Uma lembrança salvadora

        Numa região do Sul do Brasil, uma família passava por momentos difíceis por ocasião de um inverno rigoroso.

        O chefe de família adoecera e estava internado no Hospital. A esposa desdobrava-se entre o trabalho da costura, o cuidado com os filhos e a casa, as visitas ao esposo querido.

            Os três filhos trabalhavam para melhorar a situação da família.

            José, com 16 anos, era empregado de uma oficina mecânica , Dora com 15 anos, ajudava a mãe nas costuras e nos serviços da casa.

            Ate Marta, com apenas 9 anos, fazia, nas suas horas de folga, saquinhos de papel de presente para uma loja.

            José trabalhava bem próximo ao hospital e todos os dias almoçava mais rápido e visitava o pai no seu horário de almoço.

            Numa dessas ocasiões, o  pai expressou grande preocupação com a família, pois sabia que os cobertores existentes em casa eram insuficientes para aquele inverno tão intenso.

            Dois meses antes, uma enchente local tinha inutilizado uma boa parte dos cobertores.

            Agora, Sr. Nestor temia pela saúde da família.

            Mas, ao falar no assunto com o filho, veio-Ihe uma lembrança... Uma lembrança verdadeiramente salvadora!

            E Sr. Nestor explicou, detalhadamente, o que deveria ser feito.

            O filho sorriu surpreso e alegre. No final da tarde, Jose começou a recolher jornais usados e levou-os para casa. Na hora de dormir, as poucas cobertas foram divididas entre todos.

            Deitados, encolhidos pelo frio, tremiam sem conseguirem dormir.

            José  estava ainda de pé, começou a aquecer, no ferro de passar, os jornais e depois colocava-os, quentinhos, entre as cobertas da mãe e das irmãs.

         Então José deitou-se. Naquela noite todos dormiram confortavelmente e despertaram com melhor disposição. Pela manhã, José explicou-Ihes que tinham cumprido rigorosamente as instruções do pai, que havia aprendido aquecer-se daquela forma, nos acampamentos, no tempo em que prestou serviço militar no Exército.

            A família abraçou-se, emocionada pelo carinho do filho e pela preocupação do pai que, mesmo doente, tinha seu coração voltado para os compromissos afetivos com a família.

(autor desconhecido)