Doutrina e aplicação

          Filhos, o Senhor nos abençoe.

          Somos defrontados hoje por impositivos da fé que realmente se nos mostram por obrigações de caráter inadiável.

          Achamo-nos, sem dúvida, à frente de um mundo — nossa casa — atravancado de problemas que a nós outros compete resolver.

          Lutas, conflitos, dificuldades, desafios de variada espécie nos convidam à divulgação da Doutrina de Amor e Luz, a cujo engrandecimento estamos convocados, cada qual de nós na posição em que se encontra.

          Por isso mesmo, já que estudais a virtude, reflitamos na expansão dos princípios espíritas evangélicos como sendo a demonstração generalizada e simples da virtude do Cristianismo Redivivo no Espiritismo, a porta libertadora de nossos corações no rumo da emancipação com o Cristo de Deus.

          Entretanto, filhos, a divulgação a que nos reportamos será, sim, a da exposição verbal de nossas teses edificantes mas sobretudo a prática dos ensinamentos a que se nos afeiçoam ideia e coração.

          Acrescentemos Espiritismo às nossas atividades cotidianas.

          Mais amor no exercício de nossos deveres, mais luz em nossa palavra.

          Em casa, aditemos Doutrina às nossas mínimas atitudes, a fim de que o lar se nos mantenha por santuário bendito do aperfeiçoamento espiritual a que nos empenhamos e,   10   em nossos grupos de serviço, apliquemos Doutrina em nossos gestos mais obscuros, de vez que no instituto doméstico e em nossa equipe de trabalho é que surpreendemos os mais difíceis problemas de ordem espiritual para a iluminação do futuro.

          Isso porque é no ambiente mais íntimo da experiência terrestre que acolhemos os laços mais sublimes do amor e os elos mais aflitivos das aversões que nós mesmos trazemos na bagagem de passadas reencarnações.

          Do lar e do grupo social, seja esse grupo de caráter idealístico ou afetivo, na ação e na afinidade, é que nos afastamos para a Família Maior — a Humanidade — assim como a embarcação que se retira do cais, em demanda do mar alto.

          Por esta razão, nessas duas escolas da alma é forçoso adestrar-nos em Doutrina Espírita, a fim de que a travessia da viagem na vida física se faça amparada no êxito necessário.

        Enfim, traduzamos a nossa fé em trabalho incessante no Bem, desentranhemos as lições de Jesus, milenarmente arquivadas em nossa memória para o trato afetivo com as experiências do dia a dia, auxiliando-nos uns aos outros, através do perdão aprendido e sofrido e da tolerância trabalhada e esculpida no próprio esforço, reconhecendo que o outro é o nosso reflexo.

          O próximo é o caminho e Jesus é a meta.

          Sirvamo-nos. Ajudemo-nos. tão somente assim, ofereceremos substância às realizações espíritas-cristãs, à maneira do material que monumentaliza esse ou aquele plano de construção.

          Atividade, mas não aquela atividade a que os nossos irmãos ainda sediados na rebeldia se referem nos apelos com que conclamam o Mundo à renovação.

          Esforço em nós mesmos, para que a nossa fé se nos instale definitivamente na vida pessoal para que a felicidade não mais se erija em nós por mito que a desilusão quebra ou destrói.

          Construamos Doutrina em nós e em nossas próprias existências, dando conta dos encargos que o Senhor nos reservou, tomando a compreensão e a bondade por diretrizes de cada dia.

          Apenas assim — unicamente assim — faremos a divulgação do Espiritismo por Doutrina Perfeita, a destacar-se de nossas próprias imperfeições, a fim de que pelo trabalho e hoje, venhamos a alcançar com o Divino Mestre, a felicidade indestrutível pela vivência positiva e real da legenda que Ele mesmo, Jesus, nos deu a todas as criaturas na Terra, por divino roteiro indispensável à paz de cada um:  ( Jo )   — “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.”

(Doutrina e vida. Espírito  Bezerra de Menezes . Psicografado por Chico Xavier )