A morte de João Batista

— Vocês se lembram de que eu já lhes disse que Hero­des mandou prender João Batista? Agora vou contar-lhes tudo direitinho.

Um dia João Batista sabendo que o rei Herodes tinha praticado um ato contrário à lei repreendeu-o.

— E fez muito bem! exclamou Joaninha. Se ele era rei tinha que dar o bom exemplo.

— Mas acontece que Herodes não pensava assim e man­dou prender João Batista.

Herodias, mulher de Herodes, não gostava de João Batista.

— E por que, Lina? perguntou dona Leonor.

— Porque Herodias ajudava Herodes em suas malda­des; e João Batista muitas vezes chamara-lhe a atenção por isso. Assim ela vivia instigando Herodes a que mandasse matar João. Porém Herodes não queria, porque considerava João um homem justo e santo, e de boa vontade ouvia-lhe os conselhos.

Mas um dia Herodes, para celebrar seu aniversário, deu uma esplêndida festa para ela, convidou os grandes de sua corte, as autoridades romanas e os principais da Galiléia.

Durante a festa, a filha de Herodias dançou diante de Herodes o qual, entusiasmado, prometeu dar-lhe o que ela quisesse como recompensa. Herodias não perdeu a oportu­nidade e mandou que ela pedisse a cabeça de João Batista.

Ela então se apresentou a Herodes e disse-lhe:

— “Quero que me dês já, neste prato, a cabeça de João Batista”.

Herodes ficou muito triste, mas como tinha prometido perante todos dar-lhe o que ela quisesse, mandou degolar João no cárcere, e um soldado trouxe a cabeça dele numa bandeja de prata.

Foi assim que João Batista morreu; seu nobre espírito alçou-se ao mundo espiritual e seus discípulos sepultaram-lhe o corpo; em seguida foram contar a Jesus o que tinha acontecido. E Jesus retirou-se com seus discípulos para um lugar deserto a fim de orar pelo seu grande profeta.

Dona Lina calou-se. Estávamos comovidos e mudos; não sabíamos o que dizer. Ela então concluiu:

— João foi sacrificado porque não quis transigir com o mal. Se João Batista sofreu  a pena de morte é porque ainda tinha dívidas de encarnações anteriores a pagar. Apesar do alto grau de espiritualidade que tinha alcançado, João teve que expiar, passando pela mesma pena que infligira aos outros, para se purificar.  Pois, na época em que viveu como Elias, mandou matar os profetas de Baal. É a Justiça Divina que se cumpre, nada deixando sem pagamento.

(História adaptada do Livro: O Evangelho da Meninada. Eliseu Rigonatti)