. A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.
            Em princípio, o homem que se exalça, que ergue uma estátua à sua própria virtude, anula, por esse simples fato, todo mérito real que possa ter. Entretanto, que direi daquele cujo único valor consiste em parecer o que não é? Admito de boamente que o homem que pratica o bem experimenta uma satisfação íntima em seu coração; mas, desde que tal satisfação se exteriorize, para colher elogios, degenera em amor-próprio.
            O vós todos a quem a fé espírita aqueceu com seus raios, e que sabeis quão longe da perfeição está o homem, jamais esbarreis em semelhante escolho. A virtude é uma graça que desejo a todos os espíritas sinceros. Contudo, dir-lhes-ei: Mais vale pouca virtude com modéstia, do que muita com orgulho. Pelo orgulho é que as humanidades sucessivamente se hão perdido; pela humildade é que um dia elas se hão de redimir. (O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 17. Item 8 . Allan Kardec. François-Nicolas- Madeleine.1863.)
            A virtude não é veste de gala para ser envergada em dias e horas solenes. Ela deve ser nosso traje habitual. A virtude precisa fazer parte de nossa vida, como o alimento que ingerimos cotidianamente, como o ar que respiramos a todo instante.
            A virtude não é para ostentação: é para uso comum. É falsa a virtude que aparece para os de fora, e não se verifica para os familiares. Quem não é virtuoso dentro do seu lar, não o será na vida pública, embora assim aparente. Ser delicado e afável na sociedade, deixando de manter esses predicados em família, não é ser virtuoso, mas hipócrita. A virtude não tem duas faces, uma interna, outra externa: ela é integral, é perfeita sob todos os aspectos e prismas. Não há virtude privada e virtude pública: a virtude é uma e a mesma, em toda parte.
   
