Fenômenos Psíquicos

            A PSICOLOGIA EDUCACIONAL  preocupa-se ainda com a natureza dos elementos e processos da atividade mental, bem como sua importância na formação da personalidade. Apresentamos aqui, noções de alguns deles: Motivação, curiosidade,   tendências, afetividade, emoções, instintos, sensação,    percepção, memória,    interesse e atenção.

            MOTIVAÇÃO

            Segundo Mc Connell, o problema mais importante do ensino é a motivação. Na maioria das vezes, o fracasso na aprendizagem é apenas fracasso na organização da motivação. Que é motivação? Que é motivo? Motivação é a ação de tudo aquilo capaz de impelir uma pessoa a determinado comportamento. Há motivação quando o individuo reage, mudando seu comportamento diante de um fato. Somente a motivação leva à ação. Mesmo existindo interesse na criança, somente um estímulo resultará em ação. Motivo é a predisposição para determinado comportamento, que o indivíduo desenvolve para satisfazer as suas necessidades.

            A motivação da criança torna-se clara e compreensível quando considerada através de suas bases subjacentes de necessidades, motivos, objetivos e auto-imagem. Satisfazer as necessidades da criança concorre para a dinâmica imprescindível. Deve o educador manter a motivação em nível ótimo, a fim de permitir a máxima eficiência na aprendizagem. Esta é uma das tarefas mais delicadas e importantes do educador.

            A criança é um "mundo de energias" e para dar vazão a essas energias, tem ela necessidade de múltiplas atividades lúdicas ou não, inúmeras formas de ação. É nas atividades que ela manifesta suas tendências e inclinações naturais. Quando utilizamos atividades dinâmicas com as quais o educando espontaneamente se afina, imediatamente surge uma reação ativa, em que a criança aplica-se naturalmente à aprendizagem.

            Normalmente o que atrai a criança às aulas de moral evangélica são as estórias, os filmes, os slides, jogos, material didático interessante, e também a simpatia e bondade do evangelizador, sua afeição por ele, assimilando os assuntos e pondo-os em prática, em função da atenção que ele lhe dispensa.

            1 - Funções dos motivos - Vimos que a reação não ocorre espontaneamente, mas como resposta a um estímulo.

            Os motivos têm três funções importantes:

            I) Ativam o organismo - a necessidade insatisfeita permanece ativa, levando a criança a manter ativo o motivo, até satisfazer-se.

            II) Dirigem o comportamento a um objetivo -todo  comportamento ativado é dirigido a um objetivo. Ex.: uma pessoa que sente sede, terá todo o seu comportamento voltado à satisfação de beber água.

            III) Selecionam e acentuam a resposta correta - os motivos ativaram o organismo, dirigiram o comportamento para o objetivo, e serão aprendidos (retidos) porque levaram à satisfação.

            Os motivos estão no interior do indivíduo, estando ele sempre motivado. Portanto, nossa tarefa é apresentar objetivos adequados. Toda aspiração em realizar o objetivo, isto é, essa predisposição natural para a ação, deve ser transformada em comportamento positivo.

            2 - Necessidade de motivação - Anteriormente já dissemos que não há aprendizagem sem motivação, e que a eficiência na aprendizagem é proporcional à intensidade de motivação. Isso explica, por exemplo, que a criança muitas vezes é capaz de reconhecer carros por marca e ano de fabricação, fato esse que muitos adultos médios não o sabem fazer. Tudo depende da motivação e da existência de interesse.

            A tarefa do educador é valer-se de muitos motivos existentes na aprendizagem, ou seja, no aprendiz, e dirigi-los em busca de objetivos valiosos. As crianças não fazem exceção à regra do adulto: possuem o impulso inato para atingir o próprio desenvolvimento e auto-realização. Tudo que o evangelizador tem a fazer é orientar seus esforços para o desenvolvimento.

            É importante que atividade em classe se relacione com toda a vida comunitária da criança, para que ela se interesse pelas atividades. Essas atividades devem satisfazer os anseios da criança e terem grande dinamismo, requerendo a sua atenção. Por isso, as aulas devem girar em torno de fatos comuns às crianças (vida no lar, na escola, etc.).

            3 - Objetivos valiosos - Nem sempre coincidem o objetivo do educador e o objetivo do educando. O educador hábil, deverá então relacionar os dois objetivos, fazendo com que se encontrem em determinado ponto e sejam satisfeitos, trazendo prazer à criança.

            Crianças de ambientes e classes sociais diversas não dão o mesmo valor a idênticos objetos. E preciso que o educador conheça os objetivos do grupo (seu ambiente, seus motivos, valores e intenções) para não "perder-se" na consecução dos próprios, ligando o programa a ser desenvolvido às necessidades do grupo.

            Todo conteúdo deve ser significativo para as intenções  da criança. Muitas vezes, a criança deixa de praticar satisfatoriamente as atividades do grupo, por não encontrar um objetivo real. Perderá tempo o educador que se restringir apenas a mostrar os erros à criança, ao passo que aquele que lhe mostrar como realizar melhor o trabalho, justificando a atividade, estará conquistando um discípulo.

            4 - Interesses - Os interesses estão ligados aos motivos, e também a fatores como idades, sexo e ambiente.

            O interesse por estórias cujos personagens são animais (bichinhos) vai até mais ou menos 6 anos; dos 7 aos 10 anos  o interesse é maior por estórias cujos personagens são crianças e adultos: a partir dos 11 anos as estórias de amor predominam, como também os fatos verídicos, históricos, etc. Se o interesse desenvolve-se gradativamente, aí está a tarefa do educador em desenvolver naturalmente o interesse da criança para objetivos valiosos. Pequenos incidentes dentro u fora de classe (brigas entre colegas, intrigas, amizades) geram assuntos que canalizam o interesse (e curiosidade) para o aprendizado de ensinamentos de valor.

            Nunca deixar que alguns poucos alunos deixem de atingir o objetivo: há perda de interesse. Evidentemente nem tudo interessa a todos. Daí a perspicácia do educador em captar a atenção do aluno desinteressado e disperso, colocando -o em atividade. O educador tende a transformar-se num ator, para contar estórias, chamando a atenção para coisas sensacionais, acentuando o dramático, baixando padrões tentando ser mais popular.

