Dinâmica - Por que Moisés proibiu a comunicação com os mortos?

Objetivo: Mostrar que Moisés proibiu os hebreus de consultarem os mortos, pois condenava a prática  de adivinhação do futuro ou obter vantagens materiais, através da mediunidade paga, assim como fazem os cartomantes e leitores da sorte hoje em dia .
Participantes: Indefinido.
Tempo Estimado: 40min.
Material: Trechos bíblicos: Levítico 19:3; 20:6,27 / Deuteronômio 18:9-12 (imprimir em papel A4).
Descrição: O Evangelizador deverá ler os trechos bíblicos em voz alta, mas antes deverá distribuir  os textos para cada dupla de alunos para que eles possam acompanhar a leitura. Logo em seguida, deverá  fazer o seguinte comentário:  " Aqueles a quem chamais  feiticeiros são pessoas que, quando de boa-fé, gozam de certas faculdades, como sejam o poder magnético ou a segunda vista (*). Então, como fazem coisas que não são compreendidas, são tidas por dotadas de um poder sobrenatural." (O Livro dos Espíritos. Questão 555. Allan Kardec) Nos tempos de ignorância, e aos olhos das pessoas supersticiosas, eles passam por adivinhos e  feiticeiros, apesar de serem apenas pessoas dotadas de uma mediunidade espontânea e inconsciente, faculdade inerente à natureza humana, e que nada tem de sobrenatural, mas que aqueles que nada admitem fora da matéria não podem compreender."  (Revista Espírita. Junho de 1866. Questões e problemas. Allan Kardec) Logo em seguida, faça a seguinte pergunta para todos: Por que Moisés proibiu a comunicação com os mortos naquela época? (Escreva a pergunta na lousa e anote as respostas pertinentes ).
Obs.(*): O que se chama dupla vista é ainda resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo seja adormecido. A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma. (O Livro dos Espíritos.  Questão 447. Allan Kardec)

TRECHOS BÍBLICOS DA PROIBIÇÃO DE MOISÉS PARA CONSULTAR OS MORTOS:
"Não vos virareis para os adivinhadores e encantadores; não os busqueis, contaminando-vos com eles. Eu sou o Senhor vosso Deus." ( Levítico 19:31)
" Quanto àquele que se voltar para os que consultam os mortos e para os feiticeiros, prostituindo-se após eles, porei o meu rosto contra aquele homem, e o extirparei do meio do seu povo. "(Levítico 20:6)
"O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles. "(Levítico 20:27)
"Quando entrares na terra que o Senhor teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações.
Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
Nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos;
Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao Senhor; e por estas abominações o Senhor teu Deus os lança fora de diante de ti. "( Deuteronômio 18:9-12)

