O drama da obsessão na infância*

Continuamos naquele recinto e, como era a primeira vez que tinha oportunidade de encontrar-me em uma Escola para crianças, pude observar que todas eram acompanhadas por Espíritos, algumas felizes, e não poucas por Entidades cruéis que, desde cedo, intentavam perturbá-las, vinculando-se-lhes psiquicamente. Diversas podiam situar-se no diagnóstico de obsidiadas, tão estreito era já o conúbio mental entre os desencarnados e elas, que não pude sopitar o interesse de aprender mais, interrogando ao caro Mentor, que me observava com serenidade:

- Sabemos que a criança é sempre um Espírito velho, que conduz muitas experiências evolutivas, embora a forma em que se apresenta. Não obstante, nesse período de infância sempre recebe maior apoio, a fim de que não haja prejuízos e impedimentos ao processo reencarnacionista que está empreendendo. Como se explicam, então, esses processos obsessivos que ora defrontamos?

Com a sua cordial bondade, o Orientador não se fez rogado, logo esclarecendo:

- Não ignorássemos que a misericórdia de Deus está presente em toda a Criação, e não seria o ser humano quem marcharia sem a necessária proteção para alcançar a meta que busca no seu desenvolvimento intelecto-moral.

Todavia, sabemos, também, que muitos processos de obsessão têm o seu início fora do corpo físico, quando os calcetas e rebeldes, os criminosos e viciados reencontram suas vítimas no Além-Túmulo, que se lhes imantam, nos tentames infelizes e de resultados graves em diversas formas de obsessões. A obsessão na infância muitas vezes é continuidade da ocorrência procedente da Erraticidade. Sem impedir o processo da reencarnação, essa influência perniciosa acompanha o período infantil de desenvolvimento, gerando graves dificuldades no relacionamento entre filhos e pais, alunos e professores, e na vida social saudável entre coleguinhas. Irritação, agressividade, indiferença emocional, perversidade, obtusão de raciocínio, enfermidades físicas e distúrbios psicológicos fazem parte das síndromes perturbadoras da infância, que têm suas nascentes na interferência de Espíritos perversos uns, traiçoeiros outros, vingativos todos eles...

Olhando, em derredor, enquanto não se iniciavam as aulas, apontou uma menina loura de olhos claros e cabelos encaracolados com mais ou menos sete anos, que gritava, agredindo outra com palavras e gestos vulgares, quase aplicando-lhe golpes físicos. Parcialmente fora de si, foi retirada da cena chocante pela mestra, que nesse momento chegava e, repreendendo-a, conduziu-a para dentro da sala.

Dando curso à explicação, Anacleto continuou:

- Aí está um exemplo. A pequenina, como podemos observar, é uma obsessa. No lar é tida como recalcitrante e teimosa, não obstante os castigos físicos que lhe aplicam os pais desinformados e confusos, por não entenderem o que ocorre com a filha que esperaram com imenso carinho e os decepciona.

Consultado um psicólogo, o mesmo anotara distúrbios de comportamento, que vem tentando solucionar, sem penetrar na causa dos mesmos, que lhe escapam por falta de conhecimento dessa parasitose espiritual. No curso em que o processo vem recebendo atendimento, dar-se-á que, no futuro, essa criança seja candidata a terapias muito violentas e inócuas em grande parte, em razão das mesmas alcançarem somente os efeitos, não erradicando a causa central. Os fármacos ou neurolépticos conseguem, muitas vezes, auxiliar os neurônios na execução das sinapses, bloqueando as interferências espirituais, porém por pouco tempo.

- E não terá ela - voltei a interrogar - a proteção do seu anjo da guarda,

que contribua para impossibilitar a obsessão?

- É certo que sim - respondeu, gentil. - Sucede, porém, que os débitos contraídos são muito graves, e a misericórdia divina já vem amparando-a, sendo a reencarnação o melhor instrumento para a sua reparação. O processo, que se desenvolve sob as bênçãos da lei de causa e efeito, culminará quando, certamente, a maternidade trouxer o adversário aos braços da sua antiga inimiga, selando com amor os propósitos para futuros conúbios de felicidade.

Ninguém caminha a sós e, por isso mesmo, na conjuntura aflitiva em que a menina se debate, o seu Espírito protetor muitas vezes impede que seja arrastada pelo seu algoz para as regiões mais infelizes em que se situa, nos períodos do parcial desdobramento pelo sono físico, dificultando-lhe o domínio quase total que teria sobre as suas faculdades mentais e os seus sentimentos de afetividade e de comportamento.

