Dicas úteis à prática pedagógica da Evangelização Espírita Infantojuvenil

Caros(as) evangelizadores(as),

Apresentamos uma singela contribuição à prática da Evangelização, resultado de experiências  e relatos de evangelizadores  que abraçam  a tarefa em vários cantos do nosso país.

De modo leve e objetivo, compartilhamos lembretes que podem ser considerados nas falas, olhares, escutas e ações pedagógicas, e que se mostram relevantes quando assumimos o compromisso de aproximar a mensagem de Jesus  e  a Doutrina Espírita dos corações infantojuvenis.

As  Dicas Úteis à  Prática Pedagógica  da Evangelização Espírita Infantojuvenil, aqui apresentadas, referem-se a importantes alertas que, na prática cotidiana das escolas de evangelização espírita, fazem diferença e são  capazes de promover  uma melhor qualidade do ambiente, maior segurança dos evangelizadores e a construção de vínculos fraternos entre estes e os evangelizandos.

Esperamos que tais lembretes possam auxiliá-los e fortalecê-los na nobre tarefa  da  Evangelização, inspirando-os  a buscarem,  continuamente, a qualidade e  a  fraternidade, tendo  no Evangelho de Jesus  não  apenas o objetivo almejado, mas o meio pelo qual a tarefa se edifica.

Com  vibrações de paz e alegria,

Recebam nosso fraternal abraço,

(Equipe DIJ/FEB)

 

“Evangelização Espírita é Sol nas almas, clareando o mundo inteiro sob as constelações das estrelas dos Céus, que são os Bem-aventurados do Senhor empenhados em Seu nome, pela transformação urgente da Terra, em  ‘mundo de regeneração’ e paz.” Amélia Rodrigues

 

PROPORCIONE

- Proporcione um  ambiente informal e acolhedor em sala de aula.

A afetividade se expressa nas singelas ações.

- Proporcione harmonia dos estímulos visuais da sala de aula.

A poluição visual dificulta a focalização da atenção das crianças nas atividades propostas. A ornamentação e a organização da sala de aula devem se dar de modo criativo, alegre e acolhedor, mas não excessivo.

- Proporcione segurança em sala de aula (ambiente físico, vínculo evangelizador-evangelizando, domínio do conteúdo e planejamento de aula).

A insegurança abre espaço para imprevistos, medos e expectativas, impedindo o evangelizando de vivenciar plenamente o momento da aula.

- Proporcione integração entre os evangelizandos.

A interação com os colegas proporciona a vivência de experiências e o desenvolvimento de importantes habilidades e sentimentos.

- Proporcione exercícios de autoconhecimento e autovalorização, bem como de conhecimento e de valorização do próximo.

O exercício do conhecimento e da valorização de si e do próximo, por meio de reflexões e ações, representa importante caminho para a descoberta de habilidades, favorecendo a superação das dificuldades e a contextualização do indivíduo no mundo.

- Proporcione grupos de trabalho com número reduzido de evangelizandos.

As atividades em grupo são extremamente válidas, porém grupos muitos extensos dificultam o debate do assunto e a troca de ideias, podendo levar à dispersão e a discussões paralelas. Grupos menores tendem a apresentar uma melhor organização e produção.

- Proporcione perguntas, evitando dar as respostas sem oferecer ao evangelizando a oportunidade da reflexão.

O questionamento pessoal instiga a curiosidade e a construção dos conhecimentos. Oferecer respostas sem o exercício da razão fragiliza o senso crítico do evangelizando.

- Proporcione espaço para que o evangelizando apreenda os conceitos, vivenciando-os.

A vivência dos conceitos implica o envolvimento do coração, da cabeça e das mãos, tal como nos orienta

Pestalozzi. Sentir, pensar e agir são ações que permitem a verdadeira evangelização da criança e do jovem.

- Proporcione organização nas atividades programadas.

Os evangelizandos percebem quando uma aula foi bem  planejada ou quando lhe faltou a organização prévia.

- Proporcione a utilização de novidades e de curiosidades sobre o tema para o desenvolvimento das aulas.

A incentivação inicial e a exposição de novidades estimulam a curiosidade e favorecem a motivação do evangelizando.

