Segundo a Doutrina Espírita, antes de reencarnar o Espírito participa, em maior ou menor grau de consciência, do planejamento da nova existência corporal, com exceção daqueles ainda atrasados, incapazes de fazer uma escolha com conhecimento de causa.
Na Revista Espírita de 1866, há um relato de um Espírito adiantado intelectual e moralmente, apesar de cético, que descreve detalhadamente como é realizado o planejamento da reencarnação no mundo espiritual, dizendo:
" (...) chegando a este mundo que tanto me tinha feito alçar os ombros, eis o que eu vi:
Os Espíritos, conforme as faculdades adquiridas na Terra, buscam o meio que lhes é próprio, a menos que, não podendo estar desprendidos, estejam na noite, nada vendo nem ouvindo, nessa terrível espera que é realmente o verdadeiro inferno do Espírito.
(...) Quando da separação do Espírito e do corpo, somos conduzidos por almas simpáticas para junto daqueles que nos esperam, prevendo a nossa volta.
Naturalmente fui acolhido por amigos tão incrédulos quanto eu. Mas como neste mundo tão conspurcado, todas as virtudes estão em evidência, todos os méritos brilham, todas as reflexões são bem recebidas, todos os contrastes se transformam numa difusão de luzes. Atraído, por curiosidade, a visitar grupos numerosos que preparam outras encarnações estudando todos os detalhes que o Espírito chamado a voltar à Terra deve elucidar, concebi uma grande ideia da reencarnação.
Quando um Espírito se prepara para uma nova existência, submete suas ideias às decisões do grupo a que pertence. O grupo discute; os Espíritos que o compõem vão aos grupos mais avançados ou à Terra; procuram entre vós elementos de aplicação. O Espírito aconselhado, fortalecido, esclarecido sobre todos os pontos poderá, daí por diante, se quiser, seguir seu caminho sem vacilar. Terá em sua peregrinação terrena uma multidão de Espíritos invisíveis, que não o perderão de vista; tendo participado em seus trabalhos preparatórios, eles aplaudem os seus resultados, os esforços para vencer, a sua vontade firme que, dominando a matéria, lhe permitiu trazer aos outros encarnados um contingente de quitações e de amor, isto é, o bem, segundo as grandes instruções, segundo Deus enfim, que as dita em todas as afirmações da ciência, da vegetação, de todos os problemas enfim, que são a luz do Espírito, quando ele sabe resolvê-las de forma racional." (Revista Espírita. Junho de 1866. Dissertações espíritas. Ocupações dos Espíritos. Gui. Médium: Sr. Leymarie / Allan Kardec)
Na Revista Espírita de 1862, o Espírito São Luís faz a seguinte elucidação:
"Os mundos intermediários são povoados por Espíritos à espera da prova da reencarnação ou se preparando de novo, conforme o seu grau de adiantamento. Nesses viveiros da vida eterna, os Espíritos são grupados e divididos em grandes tribos, uns adiantados e outros atrasados em relação ao progresso, e cada um escolhe entre os grupos humanos, aqueles que correspondem simpaticamente às suas faculdades adquiridas, as quais progridem, mas não podem retrogradar.
O Espírito que se reencarna escolhe o pai cujo exemplo fá-lo-á avançar na via preferida e ele absorve, elevando-os ou enfraquecendo-os, os talentos daquele que lhe deu a vida corpórea. Em ambos os casos, a conjunção simpática existe anteriormente ao nascimento e a seguir é desenvolvida nas relações de família, pela imitação e pelo hábito." (Revista Espírita. Julho de 1862. Hereditariedade moral. São Luís / Allan Kardec)
No livro "O Espiritismo em sua mais simples expressão", Allan Kardec faz o seguinte esclarecimento:
"No intervalo de suas existências corporais, o Espírito é errante. A erraticidade não tem duração determinada; nesse estado o Espírito é feliz ou infeliz, de acordo com o bom ou mau emprego que fez da sua última existência; ele estuda as causas que apressaram ou retardaram seu desenvolvimento; toma as resoluções que buscará pôr em prática na próxima encarnação e escolhe, ele mesmo, as provas que considera mais próprias ao seu adiantamento; mas algumas vezes ele se engana, ou sucumbe, não tomando, como homem, as resoluções que tomou como Espírito." (O Espiritismo em sua mais simples expressão. Resumo do ensinamento dos Espíritos. Item 16. Allan Kardec)
Acerca deste assunto, em " O Livro dos Espíritos" Allan Kardec faz algumas perguntas aos Espíritos Superiores e obteve as seguintes respostas:
Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o Espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?
