Conversa em família

Quando observares a dificuldade moral de alguém, não te detenhas na superfície das coisas. Aprofunda-te no exame das causas, para que a injustiça não te enodoe o coração.
Recordemos que o médico nem sempre identifica a enfermidade pelo que vê, mas sobretudo por aquilo que não vê, apoiado na cooperação do laboratório.
Raramente, todo o mal é aquele mal que se enxerga no lado visível das circunstâncias.
A Humanidade é constituída de povos; cada povo se baseia em comunidades; cada comunidade é uma coletânea de grupos; cada grupo é uma constelação de almas.
Não opines sobre qualquer acontecimento infeliz, sem apreciar todas as peças que o suscitaram.
Como definir a posição da esposa, imaginada em desvalimento, sem considerar a conduta do esposo, chamado pelos princípios de causa e efeito a prestar-lhe assistência?  E como examinar o homem tombado em criminalidade passional, sem analisar a mulher que o levou ao desvario?  De que modo interpretar os jovens transviados, sem tocar nos adultos que os largaram à matroca, e de que maneira observar a penúria dos mais velhos, sem anotar o abandono a que foram votados pelos mais moços?  Como acusar unicamente os maus, sem perguntar aos bons o que fizeram por eles, na esfera da convivência?  E como condenar exclusivamente os pecadores, sem saber que orientação recolheram dos virtuosos que com eles comungam a vida cotidiana?  Serão justos ou insensíveis os espíritos nomeados por justos quando relegam seus irmãos aos enganos da injustiça, sem a mínima frase que lhes clareie o raciocínio?  E serão corretos ou ingratos os espíritos supostos corretos quando deixam seus irmãos afundados no erro, sem o menor amparo que lhes refaça o equilíbrio?
Irmãos uns dos outros pelos laços da família maior — a Humanidade —, à frente de nossos companheiros caídos, antes de censurá-los será preciso interrogar-nos a nós próprios que espécie de benefício já lhes teremos feito, a fim de que não resvalassem no lodo que lhes desfigura a face divina de filhos de Deus, tão carecedores da bênção de Deus quanto nós.
Reflitamos nisso, porque, atendendo a isso, sempre que impelidos a observar o comportamento de alguém, teremos a misericórdia por inspiração e apoio, a fim de que não falhemos ao imperativo do amor para a glória do bem.
(Alma e coração. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier)

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