Veja a resposta dos Espíritos Superiores para uma pergunta semelhante em "O Livro dos Espíritos ":
Estando em a Natureza o amor materno, como é que há mães que odeiam os filhos e, não raro, desde a infância destes?
“Às vezes, é uma prova que o Espírito do filho escolheu, ou uma expiação, se aconteceu ter sido mau pai, ou mãe perversa, ou mau filho, noutra existência. Em todos os casos, a mãe má não pode deixar de ser animada por um mau Espírito que procura criar embaraços ao filho, a fim de que sucumba na prova que buscou. Mas, essa violação das leis da Natureza não ficará impune e o Espírito do filho será recompensado pelos obstáculos de que haja triunfado.” (O Livro dos Espíritos. Questão 891. Allan Kardec)
Segundo o escritor espírita Rodolfo Calligaris," (...)Em nossas vidas anteriores, todos havemos cometido deslizes, praticado injustiças, perpetrado traições, usurpado direitos, ilaqueado a boa fé alheia, agravando, ferindo ou prejudicando seriamente nossos semelhantes, ligando-nos a eles pelos laços do ódio.
Ora, a Providência Divina exige a harmonização daqueles que se hajam tornado inimigos e, pela Lei de Consequência, são eles reaproximados tantas vezes quantas sejam necessárias, a fim de que, em novas relações, possam transformar a aversão em amizade, pois o propósito de Deus é que todos nos amemos mútuamente, formando uma só e grande família: a fraternidade universal.
Destarte, se dentro de nossa própria casa há alguém que se erige qual nosso desafeto, o que nos cumpre fazer é conquistá-lo com o nosso carinho, ou, quando tal esteja acima de nossas forças, suportá-lo pacientemente. O acaso não existe. E se o Destino nos colocou lado a lado é quase certo tratar-se de um credor do pretérito, com o qual temos contas a ajustar.
Procedendo desta maneira, estaremos fazendo nossa parte, adquirindo méritos para uniões mais ditosas no porvir. Caso, porém, mantenhamos aceso o fogo da discórdia, revidando-lhe os ultrajes e as demonstrações de malquerença, estaremos simplesmente acumulando dividas, cujo resgate, depois, será ainda mais penoso que o sacrifício que nos seria preciso realizar agora." (Páginas de Espiritismo Cristão. Cap. 15. A família e a lei da consequência. Rodolfo Calligaris)
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", o Santo Agostinho traz o seguinte esclarecimento:
"Quando deixa a Terra, o Espírito leva consigo as paixões ou as virtudes inerentes à sua natureza e se aperfeiçoa no espaço, ou permanece estacionário, até que deseje receber a luz. Muitos, portanto, se vão cheios de ódios violentos e de insaciados desejos de vingança; a alguns dentre eles, porém, mais adiantados do que os outros, é dado entrevejam uma partícula da verdade; apreciam então as funestas conseqüências de suas paixões e são induzidos a tomar resoluções boas. Compreendem que, para chegarem a Deus, uma só é a senha: caridade. Ora, não há caridade sem esquecimento dos ultrajes e das injúrias; não há caridade sem perdão, nem com o coração tomado de ódio.
Então, mediante inaudito esforço, conseguem tais Espíritos observar os a quem eles odiaram na Terra. Ao vê-los, porém, a animosidade se lhes desperta no íntimo; revoltam-se à idéia de perdoar, e, ainda mais, à de abdicarem de si mesmos, sobretudo à de amarem os que lhes destruíram, quiçá, os haveres, a honra, a família. Entretanto, abalado fica o coração desses infelizes. Eles hesitam, vacilam, agitados por sentimentos contrários. Se predomina a boa resolução, oram a Deus, imploram aos bons Espíritos que lhes dêem forças, no momento mais decisivo da prova.
