Vermelha de vergonha

Ainda estou vermelha de vergonha,

Sinto o rosto queimar,

Meu coração parece que apanha,

Preciso me acalmar,

Mas, se alguém me acompanha,

Vou minha história contar.

Tudo começou quando ganhei de presente

Uma carteira diferente.

Fiquei empolgada

Queria enche-la de trocados.

Enquanto papai o carro lavava, eu o ajudava;

Assim umas moedas sempre ganhava.

E minha carteira estufava

De repente virou mania:

Quando mais tinha, mais eu queria.

Por mais dinheiro querer

Acabei por feio fazer

Um dia, com o Lucas fui brincar

Brinquedos havia no quarto inteiro;

Mas senti sede, e água fui tomar

E vi na mesa muitas notas de dinheiro

Pensei:

Se uma dessas eu levar

Minha carteira mais cheia vai ficar

Puxei uma e no bolso escondi

E pra casa logo corri

Ao chegar, fui logo mostrando:

__Veja o que a mãe do Lucas me deu!!!

Mamãe olhou com espanto

E minha trama percebeu

Por que será que a mãe da gente

Sempre sabe quando criança mente?

__Mentira tem perna curta

E tudo o que furta

Será logo descoberto

E deixará o esperto boquiaberto

Com a mãe do Lucas, mamãe foi conversar

E num instante da verdade ficou a par;

Da mentira se certificou

E seu coração quão triste ficou!!!

Mamãe me chamou

E bem séria disse assim:

__Filha, o que não era seu você pegou

E ainda mentiu para mim

Quando papai chegou

Veio falar comigo;

Mas bravo não ficou, foi conversa de amigo:

__Filha nós não podemos mentir nem pegar as coisas

dos outros. Jesus ensinou a falar a verdade sempre

e assim devemos fazer.

Agora pegue este dinheiro e vá devolver

Eu tinha de ir

Não havia saída;

A mentira eu ia admitir

E uma bronca seria merecida

Toquei a campanhia da casa do Lucas,

Devolvi o dinheiro e pedi mil desculpas,

Mas nem bem terminei de falar,

Saí correndo para não chorar

Aprendi a lição

Ainda estou vermelha de vergonha,

Sinto o rosto queimar;

Meu coração parece que apanha

Mas já posso me acalmar

(Maria Coivo Villela)