Resumo - Chico Xavier

            - Francisco Cândido Xavier nasceu em Pedro Leopoldo (MG), no dia 2 de abril de 1910. Filho de operário inculto e de humilde lavadeira, ficou órfão de mãe aos cinco anos de idade. Seu pai se viu obrigado a entregar alguns dos seus nove filhos aos cuidados de pessoas amigas e Chico Xavier ficou com sua madrinha (dona Rita), mulher nervosa que o maltratava cruelmente. Dona Rita, lhe dava várias surras de vara de marmeleiro, por dia, e ainda tinha o hábito de espetar com um garfo o seu corpo. 

            - Um dia, o menino Chico lembrou-se de que sua Mãezinha orava sempre, todos os dias, ensinando-o a elevar o pensamento a Jesus e sentiu falta da prece que não encontrava em seu novo lar. Ajoelhou-se sob velhas bananeiras e pronunciou as palavras do Pai Nosso que aprendera dos lábios maternais. Quando terminou, oh! maravilha! Sua mãe, Dona Maria João de Deus, estava perfeitamente viva ao seu lado.  Chico, que ainda não lidara com as negações e dúvidas dos homens, nem por um instante pensou que a Mãezinha tivesse morta. Abraçou-a, feliz; e gritou: - Mamãe, não me deixe aqui... Carregue-me com a senhora... - Não posso, - disse a entidade, triste. - Estou apanhando muito, mamãe! Dona Maria acariciou-o e explicou: - Tenha paciência, meu filho. Você precisa crescer mais forte para o trabalho. E quem não sofre não aprende a lutar.

            - Em algumas ocasiões, sua madrinha o condenava a vários dias de fome. Certa vez, quando já fazia três dias que permanecia em completo jejum,sua mãe lhe apareceu e disse que deveria continuar orando. E para sua surpresa, após repetir  as palavras do Pai Nosso, surgiu  no quintal um grande cão da rua deixando cair um jatobá saboroso de sua boca, que lhe serviu de alimento. 

            - Numa outra situação , Chico Xavier foi obrigado a participar de uma simpatia para curar a ferida na perna do sobrinho de dona Rita. Por três sexta-feiras teve que lamber a ferida, pois sua mãe lhe disse que era melhor do que levar outra surras daquelas que acabariam lhe desajustando o corpo para o resto da vida. Mas,  logo em seguida, o consolou dizendo que em breve surgiria um Anjo Bom que iria ajudá-lo. Dois meses depois se cumpriu o que ela havia prometido, terminou seu sofrimento. Seu pai casou-se novamente e sua madrasta, alma boa e caridosa, o recolheu carinhosamente, a ele e a todos os irmãos que estavam espalhados.

            - Entretanto, a situação era difícil em 1918, o salário do chefe da família dava escassamente para o necessário e os meninos precisavam estudar. Foi então que a boa madrasta teve uma idéia: plantar uma horta e vender os legumes. Em algumas semanas, Chico já estava na rua com o cesto de verduras. Desta forma, conseguiram encher o cofre e  freqüentar as aulas . No entanto , com a saída do chefe da casa para o trabalho e das crianças para a escola, a madrasta era obrigada, algumas vezes, a deixar a casa a sós, pois precisava buscar lenha à distância. Foi então que surgiu um problema: a vizinha, se aproveitando da ausência de todos, passou a colher a verduras e, sem verduras, não haveria dinheiro para as despesas da escola. Preocupada, a madrasta, não querendo ofender a amiga, pediu a Chico Xavier que, pedisse um conselho ao espírito de sua mãe. Chico procurou  o quintal à tardinha e rezou  e, como das outras vezes, a mãezinha apareceu. O menino contou­lhe o que se passava e ela recomendou que toda vez que sua madrasta se ausentasse, desse a chave  à vizinha, para que ela tomasse conta da casa. Dessa forma, a vizinha, responsável pela casa, não tocou mais nas hortaliças. Passados todos esses problemas, Chico passou a não ver mais sua mãe com tanta frequência. Mas começou a ter sonhos.

