O barro e o Oleiro

É um exemplo de bondade

O esforço nobre do oleiro,

Cuja grande atividade

Tem a base no lameiro

Muitos sentem aversão

Por sua tarefa hostil,

Dedicada, dia e noite,

Ao barro nojento e vil.

Seu trabalho é quadro rude

Que a lama invade e não poupa,

É barro, por toda a parte

No rosto, nas mãos, na roupa.

Seu serviço é tão ingrato

Junto à massa indefinível,

Que a tarefa mais parece

Um sofrimento invencível.

Mas todo barro mais pobre,

Ao toque do seu amor,

Fornece os vasos divinos

De formosura e valor.

Quanto mais tempo e trabalho,

Mais triunfa, mais se ufana...

E vemos a lama escura

Transformada em porcelana.

Além dessas jóias raras

De sublimes expressões,

É o oleiro quem dá corpo

Ás vossas habitações.

O tijolo faz a casa,

A telha cobre a mansão,

O homem ganha o seu lar

Que é templo do coração.

Nas estradas de miséria,

Não mais éramos que lama,

E eis que o Mestre no Evangelho

Nos esclarece e nos chama.

*

O Cristo é o Divino Oleiro

Que opera com perfeição;

Somos nós o barro vil,

Guardado na sua mão.

 (Cartilha da Natureza. Espírito Casimiro Cunha. Psicografado por Chico Xavier)