Estudando o perdão

[O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. X, item 14]

 

 O Pai Excelso esculpiu potencialmente na alma de todos os seus filhos a beleza e a sublimidade da sua Lei a expressar-se não somente em Amor Infinito para todos os seres, mas igualmente em dignidade para todas as criaturas.

 Em razão disso, a Misericórdia Divina atende a múltiplos meios de auxílio, desdobrando-os em favor dos Espíritos sofredores e transviados, promovendo a criação de obstáculos que refazem a esperança, de lutas que desenvolvem faculdades entorpecidas, de aflições que impulsionam a procura da paz e de dores que recuperam e reeducam; todavia, o entendimento mais obtuso e a sensibilidade mais empedernida em acordando, um dia, para a realidade, contemplam a si mesmos e suspiram pela respeitabilidade espiritual que legitima o selo da elevação…

 E o primeiro impulso que lhes orienta o novo roteiro é justamente aquele do homem irrepreensível que busca o resgate dos próprios débitos, levantando o caráter perante a luz.

 Ainda mesmo que a dívida lhes reclame séculos de tormento, ao tormento se entregam, renovados e confiantes, na certeza de que o tempo, como graça de Deus, lhes facultará possibilidade e socorro para que se refaçam.

 O perdão, na vida, qual ocorre na organização bancária do mundo, será empréstimo de recursos, moratória benevolente, reforma de compromissos e aval generoso e nobre, com bases na solidariedade e na tolerância, porque, em verdade pura, consciência nenhuma, quando voltada ao bem, deseja inocentar-se e, agora, hoje ou amanhã, consagra-se a pagar seus débitos no mundo para reerguer-se, limpa, ante a Justiça Eterna que coroa de luz quem lavou, por fim, o mal das suas próprias contas, em ceitil por ceitil. 

 (Fé, paz e amor. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)