            - Quando iniciou o curso primário em 1918, no Grupo escolar São José, de Pedro Leopoldo, durante as aulas, vez por outra, ouvia as vozes dos espíritos e notava que mãos invisíveis seguravam as suas, pegando-as e orientando os seus movimentos de escrita, o que passava desapercebido por seus colegas. Em 1922, com apenas 12 anos de idade, cursando o quarto e último ano de estudos do grupo escolar ocorreu um fenômeno que causou espanto a todos o professores e colegas. Era o ano comemorativo do primeiro centenário de nossa independência, e o governo do estado instituiu vários prêmios para os alunos das quartas classes das escolas do Estado, que fizessem o melhor trabalho sobre um trecho de nossa história. Dirigido pela prof. Rosária Laranjeira, Chico, viu ao seu lado, um “homem” esclarecendo-o de como deveria escrever o tema escolhido. Perguntou para seu colega, se também o via, e ele disse que não, acrescentando que ele deveria estar nervoso e vendo coisas. Chico ouviu o homem com atenção, pediu licença para o intruso e levantou-se e foi direto a sua professora, dizendo-lhe: - D. Rosária, perto de mim, na carteira, eu vejo um “homem” ditando o que devo escrever.             A jovem professora, de formação católica, mas bastante compreensiva como já havia demonstrado em outras ocasiões, ouviu-o com carinho e perguntou: - Mas Chico, o que ele está ditando a você? - Ele me disse que deveria começar a prova assim: “ O Brasil, descoberto por Pedro Álvares Cabral, pode ser comparado ao mais precioso diamante do mundo, que logo passou a ser engastado na Coroa Portuguesa...”.         Voltou à carteira reiniciando a prova, escrevendo tudo o que aquele “homem” lhe ditava. Enfim, sua prova e as dos demais colegas, foram recolhidas. Dias depois surge o resultado do concurso: ele havia ganhado com “Menção Honrosa”.

            - À noite, levantava-se agitado e conversava com os espíritos . De manhã, contava as peripécias de pessoas mortas, coisas que ninguém podia compreender! O pai resolveu levá-lo ao vigário de Matozinhos, que, após ouvi-lo, recomendou que o garoto não lesse mais jornais, revistas, livros. Disse-lhe que ninguém volta a conversar depois da morte. O menino chorava nos braços de sua madrasta, criatura piedosa e compreensiva. Ao conversar com sua mãe, triste por não ser compreendido por ninguém, escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que, quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebidas em sonho, que ficasse em silêncio. Precisava aprender a obediência para que Deus, um dia, lhe concedesse a confiança dos outros. E durante 7 anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não teve mais qualquer contato com sua mãe. Integrado na comunidade católica, obedecia às obrigações que lhe eram indicadas pela Igreja.

            - Ao completar nove anos de idade, vivendo num lar humilde com escassos recursos financeiros, seu pai conseguiu- lhe um emprego de aprendiz na Indústria de Fiação e Tecelagem da cidade. Levantava-se às seis da manhã para começar, às sete, as tarefas escolares e entrando para o serviço da fábrica 11 horas da manhã para sair às 2h da noite. Após quatro anos, deixou a fábrica e começou a trabalhar de auxiliar de cozinha no "Bar Dove". Aos 16 anos, empregou-se na venda do Sr. José Felizardo Sobrinho,como caixeiro em seu pequeno armazém, onde o trabalho ia das seis e meia da manhã às oito da noite. O último emprego de Chico Xavier foi como datilógrafo, funcionário público da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura.

            - Em 1927, quando tinha 17 anos, uma de suas irmãs caiu doente, com perturbação mental. Seu pai, desesperado, procurou o amigo José Hermínio Perácio, e sua esposa D. Carmem Pena Perácio, que eram espíritas. Então, com a ajuda deles e dos espíritos protetores, a jovem melhorou . E foi assim que se realizou a primeira sessão espírita no lar da família Xavier, em Pedro Leopoldo.  Na mesa estavam dois livros: "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e o "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Pela mediunidade de D. Carmem, sua mãe manifestou-se: "Meu filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à nossa frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra com seus deveres e, em breve, a bondade divina nos permitirá mostrar a você seus novos caminhos. " Depois da irmã de Chico ter sido curada, os amigos de seu pai manifestaram o desejo de fundar um centro espírita na cidade, com o objetivo de divulgar o Evangelho. Convidaram Chico a participar das reuniões. No mês seguinte deu-se a inauguração do  Centro espírita Luiz Gonzaga, ainda hoje existente.