- Proporcione a utilização de materiais concretos e experiências cotidianas na explicação dos conteúdos.

A visualização dos temas abordados favorece a atenção, a memorização e a associação de ideias e experiências, além de proporcionar a contextualização dos conteúdos na vida dos evangelizandos.

- Proporcione a troca de experiências entre os evangelizandos e entre evangelizador-evangelizando.

Conhecer o evangelizando e compartilhar experiências fortalecem os vínculos de afeto e segurança.

- Proporcione a harmonia espiritual do ambiente.

A aula de evangelização envolve o plano físico e o espiritual. Faz-se fundamental o respeito por ambos os planos por meio de condutas coerentes aos princípios espíritas.

- Proporcione contatos periódicos com a família.

A presença da família é fundamental à efetiva evangelização da criança e do jovem. Momentos de convívio e estudo junto aos responsáveis são preciosas oportunidades de reflexão, conhecimento e fortalecimento dos vínculos.

- Proporcione o contato do evangelizando com o livro espírita.

O livro espírita, desde a tenra idade, representa tesouro incalculável, fiel amigo e bússola orientadora aos caminhos do bem e da paz.

- Proporcione um ambiente de aceitação e fraternidade.

É importante a construção de um ambiente onde se estabeleça a cooperação, a amizade, o respeito às diferenças e o cuidado com o outro.

- Proporcione novas disposições do ambiente de acordo com a atividade a ser realizada.

Quando o evangelizando se depara com um ambiente preparado de maneira adequada, cria-se uma

expectativa de envolvimento com a proposta de atividade a ser realizada.

- Proporcione a participação da turma na organização do ambiente da sala de aula.

Os sentimentos de responsabilidade e de pertencimento tendem a ser potencializados quando as tarefas de organização do espaço e da atividade – prévias ou posteriores à aula - são compartilhadas junto aos evangelizandos.

 

COMUNIQUE-SE

- Comunique-se aprendendo a ouvir.

O evangelizador é privilegiado aprendiz das experiências e conhecimentos compartilhados pelos evangelizandos. Não desperdicemos preciosa oportunidade.

- Comunique-se olhando o evangelizando nos olhos.

O olhar é capaz de expressar sentimentos e vibrações que as palavras por vezes não conseguem. Olhar nos olhos é reconhecer a individualidade e o valor do evangelizando.

- Comunique-se utilizando comunicação assertiva.

A assertividade se caracteriza pela clareza de propósitos, objetividade e ponderação nas colocações.

- Comunique-se buscando conhecer e acompanhar o evangelizando.

Ouvir o evangelizando e acompanhá-lo em suas conquistas e dificuldades representa ponto de segurança e confiança.

- Comunique-se utilizando linguagem direta e clara, com vocabulário acessível à faixa etária do evangelizando.

A clareza na comunicação é essencial para a correta compreensão dos propósitos do evangelizador e dos ensinamentos da Doutrina Espírita.

- Comunique-se utilizando entonação de voz firme e volume adequado.

O zêlo na comunicação reflete o respeito pela mensagem compartilhada.

- Comunique-se positivamente – procure expor o que deseja que aconteça, e não o que não gostaria que acontecesse.

As frases negativas normalmente deixam dúvidas quanto às ações corretas. É preferível que se apresente a situação desejável aos evangelizandos, conduzindo-os à tomada da melhor decisão.

- Comunique-se apontando as ações positivas, individual ou coletivamente, e, quando necessário, as ações negativas de forma privada.

O constrangimento não  educa, repudia. Quando for necessário conversar com  o evangelizando sobre uma dificuldade evidenciada, faça-o de forma afetuosa, construtiva e particular, de modo a não expor as suas dificuldades e a encontrar maneiras de auxiliá-lo em sua superação.

-- Comunique-se expressando, quando necessário, os aspectos negativos do comportamento e não da pessoa.

Por vezes pode ser necessário alertar a criança e o jovem acerca de eventuais condutas inadequadas. Ressalta-se, contudo, que a criança e o jovem não são os comportamentos que emitem, porém esses podem  expressar dificuldades que vivenciam em determinado momento. Dessa forma, a pessoa pode expressar um  comportamento agressivo e não ser agressiva, manifestar um comportamento agitado e não ser agitada. O preconceito inicia-se, muitas vezes, na inabilidade de se ver a transitoriedade das condutas e o dinamismo do desenvolvimento.