Procurando esclarecer-me mais, em torno do drama da obsessão na infância, o Benfeitor elucidou:

- Inúmeros casos de autismo, quando detectados na primeira infância, procedem de graves compromissos negativos com a retaguarda espiritual do ser, que renasce com as marcas correspondentes no perispírito, que se encarrega de imprimir as deficiências que lhe são necessárias para o refazimento. Outrossim, aqueles que padeceram nas suas mãos cruéis acompanham-no, dificultando-lhe a recuperação, gerando situações críticas e mui dolorosas, ameaçando-o com impropérios e vibrações deletérias que não sabe decodificar, mas registra nas telas mentais, fugindo da realidade aparente para o seu mundo de sombras, isto quando não se torna agressivo, intempestivo, silencioso e rude...

Calou-se, por um pouco, logo dando prosseguimento às informações:

- Por uma natural lei de afinidade, os Espíritos renascem no mesmo grupo consanguíneo com o qual agrediram a ordem e desrespeitaram os deveres. Assim sendo, quando algum deles apresenta na infância a parasitose obsessiva, os seus genitores igualmente aturdidos não dispõem de recursos para os auxiliarem, utilizando-se da docilidade, da paciência, da compaixão, do fervor religioso, que sempre se contrapõem às aflições dessa natureza.

Desesperam-se com facilidade, aplicam castigos físicos e morais injustificáveis no paciente infantil, agravando mais a questão pelos resíduos que ficam nos sentimentos prejudicados, especialmente o ressentimento, o ódio, a antipatia, a consciência da injustiça de que foram objeto. À medida que atingem a maturidade e a idade adulta, adicionam a esses transtornos íntimos, a mágoa contra a sociedade que não lhes soube respeitar as aflições e mais as aguçaram com rejeição, críticas ásperas e desprezo...

"A obsessão na infância é um capítulo muito expressivo para integrar a relação das psicopatogêneses dos distúrbios de comportamento e mentais, necessitando urgente atendimento especializado, desse modo facultando oportunidades para a recuperação do paciente, para a sua saúde, para o ressarcimento dos seus débitos através do bem que poderá fazer, ao invés do sofrimento que experimenta."

Logo após, reflexionando, adiu em feliz conclusão:

- Quando luzir na Humanidade o conhecimento espírita e as sutilezas da obsessão puderem ser identificadas desde os primeiros sintomas, muitos transtornos infanto-juvenis serão evitados, graças às terapias preventivas, ou minimizados mediante os tratamentos cuidadosos que o Espiritismo coloca à disposição dos interessados. No caso em tela, a terapêutica bioenergética, a sua  participação nas aulas de orientação evangélica sob a luz do pensamento  espírita, a água magnetizada e a psicoterapia da bondade, do esclarecimento, da  paciência dos genitores libertá-la- iam da influência perniciosa, auxiliando-a a ter um desenvolvimento normal. Concomitantemente, porque em ambiente propício, os Benfeitores da Vida Maior poderiam também conduzir o seu desafeto ao tratamento espiritual desobsessivo, alterando completamente o quadro em questão.

"É claro que os débitos por ela contraídos em relação às Leis Cósmicas não ficariam sem a devida liquidação, mudando somente os processos liberativos, já que o Pai não deseja a morte do pecador, mas sim a do pecado, como bem esclareceu Jesus, o Psicoterapeuta por excelência. Como o amor libera do pecado, todo o bem que viesse a realizar através da saúde comportamental e psíquica se lhe transformaria em recurso terapêutico, liquidando as dívidas e compromissos infelizes que lhe pesam na economia da evolução."

Quando o Instrutor silenciou, repassei mentalmente alguns casos de crianças neuróticas, autistas, com distúrbios neurológicos, superativas, que houvera conhecido na Terra e algumas que atendera particularmente, suspeitando da presença de Entidades perturbadoras que as afligiam ou pioravam o seu quadro orgânico, agora constatando que a epidemia da obsessão a ninguém poupa em período algum da existência física ou mesmo após a desencarnação.

Desde que haja tomadas receptivas, que são os desacatos às Leis Divinas, sempre existirão plugs para se lhes fixarem produzindo a ligação doentia e desgastante da obsessão.

Permanecemos algum tempo na Escola acompanhando as atividades educacionais que ali se realizavam, quando o vigilante Instrutor convidou-me a segui-lo em direção à sala de Mauro.

(Sexo e Obsessão. Cap. 4 . Espírito  Manoel Philomeno de Miranda.  Psicografado por Divaldo P. Franco)

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