            - Nos fins de 1931, apareceu-lhe o que chama de seu mentor espiritual ou espírito-guia, que pede para ser chamado de Emmanuel. Ele pretendia trabalhar com o Evangelho de Jesus, ao seu lado,  por um longo tempo. E lhe propõe três condições  para trabalhar ao seu lado: 1ª condição, DISCIPLINA; 2ª condição, DISCIPLINA; 3ª condição, DISCIPLINA. Aos 21 anos, o médium pediu orientação para seu mentor espiritual  sobre a complexa doença que tinha no seu olho esquerdo,  que lhe causava grande sofrimento.  Emmanuel o aconselhou a tratar-se segundo a medicina humana, e disse que como médium não teria privilégios, mas seria amparado pelo Alto.

            - Chico Xavier permanecia sempre em jejum e oração, alimentando-se apenas uma vez por dia e, mesmo assim, com uma refeição leve, de verduras e pouca carne, feita com pouco sal. Recebia um pequeno salário, vestia-se humildemente, possui apenas dois ternos, um do uso e outro da reserva. Além disso,  raramente repousava.   Seu tempo é, pois, todo repleto de bons exemplos.

            - Em 1931 , recebe os poemas do "Parnaso de Além -Túmulo", obra de 14 nomes da literatura brasileira, uma coletânea de 56 poesias, ditadas por Castro Alves, Augusto dos Anjos, Auta de Souza, entre outros ( posteriormente, publicada em 1932). Era o começo de uma longa tarefa mediúnica , que resultou em 412 livros psicografados . Através do seu trabalho mediúnico, também receitava medicamentos homeopáticos prescritos por Dr. Bezerra de Menezes; consolava mães que haviam perdido seus filhos, recebendo cartas dos parentes desencarnados. Além disso, prestava assistência a pessoas necessitadas , distribuindo sopas aos pobres.  Chico Xavier nunca recebeu um centavo pelos direitos autorais. Destinou todo o lucro de sua produção às organizações espíritas, para a aplicação em obras sociais.

            - Em 1944, com a publicação de obras assinadas pelo espírito Humberto de Campos, ocorreu um grande impacto no meio espírita,  pois a viúva do famoso escritor promove ação judicial contra o médium e a Federação Espírita Brasileira, a respeito dos direitos autorais devidos. O médium venceu a questão na Justiça,  mas devida a polêmica, o escritor passou a assinar suas obras como Irmão X.

            - Em 1959, transferiu-se para a cidade de Uberaba, pois o clima era melhor para tratar  da labirintite, doença que lhe causava muitos sofrimentos. Neste mesmo ano,  Chico e Waldo Vieira inauguravam lá, o centro espírita "Comunhão Espírita Cristã".

            - Na década de 1970, o juiz Orimar Pontes usou cartas das vítimas  psicografadas   pelo médium para julgar dois casos de homicídio em Goiás, na região Centro-Oeste. Em ambos os casos, os réus acabaram sendo absolvidos pelo juiz, pois haviam sido mortos por acidente.  Em 1971, participou do programa de televisão  “Pinga-Fogo”pela TV Tupi de São Paulo,  mostrando ao povo e às autoridades a verdadeira imagem da Doutrina Espírita.

            - Aos 81 anos, atormentado por sucessivas crises de angina, abatido por duas pneumonias graves e castigado por uma catarata crônica na vista, Chico Xavier teve que se ausentar do centro espírita durante alguns meses por recomendação médica. Em 2002, aos 92 anos, o maior médium brasileiro desencarnou com uma parada cardíaca, sem dor e sem sofrimento, em sua casa.

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