            5 - Incentivos - são condições intrínsecas ou extrínsecas que estimulam os motivos. Ex.: elogio, atenção, carinhos, respostas construtivas, etc.

            I - Incentivo intrínseco: Ex: a criança aprende a tocar um instrumento por prazer estético.

            II - Incentivo extrínseco: Ex.: a criança que estuda para  receber um prêmio de seu pai.

            Outro incentivo importante é a nota, não como fim, mas como meio ou estímulo à aprendizagem. Quando a criança recebe nota, sente-se analisada e quer receber o melhor. Para tal, esforça-se, aplicando-se muito mais. O educador precisa conhecer os motivos da criança e os incentivos a que respondem.

            6 - Elogio e censura - São ótimos trunfos do educador. Enquanto o elogio sensibiliza a criança na primeira infância, a censura é mais valorizada na segunda. Sendo arma de dois gumes, o elogio e a censura devem ser usados com bom senso e cautela, pois o excesso é destruidor.

            7 - Recompensa e punição - A recompensa estimula a aprendizagem. Quanto mais a criança valorizar a recompensa, mais se interessará em aprender. A recompensa é um aspecto positivo na aprendizagem, enquanto a punição é um aspecto negativo. Às vezes, a punição pode ser eficiente como medida disciplinar, porém suas consequências, quando mal aplicada, são contraproducentes: provocam angústia, ressentimento e antagonismo. Só é construtiva a punição dada com muito amor.

            8 - Êxito e fracasso - O êxito gera segurança; o fracasso gera insegurança e sentimento de incapacidade.

Incentivar o alcance do objetivo para obter êxito é de grande importância, e auxilia a formação do caráter e personalidade da criança. Recordar fracassos à criança, desestimula sua produção. Sempre que estiver diante de   um trabalho, recordará seu fracasso e se sentirá incapaz. Aí está a tarefa do educador, estimulando atividades gradativas, até desenvolver a segurança e vontade de produzir, no espírito infantil. Ex.: convidando as crianças a praticarem três boas ações, algumas voltarão contando suas realizações atingidas, satisfeitas. Outras voltaram dizendo que esqueceram-se da recomendação. Outras ainda, trarão fracassos. Errado estará o evangelizador que frisar, fixando os fracassos. As crianças perderão o interesse em obter novamente a prática das boas ações.

            9 - Competição - Competir é natural no ser humano. Por isso os jogos são importantes para a criança, pois entram  em  atividade extremamente dinâmica e dão vazão às suas energias. Deve-se ensinar a criança a "saber perder". Os jogos são extraordinários na fixação da aprendizagem. Nunca devem os jogos ser utilizados continuamente, pois provocam ciúmes, separam, criam ressentimentos e adversários na vida real.

            10 - O Professor e a motivação - A tarefa mais importante do evangelizador é estimular as crianças a fim de  concretizarem a auto-realização. O professor é a chave para   a motivação das crianças, pois de sua orientação depende o alcance do objetivo. Seu papel será o de compreendê-las,  conquistá-las, amá-las, fazer-se respeitar e amar. Deve o evangelizador ser sensível às necessidades da criança, ter imaginação para estimular seus motivos. Dar apoio moral à criança frustrada, mudar o trabalho da criança aborrecida, desenvolver o sentimento de auxílio-mútuo, tornando-as sensíveis às necessidades dos semelhantes.

            Pode o material didático ser excelente, a estória ser encantadora e o jogo ser exuberante, mas se não utilizados com sabedoria pelo evangelizador, o objetivo não será alcançado.

            TENDÊNCIAS

            Os impulsos, as disposições e inclinações são um aspecto do psiquismo que os psicólogos designam como tendências. São involuntárias, inconscientes e se traduzem sob a forma de atos (reflexos instintos, hábitos) ou sob a forma de afeto (emoções, paixões e sentimentos).

            Impulsos de nutrição, locomoção, expressões emocionais de prazer, desprazer, são tendências. As tendências evoluem segundo o reino a que pertencem. Nos vegetais encontramos os " tropismos" e nos animais inferiores, os "tatismos". À medida que o ser progride, passando para o reino hominal, de organização mais complexa, suas tendências são mais individualizadas e especiais, atingindo os hábitos. A tendência é um impulso irresistível e involuntário (é de natureza dinâmico-afetiva). É sempre acompanhado de prazer ou desprazer. Ex... Uma criança que vê outras crianças brincando, sente um impulso irresistível de juntar-se ao grupo e participar das brincadeiras. A tendência da criança à ação, diversão e expansão é inata.

            Surge então, a importância de o evangelizador aproveitar-se das tendências ao agrupamento e ao prazer, conquistando a criança para realizar a aprendizagem.

            As tendências são processos psíquicos difusos, isto é, não existe área específica onde possam ser localizados, sendo suas reações indefinidas. Sendo a tendência involuntária, o impulso tem origem num plano do psiquismo no qual a vontade não interfere e nem governa. O seu processo é sempre inconsciente.

            Numa classificação simples, encontramos os seguintes grupos:

            1 - Tendências à assimilação - levam o organismo a conservar-se e a reproduzir-se.

            2 - Tendências à ação - inumeráveis atos iniciam-se com irritabilidade e terminam pela locomoção e motilidade, fazendo com que o organismo atue.

            3 -Tendências à elaboração - dispositivos orgânicos que levam o organismo a transformar-se e criar.

            4 - Tendências à desassimilação - são impulsos dissociativos que vão da desassimilação celular e eliminação digestiva à auto-destruição e heterodestruição (suicídio e homicídio) levando o organismo à destruição e à morte.

            Segundo Sigmund Freud, as tendências se subdividem em 2 grupos:

            De vida ou eróticas - garantem a sobrevivência do indivíduo e da espécie.

            De morte ou tanáticas - conduzem ao desprendimento de si mesmo e à destruição. Nas espécies superiores, especialmente no homem, as tendências se manifestam de duas formas:

            5 - Difusa - traduzida por impulsos, inclinações ou predisposições gerais.    Ex: gostar de determinados    lugares abrigados, da companhia de outras pessoas, do silêncio, da contínua atividade , etc.

            6 - Especializada - é uma reação bem mais individualizada, que recebe o nome de instinto.

            INSTINTO

            Instinto é uma reação espontânea, motivada por uma necessidade interna, de organização invariável e suscetível de adaptação ao meio.