Por fim após anos de meditações e preces, o Espírito se aproveita de um corpo em preparo na família daquele a quem detestou, e pede aos Espíritos incumbidos de transmitir as ordens superiores permissão para ir preencher na Terra os destinos daquele corpo que acaba de formar-se. Qual será o seu procedimento na família escolhida? Dependerá da sua maior ou menor persistência nas boas resoluções que tomou. O incessante contacto com seres a quem odiou constitui prova terrível, sob a qual não raro sucumbe, se não tem ainda bastante forte a vontade. Assim, conforme prevaleça ou não a resolução boa, ele será o amigo ou inimigo daqueles entre os quais foi chamado a viver. É como se explicam esses ódios, essas repulsões instintivas que se notam da parte de certas crianças e que parecem injustificáveis. Nada, com efeito, naquela existência há podido provocar semelhante antipatia; para se lhe apreender a causa, necessário se torna volver o olhar ao passado.
Ó espíritas! Compreendei agora o grande papel da Humanidade; compreendei que, quando produzis um corpo, a alma que nele encarna vem do espaço para progredir; inteirai-vos dos vossos deveres e ponde todo o vosso amor em aproximar de Deus essa alma; tal a missão que vos está confiada e cuja recompensa recebereis, se fielmente a cumprirdes. Os vossos cuidados e a educação que lhe dareis auxiliarão o seu aperfeiçoamento e o seu bem-estar futuro. Lembrai-vos de que a cada pai e a cada mãe perguntará Deus: Que fizestes do filho confiado à vossa guarda? Se por culpa vossa ele se conservou atrasado, tereis como castigo vê-lo entre os Espíritos sofredores, quando de vós dependia que fosse ditoso. Então, vós mesmos, assediados de remorsos, pedireis vos seja concedido reparar a vossa falta; solicitareis, para vós e para ele, outra encarnação em que o cerqueis de melhores cuidados e em que ele, cheio de reconhecimento, vos retribuirá com o seu amor." (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 14. Item 9. Santo Agostinho/ Allan Kardec)
Por isso, Jesus recomendou: "Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus." (Mateus 5:44)
Segundo Allan Kardec, "O verdadeiro espírita, como o verdadeiro cristão, pode ter inimigos. Não os teve o Cristo? Mas ele não é o inimigo de ninguém, pois está sempre apto a perdoar e a pagar o mal com o bem.
Se dois verdadeiros espíritas tiverem tido outrora motivos para recíproca animosidade, sua reconciliação será fácil, porque o ofendido esquece a ofensa e o ofensor reconhece a sua sem-razão. Desde então não mais querelas entre eles, porque serão reciprocamente indulgentes e farão mútuas concessões. Nenhum deles procurará impor ao outro um perdão humilhante, que irrita e fere mais do que acalma." (Revista Espírita. Setembro de 1862. Uma reconciliação pelo Espiritismo. Allan Kardec)
No livro " O Evangelho Segundo o Espiritismo, esclarece que "O mandamento: “Honrai a vosso pai e a vossa mãe” é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, visto que não pode amar o seu próximo aquele que não ama a seu pai e a sua mãe; mas, o termo honrai encerra um dever a mais para com eles: o da piedade filial.
(...) Alguns pais, é certo, descuram de seus deveres e não são para os filhos o que deviam ser; mas, a Deus é que compete puni-los e não a seus filhos. Não compete a estes censurá-los, porque talvez hajam merecido que aqueles fossem quais se mostram. Se a lei da caridade manda se pague o mal com o bem, se seja indulgente para as imperfeições de outrem, se não diga mal do próximo, se lhe esqueçam e perdoem os agravos, se ame até os inimigos, quão maiores não hão de ser essas obrigações, em se tratando de filhos para com os pais! Devem, pois, os filhos tomar como regra de conduta para com seus pais todos os preceitos de Jesus concernentes ao próximo e ter presente que todo procedimento censurável, com relação aos estranhos, ainda mais censurável se torna relativamente aos pais; e que o que talvez não passe de simples falta, no primeiro caso, pode ser considerado um crime, no segundo, porque, aqui, à falta de caridade se junta a ingratidão."
Portanto, mesmo que tenhamos recebido pais negligentes e irresponsáveis, sejamos gratos pela roupagem orgânica que nos concederam, pois poderiam tê-la negado e não o fizeram. Os filhos não devem abandonar os seus pais.