- Comunique-se explicando o porquê, como e para que (argumentação lógica) dos fatos e orientações.

A autonomia de pensamento se constrói por meio do exercício lógico, seja referente às informações históricas e doutrinárias, seja relativa às próprias condutas cotidianas.

- Comunique-se repetindo os conteúdos sempre que necessário, de diferentes maneiras.

Nem sempre as informações são compreendidas imediatamente pelos evangelizandos. A disponibilidade para expor novamente o assunto e a criatividade para favorecer a compreensão da mensagem indicam  valorização do conteúdo e respeito pelo processo individual de aprendizagem.

- Comunique-se mostrando-se acessível e receptivo a conversas ou dúvidas específicas, individual ou coletivamente.

Os questionamentos são indicadores de que o conhecimento está em  construção. Auxiliar o evangelizando nesse processo é orientá-lo em  sua formação como engenheiro de seus pensamentos e pedreiro de suas ações.

- Comunique-se entrando sempre em contato com os  evangelizandos, especialmente quando apresentam  impontualidade ou faltas consecutivas.

Interessar-se pela pontualidade e presença do evangelizando representa cuidado e valorização de sua companhia, aspectos essenciais à construção do vínculo com o evangelizador e com a Casa Espírita.

- Comunique-se usando as tecnologias como ferramentas de auxilio na aprendizagem dos evangelizandos.

É importante ressaltar que a tecnologia aplicada de forma adequada pode trazer ótimos resultados, mas não substitui as orientações fraternas do evangelizador.

- Comunique-se expressando ao evangelizando as etapas e objetivos das atividades programadas.

A segurança também se manifesta na organização harmoniosa do tempo. Especialmente junto às crianças menores, explique o planejamento previsto e o que se espera de cada atividade.

Quando o evangelizando sabe os objetivos da atividade, ele adota uma postura de maior envolvimento diante das situações de ensino-aprendizagem.

- Comunique-se enfatizando os sucessos, não as dificuldades.

O bem e os aspectos positivos devem ser valorizados a despeito das possíveis dificuldades evidenciadas. Tal ação promove o desenvolvimento das habilidades em amadurecimento, ao invés da cristalização de suas percepções nas limitações apresentadas.

 

EVITE

- Evite roupas desconfortáveis que possam limitar as ações do evangelizador durante a aula.

A vestimenta do evangelizador exige bom-senso e reflete o respeito direcionado a si, ao próximo e à tarefa de evangelização.

- Evite iniciar a aula sem a preparação prévia dos materiais necessários à sua execução.

A viabilidade do planejamento de aula requer organização prévia dos materiais para sua efetivação. O improviso e o despreparo podem desperdiçar precioso tempo da aula de evangelização.

- Evite a ociosidade do evangelizando dentro da sala de aula.

Promova atividades extras após a conclusão de uma atividade planejada ou solicite a ajuda do evangelizando para a organização dos materiais. A ociosidade pode gerar dispersão.

- Evite o uso de rótulos ou comparações entre os evangelizandos.

Verbalizações, críticas ou brincadeiras podem cristalizar estereótipos e desconsideram o caráter dinâmico do desenvolvimento e da diversidade humana.

- Evite os “privilégios” em sala de aula.

A justiça se aprende na prática. Os acordos realizados em sala são válidos para todos, indiscriminadamente.

- Evite combinar algo que não possa ser cumprido, comprometendo o vínculo de confiança.

Os acordos realizados com os evangelizandos representam  sérios compromissos que exigem efetivação. A confiança depende do exemplo.

- Evite fazer pelo evangelizando aquilo que ele pode fazer sozinho.

A autonomia na aprendizagem expande-se à autonomia perante as escolhas da vida. Apontar caminhos e refletir junto ao evangelizando não implica levá-lo “no colo”. As pernas precisam ser exercitadas.

- Evite a improvisação ou o despreparo, acreditando no “auxílio da espiritualidade”.

Indubitavelmente a espiritualidade apóia e acompanha todas as tarefas voltadas à prática da evangelização. Ressalta-se, contudo, que o trabalho não admite transferência de responsabilidades. A qualidade da execução é compromisso dos que assumiram a tarefa no plano físico.