            Apesar de Aristóteles ter-se referido às atividades instintivas, somente no século XVIII é que a questão assumiu a forma sistemática.

            A psicologia behaviorista (Behavior) nega a existência do instinto, explicando-o como cadeia de reflexos reforçados pela repetição de situações idênticas. Porém, a maioria dos  psicólogos defendem a existência de um tipo de reação chamada Instintiva, que atua como fator de motivação profunda das necessidades e interesses humanos.

            Características do Instinto:

            1 - Espontaneidade o instinto se produz independentemente da aprendizagem. Ex.: o pássaro que nidifica, a criança que mama, a criança que balbucia, o patinho que nada, etc.

            2- Necessidade interna - motivos representados pelas tendências e não por aprendizado. Ex.: a criança curiosa que mexe em objetos dos adultos, apesar das proibições.

            3 - Uniformidade relativa -atos e movimentos da mesma espécie. Ex.: as crianças que brincam da mesma maneira, a mesma forma de caçar dos felinos, etc.

            4 - Educabilidade ou Adaptabilidade -possibilidade de os instintos serem modificados, por meio de hábitos ou da inteligência. Ex.: o instinto exploratório transformado em descoberta científica; o instinto gregário utilizado para modificação de comportamento, etc.

            5 - Classificação- São inúmeros os instintos. Apresentamos aqui, os que influem na conduta humana:

            I - Instinto gregário - busca da companhia dos semelhantes.

            II - Instinto de nutrição e reprodução - comer, beber, eliminar e reproduzir.

            III -Instinto de vocalização - construção da linguagem articulada que lhe serve como meio de expressão.

            IV - Instinto lúdico (brincar) - contribui para o equilíbrio das emoções. Aqui entra a competição.

            V - Instinto de investigação ou curiosidade - conduz o homem à pesquisa e à exploração. Este instinto é uma das mais importantes condições do progresso humano, quer no sentido individual ou desenvolvimento da personalidade, quer no sentido social ou da civilização.

            VI - Instinto criador - impulso de produzir elementos novos. Criatividade. Desde cedo o ser humano se interessa por tudo aquilo que é fruto de sua própria iniciativa.

            VII - Instinto de imitação - reprodução de movimento. Ex.: uma criança vê outra fazer careta. Sua tendência é imitar.

            É muito importante que o evangelizador eduque os instintos das crianças, modificando os instintos deturpados, precoces, tornando-os normais.                 Principalmente nos meios de pouca moral, os pequenos tendem a desenvolver anomalias em certos instintos. Se o grande trabalho do evangelizador é tornar "espiritual" o homem movido pelos instintos, dai a sua tarefa em fazer com que a criança conheça a si mesma, analisando-se tirando conclusões a seu respeito, corrigindo atitudes, canalizando energias deturpadas, esforçando-se para vencer más inclinações, iniciando desde cedo sua reforma íntima.

            Os instintos não devem ser extirpados repentinamente, mas substituídos por hábitos de valor e sadios. Referimo- nos aos maus instintos, isto é, más tendências. A repressão excessiva do instinto causa desajuste. Dar a tarefa do evangelizador em auxiliar a criança portadora de perturbações  derivadas do instinto deturpado e precoce, com toda a fraternidade, ajudando-a a vencer o "homem velho" de encarnações passadas e obscuras.

            De uma encanação para outra, o espírito traz sempre os  instintos principais, de vida, necessários à nova etapa encarnatória, qual roupagem própria para o ambiente a ser enfrentado. Mas, além dos instintos necessários a uma vida normal, traz também os fardos de inferioridades, de instintos malsãos, que devem ser extirpados pela ajuda dos pais e    dos educadores, orientando-o para uma vivência espiritual e cristã.

            O caminho do homem é deixar a vida instintiva pela espiritual, numa vida de meditação, reflexão e seleção de condutas. A vida instintiva é própria dos animais. O homem é razão e reflexão, sendo os instintos comandados pelo raciocínio.

            ATENÇÃO

            Atenção é um estado de concentração de energia psíquica sobre um fato ou um objeto, destacando-o dos simultâneos.

            A característica fundamental da atenção é a direção segura do pensamento. Quando mais tensão no pensamento, maior será a segurança. Normalmente, o espírito tende à dispersão, divagação, fenômeno intitulado ''disponibilidade mental''. Sem controle e segurança não há atenção.

            Na atenção, existe naturalmente a seleção de imagens. Quando surge a atenção, automaticamente existe a seleção e a escolha da imagem que ocupará a consciência.

            Quando o indivíduo permanece atento a algum objeto, há uma adaptação física e psíquica para melhor compreender o objeto. Quando atento, existe tensão no indivíduo, tensão essa dos movimentos, da mente e dos sentidos, num todo, na direção do objeto, redundando numa concentração de esforços.

            1 - Condições da Atenção:

            I) Fisiológicas - motoras (concentração dos músculos frontais) - circulatórias (hiperemia cerebral) - respiratórias (modificação do ritmo respiratório).

            II) Psicológicas - a )- No estado de atenção, a energia psíquica se concentra em dado objeto, tornando-o mais nítido e iluminado (objeto intrínseco ou extrínseco).

            b) - Redireção da atividade psíquica na direção do estímulo selecionado pela consciência abandonando os demais (inibição mental e curso de ideias).

            c) - Interesse - Se não houver interesse não há atenção. Apesar de confundido, interesse não é atenção, mas um dos fatores para que ela exista. O interesse é a atenção latente, e a atenção é o interesse em ação.

            2 - Efeitos da atenção :

            I) Aumenta a rapidez da percepção - Quanto mais atentos, mais percebemos.

            II ) Aumento da intensidade dos processos psíquicos - estes tornam-se mais nítidos.

            III)Decompõe os elementos do todo.

            IV) Associação de ideias - coordenação das representações mentais.

            3 - Propriedade da atenção:

            I) Campo da atenção - Dá-se este nome à totalidade dos objetos focalizados pela consciência. As experiências provam que, em média, o número de objetos focalizados não ultrapassa de 6 (seis), não havendo possibilidade de atentar para todo o conjunto. Muitas pessoas têm a ilusão de aplicar a atenção para muitas coisas simultaneamente. É errado, pois o foco atencional é dirigido a um objeto de cada vez. O resto do conjunto é percebido sem detalhes, superficialmente. Ex.: quando a criança olha uma boneca, só percebe os detalhes da boneca, permanecendo isolada do ambiente que a cerca, ou do que se passa à sua volta.

