Dinâmica - Quem é o Espírito Santo?

Objetivo: Compreender quem é o "Espírito Santo", que é citado em diversos trechos da Bíblia.
Participantes: Máximo 12 alunos.
Tempo Estimado: 30min.
Material: Bilhetes com versículos bíblicos, caixa de papelão.
Descrição: O Evangelizador deverá, previamente, escrever os trechos bíblicos em bilhetes e colocá-los dentro de uma caixa. Depois deverá distribuir um bilhete para cada aluno e explicar que neles contêm informações sobre o Espírito Santo, para que descubram quem ele é.  Faça os seguintes questionamentos: "Será que é Jesus Cristo? Será que é o próprio Deus? Será que é um anjo de Deus? Ou seria apenas uma força impessoal, um poder de Deus?" Para iniciar, cada aluno deverá ler o seu versículo bíblico na frente dos outros, conforme a ordem numérica e dizer sua opinião. Se logo no início descobrirem qual é o significado de " Espírito Santo" na Bíblia, o Evangelizador deverá dizer que ainda tem dúvidas, e que os outros deverão continuar lendo suas frases.

Frases (versículos bíblicos):
1. O anjo respondeu: O ESPÍRITO SANTO virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus. *(Lucas 1:35)
2. Que o Deus da esperança os encha de toda alegria e paz, por sua confiança nele, para que vocês transbordem de esperança, pelo poder do ESPÍRITO SANTO. (Romanos 15:13)
3. Pedro respondeu: "Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do ESPÍRITO SANTO." (Atos 2:38)
4. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo ESPÍRITO SANTO. (2 Pedro 1:21)
5. Mas recebereis a virtude do ESPÍRITO SANTO, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. (Atos 1:8)
6. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o ESPÍRITO SANTO, não muito depois destes dias. (Atos 1:5)
7. E todos ficaram cheios do ESPÍRITO SANTO, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem. (Atos 2:4)
8. Porque na mesma hora vos ensinará o ESPÍRITO SANTO o que vos convenha falar.  (Lucas 12:12).
9. Enquanto adoravam ao Senhor e jejuavam, disse o ESPÍRITO SANTO: "Separem-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado". (Atos 13:2)
10. E, passando pela Frígia e pela província da Galácia, foram impedidos pelo ESPÍRITO SANTO de anunciar a palavra na Ásia.** (Atos 16:6)
11. Não entristeçam o ESPÍRITO SANTO de Deus, com o qual vocês foram selados para o dia da redenção. (Efésios 4:30)
12. Mas o Consolador, o ESPÍRITO SANTO, a quem o Pai enviará em Meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito. (João 14:26)

Obs.*: Neste trecho, quando foi utilizada a palavra Espírito Santo, está se referindo a Jesus Cristo, que é um Espírito puro, de primeira ordem, o Filho de Deus. Os demais Espíritos Santos pertecem a segunda ordem, portanto, estão num grau de evolução abaixo do Querido Mestre. (Veja a classificação dos Espíritos no Livro dos Espíritos. Itens 107 a 113. Allan Kardec)
Obs.**: No trecho bíblico de Atos 16:6-10 , há uma explicação de que o Espírito Santo impediu Paulo e Silas de anunciar a palavra de Deus na Ásia, pois queria que eles pregassem o Evangelho na Macedônia.

