No esforço evolutivo: Ide e pregai o Evangelho*

No maravilhoso drama da evolução universal, é o homem, na Terra e no Espaço, valioso colaborador de Deus.

Se os Espíritos Superiores operam, no plano extrafísico, visando ao aperfeiçoamento dos encarnados, estes, por seu turno, empregam esforços no mesmo sentido, sintonizando-se, integrando-se na sublime tarefa do esclarecimento espiritual.

Não existem duas vidas distintas, separadas, independentes.

Há, pelo contrário, uma só vida, que se caracteriza por duas etapas.

A primeira, no mundo espírita ou espiritual, que sobrevive a tudo, que preexiste ao nascimento na Terra, consoante esclarece a Doutrina.

A segunda, após o nascimento, no mundo corpóreo, no chamado mundo material ou físico.

Essas duas etapas são, no entanto, correlatas.

Reagem uma sobre a outra incessantemente — informam os Instrutores Espirituais, esclarece a Codificação.

Quanto maior o número de almas nobres que venham a reencarnar na Terra, mais depressa ascenderá esta no concerto dos Mundos que, em fabulosos turbilhões, rolam pelo espaço imensurável.

De igual maneira, quanto maior o número de almas edificadas que retornarem da Terra, mais se purificará o ambiente espiritual nas regiões próximas à crosta.

Como se vê, a posição dos encarnados influi na vida do Além-Túmulo, quanto o comportamento dos Espíritos influi na paisagem física do Globo.

Urge, pois, haja simultaneidade no trabalho — neste sublime intercâmbio entre o Mundo Espírita e o Mundo Corpóreo.

A Humanidade terrena não pode, nem deve ensarilhar armas no afã de, combatendo as próprias deficiências, corrigindo as próprias imperfeições, preparar fortes contingentes espirituais que, mais tarde, voltarão infalivelmente ao mundo, a fim de ao mundo restituirem os valores sublimados e eternos aqui recebidos.

Quando Jesus, observando as lutas do proscênio terrestre, aconselhou o “ide e pregai o Evangelho”, não pretendeu, de forma alguma, fossem os discípulos, tão somente, levar conforto aos sofredores, consolação aos aflitos, bom ânimo aos desalentados do caminho.

Desejou, evidentemente, que, aldeia por aldeia, cidade por cidade, preparassem almas para o Reino que oportunamente haveria de construir no coração da Humanidade inteira.

Jesus veio, também, educar.

E o objetivo da pregação educativa do Mestre estende-se, tanto hoje como ontem, além fronteiras do nosso parco entendimento.

A palavra do Senhor é, simultaneamente, pão e luz na estrada.

Na Terra e no Espaço.

“Eu sou o pão da vida.”

“Eu sou a luz do mundo.”

Pão que alimenta, fortalece, encoraja.

Luz que esclarece, orienta, dá responsabilidade.

Comendo desse pão subjetivo, nutre-se o homem em definitivo. Não terá mais fome.

Banhando-se nessa luz, torna-se consciente do seu glorioso destino, artífice de sua própria evolução.

Entende que lhe cabe, na obra geral, coletiva, de aperfeiçoamento dos seres, uma contribuição que, por diminuta, nem por isso é menos valiosa.

Há, nessa colaboração, um mérito indiscutível: — o da boa vontade.

Aquele que sente, dentro de si, uma réstia da claridade divina, pode e deve influenciar no sentido de que todos co-participem do seu programa de aprimoramento.

Esta influência nem sempre se verificará pelo maior ou menor número de livros que escreve, ou de conferências que profere, mas pela efetiva exemplificação no Bem.

Na Moral e no Saber.

Se o contingente maior de encarnados se constitui, inegàvelmente, de seres retardados, infelizes, o campo de atividades do tarefeiro evangélico é muito grande.

A extensão desse campo desafia-lhe o esforço e a perseverança, o dinamismo e a resistência.

Inteligências menos desenvolvidas vagueiam nas sombras da Terra e do Espaço, reclamando orientação caridosa.

Nos desvãos do crime e da loucura jazem desventurados companheiros de jornada, aguardando simplesmente uma frase alentadora, um conceito renovador.

A palavra do Mestre continua ressoando, ressoando.

Imperativa e fraterna, por mensagem de Esperança.

“Ide e pregai o Evangelho”.

(Livro: Estudando o Evangelho. Martins Peralva)