            II) Duração da atenção - São várias as discordâncias dos autores quanto à duração da atenção.

            III) Intensidade  da atenção - Varia, segundo: idade, capacidade de concentração, experiência anterior e educação em geral. Ex.: quando crianças, a intensidade de atenção para um brinquedo, era muito maior que a intensidade que dispensamos ao mesmo brinquedo, quando adultos.  

            4 - Patologia da atenção:

            I)Hipertrofia - limitação do campo da atenção, que fica acorrentada a uma dada ideia, para a qual emerge toda atividade mental. Ex.: obsessão, êxtase, etc.

            II) Instabilidade - No delírio, existe um ritmo desordenado no curso das ideias. Na embriaguez, não existe capacidade de selecionar os estímulos, havendo indecisão.

            III) Atrofia - Estado mórbido, apresentado pelos dementes e retardados mentais (idiotias, imbecis). Não há atenção espontânea, nem voluntária a não ser esporadicamente, como em ''relâmpagos''.

            5 - Espécies de atenção:

            I) Externa (o estímulo é externo) - Ex.: voltar-se para ouvir.

            II) Interna (o estímulo é interno) -  Ex.: pensar para falar.

            III) Passiva - (independe da vontade). Resposta imediata ao estímulo. Ex.: Ao receber um empurrão, a pessoa grita imediatamente.

            IV) Espontânea (estimulado por interesse) - Ex.: examinar um objeto numa vitrina.

            V) Esforçada (existe obrigação) : O aluno que faz exercícios escolares, embora preferisse brincar.

            A atenção esforçada pode também ser voluntária. Ex.: a atenção que aplicamos numa tarefa que não é do nosso agrado, mas cuja utilidade reconhecemos.

            6 - Atenção e Fadiga:

            Quando atentos a determinado fato, dissemos que existe adaptação física e mental ao fato. Consequentemente, surge desgaste na energia nervosa, dando aparecimento à fadiga.

            A fadiga surge por:

            I) desinteresse - Ao perceber desinteresse pelo assunto em pauta, o evangelizador deve mudar o foco atencional, a fim de retornar à dinâmica necessária.

            II) doença - crianças enfermas e subalimentadas tendem à fadiga.

            III) condições ambientais - frio ou calor intenso, falta de ventilação no ambiente, má acomodação, excessivo número de crianças.

            IV) atitudes anti-didáticas do evangelizador - tom de voz, excessiva repetição, movimentação cansativa, etc.

            V) duração excessiva da aula - Há um limite para a atenção em direção ao mesmo objeto:

            15 minutos para o Jardim (4 a 6anos)

            20 minutos para o Primário (7 a 10 anos)

            30 minutos para o Intermediário (11 a 14 anos)

            O total da aula deve ser de 40 minutos: (Jardim)

            15 minutos para a estória

            15 minutos para a atividade recreativa

            5 minutos para o canto

            5 minutos para a prece.

            O fator fundamental da aprendizagem é a atenção. Qualquer processo educativo tende a falhar sem existência de atenção. A melhor forma de captar a atenção da criança, é fazê-la participar ativamente das atividade em classe.

            CURIOSIDADE

            A curiosidade na criança é quase ilimitada. Tudo o que existe em seu ambiente (objetos, pessoas que se vestem, falam e agem desta ou daquela maneira) inclusive ela mesma, (quer saber tudo sobre o exterior e o interior do próprio corpo), é o objeto da curiosidade. E ainda as mudanças repentinas, provocam sua curiosidade é capaz de ficar examinando, durante horas, o novo carrinho que ganhou, ou o novo dentinho que lhe nasceu.

            Mais tarde, às mudanças físicas da puberdade são objeto de curiosidade igualmente intensa.

            Parece que quanto mais bem ajustada, maior é a curiosidade da criança, e que a egocêntrica é menos curiosa que a extrovertida. Quando não consegue que suas perguntas sejam respondidas, a criança certamente procura as respostas em outras fontes, (outras pessoas, leitura), a fim de esclarecer suas indagações a respeito daquilo que lhe interessa.

            Às vezes, a criança pode encontrar problemas que dificultam a satisfação da sua curiosidade, mas ela persiste e acaba descobrindo uma forma de alcançar seu objetivo, ainda que às escondidas.

            A curiosidade é uma emoção positiva, que precisa ser estimulada; se isto não acontecer, as consequências poderão ser graves. A criança perderá gradualmente a motivação para explorar o ambiente e procurar explicações, prejudicando inclusive seu desenvolvimento intelectual.

            Na escola antiga, a curiosidade era um vício ou insubordinação. Atualmente, os psicólogos classificam-na como virtude. A curiosidade da criança, através das perguntas, deve ser encarada com muita simpatia, e suas perguntas olhadas como bom pretexto para ensinar, evangelizando o espírito infantil desde a mais tenra idade.

            A curiosidade é mais intensa entre 3 e 7 anos: é uma boa  época para preparar o campo da alma ao importante plantio    dos preceitos e virtudes cristãs. Toda pergunta deve ser respondida, por mais distantes que estejam do assunto tratado. Nunca deixar a criança sem resposta, deve ser norma obrigatória.

            Quando o assunto estiver acima da compreensão da criança, deve o evangelizador nivelá-lo à capacidade da mesma,  utilizando-se de todos os meios possíveis para que haja o entendimento necessário. Nunca mentir e nem enganar, nem desviar sua atenção para outra coisa, para que o evangelizador não perca a confiança da criança. Além de nocivo é contraproducente, pois afasta a criança das aulas de moral cristã.

            Despertar a curiosidade é o melhor meio de haver interesse. A "sede de novidade" é natural na criança, que se aborrece muito com a inatividade e o cotidiano.

            Principalmente na juventude, é muito importante a questão da curiosidade. O adolescente é dispersivo e fugaz havendo necessidade de provocar situações que dependem de  seu interesse.

            A curiosidade deve existir durante toda a aula. No momento em que o evangelizador perceber decrescência na curiosidade, iniciando-se a monotonia, deve utilizar-se dos mais diversos recursos para novamente captar interesse. Argumentos, fatos, estórias, atitudes repentinas, perguntas, mistérios, movimentos e recursos audio-visuais, chamam constantemente o interesse da criança.

