Jesus e pureza

 Se foges de quantos se aprisionam ainda à trama do vício, a pretexto de garantir a virtude, lembra-te de Jesus que trazia consigo a pureza por excelência.

 Porque exprimisse a Glória Excelsa, não recusou nascer no estábulo humilde, convertendo a estrebaria singela em sublime revelação, sob a luz de uma estrela.

 Porque a simplicidade Lhe fulgisse no ser, não se negou a falar com os doutores do Templo, elucidando-lhes o cérebro hipertrofiado de orgulho, quanto às sagradas leis do destino.

 Porque fosse imaculado de intenção e conduta, não se furtou de socorrer a Madalena que claudicava na sombra, dela fazendo a mensageira da imortalidade triunfante.

 Porque expressasse o mais alto expoente da Luz Divina, de modo algum se afastou de quantos, paralíticos e enceguecidos, leprosos e dementados, se mantinham no mais baixo nível da treva humana, restaurando-lhes a esperança para a vida melhor.

 Porque andasse engolfado nas cogitações do Reino do Amor, que Lhe absorviam todo o tempo no mundo, não deixou de encontrar ensejo para afagar os filhos do sofrimento e as crianças sem rumo, refazendo-lhes o caminho.

 Porque exaltasse o desinteresse, não desprezou Zaqueu, cujas mãos se azinhavravam na usura, guiando-lhe o raciocínio para a Senda Superior.

 Porque brilhasse, leal a Deus, não desterrou Judas, o aprendiz infiel, da escola de trabalho em que se lhe desdobrava o ministério de redenção.

 Porque se erigisse em baluarte de integridade e segurança, não desamparou Simão Pedro, segregado nas armadilhas da negação.

 E, por fim, porque se mostrasse erguido à vitória da Suprema Ressurreição, não se encastela nos domínios celestiais, mas volta, depois, do túmulo, ao convívio dos desertores e dos ingratos, dos criminosos e dos verdugos que lhe haviam içado o coração no madeiro afrontoso da morte, prometendo-lhes amorosa assistência até o fim do séculos.

 Não confundas, assim, pureza com solidão, nem virtude com desserviço.

 Estende os braços para auxiliar e convive com todos aqueles que jornadeiam em teu caminho, ofertando-lhes o melhor, porque o bem verdadeiro não consiste em te ocultar do mal, mas sim em fazer do mal a lição para o bem.

 

(Mentores e seareiros. Espírito Emmanuel. Psicografado por Chico Xavier)