Fazer o bem, sem olhar a quem

         A família entrou no consultório falando alto: pai, mãe e filha não se entendiam.
         A pediatra que tratava o corpo, mas também a alma, tentou acalmá-los, para que pudesse verificar qual era o motivo que os trazia até ali.
         A menina, uma quase adolescente, não tinha nada de grave fisicamente, e a consulta parecia sem mais um pedido de socorro daqueles três corações em conflito. Mas qual seria a dificuldade? Ciúmes do irmão mais novo? Problemas na escola? Relacionamento difícil com os familiares?
         A menina, com certeza, tinha muitas coisas materiais, mas conversando com ela era possível perceber que ela não sabia utilizar o que possuía para sua felicidade e dos outros, estando sempre insatisfeita e mal-humorada.
         A falta de objetivos, além do grande desejo de ter muitas coisas materiais, era evidente em todos naquela família. Aproveitando uma oportunidade, a médica falou sobre o objetivo da vida: evoluir, desenvolver as virtudes que trazem felicidade. Falou também da Lei de Causa e Efeito e de como é importante o que pensamos e fazemos, pois emitimos energias, positivas ou negativas. A pediatra falava de um jeito tão natural e amoroso que conseguia envolver desde os pais, até a menina, na reflexão.
         - Mas tem hora que eu não sei o que fazer, e quando vi, já fiz a bobagem! - desabafou a menina.
         - Isso também acontece comigo, lembrou a médica. E sabe o que eu faço? Quando não sei o que fazer, eu penso: “O que Jesus faria nessa situação?” Então, logo sei qual a melhor atitude. Mas se errei, procuro pensar: “E agora, o que posso fazer para consertar?” E tento fazer algo de bom logo em seguida, se possível para a pessoa que prejudiquei, ou então para outra pessoa.
         A jovem médica sabia que cada consulta era um momento especial, pois sempre podemos fazer o bem, seja qual for a nossa profissão. Em pensamento, ela fez uma prece de agradecimento por conhecer a Doutrina Espírita que lhe oportunizou entender tantas coisas, tornando-se luz em seu caminho. Orou também por aquela família que, naquele momento, precisava aprender e praticar os ensinamentos de Jesus para encontrar o caminho da harmonia e da felicidade.
         Esse foi mais um dia de muito trabalho para a pediatra, mas ela atendeu a cada criança, cada família, com muito amor e dedicação, colocando em prática o seu objetivo nesta vida: “Evoluir, semeando o bem; ajudar, sem olhar a quem.”

(Claudia Schmidt. Fonte: Grupo Espírita Seara do Mestre)