            O evangelizador, para atingir o seu objetivo, muitas vezes tem de assumir o papel de verdadeiro ator. Porém, o importante é alcançar o objetivo.

            SENSAÇÃO

            Durante séculos, a hipótese dominante era a que tomava a sensação como átomo psíquico. As sensações associando-se entre si, dariam origem a fenômenos mais complexos, tais como; a percepção, a lembrança, a ideia, o juízo, etc.

            A doutrina sensualista (com base nas sensações) surgiu no século XVIII (Hobbes, Locke), mas por sua vez transformou-se no Associacionismo (século XIX). Esta corrente assentava todas as explicações dos fenômenos psíquicos nas   associações das sensações, imagens e ideias.

            Sensação é um fenômeno psíquico primitivo, elementar, provocado por um estímulo sobre os órgãos dos sentidos. A sensação é uma impressão sensorial. A sensação só se produz quando o órgão periférico foi excitado.

            Para haver sensação, é necessária a existência dos seguintes fatores:

            a – estímulo

            b - órgão dos sentidos

            c - a via sensitiva

            d - o centro sensitivo

            O estímulo provoca nos órgãos sensoriais periféricos uma excitação, que sob a forma de um impulso nervoso, será conduzida aos centros nervosos das diversas regiões do cérebro.

            1 - Características da Sensação

            I - Consciência - fenômeno subjetivo consciente.

            II - Modalidade - diversificação entre as sensações. É inconfundível a sensação visual, a sonora, a olfativa.

            III - Qualidade - diversidade dentro de uma modalidade. Ex.: sensação visual do azul, do verde, etc.

            IV - Intensidade -força da sensação. Podemos acusar sensações mais fracas e mais fortes. Ex.: frio-gélido; visível-nítido; claro-brilhante, etc.

            V - Duração - é o tempo em que se demora na consciência sob a forma de imagem. A sensação dura tanto quanto o estímulo.

            A sensação pode ser provada também por um estímulo  interno (do próprio organismo). Ex.: a dor é um estímulo    interno. Não existem sensações puras e isoladas. A sensação é sempre interpretada (percepção). A sensação é de importância capital para a sobrevivência do homem e do animal. Pode-se sobreviver se não houver funcionamento da visão ou da audição, mas se não houver tato e dor, não há possibilidade de sobrevivência. Sem sensação, não há vida psíquica. Ex.: estado de coma.

            2 - Exemplos de Sensacões:

            Estimulo:

            luz; som; calor.

            Orgão dos Sentidos:

            Visual; auditivo; tato.

            Orgão Sensorial:

            Retina; orgãos de Corti; corp. de Ruffini.

            Sensação:

            Cor; claridade; sons, ruidos;  quente.

            PERCEPÇÃO

            Deve-se à Gestalt ou Psicologia da Forma, através de seus representantes Wertheimer, Kohler, Kofka e Wheeler,  Guillaume e outros, as maiores renovações da psicologia experimental.

            A percepção é uma sensação interpretada, isto é, processo interno dependente da capacidade do indivíduo. Para haver percepção, é necessário um conjunto de sensações.

            1 – Características

            I - Unidade e simplicidade- A percepção é simples.  Tudo é aprendido num conjunto (as situações, os fatos, os objetos) numa só unidade. Ex.: uma paisagem, um   quadro, um rosto.

            II - Realidade -Toda percepção nos dá impressão de realidade. Ex.: um sol escaldante. Porém, às vezes a impressão de real é uma ilusão. Ex.: miragem no deserto, alucinação, etc.

            2 - Função da Percepção

            A percepção é considerada por Pierre Janet, o mais alto fenômeno psíquico. Através das sensações, a percepção registra o mundo exterior e o interior, constituindo enorme bagagem de conhecimentos e experiências que posteriormente serão selecionados pela inteligência.

            A percepção adapta o psiquismo humano à vida e ao universo circundante, ajustando o ser humano, harmoniosamente, desde o berço, ao meio ambiente.

            3 - Evolução da Percepção

            À medida que os órgãos dos sentidos se desenvolvem, a  capacidade de perceber evolui. Em princípio, a percepção permite a aquisição de movimentos e da comunicação   (linguagem). Após, rapidamente o mundo ambiente e exterior vai sendo representado por novas percepções. As percepções infantis são diferentes dos adultos:

            I -1 a 2 anos - Impressões subjetivas, em desacordo com a realidade. Inicialmente, percebem os seres e os objetos, mais tarde, as ações e os detalhes;

            II - 2 a 11 anos. - Há intenso progresso, que tende a  completar-se no surgir da adolescência;

III - adolescência - desaparece a globalização das ideias surgindo a estrutura das coisas. Sofre a percepção, nessa época, a influência da exaltação afetiva, característica da fase.

            4 - Capacidade de percepção

            Embora hajam pequenas variações, segundo a idade cronológica e mental da criança, convém ao evangelizador conhecer a capacidade de percepção dos alunos. As crianças conhecem unitariamente os objetos, sem analisá-los e decompô-los.

            Assim, a criança tende a representar as coisas, da seguinte forma:

            I - no desenho as figuras apresentam-se como um  bloco: sem contornos e detalhes.

            II - na linguagem -utiliza-se do simbolismo e da generalização: além do pai e da mãe, as demais pessoas são "tios", e os animais são "bichos".

            III - nas definições - a utilidade dos objetos é posta em relevo.

            IV - nos brinquedos - escolhe o mais simples.

            V - na leitura -prende-se mais à frase do que à palavra.

            5  - Três fases de observação das gravuras:

            I - Fase da substância (enumeração) até 4 anos. Não percebe relação existente entre as formas e figuras; tudo é um aglomerado em algo isolado.

            II - Fase da ação -(descrição) 4 a 6 anos-Percebem alguns detalhes e ações, e têm interesse por eles.

            III - Fase da relação - (definição) - Inicia-se aos 6 anos.   Existe completa observação e interpretação do percebido. As coisas representadas e os seres passam a ter relações entre si.  

            As crianças percebem primeiro as figuras humanas, depois os animais, depois os objetos, instrumentos e vegetais.