Comentário: Se Moisés proibiu evocar os Espíritos dos mortos, é uma prova de que eles podem vir; do contrário essa interdição seria inútil. ( O que é o Espiritismo. Cap. 1. Terceiro diálogo. Allan Kardec)
Moisés disse aos Hebreus: “Não evoqueis os mortos!” como se diz às crianças: “Não toqueis no fogo!” (...) Mas a própria  proibição prova que a evocação era usual entre o povo, e foi ao povo que ele a proibiu. (Revista Espírita.  Outubro de 1863. É permitido evocar os mortos já que Moisés, já que Moisés o proibiu? Allan Kardec)
A  proibição feita por Moisés tinha então a sua razão de ser, porque o legislador hebreu queria que o seu povo rompesse com todos os hábitos trazidos do Egito, e de entre os quais o de que tratamos era objeto de abusos.
Não se evocava então os mortos pelo respeito e afeição tributados a eles, nem com o sentimento de piedade, mas, sim, como meio de adivinhar, como objeto de tráfico vergonhoso, explorado pelo charlatanismo e pela superstição; nessas condições, Moisés teve razão de proibi-lo.  (O que é o Espiritismo. Cap. 1. Terceiro diálogo. Allan Kardec)
Esse costume, que parecia ser bem compreendido e judiciosamente praticado na intimidade de pequeno número de iniciados nos mistérios, havia degenerado em abuso e superstição entre o povo, que nele via apenas uma arte de adivinhação, sem dúvida explorada pelos charlatães, como hoje em dia o fazem os ledores de sorte. O povo hebreu, ignorante e grosseiro, dele só tomara o aspecto abusivo. Proibindo-o, Moisés realizou um ato de boa política e sabedoria. (A viagem Espírita em 1862. Cap. 8. Allan Kardec)
O Espiritismo também diz que aos Espíritos não é dado revelar o futuro, e condena formalmente o emprego de comunicações do além-túmulo como meio de adivinhação. Ele diz que os Espíritos vêm para nos instruir e nos melhorar, e não para nos ler a  buena-dicha (**). Além disto, ele diz que ninguém pode obrigar os Espíritos a virem falar quando eles não querem. É desnaturar maldosamente o seu objetivo, pretender que ele faça a necromancia. (Revista Espírita. Setembro de 1864. O novo bispo de Barcelona. Allan Kardec)
Os Espíritos sérios se recusam a ocupar-se de coisas fúteis; os frívolos e zombeteiros tratam de tudo, respondem a tudo, predizem tudo o que se quer, sem se importarem com a verdade, e encontram maligno prazer em mistificar as pessoas demasiado crédulas. (O que é o Espiritismo. Cap. 2. Item 51. Allan Kardec)
(...) Naquele tempo, as evocações tinham por finalidade a adivinhação, e que se fazia comércio delas; estavam associadas às práticas da magia e da bruxaria, e mesmo acompanhadas de sacrifícios humanos. Moisés tinha portanto razão de proibir essas coisas, e de dizer que Deus as tinha em abominação. Essas práticas supersticiosas se perpetuaram até a Idade Média; mas hoje a razão lhes fez justiça, e o Espiritismo veio mostrar a finalidade exclusivamente moral, consoladora e religiosa das relações de além-túmulo; uma vez que os espíritas não “sacrificam as criancinhas e não espalham licores para venerar os deuses,” não interrogam nem os astros, nem os mortos, nem os augúrios para conhecer o futuro que Deus sabiamente escondeu aos homens; repudiam todo tráfico da faculdade que alguns receberam de comunicar-se com os Espíritos; não são movidos nem pela curiosidade, nem pela cupidez, mas por um sentimento piedoso e unicamente pelo desejo de se instruir, de se aperfeiçoar e de aliviar as almas sofredoras.
(...) A própria palavra interrogar posta ao lado dos adivinhos e dos augúrios prova que, entre os hebreus, as evocações eram um meio de adivinhação; ora, os espíritas não evocam os mortos para obter deles revelações ilícitas, mas para receber sábios conselhos e obter alívio para os que sofrem. Decerto, se os hebreus se tivessem servido das comunicações de além-túmulo unicamente com esse objetivo, longe de proibi-las, Moisés as teria encorajado, porque elas teriam tornado seu povo mais dócil. (O Céu e o inferno. Cap. 11. Allan Kardec)
Um exemplo disso pode verificado na própria Bíblia: Moisés não proibiu Eldad e Medad de profetizarem, o acontecimento foi narrado da seguinte forma:
"Porém no arraial ficaram dois homens; o nome de um era Eldad, e do outro Medad; e repousou sobre eles o espírito, e profetizavam no arraial.
Então correu um moço e anunciou a Moisés e disse: Eldad e Medad profetizam no arraial.
E Josué, filho de Num, servidor de Moisés, um dos seus jovens escolhidos, respondeu e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-lho.