"Ele próprio escolhe o gênero de provas por que há de passar, e nisso consiste o seu livre-arbítrio." (O Livro dos Espíritos. Questão 258. Allan Kardec)
Não é Deus, então, que lhe impõe as tribulações da vida, como castigo?
"Nada ocorre sem a permissão de Deus, porquanto foi Deus que estabeleceu todas as leis que regem o universo. Ide agora perguntar por que decretou ele esta lei e não aquela! Dando ao Espírito a liberdade de escolher, Deus lhe deixa a inteira responsabilidade de seus atos e das consequências que estes tiverem. Nada lhe estorva o futuro; abertos se lhe acham, assim, o caminho do bem, como o do mal. Se vier a sucumbir, restar-lhe-á a consolação de que nem tudo se lhe acabou, e que a bondade divina lhe concede a liberdade de recomeçar o que foi mal feito. Ademais, cumpre se distinga o que é obra da vontade de Deus do que o é da do homem. Se um perigo vos ameaça, não fostes vós quem o criou e sim Deus. Vosso, porém, foi o desejo de a ele vos expordes, por haverdes visto nisso um meio de progredirdes, e Deus o permitiu." (O Livro dos Espíritos. Questão 258-a. Allan Kardec)
Do fato de pertencer ao Espírito a escolha do gênero de provas que deva sofrer, seguir-se-á que todas as tribulações que experimentamos na vida nós as previmos e escolhemos?
"Todas, não, porque não escolhestes e previstes tudo o que vos sucede no mundo, até às mínimas coisas. Escolhestes apenas o gênero das provações. As particularidades são a consequência da posição em que vos achais e, muitas vezes, das vossas próprias ações. Escolhendo, por exemplo, nascer entre malfeitores, sabia o Espírito a que arrastamentos se expunha; ignorava, porém, quais os atos que viria a praticar. Esses atos resultam do exercício da sua vontade, ou do seu livre-arbítrio. Sabe o Espírito que, escolhendo tal caminho, terá que sustentar lutas de determinada espécie; sabe, portanto, de que natureza serão as vicissitudes que se lhe depararão, mas ignora se se verificará este ou aquele evento. Os acontecimentos secundários se originam das circunstâncias e da força mesma das coisas. Previstos só são os fatos principais, os que influem no destino. Se tomares uma estrada cheia de sulcos profundos, sabes que terás de andar cautelosamente, porque há muita probabilidade de caíres; ignoras, contudo, em que ponto cairás e bem pode suceder que não caias, se fores bastante prudente. Se, ao percorreres uma rua, uma telha te cair na cabeça, não creias que estava escrito, segundo vulgarmente se diz." (O Livro dos Espíritos. Questão 259. Allan Kardec)
Como pode o Espírito desejar nascer entre gente de má vida?
"Forçoso é que seja posto num meio onde possa sofrer a prova que pediu. Pois bem, é necessário que haja analogia. Para lutar contra o instinto do roubo, preciso é que se ache em contato com gente dada à prática de roubar." (O Livro dos Espíritos. Questão 260. Allan Kardec)
Como pode o Espírito, que, em sua origem, é simples, ignorante e carecido de experiência, escolher uma existência com conhecimento de causa e ser responsável por essa escolha?
"Deus lhe supre a inexperiência, traçando-lhe o caminho que deve seguir, como fazeis com a criancinha. Pouco a pouco, porém, à medida que o seu livre-arbítrio se desenvolve, deixa-o senhor de proceder à escolha, e só então é que muitas vezes lhe acontece extraviar-se, tomando o mau caminho, por desatender os conselhos dos Espíritos bons. A isso é que se pode chamar a queda do homem." (O Livro dos Espíritos. Questão 262. Allan Kardec)
Na Revista Espírita de 1862, há outro questionamento semelhante: "Eis um Espírito que, em razão de sua leviandade e pouco adiantamento, não suspeita da reencarnação. Quando lhe chegar o momento de retomar uma nova existência, que escolha poderá fazer?