            6- Como educar a percepção

            Aguçar os sentidos não é educá-los. O importante papel  do evangelizador quanto à percepção, é aumentar a capacidade de as crianças apreciarem, distinguirem, compararem e interpretarem as impressões causadas. As impressões devem ser percebidas com exatidão. Esse trabalho do evangelizador trará o desenvolvimento da inteligência com bastante riqueza, diminuindo muito a margem de ilusões ou de erros de interpretação. Deve o evangelizador ensinar às crianças a apreciação em seu justo valor, quanto às impressões captadas pelos órgãos dos sentidos. Isto é educar a percepção.

            7 - A percepção e os órgãos dos sentidos

            A criança dotada de defeitos nos órgãos dos sentidos,  não estará em condições de ter a mesma produção da criança perfeita. A boa percepção implica a integridade fisiológica dos órgãos dos sentidos. Um aluno que traz problemas de visão (miopia, hipermetropia, etc.) ou de audição, não   poderá reagir bem se não há entrosamento perfeito com o que o educador ensina, podendo à primeira vista parecer capacidade infranormal, que na realidade não lhe cabe. Daí a atenção do evangelizador em testar a capacidade visual e auditiva do aluno, e em caso de deficiência, encaminhá-lo ao devido tratamento médico.

            O INTERESSE

            Durante o tempo em que estão livres para se distrair, algumas crianças ficam ocupadas com sua coleção de figurinhas, outras entregam-se à leitura ou andam de bicicleta entretêm-se no bate-bola ou com brinquedos. E há ainda na grande variedade de ocupações a que costumam dedicar-se.

            A escolha de uma determinada atividade depende do interesse que ela desperta. Toda criança só se sente interessada pelas coisas que Ihe proporcionam satisfação, achando aborrecida qualquer ocupação que não contribua para seu bem estar. À persistência do interesse é variável: enquanto o pequeno acha que uma determinada atividade lhe traz benefícios, continua interessado. Mas, quando a satisfação desaparece, consequentemente, o interesse também termina.

            O interesse sempre corresponde a uma necessidade. E é tanto maior quanto mais forte for essa necessidade. Por exemplo, o garoto que precisa de muitos amigos, tem interesse por toda a atividade que propicie contatos sociais. E se esses contatos não forem suficientes para fazer amigos o interesse não vai desaparecer, mas voltar-se-á para outros canais que satisfaçam melhor aquela necessidade. O pequeno provavelmente começará a brincar com amigos imaginários ou com o animal de estimação.

            Do desenvolvimento físico e mental dependem os tipos de necessidade e interesse. A criança não pode ter interesse por jogos de bola enquanto não tem a força muscular necessária para desenvolver essa atividade. Do mesmo modo, não se interessa por estórias se ainda não é capaz de compreendê-las.

            Algumas crianças se desenvolvem mais rapidamente que outras, tornando seus interesses diferentes daqueles dos companheiros da mesma idade. Assim, o desenvolvimento precoce, gera problemas de aceitação social, pois os outros consideram a criança “metida" e procuram afastá-la do grupo. O desenvolvimento lento, também causa dificuldades de aceitação: o pequeno é rejeitado pelo grupo porque seus interesses são muito infantis.

            Da mesma maneira que o fator físico e intelectual as influências do ambiente desempenham um papel importante no desenvolvimento dos interesses. Os adultos, os companheiros com quem a criança convive, determinam em boa medida não   o tipo como também a intensidade dos interesses.

            O ambiente em que a criança vive nos primeiros anos  ao mesmo tempo em que estimula o desenvolvimento de    certas preferências, pode levá-la também a não se interessar por atividades que lhe trariam muitos benefícios.

            Os fatores emocionais também interferem no desenvolvimento dos interesses. Quando, por exemplo, a criança  não gosta do evangelizador, muitas vezes acaba por não sentir interesse pelos assuntos tratados, e em certos casos,   deixa até de gostar da escola. Se ao contrário, ela gosta do   evangelizador, tende a se interessar pelo que ele ensina, e esse sentimento chega a generalizar-se em relação à escola.

            O desenvolvimento dos interesses depende ainda das influências culturais. Os pais, os adultos e os mestres com  quem a criança convive, procuram incentivá-la a adquirir interesses que o grupo cultural considera apropriados.

            O interesse desempenha função importante no desenvolvimento da criança, principalmente porque é fonte de  motivação para a aprendizagem.                 Quando o pequeno está interessado, esforça-se muito mais para aprender. Mas só se   interessa pelas coisas que podem satisfazer suas necessidades pessoais. Levando-se isso em conta, é preciso proporcionar experiências de aprendizagem que estejam de acordo com tal necessidade. Entretanto, a maior parte das necessidades são adquiridas, e se a criança recebe estímulo, passa    a interessar-se por atividades que antes não a atraiam.

            Quando o interesse é indesejável, deve-se substituí-lo por outro que contribua para o bom desenvolvimento.

            Que é o interesse?

            É uma atitude afetiva, um estado emocional, um sentimento de atração em direção a um objeto ou a um fato.

            É uma consequência de uma necessidade biológica do indivíduo, sendo um dos fatores-base para haver aprendizagem. Sem interesse, não existe aprendizagem. O interesse existe de acordo com a idade, sexo e ambiente.

            1 - Como cultivar e aproveitar os interesses da criança.

            Normalmente, a criança é atraída para a Escola de Moral Cristã pelas estórias e atividades recreativas. Se a Escola situar-se ao lado de uma favela, o interesse das crianças residirá principalmente na alimentação que poderá adquirir. Dificilmente surge uma criança com interesses conectados à aprendizagem da Doutrina.

            Sendo as emoções e atitudes ativas contagiantes, envolventes, afirmamos que o modo de ser do evangelizador, sua alegria, personalidade e atitudes mentais influirão grandemente para despertar interesse e atenção das crianças, canalizando essa predisposição inata e peculiar para o ensino da moral cristã. Para tanto, é necessário relacionar os assuntos do programa a ser aplicado, com atividades idênticas à da vida dos pequeninos.

            Quando as crianças começam a frequentar a Escola, não têm ainda interesses específicos e gostam de tudo que se relaciona com brincar. Por volta dos 10 anos é que seus interesses passam a ser específicos e passam a valorizar o que aprendem.

