Caridade e direito

 Realmente a caridade genuína começa no respeito que devemos indistintamente a todos os semelhantes.

 E esse respeito baseia-se, invariavelmente, no reconhecimento das necessidades naturais de cada ser que nos partilha a jornada — necessidades que, diante da Providência Divina, se expressam por direitos que o Pai Todo-Bondoso nos confere a cada um.

 Não te esqueças de que os companheiros mais conturbados e mais infelizes encontram-se perante o Senhor, revestidos de justas prerrogativas que não podemos olvidar, em favor de nós mesmos.

 Assim é que o ignorante desfruta o direito de instruir-se, o delinquente reclama o direito de solver os próprios débitos ante a Lei, tanto quanto o transviado conta com o direito de reajustar o próprio caminho e o enfermo, decerto, goza o privilégio de receber adequada medicação.

 Indispensável estejamos dispostos a ajudar sempre, ainda que o ignorante solicite decênios de sacrifício para educar-se, que o delinquente exija séculos para liquidar os compromissos a que se enleiou, desprevenido, que o transviado peça o concurso de longas dores para se tornar ao próprio roteiro e o doente reclame prolongadas torturas para recuperar-se.

 Não atenderás a divina virtude da caridade sem que te consagres ao claro entendimento da vida, no abençoado labor do auxílio incessante.

 Seja onde for, estende os braços fraternos e faze-te o irmão de todos. Que não haja ferida capaz de alarmar-te, nem erro alheio que te conduza ao desalento ou a condenação.

 Lembra o Cristo infatigável no amor a benefício de todos nós, desculpando-nos e soerguendo-nos, dia a dia, e guardarás contigo a certeza de que somente respeitando a cada um, conforme as suas necessidades e auxiliando sem distinção, é que adquiriremos para nós o direito da alegria e da paz, que nos fará detentores da Luz Celestial para sempre.

(Escrinio de luz. Espírito Emmanuel.  Psicografado por Chico Xavier )