“(...) a especialidade da tarefa não se compraz com improvisações descabidas, tão logo a experiência aponte o melhor e o mais rendoso (...)” Bezerra de Menezes (Fonte: Evangelização Espírita Infantojuvenil - Sublime Sementeira, FEB, 2012)

 

BUSQUE CONHECER-SE

- Busque conhecer-se, exercitando o amor, a empatia e a tolerância.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. - Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” Jesus

- Busque conhecer-se, lidando com seus sentimentos, para que o evangelizando se sinta seguro para lidar com os dele.

“O primeiro passo de quem ensina deve ser dado no sentido de educar-se.” Amélia Rodrigues (Fonte: Evangelização Espírita Infantojuvenil - Sublime Sementeira, FEB, 2012)

- Busque conhecer-se, reconhecendo as suas limitações e habilidades, bem como as de seus evangelizandos.

Conhecer-se exige humildade e esforço de superação. Conhecer o próximo exige respeito e a prática da caridade. “Iniciemos, cada dia, nosso trabalho de evangelização em nós mesmos, estendendo esta atividade aos que nos cercam.” Emmanuel  (Fonte: Evangelização Espírita Infantojuvenil - Sublime Sementeira, FEB, 2012)

- Busque conhecer-se, aprofundando seus conhecimentos.

Conhecimento doutrinário é condição essencial à tarefa de evangelização espírita, sob o risco de comprometer-se, na divulgação, a integridade da obra codificada por Allan Kardec. O estudo caracteriza prática permanente. “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.” O Espírito de Verdade (O Livro dos Espíritos, FEB)

- Busque conhecer-se, aprimorando sua prática pedagógica.

O aprimoramento de técnicas pedagógicas, a criatividade e a inovação de recursos didáticos representam  estratégias que visam à melhor compreensão da mensagem abordada em sala de aula.

“(...) os servidores integrados na evangelização devem  buscar, continuamente, a atualização de conteúdos e procedimentos didático-pedagógicos, visando a um  melhor rendimento, em face da economia da vida na trajetória da existência, considerando-se que, de fato, os tempos são chegados...”

Bezerra de Menezes  (Fonte: Evangelização Espírita Infantojuvenil - Sublime Sementeira, FEB, 2012)

- Busque conhecer-se, observando-se e avaliando-se. O hábito da autoavaliação permite a identificação dos êxitos e das dificuldades vivenciados na tarefa de evangelização, favorecendo a redefinição de caminhos para o alcance dos objetivos.

“(...) o evangelizador consciente de si mesmo jamais se julga pronto, acabado, sem mais o que aprender, refazer, conhecer.... Ao contrário, avança com o tempo, vê sempre degraus acima a serem galgados, na infinita escala da experiência e do conhecimento.” Guillon Ribeiro (Fonte: Evangelização Espírita Infantojuvenil - Sublime Sementeira, FEB, 2012)

- Busque conhecer-se, perseverando nos ideais de paz e bem.

“Tomai, pois, por divisa estas duas palavras: devotamento e abnegação, e sereis fortes, porque elas resumem todos os deveres que a caridade e a humildade vos impõem.” (“O Evangelho Segundo o Espiritismo” - Cap. VI - 8.)

- Busque conhecer-se, identificando e superando suas dificuldades.

A mudança na prática pedagógica implica conhecer os pontos a serem melhorados. Busque sugestões em  livros, orientações junto a evangelizadores mais experientes, tenha o hábito constante do planejamento e participe de cursos de capacitação/formação.

- Busque conhecer-se, dando o exemplo!

O evangelizador é permanentemente convidado a agir de forma coerente com a mensagem desenvolvida em  sala de aula. “Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em  nossas próprias vidas. (...).” Bezerra de Menezes (Reformador, dez/1975)

“Ide, pois, e levai  a palavra divina (...) Arme-se  a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!” Erasto (“O Evangelho Segundo O Espiritismo”, Capítulo XX, item 4)

Boa semeadura!

(Fonte:  Dicas  Úteis  à  Prática  Pedagógica  da  Evangelização  Espírita  Infantojuvenil. FEB )