Porém, Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele!" (Números 11:26 -29)
(...) Quando a evocação é feita religiosamente e com recolhimento; quando os Espíritos são chamados, não por curiosidade, mas por um sentimento de afeição e de simpatia, e com o desejo sincero de se instruir e de se tornar melhor, não vemos o que haveria de mais desrespeitoso em chamar as pessoas após sua morte do que enquanto vivas. (O Céu e o inferno. Cap. 11. Allan Kardec)
Pode dar-se que o Espírito preveja coisas que julgue conveniente revelar, ou que ele tem por missão tornar conhecidas; porém, nesse terreno, ainda são mais de temer os Espíritos enganadores, que se divertem em fazer previsões.
De que gênero são as previsões de que mais se deve desconfiar?
Todas as que não tiverem um fim de utilidade geral. As predições pessoais   podem quase sempre ser consideradas apócrifas.  ( O Livro dos Médiuns. Segunda parte. Cap. 26. Item 289. Allan Kardec)
Com que fim o futuro se conserva oculto ao homem?
Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria do presente e não obraria com a liberdade com que o faz, porque o dominaria a idéia de que, se uma coisa tem que acontecer, inútil será ocupar-se com ela, ou então procuraria obstar a que acontecesse. ( O Livro dos Espíritos. Questão 869. Allan Kardec)
Em princípio, o futuro é oculto ao homem pelos motivos que tantas vezes já foram expostos. Só excepcionalmente ele lhe é revelado, além do mais, ele é mais pressentido do que predito. Para conhecê-lo, Deus não deu ao homem nenhum meio certo. (Revista Espírita. Outubro de 1864.  O sexto sentido e a visão espiritual. Allan Kardec)
A mediunidade (...) não é uma arte, nem um talento, pelo que não pode tornar-se uma profissão. Ela não existe sem o concurso dos Espíritos; faltando estes, já não há mediunidade. (...) Explorar alguém a mediunidade é, conseguintemente, dispor de uma coisa da qual não é realmente dono. Afirmar o contrário é enganar a quem paga. Há mais: não é de si próprio que o explorador dispõe; é do concurso dos Espíritos, das almas dos mortos, que ele põe a preço de moeda. Essa ideia causa instintiva repugnância. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, pela ignorância, pela credulidade e pela superstição que motivou a  proibição   de Moisés. (O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 26. Item 9. Allan Kardec)
Àqueles, pois, que se queixarem de ter sido enganados, ou de não terem obtido as respostas que desejavam, pode-se dizer: Se tivésseis estudado o Espiritismo, teríeis sabido em que condições ele pode ser observado com proveito  (Viagem Espírita em 1862. Discursos pronunciados nas reuniões gerais dos Espíritas de Lyon e Bordeaux. Allan Kardec)
O Espiritismo diz expressamente que não se podem dirigir aos Espíritos toda sorte de perguntas; que eles vêm para nos instruir e nos tornar melhores, e não para se ocuparem de interesses materiais; que é um engano ver nas manifestações um meio de conhecer o futuro, descobrir tesouros ou heranças, fazer invenções ou descobertas científicas para ilustrar-se ou enriquecer sem trabalho. Numa palavra, que os Espíritos não vêm dizer a  buena-dicha . Assim, fazendo aos Espíritos perguntas de toda espécie, o que é muito real, esses indivíduos provavam sua ignorância quanto aos fins do Espiritismo. (Revista Espírita. Abril de 1863. Suícidio falsamente atribuído ao Espiritismo. Allan Kardec)
Se não podemos perguntar sobre o futuro, que tipo de perguntas  podemos fazer aos Espíritos ? (Aguarde as respostas)
R. Sobre como obter alívio para o nosso sofrimento moral; sobre a situação dos nossos parentes que desencarnaram; sobre conselhos para nossa saúde . (Vide: O Livro dos Médiuns. Cap. 26. Itens   291, 292 e 293. Allan Kardec)
Os Espíritos sérios respondem com prazer às que objetivam o bem e os meios de vos fazer progredir. Não dão ouvidos às perguntas fúteis.
(...) Se for para a vossa edificação e instrução as revelações serão verdadeiras...  Mas nunca Deus as permite para satisfazer à vã curiosidade. (O Livro dos Médiuns. Cap. 26. Item 288 e 290. Allan Kardec)

Obs.(**): Significado de Buena-dicha: Sorte boa ou má de uma pessoa, que supostamente lhe é revelada por algum procedimento ocultista ( por exemplo: pela leitura de cartas, pelas linhas da mão, etc.)  (site: https://michaelis.uol.com.br/palavra/OkQL/buena-dicha/)
(Baseada na Bíblia e nas obras básicas de Allan Kardec)

Passatempo Espírita © 2013 - 2022. Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por Webnode