Evidentemente uma escolha em conformidade com seu caráter e com seus hábitos, a fim de gozar e não de expiar, até que seu Espírito se ache bastante desenvolvido para lhe compreender as conseqüências. É a história do garoto inexperiente, que se atira aturdidamente a todas as aventuras e que adquire experiência às próprias custas. Lembremos que, para os Espíritos atrasados, incapazes de fazer uma escolha com conhecimento de causa, há encarnações compulsórias." (Revista Espírita. Novembro de 1862. Jacques Noulin. Allan Kardec)
Quando o Espírito goza do livre-arbítrio, a escolha da existência corporal dependerá sempre exclusivamente de sua vontade, ou essa existência lhe pode ser imposta, como expiação, pela vontade de Deus?
"Deus sabe esperar, não apressa a expiação. Todavia, pode impor certa existência a um Espírito, quando este, pela sua inferioridade ou má vontade, não se mostra apto a compreender o que lhe seria mais benéfico, e quando vê que tal existência servirá para a purificação e o progresso do Espírito, ao mesmo tempo que lhe sirva de expiação." (O Livro dos Espíritos. Questão 262- a. Allan Kardec)
O Espírito faz a sua escolha logo depois da morte?
"Não, muitos acreditam na eternidade das penas, o que, como já se vos disse, é um castigo." (O Livro dos Espíritos. Questão 263. Allan Kardec)
Que é o que dirige o Espírito na escolha das provas que queira sofrer?
"Ele escolhe, de acordo com a natureza de suas faltas, as que o levem à expiação destas e a progredir mais depressa. Uns, podem, portanto, impor a si mesmos uma vida de misérias e privações, objetivando suportá-las com coragem; outros preferem experimentar as tentações da riqueza e do poder, muito mais perigosas, pelos abusos e má aplicaçãoss a que podem dar lugar, bem como pelas paixões inferiores que uma e outro desenvolvem; outros, finalmente, se decidem a experimentar suas forças nas lutas que terão de sustentar em contato com o vício." (O Livro dos Espíritos. Questão 264. Allan Kardec)
Havendo Espíritos que, por provação, escolhem o contato do vício, outros não haverá que o busquem por simpatia e pelo desejo de viverem num meio conforme aos seus gostos, ou para poderem entregar-se materialmente aos pendores materiais?
"Há, sem dúvida, mas tão somente entre aqueles cujo senso moral ainda está pouco desenvolvido. A prova vem por si mesma, e eles a sofrem mais demoradamente . Cedo ou tarde, compreendem que a satisfação de suas paixões brutais lhes acarreta deploráveis consequências, que eles sofrerão durante um tempo que lhes parecerá eterno. E Deus os deixará nessa persuasão, até que se tornem conscientes da falta em que incorreram e peçam, por impulso próprio, lhes seja concedido resgatá-la, mediante proveitosas provações." (O Livro dos Espíritos. Questão 265. Allan Kardec)
Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas?
"Pode parecer-vos a vós; ao Espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar."
Sob a influência das ideias carnais, o homem, na Terra, só vê das provas o lado penoso. Tal a razão de lhe parecer natural sejam escolhidas as que, do seu ponto de vista, podem coexistir com os gozos materiais. Na vida espiritual, porém, compara esses gozos fugazes e grosseiros com a inalterável felicidade que lhe é dado entrever e desde logo nenhuma impressão mais lhe causam os passageiros sofrimentos terrenos. Assim, pois, o Espírito pode escolher prova muito rude e, conseguintemente, uma angustiada existência, na esperança de alcançar depressa um estado melhor, como o doente escolhe muitas vezes o remédio mais desagradável para se curar de pronto. Aquele que intenta ligar seu nome à descoberta de uma região desconhecida não procura trilhar estrada florida. Conhece os perigos a que se arrisca, mas também sabe que o espera a glória, se lograr bom êxito. (O Livro dos Espíritos. Questão 266. Allan Kardec)
Pode o Espírito enganar-se quanto à eficácia da prova que escolheu?