            2 – Classificação

            O interesse pode apresentar-se intrínseco e extrínseco.

            I - Interesse intrínseco - Reside no assunto da aprendizagem. Ex.: o interesse pelo conhecimento da Doutrina Espírita.

            II - Interesse Extrínseco - Reside em motivos alheios aos objetivos da aprendizagem. Ex.: interesse pelo conhecimento da estória.

            3 - Evolução do Interesse

            Os interesses não permanecem, mas evoluem à medida que a criança se desenvolve. Quando um assunto é recebido com interesse no ciclo do Jardim, ao ser aplicado no Primário, o interesse já não é o mesmo, com diminuição marcante.

            Com o constante aumento de seu circulo de amizades e  atividades, tende a criança a adquirir novos conhecimentos e automaticamente, novos interesses. À medida que avança em idade, deixa de ter interesses, propriamente infantis, passando a concentrar-se no mundo dos adultos. Daí, sua exigência é maior na seleção de assuntos a serem discutidos na EMC.

            O psicólogo Claparéde classifica em 3 estágios, a evolução dos interesses: Estágio de Aquisição, Organização e Produção.

            Aquisição - O estágio de aquisição abrange a idade lactente, a primeira e a segunda infância.

            I - Idade Lactente  ( Fase de interesse perceptivo )  - Vai até 2 anos. A criança se interessa por tudo que venha impressionar-lhe os sentidos: objetos coloridos, toques de sino, música, o balançar do chocalho constitui grande atração. À medida que aprende a sentar,  ficar em pé, engatinhar e andar, a visão do mundo vai se modificando e os interesses também se diversificam.  É também um período de interesses glóssicos. A criança inicia o seu interesse em articular palavras.

            II - Primera Infância (Fase de interesses gerais) - Nesta, fase, a criança descobre o mundo: observa, compara, reflete, inventa. Aos poucos, reconhece e compara tamanhos e formas, dispõe cubos um ao lado do outro, empilha-os ou faz trenzinhos. É dispersiva, com interesses curtos; sua capacidade de atenção é pequena. Interessa-se em brincar só, até os 5 anos. Após, existe interesse em agrupamentos. E a idade dos porquês, da imitação e da atividade lúdica.

            III - Segunda Infância (Fase de interesses especiais) - Vai de 7 a 11 anos. A criança nesta fase, valoriza o trabalho em si mesmo, constituindo a atividade apenaso meio de atingir o objetivo. Nesta fase a criança já não  se interessa por atividades solitárias. Procura cada vez  mais participar das atividades em grupo. Interessa-se por estilos de roupas, determina tipos de atividades lúdicas  e desenvolve idéias por direitos e deveres. E ainda nesta  fase que, compreendendo o comportamento e os sentimentos dos que a cercam, a criança é capaz de ter pena  do sofrimento alheio e sensibilizar-se com as emoções de outras pessoas. Percebe então, o que significam verdadeiramente a solidariedade e o senso de boa camaradagem. Sente necessidade de conhecer a causa e o efeito das coisas. É nesta idade que surge a mentira intencional. São  acentuadas as noções de semeihança e diferença.

            4 - Organização

            Este estágio abrange a adolescência (Fase dos interesses socias). O jovem liberta-se do egocentismo, buscando convívio constante com o próximo. Movido pelas emoções, é o adolescente alegre, sensível, generoso, otimista. É inseguro, revelando-se agressivo para auto-afirmar-se. Interessa-se pela política, filosofia e religiões.

            Quanto ao desenvolvimento racional, o adolescente interessa-se por coisas novas: leitura constante, meditação quanto à lógica das coisas, com grande poder de abstração. É o estágio de organização uma fase de equilibração e  preparo para penetração na idade adulta, principalmente no que diz respeito ao aspecto emocional e social.

            5 - Produção

            Os interesses estão estabilizados pelas diretrizes tomadas. O indivíduo já organizado, constrói, produz, luta, vive plenamente e compreende o mundo, com todas as capacidades e  aptidões desenvolvidas.


            MEMÓRIA

            A memória é um complexo conjunto de funções do psiquismo. É importantíssima a memória na existência do indivíduo, pois ela permite a continuidade da vida, não apenas conservando a experiência passada, mas atualizando-a na reação presente.

            A memória se fundamenta nas funções de fixação, conservação e atualização da experiência, sob a forma de recordações, de terminando a continuidade do ego (eu).

            A memória é a função conservadora da atividade mental, que torna a vida psíquica contínua.

             1 - Características - Entre as principais temos:

            I - Conservação - (retenção da experiência passada).  Ex.: a criança que se queimou com uma chama, passa a  ter mais cuidado com o fogo, porque reteve a lembrança  da dor.

            II - Continuidade - ( reintegração da experiência passada). Ex.: a pessoa que age com ponderação por ter, através de inúmeras experiências, adquirido esta atitude mental.

            2 - Espécies de Memória - (quanto à complexidade )

            I - Memória reprodutora ou mecânica -aquela em que as  lembranças se fixam e se desencadeiam por associações habituais. Ex.: decorar uma poesia (associação inconsciente).

            II- Memória criadora - por um esforço voluntário, as lembranças são fixadas, evocadas e reconhecidas. O passado se ajusta ao presente,emprestando uma significação nova à situação atual. Intervém aqui a compreensão inteligente e a crítica. Ex.: recordar experiências passadas,que já tomaram outro aspecto na atualidade.

            O evangelizador poderá utilizar-se da memória criadora,  com ótimos resultados. Através das narrativas, ele irá ajustando o raciocínio da criança com as diretrizes da moral cristã,  fixando a solução dada ao problema, o mais possível. Posteriormente, diante de uma situação idêntica ou semelhante, a criança selecionará no arquivo da memória, a solução adequada ao caso, e repeti-la-á, com as modificações necessárias pela sua segurança adquirida nas aulas.

            Daí a importância de apresentarmos situações valiosas e marcantes, convidando a criança à memorização de fatos reais de sua vida, de estórias, relacionadas com a narrativa. Essa fixação é marcante e inesquecível pela participação ativa do "eu".

            O desenvolvimento da memória criadora, dá à criança a capacidade de solucionar problemas novos, baseando-se em  soluções anteriores, atualizando-as com as modificações necessárias. A memória criadora é indispensável nas tarefas  que exigem imaginação, reflexão e inventividade.

