Famílias desajustadas e a origem da criminalidade*

Lares difíceis, relacionamentos familiares ásperos, presença de mãe dominadora e de pai autoritário, fomentando o surgimento de conflitos na personalidade infantil, remontam aos períodos pretéritos de alucinação, de instinto e de desregramento.

Quando se compenetrarem, os pais, de que o lar é o santuário para a vida humana e não um campo de disputas para a supremacia do ego; quando os adultos se conscientizarem que a educação é um ato de amor e não um meio de intimidar, de descarregar problemas; quando as pessoas entenderem a família como um compromisso dignificador e não um ringue de lutas, as trágicas ocorrências do abuso infantil, pela violência, pela indiferença, pelo estupro, pela miséria em que nasce o ser e a ela fica relegado, cederão lugar à construção de uma sociedade justa, equânime e feliz. Isso porque, a criança maltratada, sob qualquer aspecto que se considere, projeta contra a sociedade o espectro do terror que a oprime, do abandono em que estertora e, na primeira oportunidade, tentará cobrar pela crueldade o amor que lhe foi negado.

Investiguem-se as origens sociais dos criminosos empedernidos, salvadas as exceções de natureza patológica -hereditariedade, comprometimento pelas obsessões - e se detectarão os lares infelizes, as famílias desajustadas ou grupos perversos reunidos em simulacros familiares, vitimados pelo abuso e descaso de pessoas inconscientes e chãs ou pelos sistemas ainda mais insensíveis que culminam pela hediondez das leis em que se apoiam.

O impedimento familiar será superado a partir da consciência de amor, entendendo as circunstâncias do renascimento e administrando os conflitos mediante terapias especializadas e a convivência com grupos de auxílio e sustentação.

Surgem os impedimentos afetivos, que resultam de inúmeros fatores, entre os quais o próprio desajuste emocional do indivíduo: timidez, complexos de inferioridade, de superioridade, narcisismo...

As marcas psicológicas perturbadoras não cicatrizadas fazem-no refugiar-se na infância infeliz, procurando sustentar a imagem de desvalor que lhe foi inculcada ou que se lhe estereotipou, negando-se a liberdade e o direito de ser ditoso.

Castrado nos sentimentos do amor, que não experimentou e por isso não desenvolveu, anela pela afetividade, que teme, receando amar e não acreditando merecer qualquer tipo de afeto, desenvolvendo sim, na sua insegurança, o ciúme, a desconfiança sistemática, a dominação do outro, ou tombando em tormentos maiores de ordem psicológica, iniciando-se no crime, pela extinção da vida física daquele a quem ama apaixonadamente ou por quem é amado.

Na imensa gama dos conflitos perturbadores, o indivíduo se dissocia do convívio social, a princípio através de uma fragmentação da personalidade, que se sente destroçada, derrapando em atitudes de autocomiseração ou de agressividade, a depender do próprio arcabouço psicológico. É inevitável que, nessa conjuntura aflitiva, o convívio social seja insuportável, ou exerça um tipo de pressão emocional angustiante, que o empurra no rumo da alienação.

(Vida: Desafios e soluções. Cap.1. Espírito Joanna de Ângelis. Psicografado por Divaldo P. Franco)

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