Orientação religiosa na família*

        Como elemento fundamental na educação, a orientação religiosa à família torna-se inadiável.

        Cada vez mais se constatam os resultados benéficos da formação religiosa do indivíduo, especialmente quando despojada dos dogmas impositivos, das castrações puritanas, das exigências descabidas, das tintas do fanatismo de qualquer espécie.

        O indivíduo que tem formação religiosa, possui muito mais resistência em relação aos enfrentamentos morais, orgânicos, emocionais do que aquele que não a tem.

        Neurocientistas e estudiosos do comportamento vêm constatando a excelência da fé religiosa no ser humano e conseguindo confirmá-la através de exames realizados com equipamentos ultra-sensíveis, quais as tomografias computadorizadas com emissão de pósitrons, que registram as alterações dos ramos neurais do cérebro.

        Quando se possui confiança em qualquer elemento, o cérebro envia mensagens propiciatórias à finalidade da crença, como ocorre nas terapêuticas através do uso de placebos ou nos fenômenos mais inquietantes ainda na área dos nocebos...

        Aquele que acredita em algo, especialmente de natureza transcendental, afetiva, religiosa, melhor conduz-se durante ocorrências difíceis, na saúde ou nos relacionamentos, do que aqueles que não têm apoio para firmar-se na esperança, sendo facilmente destroçados pela amargura e pela desconfiança.

        Cardiologistas cuidadosos afirmam, por exemplo, que o paciente que tem uma religião, melhora mais facilmente de enfarte do miocárdio em relação àquele que não a tem.

        A fé em Deus encontra-se inata no espírito, que dEle procede, sendo a sua religião o resultado de fatores educativos no lar, psicossociais, defluentes das relações de interesses de vária ordem. Mas é sempre necessária, em face das alternâncias de humor e de saúde, durante a jornada carnal, que é sempre instável.

        Essa orientação religiosa pertence aos pais que, desde cedo, deverão falar aos seus rebentos sobre a Paternidade Divina, a sua misericórdia e amor, como fonte geradora de tudo quanto existe. De acordo com a linguagem apropriada e a capacidade intelectual dos genitores, o processo torna-se fácil e enternecedor. Sem necessidade de recorrer a mitologias ou fantasias exageradas, a conversação natural, edificante, explicando o significado da existência humana e os objetivos pelos quais todos se encontram na Terra, na condição de mãe generosa que é, irá auxiliar o desenvolvimento intelectual do educando, proporcionar-lhe segurança emocional, confiança em si mesmo e a certeza de que estará sempre sob a proteção de Deus.

        Como é natural, os pais irão transmitir a doutrina religiosa à qual estão vinculados, apresentando o seu lado ético e nobre, as suas propostas libertadoras e gentis, evitando sempre apresentar os mistérios incompatíveis com a lógica e a razão, as arbitrárias punições divinas, as ameaças cruéis em relação àqueles que procedem mal, oferecendo a reflexão em torno da alegria que se deriva da fé, da esperança de felicidade, como resultado das incomparáveis contribuições do amor inefável de Deus.

        A criança absorverá o aprendizado, que deverá ser acompanhado pela real vivência dos ensinamentos por parte dos educadores, que demonstrarão quão valiosa é a crença, particularmente nos momentos de dificuldades, nas horas de sofrimento, que serão diminuídos pelo efeito da medicação religiosa.

        Argumentam alguns educadores materialistas que se deve deixar a criança, nessa área, sem mensagens dessa natureza, a fim de que, mais tarde, quando adquiram o discernimento elejam aquela que lhes pareça mais apropriada. Trata-se de lamentável sofisma, porque essa não é a conduta a respeito da alimentação, da saúde, da educação... Conscientes das responsabilidades em relação aos filhos, aos pais cumpre o dever de orientá-los em todos os misteres, sem dúvida, também na área religiosa, com a mesma naturalidade com que oferecem outras diretrizes educativas.

        Quando, porém, a criança adquirir o discernimento referido, terá alguns elementos para comparar com os que vai tomando conhecimento e melhor poderá eleger aquela conduta que lhe pareça mais compatível com as suas necessidades emocionais e intelectuais.

        À medida que o comportamento religioso tem sido cediço e favorável ao profano, ao vulgar e promíscuo, mais aumenta o número de crianças e adolescentes portadores de distúrbios psicológicos, mais cresce a estatística de suicídios, de drogadição, por falta de um futuro promissor, na sua nublada visão, quando algo de desagradável lhes acontece, não tendo qualquer meta de segurança à frente.

        Considerando a vida somente física, ou tendo a religião apenas como suporte teórico, a existência perde o significado profundo que advém do sentido da imortalidade, tornando-se supérfluos qualquer esforço ético, qualquer procedimento moral, quando, logo mais, tudo se interrompe em definitivo.

        A orientação religiosa desperta o ser para mais grandiosas realizações, sustentando-lhe o ânimo nos momentos de desafio, dando brilho e cor aos dias nebulosos e cinzentos do desencanto.

        A religião no lar estrutura-se essencialmente nas conversações de todo momento, nos estudos reservados, pelo menos, uma vez por semana, para a reunião da família, nos diálogos de emergência, quando sucedam acontecimentos deploráveis, enfim, no dia-a-dia.

        A igreja ou assembléia que os pais freqüentem dará prosseguimento à orientação de maneira mais profunda e especializada, porquanto essa é a sua finalidade primordial.

        Será sempre no lar, porém, onde se caldeiam os sentimentos e se delineiam as programações para o futuro, que a orientação religiosa deve ser iniciada.

        Oferecer ao educando a música espiritual da prece, o respeito à Divindade, a obediência às suas Leis refletidas em todas as coisas, a começar por si mesmo, alongando-se pelo próximo, pela Natureza, constitui uma valiosa contribuição para o desempenho dos deveres e para a vivência saudável em todos os cometimentos do presente como do futuro.

        O hábito da oração, o que equivale dizer, a constância dos pensamentos elevados e construtivos, as conversações edificantes e as práticas das ações saudáveis, constituem todo um roteiro de religiosidade que não deve ser deixado à margem, sob qualquer alegação, sempre insustentável...

        Quando o lar tem alicerces religiosos equilibrados, sem os fanatismos perturbantes nem o puritanismo hipócrita, suas estruturas gerais comportam todas as agressões e tormentas, conforme Jesus informou em torno da casa construída na rocha da fé, que suporta os ventos devastadores, permanecendo de pé.

        Existe sempre o perigo, é certo, de derrapar-se na adoção de religiões agressivas e fanáticas, o que não justifica evitar-se a orientação espiritual.

        Da mesma forma, há o fanatismo da não-crença, da vulgaridade e da corrupção, que grassa voluptuoso devorando vidas incontáveis.

        A presença de Deus na mente e no coração infantil, juvenil, adulto e no último estágio do corpo físico, é sempre uma bússola apontando o porto de segurança e de paz, que será alcançado oportunamente. (Constelação familiar. Cap. 22 - Orientação religiosa na família. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo Pereira Franco )