Comentário: "O Espírito Santo é a denominação dada à coletividade dos espíritos desencarnados, que lutam pela implantação do reino de Deus na face da terra.  Batizar-se no Espírito Santo significa receber-se a mediunidade. Todos os que recebem a mediunidade se colocam à disposição dos espíritos do Senhor para os trabalhos de evangelização que se desenvolvem no plano terrestre." (O Evangelho dos Humildes. O batismo de Jesus. Eliseu Rigonatti) Na Vulgata (1), tradução latina do grego (2), está escrito Spiritum bonum, palavra por palavra, espírito bom. A Vulgata não fala absolutamente do Espírito Santo. "(Cristianismo e Espiritismo. Notas complementares. Léon Denis) "O qualificativo Santo que se encontra na Bíblia para designar espírito bom, não deve absolutamente, ser interpretado como um ente misterioso, sibilino, que constitui a 3ª pessoa da S. S. Trindade. Mas sim, como sendo um Espírito adiantado, de bondade, de amor e sabedoria" (Vida e atos dos Apóstolos. O Espírito santo e a ascensão de Jesus. Cairbar Schutel). Estes Espíritos Superiores, que possuem uma elevada moral e conhecimento científico superior, foram os que trouxeram a terceira revelação das leis divinas, isto é, o Espiritismo, que é o Consolador prometido por Jesus. 
"O Espiritismo realiza, como ficou demonstrado, todas as condições do Consolador que Jesus prometeu. Não é uma doutrina individual, nem de concepção humana; ninguém pode dizer-se seu criador. É fruto do ensino coletivo dos Espíritos, ensino a que preside o Espírito de Verdade. Nada suprime do Evangelho: antes o completa e elucida. Com o auxílio das novas leis que revela, conjugadas essas leis às que a Ciência já descobrira, faz se compreenda o que era ininteligível e se admita a possibilidade daquilo que a incredulidade considerava inadmissível. Teve precursores e profetas, que lhe pressentiram a vinda. Pela sua força moralizadora, ele prepara o reinado do bem na Terra. " (A Gênese. Cap. 17. Item 40. Allan Kardec)
Infelizmente, as traduções das letras do Evangelho não foram fiéis aos textos antigos e possibilitaram a equivocada interpretação de que o Espírito Santo seria um ser único e especial. Segundo o professor de Grego e Latim Carlos Torres Pastorino, " a língua grega não possuía artigos indefinidos. Quando a palavra era determinada, empregava-se o artigo definido... Quando era indeterminada (caso em que nós empregamos o artigo indefinido), o grego deixava a palavra sem artigo. Então quando não aparece em grego o artigo, temos que colocar, em português, o artigo indefinido: Um espírito santo, e nunca traduzir com o definido: O espírito santo." (Sabedoria do Evangelho. Volume 1. Anúncio a Maria. Carlos Torres Pastorino) Entretanto, quase na sua totalidade, os escritos em grego do Evangelho que não apresentavam o artigo definido foram traduzidos erroneamente.
No entanto, Léon Denis explica, por exemplo,  que "S. Paulo não foi apenas assistido por Espíritos de luz, de que se fazia o porta-voz e o intérprete. Espíritos inferiores por vezes o atormentavam, e era-lhe necessário resistir à sua influência. É assim que, em todos os meios, para educação do homem e desenvolvimento da sua razão, a luz e a sombra, a verdade e o erro se misturam. (...) S. Paulo conhecia estas coisas. Lecionado pela experiência, ele advertia os profetas, seus irmãos, a fim de se conservarem em guarda contra tais ciladas. E acrescentava em consequência:
“Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas” (1 Coríntios, 14:32), isto é, é preciso não aceitar cegamente as instruções dos Espíritos, mas submetê-las ao exame da razão.
No mesmo sentido, dizia S. João:
“Caríssimos, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus.” (I Epístola, 4:1) (Cristianismo e Espiritismo. Cap. 5.  Léon Denis)
"Aceitamos que a Bíblia, e de modo particular o Novo Testamento, tenham sido inspirados, direta e sensivelmente, por espíritos, se bem que nem todos com a mesma elevação.
Pedro, com toda a sua autoridade de Chefe do Colégio Apostólico, afirma categoricamente, referindo-se aos escritores do Velho Testamento: homens que falaram da parte de Deus, e que foram movidos por algum espírito santo (2 Pedro 1 :21) . E ainda: o Espírito de Cristo, que estava neles, testificou (1 Pedro 1: 11) .
E no discurso de Estevão, narrado em Atos 7:53, o proto-mártir afirma: vós que recebestes a Lei por ministério de anjos", isto é, por intermédio de espíritos." (Sabedoria do Evangelho. Volume 1. Inspiração.  Carlos Toledo Pastorino)
Paulo de Tarso esclarece que os bons Espíritos nos ajudam e afirma: "Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. "(Romanos 8:26)
"Tudo isso é normal e comum até nossos dias. Mas, desconhecendo a técnica, cientificamente estudada e experimentada por sábios e pesquisadores espiritualistas, a partir de Allan Kardec, os comentadores se perdem em divagações cerebrinas. Ao invés de admitir a psicografia (direta, mecânica ou semi-mecânica) e a psicofonia (total ou parcial), a audiência e vidência, ficam a conjeturar como pode ter-se dado o fato, chegando a afirmar que "as pedras da Lei foram realmente escritas pelo dedo de Deus". "(Dr. Tregelles, Introdução ao N.T. - Retirado do Livro: Sabedoria do Evangelho. Volume 1. Inspiração.  Carlos Toledo Pastorino)

Obs.(1): A tradução latina de Jerônimo é conhecida com o nome de Vulgata, ou seja, edição para o vulgo, e tem caráter dogmático para os católicos romanos. (...) Já no século II escrevia Orígenes: Presentemente é manifeste que grandes foram os desvios sofridos pelas cópias, quer pelo descuido de certos escribas, quer pela audácia perversa de diversos corretores, quer pelas adições ou supressões arbitrárias (Patrologia Grega, Migne, vol. 13, col. 1.293) (...)Desejando atender ao clamor geral, Dâmaso encarregou Jerônimo de estabelecer o TEXTO DEFINITIVO das Escrituras. A tarefa era ingente, e Jerônimo tinha capacidade para desempenhá-la, pois conhecia bem o hebraico, o grego e o latim. Ele devia re-traduzir para o latim todas as Escrituras, já que as versões antigas (vetus latina) eram variadíssimas.
Obs. (2): A língua original do Novo Testamento é o grego denominado Koiné, ou seja, comum, popular, falado pelo povo. Não é o grego clássico.

(Baseada na Bíblia e nos livros: Sabedoria do Evangelho. Volume 1.  Carlos Toledo Pastorino / Cristianismo e Espiritismo. Cap. 5.  Léon Denis / O Evangelho dos Humildes. O batismo de Jesus. Eliseu Rigonatti / Vida e atos dos Apóstolos. O Espírito santo e a ascensão de Jesus. Caibar Schutel / A Gênese. Cap. 17. Item 40. Allan Kardec)

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