        O hábito da virtude, quando real, reflete-se em todos os nossos atos, do mais simples ao mais complexo, como o sangue que circula por todo o corpo.
            As conjunturas difíceis, as emergências perigosas, não alteram a virtude quando ela já constitui nosso modo habitual de vida.
            A virtude assume as modalidades necessárias para se opor a todos os males, sem prejuízo de sua integridade. Há um matiz para resolver cada caso, para se opor a cada vício, para vencer cada paixão, para enfrentar cada incidente; mas sempre, no fundo, é a mesma virtude. Ela é como a luz, que, iluminando, resolve de vez todos os obstáculos e tropeços, franqueando-nos o caminho. O hábito da virtude é fruto de uma porfiada conquista. Possuí-la é suave e doce. Praticá-la é fonte perene de infindos prazeres. A dificuldade não está no exercício da virtude, mas na oposição que lhe faz o vicio, que com ela contrasta. É necessário destronar um elemento, para que o outro impere. O vício não cede o lugar sem luta. A virtude nos diz: eis-me aqui, recebei-me, dai-me guarida em vosso coração; mas lembrai-vos de que, entre mim e o vício, existe absoluta incompatibilidade. Não podeis servir a dois senhores.  ( Nas pegadas do Mestre. A virtude. Vinicius )
            Postos de lado os defeitos e os vícios acerca dos quais ninguém se pode equivocar, qual o sinal mais característico da imperfeição?
            “O interesse pessoal.
Freqüentemente, as qualidades morais são como, num objeto de cobre, a douradura que não resiste à pedra de toque. Pode um homem possuir qualidades reais, que levem o mundo a considerá-lo homem de bem. Mas, essas qualidades, conquanto assinalem um progresso, nem sempre suportam certas provas e às vezes basta que se fira a corda do interesse pessoal para que o fundo fique a descoberto. O verdadeiro desinteresse é coisa ainda tão rara na Terra que, quando se patenteia todos o admiram como se fora um fenômeno.
            “O apego às coisas materiais constitui sinal notório de inferioridade, porque, quanto mais se aferrar aos bens deste mundo, tanto menos compreende o homem o seu destino. Pelo desinteresse, ao contrário, demonstra que encara de um ponto mais elevado o futuro.”( O Livro dos Espíritos. Questão 895. Allan Kardec )
            Há pessoas desinteressadas, mas sem discernimento, que prodigalizam seus haveres sem utilidade real, por lhes não saberem dar emprego criterioso. Têm algum merecimento essas pessoas?
            “Têm o do desinteresse, porém não o do bem que poderiam fazer. O desinteresse é uma virtude, mas a prodigalidade irrefletida constitui sempre, pelo menos, falta de juízo. A riqueza, assim como não é dada a uns para ser aferrolhada num cofre forte, também não o é a outros para ser dispersada ao vento.             Representa um depósito de que uns e outros terão de prestar contas, porque terão de responder por todo o bem que podiam fazer e não fizeram, por todas as lágrimas que podiam ter estancado com o dinheiro que deram aos que dele não precisavam.”( O Livro dos Espíritos. Questão 896. Allan Kardec )
            Merecerá reprovação aquele que faz o bem, sem visar a qualquer recompensa na Terra, mas esperando que lhe seja levado em conta na outra vida e que lá venha a ser melhor a sua situação? E essa preocupação lhe prejudicará o progresso?
            “O bem deve ser feito caritativamente, isto é, com desinteresse.”
            Contudo, todos alimentam o desejo muito natural de progredir, para forrar-se à penosa condição desta vida. Os próprios Espíritos nos ensinam a praticar o bem com esse objetivo. Será, então, um mal pensarmos que, praticando o bem, podemos esperar coisa melhor do que temos na Terra?
            “Não, certamente; mas aquele que faz o bem, sem idéia preconcebida, pelo só prazer de ser agradável a Deus e ao seu próximo que sofre, já se acha num certo grau de progresso, que lhe permitirá alcançar a felicidade muito mais depressa do que seu irmão que, mais positivo, faz o bem por cálculo e não impelido pelo ardor natural do seu coração.”
            Não haverá aqui uma distinção a estabelecer-se entre o bem que podemos fazer ao nosso próximo e o cuidado que pomos em corrigir-nos dos nossos defeitos? Concebemos que seja pouco meritório fazermos o bem com a idéia de que nos seja levado em conta na outra vida; mas será igualmente indício de inferioridade emendarmo-nos, vencermos as nossas paixões, corrigirmos o nosso caráter, com o propósito de nos aproximarmos dos bons Espíritos e de nos elevarmos?
            “Não, não. Quando dizemos - fazer o bem, queremos significar - ser caridoso. Procede como egoísta todo aquele que calcula o que lhe possa cada uma de suas boas ações render na vida futura, tanto quanto na vida terrena. Nenhum egoísmo, porém, há em querer o homem melhorar-se, para se aproximar de Deus, pois que é o fim para o qual devem todos tender.”
( O Livro dos Espíritos. Questão 897: A e B. Allan Kardec )
            O egoísmo é a fonte de todos os vícios, como a caridade o é de todas as virtudes. Destruir um e desenvolver a outra, tal deve ser o alvo de todos os esforços do homem, se quiser assegurar a sua felicidade neste mundo, tanto quanto no futuro. ”( O Livro dos Espíritos. Questão 917. Allan Kardec )
             Pode alguém, por um proceder impecável na vida atual, transpor todos os graus da escala do aperfeiçoamento e tornar-se Espírito puro, sem passar por outros graus intermédios?
            “Não, pois o que o homem julga perfeito longe está da perfeição. Há qualidades que lhe são desconhecidas e incompreensíveis. Poderá ser tão perfeito quanto o comporte a sua natureza terrena, mas isso não é a perfeição absoluta.
Dá-se com o Espírito o que se verifica com a criança que, por mais precoce que seja, tem de passar pela juventude, antes de chegar à idade da madureza; e também com o enfermo que, para recobrar a saúde, tem que passar pela convalescença. Demais, ao Espírito cumpre progredir em ciência e em moral. Se somente se adiantou num sentido, importa se adiante no outro, para atingir o extremo superior da escala. Contudo, quanto mais o homem se adiantar na sua vida atual, tanto menos longas e penosas lhe serão as provas que se seguirem.”
            a) - Pode ao menos o homem, na vida presente, preparar com segurança, para si, uma existência futura menos prenhe de amarguras?
“Sem dúvida. Pode reduzir a extensão e as dificuldades do caminho. Só o descuidoso permanece sempre no mesmo ponto.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 192. Allan Kardec )
            Será passível de censura o homem, por ter consciência do bem que faz e por confessá-lo a si mesmo?
            “Pois que pode ter consciência do mal que pratica, do bem igualmente deve tê-la, a fim de saber se andou bem ou mal. Pesando todos os seus atos na balança da lei de Deus e, sobretudo, na lei de justiça, amor e caridade, é que poderá dizer a si mesmo se suas obras são boas ou más, que as poderá aprovar ou desaprovar. Não se lhe pode, portanto, censurar que reconheça haver triunfado dos maus pendores e que se sinta satisfeito, desde que de tal não se envaideça, porque então cairia noutra falta.” ( O Livro dos Espíritos. Questão 906. Allan Kardec )

 

Bibliografia:
- O Evangelho Segundo o Espiritismo.  Cap. 17. Item 8 / Cap.9. Item 10. Allan Kardec.
- O Livro dos Espíritos. Questões:192, 625, 644, 645, 893, 894, 895, 896, 897,  906, 908, 909, 910, 911, 913 , 917, 919. Allan Kardec.
- A Gênese. Cap. 3. Itens 8 , 9 e 10. Allan Kardec.
- Revista Espírita . Junho de 1868. A religião  e a política  na  sociedade moderna.Por Frédéric Herrenschneider. Allan Kardec.
- O Consolador.  Questão 253. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier
- Depois da morte. Cap. 45. León Denis.
- Estudando o Evangelho.  Cap. 35. Martins Peralva.
- Renovando atitudes. Cap. 34. Espírito Hammed. Psicografado por Francisco do Espírito Santo Neto.
- Nas pegadas do Mestre. A virtude. Vinicius.
- Janela para vida. Chico Xavier/ Fernando Worm.

- Páginas de Espiritismo cristão. Cap. 27. Rodolfo Calligaris

- Sites: - http://michaelis.uol.com.br/busca?id=neoRw. -https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pecado. - https://super.abril.com.br/historia/qual-e-a-origem-dos-sete-pecados-capitais/. Data da consulta: 05-11-17.