            3 - Funções da Memória

            I - Fixar - armazenar, reter ou fixar uma experiência  sob a forma de imagens, ideias e sentimentos. Lembranças são resíduos com que a memória reconstrói o passado. A afetividade é uma das mais poderosas  condições de fixação das lembranças. Outra condição importante é o esforço de concentração sobre dado objeto.

            II - Evocar -evocar é esforçar-se voluntária e conscientemente por reproduzir lembranças. Ex.: o aluno que  descreve um episódio que assistiu na rua. Apesar de todo  o esforço, o pensamento espontâneo continua a ser o  predominante. Apenas a vontade e a inteligência orientam e discriminam as lembranças que se encadeiam.

            III - Recolher ou localizar - situar a lembrança no tempo  e no espaço. Ex.: lembro-me que vi tal pessoa, em tal  lugar, em tal ocasião.

            AFETIVIDADE

            Afetividade é o conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções, sentimentos e paixões acompanhados sempre de prazer, satisfação ou insatisfação, alegria ou tristeza.

            1- Classificação -Não se pode propriamente falar em classificação para os fenômenos afetivos, mas poderemos distinguir três espécies: emoções, sentimentos e paixões.

            I - Emoções - São reações de prazer ou desprazer, com grande intensidade e pouca duração. As emoções podem ser:

            A - Egoísticas (referem-se à conservação do eu) Ex.: a  alegria que experimenta o indivíduo sedento quando reencontra, por fim, a água.

            B - Ego-altruisticas (referem-se à conservação da espécie). Ex.: a alegria da mãe que dá a luz a um filho.

            C - Altruisticas (inclinação à simpatia e ao convívio  com os demais) Ex.: a indignação revoltada ao saber  que uma bomba matou os habitantes de uma cidade.

            II  - As emoções estão intimamente ligadas aos instintos e tendências. As emoções são a forma mais primária de afetividade. Sentimentos - São estados afetivos agradáveis ou deagradáveis, mais brandos e mais duráveis que as emoções. Toda a vida psíquica do homem, todas as suas relações com os seres, com a natureza e com a sociedade, é constituída por uma delicada trama de sentimentos agradáveis e desagradáveis, que motivam sua conduta. Não há  ato humano que não seja acompanhado de sentimento de prazer ou desprazer. Os sentimentos são a forma mais complexa de afetividade.

            III  -  Paixões - é um estado tenso de prazer ou desprazer, de durabilidade proporcionalmente grande. A paixão é monodéica, isto é, gira sempre em tomo de uma só ideia, podendo consistir numa pessoa, numa concepção religiosa ou política, num instinto ou tendência. Tanto  podemos encontrar a paixão política, paixão patriótica, guerreira, paixão mística, etc. As paixões são as formas  raras de afetividade, e são por excelência, a fonte de atividade criadora.

            2 - A Criança e a Afetividade

            Toda criança, relacionando-se com o mundo através de seus órgãos sensoriais, está apta a recolher no ambiente, impressões que provocam um cortejo de emoções. Algumas agradáveis, lhe causam prazer, e outras, ruins, lhe causam insatisfação. Muitas crianças não recebem com frequência razoável, estímulos a emoções positivas, tais como a curiosidade, a alegria, o prazer, o amor e a afeição. Sofrem de carência afetiva, mal que lhe traz sérias consequências,  como por exemplo, não atingir o desenvolvimento mental de que é capaz. Tende a tornar-se apática, aborrecida, sem interesse, pouco imaginativa e frustrada de uma maneira geral. A falta de elogios e recompensas pelos seus esforços realizados, tira do trabalho infantil o prazer de  ver reconhecido o seu valor.

            Desde que nasce, o bebê vai associando o prazer de alimentar-se, receber afagos ou sentir aliviadas suas dores ou desconfortos, com a presença de uma pessoa, normalmente a mãe. Tem por ela grande carinho, ao mesmo tempo que  percebe quanto seu prazer depende de sua pessoa. E assim, desenvolve a dependência afetiva.

            Toda criança precisa receber afeto constante e adequado. É indispensável que a criança se sinta amada e querida, para que se desenvolva bem e seja bem ajustada emocionalmente.

            Privada de carinho até os 5 anos de idade, a personalidade da criança estará seriamente afetada e os ajustamentos  posteriores vão mostrar-se deficientes. O período crítico es- tende-se dos 6 meses até os 5 anos de idade.

            A partir dos 2 anos a criança inclui a si mesma, seus brinquedos e pessoas entre os objetos de sua afeição. Não distingue os objetos inanimados dos animados: é capaz de amar igualmente um membro da família, um ursinho ou um  velho cobertor.

            É nessa fase que define a forma de amor. Criança rejeitada, responde com um comportamento negativo. Se a experiência perdura, sua reação será tornar-se cada vez mais egocêntrica.

            Aos quatro anos, inicia sua independência emocional em  relação a crianças e adultos fora do lar .

            Na escolaridade aprenderá que demonstrações exageradas de afetos são muito infantis, e passará a controlar-se  mais. Importante, de fato, é a capacidade de afeto. Crianças capazes de estabelecer laços afetivos com outras pessoas recebem mais amor, e estão aptas a retribuí-los. Por isso, crescer em ambiente que possibilite experimentar alegria e afeição é decisivo para o equilfbrio emocional da criança. Não podemos esquecer que os padrões de personalidade desenvolvem-se nos primeiros anos de vida e mantém-se imutáveis pela vida afora. Se nessa época se possibilitar à criança  sentir alegria e demonstrar afeto com toda a liberdade, esses padrões se estabelecerão e dificilmente mudarão na idade  adulta.

            O evangelizador deve esforçar-se por conhecer a afetividade da criança no, próprio lar, inquirindo sempre quanto ao seu relacionamento com os pais e familiares.

            É importante fazer com que a criança sinta-se sensibilizada com o que aprende na EMC, despertando a sua afetividade  para as coisas sublimes, divinas, que contam do valor do amor fraterno, da bondade, do altruísmo, incentivando-a desde cedo a ingressar nas fileiras do Bem, sendo responsável, analisando os próprios atos e comparando-os aos modelos positivos.

(Programa para a infância. Federação Espírita do Estado de São Paulo. Área da infância, juventude e mocidade, 1998).