Mãe, me dá um celular?

         - Mãe, me dá um celular?- é Lara, novamente pedindo à mãe a mesma coisa.
         - Filha, nós já conversamos sobre isso...
         - Mas, mãe, eu preciso muito de um... insiste a garota.
         - Será? Vamos fazer um teste? Tome caneta e papel. Você vai anotar tudo o que você acha que precisa ter. - desafiou Dona Carla.
         No dia seguinte, a lista de Lara estava enorme. Influenciada pelos comerciais na TV e pelos amigos, ela queria o celular, mas também canetas aromáticas, xampu Y, roupas da marca X, diversos brinquedos e muitas outras coisas.
         - O passo seguinte do teste - explicou a mãe - é riscar todas as coisas que você acha que não temos dinheiro para comprar. Lembre-se: temos que pagar a conta de água, de luz, o aluguel, a sua escola, comprar comida...
         - Entendi, mãe - Lara interrompeu.
         Ela começou, então, a riscar. Tirou da lista as roupas da marca X, e as botas Z, e muitos outras coisas, pois eram muito caras.
         O item seguinte era avaliar a utilidade, explicou Dona Carla. Pra que serviam mesmo as canetas aromáticas? Assim, muitas coisas foram tiradas da lista porque Lara já tinha, como uma mochila para ir à escola. A lista diminuiu bastante.
         - Certo, disse a mãe. O próximo passo é riscar tudo o que você quer só porque os outros têm ou porque está na moda.
         Ao final, não restaram muitas coisas na lista. Foi quando Dona Carla perguntou:
         - O que restou são coisas realmente importantes para você?
         A garota ficou pensando...
         - Você percebeu, filha, que achamos que precisamos de coisas que não são realmente necessárias, úteis ou importantes?
         - Mas precisamos de muitas coisas para viver... argumentou a garota.
         - É verdade, concordou a mãe. Mas, às vezes, imaginamos que precisamos muito de coisas inúteis ou que não podemos comprar. Não é errado querer ter conforto e aproveitar as coisas que temos. Mas o principal objetivo da vida não é adquirir coisas materiais.
         - A gente vale pelo que é, não pelo que tem - lembrou a garota.
         - Isso mesmo, disse Dona Carla com carinho. Cada pessoa deve ser amada pelo que é e pelo esforço que faz para possuir as virtudes ensinadas por Jesus: amor, paz, perdão, caridade... A verdadeira felicidade independe do que se pode comprar, porque ela vem da paz e do amor que temos no coração.
         Quanto ao celular, elas combinaram que Lara não ganharia o aparelho apenas porque está na moda ou os seus colegas têm. Mas, quando ela tiver realmente necessidade de um, se seus pais puderem comprar, ela terá o telefone, sim.

(Cláudia Schmidt)