"Pode escolher uma que esteja acima de suas forças e sucumbir. Pode também escolher alguma que nada lhe aproveite, como sucederá se buscar vida ociosa e inútil. Mas, então, voltando ao mundo dos Espíritos, verifica que nada ganhou e pede outra que lhe faculte recuperar o tempo perdido." (O Livro dos Espíritos. Questão 269. Allan Kardec)
Na Revista Espírita de 1861, relata a história do Sr. Antônio B, que antes de reencarnar escolheu um gênero de morte cruel, a fim de abreviar o tempo de sua erraticidade e mais rapidamente atingir as esferas elevadas. Um correspondente da Sociedade Espírita envia a nota seguinte:
"O Sr. Antonio B..., um de meus parentes, escritor de mérito, estimado por seus concidadãos, tendo desempenhado com distinção e integridade funções públicas na Lombardia, há cerca de dez anos e em consequência de uma apoplexia, caiu num estado de morte aparente que, infelizmente, e como por vezes acontece, foi tomado como de morte real. O erro era muito mais fácil por julgaram perceber no corpo sinais de decomposição. Quinze dias após o enterro, uma circunstância fortuita levou a família a pedir a exumação. Tratava-se de um medalhão esquecido no caixão por descuido. Grande, porém, foi o estupor dos assistentes quando, ao abri-lo, reconheceu-se que o corpo tinha mudado de posição; tinha-se virado e, coisa horrível, uma das mãos fora parcialmente comida pelo defunto. Ficou, então, manifesto que o infeliz Antonio B... tinha sido enterrado vivo; devia ter sucumbido nas garras do desespero e da fome. Seja como for, deste triste acontecimento e de suas consequências morais não seria interessante, do ponto de vista espírita e psicológico, fazer um inquérito no mundo dos Espíritos?
1. (Evocação de Antonio B...) ─ Que quereis de mim?
2. ─ Um de vossos parentes pediu-nos que vos evocássemos. Fazemo-lo com prazer, e sentir-nos-emos felizes se tiverdes a bondade de responder. ─ Sim, quero mesmo responder.
3. ─ Lembrai-vos das circunstâncias de vossa morte? ─ Ah! Claro que sim. Lembro-me. Por que despertar essa lembrança de castigo?
4. ─ É certo que fostes por descuido enterrado vivo? ─ Assim deveria ser, porque a morte aparente teve todas as características de morte real. Eu estava quase exangue. Não se deve atribuir a ninguém um fato previsto desde antes de meu nascimento.
5. ─ Se estas perguntas são de molde a vos causar sofrimento, devemos parar? ─ Não, continuai.
6. ─ Queríamos saber-vos feliz, pois deixastes a reputação de um homem decente. ─ Muito agradecido. Sei que orareis por mim. Tratarei de responder, mas se fracassar, um de vossos guias habituais me substituirá.
7. ─ Poderíeis descrever as sensações que experimentastes naquele terrível momento? ─ Oh! Que prova dolorosa! Sentir-se fechado entre quatro tábuas, de modo a não poder mover-me, nem mudar! Não poder chamar, a voz não ressoando num meio privado de ar. Oh! Que tortura a de um infeliz que em vão se esforça para respirar numa atmosfera insuficiente e desprovida de elemento respirável! Ah! Eu era como um condenado à garganta de um forno, exceto ao calor. Oh! A ninguém desejo semelhantes torturas! Não, a ninguém desejo um fim como o meu. Cruel punição de uma existência cruel e feroz! Não me pergunteis em que eu pensava. Eu mergulhava no passado e vagamente entrevia o futuro.
