Resignação

Na atual conjuntura intelectual do planêta e considerando-se o clima de rebeldia que irrompe virulenta por tôda a parte, a resignação para os aficcionados da violência e do prazer é manifestação patológica que tipifica as personalidades anômalas.

Diante do conceito disparatado e frágil, muitos se auto-afirmam pelos desmandos, quando convida­dos às paisagens da reflexão, pelo sofrimento, ge­rando males muito mais danosos do que aquêles dos quais pretendem fugir -

Porque os seus planos colimam resultados di­versos aos que aguardavam, atiram-se ao desalento, quando não partem para as reações abastardantes da crueldade ou do cinismo.

Se as enfermidades chegam, exasperam-Se, ban­deando para a revolta, intoxicando-se interiormente com as emanações venenosas do inconformismo.

Quando os insucessos lhes drenam as ambições desmedidas, desgarram-se para os “sonhos róseos” dos estupefacientes e barbitúricos.

Diante das necessárias provações que os colo­cariam nas corretas engrenagens da máquina da vida, vituperam, ferozes e se destroçam nos abusos do sexo e do álcool, em dissipações inomináveis a que se arrojam.

Suas resistências são todas comandadas pelos impulsos da ira ou da insatisfação, distantes das reações construtivas da inteligência que discerne, lógica e produz.

A resignação para êles é cobardia moral no entanto, fogem à realidade até que a desencarna­ção os surpreende tardiamente com as realidades verdadeiras da vida, das quais se afastaram, ence­tando a partir daí longos períodos de sombra, dor e desassossego inimaginável.

 

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Tu que ouviste a voz da mansuetude do Cristo e que te encorajaste face à grandeza da Sua vida, resigna-te, fortalecendo o ânimo, ante qualquer cometimento que te produza dor e que seja rotu­lado como desgraça ou infortúnio.

Nada ocorre por capricho pernicioso da vida. Recebemos conforme damos, assim como colhemos consoante a qualidade dos grãos que ense­mentamos.

Resignação significa coragem e fôrça na vora­gem do desespêro. Somente os cristãos autênticos e os homens possuidores de elevados ideais se fa­zem capazes de resignar-se quando o desalento e a alucinação já se apossaram de outros seres.

Os que se encastelam nas chacinas e nos des­vãos da anarquia, dizendo-se superiores, são meninos medrincas, que não dispõem de energias para se reorganizarem e prosseguirem na atitude reta.

Se te convidam ao revide — resigna-te e ora.

Se te convocam ao ódio — resigna-te e confia.

Se te afrontam com agressões — resigna-te e agradece a Deus.

Os dias sempre e inevitavelmente se sucedem para bons e maus, e ninguém se eximirá jamais ao amanhã que a todos alcança, refletindo na clari­dade forte e pujante do tempo a manifestação — resposta dos nossos atos nas mesmas expressões com que desde hoje as produzimos.

Resignação, também, é vida, e vida abundante, na direção da vida eterna.

(Florações Evangélicas. Joanna de Ângelis. Divaldo Pereira Franco)