8. ─ Dizeis cruel punição de uma existência feroz, mas vossa reputação, até agora intacta, nada deixava supor tal situação. Podeis explicar isto? ─ Que é a duração de uma existência na eternidade? Por certo, tratei de agir bem na última encarnação, mas este fim tinha sido aceito por mim antes de voltar à Humanidade. Ah! Por que me interrogar sobre esse passado doloroso, que só eu conhecia, além dos Espíritos, ministros do Onipotente? Sabei, pois, já que é necessário dizer, que numa existência anterior eu havia emparedado viva uma mulher, a minha, num jazigo! Foi a pena de talião que tive de aplicar a mim! Olho por olho, dente por dente.
9. ─ Agradecemos a bondade de haver respondido às nossas perguntas e rogamos a Deus vos perdoe o passado em favor do mérito de vossa última existência. ─ Voltarei mais tarde. Aliás, o Espírito Erasto terá a bondade de completar.
Reflexões de Lamennais sobre esta evocação:
Deus é bom! Mas, para chegar ao aperfeiçoamento, deve o homem sofrer as provas mais cruéis. Este infeliz viveu vários séculos durante sua desesperada agonia e, embora sua vida tenha sido honrada, esta prova deveria cumprir-se, pois a tinha escolhido.
Reflexões de Erasto:
O que deveis extrair deste ensino é que todas as vossas existências se ligam, e que nenhuma é independente das outras. As preocupações, os aborrecimentos, como as grandes dores que ferem os homens, são sempre as consequências de uma vida anterior, criminosa ou mal empregada. Contudo, devo dizer-vos que fins semelhantes ao de Antonio B... são raros, e se esse homem, cuja última existência foi isenta de censura, terminou desta maneira, é que ele próprio havia solicitado esse gênero de morte, a fim de abreviar o tempo de sua erraticidade e mais rapidamente atingir as esferas elevadas. Com efeito, após um período de perturbação e sofrimento moral para expiar ainda o seu crime espantoso, será perdoado e elevar-se-á a um mundo melhor, onde encontrará sua vítima, que o espera e que há muito o perdoou. Sabei, pois, tirar vosso proveito deste exemplo cruel, para suportar com paciência, ó meus caros espíritas, os sofrimentos corporais, os sofrimentos morais, e todas as pequenas misérias da vida." (Revista Espírita. Setembro de 1861. Palestras familiares de além-túmulo. Allan Kardec)
O autor espírita Carlos Toledo Rizzini faz a seguinte elucidação sobre este assunto: " O espírito reencarnante, fora os casos menores comuns de compulsória, passa por longo reparo antes de voltar à carne. É preciso que seja alcançado certo reajustamento emocional, livrando-o da maior parte das perturbações naturais do culpado e devedor; isto é alcançado pelo trabalho ativo no serviço aos que estão em condições ainda piores e por certos tratamentos magnéticos. Há, portanto, longos anos até que o espírito se incline à regeneração e, depois, outros tantos anos para alcançar o reequilíbrio possível. Tudo depende de sua vontade de progredir. Multidões preferem estagiar longamente na sombra, rebeldes e indisciplinadas. A pouco e pouco, vão os abnegados trabalhadores do bem tirando um daqui, outro dali, etc. dispostos ao esforço redentor. Além do serviço prestado, o futuro homem estuda, em escolas especiais, assuntos que dizem respeito ao seu trabalho e vida na carne. Par cada filho de Deus, os instrutores da Esfera Superior preparam um roteiro ou programa de vida, no qual estão especificados os serviços a prestar e os lances mais importantes para a evolução espiritual; ninguém casa, tem filhos ou é médico por acaso... Conjugue filhos, profissão, doenças, dia da morte e coisas assim estão previstas e relacionadas com o passado. Um casamento pode ser uma união expiatória ou de amor. Um médico estudou medicina por necessidade de reparar erros acumulados ou para dar continuidade à sua vocação; depende do grau de liberdade em função do dever de reparar o pretérito culposo: quem não deve é livre para escolher o rumo, segundo os seus dons indicam e o gosto pede." (Evolução para o terceiro Milênio. Parte II. Cap. 4. Carlos Toledo Rizzini)
Portanto, nem tudo é planejado antes da reencarnação do Espírito, somente o gênero de provas principais, que estão relacionados com existências anteriores. Entretanto, alguns podem sucumbir e se desviarem do caminho escolhido.
